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quinta-feira, julho 18, 2019

PETRARCA, MIGUEL ALTIERI, VIANINHA, MARIANO VARGAS & CARTA DE GRATIDÃO


CARTA DE GRATIDÃO - Sou grato, de fato e de direito. À mesa, um prato, abracadabra! Sirvo-me do necessário, não gasto o disponível por que não tenho, nem excedo por que me falta, mesmo que tivesse. Nem muito ou pouco me basta, vou sempre além do que posso. Vá entender. Da minha parte sou grato pelo dia que amanhece e pela tarde que convida a noite para a insônia da criação ou descanso das pugnas diárias; pelo ar que respiro apesar de envenenado, pela água cristalina ou poluída que mata a minha sede, pelo que ouço de harmonia e ruído, pela pele e superfícies que toco, pelo perfume dos jardins e fedentina dos lixos; pelo chão que piso, pela imensidão dos céus que almejo, pelos caminhos que me convocam a andada. Sou grato pela Natureza: campos, seres e paisagens; pelas invenções incomuns e pelas que são de fato engenhos científicos; pelos miúdos esvoaçantes até os mais pesados que o ar, a me ensinarem a voar sem asas nos braços; pelos que vivem no exato e os que se foram assim do nada. Sim, sou grato pelas pessoas que passam, uns assim, outros assados; pelas senhoras Zefinhas que puxam a escadinha dos seus Anclotinatos; pelas Conças mocinhas que sonham com Fortunatos. Sou grato pela solidão de os verem passar e sempre serei, mesmo pelos que não puderam vir, como pros que só servem para tirar retrato; pela indiferença das soberbas e por aqueles que não entenderam nem poderão sequer visualizar sua vida canhestra; pelos que acham solução para tudo na sua razão de plantão e pros caricatos que quase me matam de rir, minha gratulação. Meu reconhecimento no sentido mais lato paratodos: pros que não estão nem aí para o que está acontecendo e pros que fazem dos outros gato e sapato com seus fingidos apertos de mãos e abraços; pros que tenha que tomar bicarbonato de sódio para poder digerir, afora os chatos de galocha que já são de doer; pelos que mamam nas tetas públicas e se mostram em pleno celibato; pelos timoratos e os que armam nos outros o seu artesanato; pros que precisam de contrato para infringir as avenças e rompem seus tratos na maior cara lisa; os que são que nem carrapato na cacunda da vítima e que aprontam sem o menor recato, como os que fazem da lama o seu prato ou fazem valer que a vida é o maior barato, a todos meu reconhecimento. Sou mais agradecimentos aos fratres e sorores, ouroboros, saúdo, a vida é desiderato: cada qual tenha ou não, sigo adiante. Sou eterna gratidão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Os sistemas de cultivo e as técnicas especialmente adequadas às necessidades dos agroecossistemas específicos resultam em uma agricultura mais refinada, baseada em um mosaico de variedades genéticas tradicionais e aperfeiçoadas, insumos locais e técnicas, sendo cada composição ajustada a um determinado nicho ecológico, social e econômico. [...] Ao converter os sistemas de monocultura de alto uso de insumos para o manejo agroecológico, o desafio é a busca de meios de utilização dos insumos externos apenas para obter elementos em déficit no ecossistema e aumentar os recursos biológicos, físicos e humanos disponíveis. Ao utilizar os insumos externos, dá-se atenção principalmente à reciclagem máxima e ao impacto nocivo mínimo sobre o ambiente. O desenvolvimento de agroecossistemas autossuficientes, diversificados e viáveis economicamente surgirá de novos sistemas integrados de agricultura, com tecnologias ao alcance dos agricultores e adaptadas ao meio ambiente. [...] É crucial que os cientistas envolvidos na busca por tecnologias agrícolas sustentáveis se preocupem com quem, finalmente, se beneficiará com elas. Isso exige que eles reconheçam a importância do fator político quando as questões científicas básicas são colocadas em discussão, e não somente quando as tecnologias são distribuídas à sociedade. Assim, o que é produzido, como é produzido e para quem é produzido são questões-chave que precisam ser levantadas, caso se queira fazer surgir uma agricultura socialmente justa. [...] além do desenvolvimento e difusão de tecnologias agroecológicas, a promoção da agricultura sustentável exige mudanças nas agendas das pesquisas, bem como políticas agrárias e sistemas econômicos abrangendo mercados abertos e preços e, ainda, incentivos governamentais. [...].
Trechos extraídos da obra Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável (EdUFRGS, 2004), do agrônomo e entomologista chileno Miguel Altieri, que em uma entrevista (Carta Maior, 2013), expressou que: [...] O Brasil está muito avançado, tem uma grande diversidade de agricultura, permacultura, homeopatia, agroflorestas, etc. Mas há uma confusão porque muitos pensam que isso é agroecologia, só que você pode fazer uma monocultura orgânica que não tem base agroecológica. Então a agroecologia não é somente um sistema de produção, é uma ciência com uma série de princípios aplicados de uma forma tecnológica que fomenta processos ecológicos. [...]. Veja mais aqui.

O TEATRO DE ODUVALDO VIANNA FILHO
[...] LUCA: ... gás S02, brometos, DDT, 40 toneladas de corante, é isso que as pessoas comem! Vocês estão comendo coisas mortas, fúnebres, e isso é que explode dentro do sangue de vocês! Hein? E para fugir desta morte, hein? Essa ansiedade! Pra afogar essa ansiedade vocês resolveram fazer o reino da fartura e pulamem cima da natureza, querem domá-la à porrada e comem morte e engolem carnes, bloqueiam o corpo, os poros, sobra o cérebro pensando incendiado em descobrir um jeito de não viver e a tensão toma conta de tudo e vocês só parem guerras, as guerras pela justiça, pela liberdade, dignidade e nada descarrega a tensão, o cheiro de podre vem de dentro, o sexo entra pelas frestas, sobra o sexo nas noites solitárias martelando, então mais guerra e napalm e guerras... [...] LUCA: ... Já foram encontrados pinguins com inseticida no corpo, a Europa já destruiu todo seu ambiente natural, diversas espécies de animais só existem nos jardins zoológicos, as borboletas estão acabando, vocês vivem no meio de fezes, gás carbônico, asfalto, ataques cardíacos, pílulas, solidão... essa civilização é um fracasso, quem fica nela e se interessa por ela, essas pessoas é que perderam o interesse pela vida... eu é que devia te chamar pra largar tudo isso... é na pele a vida, é dentro da gente, vocês não sabem mais se maravilhar! Eu não estou largado pai, ontem estive na porta de uma fábrica de inseticida, fui explicar pros operários que eles não podem produzir isso... [...].
Trecho extraído da peça teatral Rasga coração (SNT, 1979), do dramaturgo, ator e compositor Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), o Vianinha. O texto foi transformado no filme homônimo, dirigido por Jorge Furtado, em 2018, contando a história de um pai com 40 anos de militância que presencia o filho acusa-lo de conservador e, no final, o próprio se vê repetindo as atitudes do pai. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Minhas fotos são uma pequena homenagem à feminilidade e criação artística. Eu tento capturar a beleza, a segurança, a condição, o sentimento da mulher da nossa época através de uma abordagem arriscada como é o nu. A nudez faz parte do nosso cotidiano. O erotismo é uma maneira de nos mostrar o mundo e está presente em um olhar, um gesto ou uma pose. Sem dúvida, o cotidiano é suscetível à inspiração, causando preocupação, rejeição da artificialidade, conexão com o espectador... Meus modelos são mulheres simples que encontro na rua, no metrô, em uma lanchonete ou em uma loja, mas sempre extraídas da realidade mundana a que pertencem.
A arte do fotógrafo espanhol Mariano Vargas. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE PETRARCA
O verdadeiro saber é o saber que temos de nós mesmos. De pouco adianta conhecermos a natureza das coisas e desconhecermos a natureza do homem.
A obra do escritor, intelectual humanista e filosofo italiano Francesco Petrarca (1304-1374) aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui & aqui.


sábado, julho 04, 2015

AFÉLIO, NAGEL, TANIZAKI, VIANNINHA, EMILIO DE MENESES, RENOIR, ROSALIA, PAX & CLEAN.

 VAMOS APRUMAR A CONVERSA: OS VEXAMES DUM CURAU NO SUL – Hoje é o dia do Afélio da Terra. Que droga é nove? Seguinte: é o momento em que a Terra, em sua órbita, mais de afasta do Sol. O fato se dá porque todos os planetas possuem órbitas elípticas, ora se afastando no afélio, ora se aproximando no periélio. Quando isso ocorre, a velocidade de translação planetária é menor. Pensava eu a respeito disso com relação ao trâmite da vida, quando entra o Doro todo apoquentado, reclamando dum pouco caso. É que ele havia se deparado com uma fronchosa linda daquelas capa de revista: bonita, bem-feita, pernuda, coxuda, quartuda, peituda, tesuda; e quando ela deu fé que ele estava fixado nas suas generosas formas corporais, virou-lhe a cara como se estivesse diante do cúmulo da insignificância, um asco para lá de hostil. Ficou puto! O complexo de vira-lata lhe cobriu a carapuça, dele sentir-se pior que o ser mais abjeto do universo. Reclamou com a constatação de que aqui tudo que é de reboculosa graciosa era cu-doce, diferentemente das beldades sulistas que, além de serem muito mais lindonas, são simpáticas. Arrepara só: sujeito nordestino ocrídio duma feiura como a minha: baixim, buchudim, tronxin e bunitim, não se dando conta do seu lugar, é puro despropósito, não acha? Confesso que quando estive pelas bandas do sul, andei bastante desconfiado justamente por isso. Será que estou cagado? Ou estou pagando maior mico? É que tal como ele, por aqui, as reboculosas também sempre me viraram a cara, tal como escrevi no poema Elegia para um minuto de morte a cada dia. E quando cheguei naquelas bandas, as mulheres – paranaenses, catarinenses, gaúchas, tudo galega varapau de olho azul e do tipo estrela de cinema -, além de simpaticamente me cumprimentarem, me recepcionam superbem (exceto uma única dessas jeitosas que não foi com a minha cara e me barrou na fundação de cultura de Blumenau). Daí o meu receio de que algo errado estava ocorrendo e, com o desconfiômetro no alerta do sismógrafo de quem é gato escaldado e desacostumado com simpatia, indubitavelmente este algo errado só podia ser comigo, né não? Por isso, quando estou nessas viagens fico cheio de pernas e todo por fora de soslaio. Agora que o Doro falou é que me dei conta disso, cada lugar o seu costume. E a vida, tal qual os planetas, tem disso também: ora nos aproximamos, ora afastamos; ora somos receptivos, ora somos distantes. Foi quando ele virou-se pra mim e desdenhou: - Esse seu papo tá mais pra boi dormir. Eu, hem? E foi-se. E vamos aprumar a conversa! Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Bather seated on a rock, do pintor do Impressionismo francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo: D'improvviso (Schema, 2009), da cantora brasileira Rosalia de Souza.

O ABSURDO – No livro Viver para quê? Ensaios sobre o sentido da vida (1971 – Dinalivro, 2009), do filósofo estadunidense Thomas Nagel, encontrei o ensaio O absurdo, no qual ele defende que a vida humana é absurda, considerando que: As pessoas, na sua maior parte, sentem ocasionalmente que a vida é absurda, e algumas sentemno vívida e continuamente. Contudo, as razões avançadas em defesa desta convicção são patentemente desadequadas: não poderiam explicar realmente por que razão a vida é absurda. Por que constituem então uma expressão natural da impressão de que o é? [...] Dado que o passo transcendental é natural para os seres humanos, poderemos evitar o absurdo recusando dar esse passo e permanecendo inteiramente no seio das nossas vidas sublunares? Bem, não podemos recusar conscientemente, pois para o fazer teríamos de estar cientes do ponto de vista que estaríamos a recusar. A única maneira de recusar a autoconsciência relevante seria nunca a ter ou esquecêla — nenhuma das quais é alcançável pela vontade. Por outro lado, é possível esforçarmonos para tentar destruir a outra componente do absurdo — abandonando a nossa vida humana, terrena e individual para nos identificarmos tão completamente quanto possível com o ponto de vista a partir do qual a vida humana parece arbitrária e trivial. (Este parece o ideal de certas religiões orientais.) Se formos bemsucedidos, não teremos de carregar a consciência superior ao longo de uma vida mundana árdua, e o absurdo diminuirá. Contudo, na medida em que este autoestiolamento resulta de esforço, força de vontade, ascetismo e assim por diante, exige que nos levemos a sério como indivíduos — exige que estejamos dispostos a darnos a muito incomodo para evitarmos ser como criaturas e absurdos. Assim, o objetivo de não sermos mundanos pode ser arruinado se o procurarmos com demasiado vigor. Ainda assim, se alguém permitisse simplesmente que a sua natureza individual, animal, ficasse entregue a si mesma, reagindo a impulsos, sem fazer da procura das suas necessidades um objetivo central e consciente, então essa pessoa poderia, com um custo dissociativo considerável, obter uma vida menos absurda do que a maior parte das pessoas. Também não seria uma vida significativa, é claro; mas não envolveria a ativação de uma consciência transcendente na entrega assídua a objetivos mundanos. E essa é a condição principal do absurdo — obrigar uma consciência transcendente não convencida a ficar ao serviço desse empreendimento imanente e limitado que é uma vida humana. A escapatória final é o suicídio; mas antes de se adotar soluções apressadas, seria avisado ver cuidadosamente se o absurdo da nossa existência nos põe realmente um problema, para o qual seja necessário encontrar uma solução — uma maneira de lidar com o desastre prima facie. Esta é certamente a atitude com a qual Camus aborda a questão, e ganha força do fato de que todos ficamos ansiosos por nos livrarmos de situações absurdas, a uma escala menor. [...]. Veja mais aqui.

VORAGEM – O livro Voragem (1928 – Companhia das Letras, 2001), do escritor japonês Junichiro Tanizaki (1886-1965), conta uma história que se passa na década de 1920, no Japão, carregada de obsessão e manipulação sobre uma trama amorosa que leva seus integrantes às últimas consequências. Trata-se de uma jovem sensei da classe média, esposa de um advogado, que teve um caso extraconjugal sem êxito e retoma as atividades de dona de casa, dando aulas de artes e trabalhos manuais, quando conhece outra jovem por quem desperta atrações físicas, nascendo daí um triangulo amoroso. Da obra destaco o trecho inicial do romance: Vim hoje à sua casa com a intenção de lhe contar todo o incidente, sensei, mas... noto que interrompi seu trabalho. Tem certeza de que não se importa? Narrada em detalhes, a história é longa e tomará um bocado do seu tempo... Eu podia até registrar os acontecimentos no papel em forma de romance e submetê-lo em seguida à sua apreciaão, soubesse eu ao menos redigir melhor. Falando a verdade, eu me pus realmente a escrever há alguns dias num repente, mas o fato é que as ocorrências se embaralhavam em minha cabeça e, despreparada como sou, não consegui nem sequer descobrir por onde ou de que jeito começar. Logo vi que só me restava realmente esta alternativa: pedir-lhe a atenção. E aqui estou, embora aflita por perturbar suas preciosas de trabalho. Tem certeza de que não se incomoda? Sempre me tratou com tanto carinho, sensei, que acabo abusando de sua generosidade. Aliás, nunca serei capaz de agradecer devidamente tanta bondade, por mais que me esforce. Muito bem, lembra-se daquele homem cujo comportamento tanto lhe inspirou tempos atrás? Pois pro ele devo iniciar minha história. Conforme lhe contei antes, seus conselhos me fizeram refletir maduramente e, tempos depois, cortei relações com o homem de modo categórico. Nos dias que se seguiram comportei-me como uma verdadeira histérica em casa, já que era levada a me lembrar dele pelos motivos mais fúteis, talvez porque me restasse ainda um pouco de ilusão... Mas, aos poucos, tornou-se claro para mim que o homem realmente não prestava. E depois que passei a frequentar a sua casa, sensei, parei de borboletear como antes pretextando reuniões musicais, isso ou aquilo, e me tornei outra, mais caseira, dedicada a pintar e a tocar piano nas horas vagas. Tanto é verdade que até o meu marido reparou. – Você anda tão mais feminina nos últimos tempos! – chegou ele a comentar, no intimo grato ao senhor por exercer influencia tão benéfica sobre mim. [...] Veja mais aquiaqui.

EU MESMO: PRETIDÃO DO AMOR & IMPRESSÕES DE VIAGEM – No livro Obra Reunida (José Olympio, 1980), do poeta parnasiano, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras, Emílio de Meneses (1866-1918), encontrei entre tantos, três dos sonetos satíricos do autor que muito bem expressam a sua vida boemia e excêntrica. O primeiro deles, Eu mesmo: Eu mesmo estou a ignorar se posso / chamar-me ainda o Emílio de Meneses, / procurando tomar o tempo vosso, / recitando epigramas descorteses. / Como hei de versejar? Rimas em osso / são difíceis… contudo, de outras vezes, / eu sabia rezar o Padre-Nosso / e unir meus versos como irmãos siameses. / Como hei de aparecer? O que é impossível / é ser um santarrão inconcebível, / trazendo as luzes do Evangelho às gentes… / Sou o Emílio, distante da garrafa, / mas que não se entristece e nem se abafa, / longe das anedotas indecentes. Também o Impressões de viagem: Como é bela a mentira quando nasce / de uma formosa boca feminina! / Nem nos faz o rubor subir à face, / tanto é discreta, delicada e fina. / Se o que a Monna declara, declarasse / o Belisário Távora, imagina / o leitor que esta coisa assim ficasse, / sem protestos da crítica ferina? / À Delza agradecemos a carícia / das suas doces impressões de viagem, / nas quais não há nem sombras de malícia. / Mas cá no seio da camaradagem, / se assim fosse, que glória a da polícia / e que vergonha para a gatunagem! Por fim, o maravilhoso Pretidão do amor: ― O preto não ensina só gramática  / é, pelo menos, o que o mundo diz; / entende de dinâmica, de estática, / em outras cousas mais mete o nariz. / Dizem que quando ensina matemática, / o sinal de "maios b", de "igual a x;" / em vez de em louza, com prazer e prática, / sôbre a palma da mão escreve a giz. / Uma aluna dizia: - "Êste Hemetério / vai fazendo do ensino um grosso angú / com que empanturra todo o magistério". / É um felizardo, o príncipe zulú: / quando manda um parente ao cemitérlo, / toma um luto barato: fica nú. Veja mais aqui.

MÃO NA LUVA – A peça teatral de dois atos Mão na luva (1966) do dramaturgo, ator e diretor de teatro e televisão, Oduvaldo Vianna Filho – Vianinha (1936-1974), é, segundo Yan Michalski (Global, 1984), é um apaixonadíssimo poema de amor, recitado através de diálogos de um lirismo desenfreado, às vezes singularmente pouco submisso às normas do raciocínio, aspecto surpreendente em se tratando de um dramaturgo que na época questionava, às vezes duramente, a exaltação do irracionalismo no teatro do fim dos anos 1960, passando pela trilha da paixão e da poesia. Da obra destaco esse trecho do segundo ato: [...] ELE – Não deu certo? ELA - ... prefiro não falar... ELE – Não deu certo? ELA – Não. ELE – Posso saber por que? ELA – Coragem... ELE- Entendo. ELA – Queria ficar aqui, trazer as crianças... ELE – Como quiser (Pausa longa). Estamos condenados um ao outro (Nova longa pausa. Sorriem tristes). ELA – Vou buscar as crianças no jardim. Vai jantar em casa? – ELE – Vou. ELA – Falou com a empregada? ELE – Não. Ela – Eu falo. Se desse tempo de comprar camarão... vem alguém jantar? ELE – Paulo de Almeida talvez passe... ELA – Ele não gosta de camarão. ELE – Quer que eu vá buscar os meninos? Você está cansada. ELA – Não... como vai no novo cargo? ELE – Muito trabalho, não queria deixar a revista, não se como vou fazer... ELA – Pros dois não dá, é? ELE – Vou tentando, o Bandeira não quer que eu saia... ELA – Claro. ELE – Diz que me derruba se eu saio da revista. ELA – Te dá um golpe de estado, é? (Falam normalmente num tom cordial e cotidiano. Play-back: O Irerê em orquestra e canto começa e vai subindo até não se ouvir mais o que eles falam). ELE – Tive de fazer eu mesmo, senão saía aquele ditirambo pra Light. Bandeira Pessoa faltou me beijar na boca de língua. ELA – Aquele seu tropical marrom já chegou do alfaiate, mandei apertar a calça... ELE – Não vou fazer reportagem pra Light não senhor, explicar porque tem de aumentar a tarifa... ela – Não taco, tábua inteira correndo toda a sala, estirada... ELE – Nem eu sei, foi bom você lembrar, o que aquele governador fez? – ELA – Ei, sabe que o carpinteiro filho de uma mãe...? ELE – Querem publicar um livro do Palionov, ah, não aguento, não... ELA – Ele sempre usa chapéu Ramenzoni, tenho medo... ELE – Vou botar fotografia de boi, tome boi. ELA – Não esquece o imposto predial. ELE – Na minha mão vira bazar. ELA – Como casa de Vila Rica. ELE – Olha Bandeira, olha Bandeira. ELA – Tomaz Antonio Gonzaga. ELE - Olha Bandeira, olha Bandeira. ELA – Nós vamos discutir a noite toda e os dois vão ter razão, eu e você. ELE - Nós vamos discutir a noite toda e os dois vão ter razão, eu e você. ELA – Nós vamos discutir a noite toda... ELE – Os dois vão ter razão, eu e você... (Ficam falando isso. No play-back, o Irerê chegou ao máximo. Tudo para de estalo. Black-out). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CLEAN – O filme Clean (2004), do cineasta francês Olivier Assayas, com música de Brian Eno, Tricky e David Roback, conta a história de uma ex-jockey de vídeo que se safa de um relacionamento tempestuoso de vários anos com um músico que morreu de uma overdose de drogas e a polícia está investigando, quando encontra drogas nas bolsas dela, levando-a presa. Com a sua libertação depois de seis meses na cadeia, ele descobre que a custódia do filho aos avós paternos e retorna para Paris para trabalhar num restaurante chinês. Ela se encontra com o filho e surge a oportunidade de se tornar cantora, levando-a a decisões sérias sobre sua vida. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz Maggie Cheung que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes e já conta com mais de setenta filmes desde o início de sua carreira em 1983. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Imagem: Estátua de Pax, no jardim do Palácio de Pavlovsk, St Petersburg Rússia. Pax era a deusa da paz em Roma – Irene ou Irina, na Grécia, uma das Horae, divindades alegóricas que se caracterizavam por personificar alguns períodos de tempo, que juntamente com Eunonia, da disciplina, e Diké, da Justiça, formavam a trindade do séquito de Afrodite, a deusa da beleza e do amor. Em Roma, era bela jovem pintada por artistas com um ramo de oliva, uma cornucópia e um cetro.

Veja mais sobre:
A lenda do açúcar e do álcool, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, História da Filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, Não há estrelas no céu de João Clímaco Bezerra, Cumade Fulosinha & Menelau Júnior, a pintura de Madison Moore, João Pirahy & Pulsarte aqui.

E mais:
Sorria, Canto geral de Pablo Neruda, A desobediência civil de Henry David Thoreau, O feijão e o sonho de Orígenes Lessa, Revolução na América do Sul de Monteiro Lobato & Brincarte do Nitolino, a pintura de Amedeo Modigliani, a música de Sebastião Tapajós, Marcelo Soares aqui.
Psicologia social e educação, a poesia de Pablo Neruda, a pintura de Amedeo Modigliani, a música de Yasushi Akutagawa, a arte de Regina Espósito & Ju Mota aqui.
Recitando Castro Alves: Navio Negreiro aqui.
Devagar e sempre, A monadologia de Leibniz, Estudo do poema de Antônio Cândido, Meu país de Dorothea Mackellar, A arte da comédia de Lope de Vega, o ativismo de Emma Goldman, a arte de Gilvan Samico, a música de Alceu Valença, a xilogravura de Amaro Francisco Borges, Brincarte do Nitolino & a pintura de Nina Kozoriz aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, A República de Platão, a pintura de Raphael Sanzio & Boleslaw von Szankowski, a música de Leonard Cohen, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum - WEAM aqui.
Divagando na bicicleta, Onde andará Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu duplo de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, Memória da guerra de Duarte Coelho, a poesia de Cruz e Sousa, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a fotografia de Humberto Finatti, a arte de Henri Matisse & Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, As raízes árabes da arte nordestina de Luís Soler, A divina comédia de Dante Alighieri, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Jack Vetriano & Paul Sieffert, as gravuras de Gustave Doré & a arte de Luciah Lopez aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem: Reading nude – Oil On Canvas, da artista plástica estadunidense Suzanne Frie.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



domingo, março 01, 2015

BOTTICELLI, TODOROV, CHOPIN, MARCIAL, VIANNINHA, RIVETTE, PRESOTTO & EGUMBIGO!

EGUMBIGOS NO PAÍS DOS INVISÍVEIS – Ora, ora! Para quem vem de lá para cá, ou vai daqui pra lá, só tem umbigo: confidências absortas, cabeça à mil dos desejos e nada mais tem sentido. É tudo invisível: injustiça, fome, desigualdade, violência, pedintes, presidiários. Só com o umbigo se come vidros no deleite das ofertas e na navegação da última moda. Pra que tristeza se tem as teclas da felicidade ao alcance dos dedos e ouvidos? Sozinho não fica, xô solidão! Basta ser feliz na redoma dos egumbigos e o resto que se foda! Veja mais aqui, aquiaqui.

Imagem: O nascimento de Vênus, do pintor italiano Sandro Botticelli (1445-1510). Veja mais aqui.

Ouvindo Noturnos, do compositor e pianista polonês Frédéric Chopin (1810-1849), na interpretação do pianista brasileiro Artur Moreira Lima. Veja mais aqui e aqui.

OS EPIGRAMAS DE ESCÁRNIO E LICENCIOSIDADE – O poeta latino Marcial (40 a.C – 104 d.c) retratou nos seus epigramas a ironia e mesmo obscenidade, o cotidiano e as fraquezas da sociedade romana da época dos Flávios. Suas primeiras obras de sucesso foram o Liber spectaculorum, com mais de trinta poemas em exaltação aos jogos e as coletânea de poemas comemorativos para as festas em honra ao deus Saturno, Xenia e Apophoreta. Começou, então a publicar a genial série de 12 livros de Epigramas (85-100), onde escreveu com desenvoltura textos mordazes, retratos satíricos, anedotas, quadros, trocadilhos e poemas de ocasião, uma verdadeira crônica de seu tempo e ao mesmo tempo um diário do poeta, considerado o mais original da literatura latina. O primeiro epigrama que destaco é este: Qualé, Flaccus, meu tipo de mulher? uma nem fácil nem muito difícil. O meio termo pra mim ainda é o melhor: uma que não me esfole nem me deixe mal. Este outro epigrama trata sobre o livro: Certamente podias conter três centenas de epigramas, Mas quem te suportaria e te leria inteiro, meu livro? Aprende agora quais são as vantagens de um livro pequeno. Esta é a primeira: que menos papel é gasto por mim; Além disso, em uma hora o copista termina estes versos, E ele não gastará tanto tempo com minhas bobagens; A terceira razão é esta: que se acaso tu fores lido por alguém, Mesmo que sejas muito ruim, não serás desprezível. O convidado te lerá enquanto o vinho for misturado, Mas antes que o cálice servido comece a ficar quente. Crês que estás protegido por tamanha brevidade? Ai! Que para tantos leitores ainda assim serás longo! Veja mais aqui.


A CONQUISTA DA AMÉRICA – No livro A conquista da América: a questão do outro (Martins Fontes, 2003), o filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov faz a exposição de suas pesquisas a respeito do conceito de alteridade na relação entre as pessoas envolvidas em grupos sociais distintos, tendo como tema central a questão do imigrante diante das ações de xenofobismo. Ou seja, a descoberta que faz o eu do outro, tratando sobre o descobrir, o conquistar, o amar e conhecer, a partir de observância da igualdade e desigualdade, das tipologias das relações com outrem, o escravismo com observância do colonialismo e da comunicação, Montezuma e os signos, entre outros importantes assuntos. Veja mais veja mais aqui, aquiaqui.

RASGA CORAÇÃO – O drama que ganhou o Prêmio SNT 1974, Rasga Coração, do dramaturgo, ator e diretor Oduvaldo Vianna Filho -  o Vianinha (1936-1974), é nas palavras do próprio autor uma homenagem ao lutador anônimo político, aos campeões das lutas populares, preito de gratidão à Vela Guarda, à geração antecedente que foi a que politizou em profundidade a consciência do país. Segundo ele, a peça estuda as diferenças que existem entre o novo e o revolucionário, contando a história de Manguari Pistolão, lutador anônimo, que depois de quarenta anos de luta por aquilo que achava novo, revolucionário, vê seu filho acusa-lo de conservadorismo, antiguidade e anacronismo. Na cena 9 do segundo ato, encontramos o personagem Manguari se expressando: Não posso mais, não posso mais viver com uma pessoa que me olha como se eu estivesse morto! Como se todas as pessoas que estão aí fora gemendo no mundo fossem a mesma coisa! Como se não houvesse dois lados! E eu sempre estive ao lado dos que têm sede de justiça, menino! Eu sou um revolucionário, entendeu? Só porque uso terno e gravata e ando no ônibus 415 não posso ser revolucionário? Sou um jovem comum, isso é outra coisa, mas até hoje ferve meu sangue quando vejo do ônibus as crianças na favela, no meio do lixo, como porcos, até hoje choro, choro quando vejo cinco operários sentados na calçada, comendo marmitas frias, choro quando vejo vigias de obras aos domingos, sentado, rádio de pilha no ouvido, a imensa solidão dessa gente, a imensa injustiça. Revolução sou eu! Revolução pra mim já foi uma coisa pirotécnica, agora é todo dia, lá no mundo, ardendo, usando as palavras, os gestos, os costumes, a esperança desse mundo, você não é o revolucionário, menino, sou eu, você no meu tempo, chama-se Lorde Bundinha que nunca negou que era um fugitivo, você é um covardezinho que quer fazer do medo de viver, um espetáculo de coragem! Veja mais aquiaqui.

VIDRÁGUAS, ENCAIXES & POSTIGOS – A poetamiga Carmen Silvia Presotto além de ser autora de livros encantadores, é também editora e responsável pelo Projeto Vidráguas e de projetos culturais lá no Rio Grande Sul. Em uma das vezes que nos encontramos, recebi seus livros, li-os e adorei, tanto que propus que ela me concedesse uma entrevista exclusivíssima sobre suas atividades. Sempre generosa e amável, fui premiado tanto com o seu depoimento como pela oportunidade de conhecer seus livros, entre os quais, destaco o seu poema Livre: Redesenho o cotidiano / Pontos / E tramas / - coisa absurda – / Me ouço em outros poemas / Feito sussurro ao vento. Veja a entrevista e mais poemas dela aqui e aqui.


LA BELLE NOISESUE – O encantador drama franco-suíço-italiano La belle noisesue (A bela intrigante, 1991), do cineasta francês Jacques Rivette é baseado no conto Le chef-d´ouvre incomu (1831) do autor francês Honoré de Balzac (1799-1850) e de três contos recolhidos da obra do escritor estadunidense Henry James (1843-1916). O filme é belíssimo valendo-se não só das imagens paradisíacas proporcionadas pelas atrizes Jane Birkin, Emmanuelle Béart e Marianne Denicourt, como pelo talento de gênio de seu diretor. Indispensável. Veja mais aquiaqui.


Veja mais sobre:
Todo dia, a primeira vez, Gilvan Samico & Paul Mathiopoulos aqui.

E mais:
Afrodite & O julgamento de Páris, Lya Luft, Marcia Tiburi, Cacilda Becker, Diana Krall, José Celso Martinez Corrêa, Krzysztof Kieslowski, Jeanne Hébuterne, Débora Arango, Julie Delpys & Enrique Simone aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas e cheio de nó pelas costas, Viviane Mosé, Ralph Waldo Emerson, Isaac Newton, o Método Perigoso de Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, A Síndrome de Klüver-Bucy, Auguste Comte & Cloltilde de Vaux aqui.
Slavoj Zizek, Victor Hugo, Pier Paulo Pasolini, Agildo Ribeiro, Silvana Mangano, Honoré Daumier, Altay Veloso & Maria Creuza aqui.
Li Tai Po, Paul Ricoeur, Millôr Fernandes, Carlos Saura, Ralph Gibson, Salomé & Aída Gomez, Ronaldo Urgel Nogueira & Mônica Salmaso aqui.
O morto e a lua, Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Louis Malle, Montaigne, Lisztomania, Juliette Binoche, Virginia Lane, Luhan Dias & Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, Gonzaguinha, Rosie Scribblah, Milton Dacosta, Jean-Michel Basquiat, Nitolino & Literatura Infantil aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, Claude Monet, Ewald Mataré, Chris Maher, Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa – lições de ontem e de hoje pro que não é: Platão, Cícero, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Georg Lukács, Norbert Elias, Zygmunt Bauman & aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Debora Klempous, Amadeo de Souza-Cardoso, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
As escolhas entre erros e acertos, Armand Pierre Fernandez, Alexandra Nechita, Raceanu Adrian & Laura Canabrava aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, Peter Greenaway, Dalu Zhao, Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
Todo dia o primeiro passo, José Orlando Alves, Gilberto Mendonça Teles, Belle Chere & David Ngo, Lia Rodrigues Companhia de Danças & Maria Núbia Vítor de Souza aqui.
Pelos caminhos da vida, A lenda Tembé do incêndio universal e o dilúvio, Benedicto Lacerda, Ferdinand Hodler, Clodomiro Amazonas, Alessandro Biffignandi, Diane Arbus & Ligia Scholze Borges Tormachio aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...