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domingo, dezembro 03, 2017

JUANA MANUELA GORRITI, JOHN ASHBERY, ANTONIO NEGRI, JENNIFER EGAN, ADÉLAIDE LABILLE-GUIARD, ADOÇÃO & INCLUSÃO, SIGNO & PEDRAS


A arte da pintora francesa Adélaide Labille-Guiard (1749-1803). Veja mais aqui e aqui.

ADOÇÃOA adoção no Brasil é um instituto permeado de questionamentos e senões que vão do preconceito ao conservadorismo mais amargo. De um lado, crianças abandonadas à própria sorte, destituídas de uma infância e já beirando a adolescência sem a oportunidade da dignidade humana. Do outro, casais bem intencionados que barruam com uma burocracia para lá de contraproducente. Acresça-se a tais óbices a preferência por crianças recém-nascidas, outras pela cor, o preconceito contra casais homossexuais e tantas outras picuinhas descabíveis. Coisas dum Brasil que quer ser primeiro mundo com a cabeça terceiromundista mais retrógrada que se possa imaginar. Por esta razão, nada mais importante se debater o tema da adoção. Principalmente por tratar-se de um instituto que vem desde a mais remota era, quando era utilizado apenas com objetivo da perpetuação do culto doméstico da paternidade. E isso se dava por meio da criação de um parentesco civil entre os pais adotantes e a criança adotada. Também podia ser utilizada apagando todos os sinais de parentesco natural do adotado, passando a ser filho consangüíneo da família adotante. Assim era na era pré-romana, chegando ao Direito Romano a se transformar na sua realização por três emancipações sucessivas que eram seguidas pela cessio injure, até que Justiniano revogou tudo e simplificou à simples declaração concordante do pai e do adotante. Na Idade Média, por contrariar interesses feudais e religiosos, a adoção desaparece. Isso porque era desconhecida pelo Direito Canônico e o Cristianismo só reconhecia os filhos oriundos do sacramento matrimonial. No entanto, entre diversos povos antigos, a exemplo dos germanos, a adoção era pelas armas para as armas. Modernamente deu-se a evolução da adoção quando passou a ser um ato jurídico de inclusão e o bem-estar do menor, criança ou adolescente, definitivamente no seio de uma família. No Brasil, o Código Civil de 1916 já previa o instituto aos casais que se encontrassem impedidos da concepção. Com o advento da Constituição de 1988, a Carta Cidadão, o Estado Democrático de Direito passou a garantir os direitos fundamentais da dignidade humana para o exercício da cidadania, incluindo nisso as crianças e os adolescentes. Por força de tais determinações constitucionais, foi editado o Estatuto da Criança e do Adolescente que regulamentou um sistema proporcionado a garantia dos direitos do adotado. Outro importante sentido adotado pelo ECA, é o fato da adoção visar a diminuição da fome, marginalidade e criminalidade das crianças e adolescentes no país, oferecendo lar aos desamparados e retirando das ruas os abandonados, para que possam viver com amor, proteção e educação numa família substituta. Com o ECA regulamentando a adoção, por força da Lei 8069/90, o processo complexo, demorado e burocrático teve a tentativa de celeridade e simplicidade à sua tramitação, com o funcionamento do Juizado da Infância e da Juventude. Também, por força do ECA, foi descartada a natureza jurídica de contrato na adoção, havendo, pois, julgamento em conformidade dos interesses explícitos do adotado, que é contemplado com o direito fundamental de ter uma família natural ou substituta, atribuindo a condição de filho incluindo os direitos e deveres sucessórios. Com a edição do Código Civil de 2002, o instituto da adoção passou a ter o humanitário sentimento de bem-estar do menor ao ter o objetivo de proporcionar manutenção e continuidade da família, notadamente aos casais privados naturalmente de ter filhos. Tal fato vem a calhar com o aumento absurdo de crianças abandonadas nos últimos anos. Assim, articulando o ECA e CC vigente, inovações são detectadas no sentido de dar legitimidade, abrindo possibilidades outras como a adoção de companheiros e a permissão de adoção por cônjuges divorciados ou separados. Mesmo assim, persistem problemas que estão exatamente nos critérios e formalidades adotadas, cheias de medidas, requisitos, segurança e prevenções para entregar uma criança a uma família substituta, quando é examinada a estabilidade dos pais pretendentes, observando-se as vantagens que os adotados poderão obter nessa relação. Exemplo disso é a adoção por casais homossexuais, quando se permite apenas que a adoção seja praticada apenas por uma pessoa homossexual. Outra também acerca dos tutores ou curadores que não podem adotar tutelado nem curatelado. Inclusive parcela considerável da doutrina defende a adoção por casais homossexuais com base no principio da afetividade e objetivando minimizar o drama das crianças e adolescentes. O argumento se sustenta no fato de que não há impedimento fora do preconceito e do conservadorismo para a adoção por casais homossexuais, o que deve ser repudiado, repelido e combatido, uma vez que a nossa Constituição Federal não permite preconceito de qualquer natureza, alcançando a liberdade, a solidariedade e a justiça. É preciso ter em mente sempre que a adoção é um ato de carinho e amor, que objetiva a proteção dos menores e o resgate da dignidade humana onde todos são responsáveis, além de importante por ser relevante instituto jurídico e social. Por esta razão, não cabe mais nessa discussão preconceito e conservadorismo. Pensem nas crianças e nos adolescentes. Veja mais abaixo Inclusão & Adoção.


DITOS & DESTIDOSQuanto pior é sua arte, mais fácil é falar sobre ela. a ambiguidade supõe uma eventual resolução de si mesma, ao passo que a certeza implica mais ambiguidade. É por isso que muito da “depressiva! Arte moderna me faz feliz. Pensamento do poeta estadunidense John Ashbery (1927-2017). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Não estou convencida de que alguém queira ser escritor se essa pessoa não lê. Não creio também que o problema seja a necessidade de ler mais; acredito que essas pessoas precisem rever suas metas na vida. A leitura é uma espécie de nutrição que permite você produzir um trabalho interessante. Ler coisas boas. Sinto que você ler aquilo que você gostaria de escrever. Nada menos que isso. Pensamento da escritora estadunidense Jennifer Egan. Veja mais aqui.

AFETOS & INSTITUIÇÕES -  [...] o conceito de multidão écontraditório, falamos dele como uma relação de forças. Dentro do capital há, por um lado, omando e, por outro, a multidão dos trabalhadores, das singularidades sociais colocadas paratrabalhar. É claro que nessa relação, quando a multidão é fraca, seu conceito pode tornar-seequívoco, mas quando a multidão é forte, essa é precisamente a multidão do comum. [...] Toda revolta nasce no interior de umquadro historicamente fixado e de uma demanda determinada de representação.Todavia, nas revoluções, na luta e, portanto, na elaboração das demandas, das reivindicações, oquadro político se especifica. [...] Estamos, portanto, numa situação anormal e paradoxalmente contraditória no quediz respeito a uma leitura elementar dos direitos do homem. Em terceiro lugar, ainda, a máquinademocrático-representativa é uma máquina incapaz de conter e desenvolver um mecanismodemocrático de decisão. As próprias estruturas parlamentares são fundamentalmente corruptas –não corruptas moralmente, não corruptas simplesmente nos indivíduos que as compõem:corruptas como sistema, mesmo quando compostas por pessoas excelentes – porque acorrupção é uma corrupção do poder do dinheiro que sobrecarrega tudo.Daí segue uma capacidade de intervenção representativa parlamentar completamente bloqueada;já não há governo algum que decide através do parlamento: decide-se por decretos, atravésdagovernance. A própria complexidade das sociedades democráticas, das sociedadescapitalistas avançadas, exige umagovernanceque age para além dos critérios do Estado dedireito, da aplicação de uma lei geral e abstrata. Agovernancese rege mediante decisõesconcretas e individuais.Estamos diante de uma crise do sistema democrático verdadeiramente radical. Um sistemapolítico completamente absorvido pelo poder do dinheiro: isso era o neoliberalismo – mas eletambém está em crise, e aqui retornamos ao princípio do ordenamento global e, assim, a umacrise da soberania, lá onde, através dos mecanismos de endividamento, a soberania foipatrimonializada pelas finanças e, assim, à coisa pública pelos sistemas privados de gestão [...]. Trechos da entrevista do O comum: dos afetos à construção de instituições, concedida pelo filósofo italiano Antonio Negri, autor da obra A anomalia selvagem: poder e potência em Espinosa (34, 2018), no qual o autor articula a filosofia de Baruch Espinosa (1632-1677) à história econômica, social, política e intelectual do século XVII, encontrando na “metafísica materialista” espinosana os elementos para pensar “uma fenomenologia da prática revolucionária” constitutiva do futuro. A entrevista foi concedida à Revista Cult (nov, 2013), a Thiago Fonseca e Giuseppe Cocco.

A FILHA DO MAZOQUEIRO – [...] Mas à dor de Clemência não se misturou nenhum sentimento de amargura. A alma daquela bela menina se parecia com seu nome; era toda doçura e misericórdia. Sua fatal descoberta em nada diminuiu a ternura que professava pelo pai. Ao contrário, Clemência amou-o mais, porque o amou com uma compaixão profunda. [...]. Trecho do conto A filha do mazoqueiro, extraído da obra Contos (Liber Ars, 2017), da escritora argentina Juana Manuela Gorriti (2816-1892).

VÁRIOS EFEITOS DE AMOR - Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso, / áspero, terno, liberal, esquivo, / alentado, mortal, defunto, vivo, / leal, traidor, covarde e animoso; / não achar fora do seu bem repouso, / mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo, / anojado, valente, fugitivo, / satisfeito, ofendido, receoso; / virar o rosto ao claro desengano, / beber veneno por licor suave, / olvidar o proveito, amar o dano, / acreditar que o Céu num inferno cabe / e dar a vida e a alma a um desengano, / é isto o amor, quem o provou bem sabe. Poema do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635). Veja mais aqui.

O NASCIMENTO & AS PEDRAS PRECIOSAS – A granada é a pedra natal para janeiro, geralmente tem uma cor vermelho-escura e seu nome vem do latim granatus que significa romã. A ametista é uma variedade de quartzo que são para os nascidos em fevereiro. A sanguínea ou heliotrópio, a pedra de Santo Estêvão, é uma variedade do jaspe, muito usada como talismã e talhada sob a forma de coração, são para os nascidos em março. A água-marinha para os nascidos no mês de março, é uma variedade de berilo, também chamada de esmeralda e tem o aspecto de um cristal de seis faces, distinguindo-se por: o verde intenso para a esmeralda; o azulado para a água-marinha e o azul ou amarelo para o berilo. O diamante, o rei das pedras preciosas, é para os nascidos de abril e seu nome em sânscrito quer dizer raio, fogo e sol. A esmeralda é a pedra tutelar dos nascidos em maio, uma variedade de berilo. A pérola, a rainha das gemas, é dos nascidos em junho, encontradas no inyerior das ostras perlíferas que se encontram nos mares da zona tórrida. Também são dos nascidos de junho a pedra lunar, considerada entre os indianos como segredo e com sorte aos possuidores, sendo uma variedade do feldspato e que, segundo uma antiga superstição, ao ser colocada na boca, recorda-se de coisas esquecidas. O rubi é a pedra dos nascidos de julho e muito citado nas lendas e velhos romances orientais. A pedra Sardônico é para os nascidos de agosto e compõe-se de camadas de sárdio e ônix, contando-se que a rainha da Inglaterra, Isabel, havia esculpido a sua imagem numa delas e a deu ao conde de Essex como provada de amizade e, ao ser condenado à morte, ele enviou essa pedra a um primo para a restituir à rainha, tendo por engano, chegado às mãos da condessa de Nottingham, inimiga do conde, que recursou entrega-la à verdadeira possuidora. Também é dos nascidos de agosto a pedra peridoto, também chamada de crisólito que quer dizer pedra de ouro. A safira é dos nascidos de setembro, símbolo da fidelidade e da virtude, a gema das gemas. A opala que era considerada a pedra de mau agouro, era a favorita da rainha Vitória, da Inglaterra, e a mais famosa é denominada Incéndio de Troias, e as opalas negras são caríssimas. A turmalida que possui quase tantas cores como o arco-iris. O topázio é a pedra dos que nascem em novembro. A turquesa que é pedra turca muda de cor e empalidece quando seu possuidor está enfermo. O lápis-lázuli é a pedra para dezembro. A ametista é encontrada comumente no Brasil, na serra do Mar e a maior está no Museu de Londres.


 INCLUSÃO
ADOÇÃO
I
II 
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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&
CANTARAU
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terça-feira, maio 10, 2016

DUÍLIA DE MELLO, DALTON TREVISAN, CRISTINA BRAGA, DESCALS, MITO & LENDA


À PROCURA DA PATERNIDADE (Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals)- Não sabia de si. Para ela, só o mundo dos olhos. Dentro dela, um negrume de vazio abissal. Muitas querências insaciáveis, rompidas, irreveláveis. Tinha até medo de fechar os olhos e se perder no nada. Assim era o que foi e o que será. Aos dezesseis anos, sonhos e fantasias espatifadas no piso que agora lhe fugia aos pés num futuro negro e incerto. A vida passa depressa, o mundo corre solto pelas calçadas e ruas. Perder o bonde torna tudo mais difícil. Passou, ah passou, uma nova espera. A espera de sempre. Por um instante a fragrância da infância, quando era riso pra tudo: mimos, trelas e tretas. Agora, a inocência perdida. Restava a efígie no espelho da parede. Gostava de expor-se: batom vermelho nos lábios, calcinha, sutiã e salto alto. Vermelhos. Uma dama de luxo cobiçada por todos, a sua vaidade. Insinuante, olhos tímidos. O vestido vermelho, o decote nos seios, o corte do tecido macio a mostrar-lhe as coxas, as pernas, achava bonito seus calcanhares sobre a colcha da cama. Era quando ficava embalada com o pensamento do sarro no namorico, aos beijos, tudo espionado por uma implacável perseguição. Sabia. Adivinhava. Agora entendia porque a mãe insistia em chamá-la de malagradecida. Era ciúme, só podia. Bastou depará-la mocinha, quase mulher feita e ela mudou por completo. Antes, mãe dedicada, prestimosa, tolerante. Agora não, desde o flagra de braços e corpo colado ao namorado, daquele dia em diante, ela passou a ser reticente, aborrecida, repetitiva: não foi pra isso que lhe criei, malagradecida. Não pra isso que passei horas de sono, cuidando de você. A bem da verdade, ela não tinha mesmo muito a ver com o jeito, nem com nada do que era. E tinha quase certeza que eles não gostavam dela, privaram-na de tudo, sempre um não pra tudo que lhe trouxesse alegria. Isso depois de mocinha. Na lembrança repassava os dias em que o pai bêbado, a mãe na missa, galanteios e carinhos afetados, não entendia nada, era a princesinha dele, alisando os cachos do cabelo, obrigando-a submissa a sentar no seu colo, e ele mãos com dedos quase na vagina dela, um ajeitado nos peitinhos, beliscões delicados nas nádegas, chamava para chupar sorvete, puxava a alça da blusinha, a palma da mão dela levada para um alisado numa saliência que emergia da braguilha dele, promessa de presentes deslumbrantes se alisasse direito, brincando de adivinha, o que é o que é, ela à mercê. E isso desde criancinha, por isso, pra ela, era tudo natural, estava acostumada, nem ignorava já mocinha sonsa usar disso para conseguir o que queria. Quando o pai aquiescia, assentindo o que quisesse pra sua felicidade, a mãe botava gosto ruim, implicava na maior peitica, até estragar tudo. Parece que ela adivinhava o que se passava quando trancada no quarto com o pai. Ou dissimulava na hora e se vingava dela pro resto da vida. Agora não mais, consoante a investida dele, embriagado, desvencilhava-se como podia. Agora, aquilo lhe dava náuseas. Não mais a provocante e fatal sedutora. Agora, decentemente trajada, procurava um rumo pra sua vida. Tinha de ter cautela, estava encurralada. Detendo-se, à espreita, fitava a casa mobiliada carregada com todas as memórias insustentáveis. A descoberta dos pais postiços assim de súbito, dera o sinal de sua ruína. Perdia a noção da vida e de tudo. Não havia mais a quem recorrer, nem o namorado inspirava confiança, ele sabia e não lhe dissera nada. Esfacelara-se no meio de toda rememoração. Pra onde ir, não sabia. Da mãe biológica, apenas Maria. Nenhum sobrenome pra sair à procura de quantas mães Marias na face da terra. Comovida pela triste sorte, sentiu-se à beira de um precipício: a constatação da orfandade. Não havia mais em quem acreditar, não discernia mais o falso do verdadeiro. Deu vontade de morrer, matar-se de tudo, uma nódoa na alma, nada como remover, demovê-la dos seus martírios. Quem sua mãe, seus pais, não sabia, nem tinha pistas do paradeiro deles. Restava debulhar as lágrimas e sumir do mundo. Não havia mais sentido em viver, a vida acabou. Não sabia. Trancou-se em si e não mais viu nada. A sua solidão reinava. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals.

Curtindo o álbum Espelho d’água (ViSom, 2001), da harpista, cantora e compositora Cristina Braga. Veja mais aqui.

PESQUISA

Lenda, mito e magia na imagem do artista: uma experiência histórica (Presença, 1988), de Ernst Kris & Otto Kurz, tratando o enigma do artista sob as perspectivas psicológica, a natureza do homem criador de obras de arte; e a sociológica, como é que tal pessoa, a cujo trabalho é atribuído um valor particular, é avaliada pelos seus contemporâneos.


LEITURA 
A trombeta do anjo vingador (Record, 1981), do escritor Dalton Trevisan. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA
Acho o nosso planeta maravilhoso, mas precisamos tratá-lo bem porque é o único que temos.
Foto: astrônoma e professora de Física e Astronomia da University Washington, pesquisadora do Goddard Space Flight Center – NASA, e autora do livro Vivendo com as Estrelas (PandaBooks, 2009), Duília de Mello.

Veja mais Brincarte do Nitolino, Hermilo Borba Filho, Mikhail Bakhtin, Albert Camus, Luiz Gonzaga, Guerra Peixe, Stella Leonardos, Ettore Scola, Patrice Murciano, Sophia Loren & Léon Bakst aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

OTFRIED HÖFFE, MAURO MOTA, FREUD, CARLA BLEY, VOLTAIRE, ANNA PAVLOVA, BINOCHE, ESCOLA & EDUCAÇÃO, ADOÇÃO & LITERÓTICA


 
A ARTE DE CARLA BLEY
Curtindo os álbuns Fleur Carnivore (ECM, 1989) & Carla Bley, Andy Sheppard and Steve Swallow (ECM, 2012), da pianista e compositora estadunidense Carla Bley. Veja mais aqui.

LITERÓTICA: A MÚTUA DÍVIDA DO AMOR - Toda sexta-feira, meio dia em ponto, não dou mais desconto nem prazo a correr. É dar ou fazer, não tem mais saída, obrigação já vencida só pra liquidar. Pode até amortizar, importa adimplir, seu compromisso cumprir e sem arrazoado. Pague logo o acertado sem cheque ou promissória porque essa cominatória só vale o que está riscado. Não vá pular de lado, não adianta sustar, nem mesmo embargar, isso pode então custar muito desentendimento. Pois a cada pagamento, vem o seu aditamento com a amortização. Isso senão parto para arrematar e nem adianta arrestar ou forçar protelação. Não brinque não, pague logo o que me deve, com celeridade breve resolvendo essa caranha. Pois você ainda se banha diante das circunstâncias sem usar das implicâncias e comigo concordar. Pode acordar de ser a Juliette Binoche toda só no rosa-choque, coisa linda a seduzir. Ou pode assim, chegar Letícia Sabatella me chamando de banguela, querendo me provocar. Vou avisar, não dou trégua nem emborco, vire-se Denise Stoklos ou Lucinda Elisa cover. Ou faça pose, meta bronca sorrateira, pode plantar bananeira que não vou voltar atrás. Seja sagaz, uma moça inteligente, seja bem obediente que não haverá nenhum conflito. Faça bonito, chegue junto bem cordata sem armar qualquer bravata pra gerar mais prejuízo. Então sugiro uma conversa amistosa, toda fina e toda prosa não correndo o menor risco. Como petisco e armada a cortesia negociar assim podia de uma forma confortável, já pra lá de amigável quando ambos concordantes. E adiante com fina habilidade, cordial amabilidade, entrar negociação com a maior demonstração e toda transparência, na maior das diligências tudo no maior conforme. E se informe, caso seja essa intenção, porque do contrário então, a coisa se empena. Não terei a menor pena, muito menos piedade. E sei que na qualidade de credor condescendente, você vai ficar contente se a gente até brigar. Vamos emendar e não seja tão velhaca, então vem e desempaca, pagando sua dívida. Não fique lívida na maior da saia-justa, nem vá beber cicuta nem dê um carreirão. Pode até ir pro Japão que estarei no seu encalço. Você não sai do meu laço já está toda empenhada, com a calcinha afiançada, a blusinha e saia rendada, tudo já hipotecado. Nem olhe de lado, fique logo bem nuínha e também meio arretada, se achegue logo tarada pronta pra fazer litígio. Bote prestígio e venha nua pra emboscada, pronta pra minha cilada e pro maior esfregamento, que tô assim que nem jumento pronto para vadiar. Quero mesmo me esbaldar por todo seu comprimento e essa sua arquitetura, pronto pra maior loucura, ferve quente o xambregar. Isso pra cá, me agarrando com firmeza toda sua redondeza, tudo em cima, cabo a rabo. Depois de quatro vai arcar com a despesa na maior das safadezas na demanda do tesão. Você vai mexer pirão p´reu deixar limpo seu prato na oblação dos seios fartos até piar cancão. Vou ajeitar meu quinhão no seu ventre apetitoso, nas ancas o guidão jeitoso, nas costas o meu repasto. E quando farto da garanhagem e euforia, vou aprumar a minha guia pra ser agasalhado. E sentir um bem guardado com toda litania pra você fazer no dia todo seu maior pecado. Depois de bem dado, devendo ainda está, vou querer me aproveitar cobrando juros e mora. E aí já sem demora exijo a quitação da primeira prestação acertada na penhora. E isso agora que eu quero me empanzinar. Juro que não vou ficar com fastio ou de biqueiro, vou gozar todo banzeiro até o galo cantar. É bom pagar todo dengo com carinho, toda manha com jeitinho ou coisa parecida. E isso pra toda vida, até perder de vista coisa de uma correntista num prazo esticado. Está fadado seu dever reincidente, até mesmo sucumbente, coisa líquida e certa. E seja esperta, porque esta pendência não terá mais decadência, muito menos desistência, coisa do maior valor. E como autor, pego toga de excelência, visto toda competência e viro douto julgador. Do que ficou, dou-lhe a mais formal ciência do teor dessa sentença, julgamento que valeu: você me deve uma conta. E eu também devo a você. No amor não se desconta, principalmente quando desponta coisa mútua que se deu. Já que o seu é meu e o meu é seu, queira tudo o que é meu e mais quiser porque eu quero tudo seu porque tudo de seu é meu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui, aquiaqui.


DITOS & DESDITOSÉ preigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas. Pensamento do escritor, dramaturgo e filósofo iluminista francês Voltaire (François Marie Arouet/1694-1778). Veja mais aqui.

ALGUÉM MAIS FALOU: Minha única ambição é ser verdadeira a cada momento que estou vivendo. Vivo para o presente sempre. Eu aceito esse risco. Não nego o passado, mas é uma página para virar. Eu amo o desconhecido. Eu acho que porque isso traz medo, e abraçar o medo é o melhor sentimento. O que preciso é expressar a minha paixão pela vida... É movimento que me interessa, a vida em mim, a vida na humanidade. Pensamento da premiada atriz francesa Juliette Binoche. Veja mais dela aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A ESCOLA – [...] A escola de hoje requer um professor mais crítico, criativo, que participe e que empreenda. Um professor mais inteiro e com mais consciência profissional. Nesse sentido, é importante a formação de um profissional da educação capaz de resolver e tratar tudo o que é imprevisível, tudo que não pode ser reduzido a um processo de decisão e atuação regulado por um sistema de raciocínio infalível, a partir de um conjunto de premissas. [...]. Trecho extraído do artigo A pesquisa na reconstrução da prática docente (SEMED/MS, 2009), da professora e pesquisadora Kely Adriane Brandão Pereira.

EDUCAÇÃO – [...] Não há dúvida de que a escola tem limites para exercitar o com-portamento moral, pois os alunos já trazem as marcas da formação ante-rior e, além disso, recebem a influência das atividades ou passividades ex-tra-escolares. Responsabilizar a escola por todos os defeitos de formaçãosignifica desconhecer os seus limites. Entre as possibilidades que restamà escola está um variado conjunto de recursos didáticos como histórias,filmes, encenações, mas, sobretudo, a forma como são ministradas as au-las, até mesmo as de matemática ou de física. O estilo do ensino e oexemplo do professor e, não por último, a forma de administrar e dirigira escola também têm um papel importante. Apesar da assimetria entre professor e aluno, tanto as escolas de qualquer nível devem ser pequenasdemocracias. [...] Trechos extraídos de Valores em Instituições democráticas de ensino (Educação & Sociedade, 2004), do professor e filósofo alemão Otfried Höffe.

CANÇÃO DE MULHER E TEMPO - Guiomar, para onde foste? / Te procuro noite e dia: / sobejos de canto e falas/ e o cheiro da ventania. / No verde morno do Janga / os rastros de espuma fria. / Bolem no azulejo as sombras / enxutas das mãos na pia / (Jeito de corpo estremece / no lençol que te cobra.) / Guiomar, para onde foste?  Te procuro noite e dia. / Só não te acho emti mesma / no mistério da agonia: / sumidas cores e carnes / (camuflada autofagia) / Tempo químico treano, / vinte anos de tirania / Guiomar, para onde foste? / Só tua voz te anuncia. / Nem a viagem nem a morte / mais longe te levaria. Poema extraído da obra Itinerário (José Olympio, 1983), do poeta, jornalista, professor e memorialista Mauro Mota (1911-1984). Veja mais aqui

TODO DIA É DIA DA MULHER: ANNA PAVLOVA – A bailarina russa Anna Pavlova (1881-1931), ingressou na Escola Imperial de Balé aos nove anos de idade, formando-se em 1899 e, quatro anos depois, tornou-se a primeira solista. Depois de interpretar O lago dos cisnes, em 1906, passou a ser a primeira bailarina do Teatro Mirknskji, de São Petersburgo, alcançando enorme sucesso. Sua fase de grandes apresentações internacionais começou em 1910, em New York e, depois, em Londres, realizando tournées internacionais pelo mundo inteiro, incluindo o Extremo Oriente, em 1921. Foi considerada a melhor bailarina do seu tempo, contribuindo decisivamente para divulgação do balé. Suas maiores qualidades foram o equilíbrio, a rapidez e a graça, de extraordinária expressividade no balé romântico, do qual, no papel de personagens quase imateriais, foi a mais intérprete, jamais superada. Veja mais aqui e aqui.

A PSICANÁLISE DE FREUD – A psicanalise é um termo criado por Freud em 1896, para nomear um método particular de psicoterapia e tratamento pela fala, proveniente do processo catártico de Josef Breuer e pautado na exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, e da interpretação, por parte do psicanalista. FREUD – O livro Freud: uma vida para o nosso tempo, de Peter Gay, trata de temas como os fundamentos (12856-1905), uma ânsia de conhecimento, matéria para lembranças, a teoria em formação, histéricos, autoanálise, psicanálise, o segredo dos sonhos, uma psicologia para psicólogos, um mapa para a sexualidade, elaborações: esboço de um pioneiro preparado para o combate, prazeres dos sentidos, os estrangeiros, política psicanalítica, Jung: o príncipe herdeiro, interlúdio americano, Jung: o inimigo, terapia e técnica, duas lições clássicas, em causa própria: a política do Homem dos Lobos, um manual para técnicos, questões de gosto, fundações da sociedade, mapeando a mente, revisões, agressões, coisas abrangentes e importantes, paz inquieta, morte: experiência e teoria, Eros e o ego: seus inimigos, a morte contra a vida, insinuações de mortalidade, o preço da popularidade, vitalidade, luzes trêmulas em continentes negros, dilemas de médico, a mulher, o continente negro, a natureza humana em atividade, morrer em liberdade, contra as ilusões, civilização: o transe humano, os abomináveis americanos, morrer em liberdade, a política da catástrofe, o desafio como identidade, a morte de um estoico, entre outros assuntos. INCONSCIENTE – Em psicanálise, o inconsciente é um lugar desconhecido pela consciência: uma outra cena. Na primeira tópica elaborada por Freud, trata-se de uma instância ou um sistema constituído por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias, o pré-consciente e o consciente. Na segunda tópica deixa de ser uma instância para servir para qualificar o “isso” e, em grande parte, o eu e o supereu (Id, ego e superego). O inconsciente possui uma particularidade de ser ao mesmo tempo interno ao sujeito e a sua consciência, e externo a qualquer forma de dominação pelo pensamento consciente. O pensamento inconsciente foi então domesticado, quer para ser interpretado na razão, quer para ser rejeitado para a loucura. Os conteúdos do inconsciente não são as pulsões como tais, pois estas nunca podem tornar-se conscientes, mas o que Freud denomina de representantes-representações, uma espécie de representações das pulsões, baseados em traços mnêmicos. Esses conteúdos, fantasias e roteiros em que as pulsões estão fixadas, buscam permanentemente descarregar-se de seus investimentos pulsionais, sob a forma de moções de desejo. Entre esses conteúdos inconscientes, as diferenças concernem apenas à natureza e a força do investimento pulsional. Para Lacan, o insconsciente tinha a estrutura radical da linguagem, sendo, pois estruturado como uma linguagem, sendo a linguagem a condição do inconsciente. A ideia lacaniana de uma primazia da linguagem e do significante, repousa no dado primordial de que o individuo não aprende a falar, mas é instituído ou construído como sujeito pela linguagem. O isso é um termo conceituado por Freud para designar uma das três instãncias da segunda tópica freudiana, ao lado do eu e do supereu. O isso é concebido como um conjunto de contepudos de natureza pulsional e de ordem inconsciente. O eu é a sede da consciência e é o lugar de um sistema pulsional: as pulsões do eu ficam a serviço da autoconservação, incluindo as necessidades orgânicas primarias não sexuais. Com a teoria do narcisismo, o eu passa a ser mediador da realidade externa e objeto de amor e reservatório da libido. Para Lacan, o eu é o núcleo da instância imaginaria na fase chamada de estádio do espelho, entendendo que o eu não pode reagir no lugar do isso, mas que o sujeito deve estar ali onde se encontra o isso, determinado por ele, pelo significante. O supereu é conceito criado por Freud o qual mergulha suas raízes no isso e, de uma maneira implacável exerce as funções de juiz e censor em relação ao eu. PULSÃO – É o termo empregado por Freud dentro de um conceito da doutrina psicanalista, definido como a carga energética que se encontra na origem da atividade motora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem. Para Lacan, a pulsão é um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise, entretanto, ele isola a elaboração freudiana de suas bases biológicas e insiste no caráter constante do movimento da pulsão, um movimento arrítmico que a distingue de todas as concepções funcionais. A abordagem lacaniana da pulsão inscreve-se numa abordagem do inconsciente em termos de manifestação da falta e do não realizado. Nessas condições, a pulsão é considerada na categoria do real, sublinhando que o objeto da pulsão não pode ser assimilado a nenhum objeto concreto. Para apreender a essência do funcionamento pulsional, é preciso conceber o objeto como sendo da ordem de um oco, de um vazio, designado de maneira abstrata e não representável. Assim, a pulsão é uma montagem, caracterizada por uma descontinuidade e uma ausência de lógica racional, mediante a qual, a sexualidade participa da vida psíquica, conformando-se à hiância do inconsciente, ou seja, a pulsão é sempre parcial, adicionando dois outros objetos pulsionais além das fezes e do seio: a voz e o olhar. E deu0lhes um nome: objetos do desejo. A pulsão sexual é um impulso no qual a libido constitui a energia (diferente do instinto sexual nem se reduzindo às atividades sexuais). Não existe da infância à puberdade, assumindo a forma de um conjunto de pulsões parciais, ou seja, processo de apoio em outras atividades somáticas. Ela pode encontrar sua unidade através da satisfação genital e da função de procriação. Sua energia é de ordem libidinal e estão dominadas pelo principio do prazer. A pulsão sexual possui quatro destinos: a inversão, a reversão para a própria pessoa; o recalque; e a sublimação. As pulsões ou de autoconservação estão a serviço do desenvolvimento psíquico pelo princípio de realidade. A pulsão de morte é a tendência à agressão, caráter demoníaco, tendência destrutiva e autodestrutyiva, com a finalidade de reconduzir o que está vivo ao estado inorgânico. Ela se confronta com Eros – as pulsões de vida. PRINCÍPIO DO PRAZER – É um dos princípios que regem o funcionamento psíquico, com o objetivo de proporcionar prazer e evitar o desprazer, sem entraves nem limites. PRINCÍPIO DE REALIDADE – É um dos princípios que regem o funcionamento psíquico, com o objetivo de modificar o prazer, impondo-lhe as restrições necessárias à adaptação à realidade externa. RECALQUE – O recalque para psicanálise designa o processo que visa a manter no inconsciente todas as ideias e representações ligadas às pulsões e cuja realização, produtora de prazwer, afetaria o equilíbrio do funcionamento psicológico do individuo, transformando-se em fonte de desprazer. Freud, que modificou diversas vezes sua definição e seu campo de ação, considera que o recalque é constitutivo do núcleo original do inconsciente. Na segunda tópica, o recalque é ligado à parte inconsciente do eu. O recalcado funde-se com o isso, só se separando pelas resistências do recalque. CENSURA – É a instância psíquica que proíbe que emerja na consciência um desejo de natureza inconsciente e o faz aparecer sob forma travestida. É identificada com o supereu, a instância que funciona como censor do eu. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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REFERÊNCIA:
GAY, Peter. Freud: uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

A ADOÇÃO- Trabalhar o instituto da adoção num trabalho acadêmico, requer a realização de uma revisão da literatura efetuando uma abordagem histórica acerca do instituto e de seu advento no Brasil, sua fundamentação conceitual, natureza jurídica, princípios norteadores da família, legitimação jurídica, efeitos jurídicos sua previsão no ECA e no Código Civil vigente, os direitos e deveres, obrigações, impedimentos e condições previstas na adoção, legitimados a adotar, as questões atinentes a adoção entre casais homoafetivos, os aspectos legais e a efetividade da adoção no Brasil. Veja mais aqui e aqui.


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