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quarta-feira, abril 08, 2020

HYPATIA, DEBORA DINIZ, JANE AUSTEN, LUÍS GAMA, MARIE TAGLIONI & FÁTIMA GUIMARÃES


CATANDO NOS MANUSCRITOS AS GARATUJAS DO TEMPO - UMA: VIDA OBSCURA – Nesse período de clausura, resolvi rever alguns livros nas estantes. Alguns volumes, brochuras, livros que nem me lembrava que já havia lido e relido. Parei numas biografias bastante obscuras. Além de rever as anotações  que sempre fiz riscando, grifando e marcando os próprios livros durante as leituras, fui ver dar uma passeio naquelas que já estavam tanto em livros como levadas ao cinema. Uma delas, bastante obscura, a da Jane Austen: Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente... Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos. Não tenho a menor noção de amar as pessoas pela metade, não é a minha natureza. Somos todos tolos no amor. Sou metade agonia, metade esperança. O mais curioso é que, apesar do sucesso obtido pela escritora, ela nunca se casou, escreveu a maior parte de seus sucessos na adolescência e, reduzida aos afazeres domésticos, morreu aos 42 anos de idade, supostamente envenenada. Nada pode ser lá muito apurado, a família destruiu muitas de suas cartas, restando apenas algumas que serviram de base para as biografias publicadas. O que ficou de mesmo foi a sua literatura, isso sim. DUAS: NO MEIO DUMAS SACADAS CERTEIRAS – Outra me levou a refletir sobre a questão da liberdade. O que tem de papo estéril a respeito, deixa para lá. Fui fundo, revendo meus garranchos nos alfarrábios a respeito deste verbete. E dei de cara com o Isaac Asimov: A liberdade não tem preço, a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena. Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los. Apenas uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção. O maior bem do homem é uma mente inquieta. Nada mais apropriado para este momento, hem? TRÊS: DO POSSÍVEL AO IMPOSSÍVEL, HAJA IMAGINAÇÃO - Realmente, para viver precisa-se de uma boa dose de imaginação. Principalmente porque aprendi que o desespero é exatamente a ausência dela. Então, sou como se diz no popular: vivo no mundo da lua. Mas nada que me acrescente ou me reduza, apenas voo. O bom mesmo foi pegar nos meus caderninhos de anotações o que viajei ainda menino nas obras de Júlio Verne: Neste mundo as coisas que nos dão prazer andam a par das que nos afligem e desgostam. Os obstáculos existem para serem vencidos; quanto aos perigos, quem pode se orgulhar de fugir deles? Tudo é perigo na vida. A imbecilidade humana não tem limite. É. E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A vida é crescimento, e quanto mais viajamos, mais verdade podemos entender. Entender as coisas que nos cercam é a melhor preparação para entender as coisas que estão além. Independentemente da nossa cor, raça e religião, somos irmãos. A verdade não muda porque é ou não é acreditada pela maioria das pessoas. Deus criou o homem como um animal social, com inclinação e sob a necessidade de viver com os seres de sua própria espécie, e também dotado de linguagem, para ser o grande instrumento comum à sociedade. Fábulas devem ser ensinadas como fábulas, mitos como mitos e milagres, como fantasias poéticas. Ensinar superstições como se fossem verdades é terrível. A mente da criança aceita e acredita, e só com grande dor e, talvez, a tragédia pode se livrar deles ao longo dos anos. De fato, as pessoas lutam por uma superstição tanto quanto por uma verdade, ou até mais. Desde uma superstição é tão intangível que é difícil provar para refutá-la, e a verdade é um ponto de vista e, portanto, pode ser alterado. Todas as religiões formais são falaciosas e não devem ser aceitas por respeito a si mesmas. Aquele que influencia o pensamento do seu tempo, influencia todos os momentos que o seguem. Deixe sua opinião para a eternidade. Pensamento da filósofa neoplatônica, Hypatia de Alexandria (350-415 d.C.). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O BRASIL IRRESPIRÁVEL - [...] Eu contagio no local que eu ocupo socialmente. Não sou desterrada. Não sou refugiada. Qual é a minha condição? Quando eu não consigo mais dar aula e nem retornar ao meu país, qual é a minha situação? Basicamente são homens ressentidos, de 30 a 40 anos, ligados a grupos de extrema direita, neonazistas e incels (celibatários involuntários que atrelam o fracasso de suas vidas amorosas a uma suposta banalização das relações sexuais). Enxergam a ascensão de mulheres e LGBTs como afronta à masculinidade e não costumam deixar rastros nem indícios de uma célula de articulação do movimento. Orientadas por uma lógica religiosa messiânica, as políticas anunciadas pelo governo e a ministra colocam em risco os direitos das mulheres. Embora eu mantenha a minha sanidade com a condição de que são bravateiros, eu não posso arriscar a vida de estudantes na minha condição. Temos que encontrar um caminho, além do penal, de provocação do Estado. Assim como outros defensores dos direitos humanos, não posso me permitir a cruzar limites sob o risco de virar mártir. É um perigo constante defender posições no país que mais mata ativistas dos direitos humanos. Não saí do Brasil porque fui ameaçada, mas para proteger outras pessoas. Se as ameaças fossem somente contra mim, eu jamais sairia. Mais do que nunca, mesmo à distância, eu sigo fazendo meu trabalho. Não vão me calar. Trecho do desabafo da antropóloga, professora universitária, pesquisadora, ensaísta e documentarista brasileira, Debora Diniz, que desenvolve projetos de pesquisa sobre bioética, feminismo, direitos humanos e saúde. Ela é pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos na Brown University e foi contemplada com o prêmio internacional acadêmico, Dan David Prize, por sua atuação em prol da igualdade de gênero. Veja mais aqui.

QUEM SOU EU?
Quem sou eu? Que importa quem? / Sou um trovador proscrito, / Que trago na fronte escrito / Esta palavra — Ninguém! — / Amo o pobre, deixo o rico, / Vivo como o Tico-tico; / Não me envolvo em torvelinho, / Vivo só no meu cantinho: / Da grandeza sempre longe, / Como vive o pobre monge. / Tenho mui poucos amigos, / Porém bons, que são antigos, / Fujo sempre à hipocrisia, / À sandice, à fidalguia; / Das manadas de Barões? / Anjo Bento, antes trovões. / Faço versos, não sou vate, / Digo muito disparate, / Mas só rendo obediência / À virtude, à inteligência: / Eis aqui o Getulino / Que no pletro anda mofino. / Sei que é louco e que é pateta / Quem se mete a ser poeta; / Que no século das luzes, / Os birbantes mais lapuzes, / Compram negros e comendas, / Têm brasões, não — das Kalendas, / E, com tretas e com furtos / Vão subindo a passos curtos; / Fazem grossa pepineira, / Só pela arte do Vieira, / E com jeito e proteções, / Galgam altas posições! / Mas eu sempre vigiando / Nessa súcia vou malhando / De tratantes, bem ou mal / Com semblante festival. / Dou de rijo no pedante / De pílulas fabricante, / Que blasona arte divina, / Com sulfatos de quinina, / Trabusanas, xaropadas, / E mil outras patacoadas, / Que, sem pinga de rubor, / Diz a todos, que é Doutor! / Não tolero o magistrado, / Que do brio descuidado, / Vende a lei, trai a justiça / — Faz a todos injustiça — / Com rigor deprime o pobre / Presta abrigo ao rico, ao nobre, / E só acha horrendo crime / No mendigo, que deprime. / - Neste dou com dupla força, / Té que a manha perca ou torça. / Fujo às léguas do lojista, / Do beato e do sacrista — / Crocodilos disfarçados, / Que se fazem muito honrados, / Mas que, tendo ocasião, / São mais feroz que o Leão. / Fujo ao cego lisonjeiro, / Que, qual ramo de salgueiro, / Maleável, sem firmeza, / Vive à lei da natureza; / Que, conforme sopra o vento, / Dá mil voltas num momento. / O que sou, e como penso, / Aqui vai com todo o senso, / Posto que já veja irados / Muitos lorpas enfunados, / Vomitando maldições, / Contra as minhas reflexões. / Eu bem sei que sou qual Grilo, / De maçante e mau estilo; / E que os homens poderosos / Desta arenga receosos / Hão de chamar-me Tarelo, / Bode, negro, Mongibelo; / Porém eu que não me abalo, / Vou tangendo o meu badalo / Com repique impertinente, / Pondo a trote muita gente. / Se negro sou, ou sou bode / Pouco importa. O que isto pode? / Bodes há de toda a casta, / Pois que a espécie é muito vasta. / Há cinzentos, há rajados, / Baios, pampas e malhados, / Bodes negros, bodes brancos, / E, sejamos todos francos, / Uns plebeus, e outros nobres, / Bodes ricos, bodes pobres, / Bodes sábios, importantes, / E também alguns tratantes... / Aqui, nesta boa terra / Marram todos, tudo berra; / Nobres Condes e Duquesas, / Ricas Damas e Marquesas, / Deputados, senadores, / Gentis-homens, veadores; / Belas Damas emproadas, / De nobreza empantufadas; / Repimpados principotes, / Orgulhosos fidalgotes, / Frades, Bispos, Cardeais, / Fanfarrões imperiais, / Gentes pobres, nobres gentes / Em todos há meus parentes. / Entre a brava militança / Fulge e brilha alta bodança; / Guardas, Cabos, Furriéis, / Brigadeiros, Coronéis, / Destemidos Marechais, / Rutilantes Generais, / Capitães de mar-e-guerra, / — Tudo marra, tudo berra — / Na suprema eternidade, / Onde habita a Divindade, / Bodes há santificados, / Que por nós são adorados. / Entre o coro dos Anjinhos / Também há muitos bodinhos. — / O amante de Syiringa / Tinha pêlo e má catinga; / O deus Mendes, pelas contas, / Na cabeça tinha pontas; / Jove quando foi menino, / Chupitou leite caprino; / E, segundo o antigo mito, / Também Fauno foi cabrito. / Nos domínios de Plutão, / Guarda um bode o Alcorão; / Nos lundus e nas modinhas / São cantadas as bodinhas: / Pois se todos têm rabicho, / Para que tanto capricho? / Haja paz, haja alegria, / Folgue e brinque a bodaria; / Cesse pois a matinada, / Porque tudo é bodarrada!
QUEM SOU EU? – Poema do escritor, jornalista, rábula e orador Luís Gama (1830-1882), considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil e que conquistou judicialmente a própria liberdade, atuando na advocacia em prol dos cativos. Sua obra foi reunida no volume Luiz Gama e suas poesias satíricas (Cátedra/INL, 1981), por Júlio Romão da Silva. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina sueca Marie Taglioni (1804-1884), a Condessa de Voisin da era do balé romântico, uma figura central na história da dança europeia. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A dança exige dedicação e disciplina. Tenho compromisso e exigência com cada aluno. Mas lembro que a dança sempre permite mais. A dança não tem limites.
FÁTIMA GUIMARÃES & BALLET ENDANÇA
A arte da coreógrafa e professora Fátima Guimarães, criadora do Espaço Endança, que tem por objetivo a formação em Ballet Clássico, baseada na metodologia Vaganova.
A literatura de Sebastião Uchoa Leite (1925-2003) aqui & aqui.
A poesia de Vernaide Wanderley aqui.
A música de Irah Caldeira aqui.
(Des)encantos modernos: histórias da cidade do Recife na década de vinte, de Antonio Paulo Rezende aqui.
O cordel de Jorge Filó aqui.
A arte de Fernando Alves aqui.
Jaqueira aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, dezembro 16, 2015

ANÁTEMA, BEETHOVEN, AUSTEN, BILAC, CREMA, ANA TERRA, CREMA, BRECHERET & MUITO MAIS.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? ANÁTEMA, A HISTÓRIA DA CANÇÃO - - Tudo começou quando em meados dos anos 1990 escrevi o poema A primavera de Ginsberg, concluindo que: Só a poesia tornará a vida suportável. No poema, eu prosseguia: ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido; ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos; ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência; ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã. Qual nada! Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva; se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais; se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho; se isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara! Chamo de gato ao gato e ao governante de patife! Cada qual cuide de si! Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog. Qual nada! Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis; cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil, pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir; pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!! Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos; pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;  pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor! pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta! Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões; pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes; pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão; por essa multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol; por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia; por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor; pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu! Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!! Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!! A terra é redonda e ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!! Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs e ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses; e ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais; e ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!! E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!! E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!! E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!! Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu? Só a poesia tornará a vida suportável!!! Ai entravam os acordes de Anáterma, surgindo nesse momento um discurso em que eu recitava um questionamento em cima da harmonia, Libelo: O que é legal? O que é legal, porra?!!!!? Afinal, no Brasil tudo se confunde: tudo é legal e ilegal ao mesmo tempo! Enquanto os acordes evoluíam na canção eu afirmava: Ilegal é a saúde pública em petição de miséria! A educação pública falida! A Administração Pública corrupta! A segurança pela hora da morte! A justiça ineficiente! Onde a dignidade humana? Com isso nasceu a letra: Pelo meio do mundo afora, pelo jeito que for e será, pelos ermos caminhos embora e nos abismos me extasiar. Ver o dia vir nascer das mãos, ver o sol se deitar nos olhos, é o meu destino de qualquer pagão e no sereno da noite me molho e enxugo a pele não me dera a vida uma escolha e por sentir amada na paixão minada, viver ! Pelo equívoco de quem desama repudiando deus e todo mundo, vociferando o verso que a veia inflama num anátema jamais profundo. Pelo de dentro e o que vem de fora, pelo embuste que segreda a farsa, procuro pelo que evadiu agora e no frigir já não vale mais nada e a pancada insólita se alastra na culatra e não foi feita só de mera viva cortesia, viver! Não me resta aqui dizer mais nada, isso é página virada precisa só viver! Veja o clipe da música aqui e mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Volupte, do pintor e ilustrador francês Antonio de la Gandara (1861 – 1917).


Curtindo a coleção Sinfonias Urtext Lujo (Deutsche Grammophon), com as nove sinfonias do compositor erudito alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827).


MÉTODO ANALITICO X MÉTODO SINTÉTICO – No livro Saúde e plenitude: um caminho para o ser (Summus, 1995), de Roberto Crema, encontro a distinção entre os métodos analítico e sintético, oferecendo suas características e peculiaridade. O método analítico surgiu como reação ao dogmatismo e obscurantismo medieval, com ênfase na parte, a serviço da decomposição, fatos específicos e particulares, tendência reducionista, via quantitativa, caráter mecanicista, fundamentos principais na razão e sensação, somático (os cinco sentidos clássicos), necessidades e leis, determinista, exatidão, regularidade, codificação matemática, reprodutividade, controle, previsibilidade, geral, regularidade, inclinação indutiva, progressividade, acumulação, relação causal, ponto de vista da causalidade, espaço externo e exterioridade, nível do objeto, ponto de vista da causalidade, realidade objetiva, experimental, hemisfério cerebral esquerdo, exclusão do sujeito pela dualidade, função explicativa, aplicação às ciências da natureza, e seus principais mentores foram Galileu, Bacon, Desartes, Newton, Freud, Berne, entre outros. Já o método sintético surgiu como reação ao racionalismo positivista e analicismo moderno, ênfase na totalidade, a serviço da unificação, realidade plena e total, tendência apliativa e globalista, via qualitativa, caráter organicista, fundamentos principais na emoção e intuição, psíquico, liberdade e responsabilidade, indeterminista, incerteza, flexibilidade, codificação poético-metaforica, unicidade, visa a participação, imprevisibilidade incluindo mistério, singular, biográfico, instantaneidade, descontinuidade, relação acausal e sincronicidade, ponto de vista da finalidade e sentido, espaço interno e interioridade, nível do sujeito, consciência, valores, experiencial, hemisfério cerebral direito, inclusão do sujeito e não-dualidade, função compreensiva, aplicação às ciências do espírito, mentores Dilthey, Smuts, Jung, Soler, Frankl, Krishnamurti, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

ORGULHO E PRECONCEITO – Na obra Orgulho e Preconceito (Abril, 1982), da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), destaco o trecho inicial: É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa. Por pouco que os sentimentos ou as opiniões de tal homem sejam conhecidos ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítima de uma das suas filhas. — Caro Mr. Bennet — disse-lhe um dia a sua esposa —, já ouviu dizer que Netherfield Park foi alugado afinal? Mr. Bennet respondeu que não sabia. — Pois foi — assegurou ela. —Mrs. Long acabou de sair daqui e me contou tudo. Mr. Bennet não respondeu. — Afinal não deseja saber quem é o locatário? — gritou a mulher, impacientemente. — Você é quem está querendo me dizer e eu não faço nenhuma objeção a isto. Este convite foi suficiente. — Pois, meu caro, você deve saber que Mrs. Long disse que Netherfield foi alugado por um rapaz de grande fortuna, oriundo da Inglaterra. E que além disso ele chegou segunda-feira numa elegante caleça a fim de visitar a propriedade. Ficou tão encantado que entrou imediatamente em negócio com Mr. Morris; Mrs. Long falou também que ele entrará na posse do prédio antes do dia de São Miguel. Alguns dos seus criados devem chegar já na próxima semana. — Como se chama ele? — Bingley. — É casado ou solteiro? — Oh, solteiro, naturalmente, meu caro. Solteiro e muito rico! Quatro ou cinco mil libras por ano. Que boa coisa para as nossas meninas, hem? — Como assim? De que modo pode isso afetá-las? — Meu caro Mr. Bennet — replicou a esposa —, como você, às vezes, é enfadonho! Deve saber que ando pensando em casar uma delas... — Será este o projeto do homem ao se instalar aqui? — Projeto? Tolice... Como é que você pode dizer uma coisa destas? É até muito provável que ele se apaixone por uma delas. Portanto, assim que chegue, você deve ir visitá-lo. — Não vejo motivo para isto. Você pode ir com as meninas, ou pode até mandá-las sozinhas, o que talvez ainda seja melhor, pois como você é tão bela quanto qualquer uma delas Mr. Bingley pode preferi-la. — Você está me lisonjeando. Decerto já tive o meu quinhão de beleza, mas não ambiciono ser nada de extraordinário agora. Quando uma mulher tem cinco filhas crescidas, deve deixar de pensar em vaidades. — Em casos como esses, em geral, uma mulher não tem muito que pensar em beleza. — Mas meu caro, você deve realmente ir ver Mr. Bingley, quando ele chegar. — Não quero assumir esse compromisso. — Mas lembre -se das suas filhas. Pense que partido seria para uma delas! Sir William e Lady Lucas estão decididos a ir. É exclusivamente por motivo idêntico, pois você sabe que em geral eles não visitam recém-chegados. Deve ir, pois a nós, mulheres, será impossível fazê-lo, se antes você não o fizer. — Creio que isto é excesso de escrúpulos da sua parte. Tenho certeza de que Mr. Bingley terá muito prazer em vê-la. Além disso eu lhe enviarei algumas linhas por seu intermédio, assegurando-lhe que darei o meu consentimento para que ele se case com qualquer das meninas que escolher, embora devesse acrescentar um elogio para a minha pequena Lizzy. — Desejo que não faça tal coisa. Lizzy não é melhor do que as outras. Estou convencida de que não tem metade da beleza de Jane. E nem sequer metade do bom humor de Lydia. Mas você não cessa de manifestar a sua preferência por ela. — Nenhuma delas tem muito o que se lhes recomende — respondeu Mr. Bennet. — São tolas e ignorantes como as outras moças. Mas Lizzy é realmente um pouco mais viva do que as irmãs. — Como é que pode falar mal assim dos próprios filhos, Mr. Bennet? Você se compraz em aborrecer-me; não tem nenhuma pena dos meus pobres nervos. — Está enganada, minha cara. Tenho muito respeito pelos seus nervos. São meus velhos amigos. Venho escutando você falar a respeito deles com grande consideração, pelo menos durante esses últimos vinte anos. — Ah, você não sabe o que eu sofro! — Espero que você se restabeleça e viva bastante tempo para ver muitos rapazes com quatro mil libras anuais de rendimentos se instalarem na vizinhança. — Pouco nos adiantará que venham vinte deles se você se recusar a visitá-los. — Pode ficar certa, minha querida, de que quando chegarem os vinte eu os visitarei a todos. Mr. Bennet era um misto tão curioso de vivacidade, humor sarcástico, reserva e capricho, que a experiência de vinte e três anos juntos tinha sido insuficiente para que a sua esposa lhe conhecesse o caráter. O espírito de sua mulher era menos difícil de compreender; tratava-se de uma senhora dotada de inteligência medíocre, pouca cultura e gênio instável. Quando se aborrecia imaginava que estava nervosa. A única preocupação da sua vida era casar as filhas. Seu consolo, fazer visitas e saber novidades.[...] Veja mais aquiaqui.

NEL MEZZO DEL CAMIN & CANÇÃO DE ROMEU - No livro Poesias (1888 – Martin Claret, 2002), do jornalista e escritor do Parnasianismo brasileiro, Olavo Bilac (1865-1918), destaco, inicialmente, o poema Nel mezzo del camin:  Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada / E triste, e triste e fatigado eu vinha. / Tinhas a alma de sonhos povoada, / E alma de sonhos povoada eu tinha... / E paramos de súbito na estrada / Da vida: longos anos, presa à minha / A tua mão, a vista deslumbrada / Tive da luz que teu olhar continha. / Hoje segues de novo... Na partida / Nem o pranto os teus olhos umedece, / Nem te comove a dor da despedida. / E eu, solitário, volto a face, e tremo, / Vendo o teu vulto que desaparece / Na extrema curva do caminho extremo. Também o poema Canção de Romeu: Abre a janela... acorda! / Que eu, só por te acordar, / Vou pulsando a guitarra, corda a corda, / Ao luar! / As estrelas surgiram / Todas: e o limpo véu, / Como lírios alvíssimos, cobriram / Do céu. / De todas a mais bela / Não veio inda, porém: / Falta uma estrela... És tu! Abre a janela, / E vem! / A alva cortina ansiosa / Do leito entreabre; e, ao chão / Saltando, o ouvido presta à harmoniosa / Canção. / Solta os cabelos cheios / De aroma: e seminus, / Surjam formosos, trêmulos, teus seios / À luz. / Repousa o espaço mudo; / Nem uma aragem, vês? / Tudo é silêncio, tudo calma, tudo / Mudez. / Abre a janela, acorda! / Que eu, só por te acordar, / Vou pulsando a guitarra corda a corda, / Ao luar! / Que puro céu! que pura / Noite! nem um rumor.. / Só a guitarra em minhas mãos murmura: / Amor!... / Não foi o vento brando / Que ouviste soar aqui: / É o choro da guitarra, perguntando / Por ti. / Não foi a ave que ouviste / Chilrando no jardim: / É a guitarra que geme e trila triste / Assim. / Vem, que esta voz secreta / É o canto de Romeu! / Acorda! quem te chama, Julieta, / Sou eu! / Porém... Ó cotovia, / ilêncio! a aurora, em véus / De névoa e rosas, não desdobre o dia / Nos céus... / Silêncio! que ela acorda... / Já fulge o seu olhar... / Adormeça a guitarra, corda a corda, / Ao luar! Veja mais aqui e aqui.

TEATRO MEDIEVAL – Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Enquanto por toda a parte do Ocidente o Império Romano sucumbia diante das investidas dos chamados povos bárbaros, a igreja levava adiante sua intenção de colocar todos sob a bandeira de Cristo. Para tanto, apoiou entusiasticamente qualquer iniciativa apologética que conduzisse àquele objetivo. Vestindo a cena de uma sagrada missão, o clero dos inícios da Idade Média transformou em apóstolos os integrantes dos incipientes grupos que perambulavam ao redor dos primeiros templos católicos. Provavelmente, os espetáculos profanos não perderam sua força, mas devem ter sido confinado ao interior dos feudos, mais precisamente dentro dos castelos senhoriais. De qualquer forma, a documentação é bastante exígua. Enquanto a igreja adquiria o monopólio da educação, ao qual se deve a grande influencia que exerceu na sociedade da Europa Ocidental, cantores e comediantes passaram a se movimentar nos mesmos círculos, tornando-se indistintos. Surgiu assim a figura do menestrel, misto de cantor da corte da primitiva Idade Média e o do antigo jogral dos tempos clássicos. Dotado de impressionante versatilidade, o menestrel ocupou o lugar do poeta culto, especializado na balada heroica. Mas não assumiu apenas a função de poeta e cantor. Era a um só tempo músico, dançarino, dramaturgo, ator, palhaço e acrobata, executando divertimentos de todos os gêneros, desde as canções de baile às histórias de fadas e lendas dos santos. O menestrel tentava o sensacional, as grandes tiradas, a poesia viva. Ele também sofreu a hostilidade do clero, diante do qual sucumbiram os cantores da corte nos séculos VIII e IX. Assim, a partir dessa época multiplicaram-se os artistas errantes e vagabundos, que se viam obrigados a procurar seu público pelas estradas e feiras. No período sem moeda e sem comércio da primitiva Idade Média, em que a propriedade agrária era a única fonte de rendimento, a cultura tornou-se patrimônio exclusivo da igreja. Aos camponeses convocados para festejar as datas católicas, eram didaticamente apresentadas as chamadas moralidades, em que abstrações como a gula e a luxuria, consideradas pecados capitais, surgiam na forma de terríveis demônios. Esse apavorante teatro, a serviço de ideias religiosas, continha ao mesmo tempo rústicos traços de tragédia, comédia e farsa. O programa cultural da igreja atingiu completamente seu objetivo nos fins do séc. X, sob a influencia do movimento surgido na França, na Abadia de Cluny. Com a aproximação do ano 1000 passou-se a pregar o fim do mundo, o julgamento final e o terror da morte. Os homens viviam em estado de constante excitação religiosa, com peregrinações, cruzadas e excomunhões de imperadores e reis. [...] Veja mais aqui e aqui.
 HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ – O curta metragem de animação português História trágica com final feliz (2005), da cineasta portuguesa Regina Pessoa, é a segunda parte da trilogia sobre curtas de animação da diretora sobre infância, após A Noite (1999) e Kali, o pequeno vampiro. Esse filme recebeu inúmeros prêmios, realizado a partir de ideias de gravuras e serigrafias, contando a história de uma menina que se isola diante de uma sociedade intolerante. Trata-se de um belíssimo curta sobre respeito às diferenças, imperdível. Veja mais aqui.

MESA DE CANTOS, POESIA & VIDEOMANIA - A professora e blogueira Flavia Daher edita vários blogs, entre eles Mesa de Cantos, FlaviaPoesia e Videomania, entre outros, todos voltados para reunião de textos, poemas, vídeos, músicas e entretenimentos em geral. Na entrada dos blogs encontrei essa mensagem, na qual meritória de destaque, ela expressa suas ideias: A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame de verdade, ria descontroladamente, e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo. E lembre-se que não há prazer sem riscos. A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas uma vez que estamos aqui, temos que comemorar!!! Aplausos, vale a pena conferir. E como se trata de uma pessoa para lá de simpática, competente, presente a todo momento e duma generosidade ímpar, nada melhor que aproveitar para saudá-la desejando tudo de bom e do melhor pra ela! Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poeta, compositora, produtora musical e audiovisual, Ana Terra. Veja aqui e aqui.
 

domingo, janeiro 18, 2009

JANE AUSTEN, RAFAEL ALBERTI, LIV ULLMANN, PIET HEIN, ARUANNE & EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

A SEDUÇÃO DE ARUANNE - Como sempre, Aruanne chegara serelepe aquariana e sedutora, vestido estampado, solto, esvoaçante, aquela coisa linda de ser ver e desejar. Livro à mão, ela arregaçou a saia até acima dos joelhos, sentou-se à minha frente toda espaçosa, debruçando-se sobre o livro, as pernas em Padmasana – a maravilhosa posição do lótus –, deixando-me ver-lhe um lance da calcinha listrada guardando seu sexo abundante, inchado, excepcional, aliciador. Não conseguia despregar meus olhos da sua excitante intimidade ali quieta sobre o tamborete. Para além disso, eu imaginava ali ela disposta pra mim, no V sex para o cadeado, ou na montanha mágica, no ato de retorno ou amazona, a reunião quente, todas as posições e formas do kama sutra ali, nela, todinha minha, ah, meus sonhos eróticos perversos para que jamais escapasse, e inquietante a agarrasse e a possuísse obscena, nua, tarada. Eu só queria tê-la ali exclusiva, sozinhos, a vê-la toda pra mim. De repente, soltou as pernas, abrindo-as, para que eu visse mais detalhadamente sua gostosura ventral. Ao levantar meus olhos, eita, vi-lhe flagrando minha atenção nela. Sorriu. Levantou-se, veio em minha direção e sua voz sussurrou ao meu ouvido: Gostou de ver minha intimidade, foi? Respondi-lhe com nuto. Pôs sua mão sobre meu ombro, alisou-me a nuca e ciciou confidente: Eu dou, vem cá. Puxou-me pela mão, abriu o trinco duma porta e adentramos na sala clareada apenas pelas persianas da janela. Ao fechar a porta, aproximou-se de mim, senti seu fôlego descontrolado, seu hálito amante, seu cheiro de almíscar, braços ao meu pescoço, lábios rentes ao meu, um beijo tímido que se tornou poderoso com o alisado das minhas mãos por seu corpo sobre o vestido. Sua boca ardente se ocupava da minha, enquanto eu tocava sua pele por baixo das vestes, a pele macia, suas curvas, as ancas robustas e buliçosas, a cintura que delineava a chegada aos seios fartos, ductos endurecidos, e mais os afagava ternamente. Encostei à parede, desci as mãos para alcançar seu sexo úmido e atiçado, alisá-lo para alcançar-lhe o interior da vagina, ao que ela soltou-me o pescoço e levou suas mãos a pressionar meu pênis intumescido, alisando-o por cima do tecido da calça, contornando-o, invadindo por dentro da calça, a mão nua na minha pele. Buscou meu sexo, alcançando-o, trouxe-o para fora, distendido, fitou alisando-o e espremendo carinhosamente a glande, ficou de cócoras e começou a beijá-lo, manipulando a língua no meu sexo que pulsava febril, lambendo o frênulo do prepúcio o que me levava a ponto máximo do gozo e da ejaculação incontrolável, ao que evitei e ela disse-me segredando: Não goze agora, por favor, quero mais! Mandona e puta, fez-me ajoelhar, levantei seu vestido, removi sua calcinha e a beijei na união do elefante. Repetia boquejante: Não goze agora, por favor, quero mais. E fez do meu pênis o seu cavalo de balanço e ao cavalgar demoradamente, virou-se e se ofereceu na posição do culto para que eu lhe penetrasse o cajado mais, atendendo seus pedidos tácitos. Não me deixou gozar, rogava veladamente, deitando-se agora nua, descabelada, olhos cerrados, boca entreaberta, língua inquieta passeando sobre os lábios salientes, nua, fogosa, etérea reluzente para que eu pudesse, enfim, alisar carinhosamente suas pernas e coxas, as quais ao toque do meu tato ela mais se arrepiava e comecei por beijá-las, lambê-las, alcançando o seu sexo trêmulo, minha língua passeando por seus grandes e pequenos lábios, a entrada do canal vaginal, enfiada pela uretra, lambendo carinhosamente seu clitóris, chupando sua drupa, enquanto minhas mãos passeavam do períneo ao ânus, alisando-os e enfiando meu dedo para ouvi-la murmurar de prazer por ser explorada intimamente pelo ápice da minha língua que se estirava sibilante na sua fundura saborosa. Mais traquinei nela, língua e dedos enfiados em seus orifícios a faziam gemer enlouquecida, puxando-me selvagem e determinada para o triângulo luminoso inquieto, mais penetrava, arremetia, mais socava meu cajado na sua caverna, ela estertorava, a me exigir de joelhos para a borboleta e a penetrei mais, empurrei vingativo e cravei meu caralho rijo e insaciável para seus múltiplos gozos a desmaiar com orgasmo e me puxar a colher, 99, guardando meu prazer aprisionado ao seu entre as coxas, atravessado rente ao ânus e a vagina, para adormecer desvalidos até perder a completa noção do tempo e de tudo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.


DITOS & DESDITOS - Os que nunca vivem o momento presente são os que não vivem nunca. Pensamento do escritor e matemático dinamarquês Piet Hein (1905-1996).

ALGUÉM FALOU: Porque o tempo é tão implacável, roubando-nos as oportunidades se não formos suficientemente rápidos para agarrá-las imediatamente? Expressão da atriz e escritora norueguesa Liv Ullmann. Veja mais aqui.

ORGULHO & PRECONCEITO - [...] Não creio que encontre dificuldade em aplicar esta filosofia à sua própria vida. As suas lembranças devem ser tão desprovidas de toda mácula que não é preciso nenhuma filosofia para sentir o contentamento que se origina delas. Mas comigo não é assim: quando penso no passado intervém muitas recordações dolorosas que não podem e não devem ser repelidas. Toda a minha vida fui um ser egoísta, se não na prática, pelo menos nos meus princípios. Em criança me ensinaram o que era direito, mas não me ensinaram a corrigir o meu gênio. Deram-me bons princípios. Mas deixaram-me praticá-los orgulhosamente. Infelizmente, sendo durante muito tempo único filho, e mais tarde único filho homem, fui mimado pelos meus pais e, embora eles fossem bons, meu pai sobretudo, que era a benevolência em pessoa, permitiram, encorajaram e quase me ensinaram a ser egoísta e tirânico, a pensar apenas nas pessoas da minha família, desprezar todos os outros e a pensar, com desprezo, no bom senso e valor das outras pessoas, comparados com os meus. Assim fui eu dos oito aos vinte e oito anos. E, se não fosse a minha querida e adorável Elizabeth, talvez ainda não me tivesse mudado. Que é que não lhe devo? A lição que me deu foi certamente a princípio muito dura, mas muito vantajosa. Por suas mãos recebi a humilhação que devia. Aproximei-me de você sem duvidar de que seria aceito. Revelou-me como eram insuficientes as minhas pretensões de agradar uma mulher digna de ser amada. [...]. Trecho extraído da obra Orgulho e preconceito (Abril Cultural, 1982), da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817). Veja mais aqui.

PRÓLOGONão haviam feito anos nem a rosa nem o arcanjo./ Tudo, anterior ao batido e ao pranto. / Quando qualquer luz ignorava ainda / se o mar nasceria menino ou menina. / Quando o vento sonhava melenas que pentear / e craveiros o fogo que acender e bochechas / e a água alguns lábios parados aonde beber. / Tudo, anterior ao corpo, ao nome e ao tempo. / Então, eu me lembro que, uma vez, no céu... Poema do poeta espanhol Rafael Alberti (1902-1999). Veja mais aqui & aqui.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONTEXTO HISTÓRICO – A Educação Ambiental surge com os movimentos ambientalistas e da conscientização ambiental ocorridos nos finais dos anos 40 e na década de 50 e, segundo Dias (2000, p. 36), se formalizou a partir da Conferência em Educação de 1965, realizada em Keele, na Grã Bretanha, denominada “environmental education”, quando passa a ser parte essencial de todos os cidadãos. Em seguida, segundo, Grün (1996), Guimarães (2000) e Dias (2000), exatamente em 1970 que foi aprovada a primeira legislação referente à Educação Ambiental, nos Estados Unidos. E, a partir de 1971 a UNESCO realiza um Programa Internacional sobre o homem e a Biosfera, o MAB - “Man and Biosphere”, introduzindo a importância da biosfera e lançando as bases científicas que deveriam reger a utilização dos recursos naturais. Tal conduta levou em 1972, o Clube de Roma a apresentar o diagnóstico contendo os problemas globais do meio ambiente, passando, com isso, a promover a conscientização dos problemas ambientais com apresentação das soluções alternativas. No mesmo ano de 1972 ocorre entre os dias 5 e 16 de junho, a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, segundo UNESCO(1999), procedendo ao surgimento mundial dos movimentos de conscientização ambiental, exigindo-se, com isso, o reconhecimento da necessidade de se desenvolver uma educação que atente para os problemas ambientais com o restabelecimento de programas neste sentido. Após a conferência as questões e problemáticas ambientais passaram a ser abordada numa ótica multidisciplinar e, até, holística. Foi, com isso, que surgiu e teve desenvolvimento a Educação Ambiental pela aquisição do papel de uma nova ciência voltada para o combate aos problemas e as suas soluções na área ambiental mundialmente. Tal desenvolvimento se deu mais efetivamente pela ação dos movimentos ambientais, passando a Educação Ambiental a se realizar como método de ensino. Com o plano de Ação Mundial – Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, 1972 –, segundo Viola e Leis (1995), ficou clara a determinação proposta pela recomendação da Conferência para os países no sentido de se efetuarem a criação de programas e ações nacionais voltadas para implantação e implementação da EA. Quando da ocorrência da Conferência de Belgrado, na Iugoslávia em 1975, promovida pela UNESCO, que, segundo Adams (2005) se deu à formulação dos princípios e orientações que dariam corpo ao desenvolvimento de um programa verdadeiramente de Educação Ambiental. Tal movimentação levou a realização em 1977, em Tbilisi, na Rússia, da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, que conforme UNESCO (1999), foi quando se reconheceu mundialmente a necessidade de desenvolvimento de programas ambientais, apresentando, por isso, quarenta e uma recomendações com as diretrizes necessárias, dentre ela está que a EA é um método de formação eficaz de integracionistas, isto é, de estudiosos que tem enfoque pluridisciplinar, os quais com esta formação holística servem como integradores entre os generalistas e especialistas, formando importante elo de iteração de várias ciências em prol do desenvolvimento. Isto quer dizer que tudo começa em junho de 1972, quando a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano – CNUAH -, mundialmente reconhecida como Conferência de Estocolmo, levou o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a UNESCO a criarem, em 1975, o Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA. E para cumprir a Recomendação 96, desta Conferência, que atribui grande importância estratégica à EA dentro dos esforços de busca da melhoria da qualidade ambiental foi realizado em 1977, em Tbilisi (URSS), a primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. Por esta ocasião foram definidas as bases assentadas nas finalidades, objetivos, princípios orientadores e estratégias para o desenvolvimento da Educação Ambiental. Por força dessa conferência passou-se a reconhecer a importância de se conhecer a interdependência dos fatores econômicos, sociais, políticos e ecológicos e a necessidade se conscientizar todos os segmentos da sociedade, para que, agindo em conjunto, possam elaborar planos de ação em busca de soluções globais para a problemática ambiental. Exemplo disso, conforme Adams (2005), a conferência trouxe por resultado em suas recomendações que a educação ambiental é o resultado de uma orientação e articulação de diversas disciplinas e experiências educativas que facilitam a percepção integrada do meio ambiente, tornando possível uma ação mais racional e capaz de responder às necessidades sociais. Em virtude disse, esta recomendação extraída da Conferência de Tbilisi considera que a EA é um processo transformador e conscientizador que vai interferir, de forma direta, nos hábitos e atitudes dos cidadãos. Noutra recomendação extraída da Conferência de Tbilisi, conforme Adams (2005), a educação ambiental passa a ser vista como suscitando uma vinculação mais estreita entre os processos educativos e a realidade, estruturando suas atividades em torno dos problemas concretos que se impõem à comunidade; enfocando a análise de tais problemas, através de uma perspectiva interdisciplinar e globalizadora, que permita uma compreensão adequada dos problemas ambientais. Merece menção, segundo Gadotti (2000), o fato de que na Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, foram reiterados, entre seus objetivos, que: a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem confere aos membros de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver a sua herança cultural, lingüística e espiritual, de promover a educação de outros, de defender a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente. Tais movimentações, segundo UNESCO (1999), culminam com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – UNCED, mais conhecida como Rio-92 que editou a Agenda 21 reforçando as recomendações de Tbilisi, com propostas que evidenciem a promoção do ensino, o treinamento e a consciênciatização, bem como a reorganização do ensino com a incorporação da EA no ensino regular. É conveniente mencionar, com base em Grün (1996), Magalhães (1994) e Hutchison (2000), que na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD, celebrada no Rio de Janeiro em junho de 1992, foram lançados os desafios principais que balizaram as políticas governamentais dos países contratantes para o século XXI, também no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, em caráter não oficial, celebrado por diversas Organizações Não Governamentais - ONG's -, na Conferência Rio 92, as mesmas reconheceram a educação como um processo dinâmico em permanente construção e que, por isso, deve, portanto, fomentar a reflexão, o debate e a sua própria modificação. Ainda reconheceu que a EA para uma sustentabilidade eqüitativa é um processo de aprendizagem permanente baseado no respeito a todas as formas de vida. Em 2002, ocorre em Joanesburgo, África do Sul, a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – World Summit on Sustainable Development - WSSD, visando adoção de medidas concretas e identificação de metas quantificáveis para pôr em ação de forma eficaz a Agenda 21. Neste evento, segundo Almeida (2002), levaram à avaliação dos avanços obtidos e ampliou-se o escopo para as chamadas Metas do Milênio que visavam, além de garantir a sustentabilidade ambiental: erradicar a fome e pobreza extremas; alcançar uma mínima educação primária com iguais oportunidades para homens e mulheres; reduzir a mortalidade infantil com especial enfoque ao combate à AIDS e malária; melhorar as condições de vida dos que moram em favelas e de outras populações mais necessitadas; ampliar o acesso à água potável; desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento que incluísse sistemas internacionais de comércio e financiamento não discriminatórios e atendesse às necessidades especiais dos países em desenvolvimento, aliviando suas dívidas externas, provendo trabalho aos jovens e acesso a remédios e novas tecnologias. Ainda em conformidade com Almeida (2002), a WSSD reuniu 60 mil participantes, sendo 12 mil de delegações incluindo chefes de Estado, líderes de ONGs, empresas e outros grupos principais. Além dos encontros intergovernamentais, eventos coordenados pelas Nações Unidas buscaram a troca de experiências e maiores oportunidades para diálogo entre os participantes oficiais dos encontros oficiais. Vários encontros preparatórios ocorreram para realização da WSSD a exemplo de Prepcom I de 2001 em Nova York, Prepcom II, III e IV, de 2002, organizados pela Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - CSD10 -, que guia e dá suporte ao processo de negociações entre Estados-membros e grupos majoritários. A respeito desses eventos, Adams (2005, p. 16) afirma que: Eventos internacionais importantes, destacados pela Coordenação Geral de Educação Ambiental COEA (MEC PRONEA, 2004), como a Conferência de Estocolmo, em 1972, o Congresso de Belgrado, em 1975, a Conferência de Tbilisi, em 1977, a Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida por Rio-92 (ou Eco-92), e que resultou na criação da Agenda 21 e no importante Tratado de EA para Sociedades Sustentáveis (Anexo II), e a Conferência Internacional de Thessaloniki, em 1997, entre outros, revelam uma preocupação mundial em relação à EA. Determinações importantes que resultaram dessas conferências servem de referencial para o desenvolvimento e efetivação da prática educacional ambientalista, nos ambientes institucionais (escolas, empresas, ONG s, igrejas). Desta forma, segundo a autora mencionada, a EA passa a ser entendida como uma das mais desafiadoras e abrangentes temáticas inseridas nas atuais sistemáticas educacionais, assumindo uma importância relevante nas discussões e debates dos problemas ambientais que se detectam em níveis locais e globais, exigindo, portanto, dos cidadãos de toda humanidade a adoção de uma postura inédita voltada para a relação do ser humano com o meio ambiente, modificando assim, a sua intervenção no meio e seu modo de viver, ser, ver e relacionar-se com o planeta num posicionamento responsável e sustentável.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: VISÃO GLOBAL DO MUNDO - A adoção de uma visão global da questão ambiental como um todo, surgiu com os movimentos pacifistas que adotaram posicionamento conservacionista contra as atitudes beligerantes e aguerridas do pós-guerra. No entanto, é a partir das observações de Branco (1998), Souza (2000) e Pereira (1997), é que se entende que desde que o homem apareceu na face da terra que ele atua, interage, explore e subsiste das suas ações, intervenções e interações com o meio ambiente, possuindo, assim, um ambiente natural, cultural, químico, físico e biológico, interferindo e alterando todo ao seu redor na busca de proteção, existência e conforto. Isto quer dizer que, em conformidade com as idéias expressas por May e Mota (1994), que o relacionamento da humanidade com a natureza se inicia desde a mais remota época com a sua interferência nos ecossistemas, tendo hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais, provocando a poluição, a contaminação dos cursos de água, a devastação da flora, destruição da fauna e a redução da potencialidade do meio, além de muitas outras formas de agressão ambientais. As ações iniciais de visão global, segundo Mota (2008), se deram a partir de atitudes preservacionistas cultivando o símbolo energizante da montanha, vales e florestas, com forte sentimento panteísta no ponto de vista filosófico e estetizante sob o ponto vista da relação homem-natureza, tendo por intenção última a preservação da natureza como ela é, intocada pelo homem. Depois destes, segundo Mota (2008), surgiram os ideais ambientalistas que se demonstra como um movimento onde a ecologia lança mão para seus estudos valendo-se do trabalho de correções daquilo que já foi degradado, nos casos físicos, e prejudicado, nos casos de animais e plantas, com a preocupação corretiva, a tese do equilíbrio dos ecossistemas e apoiando-se decisivamente nos estudos dos cientistas físicos e naturais. Mais adiante surgiram os conservacionismo que, segundo Mota (2008), trazem no bojo de sua defesa à questão da sustentabilidade do sistema produtivo, em virtude do homem não ser a medida de todas as coisas, mas  uma espécie que luta com as outras por sua sobrevivência, sendo necessário, devido ao tremendo multiplicador de seu poder de interferência sobre a vida no planeta, examinar alternativas e correções de rumo, de modo a conter o caráter destruidor deste poder e salvar o seu lado benéfico. Este movimento trabalha o desenvolvimento ambientalmente sustentável, aquele que não está coadunado com a natureza intocável, nem com o desenvolvimento desejável do capitalismo, tratando a natureza como bem maior da humanidade. Tendo em vista que, segundo Pereira (1997), o ambiente é visto como um conjunto de fatores naturais e não naturais, os problemas ambientais do homem não podem ser tratados com neutralidade, carecendo, assim, para solução dos problemas de natureza histórica de uma transformação das atuais relações da sociedade com a natureza. A partir disso, a visão global da Educação Ambiental, segundo o que se apreende de Branco (1998), May e Mota (1994), Souza (2000), Grün (1996), Guimarães (2000), Dias (2000) e Pereira (1997), parte para o contexto da necessidade de mudança comportalmental do ser humano com relação à natureza, na promoção de um modelo de desenvolvimento consciente e responsável por meio de um processo que seja capaz de assegurar a gestão responsável dos recursos do planeta de forma a preservar os interesses das gerações futuras e, ao mesmo tempo atender as necessidades das gerações atuais. Quer dizer, uma postura para o desenvolvimento sustentável visando a compatibilização de práticas econômicas e conservacionistas, com reflexos positivos evidentes junto à qualidade de vida de todos. Assim sendo, em conformidade com Martins (2002) e Viola e Leis (1995), a visão global de educação ambiental consiste na adoção de um programa efetivo que promova simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental, utilizando-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. Assim, conceitualmente a EA, segundo Oliveira (2000, p. 23), a partir do reconhecimento da sua importância a partir dos movimentos ambientais e das recomendações de diversas conferências internacionais realizadas desde 1972 até hoje, é: (...) um processo voltado para a apreciação da questão ambiental sob sua perspectiva histórica, antropológica, econômica, social, cultural e ecológica, enfim, como educação política, na medida em que são decisões políticas todas as que, em qualquer nível, dão lugar às ações que afetam o meio ambiente. Isto quer dizer que a EA, para o autor em referência, é à parte da educação que trata das relações do homem com o seu meio natural, suas interferências no mesmo, as causas que levam o homem a realizar tal tarefa e suas conseqüências. Para Gadotti (2000, p. 131): Educação Ambiental é um processo que parte de informações ao desenvolvimento do senso crítico e raciocínio lógico, inserindo o homem no seu real papel de integrante e dependente do meio ambiente, visando uma modificação de valores tanto no que se refere às questões ambientais como sociais, culturais, econômicas, políticas e éticas, o que levaria à melhoria da qualidade de vida que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com a natureza e que implica atitudes, valores e ações. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto. A Educação Ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas. Também Branco (1998, p. 51) entende EA como sendo: (...) todo processo cultural que objetive a formação de indivíduos capacitados a coexistir em equilíbrio com o meio. Processos não formais, informais e formais já estão conscientizando muitas pessoas e intervindo positivamente, se não solucionando, despertando para o problema da degradação crescente do meio ambiente, buscando novos elementos para uma alfabetização. Para Adams (2005, p. 17), para contextualizar o conceito de EA, entende-se que: (...) se trata de uma prática educacional sintonizada com a vida em sociedade, que deve ser inserida sob diversos enfoques: social, econômico, político, cultural, artístico, etc., não podendo ser considerada como uma prática estanque, uma vez que abrange diversas áreas, confirmando sua interdisciplinaridade. Já para Dias (2000), a EA é “(...) um processo por meio do qual as pessoas apreendam como funciona o ambiente, como dependemos dele, como o afetamos e como promovemos a sua sustentabilidade". Vê-se, com isso, que a educação ambiental, em conformidade com os autores mencionados, deve se constituir de um formato de educação que seja abrangente, e por meio de um processo participativo pedagogicamente, que atinja todos os cidadãos e de forma permanente procure incutir a conscientização numa postura crítica baseada na capacidade de captar as origens, causas, conseqüências e alternativas possíveis diante dos problemas ambientais.

REFERÊNCIAS
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