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domingo, novembro 09, 2014

ERPENBECK, VONNEGUT, VARDA, HUELVA & IANGAÍ

 


OH, LINDA IANGAÍ!... (Imagem: acervo ArtLAM) Aquela menina caeté sonhava e uma tarde abriu a janela do tempo e viu-se bela moça aos olhos gentis. Ruborizava, contida, mantendo-se nos afazeres domésticos. Ao pôr do sol sentava à beira do rio, contava as estrelas e quantas luas passadas: um dia serei uma delas, jurava. Ali mesmo desvelava os segredos dos poderes do mato e o que a vida reservava a cada ser vivente. No meio do seu devaneio era sempre surpreendida por galantes visitas, das quais escapulia com um mergulho profundo nas águas do rio. Ao ser acossada sempre se evadia aos timbungues e, pela correnteza, aprendeu a liberdade e de como se esquivar de gentilezas indesejáveis. Alcançava a margem do outro lado e seus olhos por todos os morros na imensidão da paisagem, inspirada pelos aromas da terra e do ar. Aos seus ouvidos os silvos das aves e os rugidos de todos os bichos, davam na boca o gosto de todas as raízes e frutos. Às suas mãos o calor de todos os afetos e afazeres. Tornou-se, assim, afeita às águas e, um dia, escorreu abaixo e alcançou o mar. Lá estava Camura, aquele que tocou seu coração e a fez a mulher mais bela do mundo. Dali se fizeram, ele e ela, carne e unha. Onde um, o outro lá estava. Iam e vinham. Ao soar o boré, ela não se esquivou de segui-lo para enfrentar os forasteiros invasores; também foi, teimou. E foram pelas matas de palmira, prontos para o embate. Não demorou muito e o combate das flechas, luta renhida, findaram vencidos. Foram capturados pelos inimigos. Cativos agora, viam-se entre gentes como nunca tinha visto, entre muita gente de pele pálida. Como prisioneiros foram conduzidos à presença do maioral. A punição seria severa, porém, ela não escapou aos olhos cobiçosos do donatário: Oh, linda! Os demais foram escoltados para serem executados. Ela, porém, encaminhada com outras serviçais para dependência exclusiva. E a cada investida dele, oh, linda!, ela recusava, como também rejeitou aos privilégios de escolhida, mantendo-se hostil. Não deu o pulso a torcer, nem se rendeu. Desprezou a comida servida, a hospedagem e ficou sem se alimentar por dias. Certa tarde, enclausurada pelas ameaças, aguçou o ouvido com o tumulto e logo um barulho ensurdecedor. À espreita, chegou à janela. Juntou as ideias e pulou do primeiro andar, saindo às carreiras. Ávida pela presença dos seus, a tragédia: encontrou-os todos mortos, inclusive Camura. Todos os seus foram sacrificados. Ela chorou e gritou insurreta. Levantou-se enfrentando o insulto e seus olhos flagravam o quão terrível era tudo aquilo: o sangue engrossou a saliva. O cheiro fatídico elevou sua coragem e seus braços e pernas mais enrijeceram por resistência. Aos seus ouvidos os ventos traziam maus presságios, seus lábios ao coração maldiziam dos intrépidos algozes. Ecoou no seu peito o toré, havia de ser na marra. Seu corpo era só revolta insubmissa e de si nada mais restava além da fuga. Assim o fez e foi caçada pelos quatro cantos do mundo. Só foi encontrada dias depois, o corpo envolvido por folhas de timbó: honrou sua estirpe, encolhida, libertando sua alma alada. Logo tornou-se uma estrela e toda boquinha da noite ela reaparece brilhante. Dá até para ouvir baixinho, lá longe, a cantiga do seu lamento atravessando nuvens e distâncias. E toda gente ao vê-la: Oh, linda! E assim ficou o nome do lugar: Olinda. (Releitura da lenda homônima da fundação da cidade de Olinda, Pernambuco). Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Seja qual for o seu brilhantismo, o seu pessimismo, os seus pensamentos sobre a existência, a resposta é sempre... Vida. Não é uma ideia dialética, é uma contradição vivida... Sim, qualquer coisa pode ser arte. Qualquer coisa poderia ser bela... E isso é transformar a vida em - você sabe, encontrar não só beleza - diversão, alegria. Encontrar diversão onde às vezes é apenas chato; encontrar diversão quando é um fardo. Você sempre pode fazer algo parecer diferente. O que é uma forma de dizer que estou, de certa forma, protegida de ser infeliz... A felicidade é uma fruta linda que tem gosto de crueldade... Pensamento da cineasta, roteirista, fotógrafa e artista belga Agnès Varda (1928-2019). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Meu desejo vence. Ninguém nos prometeu um amanhã, viva o presente...Pensamento da ativista espanhola Elena Huelva (2002-2023). Veja mais aqui.

 

O FIM DOS DIAS - [...] Seu corpo é uma cidade. Seu coração é um grande quadrado sombreado, seus dedos são pedestres, seus cabelos são a luz dos postes de luz, seus joelhos são duas fileiras de prédios. Ela tenta dar caminhos às pessoas. Ela tenta abrir suas bochechas e suas torres. Ela não sabia que as ruas doíam tanto, não que houvesse tantas ruas nela, para começar. Ela quer levar o corpo para passear, fora do corpo, mas não sabe onde está a chave. [...] quando ela está dormindo, ele gosta de sentar-se ao lado da cama dela e fazer mais uma tentativa de desvendar o que lhe pareceu o maior enigma de toda a história da humanidade: como processos, circunstâncias ou eventos de natureza geral – como como a guerra, a fome, ou mesmo o salário de um funcionário público que não aumenta juntamente com a inflação galopante – podem infiltrar-se numa face privada. Aqui eles tornam alguns cabelos grisalhos, ali devoram um par de lindas bochechas até que a pele fique esticada sobre mandíbulas singulares; a secessão da Hungria, por exemplo, poderia resultar num par de lábios mordidos no caso de uma mulher em particular, talvez até da sua própria esposa. Por outras palavras, há uma tradução constante entre o exterior e o interior, só que existe um vocabulário diferente para cada um de nós, o que sem dúvida explica porque nunca se percebeu que esta é uma língua em primeiro lugar – e de facto , o único idioma válido em todo o mundo e para todos os tempos. [...] O fim de um dia em que terminou uma vida ainda está longe de ser o fim dos dias. [...]. Trechos extraídos da obra The End of Days (New Directions Publishing Corporation, 2012), da escritora e diretora de ópera alemã Jenny Erpenbeck. Veja mais aqui.

 

UM POEMA DO CAIXA DE RAPÉ BAGOMBO - [...] Agora é a hora do doce adeus \ Ao que nunca poderia ser, \ Às promessas que nunca poderíamos cumprir, \ À magia que você e eu. \ Se tentássemos provar o nosso amor, \ o nosso amor estaria em perigo. \ Vamos colocar nosso amor além de qualquer dano. \ Adeus, doce e gentil estranho. [...]. Poema extraído da obra Bagombo Snuff Box (1999), do escritor alemão Kurt Vonnegut (1922-2007), que traz, também, dicas para escritores: Você vai fazer um completo estranho gastar horas com a sua história. Faça com que ele ou ela não sintam que foi uma perda de tempo. Dê ao leitor ao menos um personagem por quem ele possa torcer. Todo personagem deve querer alguma coisa, nem que seja apenas um copo d`água. Toda frase deve fazer ao menos uma de duas coisas: revelar mais sobre um personagem ou fazer a ação se desenrolar. Comece o mais próximo possível do final. Seja sádico. Não importa o quão doces e inocentes sejam os seus personagens principais, faça com que coisas terríveis aconteçam com eles – para que o leitor sinta do que eles são capazes. Escreva para agradar apenas uma pessoa. Não abra a janela e tente abraçar o mundo – os seus personagens vão pegar pneumonia. Dê aos seus leitores o máximo de informação possível, o mais rápido possível. Que se dane o suspense. Os leitores devem ter um entendimento tão completo (do que está acontecendo, onde e por quê) que eles poderiam terminar a história por si mesmos, mesmo que baratas comessem as últimas páginas. Como um romance é tão longo, lê-lo é como estar casado para sempre com alguém que ninguém conhece ou com quem ninguém se importa... todos ainda estariam cometendo o mesmo erro terrível: ser bons uns com os outros. Veja mais aqui e aqui.

 

OUTRAS SACADAS

 

DECEPÇÃO POLÍTICA – Passado alguns dias do embate eleitoral deste ano, no qual apesar dos reclamos e protestos da população contra a violência, a falta de educação e de saúde, enfim, dos problemas que grassam o Brasil, o resultado foi o mesmo de sempre com extremismos que chegaram às raias da mediocridade: reeleição de fichas sujas e outros facínoras da sociedade, os mesmos de sempre de volta, aqui, ali, acolá, em todo o nosso Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada. Afinal, parece mais que não se mesmo sabe mesmo o que se diz nem o que se faz. Teve até um ensaio de separatismo que não engrossou o coro porque se engasgou no equívoco de sempre e, no final, todo mundo colocou o rabinho entre as pernas porque a culpa é toda nossa mesmo (nossa que digo é de nós mesmos, o povo brasileiro). Nessa hora, acho apropriadas as palavras do educador e psicólogo francês Pierre Wiel (1924=2008): “Na política [...] predomina um reducionismo em torno de conceitos tecnológicos de produtividade e de consumismo, sem consideração pelo meio ambiente. O homem é na maioria das vezes considerado um cidadão cumpridor de leis e regulamentos. O sistema de valor reinante é a luta pelo poder; beleza, verdade e amor são considerados meras fantasias ou, no melhor dos casos, bons argumentos para conseguir prestigio e votos. Em todos os países, a decepção do público com a política aumenta constantemente. Resulta disto uma situação de descrença das populações em seus próprios dirigentes”. (Pierre Weil, O novo paradigma holístico: ondas à procura do mar). Veja mais aqui e aqui.

NUM DIA DE DOMINGO – Toda vez que ouço a música A minha alma (a paz que eu não quero), do Rappa na maravilhosa interpretação de Maria Rita, logo me vem à cabeça o pensamento do poeta, músico e dramaturgo bengali, Rabindranath Tagore (1861-1941), a respeito das raízes de nossa mania de redomas domiciliares: Na longínqua Grécia a civilização amadureceu entre as muralhas de duas cidades; nas civilizações modernas, a cultura também foi confinada entre muralhas. Esta defesa material deixou marca profunda na alma dos homens, introduzindo na nossa inteligência a formula dividir para reinar, isto é, o costume de cercar o terreno conquistado com muros protetores que o separe do resto do mundo”. Veja mais aqui, aqui e aqui.

OS EQUÍVOCOS DESDE ANTANHO – Quem se der ao trabalho e tiver o topete de analisar a História desde as mais remotas eras até os momentos atuais, poderá fazer a verificação de que a humanidade sempre optou pelo equívoco. Talvez essa opção equivocada se deva sempre por encolerizadas imposições, talvez por comodismo de alguns tantos adeptos que adoram a via da facilidade e reproduzem impositivamente sobre os demais, talvez porque talvez seja menos dispendioso seguir a manada do que trilhar o árduo caminho da verdade. Quando tal desencanto sonda minhas ideias, as palavras salvadoras do psiquiatra e psicoterapeuta suíço, Carl Gustav Jung (1875-1961), me levam para uma maior compreensão: “[...] O conceito que formamos a respeito do mundo é a imagem daquilo que chamamos mundo. E é por esta imagem que orientamos a adaptação de nós mesmos à realidade”. (Carl Gustav Jung, A dinâmica do inconsciente, Vozes/1984). A PSICOLOGIA ANALÍTICA – O psiquiatra e psicoterapeuta suíço, Carl Gustav Jung (1875-1981) desenvolveu a psicologia analítica em oposição à grande parte do trabalho de Freud. Por meio desse modelo ele desenvolveu uma teoria da personalidade resultado dos estudos das forças inconscientes enterradas bem abaixo da superfície da mente. Essa teoria definia como a fase mais importante do desenvolvimento da personalidade é a meia-idade, contrariando Freud que defendia ser a fase da infância a mais importante para tal. A psicologia analítica foi influencia pelos estudos do seu autor sobre mitologia e expedições para estudos dos processos cognitivos de indivíduos pré-alfabetizados. Com isso, reconhecia que o sexo desempenhava um papel pequeno na motivação humana, enfocando o crescimento interior em lugar do cultivo das relações sociais. Em vista disso se referia à libido como uma energia de vida generalizada da qual o sexo apenas fazia parte. Essa energia básica expressava-se no crescimento, na reprodução e em outras atividades, dependendo do que o indivíduo considerava crucial em determinado período. Ele acreditava na pessoal moldada não apenas pelos acontecimentos do passado, como também pelas próprias metas, esperanças e aspirações futuras. Por essa razão, para ele a personalidade não era totalmente determinada pelas experiências vividas os primeiros anos de vida, mas que podia ser modificada ao longo da vida. O INCONSCIENTE: PESSOAL E COLETIVO – O inconsciente pessoal continha as lembranças, impulsos, desejos, percepções indistintas e outras experiências da vida do individuo suprimidas ou esquecidas. As experiências do inconsciente pessoal são agrupadas em complexos que são padrões de emoções e de lembranças com temas comuns. O complexo consiste basicamente em uma personalidade menor na personalidade total. O inconsciente coletivo é formado pelas experiências herdadas das espécies humanas e de seus ancestrais animais. Nesse inconsciente estão armazenadas as experiências acumuladas das gerações anteriores, inclusive os ancestrais animais, sendo pois universais e evolutivas que formam a base da personalidade e que são inconscientes. OS ARQUÉTIPOS – Consistem em determinantes inatos da vida mental, que levam o individuo a comportar-se de modo semelhante aos ancestrais que enfrentaram situações similares. A experiência do arquétipo normalmente se concretiza na forma de emoções associadas aos acontecimentos importantes da vida, tais como o nascimento,  adolescência, o casamento e a morte, ou às reações diante de um perigo extremo. São, portanto, tendências herdadas contidas no inconsciente coletivo que levam o individuo a comportar-se de forma semelhante aos ancestrais que passaram por situações similares. Os arquétipos ocorrem com mais frequência são a persona, a anima e o animus, a sombra e o self. A persona seria a mascara que o individuo usa quando está em contato com outra pessoa, para representá-lo na forma como ele deseja parecer aos olhos da sociedade. A noção de persona é semelhante ao conceito sociológico do desempenho de papel, em que a pessoa atua da forma como crê que as outras pessoas esperam que ela atue nas diferentes situações. Os arquétipos da anima e do animus refletem a noção de que cada individuo exibe algumas características do sexo oposto. A anima refere-se às características femininas presentes no homem, e o animus denota as características masculinas observadas na mulher. A sombra é o self mais sombrio, consite na parte animalesca da personalidade. É herdada das formas inferiores de vida, contendo as atividades e os desejos imorais, violentos e inaceitáveis, comportamentos que não nos permitiríamos ter. por isso, a sombra é a parte mais primitiva da natureza do individuo. Ela pode ser positiva, quando responsável pela espontaneidade, criatividade, insight e pela emoção profunda, características necessárias para o total desenvolvimento humano. O self é o principal arquétipo integrando e equilibrando todos os aspectos do inconsciente e proporcionando unidade e estabilidade à personalidade. É um impulso de autorrealização, para a harmonização, a completude e o total desenvolvimento das habilidades individuais. Para ele a autorreliazação é atingida na meia idade, entre os 30 e 40 anos de idade, sendo, portanto, essa a fase mais importante para o desenvolvimento da personalidade. A INTROVERSÃO E A EXTROVERSÃO – Para Jung o individuo extrovertido libera energia de vida que é a libido dentro dele, direcionando-a aos acontecimentos e às pessoas do mundo exterior. O introvertido direciona a libido para o seu interior. Esse tipo de pessoa é pensativo, introspectivo e resistente às influências externas. O introvertido é mais inseguro do que o extrovertido ao lidar com pessoas e situações, porém nenhum individuo é completamente extrovertido ou introvertido. Dessa forma ele distingue as diferenças de personalidade pela expressão além das atitudes introvertidas ou extrovertidas, como também por meio das quatro funções: o pensamento, o sentimento, a sensação e a intuição. Essas funções consistem em formas de orientação seguidas pelo individuo para se comportar tanto diante do universo exterior objetivo, como diante do universo interior subjetivo. O pensamento é o processo conceitual que proporciona o significado e a compreensão. O sentimento é o processo subjetivo de ponderação e avaliação. A sensação é a percepção consciente dos objetos físicos. E a intuição envolve a percepção de maneira inconsciente. O pensamento e o sentimento são modos racionais de reação que envolvem processos cognitivos e de raciocínio e julgamento. A sensação e a intuição são consideradas irracionais, por não envolvem o uso da razão. Dentro dessas funções, apenas uma função é dominante porque é a combinação dessas funções dominantes com a atitude dominante de extroversão e introversão que produzem os oito tipos psicológicos. O TESTE DE ASSOCIAÇÃO DE PALAVRAS – Foi desenvolvido por Jung ao usar uma lista de 100 palavras como estimulo. Ele acreditava que essas palavras eram capazes de provocar emoções, medindo o tempo que levava para o paciente responder a cada palavra, bem como às reações fisiológicas da pessoa, para determinar a intensidade emocional das palavras de estimulo. Esse teste influenciou o teste de personalidade indicador de tipo Myers-Briggs, bem como a fórmula introversão-extroversão influenciou o teste de inventário de personalidade maudsley, de Hans Eysenc. A PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE – A obra Psicologia do inconsciente, de Carl Gustav Jung, traduzido por Maria Luiza Appy, trata de temas que abordam a psicanálise, a teoria do Eros, a vontade de poder, os problemas dos tipos de atitude, o inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo, o método sintético ou construtivo, os arquétipos do inconsciente coletivo, a interpretação do inconsciente, as noções gerais da terapia, os novos caminhos da psicologia, os primórdios da psicanálise e a teoria sexual, entre outros temas. Veja mais aqui, aqui e aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
JUNG, Carl. Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1980.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.


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terça-feira, julho 29, 2014

ROSABETTY MUÑOZ, JENNY ERPENBECK, GERMAINE DULAC, MENCKEN & LITERÓTICA

 


ANJANA DA CANTÁBRIA – O dia ainda não amanhecera e saí numa caminhada. Ideias às passadas, imaginação à solta. O prazer da andança, lonjuras sobrepujadas. Fui levado pelos pensamentos e nem me dera conta: havia muito me afastado e me muito, a me deparar em um ermo nunca antes visto. A escuridão reinava e mal conseguia distinguir o caminho. Vi-me perdido: em apuros e sem saída, a quem pedir ajuda, o Sol logo surgiria. Fiquei imóvel, coração em disparada. Era equinócio da primavera. Logo percebi um vulto se aproximando: Seria uma moura da Galiza ou Lâmia basca, acho que não, ou coisa parecida, talvez. Pelo andar era mesmo uma mulher que esplandecia. Dava pra ver seus olhos brilhantes como longínquos faróis das embarcações distantes: um olhar sereno e amoroso, mais de perto. Tinha lá suas semelhanças com Xana das Astúrias. Deu até pra ver uma cruz vermelha na testa, quase encoberta pelos cabelos longos de azeviche, coroada por decoração floral e laços de seda na cabeça. Vestia uma túnica branca com manchas cintilantes e uma capa azul destacando sua pele branca reluzente. Sua voz suave e doce, um rouxinol aos ouvidos: Não se apavore, venha! Siga-me. O seu encanto iluminava ao redor e ela levitava, parecia possuir asas invisíveis, só sendo. Deixava à mostra, a cada pisada, as sandálias marrons de pele de doninha com fivela fulgurante. Não demorou muito e logo se insinuavam os primeiros raios clareando o dia e a vi saudada pelo chilreio buliçoso dos passarinhos. Ouvi que cantarolava uma música muito alegre como se quase dançasse, conversando com tudo que encontrasse pela estrada: pássaros, árvores, fontes e águas que se agitavam com sua presença, aumentando o sopro dos ventos. Remotas vozes cantavam: Anjana de compaixão \ alivia meu coração\ me dê um pouco de conforto\ daquele que diz que você desceu do céu\ me dê um pouco de alegria\ nas horas deste dia\ me dê um pouco do mel\ e fazer a dor estil \ Anjana garota de sorte\ minhas tristezas são de morte\ me dê sua bênção\ e alivie meu coração. Outra voz oculta, sei lá, entoou: Anjana Branca, tenha piedade de mim. \ Guie-me através da escuridão e da neblina. \ Livra-me dos perigos e dos maus pensamentos... Algumas vozes femininas incógnitas ecoavam cantantes: Que venham as anjanas \ Com os reis sagrados, \ Vamos alegrar a manhã \ Para as meninas e meninos. \ Rezaremos \ Pelas suas alegrias \ Rezaremos, \ Pelas noites e pelos dias… Seguia embalado por aquele ritual matinal e logo a vi espalhando pétalas de rosas na brisa. Ao ouvido soou-me um cochichado ábdito, não sei se de fantasmas ou seres de outro mundo, que repetiam reiteradamente: Quem encontrar uma dessas pétalas será feliz. Desconfiado olvidei, seguia incontinenti. Ela mudou de direção e seguiu por um atalho de difícil acesso, virou-se pra mim: Venha, não tenha medo. Não hesitei e continuei a segui-la: Aqui é a gruta Fuentona de Ruente, seja bem-vindo! Uma tempestade despencou do céu com raios e trovões, tudo escurecera novamente. Convidou-me a entrar. Lá dentro testemunhei um piso revestido de ouro e as paredes de prata. Tanta riqueza, disse-me: para distribuí-la aos pobres. Não acredito. A anfitriã sorriu e a vi desfazer-se de utensílios que trazia escondido às mãos. Explicou-me: era o báculo– que parecia mais um cajado verde com uma estrela brilhante na ponta e com poderes mágicos para apascentar feras e mudar qualquer situação, com certeza. Também depositou sobre a mesa uma estranha garrafa que retirou debaixo da túnica e continha um líquido curativo, o elixir da saúde. Estava cada vez mais curioso com a anfitriã que logo se pôs a contar dos seus afazeres, penteando os cabelos com pentes de coral, diante de um enorme espelho: há quatro séculos a Ninfa da montanha... Depois colocou sobre a cabeça laços de seda, falando que possuía poderes de se transformar no que quisesse e até tornar-se invisível. Havia quem dissesse se tratar de uma bruxa celta, contrastava com sua natureza altruísta, meticulosa, inteligente, bela. De fato, era um dos espíritos elementais, que compreendiam todos os segredos e forças da natureza. Disse-me que gostava de dar presentes e todos os dias secava lágrimas dos amantes em apuros, aliviava a angústia dos caminhantes perdidos no nevoeiro e na neve. Mas não era tão boa assim: punia quem desobedecesse. Nesse momento olhei pela porta aberta e a chuvada se mantinha intensa. Fique calmo, o temporal não vai parar tão cedo, relaxe. Vi-a desaparecer recinto adentro, ajeitei-me no luxuoso divã e lá fiquei pensando como me metera naquilo tudo. Acho que adormeci e só despertei não sei quanto tempo depois. Levantei-me até a porta e o panorama estava ensolarado. Ao sair logo a vi descansando pacificamente na margem de um riacho perto. Comia morangos e me ofereceu. Estava mais linda do que a vira antes, com uma coroa de flores silvestres na cabeça. Fez um gesto para que eu me aproximasse e falou-me de paixão, com uma voz harmoniosa. Levantou-se descalça e me disse que seu coração era uma rosa grandiosa, com muitas gotas de mel nas folhas e orvalho das lágrimas de mãe Dana. Depois virou-se e veio de volta, em minha direção, falando-me do báculo, não mais a satisfazia na cópula. Apenas servia de calçadeira para deslizar macio com a fricção. Precisava de algo real. Sim? Disse que eu possuía o que ela queria. Claro, em retribuição à hospitalidade. Então, ela colou seus lábios aos meus e apalpou meu sexo com firmeza. Depois sussurrou ao meu ouvido: É isso que eu quero! Venha. E me puxou pelo pênis porta adentro, atravessamos corredores e me empurrou numa alcova iridescente. E se deitou sobre mim e me amou como nunca. Horas, beijos, pernas, braços e entregas. Estava ainda enlevado com o prazer dela, quando mencionou que ela não poderia se apaixonar: perderia sua essência. E toda sua juventude. Já era tarde e eu completamente enfeitiçado pela paixão. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Tarefa internacional das mulheres: criar coisas novas e de acordo com seu próprio espírito... É inaceitável que metade da humanidade continue a ser descartada... O cinema comercial e de vanguarda, ou a arte e a indústria cinematográfica, formam um todo inseparável. Na verdade, tive vontade de ser dramaturga, mas quando algumas circunstâncias pecuniárias me obrigaram a abandonar este primeiro caminho para escolher aquele, na altura mais lucrativo, do cinema, não me arrependi. Porém, no início não compreendi a importância da expressão cinematográfica na sua totalidade. Só com recurso às ideias, às luzes e à câmara é que consegui, na altura em que fiz o meu primeiro filme, compreender o que era o cinema, arte da vida interior e da sensação, nova expressão dada ao nosso pensamento… uma arte não tributária do as outras artes, uma arte original com significado próprio, uma arte que faz realidade, foge dela ao mesmo tempo que a incorpora: o espírito cinematográfico dos seres e das coisas! Acredito que o trabalho cinematográfico deve nascer de um choque de sensibilidade, de uma visão de um ser que só se expressa no cinema. O diretor deve ser um roteirista ou o roteirista um diretor. Como todas as outras artes, o cinema provém de uma emoção sensível… Para valer alguma coisa e “trazer” alguma coisa, essa emoção deve vir de uma única fonte. O roteirista que “sente” sua ideia deve ser capaz de encená-la. A partir disso, a técnica segue... Pensamento da cineasta, roteirista, produtora e crítica de cinema francesa Germaine Dulac (Charlotte Elisabeth Germaine Saisset-Schneider, 1882-1942).

 

ALGUÉM FALOU: O pior governo é o mais moral. Um governo composto de cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas quando os fanáticos tomam o poder, não há limite para a opressão. Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive. Pensamento do jornalista, ensaista, satirista e crítico cultural estadunidense Henry Louis Mencken (1880-1956). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

VISITAÇÃO - […] Lar. Quando chove, você pode sentir o cheiro das folhas da floresta e da areia. É tudo tão pequeno e ameno, a paisagem ao redor do lago, tão administrável. As folhas e a areia estão tão próximas que é como se você pudesse, se quisesse, puxá-las pela cabeça. E o lago sempre bate na margem tão suavemente, lambendo a mão que você mergulha nele como um cachorrinho, e a água é macia e rasa. [...] O que significa que no final há certas coisas que você pode levar quando fugir, coisas que não têm peso, como música [...] mas a cada passo que você dá enquanto foge, sua bagagem cresce cada vez menos, com mais e mais coisas deixadas para trás, e mais cedo ou mais tarde você simplesmente para e fica sentado ali, e então tudo o que resta da vida é a própria vida, e todo o resto é jazendo em todas as valas ao lado de todas as estradas numa terra tão enorme quanto o ar, e certamente aqui também você pode encontrar aqueles dentes-de-leão, essas cotovias. [...] Uma casa é a sua terceira pele, depois da pele feita de carne e roupas. [...] Nada é mais agradável do que mergulhar de olhos abertos. Mergulhando até as pernas brilhantes de sua mãe e de seu pai que acabaram de voltar da natação e agora estão caminhando para a costa em águas rasas. Nada mais divertido do que fazer cócegas neles e ouvir, abafados pela água, como eles gritam porque sabem que isso deixará seu filho feliz. [...]. Trechos extraídos da obra Visitation (New Directions, 2010), da escritora e diretora de ópera alemã Jenny Erpenbeck.

 

TRÊS POEMASFONTE - Olhando pela janela, \ seus olhos formam um afluente \ que se funde com os canais externos. \ Este olhar turva \ o que eram águas cristalinas. \ E embaça o vidro \ e faz cair uma nuvem quebrada. \ Rio tempestuoso \ que também carrega troncos de árvores e restos \ de animais em decomposição. \ Move-se sobre a página em branco \ com uma varinha mágica \ até encontrar o fluxo, a fonte. MISTÉRIOS DOLOROSOS - Se eu esconder os cobertores debaixo da cama \ Se eu cobrir o colchão com a colcha \ Se eu enrolar o bebê na toalha \ Se eu colocar na mochila Se eu \ vestir o uniforme \ Se eu sair para a escola, como sempre \ Se eu andar devagar \ Se ninguém olha para mim \ Se em vão chamei-a em vão esperei \ o leite escorrer de seu seio \ um impulso sombrio tomou conta de minha vontade \ e segui meu caminho desfraldando cavidades, \ orifícios, poros \ todos abertos para receber. \ De um túnel para outro. \ Eu previ o prazer de lamber, \ mas as mãos em volta do meu pescoço... \ A paisagem interior mudou. \ Como bandeiras gastas, \ as membranas \ ondulam sobre a trilha recém-aberta. \ O prazer agora está trançado para sempre \ com o suspiro desesperado da morte. ÁGUAS - Ninguém fala dos rios escondidos. \ Ninguém nomeia suas águas \ ou tenta ouvir sua corrente cristalina. \ Permanece ali \ a reserva e o fundo de outra paisagem. \ As palavras e a água têm esse pacto secreto, \ um zelo pela expressão \ que cobre a transparência nua. \ Um zelo por murmúrios impossíveis. Poemas da poeta e professora chilena Rosabetty Muñoz Serón.

 

A PSICOLOGIA ANALÍTICA DE CARL GUSTAV JUNG Carl Gustav Jung (1875-1961) é autor da teoria da personalidade denominada de Psicologia Analítica, com enfoque no crescimento interior em lugar do cultivo das relações sociais. Desenvolveu a teoria do Inconsciente Individual, contendo as lembranças, os impulsos, os desejos, as percepções indistintas e outras experiências da vida do individuo suprimidas ou esquecidas, como sendo o local em que se armazena o que em algum momento foi consciente, e do Inconsciente Coletivo que é o nível mais profundo da psique que contem as experiências herdadas das espécies humanas e pré-humanas. As tendências herdadas e armazenadas no Inconsciente Coletivo são os arquétipos que consistem em determinantes inatos da vida mental que levam o individuo a comportar-se de modo semelhante aos ancestrais que enfrentaram situações similares. Os arquétipos que ocorrem com mais fequência são a persona, a anima e o animus, a sombra e o self. Além disso, desenvolveu os conceitos de introversão e extroversão, as funções e atitudes dos tipos psicológicos, entre outros. A NATUREZA DA PSIQUE -  A obra A natureza da psique, de Carl G. Jung (1875-1961), trata da sicronicidade, a função transcendente, considerações gerais sobre a teoria dos complexos, o significado da constituição e da herança para a Psicologia, determinantes psicológicas do comportamento humano, instinto e inconsciente, a estrutura da alma, considerações sobre a natureza do psíquico, aspectos gerais da psicologia do sonho, da essência dos sonhos, o fundamento psicológico da crença nos espíritos, espírito e vida, o problema fundamental da Psicologia Moderna, psicologia analítica e cosmovisão, o real e o supra-real, as etapas da vida humana e a alma e a morte. PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE – O livro Psicologia do inconsciente, de Carl G. Jung, trata acerca da Psicanálise, a teoria do Eros, a vontade de poder, o problema dos tipos de atitude,  o inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo, o método sintético ou construtivo, os arquétipos do inconsciente coletivo, a interpretação do inconsciente e noções gerais da terapia, os novos caminhos da psicologia, os primórdios da psicanálise e a teoria sexual. OS ARQUÉTIPOS E O INCONSCIENTE COLETIVO – O livro Os arquétipos e o inconsciente coletivo, de Carl. G. Jung, aborda questões acerca do conceito de inconsciente coletivo, significado psicológico do inconsciente coletivo, o método de comprovação, o arquétipo com referência especial ao conceito de anima, aspectos psicológicos do arquétipo materno, o complexo materno do filho e da filha, a hipertrofia do aspecto maternal, a exacerbação do Eros, identificação e defesa contra a mãe. MEMÓRIAS, SONHOS, REFLEXÕES – A obra Memórias, sonhos, reflexões, de Carl. G. Jung, trata da infância, anos do colégio e de estudo, atividade psiquiátrica, Sigmund Freud, confronto com o Inconsciente, gênese da obra, a Torre, viagens, África do Norte, os índios Pueblos, Quênia e Uganda, Índia, Ravena e Roma, visões, sobre a Vida depois da Morte, últimos pensamentos, retrospectiva, cartas, Théodore Flournoy, Richard Wilhelm, Heinrich Zimmer, sobre o Livro Vermelho e Septem Sermones ad Mortuos. O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS – O livro O homem e seus símbolos, de Carl G. Jung, aborda temas como chegando ao inconsciente, a importância dos sonhos, o passado e o futuro no inconsciente, a função dos sonhos, a análise dos sonhos, o problema dos tipos, o arquétipo no simbolismo do sonho, a alma do homem, a função dos símbolos, curando a dissociação, os mitos antigos e o homem, o processo de individuação, o simbolismo nas artes plásticas, a ciência e o inconsciente. ASPECTOS DO DRAMA CONTEMPORÂNEO – O livro Aspectos do drama contemporâneo, de Carl G. Jung, trata sobre Wotan, depois da catástrofe, a luta com as sombras, o significado da linha suíça no espectro europeu, a aurora de um novo mundo, Keyserling: a revolução mundial e a responsabilidade do espírito. O ESPÍRITO NA ARTE E NA CIÊNCIA – O livro O espírito na arte e na ciência, de Carl G. Jung, trata sobre Paracelso, Sigmundo Freud: um fenômeno histórico-cultural, Em memória de Richard Wilhelm, relação da psicologia analítica com a obra de arte poética, psicologia e poesia, Ulisses & James Joyce: um monólogo, Picasso, entre outros assuntos. ESTUDOS PSIQUIÁTRICOS – A obra Estudos psiquiátricos, de Carl G. Jung, aborda sobre a psicologia e patologia dos fenômenos chamados ocultos, um caso de sonambulismo com carga hereditária, relato das sessões, desenvolvimento das personalidades sonambúlicas, os romances, ciência mística, desfecho, o estado de vigília, o semissonambulismo, os automatismos, a mudança de caráter, atitude perante o ataque histérico, relação com as personalidades inconscientes, transcurso, o aumento do rendimento inconsciente, erros histéricos de leitura, criptomnésia, distimia maníaca – distúrbios de humor na mania, um caso de estupor histérico em pessoa condenada à prisão, sobre a simulação de distúrbio mental, parecer médico sobre um caso de simulação de insanidade mental, vida pregressa, observações na clínica, sobre o diagnóstico psicológico de fatos. ESTUDOS EXPERIMENTAIS – O livro Estudos experimentais, de Carl G. Jung, aborda assuntos como estudos diagnósticos de associações, investigações experimentais sobre associações de pessoas sadias, análise das associações de um epiléptico, o tempo de reação no experimento de associações, observações experimentais sobre a faculdade da memória, psicanálise e o experimento de associações, o diagnóstico psicológico da ocorrência, associação, sonho e sintoma histérico, a importância psicopatológica do experimento de associações, distúrbios de reprodução no experimento de associações, o método das associações, a constelação familiar, pesquisas psicofísicas, sobre os epifenômenos psicofísicos no experimento de associações, investigações psicofísicas com o galvanômetro e o pneumógrafo em pessoas normais e doentes mentais, pesquisas adicionais sobre o fenômeno galvânico, pneumográfico e a respiração em pessoas normais e doentes mentais, dados estatísticos de um recrutamento, novos aspectos da psicologia criminal: uma contribuição ao método empregado no diagnóstico psicológico da ocorrência, os métodos psicológicos de pesquisa utilizados na clínica psiquiátrica de Zurique, exposição sumária da teoria dos complexos, sobre o diagnóstico psicológico da ocorrência. PSICOGÊNESE DAS DOENÇAS MENTAIS – A obra Psicogênese das doenças mentais, de Carl G. Jung, trata da psicologia da dementia praecox: um ensaio, exposição crítica das concepções teóricas sobre a psicologia da dementia praecox, o complexo de tonalidade afetiva e seus efeitos gerais sobre a psique, a influência do complexo de tonalidade afetiva sobre a valência da associação, dementia praecox e histeria: um paralelo, os distúrbios emocionais, anormalidades de caráter, distúrbios intelectuais, a estereotipia, análise de um caso de demência paranoide enquanto paradigma, história clínica, associações simples de palavras, associações contínuas,  a satisfação do desejo, o complexo de lesão, o complexo sexual, o conteúdo da psicose, a interpretação psicológica dos processos patológicos, crítica a E. Bleuler: sobre a teoria do negativismo esquizofrênico, a importância do inconsciente na psicopatologia, o problema da psicogênese nas doenças mentais, doença mental e psique, a psicogênese da esquizofrenia, novas considerações sobre a esquizofrenia. FREUD E A PSICANÁLISE – O livro Freud e a psicanálise, de Carl G. Jung, trata da teoria de Freud sobre a histeria, resposta à crítica de Aschaffenburg, a teoria freudiana da histeria, a análise dos sonhos, contribuição à psicologia do boato, contribuição ao conhecimento dos sonhos com números, a teoria da sexualidade infantil, o conceito de libido, neurose e fatores etiológicos na infância, as fantasias do inconsciente, o complexo de Édipo, a etiologia da neurose, princípios terapêuticos da psicanálise, um caso de neurose infantil, aspectos gerais da psicanálise, questões atuais da psicoterapia, correspondência entre C.G. Jung e R. Loÿ, a importância do pai no destino do indivíduo, divergência entre Freud e Jung. SÍMBOLOS DA TRANSFORMAÇÃO – No livro Símbolos da transformação, Carl G. Jung aborda sobre as duas formas de pensamento, o hino ao Criador, o canto da mariposa, sobre o conceito de libido, a transformação da libido, o nascimento do herói, símbolos da mãe e do renascimento, a luta pela libertação da mãe, a dupla mãe, o sacrifício. TIPOS PSICOLÓGICOS – No livro Tipos psicológicos, Carl G. Jung trata sobre o problema dos tipos na história do pensamento antigo e medieval, a psicologia na antiguidade, Tertuliano e Orígenes, as disputas teológicas na Igreja Antiga, o problema da transubstanciação, nominalismo e realismo, o problema dos universais na antiguidade, o problema dos universais na Escolástica, tentativa de conciliação de Abelardo, a controvérsia entre Lutero e Zwínglio sobre a ceia, as ideias de Schiller sobre o problema dos tipos, as cartas sobre a educação estética do homem, a função superior e inferior, sobre os instintos fundamentais, sobre a poesia ingênua e sentimental, a atitude ingênua, a atitude sentimental, o idealista e o realista, o apolíneo e o dionisíaco, o problema dos tipos no conhecimento das pessoas, considerações gerais sobre os tipos em Jordan, apresentação específica e crítica dos tipos de Jordan, a mulher introvertida, a mulher extrovertida, o homem extrovertido, o homem introvertido, o problema dos tipos na arte poética, Prometeu e Epimeteu  de Carl Spitteler, a tipificação de Spitteler, comparação do Prometeu de Spitteler com o de Goethe, o significado do símbolo de união, a concepção bramanista do problema dos opostos, a concepção bramanista do símbolo de união, o símbolo de união como norma dinâmica, o símbolo de união na filosofia chinesa, a relatividade do símbolo, culto à mulher e culto à alma, a relatividade do conceito de Deus em Mestre Eckhart, a natureza do símbolo de união em Spitteler, o problema dos tipos na psicopatologia, o problema das atitudes típicas na estética, o problema dos tipos na filosofia moderna, os tipos de James, os pares de opostos característicos dos tipos de James, crítica à concepção de James, o problema dos tipos na biografia, descrição geral dos tipos, a atitude geral da consciência, a atitude do inconsciente, as peculiaridades das funções psicológicas básicas na atitude extrovertida, o pensamento, o sentimento, sinopse dos tipos racionais, a sensação, a intuição, sinopse dos tipos irracionais, as peculiaridades das funções psicológicas básicas na atitude introvertida, tipos psicológicos, tipologia psicológica. A ENERGIA PSIQUICA – No livro A energia Psíquica, Carl G. Jung aborda acerca das observações gerais sobre o ponto de vista energético na Psicologia, a  possibilidade da determinação psicológica quantitativa, o sistema subjetivo de valores, a avaliação quantitativa objetiva, a aplicação do ponto de vista energético, o conceito psicológico da energia, a conservação da energia, a entropia, energetismo e dinamismo, os conceitos básicos da teoria da libido, progressão e regressão,extroversão e introversão, o deslocamento da libido, a formação do símbolo, o conceito primitivo de libido. PRESENTE E FUTURO – No livro Presente e futuro, Carl G. Jung, trata sobre a ameaça que pesa sobre o indivíduo na sociedade moderna, a religião como contrapeso à massificação, o posicionamento do Ocidente diante da questão da religião, a autocompreensão do indivíduo, cosmovisão e modo de observação psicológico, o autoconhecimento e o sentido do autoconhecimento. PSICOLOGIA E RELIGIÃO – No livro Psicologia e religião, Carl G. Jung aborda a autonomia do inconsciente, dogma e símbolos naturais, história e psicologia de um símbolo natural. PSICOLOGIA E ALQUIMIA – No livro Psicologia e alquimia, Carl G. Jung faz uma introdução à problemática da psicologia religiosa da alquimia, símbolos oníricos do processo de individuação, o método, os sonhos iniciais, o simbolismo do mandala, os mandalas nos sonhos, a visão do relógio do mundo, os símbolos do si-mesmo, as ideias de salvação na alquimia, os conceitos básicos da alquimia, a atitude espiritual em relação ao opus, meditação e imaginação, alma e corpo, o espírito na matéria, a obra da redenção, a matéria prima, designações da matéria, o increatum, ubiquidade e perfeição, o rei e o filho do rei, o mito do herói, o tesouro oculto, o paralelo lapis-Cristo, a renovação da vida, testemunhos a favor da interpretação religiosa, Raimundo Lulo, o“Tractatus aureus”, Zózimo e a doutrina do Anthropos, Petrus Bonus, a Aurora Consurgens e a doutrina da “Sapientia”, Melchior Cibinensis e a paráfrase alquímica da missa, Georgius Riplaeus, os epígonos, o simbolismo alquímico no contexto da história das religiões, o inconsciente como matriz dos símbolos, as fases do processo alquímico, concepções e símbolos da meta, a natureza psíquica da obra alquímica, a projeção de conteúdos psíquicos, o tema do unicórnio como paradigma, o unicórnio nas alegorias da Igreja, o unicórnio no gnosticismo, o escaravelho unicórnio, o unicórnio nos Vedas, o unicórnio na Pérsia, o unicórnio na tradição judaica, o unicórnio na China, o cálice do unicórnio. ESTUDOS ALQUIMICOS – No livro Estudos alquímicos, Carl G. Jung trata sobre “O segredo da flor de ouro”, por que é difícil para o ocidental compreender o Oriente, a psicologia moderna abre uma possibilidade de compreensão, os conceitos fundamentais, Tao, o movimento circular e o centro, os fenômenos do caminho, a dissolução da consciência, animus e anima, a consciência desprende-se do objeto, a realização (plenificação), as visões de Zósimo, generalidades sobre a interpretação, ato sacrifical, as personificações, o simbolismo da pedra, o simbolismo da água, a origem da visão, Paracelso: um fenômeno espiritual, as duas fontes do saber: a luz da natureza e a luz da revelação, magia, alquimia, doutrina secreta, o homem primordial, De vita longa: uma exposição do ensinamento secreto, o iliastro, o aquastro, Ares, Melusina, o filius regius como substância arcana, o estabelecimento do uno ou centro por destilação, a conjunção na primavera, o mistério da transformação natural, a luz da escuridão, a união das duas naturezas do ser humano, a quaternidade do homo maximus, a aproximação do inconsciente, comentário de Gerardo Dorneo, a melusina e o processo de individuação, o hierosgamos do homem eterno, espírito e natureza, o sacramento da igreja e a opus alquímica, o espírito mercurius, o conto do espírito na garrafa, esclarecimentos sobre a floresta e a árvore, o espírito na garrafa, a relação entre o espírito e a árvore, o problema da libertação de Mercurius, observações preliminares, o Mercurius como mercúrio, ou seja, água, Mercurius como fogo, Mercurius como espírito e alma, Mercurius como espírito do ar, Mercurius como alma, Mercurius como espírito em sentido incorpóreo, metafísico, Mercurius como natureza dupla, Mercurius como unidade e trindade, as relações de Mercurius com a astrologia e com a doutrina dos arcontes, Mercurius e o deus Hermes, o espírito mercurius como substância arcana, a árvore filosófica, representações individuais do símbolo da árvore, contribuições à história e interpretação do símbolo da árvore, a árvore como imagem arquetípica, a árvore no tratado de iodocus greverus, a tetrassomia, sobre a imagem da totalidade na alquimia, sobre a natureza e a origem da árvore filosófica, a interpretação da árvore em Gerardo Dorneo, o sangue rosa e a rosa, o estado de espírito do alquimista, diversos aspectos da árvore, localização e origem da árvore, a árvore invertida, pássaro e serpente, o nume feminino da árvore, a árvore como pedra, a periculosidade da arte, compreensão como meio de defesa, o tema do suplício, a relação do suplício com o problema da conjunção, a árvore como ser humano, interpretação e integração do inconsciente. MYSTERIUM CONIUNCTIONES – No livro Mysterium coniunctiones, Carl G. Jung trata dos componentes da coniunctio (união), os opostos, o quatérnio (grupo de quatro), o órfão e a viúva, alquimia e maniqueísmo, os paradoxa, a substância do arcano e o ponto, a scintilla (centelha),  o enigma bolognese, as personificações dos opostos, Sol, Sulphur (enxofre), Luna (Lua), a A importância da Lua, o cão, allegoria alchymica (alegoria alquímica), a natureza da Lua, Sal, o sal como substância do arcano, o amargor, o Mar Vermelho, o quarto dos três, subida e descida, a viagem pelas casas dos planetas, regeneração na água do mar, interpretação e significado do sal, Rex e Regina, ouro e espírito, a transformação régia, a cura do rei, o lado sombrio do rei, o rei como Ánthropos, a relação do símbolo do rei com a consciência, a problemática religiosa da renovação do rei, Regina, Adão e Eva, Adão como substância do arcano, a estátua, Adão como o primeiro adepto, a natureza contraditória de Adão, o “velho Adão”, Adão como totalidade, a transformação, o redondo – cabeça e cérebro, a conjunção, a concepção alquímica da união dos opostos, etapas da conjunção, a produção da quintessência, o sentido do processo alquímico, a interpretação psicológica do processo, o autoconhecimento, o Monocolus, conteúdo e sentido dos dois primeiros graus da conjunção, o terceiro grau da conjunção: o unus mundus, o si-mesmo e a restrição da parte da teoria do conhecimento, os dois unípedes, a “revelação do oculto”, o poder civil e o eclesiástico, o par régio, a nigredo, o motivo do olho em representação moderna, o motivo do olho em representação moderna, a tradição, as fontes, o problema da datação, os manuscritos, Aurora Consurgens, início do Tratado do Beato Tomás de Aquino: “O surgir da aurora”, o que é a sabedoria, dos que ignoram e negam esta ciência, do nome e do título deste livro, da estimulação dos insensatos, primeira Parábola: da Terra negra, na qual sete planetas criaram raízes, segunda Parábola: do dilúvio das águas e da morteque a mulher introduziu e expulsou, terceira Parábola: da porta de aço e do ferrolho de ferro do cativeiro da Babilônia, quarta Parábola: da fé filosófica, que consiste no número três, quinta Parábola: da casa dos tesouros que a Sabedoria construiu sobre a pedra, sexta Parábola: do céu e do mundo e do lugar dos elementos, sétima Parábola: do diálogo do Amado com a Amada, será Tomás de Aquino o autor de “Aurora Consurgens”?. A PRÁTICA DA PSICOTERAPIA – No livro A prática da psicoterapia, Carl G. Jung trata sobre os problemas gerais da psicoterapia, princípios básicos da prática da psicoterapia, medicina e psicoterapia, psicoterapia e atualidade, o valor terapêutico da ab-reação, a aplicação prática da análise dos sonhos, a psicologia da transferência, a fonte de mercúrio, o rei e a rainha, a verdade nua, a imersão no banho, a coniunctio, a morte, a ascensão da alma, a purificação, o retorno da alma, o novo nascimento. O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE – No livro O desenvolvimento da personalidade, Carl G. Jung trata sobre os conflitos da alma infantil, a importância da Psicologia Analítica para a Educação, o bem-dotado, a importância do inconsciente para a educação individual, da formação da personalidade, o casamento como relacionamento psíquico. A VIDA SIMBÓLICA – No livro A vida simbólica, Carl G. Jung trata sobre os fundamentos da Psicologia Analítica, conferências e discussões, símbolos e interpretação dos sonhos, o sentido dos sonhos, as funções do inconsciente, a linguagem dos sonhos, o problema dos tipos na interpretação dos sonhos, o arquétipo no simbolismo dos sonhos, a função dos símbolos religiosos, a cura da divisão, a vida simbólica (Seminário Guild of Pastoral Psychology), sobre o ocultismo, sobre fenômenos espíritas, psicologia e espiritismo, psicogênese das doenças mentais, o estado atual da psicologia aplicada, sobre Dementia Praecox, um exame da psique do criminoso, a questão da intervenção médica, Freud e a psicanálise, resenhas da literatura psiquiátrica, a importância da teoria de Freud para a neurologia e a psiquiatria, duas cartas sobre psicanálise, sobre a ambivalência (1910), contribuições ao simbolismo (1911), individuação e coletividade (1916), sobre alucinação (1933), a psicologia profunda (1948), cartas sobre sincronicidade, entre outros assuntos. SINCRONICIDADE – O livro Sincronicidade, de Carl G. Jung, trata do princípio de conexões acausais, experimento astrológico, os precursores da sincronicidade e exposição. Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
JUNG, Carl. Obras completas. Petrópolis: Vozes, 1961.
______. A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 1980.
______. A psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1980.
______. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000.
______. Sincronicidade. Petrópolis: Vozes, 2005.
______. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986,
______. Memória, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986
______. Aspectos do drama contemporâneo. Petrópolis: Vozes, 1990.
______. O problema psíquico do homem moderno. Petrópolis, Vozes, 1993.
______. Símbolos de transformação. Petrópolis: Vozes, 1986.
______. Psicologia e religião. Petrópolis :Vozes, 1978.


PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiLogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial Ariano Suassuna, com apresentação de Meimei Corrêa e na programação a voz, a poesia e arte armorial de Ariano Suassuna e Quinteto Armorial. Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial Ariano Suassuna
Quando? Hoje, terça, 29 de julho, a partir das 21hs
Onde? Aqui no blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

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Inutescência & Maria Luísa Persson aqui.

E mais:
Ulysses Gaze, Eleni Karaindrou & Kim Kashkashian, Tunga & Giuseppe Gioachino Belli aqui.
Steven Pinker & Lou Vilela aqui.
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O pensamento de Arthur Schopenhauer aqui e aqui.
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As muitas e tantas do Rei Salomão aqui.
Cantiga de amor pra ela & Programa Tataritaritatá aqui.
Haroldo de Campos & Jacques Lacan aqui.
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Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

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