domingo, julho 15, 2012

GIOCONDA BELLI, LESLIE CANNOLD, PIA TAFDRUP & A MULHER NA HISTÓRIA

A MULHER NA HISTÓRIA – Ao longo dos últimos dez anos – na verdade, tudo começou quando publiquei o meu poema Crônica de amor por ela, em 1996 -, que venho desenvolvendo uma pesquisa acerca do papel da mulher na história da humanidade. No primeiro momento desses estudos, desenvolvi uma revisão da literatura a partir da construção histórica das relações de gênero, procurando os fundamentos para análise da opressão da mulher, definindo conceitualmente gênero, tratando acerca da desigualdade e da violência de gênero. A partir disso passei a analisar a questão dos direitos da mulher, suas lutas e conquistas ao longo dos tempos, a partir do seu papel na Antiguidade, passando pela Renascença ao Marxismo, tratando acerca da violência contra a mulher, incluindo a violência doméstica no Brasil, considerando o controle social e o Estado na sociedade de classe e no capitalismo. Num segundo momento procurei tratar acerca do papel da mulher no mercado de trabalho, efetuando uma abordagem histórica até o século XX, incluindo as perspectivas para o século XXI.
Justificou-se a realização desse estudo, tendo em vista a violência contra a mulher ser um tema atual que vem ao longo dos tempos se desenrolando e que envolve a sociedade como todo, independente do nível econômico e tendo sua ocorrência em todos os países do planeta, seja entre ricos ou pobres. Justifica-se mais em razão da adoção da igualdade e da dignidade humana nas previsões constitucionais vigentes, não se podendo mais admitir qualquer forma de agressão e de impunidade nas questões de violência contra mulher.
Objetivou efetuar uma análise acerca das causas, consequências e das formas de combate e de atuação do Estado e das políticas públicas no enfrentamento do problema da violência contra a mulher, analisando historicamente a trajetória da mulher diante da violência, observando a questão de gênero, o patriarcalismo e a luta feminista, identificando os fatores que contribuem para a violência contra a mulher e observando a definição das políticas públicas nesses casos.
Por metodologia o estudo foi desenvolvido com base na pesquisa de natureza descritiva, documental e bibliográfica, baseada na edição do corpo legislativo originário de leis e jurisprudências, bem como de livros, revistas, publicações especializadas impressas e online, no sentido de compreender toda dimensão da temática proposta.
Para tanto, tornou-se necessário discorrer ao longo do estudo realizado sobre a construção histórica das relações de gênero, considerando os fundamentos para análise da opressão da mulher, uma revisão da literatura acerca dos direitos da mulher com lutas e conquistas, até aferir as políticas públicas efetivadas à luz do amparo legal de combate à violência contra a mulher.
Observou-se, com isso, que a mulher é vítima de um sistema patriarcal, pautado na sua desvalorização e respondendo ao estado mandonista do universo masculino, em detrimento dos direitos da mulher. O enfrentamento da redoma patriarcal e a condução machista levam às insistentes lutas pelo reconhecimento dos direitos da mulher, a igualdade de gênero, o respeito pelo principio da dignidade humana e ao exercício da cidadania.
O Brasil, neste sentido, deu um passo importante quando da promulgação da Constituição Federal de 1988, instituindo o Estado Democrático de Direito, espaço para desenvolvimento de afirmação da mulher, respeitando-se seus direitos e condições igualitárias na sociedade. Nem mesmo as previsões constitucionais foram suficientes para coibir a violência contra a mulher, havendo necessidade da edição de uma série de instrumentos legais regulamentando as referidas previsões, a exemplo da criação das Delegacias de Defesa da Mulher, a criação do Conselho Nacional, bem como a promoção de medidas, ações e programas, como o Programa Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e Sexual, as Normas Técnicas do Ministério da Saúde, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), culminando com a edição da Lei Maria da Penha que visa coibir a prática nefasta da violência contra a mulher. E em conformidade com os autores pesquisados, apesar desses programas, ações, planos e aparato legal, ainda assim, não conseguiu prevenir, coibir ou erradicar a violência contra a mulher.
É evidente que os problemas focados neste trabalho, hoje estão intimamente ligados à educação e à cultura brasileira, havendo necessidade de informação, difusão e ampliação a respeito dessas medidas tomadas, para que toda população brasileira tome conhecimento de sua existência. O Brasil ainda se mantém em cima de sociedade patriarcal e machista, com problemas diversos de todas as ordens possíveis, desde econômicos, sociais, culturais, políticos, ambientais e educacionais, que fazem com que o desrespeito e a infrigência contra a dignidade humana e a cidadania do brasileiro, sejam constantemente assolados na requerência de posturas e comportamentos efetivos por parte das autoridades e da sociedade em geral, visando coibir e erradicar por completo a violência contra a mulher. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
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No dia do homem a maior comemoração é saber que todo dia é dia da mulher!!!

 


DITOS & DESDITOS - Fecho os olhos e me derreto em seu abraço, me aquecendo no mais doce bálsamo do perdão: aquele pelo qual não se precisa nem pedir... Pensamento da escritora e filósofa australiana Leslie Cannold.

 

ALGUÉM FALOU: Cada poema cada palavra que eu tenho uma pena brilhante como o coração em um corpo cada frase eu tenho uma asa que ao me tocar como seu olhar não esquece todo o resto cada poema eu tenho um pássaro subindo e procurando através do ar me lança para um novo começo uma palavra é uma pena é uma asa é um pássaro que foge. Um poema da escritora dinamarquesa Pia Tafdrup.

 

O LIVRO - O livro é um volume no espaço. Livro é uma sequência de espaços (planos) em que cada um é percebido como um momento diferente. O livro é portanto, uma sequência de momentos. O livro é signo, é linguagem espaço‑temporal. O texto verbal contido num livro ignora o fato que o livro é uma estrutura autônoma espaço‑temporal em sequência. Uma série de textos, poemas ou outros signos, distribuídos através do livro, seguindo uma ordem particular e sequencial, revela a natureza do livro como estrutura espaço‑temporal. Esta disposição revela a sequência mas não a incorpora, não a assimila. O livro é um sintagma sobre o qual se projeta o paradigma página. [...] A criação do livro como forma de arte comporta um distanciamento critico em relação ao livro tradicional; contestando‑o recria‑se a tradição em tradução criativa, fazendo surgir novas configurações e formas de leitura. Com a mudança do sistema linear para o simultâneo, mudamos também a sistemática de leitura, não mais lidamos com símbolos abstratos, mas com figuras, desenhos, diagramas e imagens. Livro é montagem de signos, de espaços, onde convém diferenciar os diferentes tipos de montagem já que este procedimento “é o processo fundamental da organização dos signos icônicos”. Distingue‑se basicamente três tipos de montagem, extensivos a toda arte contemporânea. [...] No livro-poema há a intersecção de vários códigos e ou sistemas de signos: visuais, escritos, desenhos, fotografias, organizados isomorficamente no suporte. Já no livro-objeto, pode predominar o uso de materiais outros que não o papel, como o metal ou mesmo uma problemática espacial que faz com que o livro se sature na escultura. No livro-objeto com materiais recupera-se a tradição antiga. [...]. Trechos extraídos da obra O livro como forma de arte (São Paulo, 1982), do artista, escritor, gravador e professor espanhol Julio Plaza. Sobre a categorização do autor escreveu Paulo Silveira, na obra A página violada: da ternura à injúria na construção do livro de artista (EdUFRGS; Fumproarte/SMC, 2008) que: Livro. Coleção de folhas em branco e/ou que portam imagens, usualmente fixadas juntas por uma das bordas e refiladas nas outras para formar uma única sucessão de folhas uniformes. Livro de arte. Livro em que a arte ou o artista é o assunto. Livro de artista. Livro em que o artista é o autor. Arte do livro. Arte que emprega a forma do livro. Livro-obra [bookwork]. Obra de arte dependente da estrutura de um livro. Livro-objeto. Objeto de arte que alude à forma de um livro. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ÁRVORE DOS GINGONGOS – [...] Xé, Cuidado! Faz favor não trazer aqui desgraça, deixem lá as crianças. – Vocês não sabem que zanga de gingongo traz azar? – Essa gente são muloje (feiticeiro), lhes deixa sossegado. [...] ao cair da noite, quando toda a família se encontrava no quintal, sentada no luando (tipo de esteira mais grosseira) a tomar o habitual musongué (caldo de peixe que se acompanha de farinha de mandioca torrada) [...]. Os pais ocupavam-se dos seus afazeres enquanto os filhos iam para a escola, uns de manhã, outros de tarde, o que permitia que os mais novos tivessem sempre com quem ficar [...]. Trechos extraídos da obra A árvore dos gingongos (Margem, 1993), da escritora angolana Maria Celestina Fernandes.

 

CONSELHOS PARA A MULHER FORTE - Se és uma mulher forte / te protejas das hordas que desejarão / almoçar teu coração. / Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:/ se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar. / Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos / até o mais profundo do magma de tua essência / não para alumbrar-se com teu fogo / senão para apagar a paixão / a erudição de tuas fantasias. / Se és uma mulher forte / tens que saber que o ar que te nutre / carrega também parasitas, varejeiras, / miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue / e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti. / Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz / a negar-te a palavra, a esconder quem és, / tudo que te obrigue a abrandar-se / e te prometa um reino terrestre em troca / de um sorriso complacente. / Se és uma mulher forte / prepara-te para a batalha: / aprende a estar sozinha / a dormir na mais absoluta escuridão sem medo / que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta / a nadar contra a corrente. / Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto. / Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo / o rodeia de fossos profundos / mas lhe faça amplas portas e janelas. / É fundamental que cultives enormes amizades / que os que te rodeiam e queiram saibam o que és / que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação / uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos. / Se és uma mulher forte / se proteja com palavras e árvores / e invoca a memória de mulheres antigas. / Saberás que és um campo magnético / até onde viajarão uivando os pregos enferrujados / e o óxido mortal de todos os naufrágios. / Ampara, mas te ampara primeiro. / Guarda as distâncias. / Te constrói. Te cuida. / Entesoura teu poder. / O defenda. / O faça por você. / Te peço em nome de todas nós. Poema da escritora nicaraguense Gioconda Belli.

 

A ARTE DE NEIDE SÁ

A arte da artista e fundadora do movimento de vanguarda Poema/Processo, Neide Dias de Sá, autora de obra como Revelação dos Rastros, Pinturas e Livros Objetos, (Margs, 1998), Laços de Cumplicidade (1993), IAB (1991) e Livros de Artista (Centro I'L Brandale, 1980).

 


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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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HUMBERTO MATURANA, SAMANTA SCHWEBLIN, NÚRIA AÑÓ & LÍVIA FALCÃO

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