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quarta-feira, abril 08, 2020

HYPATIA, DEBORA DINIZ, JANE AUSTEN, LUÍS GAMA, MARIE TAGLIONI & FÁTIMA GUIMARÃES


CATANDO NOS MANUSCRITOS AS GARATUJAS DO TEMPO - UMA: VIDA OBSCURA – Nesse período de clausura, resolvi rever alguns livros nas estantes. Alguns volumes, brochuras, livros que nem me lembrava que já havia lido e relido. Parei numas biografias bastante obscuras. Além de rever as anotações  que sempre fiz riscando, grifando e marcando os próprios livros durante as leituras, fui ver dar uma passeio naquelas que já estavam tanto em livros como levadas ao cinema. Uma delas, bastante obscura, a da Jane Austen: Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente... Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos. Não tenho a menor noção de amar as pessoas pela metade, não é a minha natureza. Somos todos tolos no amor. Sou metade agonia, metade esperança. O mais curioso é que, apesar do sucesso obtido pela escritora, ela nunca se casou, escreveu a maior parte de seus sucessos na adolescência e, reduzida aos afazeres domésticos, morreu aos 42 anos de idade, supostamente envenenada. Nada pode ser lá muito apurado, a família destruiu muitas de suas cartas, restando apenas algumas que serviram de base para as biografias publicadas. O que ficou de mesmo foi a sua literatura, isso sim. DUAS: NO MEIO DUMAS SACADAS CERTEIRAS – Outra me levou a refletir sobre a questão da liberdade. O que tem de papo estéril a respeito, deixa para lá. Fui fundo, revendo meus garranchos nos alfarrábios a respeito deste verbete. E dei de cara com o Isaac Asimov: A liberdade não tem preço, a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena. Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los. Apenas uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção. O maior bem do homem é uma mente inquieta. Nada mais apropriado para este momento, hem? TRÊS: DO POSSÍVEL AO IMPOSSÍVEL, HAJA IMAGINAÇÃO - Realmente, para viver precisa-se de uma boa dose de imaginação. Principalmente porque aprendi que o desespero é exatamente a ausência dela. Então, sou como se diz no popular: vivo no mundo da lua. Mas nada que me acrescente ou me reduza, apenas voo. O bom mesmo foi pegar nos meus caderninhos de anotações o que viajei ainda menino nas obras de Júlio Verne: Neste mundo as coisas que nos dão prazer andam a par das que nos afligem e desgostam. Os obstáculos existem para serem vencidos; quanto aos perigos, quem pode se orgulhar de fugir deles? Tudo é perigo na vida. A imbecilidade humana não tem limite. É. E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A vida é crescimento, e quanto mais viajamos, mais verdade podemos entender. Entender as coisas que nos cercam é a melhor preparação para entender as coisas que estão além. Independentemente da nossa cor, raça e religião, somos irmãos. A verdade não muda porque é ou não é acreditada pela maioria das pessoas. Deus criou o homem como um animal social, com inclinação e sob a necessidade de viver com os seres de sua própria espécie, e também dotado de linguagem, para ser o grande instrumento comum à sociedade. Fábulas devem ser ensinadas como fábulas, mitos como mitos e milagres, como fantasias poéticas. Ensinar superstições como se fossem verdades é terrível. A mente da criança aceita e acredita, e só com grande dor e, talvez, a tragédia pode se livrar deles ao longo dos anos. De fato, as pessoas lutam por uma superstição tanto quanto por uma verdade, ou até mais. Desde uma superstição é tão intangível que é difícil provar para refutá-la, e a verdade é um ponto de vista e, portanto, pode ser alterado. Todas as religiões formais são falaciosas e não devem ser aceitas por respeito a si mesmas. Aquele que influencia o pensamento do seu tempo, influencia todos os momentos que o seguem. Deixe sua opinião para a eternidade. Pensamento da filósofa neoplatônica, Hypatia de Alexandria (350-415 d.C.). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O BRASIL IRRESPIRÁVEL - [...] Eu contagio no local que eu ocupo socialmente. Não sou desterrada. Não sou refugiada. Qual é a minha condição? Quando eu não consigo mais dar aula e nem retornar ao meu país, qual é a minha situação? Basicamente são homens ressentidos, de 30 a 40 anos, ligados a grupos de extrema direita, neonazistas e incels (celibatários involuntários que atrelam o fracasso de suas vidas amorosas a uma suposta banalização das relações sexuais). Enxergam a ascensão de mulheres e LGBTs como afronta à masculinidade e não costumam deixar rastros nem indícios de uma célula de articulação do movimento. Orientadas por uma lógica religiosa messiânica, as políticas anunciadas pelo governo e a ministra colocam em risco os direitos das mulheres. Embora eu mantenha a minha sanidade com a condição de que são bravateiros, eu não posso arriscar a vida de estudantes na minha condição. Temos que encontrar um caminho, além do penal, de provocação do Estado. Assim como outros defensores dos direitos humanos, não posso me permitir a cruzar limites sob o risco de virar mártir. É um perigo constante defender posições no país que mais mata ativistas dos direitos humanos. Não saí do Brasil porque fui ameaçada, mas para proteger outras pessoas. Se as ameaças fossem somente contra mim, eu jamais sairia. Mais do que nunca, mesmo à distância, eu sigo fazendo meu trabalho. Não vão me calar. Trecho do desabafo da antropóloga, professora universitária, pesquisadora, ensaísta e documentarista brasileira, Debora Diniz, que desenvolve projetos de pesquisa sobre bioética, feminismo, direitos humanos e saúde. Ela é pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos na Brown University e foi contemplada com o prêmio internacional acadêmico, Dan David Prize, por sua atuação em prol da igualdade de gênero. Veja mais aqui.

QUEM SOU EU?
Quem sou eu? Que importa quem? / Sou um trovador proscrito, / Que trago na fronte escrito / Esta palavra — Ninguém! — / Amo o pobre, deixo o rico, / Vivo como o Tico-tico; / Não me envolvo em torvelinho, / Vivo só no meu cantinho: / Da grandeza sempre longe, / Como vive o pobre monge. / Tenho mui poucos amigos, / Porém bons, que são antigos, / Fujo sempre à hipocrisia, / À sandice, à fidalguia; / Das manadas de Barões? / Anjo Bento, antes trovões. / Faço versos, não sou vate, / Digo muito disparate, / Mas só rendo obediência / À virtude, à inteligência: / Eis aqui o Getulino / Que no pletro anda mofino. / Sei que é louco e que é pateta / Quem se mete a ser poeta; / Que no século das luzes, / Os birbantes mais lapuzes, / Compram negros e comendas, / Têm brasões, não — das Kalendas, / E, com tretas e com furtos / Vão subindo a passos curtos; / Fazem grossa pepineira, / Só pela arte do Vieira, / E com jeito e proteções, / Galgam altas posições! / Mas eu sempre vigiando / Nessa súcia vou malhando / De tratantes, bem ou mal / Com semblante festival. / Dou de rijo no pedante / De pílulas fabricante, / Que blasona arte divina, / Com sulfatos de quinina, / Trabusanas, xaropadas, / E mil outras patacoadas, / Que, sem pinga de rubor, / Diz a todos, que é Doutor! / Não tolero o magistrado, / Que do brio descuidado, / Vende a lei, trai a justiça / — Faz a todos injustiça — / Com rigor deprime o pobre / Presta abrigo ao rico, ao nobre, / E só acha horrendo crime / No mendigo, que deprime. / - Neste dou com dupla força, / Té que a manha perca ou torça. / Fujo às léguas do lojista, / Do beato e do sacrista — / Crocodilos disfarçados, / Que se fazem muito honrados, / Mas que, tendo ocasião, / São mais feroz que o Leão. / Fujo ao cego lisonjeiro, / Que, qual ramo de salgueiro, / Maleável, sem firmeza, / Vive à lei da natureza; / Que, conforme sopra o vento, / Dá mil voltas num momento. / O que sou, e como penso, / Aqui vai com todo o senso, / Posto que já veja irados / Muitos lorpas enfunados, / Vomitando maldições, / Contra as minhas reflexões. / Eu bem sei que sou qual Grilo, / De maçante e mau estilo; / E que os homens poderosos / Desta arenga receosos / Hão de chamar-me Tarelo, / Bode, negro, Mongibelo; / Porém eu que não me abalo, / Vou tangendo o meu badalo / Com repique impertinente, / Pondo a trote muita gente. / Se negro sou, ou sou bode / Pouco importa. O que isto pode? / Bodes há de toda a casta, / Pois que a espécie é muito vasta. / Há cinzentos, há rajados, / Baios, pampas e malhados, / Bodes negros, bodes brancos, / E, sejamos todos francos, / Uns plebeus, e outros nobres, / Bodes ricos, bodes pobres, / Bodes sábios, importantes, / E também alguns tratantes... / Aqui, nesta boa terra / Marram todos, tudo berra; / Nobres Condes e Duquesas, / Ricas Damas e Marquesas, / Deputados, senadores, / Gentis-homens, veadores; / Belas Damas emproadas, / De nobreza empantufadas; / Repimpados principotes, / Orgulhosos fidalgotes, / Frades, Bispos, Cardeais, / Fanfarrões imperiais, / Gentes pobres, nobres gentes / Em todos há meus parentes. / Entre a brava militança / Fulge e brilha alta bodança; / Guardas, Cabos, Furriéis, / Brigadeiros, Coronéis, / Destemidos Marechais, / Rutilantes Generais, / Capitães de mar-e-guerra, / — Tudo marra, tudo berra — / Na suprema eternidade, / Onde habita a Divindade, / Bodes há santificados, / Que por nós são adorados. / Entre o coro dos Anjinhos / Também há muitos bodinhos. — / O amante de Syiringa / Tinha pêlo e má catinga; / O deus Mendes, pelas contas, / Na cabeça tinha pontas; / Jove quando foi menino, / Chupitou leite caprino; / E, segundo o antigo mito, / Também Fauno foi cabrito. / Nos domínios de Plutão, / Guarda um bode o Alcorão; / Nos lundus e nas modinhas / São cantadas as bodinhas: / Pois se todos têm rabicho, / Para que tanto capricho? / Haja paz, haja alegria, / Folgue e brinque a bodaria; / Cesse pois a matinada, / Porque tudo é bodarrada!
QUEM SOU EU? – Poema do escritor, jornalista, rábula e orador Luís Gama (1830-1882), considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil e que conquistou judicialmente a própria liberdade, atuando na advocacia em prol dos cativos. Sua obra foi reunida no volume Luiz Gama e suas poesias satíricas (Cátedra/INL, 1981), por Júlio Romão da Silva. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina sueca Marie Taglioni (1804-1884), a Condessa de Voisin da era do balé romântico, uma figura central na história da dança europeia. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A dança exige dedicação e disciplina. Tenho compromisso e exigência com cada aluno. Mas lembro que a dança sempre permite mais. A dança não tem limites.
FÁTIMA GUIMARÃES & BALLET ENDANÇA
A arte da coreógrafa e professora Fátima Guimarães, criadora do Espaço Endança, que tem por objetivo a formação em Ballet Clássico, baseada na metodologia Vaganova.
A literatura de Sebastião Uchoa Leite (1925-2003) aqui & aqui.
A poesia de Vernaide Wanderley aqui.
A música de Irah Caldeira aqui.
(Des)encantos modernos: histórias da cidade do Recife na década de vinte, de Antonio Paulo Rezende aqui.
O cordel de Jorge Filó aqui.
A arte de Fernando Alves aqui.
Jaqueira aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, novembro 20, 2007

JANE AUSTEN, JÚLIO VERNE, ANA OSÓRIO, AMÉLIA BEVILÁQUA, CARRACCI, PAL FRIED, HISTÓRIA SEVERINA, LITERÓTICA NATALINA & PREVISÕES DO DORO.

 PRESENTE DE NATAL- Era véspera de Natal. O telefone toca e a voz dela sussurra: - Vem, que a sua Mamãe Noel que lhe dar o seu Presente de Natal! Veja! -, e ligou a câmara para que eu visse a exposição de sua nudez e a calcinha balançando ao fazer caras e bocas sensuais que me deixaram atordoado e pronto para devorá-la qual canibal priápico ginofágico. Aí ela vestiu a calcinha e foi se deitar, começando a se tocar e a se masturbar, acenando pra mim e dizendo melosamente: - Vem! Vem! Vem! Ora, não me contive e montado no meu pênis loucamente rijo voei até seus aposentos. E ao perceber-me a chegada, gritou: - Está aberta, entra meu macho gostoso! E ao adentrar, lá vem ela lambendo os lábios, reboladeira, fogosa, arriando a calcinha e me entregando assim: - Toma, seu presente de natal estava aqui, agora é seu. Entregou-me e cheirei e beijei, enquanto ela se ajoelhava alisando e roçando as faces no meu membro saliente por cima da calça, e bem devagar começou a baixar o zíper, enfiar a mão dentro da cueca e lá, resgatar inteiro o meu desejo babento que esfregou às faces e começou a beijar de biquinho e a lambê-lo por inteiro, e a sugá-lo e a chupá-lo até engolir-me todo a alma, o corpo e o gozo. Satisfeita e lambendo os dedos e meu caralho, fiz-lhe deitar e comecei a beijar-lhe o ventre, a lamber-lhe o grelo a alisar-lhe com minhas mãos inquietas a vagina e cuzinho lindo gostoso, de senti-la arrepiada e ronronando zis indecências, denunciando seus orgasmos múltiplos e incessantes. Ao cabo de um bom tempo, não se contendo, procurou meu pênis que descansava em uma das minhas coxas e fê-lo reaviar com seu toque, seus novos beijos, suas novas lambidas e completamente eriçado e pronto, puxou-lhe para enfiar na vagina, ao que ela mais de uma vez reclamou pela ausência e cobrava mais dele para entrar e sair sem calma nem pressa, e se fartou e gozou demoradamente com ele inteirinho dentro dela. Estrategicamente eu me segurei, fazendo-a gozar mais e mais, até que rendeu-se, ofegante e desnorteada, para me empurrar e se ajoelhar, de quatro, para sussurar: - Agora venha pro seu presente mais que cobiçado! Tome, o meu cuzinho é seu, vem, fode meu cuzinho, vem! Ele é seu, veja, ele está piscando pra você, venha, meta, foda, empurre ele inteirinho que gozar com ele no meu cu! E não titubeei e com o mastro viril em riste, fui enfiando bem devagarzinho meu caralho naquele cuzinho lindo e gostoso e gozamos a noite inteira, madrugada adentro até ao amanhecer. Esse o meu presente de Natal. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais  aqui aqui.


DITOS & DESDITOS - Não há nada impossível; há só vontades mais ou menos enérgicas. Tudo que um homem pode imaginar outros homens poderão realizar. A ciência, meu rapaz, é feita de erros, mas de erros benéficos, já que conduzem pouco a pouco à verdade. Pensamento do escritor francês Julio Verne (1828-1905). Veja mais aqui aqui.

ALGUÉM FALOU: Devo ater-me a meu próprio estilo e seguir meu próprio caminho. E apesar de eu poder nunca mais ter sucesso deste modo, estou convencida de que falharia totalmente de qualquer outro. Mas confesso que a mim nada disso me encanta. Prefiro infinitamente um livro. Sem música, a vida seria um espaço em branco para mim. Pensamento da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817). Veja mais aqui.


UMA HISTÓRIA SEVERINA – O documentário Uma história severina (2005), dirigido por Débora Diniz e Eliane Brum, registra o drama de uma mãe pernambucana que, aos quatro meses de gestação, conseguiu permissão para antecipar o parto do feto anencéfalo que carregava. Porém, no mesmo dia em que foi realizar o aborto, o STF proibiu a cirurgia e Severina retornou para casa carregando, ainda dentro de si, o feto incompatível com a vida. Além de questões ligadas à saúde pública, o documentário enfatiza todo o sofrimento e pressão psicológica que a mulher enfrenta diante de uma questão complexa como esta.

A FEITICEIRA - [...] A Maria era alta e desempenada! A sua tez, dum moreno intenso, fora brunida pelas soalheiras ardentes e curtida pelas ventanias agrestes. A boca, sempre aberta em riso, era vermelha e fresca como cerejas maduras, e os dentes brancos e agudos cravavam-se com delícia no pão de milho, sua única escova. As saias, rodadas em balão, faziam-lhe mais altas as ancas já de si redondas e fortes; o cabelo, em duas tranças pregadas, enchia-lhe a cabeça como uma touca de veludo negro. Quando punha o cachenê vermelho e amarelo de grandes ramagens verdes, o xale em bico traçado deixando livre o braço esquerdo, a chinela branca pespontada na ponta do pé, nenhuma como a Maria do Próspero para arrebanhar admiradores. Depois, sempre satisfeita, radiava em plena expansão dos seus vinte anos sadios, vividos em plena natureza. Nas ceifas, ao ardor dos sóis caniculares, mangas arregaçadas mostrando os braços trigueiros e musculosos; ou no gesto mecânico de juntar as paveias e sobraçar os molhos, tinha a harmonia escultural e grave duma Ceres fecunda. Nas vindimas, era a primeira dos ranchos, vermelha do mosto que corre como sangue generoso, a boca escancarada em risos e cantigas... Tinha um aspecto quase trágico e uma beleza perturbante e assustadora de bacante. Pela apanha da azeitona, quando os campos amanhecem brancos da geada que toda a noite caíra manso e manso, tudo uniformizando sob a sua alvura de sudário, e o frio corta as mãos, que se engatinham, e entorpece os dedos que mal se podem dobrar, ela motejava de todos, sempre na frente, cantarolando e rindo, enchendo de ânimo os mais desanimados, encorajando os mais entanguecidos pela friagem. Sempre pronta para o trabalho, a Próspera, em todas as sáfaras e com todos os tempos! [...] A Maria, agora feiticeira conhecida e apontada por todos, já não canta nem vai às romarias. Nos trabalhos do campo, as mulheres e as crianças afastam-se dela apavoradas, e os homens, lamentando-a, não têm coragem de vencer esse pavor. Um brilho ardente de febre queima sempre os seus lindos olhos negros, que vagueiam inquietos, num medo doentio e trágico. [...]. Trechos da obra A feiticeira (França Amado,1908), da escritora, jornalista, pedagoga, ativista republicana e feminista portuguesa Ana de Castro Osório (1872-1935). Veja mais aqui & aqui.

AMÉLIA BEVILÁQUA - Sim, orgulhosa. A douta Academia / Que o vosso nome ilustre recusou / Em nada vos tirou / De vossa grande, esplêndida valia. / Humilhada, por quê? Não se ofuscou / Vosso talento, e, creio a companhia / De alguns fósseis de lá, não vos servia / Pois que a sério ninguém nunca os tomou. / Os documentos vários / Que nesse livro vosso agora estão preitos / Não são apenas literários. / São conceitos leais e verdadeiros / Dos que "imortais não são / Mas julgamentos fazem justiceiros. Poema A sentença fulminante, de Telles de Meirelles, em solidariedade aos bastidores do veto à candidatura da escritora, advogada, jornalista e pioneira na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, Amélia Beviláqua (1860-1946).



VEJA MAIS:
 As trelas do Doro, Mitologia grega, Woody Allen, Christa Wolf, Cassandra Wilson, Milena Moraes, Cassandra Peterson, Fidelia Cassandra & Ísis Nefelibata aqui
A deusa Diana/Ártemis, Nikolai Gógol, Eduardo Giannetti, Ovídio, Xangai, Jean Antoine Houdon, Agostino Carracci, Bob Rafelson & Theresa Russel aqui.  
Fecamepa, Robert Schumann, Raduan Nassar, Adrienne Rich, Filolau de Crotona, Aprendizagem do ator, Brian DePalma, Jan Sluyters, Melanie Griffith, Deborah Shelton, Miguel Paiva & Efigênia Coutinho aqui.  

AS PREVISÕES DO DORO:
ESCORPIÃO (23 /10 – 21/11) - CONSIDERAÇÕES DE ANTEMÃO: você, minha amiga, que é hedonista, atraente, intuitiva, perspicaz, mandona, depressiva, melindrosa, possessiva, perversa, rancorosa e vingativa escorpiana, como é de água, cuidado para não se afogar em pires: como você se gaba muito, todo encanto pode perder a fantasia. Nada demais, dê a volta por cima e tataritaritatá! Lembre-se sempre que você enviada por Diana para matar Órion e, por causa disso, passou a simbolizar a raiva da mulher por ter sido ameaçada de estupro e por ter tido sua oferta afetiva e sexual rejeitada. Acima de tudo é regida por Plutão que foi rebaixado na escala cósmica. Por causa disso, você tanto pode parecer uma Rachel de Queiroz, como uma maravilhosa Cecília Meirelles. Tanto pode chegar deliciosamente como Demi Moore, como talentosa feito Marieta Severo, ou avoada como Björk ou poeta suicida como Sylvia Plat. Você reúne as qualidades tais como a coragem do Lutero, ou a irreverência de Voltaire. Pode ser a atleta do século Pelé, ou a endiabrada Garrincha ou a escandalosa Maradona. Infantil como uma Ziraldo ou uma Mauricio de Sousa. Poeta como Drummond, ou Ezra Pound. Incrédula como Albert Camus, genial como Pablo Picasso, grandiosa como Darcy Ribeiro, perplexa como Graciliano Ramos, irreverente como José Saramago, apaixonada como Milton Nascimento ou mesmo metendo as mãos pelas pernas como o nosso presidente Lula. Então saiba que quando o tolote fede, não adianta esconder a cagada.
O seu anjo da guarda é uma santa: Sant´Ana. O seu arcanjo protetor é o arcanjo Azrael. Não seja benevolente com eles, pois toda terça-feira, ao meio dia, você tem que fazer um pedido pensando no bem com o salmo 91, depois com o 13, 75 e 54, isso acompanhada de 1 vela vermelha, 1 incenso sândalo, 1 cristal e 1 vaso de flores. Se fizer isso terá sempre uma grande recompensa inesgotável: stricke! Do contrário, 15 anos com a roda fortuna girando ao contrário. Seu orixá regente é Oxumare, que é o deus da chuva e do arco-íris. Mas sua proteção vai mais além: Exú, Oxalufa e Omulu. Pelo visto você é privilegiada. Por causa disso, todo domingo, às 11 horas da noite, reze a prece do Zé Pelintra com incensos e defumadores. Isso garantirá sua vida saudável e empreendedora.

AMOR – Ah, grande beijadora, a mais sensual de todas! Use seu magnetismo sexual. Para isso cave um buraco bem fundo no quintal, escave bem arrumada e lá pra meia-noite fique na borda leste do orifício, vestida com uma roupa transparente bem decotada e com fendas pelas intimidades. Pegue 1 vela rosa, 1 pires dourado, 1 ágata de fogo, 1 livro dos recordes, umas 15 almôndegas suecas, 1 turmalina, 10 moedas, essência de mirra e dance fazendo um strip-tease. Lá para as tantas você vai ver que a qualquer momento pode aparecer aquele troncudo príncipe encantado dos seus sonhos na maior paudurescência. Aí, é só correr para a galera. Outra advertência: como a sua carta será Druantia, destacando sua sexualidade e muita paixão, não se esqueça de sempre ter água por perto porque Marte estará no seu paraíso astral e isso dará muita sede. Capriche no visual e tenha emoções fortes. Não faça tudo só do seu jeito, dê uma vez para o cara. Mas como você é ciumenta e possessiva, a batata pode está assando e tudo pode virar uma avalanche. Cuidado. Enquanto o forno estiver esquentando, não perca a oportunidade: use suas aptidões todas e bote o dedo na tomada. Se não morrer eletrocutada, minha filha, vai ter um prazer da porra. Explore sua atração. E como você fala pelos cotovelos, faça mais, fale menos. E quando na hora-agá der vontade de manifestar seus sentimentos na maior tagarelice, dê uma de sonâmbula e faça tudo que nunca teve coragem na vida. O seu parceiro agradece. Tenha sempre algo dourado ao alcance. De preferência esteja sempre vestida de dourado, isto trará bons fluidos para sua relação. Para você juntar os mijados com o gato dos seus sonhos, vai ter que levar um chá-de-cadeira da peste para poder descortinar as verdadeiras intenções do sujeito. Para evitar isso, pegue um sapo-cururu-da-beira-do-rio e coloque no canto leste do seu quarto como se fosse um imperador. Maior luxo e cerimonial, viu? Todo dia recite “Os sapos” de Manuel Bandeira que ele um dia vai indicar quem será o felizardo que fará você feliz. Pode acreditar e bote sua mola. E tenha boas fodas todo dia e o dia todo.

Imagem: Le satire et la nimphe, de Agostino Carracci. - TRABALHO – Você é inteligente, arrojada, possui personalidade forte, justa e verdadeira, não teme obstáculos e carrega um trem de responsabilidades nas costas. Nada de raiva ou vingança, nem seja destrutiva. Como você adora dar ordens e comandar tudo, assuma sua liderança e seja ousada, mas seja menos paba, evite auto-elogios, deixe que os outros saquem suas potencialidades. Senão, das duas, uma: ou faça tudo tudo tudo, ou deixe que façam. Como você também é capaz de adivinhar tudo, pois sua intuição é foda mesmo, use deste poder. Para tanto é imprescindível que você ingira diariamente bosta do boi jauaraicica. Você vai adivinhar até o pensamento dos outros, bote fé.

SAÚDE - Como você é uma canibal oriunda de um tipo de lacrau carnívoro que usa das suas quelíceras para devorar tudo que vem pela frente, tenha cuidado: nem tudo é comestível. E você pode se engasgar. Aí, babau. Para ter proteção junte 3 rosas amarelas, 6 ramos de arruda, 1 espada de São Jorge, 3 gotas de almíscar, raspas de chifre de boi, azaléia e reze a reza da cabra-preta meia-noite em ponto, sexta-feira, 13, nuínha numa encruzilhada. Você verá como ficará melhor e nunca mais será acometida por doença nenhuma. Não se esqueça de fazer hidroginástica, natação, dê um trato nas pelancas e gaste bastante energia. Mantenha tudo dourado ao seu redor, não se esqueça. E boa sorte.

VIDA – Sua vida é uma verdadeira constelação de Scorpius. Então, não leve tudo muito a sério. Para sua realização pessoal e profissional faça um ritual egípcio na lua nova com 1 punhado de areia, 1 chumaço de algodão, 1 pirâmide pequena e faça uma oração para Nanã, que é a protetora dos idosos e das crianças, das mulheres que estão para conceber, sendo o orixá da maternidade e fará tudo ficar equilibrado para as suas bandas. Faça uma oferenda, use da criatividade com folhas roxas, 1 buquê, papel roxo, fita roxa, mel, 1 pote de passoca de amendoim, faça o seu pedido e depois jogue tudo na praia completamente nua às 5 horas da manhã de um sábado. Isso 1 vez por mês, viu? Saiba que tudo que plantar vai dar fruto e você vai colher. Por isso não encare só o lado negativo da vida, nem guarde rancor. Seja determinada e garanta sempre o seu bem-estar. Encare a vida como uma passagem, vá de carona e quando a curva for bastante fechada, dê um rabo-de-arraia e mostre que você tem todo o poder nas mãos. Para isso tome diariamente 1 banho de cheiro com 1 punhado de cordão de frade, guiné, 1 dália, 1 amor-perfeito, 2 ramas de comigo-ninguem-pode, misture com 10 ovos fritos, 5 pedaços de melancia verde, 1 fatia de manga rosa, 3 biscoitos, 2 bolachas, 1 pão-dormido, meia-dúzia de ovos de codorna, 1 galho de sapopemba, 1 raiz de loro, remexa tudo com vodka, faça um descarrego geral e tome como se fosse uma sopa aprazível. Não vale fazer careta, viu? Isso vai fazer com que você tenha estômago para suportar as zoeiras da vida. Uma dica especial para abrir seus caminhos: na lua crescente encha a banheira de pinga com mel, faça uma infusão, tome banho demorado, mije dentro e depois tome umas 80 colheres de sopa do resultado. Se puder, depois amarre o bode no pé da cama e reze todas as orações que souber. Depois de tudo isso faça um exame de consciência. Não fantasie, este ano poderá ser aquele promissor: o da sua sorte grande. É só pensar no bem e dar valor ao que possui. Indubitavelmente terá sucesso retumbante com o seu número da sorte: 07. E também com os outros números: 18, 27, 34, 61 e 90. E não se esqueça de mim na hora de repartir os pães, viu? Mais duas coisinhas indispensáveis: a simpatia da virada do ano que é compulsoriamente indispensável. E de votar em mim para presidente. Se esquecer: nunca mais você terá sossego na vida com o tridente do tinhoso futucando sua bunda, quer? Assinado, Doro.

Veja mais previsões acessando:

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nude model, do artista visual húngaro Pal Fried (1893-1976).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...