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terça-feira, novembro 05, 2019

HÉLÈNE & RUBENS, HUMBERTO MAURO & LUO LI RONG


HÉLÈNE, A VIDA DE VOLTA – Foi o que fiz depois, as noites se tornaram maiores que os dias de quase não ter fim, a escuridão imensa de olhos cansados a fio e nada mais às voltas e já nem sabia das horas arrastadas, martelo no gongo em eco, e passavam com tudo na mesma. Os dias se iam, a tarde, a noite e a madrugada longa, imorredoura, e assim a semana, o mês, o semestre e o ano acabava e nunca amanhecia. O que fiz nem sabia, já quase não suportava mais, não havia como sobreviver à solidão de Isabella que se foi com a agourenta peste de mais de três anos e nem sei se mais, calendário de um só dia em outros do mesmo e o que seria de mim no meio desse sorvedouro imperecível, inalterável. Não havia o palpável, uma distância imensa ao redor, nem sei se vivo de tão invisível, paisagem comum de tão insensível saudação. Já nem era mais esperança no que havia perdido e sucumbia aos estalos intermitentes e tardios de uma surpresa adiada. Não restava mais nada, não emergisse imprevista aquela pele de porcelana branca de caçula e daquela família quase irreconhecível de um rico mercador antuérpio, jovem diva loura, irmã de uma concunhada, de uma hora para outra, encantadoramente bela fonte inspiradora de um sonho real e eu fizesse o que deveria ser feito na hora exata. Sim, ali o momento e seus olhos claros, seu jeito inocente e divertida criatura, o sorriso encantador no brilho da vitalidade. Já me via outro e esquecia tudo que vivi e passou. Disso fiz e refiz, ah, e como fiz, a jovem bela para as ideias do Het Steen, o sonho projetado de The Rainbow Landscape. Deveras, ela a minha Helena de Tróia no Garden of love, a deusa do julgamento de Paris, a musa dos meus rabiscos com esboços das suas poses de todas os gestos. Eu renascia no brilho rosado de suas faces, na sua boca carnuda que me tinha como se fosse revivido saborosa refeição; nos seus seios fartos a me darem o que faltava nas horas mais deprimentes; nos seus quadris dançantes de todos os passos e ritmos estonteantes; nas suas pernas inquietas e andejas das mais loucas travessuras de se dar e receber. Era a Vênus Pudica nua com uma das mãos escondendo o colo, e a outra ao braço que se delineava pela região pélvica apetitosa a me chamar mais para perto e a convidar para o que fosse das mil e uma e outras de jamais vivido; uma deusa fulgurante que desceu do panteão para premiar todos os meus desejos, uma graça livre das outras para me fazer grato a tudo, uma ninfa desgarrada a me dispor do que nunca tive, personificando a minha heroína salvadora, a minha rainha de todas minhas reverências e decisões. Era ela, aquela que foi criada para ser retratada em todos os meus versos de cores e luzes em closes majestosos, nua e real no privado Het Pelsken que não se vende nem se exibe. Meus olhos são para ela que vem com sua beleza jovem de coração e corpo, antecipando a cariátide para minha salvação, à espera da carruagem, seminua de todos os trajes – até no sonho do casamento, o ridículo para detratores! E renasci com seus beijos viciantes, suas mãos inquietas de carinho, seus braços aconchegantes de pomares, suas pernas acolhedoras de remanso, seu sexo vitalizado imantando meus sentidos, arte e vida. Nela pude pela derradeira vez amar, trazendo a vida de volta para quem morreu anteontem e eu pude viver para o tributo eternizado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: Sou apenas um homem simples, sozinho, com seus velhos pincéis, pedindo a Deus uma inspiração. Eu ainda não estava inclinado a viver a vida de um celibatário. Tomei uma jovem esposa de família honesta, mas de classe média, embora todos tentassem me convencer a fazer um casamento na corte. Mas eu temia o orgulho, aquele vício inerente à nobreza, particularmente naquele sexo, e foi por isso que escolhi alguém que não coraria ao me ver pegar meus pincéis na mão. E para dizer a verdade, teria sido difícil para mim trocar o precioso tesouro da liberdade pelos abraços de uma velha. Agora, pela graça de Deus... Estou levando uma vida tranquila com minha esposa e filhos e não tenho pretensões no mundo a não ser viver em paz. Pensamento do pintor flamengo Peter Paul Rubens (1577-1640), que se casou pela primeira vez com a Isabella Brandt (1591-1626), que morreu vitimada pela peste. Três anos depois, conheceu Hélène Fourment (1614-1673), que foi retratada em muito seus quadros e modelada para outras pinturas religiosas e mitológicas. Veja mais aqui e aqui.

HUMBERTO MAURO, O PATRONO DO CINEMA BRASILEIRO
O cinema é cachoeira.
HUMBERTO MAURO - Já tendo sido destacado aqui anteriormente, hoje novamente, o Patrono do Cinema Brasileiro, o cineasta Humberto Mauro (1897-1983), merece ser mais uma vez homenageado, desta feita pelo filme O descobrimento do Brasil (1936), com trilha sonora de Heitor Vila-Lobos, recuperado pela Cinemateca Brasileira, com uma narrativa extraída da Carta de Pero Vez de Caminha, contando a chegada da frota portuguesa às costas brasileiras, em 1500. Em segundo, o romance O canto da saudade (1952), com música de Vila-Lobos e que conta a história da filha do coronel Januário, Maria Fausta e o seu romance secreto com João do Carmo, quando o casal desaparece durante a campanha para prefeito do pai dela. O terceiro, o drama romântico Argila (1942), contando a história de uma moça rica e ilustrada, que, depois do retiro de luto por seu marido, retoma as atividades como patrona das artes e reabre seu salão, tratando sobre as diferenças entre ricos e pobres, a história de um amor impossível entre uma jovem rica e um artesão. Por fim, o drama Ganga Bruta (1933), contando a história de uma noite de núpcias e o noivo descobre que a sua mulher não é virgem e a mata, sendo absolvido e se casando posteriormente numa pequena cidade, retrato da vida brasileira com sua violência urbana e repressão sexual. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora e artista chinesa Luo Li Rong, criadora de escultura realistas. Veja mais aqui & aqui.


terça-feira, maio 14, 2019

FRITZ PERSL, FLORESTAN FERNANDES, HUMBERTO MAURO, ROBERTO MANZANO & A GODIVA DE ALAGOINHANDUBA!


A GODIVA DE ALAGOINHANDUBA - Foi providencial o aparecimento de Lady Godiva para mudar os rumos na avareza do Zé Coiso que sobrecarregava sem misericórdia o povo. Ele só queria ouro e mais ouro, acabando com tudo. O bom disso tudo é que com a chegada dela, dia menos dia, um a um dos viris achegados tiveram todos de sufragar na sua urna para salvar a população da ira do tirano. Não fosse isso, estavam todos ferrados. Os que não eram lá muito simpáticos à causa ou os quase invalidados por já terem passado da idade, a veneravam engrossando o caldo da tietagem promovida por toda comunidade feminina e classe de rapagãos e bruguelos, principalmente por seus atos de caridade, acudindo aos pobres e oprimidos. Só ela podia enfrentá-lo, já que o Zé Coiso não tinha modos nem limites, a ponto de quebrar de pau o prefeito, meter dois balaços nas fuças do juiz, bater o pé pro carreirão do promotor, envergar as costelas do delegado e de fazer dançar de odalisca o comandante da Polícia Militar. O padre Quiba e o bispo que não eram besta nem nada, estavam juntos com pastores e outros religiosos, tudo do lado dele, abençoando suas estripulias. Por conta disso, autonomeou-se Nidisio Fricelo (vixe?!?), o Imperdador Salvador de Sucarisa (hem?!?), ampliando todos os seus domínios aos possíveis limites além de Alagoinhanduba: tudo meu além de onde a vista alcança, tenho dito! E era mesmo. É nessa hora que ela entra mesmo em cena para fazer a cabeça do endiabrado, colocando uns tantos de compromissos ao seu leito, dele ficar doidinho de não querer fazer mais nada além de sair de cima dela. Quando ela enjoava da babação dele, resolvia dar umas voltas pelos quatro cantos do mundo, completamente nua, para tomar pé da situação. Como todos comiam arroiado na mão do déspota, aproveitavam a ocasião para levar pra ela suas reivindicações. Ah, o casal teve uma quebra-de-braço, Zé Coiso espumava de raiva: Qual o lado que você está, hem? Sem o povo você não é nada. Ah, eu quero ouro, o povo que se dane. Então coma ouro! Eu quero comida! Não tem que você quer acabar com tudo e só quer riqueza! Ah, é? É. Esse povo não presta, só serve mesmo pra gente pisar e encarcar malvadeza neles. Vá gozar no ouro, entrei em greve. Como é que é? Isso mesmo. Estava Zé Coiso desafiado, não conseguia raciocinar direito, só mandando e desmandando, afinal sua vontade era a única lei do lugar, e não cochilava por vigiar as atividades escusas da mulher. Não havia como descobrir, o povo ciente das providências dela, botava ele para andar. Até o autocrata dar de cara com uma idosa que o saudou: Deus dê longa vida ao Imperador! Ah, ele encheu-se de empáfia, admirado, de chegar junto dela generosamente e perguntar: O que a senhora quer por tão elogiosa postura? Nada, meu filho, sou velha, muito velha, conheci o seu pai e o seu avô; seu avô era um pedra ruim malvado; seu pai era pior ainda; Vossa Majestade, desarreda, muito piormente que os anteriores, de modo que rogo ao bom Deus que lhe dê vida longa, porque temo por aquele que possa vir depois do senhor. Ele desconfiou, não entendeu se era ofensa ou elogio, preferiu seguir seu intento de saber em quantas andavam as tentativas da rainha! Enquanto cagava raio pelo território afora, deu de chegar um Oficial de Justiça com mandado do Tribunal de Justiça para moralizar a coisa. Deu de cara com a Lady que estava entediada – é que ela conhecia todos os seus súditos pelo pênis; primeiro amolegava: esse já conheço, esse deu pro gasto, esse nem tanto, esse vá lá que seja, ah, esse eu não conheço. Media e conferia: passava a língua e se certificava: Esse ainda não, venha! Pois bem, diante do oficial, ela quis saber o que procedia e soube que precisava intimar o desalmado gestor. Quem? Esse mesmo. Ah, meu filho, o Zé Coiso não vale mais que eu, não acha? O oficial irredutível. Ela então se chegou junto dele, arriou o seu zíper, abriu a sua braguilha, caçou o pau do cara, botou pra fora e olhou: Hum, fraquinho, hem? Ele assustado com aquilo. Aí ela desvestiu-se, expôs-se com caras e bocas, desfilando nuazinha pra endoidecer o juízo do cristão. Aí que o cara abilolou mesmo e já se punhetava: Pelamordeus, dona! Nananinanão, primeiro você tem que trazer mandado de prisão presse corno velho deixar de me atanazar, chispe! Oxe, o oficial arreou a lenha e sapecou certidão alegando que deixou de intimiar o réu porque ele rasgou o mandado judicial, impossibilitando ao juramentado que lavrasse o competente termo em local devido, forçando à utilização instrumental de ferramenta alternativa para certificar o seu desacato em atos obscenos e abusivos, esculhambando um a um dos desembargadores e corregedores do Tribunal e todo corpo autoritário do Poder Judiciário do país, ameaçando a cada um deles, atirando na lata do juiz, botando o promotor na roda e fazendo de gato e sapato com todas as demais autoridades da Comarca de Alagoinhanduba. Pronto e lavrado o presente termo, o Tribunal tomou ciência, virou escândalo na República e nas cortes superiores, resultando numa intervenção militar das forças armadas para dar fim àquele disparate. Atendendo ao pedido da Lady, o oficial apresentou-se: Pronto! Ela devolveu todos os poderes e liberdades à população alagoinhandubense, passando a ser venerada e mantida por todos como a santa da salvação deles. Passou a ser cantada por poetas e músicos, a distribuir bondades, ora sendo chamada de Dorcas, ora de Tabita, ou Beatriz, ou Natalie, ou mãe de todos. E eu Dona Lady? Ah, você oficial, por ter sido fiel a mim, assuma seu papel na defesa do povo que agora estou ocupada com um que dá três do seu, tá? E o povo lá na rua: Salve a redentora Lady Godiva! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Eu nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado e sem a socialização pré e extra-escolar que recebi através das duras lições da vida. Para o bem e para o mal – sem invocar a questão do ressentimento que a crítica conservadora lançou sobre mim – a minha formação acadêmica sobrepôs-se a uma formação humana que ela não conseguiu destorcer nem esterilizar. Portanto, ainda que isso pareça pouco ortodoxo e intelectualista, afirmo que iniciei a minha aprendizagem sociológica aos seis anos, quando precisei ganhar a vida como se fosse um adulto e penetrei pelas vias da experiência concreta, no conhecimento de que a convivência humana e a sociedade em uma cidade na qual não prevalece a ordem das bicadas, mas a relação de presa, pela qual o homem se alimentava do homem, do mesmo modo que o tubarão come a sardinha ou o gavião devora os animais de pequeno porte. A criança estava perdida nesse mundo hostil e tinha de voltar-se para dentro de si mesma para procurar nas técnicas do corpo e nos ardis dos fracos, os meios de autodefesa para a sobrevivência. Eu não estava sozinho, havia minha mãe. Porém a soma de duas fraquezas não compõe uma força. Éramos varridos pela tempestade da vida e o que nos salvou foi o nosso orgulho selvagem. [...].
Trecho extraído de Ciências Sociais na ótica do intelectual militante (Estudos Avançados, 1994), do

O CINEMA DE HUMBERTO MAURO
A minha empresa foi fundada para edificar o verdadeiro cinema brasileiro. Ela foi lançada exclusivamente com o nosso esforço e nossos capitais. Vamos mostrar que podemos criar uma arte nossa nova e legítima, capaz de transformar o sorriso dos pessimistas num grito de entusiasmo.
A arte do cineasta Humberto Mauro (1897-1983) tem seu destaque em obras cinematográficas como Sangue mineiro (193), que conta a história de uma jovem apaixonada que flagra a traição do seu nomorado, salva do afogamento por dois primos que a desejam e digladiam por seu amor. O filme Lábio sem beijos (1930), conta a história da jovem Lelita que espera que o verdadeiro amor prevaleça. Além desses dois, também merece destaque Cidade mulher (1936) e Brasa dormida (1928) é considerado como um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do premiado escultor espanhol Roberto Manzano Hernández. Veja mais aqui & aqui.

LADY GODIVA
di Ego Godiva Comitissa diu istud desideravi
A aristocrata anglo-saxã Godiva (990-1067) tornou-se célebre pelo acordo com o seu marido Leofrico, o Duque de Mércia, desafiando-o para proteger o povo de Coventry, na Inglaterra, cavalgando nua pelas ruas. Tornou-se por isso personagem das Crônicas de Ely, que a descrevem como uma viúva mãe de Elgar de Mércia, e no Livro de Domesday, como a única possuidora de terras. Por conta de sua corajosa iniciativa, ela passou a ser cantada pelo poeta Tennyson, homegeada pelos pintores Lefebvre e Balir Laighton, virar filme e musa em canção das bandas Queen, Grant Lee Buffalo, Simply Red, Mother Love Bone, Havent Shall Burn & Velvet Underground, entre outras, bem como reverenciada na música Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, do compositor e poeta Fausto Fawcett. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE FRITZ PERLS
Eu sou eu. Você é você. Eu sou responsável pela minha vida e você pela sua. Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas, nem você para cumprir as minhas. Se os nossos caminhos se cruzarem, será maravilhoso, mas, caso contrário, teremos que continuar avançando separadamente. Porque eu não me amarei, se para lhe satisfazer precisar me trair, nem eu o amo se desejar que você seja como eu quero, em vez de aceitá-lo como você é. Você é você e eu sou eu
Oração da Gestalt, a obra do psiquiatra e psicoterapeuta Fritz Persl (1893-1970) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


domingo, setembro 13, 2015

MARTÍN-BARÓ, CLARA, DOMITILA, ANTONIO TORRES, TEMPLE GRANDIN, NATÁLIA CORREIA, PERISSÉ & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BRINCAR PARA APRENDER – Quando publiquei o meu segundo livro infantil Falange, falanginha e falangeta (Nascente, 1995), tive a grata satisfação de tê-lo adotado em diversas escolas de Alagoas e de outros estados brasileiros, razão pela qual fui convidado para realizar recreações com meu violão, cantando e contando estórias. Foi a partir daí que empunhei as bandeiras da ética, cidadania, meio ambiente, pluralidade cultural e respeito às diferenças, utilizando a literatura de cordel como veículo para realização do meu trabalho com a garotada nos anos seguintes. À medida que eu publicava mais um livro, mais estreitava meus contatos com os alunos da Educação Infantil e primeiro ciclo do Ensino Fundamental das redes pública e privada, até o momento que realizei uma atividade a convite da coordenadora de uma escola pública, Ceiça Mota, proporcionando o surgimento do meu personagem Nitolino. Por conta disso, ao reunir num mesmo balaio Literatura, Música e Teatro, embasado em Lev Vygotsky, Paulo Freire, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Donald Winnicott, Ricardo Japiassu, Olga Reverbel, Ingrid Koudela, entre outros autores, comecei a realizar palestras destacando a importância da arte no desenvolvimento infanto-juvenil. Como resultado dessas atividades, recebi o convite de Maria Luisa Russo e da Edufal, para ministrar a palestra, Brincar para Aprender, realizada durante as atividades da V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, para professores e estudantes de Letras, Pedagogia e Psicologia, destacando o brincar, o brinquedo e o lúdico, os direitos da criança, a brincadeira na educação e o desenvolvimento da criança. Tais experiências culminaram com as atividades na área de Psicologia do Desenvolvimento, orientada pela professora Ms Fátima Pereira, resultando num projeto denominado A arte no desenvolvimento da linguagem infantil sob a perspectiva da teoria sócio-histórica, que resultou no artigo Vygotsky, o teatro e a criança, que foi apresentado no Congresso Nacional de Psicologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Psicologia, na Uninove, em São Paulo. Vieram, então, as atividades voltadas para a Psicologia Social, orientada pelo professor Ms Claudio Jorge de Morais Gomes, nas quais passei a destacar a importância da Psicologia e do profissional psicólogo no âmbito educacional, por meio de projetos de extensão e de iniciação científica, culminando com a realização do projeto Infância, imagem e literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré (AL), que resultou na criação da história transformada para o teatro infantil O jacaré de óculos e a princesa do Recanto da Ilha. À medida que esses projetos foram acontecendo, fui ao mesmo tempo trabalhando articulações entre a arte e a psicologia na educação, trabalhando as temáticas da Psicologia na Educação Ambiental, Neuroeducação e Psicodrama, e a Arte na Psicologia da Saúde, todos voltados para prevenção e promoção da saúde no universo infanto-juvenil. Tais realizações tem sido gratificantes pela acolhida que o público tem expressado e, especialmente, por poder estar em constante contato com o olhar e riso de ternura da criança a todo momento. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem da artista plástica brasileira Domitila Stabile de Oliveira


Curtindo o álbum Clara Schumann: lieder e piano solo (2011), com as obras eruditas da pianista e compositora alemã Clara Schumann (1819-1896), com a cantora, professora de canto, pesquisadora e integrante do coral da Osesp e da Audi Coelum, Clarissa Cabral, e a pianista, professora e pesquisadora Eliana Monteiro da Silva.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Na programação: Os Trapalhões, Charlie Brown Jr, Gabriel, Os Três Porquinhos, Família dos Anjos, Cristina Mel, dicas para uma boa saúde para as crianças e para todos nós, Aline Barros & Cia, Galinha Pintadinha, Leão Cordeirinho, As Esquiletes, Nita, Meimei Corrêa, Maisa & muito mais poemas, brincadeiras e dicas pra garotada. No blog, além da literatura infantil de Antonio Torres e dicas de Psicologia, Educação, Direito, Literatura, Música e Teatro, também consta a parceria MC Produções/Edições Nascente/Alan Miranda e Câmara de Vereadores de Três Corações, realizando o curso de oratória nos dias 19 e 26 de setembro, para a Câmara Mirim coordenada pelo advogado e diretor geral, Heloisio Angelo Domintini – conhecido por Buluca -, e também pela coordenadora cultural, Francesmara Valim Silva Pereira. Para conferir tudo isso e muito mais ao vivo e online clique aqui ou aqui.

PSICOLOGIA DA LIBERTAÇÃO – No livro Psicologia Social para a América Latina: o resgate da Psicologia da Libertação (Alínea,2009), organizado por Raquel Guzzo e Fernando Lacerda Jr, encontro o artigo Para uma Psicologia da Libertação, do psicólogo social e filósofo espanhol Ignácio Martin-Baró (1942-1989), do qual destaco o trecho: Com base em uma perspectiva geral, deve-se reconhecer que a contribuição da Psicologia, como ciência e como práxis, à história dos povos latino-americanos é extremamente pobre. Certamente, não faltaram psicólogos preocupados com os grandes problemas do subdesenvolvimento, dependência e opressão que agoniam os nossos povos. Mas, na hora de se materializar, em muitos casos, essas preocupações tiveram de ser canalizadas por meio de um compromisso político pessoal, à margem da Psicologia, cujos esquemas eram inoperantes para responder às necessidades populares. [...] Os modelos dominantes na Psicologia fundam-se em uma serie de pressupostos que apenas raramente são discutidos e aos quais, cada vez menos, se propõem alternativas. Mencionarei cinco desses pressupostos que, em minha opinião, têm marcado as possibilidades da Psicologia latino-americana: o positivismo, o individualismo, o hedonismo, a visão homeostática e o a-historicismo. [...] se quisermos que a Psicologia realize alguma contribuição significativa à história de nossos povos, se, como psicólogos, queremos contribuir para o desenvolvimento social dos países latino-americanos, necessitamos redefinir nossa bagagem teórica e prática, mas redifini-la valendo-nos da vida de nossos próprios povos, de seus sofrimentos, de suas aspirações, de suas lutas. [...] Com inspiração na Teologia da Libertação podemos propor três elementos essenciais para a construção de uma Psicologia da Libertação dos povos latino-americanos: um novo horizonte, uma nova epistemologia e uma nova práxis [...]. Veja mais aqui e aqui.

ESSA TERRA – No romance Essa terra (Record, 1976), do premiadíssimo escritor, jornalista e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, Antônio Torres, destaco os trechos seguintes: O Junco: um pássaro vermelho chamado Sofrê, que aprendeu a cantar o Hino Nacional. Uma galinha pintada chamada Sofraco, que aprendeu a esconder os seus ninhos. Um boi de canga, o Sofrido. De canga: entra inverno, sai verão. A barra do dia mais bonita do mundo e o pôr-do-sol mais longo do mundo. O cheiro do alecrim e a palavra açucena. E eu, que nunca vi uma açucena. Sons de martelo amolando as enxadas, aboio nas estradas, homens cavando o leite da terra. O cuspe do fumo mascado da minha mãe, a queixa muda do meu pai, as rosas vermelhas e brancas da minha avó. As rosas do bem-querer:-Hei de te amar até morrer. Essa é a terra que me pariu.-Lampião passou por aqui.-Não, não passou. Mandou recado [...] Ora, ele lá ia ter tempo de passar neste fim de mundo? [...] Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Cresce logo, menino, pra você ir para São Paulo. Aqui vivi e morri um pouco todos os dias. No meio da fumaça, no meio do dinheiro. Não sei se fico ou se volto. Não sei se estou em São Paulo ou no Junco [...] — Qualquer pessoa deste lugar pode servir de testemunha. Qualquer pessoa com memória na cabeça e vergonha na cara. Eu vivia dizendo: um dia ele vem. Pois não foi que ele veio? — O senhor está com razão. — Ele mudou muito? Espero que ao menos não tenha esquecido o caminho lá de casa. Somos do mesmo sangue. — Não esqueceu, não, tio — respondi, convencido de que estava fazendo um esclarecimento  necessário não apenas a um homem, mas a uma população inteira, para quem a volta  do meu  irmão parecia ter mais significado do que quando dr. Dantas Júnior veio anunciar que  havíamos entrado no mapa do mundo, graças a seu empenho e à sua palavra de deputado  federal bem votado. [...] — E eu sei que esse dia está perto. Ora vejam bem: nossos avós tinham muitos pastos, nossos pais tinham poucos pastos e nós não temos nenhum [...] Isso também está nas Sagradas Escrituras. Muitos pastos e poucos rastos. Poucas cabeças, muitos chapéus. Um só rebanho para um só pastor. [...] — Qualquer dia o Anticristo aparece. Será o primeiro aviso. Depois o sol vai crescer, vai virar uma bola do tamanho de uma roda de carro de boi e aí —dizia papai, dizia mamãe, dizia todo mundo. Ninguém disse, porém, se a vinda da Ancar estava nas Sagradas Escrituras. Ancar: o banco que chegou de jipe, num domingo de missa, para emprestar dinheiro a quem tivesse umas poucas braças de terra. [...] A mala me fez pensar no correio e nos envelopes gordos de antigamente, que chegava de mês em mês. Dinheiro vivo, paulista, rico. Também me lembrei de mamãe: — Tomara eu tivesse mais um filho igual a ele. Bastava um. Nelo, Nelo, Nelo. Um acalanto, uma toada, uma canção. Nelo, Nelo, Nelo. Miragens sobre o poente, nosso sol atrás da montanha, sumindo no fim do mundo. Nelo, Nelo, Nelo. São Paulo está lá para trás da montanha, siga o exemplo do seu irmão. Nelo, Nelo, Nelo. Éramos doze, contando uma irmã que já morreu. Só ele contava. Nelo, Nelo, Nelo. — Bastava mais um [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIDADANIA, AUTO-RETRATO & A ARTE DE SER AMADA – Na Antologia Poética (Dom Quizote, 1999), da poeta e ativista social açoriana Natália Correia (1923-1993), destaco inicial o seu poema Cidadania: Buquê de ruídos úteis / o dia. O tom mais púrpura / do avião sobressai / locomovida rosa pública. / Entre os edifícios a acácia / de antigamente ainda ousa / trazer ao cimo a folhagem / sua dor de apertada coisa. / Um solo de saxofone excresce / mensagem que a morte adia / aflito pássaro que enrouquece / a garganta da telefonia. / Em cada bolso do cimento / uma lenta aranha de gás / manipula o dividendo / de um suicídio lilás. Também o seu Auto-retrato: Espáduas brancas palpitantes: / asas no exilio dum corpo. / Os braços calhas cintilantes / para o comboio da alma. / E os olhos emigrantes / no navio da pálpebra / encalhado em renúncia ou cobardia. / Por vezes fêmea. Por vezes monja. / Conforme a noite. Conforme o dia. / Molusco. Esponja / embebida num filtro de magia. / Aranha de ouro / presa na teia dos seus ardis. / E aos pés um coração de louça / quebrado em jogos infantis. Por fim, o seu belíssimo A arte de ser amada: Eu sou líquida mas recolhida / no íntimo estanho de uma jarra / e em tua boca um clavicórdio / quer recordar-me que sou ária / aérea vária porém sentada / perfil que os flamingos voaram. / Pelos canteiros eu conto os gerânios / de uns tantos anos que nos separam. / Teu amor de planta submarina / procura um húmido lugar. / Sabiamente preencho a piscina / que te dê o hábito de afogar. / Do que não viste a minha idade / te inquieta como a ciência / do mundo ser muito velho / três vezes por mim rodeado / sem saber da tua existência. / Pensas-me a ilha e me sitias / de violinos por todos os lados / e em tua pele o que eu respiro / é um ar de frutos sossegados. Veja mais aqui.

CÓCEGAS & MUITA CALMA NESSA HORA – O trabalho da belíssima atriz e humorista Heloisa Perissé teve início na televisão com o programa Escolinha do Professor Raimundo, quando nasceu a parceria dela com a sua amiga, a atriz Ingrid Guimarães para a encenação da peça Cócegas, seu primeiro trabalho teatral que ficou em cartaz durante anos. Seguindo-se, então, sua participação nas peças teatrais Cosquinha, Advocacia segundo os Irmãos Marx, o Mágico de Oz e, por fim, W foram quase felizes para sempre. Ao mesmo tempo que participou dos filmes Avassaladoras (2002), Lara (2002), Lisbela e o prisioneiro (2003), Xuxa abracadabra (2003), Sexo, amor e traição (2004), Madafascar (2005), Os porralokinhas (2007), Madagascar 2 (2008), Muita calma nessa hora (2010), Madagascar 3 – os procurados (2012), O diário de Tati (2012), Odeio o dia dos namorados (2013) e Muita calma nessa hora (2014). Além disso, ela tem marcado presença constante em novelas, séries e programas humorísticos da televisão, consolidando seu prestígio de talentosa atriz e projetando uma trajetória invejável e digna de aplausos de pé. Veja mais aqui.

LÁBIOS SEM BEIJOS – O drama e romance Lábios sem beijos (1930), dirigido pelo cineasta pioneiro do cinema brasileiro Humberto Mauro (1897-1983), com roteiro de Ademar Gonzaga e trilha sonora do grupo francês DoubleCadence, foi o primeiro filme produzido pela Cinédia na fase do cinema mudo, contando a história da afronta moral de uma moça de família que mente ao dizer que vai a um baile e, ao invés disso, vai passear e ficar com as juras de um amor eterno com o seu namorado, por meio de sequencias e planos movimentados pelo enredo que destaca a mulher não sujeita à submissão e ao recato, batendo de frente com o conservadorismo e positivismo da sociedade dos anos 1920. Terno e de uma delicadeza sem precedentes, o filme representa um marco para o cinema nacional, destacando-se, evidentemente, o talento do seu diretor que além de ser um pioneiro do cinema brasileira, é também um dos nomes de maior destaque para a cinematografia pátria. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a ativista autista e doutora estadunidense de ciência animal Temple Grandin, que sendo autista (Síndrome de Asperger) revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais vivos.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia com a reprise de toda programação da semana, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...