domingo, dezembro 07, 2008

JORGE AMADO, TERESA LEÓN GYORI, POLANYI, TALCOTT PARSONS, CATULO & ARUANNE

 

ARUANNE, A PROMESSA DO PRAZER – Aruanne é uma sublime canção matinal que aos altos brados solfejo de clamor geral na incontinência de meus furores mais agudos e na iminência da entrega. Amanhecem sedutores os olhos dela, com um convite entusiasmado para o dia nos seus lábios sedentos que me alcançam desamparado e a sua boca toca minha alma com o hálito da paixão, para que eu viva o inexprimível deleite da sua faminta e impudente gula e lascívia, a me fazer mais que robusto na inteireza de amar. A mão dela matutina alisa a minha pele, afaga meu sexo, incendeia a minha alucinação, enquanto a outra me puxa rigorosa para bem perto dos seus tremores mais vadios e sequiosos de mim, ofegante estro a me inundar de todas as formas e jeito. Alvorecem seus seios roçando meu tronco, atiçam meus lábios condenados ao desmame, para que eu seja abrigado por sua ternura com todos os afetos de dormir e sonhar. Mais me guardam suas pernas dilúculas a se enroscarem às minhas, feliz encaixe da minha carência nas suas coxas que me levam por deslumbrante trajeto, a reclamarem de mim a virilidade para explorá-las e percorrê-las até invadir e esgotar sua gruta, archote aceso por seus recantos escondidos, superfícies e profundidades nos alvores da sua nudez de deslumbrante arrebol, toda feita égua garbosa de empolgante montaria, a me ensinar que é tudo passageiro, nada em definitivo e que vamos de novo, um recomeço agora e outro depois e sempre antes de qualquer atavio, a descomplicar logo agora o que é complicado demais e repetidamente, com o seu sexo arraiado a se apoderar do meu, agasalhando meu desejo para que tudo seja chegar e voltar e fazer tudo acontecer e já, sem perda de tempo, devagar por instantes e rápido como urgente, abrasada e impenitente, impune e indecente, para que tenhamos a graça do Tao de sermos um só no apogeu divino do amor até o remanso orgíaco da satisfação plena. É quando a sua língua refulgente arrepia minha vida com rodopio na minha carne incendiada e aos choques do seu contato por cabeça, tronco e membros, ancorada ao meu sexo com toques levados às lambidas e quantos madrugares agarradas ao meu cajado a querer que ele entre em erupção e exploda de novo, túrgido e lavado por sua gulodice que chupa e abocanha sem porfiar, e me leva ajaezada por estrelas e céus de paraísos imensos e inenarráveis, para viver como se tudo fosse outra vez agora e sempre, tudo de novo por entardeceres, todos os dias e anoiteceres, o dia todo, a vida toda que nos resta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - A verdadeira natureza do sistema internacional sob o qual estávamos vivendo não foi percebida até que fracassou. Quase ninguém entendeu a função política do sistema monetário internacional; a terrível repentina transformação transformou, assim, o mundo completamente de surpresa. E, no entanto, o padrão ouro era o único pilar remanescente da economia mundial tradicional; quando se rompeu, o efeito era instantâneo. Para os economistas liberais, o padrão ouro era uma instituição puramente econômica; eles se recusaram a considerá-lo parte de um mecanismo social. A economia de mercado implica um sistema de autorregulação dos mercados; em termos um pouco mais técnicos, é uma economia dirigida por preços de mercado e nada além de preços de mercado. O sistema econômico é, de fato, uma mera função da organização social. Tanto o pessoal quanto os motivos desse órgão singular investiram nele um status cujas raízes estavam firmemente fundamentadas na esfera privada de interesse estritamente comercial. Pensamento do filósofo, economista e sociologo húngaro Karl Polanyi (1886-1964).

ALGUÉM FALOU: Mas hoje não; a donzela guerreira ainda deve manter a armadura e os seios pressionados contra o coração; Ele ainda não pode bater na porta de sua casa para vestir o traje de descanso. De pé na trincheira, onde os homens lutam, ela, defensora de Madri, precisa terminar de escrever uma página da nossa história da Espanha. Pensamento da escritora espanhola María Teresa León Gyori (1903-1988).

SISTEMA SOCIAL[...] do ponto de vista de um sistema social em andamento, deve haver um processo contínuo de “substituição” das pessoas nos papéis da estrutura social. É essencial, desde logo, para a estabilidade, na maioria dos casos, que esta substituição não se produza em sua totalidade, de uma só vez, o que raras vezes acontece; pelo contrário, sempre está em andamento. [...] Existe, pois, um sentido em que todos os elementos do sistema de recompensas relacionais chegam a estar integrados sobre a base de um sistema de ordenação em termos de estima, do mesmo modo que o controle dos bens está ordenado em um sistema de poder político. Este sistema de ordenação em termos de estima é o que podemos chamar de sistema de estratificação da sociedade. [...] A relação fundamental entre disposições da necessidade de personalidade, expectativas do papel do sistema social e padrões de valores institucionalizados e internalizados é o nó fundamental da organização dos sistemas de ação. Esse é o ponto em que ambos se concentram - interdependência e independência recíproca de personalidade, sistema social e cultura [...]. Trechos extraídos da obra El sistema social (Alianza, 1982), do sociologo estadunidense Talcott Parsons (1902-1979).

O AMOR - [...] O amor é todo o bem da terra, amiga. O amor pode ser igualmente toda a desgraça da terra envolvendo um homem. Assim era para João Lisboa. Júlia Feital ria alegre na festa, dominava os homens, fazia inveja às mulheres, ria feliz Júlia Feital, ele resolveu mata-la. Tinha compreendido que ela nunca seria somente dele, jamais o seu amor seria todo o bem da terra. Ia matá-la, era certo. Ia matá-la porque muito a amava e com tanto e tamanho desespero que não podia concebê-la sorrindo para outro, de olhos presos a outros olhos que não fossem os seus. Mas para João Lisdboa ela não se comparava com nenhuma mulher da terra, era diferente de todas, mais bela que todas, mais merecedora que todas. Mesmo matando-a tinha que homenageá-la, que coloca-la acima das demais. E nos seus dias desgraçados fundiu uma bala de ouro que qualquer outro metal era indigno de penetrar a alvura da carne de Júlia Feital e, com ela, parou o coração da amada. Julia Feital caíra naquela sala, da ferida saíra um fio d sangue. Uma bala de ouro, último presente que ele lhe dava, joia que nenhum amante dera antes à sua noiva [...]. Trecho extraído do A.B.C. de Castro Alves (Record, 1980), do escritor e dramaturgo Jorge Amado (1912-2001). Veja mais aqui.

FLOR DE MARACUJÁ

Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A frô do maracujá
Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi

Mais brando do que o luá
Quando a frô brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão
Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro
Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrê
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê
Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza
Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio da laranjera
E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de frô
Aos pé de nosso sinhô
I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as frô
Eis aqui seu moço
A estória que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A frô do maracujá.



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