CANTA, VIOLETA!!! - Canta,
Violeta, da barra do dia ao poente anoitecendo, canta a madrugada e o dia
amanhecendo, a Terra se encanta Gracias a la Vida! Ouço o canto de San
Carlos além de Ñuble, como se a infância inesquecível ficasse em Lautaro. Canta
Chillán e desperta depois que o pai morreu pra deixar a casa da mãe por
Santiago. Canta a separação dolorosa pro abrigo das filhas em Valparaíso. Canta
Qué pena siente el alma depois dos Campos campesinos. Canta a festa do Casamiento
de negros e viva Concepión no talento arpillerista. Canta quem sofre com o Corazón
maldito, quem segue perdido e ¿Qué he sacado con quererte?... Canta as
esculturas em arame e as Ultimas composiciones. Chora cantando Volver
a los 17 para seguir adiante Run Run se fue pa’l norte aos olhos de
La Reina na exibição de Miren cómo sonríen. Escreve La Carta e canta
das dores de quem vive cantante: Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a
polícia... Chora com todas as mães o Rin de Angelito, o peito doendo
a cantar Maldigo del alto cielo proutra canção comprometida Contra la
Guerra porque pelo jovem namorado não vale morrer. Mantém-se viva no canto e
em El libro mayor de Violeta Parra que se fue a los cielos... Gracias,
Violeta Parra (1917-1967). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS - Infelizmente continuo bastante pessimista sobre
o que qualquer movimento artístico saturado de guerras e destruição ambiental
pode trazer. Os artistas têm uma devoção ao despertar e à observação, através
dos seus escritos ou das suas obras. Mas os lobbies armamentistas asseguram que
as guerras sejam renovadas regularmente, de modo a consumir os prodigiosos
investimentos que são feitos. Em nenhum lugar você encontrará tanta
obsolescência planejada. aviões e bombas custam bilhões e são destruídos em
poucos segundos… Assim podemos projetar novos ainda mais caros e os povos
manipulados alegram-se com as armas que deveriam defendê-los. Os diplomatas
ainda demoram a encontrar uma solução pacífica. durante este tempo, milhares de
mortes mantêm o pânico… E não termina aí… os artistas devem protestar mesmo que
as suas palavras sejam pouco tidas em conta… mas não devemos desistir por tudo
isso… Pensamento da multiartista francesa
Catherine Belkhodja.
ALGUÉM FALOU: O que irá libertar
as mulheres, portanto, do controlo masculino é a eliminação total do sistema
dinheiro-trabalho, e não a obtenção da igualdade económica com os homens dentro
dele. Chamar um homem de animal é bajulá-lo; ele é uma máquina,
um vibrador ambulante. Costuma-se dizer que os homens usam as
mulheres. Usá-los para quê? Certamente não para prazer. Todo homem, no fundo, sabe
que é um pedaço de merda inútil. Pensamento da escritora feminista estadunidense Valerie
Solanas (1936-1988), autora da peça teatral Up Your Ass: Or from the Cradle
to the Boat or the Big Suck or Up from the Slime (1965). Veja mais aqui.
O FUTURO DA MENTE - […] O cérebro pesa
apenas um quilo e meio, mas é o objeto mais complexo do sistema solar. [...] Para quem
acredita, nenhuma explicação é necessária; para aqueles que não acreditam, nenhuma
explicação será suficiente. [...] Aprendemos mais sobre o cérebro nos
últimos quinze anos do que em toda a história humana anterior, e a mente, antes
considerada fora de alcance, está finalmente a assumir o centro das atenções.
[...] O talento atinge um alvo que ninguém mais consegue atingir. O gênio
atinge um alvo que ninguém mais consegue ver. [...] Algo tão supérfluo
como “brincar” também é uma característica essencial da nossa consciência. Se você perguntar às
crianças por que elas gostam de brincar, elas dirão: “Porque é divertido”. Mas isso suscita a
próxima pergunta: O que é divertido? Na verdade, quando as crianças brincam,
muitas vezes tentam reconstituir interações humanas complexas de forma
simplificada. A sociedade humana é extremamente
sofisticada, demasiado envolvida para o desenvolvimento dos cérebros das
crianças pequenas, por isso as crianças realizam simulações simplificadas da
sociedade adulta, jogando jogos como médico, polícia e ladrão, e escola. Cada jogo é um
modelo que permite às crianças experimentar um pequeno segmento do
comportamento adulto e depois executar simulações para o futuro. (Da mesma forma,
quando os adultos participam num jogo, como um jogo de póquer, o cérebro cria
constantemente um modelo das cartas que os vários jogadores possuem, e depois
projecta esse modelo para o futuro, usando dados anteriores sobre a
personalidade das pessoas, a capacidade de fazer bluff, etc. A chave para
jogos como xadrez, cartas e jogos de azar é a capacidade de simular o futuro.
Os animais, que vivem em grande parte no presente, não são tão bons em jogos
quanto os humanos, especialmente se envolverem planejamento. Os mamíferos
infantis se envolvem em uma forma de jogo, mas isso é mais para
exercício, para testar uns aos outros, para praticar batalhas futuras e para
estabelecer a hierarquia social futura, em vez de simular o futuro.) [...] Recentes
varreduras cerebrais esclareceram como o cérebro simula o futuro. Essas
simulações são feitas principalmente no córtex pré-frontal dorsolateral, o CEO
do cérebro, usando memórias do passado. Por um lado, as simulações do futuro
podem produzir resultados desejáveis e prazerosos, caso em que os centros de
prazer do cérebro se acendem (no núcleo accumbens e no hipotálamo). Por outro
lado, estes resultados também podem ter um lado negativo, de modo que o córtex
orbitofrontal entra em ação para nos alertar sobre possíveis dançarinos.
Existe, portanto, uma luta entre diferentes partes do cérebro em relação ao
futuro, que pode ter resultados desejáveis e indesejáveis. Em última análise, é
o córtex pré-frontal dorsolateral que faz a mediação entre eles e toma as
decisões finais. (Alguns neurologistas salientaram que esta luta se assemelha,
de uma forma grosseira, à dinâmica entre o ego, o id e o superego de Freud.) [...]
A fofoca é
essencial para a sobrevivência porque a mecânica complexa das interações
sociais está em constante mudança, por isso temos que dar sentido a este
terreno social em constante mudança. Esta é a consciência do Nível II em ação. Mas assim que
ouvimos uma fofoca, imediatamente fazemos simulações para determinar como isso
afetará nossa própria posição na comunidade, o que nos leva ao Nível III de
consciência. Na verdade, há milhares de anos, a fofoca
era a única maneira de obter informações vitais sobre a tribo. A própria vida
muitas vezes dependia de saber as últimas fofocas [...]. Trechos
extraídos da obra The Future of the Mind: The Scientific Quest to
Understand, Enhance, and Empower the Mind (Doubleday,
2014), do físico teórico estadunidense Michio Kaku, co-criador da
teoria de campos de corda.
BAÚ DO CASAMENTO - [...] E você, disse Emily
vigorosamente para seu reflexo no espelho, não é um fantasma, e é melhor não
ser tratado como tal. Nada de sapatos de mulher morta para você,
minha garota. Uma nova vida para você neste sol
glorioso. Amor, vida, diversão, liberdade... Todas as coisas que a pobre e azarada
Dolly perdeu tão cedo. [...]. Trecho extraído da
obra The Marriage Chest (Fawcett Crest, 1968),
da escritora neozelandesa Dorothy Eden (1912-1982), autora de
frases como: A ambição muitas vezes leva os homens a desempenharem os cargos
mais mesquinhos; então a escalada é realizada na mesma posição do rastejamento.
Veja mais aqui.
Uma mulher espera por mim, ela tudo contém, nada falta,
No entanto, tudo ficou faltando se o sexo faltou, ou se o orvalho do varão certo estivesse faltando.
O sexo contém tudo, corpos, almas,
Significados, experiências, purezas, delicadezas, resultados, promulgações,
Canções, mandamentos, saúde, orgulho, o mistério da maternidade, o leite seminal,
Todas as esperanças, benefícios, doações, todas as paixões, amores, belezas, deleites da terra,
Todos os governos, juízes, deuses seguiram pessoas da terra,
Estes estão contidos no sexo como partes de si mesmo e justificativas de si mesmo.
Sem pejo a mulher de quem eu gosto conhece e assegura a delícia do seu sexo,
Sem pejo a mulher de quem eu gosto conhece e assegura as suas.
Agora vou dispensar-me de mulheres frias,
Vou ficar com ela que espera por mim e com aquelas mulheres que são apaixonadas e me satisfazem,
Vejo que me compreendem e não me negam,
Vejo que são dignas de mim, serei o marido vigoroso de tais mulheres.
Elas não são em nada menos do que eu,
Têm a face curtida por sóis luzentes e o sopro dos ventos,
A sua carne possui a velha divina maleabilidade e energia,
Sabem como nadar, remar, cavalgar, lutar, atirar, correr, golpear, recuar, avançar, resistir, defenderem-se,
São irrevogáveis quanto a seus direitos - são calmas, claras, seguras de si próprias.
Trago-as para perto de mim, vocês mulheres,
Não posso deixá-las ir, faria bem a vocês,
Estou para vocês e vocês estão para mim, não apenas para o nosso bem, mas para o bem de outros,
Envoltos em vocês adormecem os maiores heróis e bardos,
Recusam-se a despertar ao toque de qualquer homem, a não ser eu.
Sou eu, mulheres, faço meu caminho,
Sou duro, amargo, grande, indissuadível, mas amo-as,
Eu não as faço sofrer além do necessário para vocês,
Eu verto a substância para encetar filhos e filhas aptos para estes EUA, pressiono com o músculo rude e lento,
Eu me abraço efetivamente, não escuto súplicas,
Não ouso me afastar até que deposite o que, há muito, estava acumulado dentro de mim.
Através de vocês faço escoar os reprimidos rios de mim mesmo,
Em vocês contenho mil lágrimas progressivas,
Sobre vocês eu enxerto os enxertos do mais amado de mim e da América,
Os pingos que destilo sobre vocês farão crescer moças impetuosas e atléticas, novos artistas, músicos e cantores,
As crianças que eu gerar sobre vocês hão de gerar crianças por sua vez,
Hei de exigir homens e mulheres perfeitos do meu consumir amoroso,
Espero que eles se interpenetrem com outros, como eu e vocês nos interpenetramos agora,
Vou contar os frutos das ejeções abundantes deles, assim como conto os frutos das ejeções abundantes que eu agora dou,
Vou aguardar as colheitas de amor, desde o nascimento, vida, morte, imortalidade, do que planto tão amorosamente agora.
CALAMUS (Parte 3)
Seja você quem for segurando-me na mão,
Sem uma coisa tudo será inútil,
Aviso em tempo, antes que me insista,
Eu não sou o que você supôs, mas muito diferente.
Quem é aquele que se tornaria meu seguidor?
Quem se assinaria candidato às minhas afeições? Você é ele?
O caminho é suspicaz - o resultado lento, incerto, talvez destrutivo;
Você teria que desistir de tudo o mais - eu sozinho esperaria ser seu Deus, único e exclusivo,
Seu noviciado seria assim mesmo longo e exaustivo,
Toda a teoria passada da sua vida, e toda a conformidade às vidas ao seu redor, teriam que ser abandonadas;
Portanto solte-me agora, antes de se dar ao trabalho - Tire as mãos dos meus ombros,
Largue-me, e siga o seu caminho.
Ou senão, apenas de leve, nalgum bosque, para tentar,
Ou atrás de uma pedra, ao ar livre,
(Pois em qualquer aposento coberto de uma casa eu não me mostro - nem em companhia. E em bibliotecas deito como um mudo, um parvo, ou não nascido, ou morto)
Mas apenas talvez com você numa alta colina - primeiro vigiando para que ninguém, por milhas em torno, se aproxime despercebido,
Ou talvez com você velejando no mar, ou na praia do mar, ou alguma ilha calma,
Aqui botar seus lábios nos meus eu lhe permito,
Com o beijo demorado dos camaradas, ou o beijo do novo marido,
Pois eu sou o novo marido, e eu sou o camarada.
Ou, se quiser, me enfiando sob a sua roupa,
Onde eu possa sentir as batidas do seu coração, ou descansar no seu quadril,
Carregar-me quando atravessar terra ou mar;
Pois assim, apenas tocando você, é o bastante - é o melhor,
E assim, tocando você, eu dormiria em silêncio e seria levado eternamente.
Mas se você enganar estas folhas, corre perigo,
Pois estas folhas, e eu, você não entenderá,
Elas vão lhe escapar de pronto, e ainda mais depois - eu certamente vou lhe escapar,
Mesmo quando você ache que sem dúvida me pegou, cuidado!
Você já pode ver que eu lhe escapei.
Pois não é pelo que pus nele que escrevi este livro,
Nem é ao lê-lo que você irá adquiri-lo,
Nem aqueles que melhor me conhecem e admiram, e me elogiam com alarde,
Nem os candidatos ao meu amor, (a não ser no máximo pouquíssimos) serão vitoriosos,
Nem meus poemas farão só o bem - farão o mal também, talvez mais,
Pois tudo é inútil sem o que você pode ter pensado muitas vezes mas não atingido - o que eu insinuei,
Portanto larga-me, e segue o seu caminho.
SONG OF MYSELF (Parte 11)
Vinte e oito rapazes se banham perto da praia,
Vinte e oito rapazes e todos tão simpáticos;
Vinte e oito anos de vida feminil e todos tão solitários.
Ela é dona da fina casa na subida da margem,
Ela se esconde vistosa e ricamente trajada atrás da cortina da janela.
Qual dos rapazes que ela gosta mais?
Ah, o mais sem graça deles é lindo para ela.
Aonde vais, senhora? pois te vejo,
Saltas lá na água, contudo, estás estática em tua sala.
Dançando e rindo pela praia vinha o vigésimo-nono banhista,
Os demais não a viram, mas ela os viu e os amou.
As barbas dos rapazes cintilaram de umidade, ela escorria de seus longos cabelos,
Filetes deslizaram por todos os corpos.
Uma invista mão também deslizou sobre seus corpos,
Desceu trêmulamente pelas têmporas e costelas.
Os rapazes flutuam de costas, suas barrigas brancas incham para o sol, eles não indagam quem os agarra firme,
Eles não sabem quem ofega e declina num pendente e curvo arco,
Eles não pensam a quem encharcam com esguichos.
















