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terça-feira, maio 28, 2019

EMERSON, BARBARA HEPWORTH, LUCRÉCIA FERRARA, HELENA IGNEZ, MEMENTO MORI, TERRITÓRIO DA SAÚDE & MÔNICA FALCON


MEMENTO MORI - Diante de si e de tudo, a hora. Quem se recusa com o beiço virado e um deus na barriga, dono de si desafiando a vida, pisando gente com a soberba descarada, autossuficiência de semideus e o domínio ao umbigo, a mandar e desmandar aos quatro ventos e astros, na avareza e possessão, acumulando ao mandonismo, agiotagem, ambições, para gozar uma vida eterna aqui na Terra, agora e sempre, guerras, epidemias, traições, quanta húbris! Todos sonham em ser auriga no memento homo, segurando a sua coroa de louros, vitoriosos. Mas quem, diante de si e de tudo, agora, de que adianta passar os outros para trás, tirar proveito da ignorância alheia, enganar, enrascar, fazer os demais de tolos, otários, para vangloriar-se o rei da cocada preta no exagero do exibicionismo. Ah, esquece-se que se pode sucumbir à doença, indiferente ao fatídico suicídio, à calamidade do inopinado, o desassossego dos aflitos, as colisões, os destroços dos míseros, tudo tão conspícuo. Quantos se apegam e se agarram à correnteza da vida. A gente cada vez menos conhece o que é o ser humano. Quase impossível lembrar-se que é mortal, isso é líquido e certo. Não há o que temer. É preciso elaborar, saber-se das cartas de Sêneca, do beijo de Epiteto e do que rondava os pensamentos de Wittgenstein, o tratado samurai, o respeito ao povo dos túmulos. Lembrar-se da morte, do quanto tudo é perecível, efêmero, nada além de saber que tudo morre e não é o fim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a cidade como mídia só se revela como mediação à medida em que contempla as diferenças entre cidades e as características dos seus lugares. Se a cidade como mídia supõe a lógica redundante da midialogia, a mediação supõe reação e ação atentas ao movimento contínuo que organiza e reorganiza a cidade como um sistema. Em consequência e enquanto mediação, a cidade não é marcada pelas imagens que a simbolizam, mas é ela própria, enquanto produtora de ações e comportamentos, que se caracteriza pragmaticamente e se revela como mediação na grande experiência coletiva que é dada ao homem descobrir e viver. [...] Como grau zero da mídia, a mediação não é, mas está disponível e inaugura-se como escritura cuja função não é exprimir ou transmitir valores e ações, mas impor a semiose que parte da dimensão semiótica das interações, para superá-la e escrever uma história da cidade feita do modo como nela operamos ou dela fazemos parte. A mídia sinaliza a cidade através das suas imagens, mas a mediação permanece cognitivamente na experiência que produz sua metamorfose feita de convergências e divergências.
Trechos do artigo Cidade: meio, mídia e mediação (Matrizes, abril 2008), da professora e pesquisadora Lucrécia Ferrara, autora da obra Os significados urbanos (Edusp/Fapesp, 2000).

CANÇÃO DE BAAL
O longa-metragem Canção de Baal (2008), escrito e dirigido pela cineasta, atriz, diretora e roteirista Helena Ignez, é baseado na peça Baal, de Bertolt Brecht, contando a história de um artista liberal que tem casos com várias mulheres e um homem, de quem morre de ciúmes. Em um jantar, ele se torna sarcástico com os convidados e atrai a mulher do amigo. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O escultor tem de procurar apaixonadamente o principio subjacente à organização da massa e da tensão – o significado do gesto e a estrutura do ritmo.
A arte da escultora britânica Barbara Hepworth (1913-1975), com suas obras abstratas, de formas côncavas e convexas e superfícies polidas. Baseado na vida dela, o drama independente The Sculptress (2018), dirigido por Alex Bailey e estrelado por Cassie Compton como protagonista, traçando a trajetória da artista, alimentado por seu caso de amor com o pintor inglês Ben Nicholson (1894-1982). 
Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

O TERRITÓRIO SAÚDE DE MÔNICA FALCON
O programa Território Saúde, apresentado pela jornalista, produtora e diretora Mônica Falcon, na TV Padre Cícero, traz questões atinentes aos cuidados com a saúde. Ela edita o blog Atelier Mônica Falcon e atua como palestrante de conteúdo motivacional, além de produzir, atuar e dirigir conteúdo para tevê, peças publicitárias e varejo televisivo. Veja mais aqui e aqui.
&
A OBRA DE RALF WALDO EMERSON
O que nos outros chamamos de pecado, para nós é experiência.
A obra do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, maio 23, 2018

STENDHAL, ALBERTO HIDALGO, DIANE ACKERMAN, GORDON CHILDE, XUL SOLAR, HELENA IGNEZ, LOU REED & LAURIE ANDERSON


CARTA PERDIDA NA PRIMEIRA ESQUINA - Imagem: arte do argentino Xul Solar (1887-1963) - Por tantas idas e vindas perdi as sílabas inauditas do meu canto ao rés do chão e as minhas pobres palavras inconclusas esgarçaram-se empoeiradas e em revoadas sem eco aos ventos no céu de nenhum azul e urros do tempo. Emudecido pela chuva torrencial, fiz da morada do silêncio o que pude e me restava ver as tantas faces do amor caçoando de mim: quem não sabe brincar, não entra na roda. Ah, quem não desceu ladeira abaixo, deu de cara com o poste, teibei! Quantos anos mais tarde, dei por mim, a cidade enterrada na duna da memória assaltada atrás dos morros por folguedos, palácios e estábulos, o naufrágio de almas às horas suicidas nas ruas que não sei o nome, e quase me perdia de vez ao confundir os paralelos que parecem convergirem mas não, desajeitado e até obsceno sem saber o que fazer, só o lisonjeiro bem empregado dos sacânicos, desacumulados e estranhos que escondem o pior de si para serem simpáticos risonhos ocultando sentimentos embusteiros, e sem que pudesse espalmar as mãos já penhoram suas devoções estarrecidos com o acervo de coisas malévolas e inatacáveis, profanando intimidades com extravagâncias pra escandalosas ruinas e agruras de facas amoladas com todos os requintes de crueldade. Assim se satisfaziam e às suas imprecações monstruosas das gradações do ódio por flagelos, desnudamentos, imposturas de déspotas e ventríloquos em seus próprios extermínios. Tudo isso, ondas invasoras da risada do verdugo a naufragar o humano a cada instante e caçá-lo e matá-lo sem dó nem piedade, para então ressuscitá-lo no grau da ciência, todo petrificado e envaidecido pela armadura incapacitante de descontrolados nas armadilhas de suas mil e uma insônias, vísceras, remorsos, vitupérios. Eu assisto a tudo e me esquivo e sei que ninguém escapa, não há escapatória, mesmo que não sejamos melhor que sombras e pó, somos tão parecidos na nossa desonra, na impermanência que nos pinta de êxito a traição, rumo ao topo que não é nada no pico da festa dissipada pelo jogo das luzes no estardalhaço. Quase consigo me livrar, nem sempre, cada esquina uma revelação, um plano de voo ou fuga, e lá vou contando cada alvorada para cada crepúsculo na ponta dos dedos, e mais uma vez o ciclo se fecha pro meu arbítrio e recomeça a cada três horas de novo e o primeiro passo rompe o confim pra outra imensidão e a vencer dimensões que vão e voltam em mim que não sei nada e nem quero saber, só voo sem sílabas do canto ao rés do chão e com as ataduras das palavras empobrecidas que me restam da solidão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, guitarrista & compositor estadunidense Lou Reed (1942-2013): Les nuits de furvière, Live Lollopoaloosa Chicago & Live Capitol Theatre; da artista experimental estadunidense Laurie Anderson: Home of the brave & Live Concert Luminato Festival; da apresentação Lou Reed & Laurie Anderson Live in Venice; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os homens se apegam apaixonadamente às velhas tradições e revelam uma relutância intensa em modificar modos habituais de comportamento, como os inovadores de todas as épocas verificam à sua própria custa. O peso do conservantismo, em grande parte uma aversão preguiçosa e covarde pela cansativa e penosa atividade de pensar autenticamente, sem dúvida retardou o progresso humano, no passado mais do que hoje. [...]. Trecho extraído da obra A evolução cultural do homem (Zahar, 1981), do filólogo australiano Gordon Childe (1892-1957), expressando em seus estudos que [...] Os homens podem fabricar ferramentas porque suas patas dianteiras tornaram-se mãos, porque vêem o mesmo objeto com ambos os olhos e podem avaliar as distâncias com muita exatidão, bem como porque um delicadíssimo sistema nervoso e complicado cérebro os capacitam a controlar os movimentos da mão e do braço em adequação precisa ao que estão vendo com ambos os olhos. Mas os homens não sabem por algum instinto inato fazer ferramentas e usá-las: precisam aprender através da experiência, através do ensaio e do erro [...].

VOCABULÁRIO DO AMORO amor é o grande imponderável. Em nossos pesadelos, podemos criar feras por pura emoção. O ódio exibe suas presas gotejantes pelas ruas, o medo paira sobre os becos com suas asas de couro, e o ciúme tece viscosas teias através do céu. Em fantasia, podemos manipular as tramas com equilíbrio, derrotando um adversário, obtendo sucessos gloriosos sob os aplausos das multidões, alcançando prontamente o âmago da aventura. Entretanto, que espécie de sonho é o amor? Frenético e sereno, vigilante e calmo, angustiado e forte, explosivo e sóbrio – o amor comanda um vasto exercito de humores. Confiantes na vitória, claudicantes após a última escaramuça, os amantes adentram a arena uma vez mais. Imóveis, somos tão audaciosos quanto os gladiadores. [...] O amor é a luz branca da emoção. Contém inúmeros sentimentos que, por preguiça e perplexidade, aglomeramos em uma simples palavra. A arte é o prisma que os coloca em liberdade, acompanhando em seguida os rodopios de um ou alguns deles. Quando a arte separa esse denso emaranhado de sentimentos, o amor revela seu esqueleto. Todavia, ele não pode ser medido nem mapeado. Todos admitem que o amor é maravilhoso e necessário, mas ninguém consegue chegar a um acordo sobre o que ele é. [...] Por mais sublime que a ideia do amor possa ser, nenhuma imagem é excessivamente profana para ajudar a explica-lo. [...] o amor produziu todos os imponderáveis. Ele nos permite realizar nossa mais requintada dança. Amor. Usamos uma palavra tão pequena para uma ideia ilimitada e poderosa, a qual alterou o fluxo da história, apaziguou monstros, inspirou obras de arte, consolou os desesperados, tornou sentimentais os valentões, consolou os escravizados, tornou arrebatadas mulheres fortes, glorificou os humildes, alimentou escândalos nacionais, levou à ruina magnatas gatunos e fez picadinho de reis. De que maneira a vastidão do amor pode ser traduzida nos limites estreitos de quatro letras? [...] O amor é um delírio ancestral, um desejo mais antigo do que as civilizações, cujas raízes inserem-se profundamente em épocas desconhecidas e misteriosas. Usamos a palavra amor de maneira tão descuidada que ela quase pode significar nada ou absolutamente qualquer coisa. É a primeira conjugação que aprendem os estudantes de latim. [...]. Trechos extraídos da obra Uma história natural do amor (Bertrand Brasil, 1997), da escritora e naturalista estadunidense Diane Ackerman.

MAIS DO AMOR – [...] O amor reduziu-me à condução de angustia e desespero, e amaldiçoo minha própria existência. Nada consegue atrair meu interesse... cada imagem na parede, cada peça da mobília reprova-me pela felicidade com que sonhei nesta sala e que agora está perdida para sempre. Percorri as ruas a passos largos e sob a chuva fria; e o acaso, se puder chamá-lo de acaso, fez-me passar pela janela da amada. A noite caía e, ali passando, meus olhos marejados fixaram-se na janela do seu quarto. De súbito a cortina foi afastada por um instante, como se para permitir um vislumbre do interior, mas voltou rapidamente a seu lugar. Senti um espasmo em meu coração. Sem mais forças para resistir, refugiei-me num pórtico vizinho, os sentimentos de desordem; naturalmente devia ter sido um movimento casual da cortina; mas imagine se a mão dela houvesse levantado a cortina! Dois apenas são os sofrimentos na vida; o sofrimento da paixão não correspondida e aquele do vazio inerte. No amor, tenho a sensação de que a felicidade ilimitada, para além de meus sonhos mais arrebatados, encontra-se logo depois da esquina, esperando apenas uma palavra ou um sorriso. Sem a paixão... não posso encontrar a felicidade em parte alguma, e começo a duvidar se realmente ela me está destinada [...]. trechos extraídos da obra Do amor (Martins Fontes, 1993), escritor francês Stendhal – pseudônimo de Marie-Henry Beyle (1783-1842). Veja mais aqui.

BIOGRAFIA DA PALAVRA REVOLUÇÃO - Palavra que nasceu de um vômito de sangue / palavra que o primeiro que a disse se afogou nela / palavra sempre posta em marcha / palavra contumaz na modernidade / palavra que se pronuncia com os punhos / palavra grande até sair pelas margens do dicionário / palavra de 4 flechas disparada aos pontos cardeais / Aqui fica desenraizada de todo o seu episódio / sobre um dos vértices mais remotos do tempo / concentração / para empreender a rota para que céu? / Cada um conforme sua intensidade conforme seu / diverso carater alfabético / e a palavra ficou escrita / Revolução / logo o sol ao passar detrás dela para afundar-se / na noite / incendiou suas dez letras / revolução / e foi o primeiro aviso luminoso do mundo / agora está no homem como o oxigênio está na água / campos, cidades, mares contam com uma população / de seus ecos / Subtrairam-lhe o espaço aos corpos que se dilatam / tem violência e distinção de onda de vento / entra nas almas com uma sensualidade de arado / cartaz escrito na claridade de dois braços erguidos / alcemos com a vida. Poema do escritor peruano Alberto Hidalgo (1897-1967).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A atriz, diretora, roteirista e cineasta Helena Ignez, começou sua carreira com o curta-metragem O pátio (1959), de Glauber Rocha. Depois ela participou dos filmes A grande feira (1961), Assalto ao trem pagador (1962), o Padre e a moça (1966), O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, no qual interpretou a Janete Jane. A partir de então ela passou a integrar o Cinema Marginal e o udigrudi, ao lado Rogério Sganzerla e Júlio Bressane. Entre os anos 1968 e 1970, chegou a fazer cerca de doze filmes, passando, a partir de 1972, a filmar na Europa, Estados Unidos e África, chegando a realizar a anarquia corporal A mulher de todos e a realizar Ângela Carne e Osso. Em 2010, produziu Luz nas trevas – A volta do Bandido da Luz Vermelha. Dirigiu filmes como A moça do calendário e O poder dos afetos (2013), entre outros. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.


Primeira Antologia da Academia Palmarense de Letras (APL) & muito mais na Agenda aqui.
&
Las Cuatro (1922), do argentino Xul Solar (1887-1963) aqui
&
Dias & noites a fio, Estabelecidos & Outsiders de Norbert Elias, a poesia de Gerardo Mello Mourão & a fotografia de Alex Krivtsov aqui.
 

sexta-feira, agosto 21, 2009

LAGERKVIST, IBSEN, RENARD, GUSTAV SUITS, HELENA IGNEZ, MARGARET FULLER, FRANZ KLINE, JOAN COLLINS, IDEALISMO & EDUCAÇÃO

A arte do pintor estadunidense Franz Kline (1910-1962).

QUEM SE VÊ E O QUE É VISTO – UMA: DE NARCISO A CALIBÃ – Sei quem sou, nem sempre. Às vezes até me desconheço. Dei um mergulho dentro de mim, máscaras e chapéus removidos, o que sobrou de mim, quase nada. Havia muitos outros que eu mesmo. Precisava verdadeiramente me conhecer e ser quem realmente sou. Foi possível quando Pär Lagerkvist brandamente insinuou: Os homens gostam de se ver refletidos em espelhos pouco transparentes. Quis ir fundo, me virei pelo avesso e me descobri inútil. É assim que sou e precisei me aceitar para que pudesse ser feliz comigo mesmo. DUAS: QUEM É OU NÃO É - O meu maior conflito era o de querer agradar todo mundo e isso me levava a desagradar de mim. Muita coisa feita contra a vontade, só para agradar os outros. Outras mais me levaram a sucumbir só para que os outros me vissem melhor do que realmente sou. O pior era não saber dizer não. Ainda tenho dificuldades com relação a isso. Mas já consigo, pelo menos, sair ou escapar das insistências as quais não quero ir ou fazer. Ainda preciso ainda melhor me acomodar a mim mesmo. E a lindíssima Helena Ignez carinhosamente me mostrou o caminho das pedras: Hoje eu sou uma pessoa mais amorosa, por isso eu não pegaria em armas. Estou aprendendo a administrar o que aparece para fazer apenas o quero e gosto. Preço alto a pagar, com certeza. TRÊS: DA SEGURANÇA ENTRE INCERTEZAS – Sabia de antemão o caríssimo preço que teria que pagar pela minha independência. Confesso: não pensei que seria altíssimo. Entre erros e acertos, perdi todas. Se havia algo a fazer, era confiar em mim mesmo e seguir adiante de cabeça erguida. Guardei o que Henrik Ibsen falou: Se duvidas de ti mesmo estás vencido de antemão. Finge ignorar os teus inimigos; não caias na vulgaridade de defender-te. Depus todas as armas e amarras, desfiz arestas e escusas, passos firmes, pisadas suaves e ergui a fronte sabendo que cada piso e pessoa eram para lá de falsos. Era comigo mesmo que eu tinha que me resolver e assim levar tudo em bom termo. A vida não é tão fácil quanto se diz, são muitos caminhos com tantas pedras, cada qual com seu grau de dificuldade. É só seguir confiante em si, mais nada. Fiz e voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - A pessoa prudente aproveita a sua experiência. A sábia aproveita a experiência dos outros. Pensamento da atriz e escritora britânica Joan Collins, que atua como colunista e que confessou ter sido violentada na adolescência pelo ator que seria, posteriormente, seu primeiro marido, Maxwell Reed.

ALGUÉM FALOU: Hoje um leitor, amanhã um líder. Se você tem conhecimento, deixe os outros acenderem suas velas nele. Pensamento da jornalista e feminista estadunidense Margaret Fuller (1810-1850), defensora dos direitos da mulher e associada ao movimento transcendentalista, autora do livro Woman in the Nineteenth Century (The Dial, 1843), então com o título de O grande processo: homem versus homem, mulher versus mulher, republicado em 1845 com o título definitivo.

A PRUDÊNCIA, A LIBERDADE, A IRONIA & O AMOR - A prudência não passa de uma qualidade: não devemos transformá-la em virtude. A liberdade tem limites que a justiça lhes impõe. A ironia é sobretudo uma brincadeira do espírito. O humor seria antes uma brincadeira do coração, uma brincadeira de sensibilidade. O amor mata a inteligência. O cérebro faz de ampulheta com o coração. Um só se enche para esvaziar o outro. Pensamento do escritor francês Jules Renard (1864-1910).

INSPIRAÇÃO - Isto é tão estranho. / Este não é o começo certo. / Ou é? / O fato. / Tudo é um milagre. / Tempo e algo dentro. / Vida. / A criança cresce dia após dia, hora a hora. / Depois de você, longe de você e de volta para você novamente. / Seu próprio milagre. / Às vezes o tempo está parado, ele parece estar carregando você. / Há rachaduras dentro e escoa entre eles. / Bom, ruim, às vezes bastante aleatório. / Você não entende. / Você é grato. / Seu próprio milagre. / O dia é comum, até irritante. / Não há vontade, mas deve. / Um não conseguiu, o outro provavelmente está bebendo novamente. / Você ainda pode insultar, mas novamente o dia / não tira toda a esperança. / E há alguma leveza. / Seu próprio milagre. / De fato, esta vida não é tão curta. / Algumas vezes você pode sentir / que o céu está alto e distante, / mas de alguma forma se dá bem com você. / Essa claridade e luz especiais que impressionam / realmente limpar tudo. / E se você for assim que voltar, / se o tempo dado a você tiver sido somado / e encontrado no final, / se o fogo se apagar. / Então nada resta. / Isto é tão estranho. Poema do poeta estoniano Gustav Suits (1883-1956).


O IDEALISMO - O Idealismo se constitui como uma corrente filosófica que teve sua origem no pensamento platônico, faz parte da revolução filosófica de Descartes e incluído no Idealismo alemão de Kant e Hegel. Esta doutrina traz por postulado básico o entendimento de que o eu é objeto para o próprio sujeito, fundando-se na racionalidade e considerando que o real são idéias ou representações e que o conhecimento da realidade se reduz ao exame dos dados e das operações de nossa consciência ou do intelecto como atividade produtora de idéias que dão sentido ao real e o fazem existir para nós. Desta forma, pretende o presente estudo abordar as questões atinentes aos conceitos e definições do Idealismo, localizando em sua especificidade, a questão da educação, pormenorizando os pensamentos e idéias expressas por seus cultores. O Idealismo é uma doutrina que, conforme Russel (2005), é defendida com base em vários fundamentos distintos. A doutrina é tão amplamente sustentada, e tão interessante em si mesma, que mesmo a mais breve exposição filosófica deve oferecer uma idéia a seu respeito. Entende, pois, o autor mencionado, que as bases sobre as quais o idealismo é defendido são geralmente bases derivadas da teoria do conhecimento, ou seja, de uma discussão das condições que as coisas devem satisfazer a fim de que possamos ser capazes de conhecê-las. O idealismo estabelece a separação entre o sujeito e o objeto considerando o psíquico como sendo a manifestação da esfera interior do homem. Em Platão, sob a ótica ontológica, a realidade verdadeira está no mundo das formas inteligíveis, nas idéias que são acessíveis à razão, reduzindo o real ao ideal e submetendo o ser em idéia. Em Descartes, o idealismo metódico fica evidenciado pela racionalização que coloca a dúvida em primeiro plano e antes de tudo, sobre o conhecimento estabelecido, partindo da dedução do pensar. O idealismo dogmático e imaterialista de Berkeley, defende que os sentidos estão inerentes ao ser humano e que diante dos argumentos o sujeito ouve, sente e experimenta, tomando conhecimento da realidade, formando-se a idéia. Para ele tudo que se conhece é idéia. Em Kant, sob a ótica gnosiológica e transcendental, tratado como fenomênico, no qual o objeto é algo que só existe em uma relação de conhecimento, fazendo distinção do conhecimento e do objetivo, submetendo-os a modos específicos e humanos de conhecer. A primeira tentativa de Kant, Hobbes e Descartes, é a recuperação da razão universal, originária do próprio sujeito através do pensamento na ação humana constituir assim uma Ética Universal. Através de uma nova civilização a Ética filosófica aceita por Kant e por Hegel, foi naturalmente submetida a um processo de fragmentação, pelas formas de racionalidade da ética atual, havendo assim a necessidade de uma Ética Universal ou de novos princípios Éticos. O idealismo absoluto de Hegel é fiel ao historicismo romântico, considerando o vir-a-ser dialético, o desenvolvimento, como realidade num processo emanentista, quer dizer, circular. O idealismo hegeliano defendia que não é o sujeito que gira em torno do objeto, mas, ao contrário, o objeto que gira em torno do sujeito, pois, conhecer para ele, não é refletir, ou reproduzir, pelo pensamento, uma realidade exterior, independente do sujeito. Com Hegel chega o fim das grandes concepções éticas, que se iniciara com Platão. O mister filosófico é de que o agir humano, só é racional e livre dentro de um pensamento da realidade, que permita o sujeito da ação, transcender as normas e nelas descobrir seus fins. Para Hegel, toda educação deve ser dirigida para o individuo fazendo-se objetivamente no Estado. Avaliando todo exposto, com base em Russel (2008), Reale (2002) e Lima (2009), entende-se que o idealismo professa a idéia que o pensamento se sobrepõe sobre as coisas. Isto quer dizer que o pensamento de um sujeito se realiza quando este pensa, sendo, pois, essencialmente, a correlação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Por isso, o pensamento é a relação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Esta exposição filosófica se dá com o surgimento do pensamento cartesiano, seguindo-se aos ensinamentos de Kant que trouxe a primazia da moral, Ficjte que parte do absoluto realizando a intuição do absoluto sob a espécie do eu, em Schelling que traz a identidade absoluta tratando de uma personalidade intelectual diferente, ou seja, de um esteta, até chegar na razão absoluta hegeliana. A esta altura entende-se que os idealistas reuniram de forma distinta todo arcabouço intelectual do idealismo, partindo do absoluto e formatando a idéia do conhecimento por meio das idéias. Tal fato vai originar a verdadeira percepção educacional da aprendizagem, onde cada um ao perceber a existência das coisas, terá, anteriormente, a idéia dessa concepção. O idealismo, portanto, apresenta um ponto de vista de caráter voluntário no contexto cartesiano, ao estabelecer que o juízo não é simplesmente uma operação intelectual exclusivamente, mas a vontade que nega ou afirma, simbolizando uma fundamental característica do Idealismo. Dá-se, daí, que o idealismo se comporta dentro de uma atitude introvertida consistindo no posicionamento do olhar e da atenção a um determinado local ou lugar, recaindo no próprio eu, isto com um esforço voluntário, em atitude reflexiva girando em si mesmo, artificial de se dirigir a atenção para todo o foco de onde a atenção parte. Desta forma, o conhecimento para o Idealismo, é uma atividade que sai do sujeito para alcançar as coisas, elaborada conceitualmente e finalmente constata a realidade da coisa descoberta, sendo, portanto, o final a realidade da coisa e última atividade no degrau do conhecimento para aquisição da consciência da coisa real. Compreende-se, portanto, que a atitude voluntária, introvertida e voluntária do idealista, traz a consideração de que a realidade não é algo dado, mas como aquilo que se vai conquista pela força do pensamento. Desse modo, a consciência para o idealista é o eu mesmo pensando, tomando conhecimento das coisas e do mundo. Daí entender-se porque o |Idealismo também é chamado de Racionalismo, porque desfez a unicidade do ser humano aristotélico, quando o corpo é tratado como uma máquina que possui uma alma que o dirige, o homem sai da medida de todas as coisas para o cogito cartesiano, passando a ser, assim, a medida de tudo pelo pensamento que possui a potencia de criar a realidade. Daí vem a idéia cartesiana de que o homem nasce das idéias inatas. A partir disso a filosofia kanteana conciliando a filosofia e a ciência, tratando que o homem não conhecerá jamais a realidade em si, apenas os fenômenos, propondo sua gnosiologia e influenciando a educação, onde expressa a razão com suas categorias do entendimento, quando o conhecimento passa a se exprimir de dentro para fora, cumprindo o dever pelo dever, provocando o voluntarismo e o otimismo educacional, uma vez que para Kant a educação pode tudo. Ocorre, então, o Idealismo hegeliano com a sua filosofia dialética que é a visão substancial do movimento da realidade porque tudo está sendo, é o devir. Com isso a razão ou idéia passa a ser a tese de onde tudo provém da dialética e todas as coisas vehetais, humanas, minerais, animais e do Estado. Por isso, na educação o Idealismo se projeta mais espiritualmente que para o ser humano, manifestando o impulso para dentro do interior humano, que é considerada a sede do espírito, ou seguindo para o além onde se encontra o verdadeiro mundo. Desta forma, o pensamento hegeliano entende que o homem prescinde de espaço e tempo, porque se manifesta o mesmo em toda e qualquer parte, razão pela qual, deve ser recepcionado por uma educação igualitária. Sendo então o homem um ser contemplativo, ele nasce para conhecer, este sendo a verdadeira felicidade: o conhecimento das idéias.  Vê-se, portanto, que a educação Idealista se caracteriza pela tutela estatal de caráter cívico. A pedagogia do idealismo, conforme Lima (2009), defende que a educação deve desenvolver a faculdade da razão, levando à formação do caráter moral. Esta pedagogia, no entendimento de Saviani (2007), ocupa o espaço da educação, entendida como a arte de ensinar tudo a todos, observando os fins da educação a partir da ética e os meios baseados na psicologia. Mediante esta exposição, passa-se às considerações finais.
CONCLUSÃO - O idealismo, conforme visto no presente estudo, está contido no principio da imanência, considerando que o homem só conhece suas idéias ou pensamento para conhecer diretamente algo. A partir disso, encontrou-se o idealismo como agrupamento de doutrinas que compreendem tudo e todas as coisas como idéias, explicitados pelos pensadores Kant, Berkeley, Fichte, Schelling e Hegel. Por meio deles deu-se de conhecer o idealismo na imanência do conhecimento, o que corroborou a pedagogia idealista sendo processada a partir do idealismo platônico que se condensa com as demais correntes do idealismo, como o cartesiano, o kantiano, o hegeliano e as nomenclaturas idealistas adotadas na contemporaneidade. Verificou-se que a educação idealista está baseada na ética, na filosofia e na psicologia, o que resulta numa importante teoria educacional que compreende a racionalização, a metodologia e o formato de um procedimento cientificamente aceitável. Percebe-se, contudo, que o Idealismo se expressa como uma doutrina coerente e ontológica, ensinando que a realidade verdadeira não está, senão, dentro do próprio homem. O conhecimento não é desprezado pelo idealista, uma vez que este conhecimento possui um substrato espiritual despertando a racionalidade. A critica aponta vantagens no pensamento idealista que superaram os empiristas, os materialistas, os pragmatistas, os positivistas, entre outros. No entanto, como conseqüência do pensamento baseado no principio da imanência da realidade do espírito, entende-se ter, assim, uma concepção que se mostra unilateral quanto a compreensão do mundo. Além do mais, o pensamento idealista é visto, no domínio da educação, como de suma importância pela adoção da idéia de transformar o homem e o mundo. Embora sejam encontradas críticas severas contra o idealismo e, por conseqüência, a pedagogia idealista, observa-se, no entanto, se destina a uma contribuição na busca da pedagogia dos anseios e desejos de todos, formando, assim, a base para a consolidação da educação como eficiente e eficaz ferramenta que seja capaz de contemplar a todos que necessitam. Veja mais aquiaqui.

REFERÊNCIAS
Lima, P. G. (2009). A pedagogia do idealismo alemão. Dourados: UFGD.
Reale,M. (2002). Introdução à filosofia. São Paulo: Saraiva.
Russel, B. (2008) Os problemas da filosofia. Lisboa: 70.
Saviani, D. (2007). Pedagogia: o espaço da educação na universidade. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 130, jan./abr.


TATARITARITATÁ – A edição deste sábado, dia 22, do Tataritaritatá no programa Alagoas Frente & Verso, a partir das 9:00hs, na radio Difusora de Alagoas, trará como destaque:Mácleim, Naná Vasconcelos, Clara Redig, a cantora Sonia Mello, Coretfal, a cantoria de Sebastião Dias & Zé Cardoso, a escritora Socorro Cunha, a DJ Zen, Mestre Pagode, Marcia Vilela, Uma noite no tabariz, a professora Aurea Correia do Colégio Imaculada Conceição de Maceiío e as comemorações do dia Folclore!!! Veja mais
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