A BOLSA DA VERA BANDOLEIRA – Naquela
manhã Vera amanhecera com cara de poucos amigos. Muitas contribuíram pro seu
mal-estar, deixando-a com um humor pra lá de ácido. Uma das contribuições viera
da prima que havia menstruado desde sábado e estava aos urros com as cólicas,
atrapalhando seu final de semana e deixando as circunstâncias mais enganchadas
do que já estavam. Adiou passeios, dispensou pretendentes, perdeu a paciência e
ficou brigando com o sono os dois dias incarreados. Mesmo assim, apesar de
aborrecida e indisposta, não desistira dos rituais matinais do dia, dedicado à
deusa da Lua Nova, Cerridween. Depois dessa missão cumprida, foi até a cozinha
e conferiu os mantimentos faltantes para comprá-los, tomou um demorado banho e
vestiu-se tal qual a devotada, não antes perguntar se a prima precisava de
alguma coisa, recebendo dela apenas grunhidos de fúria. Resmungou e saiu para o
supermercado. Lá chegando, foi passando pelas gôndolas e apanhando o
necessitado, quando o celular tocou e ela teve de revirar a bolsa pra achá-lo:
era uma consultora de telemarketing e ela dispensou logo sob a alegação de que
tinha mais o que fazer, enquanto pegava um ou outro produto nas prateleiras,
até irritar-se e sacudir o celular de volta na bolsa. Deu umas voltas meio
perdidas, procurou a lista e não encontrou, passando a vista rapidamente na
conferencia do que havia pegado, confirmou e foi pro caixa. Lá chegando, o
celular novamente toca e ela se afoba ao vasculhá-lo no interior da bolsa,
dando pela aproximação de um homenzarrão que ficara plantado ao seu lado no
guichê. Intrigada, virou-se pro sujeito com menosprezo: Diga! Alguma coisa?
Sim, a senhora poderia depor aqui os pertences da sua bolsa? Minha bolsa? Sim,
as nossas câmaras flagraram a senhora embolsando produtos. Eu? Sim, senhora,
por favor. Por conta disso, foi juntando gente ao seu redor, amontoando os
curiosos que queriam ver detalhes daquela desfeita. Ela não teve dúvidas, pegou
a dita, virou e deixou cair tudinho sobre o local exigido. De cara viu-se logo
a fuga de um morcego que saiu voando, dois lacraus às carreiras, uma dúzia de
baratas que espalharam por todo canto, uma lagartixa prenha, dois sapinhos que
saíram pulando, afora um tanto de coisas inusitadas entre outras muitas e
desarrumadas: cachecol, pulôver, passaporte, esc0va de todo tipo, rímel,
brincos, absorventes, cola instantânea, sutiãs e bustiês, calcinhas,
preservativos comestíveis, lenços umedecidos, canetas, estojos de maquiagens,
chocolate derretido, confeitos meleguentos, chaves, meias e meias, celular que
não achava – eita, até que enfim! -, Maria-chiquinha, bobes, chuquinhas,
hidratante, gel para estrias e celulites, cremes depilatórios, pulseiras,
anéis, pinças, espelhos, pó compacto, delineadores e lápis, sementes, rolimãs,
imã, lupa, óculos e óculos, cintas, rolos amassados de papel higiênico,
guardanapos soltos, saída de banho, babydoll, sabonetes, cachetes, primeiros
socorros, relógios, chinelas, sandálias, blusinhas, luvas, máscara cirúrgica,
gorro, gesso, chiclete mascado, garrafinha de água, folderes, revistas com
páginas arrancadas, cupons, vale-transporte, vale-refeição, simpatias, novenas,
receitas, uma pistola 6-35 carregada, um punhal, duas adagas, spray de pimenta,
três vibradores, um pênis de borracha, bolas tailandesas, argolas, chicote,
mordaça, algemas, pacote de vela, isqueiro e duas caixas de fósforos vazias,
leite condensado, chantili, ky, descongestionadores, alicates, chave de fenda,
lixas, esmaltes, cílios postiços, cinta liga, calcinha com bunda, uma máquina fotográfica,
um gravador, calendários com santo, uma anágua, uma mão de pilão, uma figa, um
elefantinho de márnore, um porquinho da índia de barro, um Buda, um dente de
alho, trena, esfigmomanômetro, estetoscópio, voltímetro, parquímetro, balança,
fita métrica, carretilha, uma catraca de bicicleta, soldador, dobradiças, uma
maçaneta, uma tampa de radiador, um engate, tampas, duas capsulanas, esponjas
de lã de aço, buchas, óleo de peroba, flanelas, pires, duas lâmpadas rachadas,
uma mola, uma fita cassete, um véu, copos descartáveis, prendedores,
grampeador, ruelas, um vaso de sete ervas, duas tesouras, borrachas, bisnagas,
clips, cordões e uma corda, moedas soltas, um mealheiro, gel, colares, diademas
e tiaras, desodorante, limão, tinta de cabelo, pincéis, perfumes, cotonetes,
ralo de pé, barbeador, palitos de todo tipo, acetona, pó secante, licor de
manteiga de cacau, terço e rosário, protetor lingual e solar, tricô, tapa-olho,
um travesseirinho, unhas postiças, lentes de contato, apliques, adesivos, pedra
de strass, uma bíblia, uma goiabada mordida e passada, uma lata de sardinha
enferrujada, um pacote de queijo ralado, fitas isolantes descoladas, canivete,
bússula, querosene, estilete, lata de solvente, mertiolate, mercúrio-cromo, rolhas,
pregos, alfinetes, pilhas, cacos de telha, papel carbono, pule de bicho,
cartelas de loteria, tíquetes, dedal, retrós, cortador de unha, talheres
enrolados em guardanapos, adoçante vazio, cantil, copinho de aguardente, bola
de sinuca, um estojo de taco, uma sombrinha, capa de chuva, um caixotinho,
canivete suíço, lanterna, amolador, pedra-pomes, crochê, naftalina, seixos,
conchas, bijouterias, repelente, pastilhas, lança-perfume, confete,
serpentinas, pé-de-coelho, pé-de-cabra, ferradura, uma extensão danificada, trevos
e trevos, pimentas, cápsulas, olho de boi, saquinhos de chá, café, sal grosso,
galhos de arruda, santinhos, enfim, um frasco com piolho de cobra, carrapato,
ácaro, percevejo e outras trepeças, afora outros troços irreconhecíveis e
inomináveis. Todos: Òóóóóóó! O cara conferiu e pela aparência das coisas,
estavam ali há séculos senão milênios de tão velhos. Ela: Pronto, meu senhor,
quer que eu tire a roupa? Ah! Aí o coro dos presentes: tira! Tira! Tira! Ela aí
desceu dos dois palmos de saltos e como já era varapau tipuda, foi logo
desabotoando a calça e arriando o zíper de ver-se a calcinha azul do capô do
fusca, quando ele impediu: não, basta! Ela encarou bem nos olhos do sujeito: É
só isso, meu senhor? Ou tem mais alguma coisa? Sim, senhora, como é que cabe
tudo isso aí dentro, hem? Ah, faça-me o favor! E num golpe só tudo dentro da
bolsa - menos os bichos fugitivos que ficaram empestando a redondeza -, pegando
os outros sacos de compra. Aí o vigilante aproximou-se: quer ajuda, senhora?
Depois desse constrangimento, ajudaria muito você tomar no cu, seu filho da
puta! E foi-se. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.
A BARBÁRIE INTERIOR DE MATTÉI
[...] É
possível distinguir facilmente o que eu chamaria de efeitos de barbárie dos
efeitos de civilização. O efeito de barbárie caracteriza toda forma de
esterilidade humana e de perda do sentido no
domínio da civilização, quer se trate de ética, de política, de educação ou de
cultura. Para que exista barbárie é necessário que tenha existido uma
civilização anterior à bárbara, como Alarico e seus visigodos quando do saque
de Roma, essa que irá derrotar, pilhar e destruir. O selvagem que vive nas
florestas e que ainda não foi impregnado de cultura não era considerado pelos
romanos como um bárbaro. [...] Como acreditar que a política hoje tenha um
sentido, e um sentido comum a todos os homens, quando se assistiu à barbárie em
massa revestida de traços de uma razão social ou racial matar parte da
humanidade [...] Os totalitarismos
modernos, contando com a barbárie interior de um sujeito fixado à sua raça ou à
sua classe, isto é, às suas determinações materiais mais grosseiras, tentaram
dissolver toda forma de comunidade política com o intuito de fazer reinar o
terror. À barbárie violenta desses regimes respondeu a doce barbárie das
democracias, que Tocqueville já denunciara ao mostrar que a sociedade moderna
ameaçava encerrar o indivíduo, atomizado na massa solitária, “na solidão de seu
coração”. Compreendemos por que
Blandine Kriegel, em sua Filosofia da República, sustentou que “a filosofia do
Sujeito é a filosofia dos Bárbaros”, uma vez que tende a reduzir o cidadão a um
sujeito formal desprovido de substância e definido unicamente, no nosso
universo administrativo e jurídico, por um conjunto de técnicas processuais
cuja humanidade está ausente. O filósofo, seja ou não ele o médico da
civilização, não tem competência para impor aos outros homens os remédios que
permitiriam tratar, na falta de curar, o mal. Mas ele pode ao menos lembrar que
a civilização como a recebemos dos gregos e dos romanos (e que a Europa, depois
o mundo, fizeram frutificar em vinte e cinco séculos através da ciência, da
arte, da filosofia e da política) sempre foi pensada como uma abertura em
direção a uma alteridade absoluta. Ela proíbe o homem de reduzir as obras de
cultura a seu “gueto íntimo”, como diria Lipovetsky, a um simples objeto de
gozo interior. O homem encontra seu ponto de apoio – Descartes já o havia
estabelecido em suas meditações – no exterior de si mesmo, quer se nomeie essa
abertura libertadora obra, mundo ou Deus. O homem não é, e nunca será, seu
próprio ponto de apoio, nem, a fortiori, sua própria alavanca. Mas sempre pode
acontecer que, diante de um ser ou de uma obra que irrompe nele e o deslumbra,
compreenda que é livre para dar um sentido e que, suspendendo o tempo dos
ciclos biológicos e sociais, é um ser apto a começar e criar uma nova obra.
Trechos do artigo Civilização e
barbárie, extraído da obra Ética e estética (Zahar, 2001), do filósofo
francês Jean-François Mattei (1941-2014), autor da obra A barbárie interior: ensaio sobre o i-mundo
moderno (UNESP, 2002), abordando o conceito barbárie, desde a
antiguidade clássica até a modernidade, demonstrando que ela se manifesta no
mundo contemporâneo, na decadência da educação, na ditadura da cultura de massa
e na ascensão dos regimes autoritários, defendendo que: [...] Vivemos em um mundo segmentado, estilhaçado,
que interiorizou a barbárie. [...] Na
educação moderna, o estudante é apenas objeto de um discurso administrativo
[...].
Veja
mais sobre:
Aprendendo
no compasso da vida, Introdução
á psicologia social de Arthur Ramos, Sharon & minha sogra de Suad Amiry, o pensamento de Roger
Bacon, a pintura de Georges
Ribemont-Dessaignes, a música de Nação
Zumbi, Transhumance, a
arte de Hans Richter & Jiddu
Saldanha aqui.
E mais:
Infância,
imagem & literatura, As ilusões da pós-modernidade de Terry Eagleton,
Caderno de memórias de Osamu Dazai, O
bumba-meu-boi de Hermilo Borba Filho, a música de Jacques Offenbach, o cinema de Jean-Paul Rappeneau & Isabelle Adjani, a arte de a arte de Silvia
Pontual, a pintura de Léon Bonnat & Kim Roberti aqui.
O teste
da goma & A arte de amar de Erich Fromm aqui.
A
graviola do padre Bidião aqui.
Vamos
aprumar a conversa: psicologia infantil, Obras escolhidas de Walter Benjamin, Felicidade clandestina de
Clarice Lispector, Folhas da relva de Walt Whitman, A cantora careca de Eugène
Ionesco, a literatura de Nathaniel Hawthorne, o cinema de Joan
Plowright & Demi Moore, a música
do Enya, a pintura de Siron Franco aqui.
Vamos aprumar a conversa: Violência sexual, Tornar-se
pessoa de Carl Rogers, Por que não sou
cristão de Bertrand Russel, Medeia de Eurípedes, Horizonte
perdido de James Hilton, a música de Ricj Wakeman, Pelé, Movimento, o cinema de Frank Capra, a pintura de Eugène Delacroix
& Francis Bacon aqui.
O pulo
do amante, A natureza do espaço de Milton Santos, Casa do
prazer de August Stramm, O poder da
identidade de Manuel Castells, a música de Bach & Alina Ibragimova, a
fotografia de Man Ray, a pintura de Paula Garcia, a arte de Rich
Snobby & RozArt aqui.
Tudo
acontece no ermo das ruas, Complexidade e ética da solidariedade de Edgar Morin, a poesia de Emily
Dickinson, Limites & sustentabilidade de Guillermo Foladori, o cinema de Ingmar Bergman, a música brasileira de
João Carlos Botteselli, a pintura de János Vaszary & a arte de Felix
Reiners aqui.
Minha
alma tupi-guarani, minha sina caeté, A geração dos poetas de Roman
Jakobson, a poesia de Vicente de
Carvalho, Paregma & Paralipomena de Arthur Schopenhauer, a música de
Laura Nyro, a arte de Deborah De Robertis, a fotografia de Erwin Blumenfeld & Liliana Porter aqui.
&
UMA CARTA DE MULHER DE MARCELINE
As mulheres, eu sei, não devem escrever;
Mas ouso a arte,
Pra que em meu coração de longe possas ler
Como quem parte.
Pra que em meu coração de longe possas ler
Como quem parte.
Qualquer beleza que existir em minha escrita
Mostraste antes
Mas soa nova a palavra cem vezes dita,
Quando entre amantes.
Mostraste antes
Mas soa nova a palavra cem vezes dita,
Quando entre amantes.
Que te traga alegria! Eu fico a esperar,
Mesmo distante;
Sinto que me vou, para ver e escutar
Teu passo errante.
Mesmo distante;
Sinto que me vou, para ver e escutar
Teu passo errante.
Não te desvies se passar uma andorinha
Sobre esse chão,
Porque acredito que era eu, fiel, quem vinha,
Tocar-te a mão.
Sobre esse chão,
Porque acredito que era eu, fiel, quem vinha,
Tocar-te a mão.
Tu te vais, tudo se vai! Parte em viagem,
Luzes e flores,
O verão te segue e me deixa à fria aragem,
Dos dissabores.
Luzes e flores,
O verão te segue e me deixa à fria aragem,
Dos dissabores.
Se só temos esperança e alarmes, no entanto,
E a vista cansa,
Dividamos pelo melhor: mantenho o pranto,
Guarda a esperança.
E a vista cansa,
Dividamos pelo melhor: mantenho o pranto,
Guarda a esperança.
Não, não queria, tanto a ti estou ligada,
Te ver penar:
Querer dor a sua metade abençoada,
É se odiar.
Te ver penar:
Querer dor a sua metade abençoada,
É se odiar.
O poema Uma carta de mulher, extraído da obra Poésies Inédites (1860 –
Gallimard, 1983), da poeta maldita francesa Marceline Desbordes-Valmore (1786-1859), tradução de Sandra
Stroparo & Caetano W. Galindo.
AÇÃO
DIRETA DE VOLTAIRINE
[...] Bem, eu já declarei que, ocasionalmente, algumas coisas
boas podem resultar da ação política -- e não necessariamente da ação de
partidos proletarios. Mas estou plenamente convencida de que cada benefício
alcançado é mais do que anulado pelo malefício que traz a tiracolo; também
estou plenamente convencida de que, ocasionalmente, cada malefício resultante
da ação direta é mais do que anulado pelo benefício que traz a tiracolo. [...] Eu concordo
totalmente que as fontes da vida, e toda a riqueza natural da terra, e as
ferramentas necessários à produção cooperativa, tem que estar livremente
acessíveis a todos. Tenho certeza de que o sindicalismo precisa alargar e
aprofundar seus propósitos, ou será extinto; estou segura de que a lógica da
situação os forçará a ver isto gradualmente. Eles têm que aprender que o
problema dos trabalhadores nunca pode ser resolvido espancando fura-greves, sua
própria política de limitar seus sócios cobrando altas taxas e outras
restrições ajuda criar fura-greves. Eles têm que aprender que o curso do
crescimento não está tanto em salários mais altos, mas em jornadas mais curtas
de trabalho que os permitirão a aumentar a quantidade de membros, a chamar
qualquer pessoa disposta a entrar no sindicato. Eles têm que aprender que se
eles querem mesmo ganhar batalhas, todos os trabalhadores aliados têm que agir
em conjunto, e agir depressa (sem avisar aos patrões), e resguardar sua
liberdade de entrar em greve quantas vezes for necessário. E finalmente eles
têm que aprender (quando houver uma organização completa) que jamais ganharão
nada permanente a menos que lutem, não por conquistas parciais, mas por
conquistas totais -- não por um salário, não por benefícios secundários, mas
pela conquista de todas as riquezas naturais do planeta. E procedam à
expropriação direta de tudo! [...] Enquanto isso, até este despertar internacional, a guerra
entre as classes continuará seguindo seu curso, apesar de toda essa manifesta
histeria de pessoas bem-intencionadas mas que não compreendem a vida e suas
necessidades; apesar do patente temor dos líderes acovardados; apesar de toda
vingança reacionária que pode ser perpetrada; apesar de todo capital que os
políticos recebem da situação. A luta de classes continuará seu curso porque a
Vida anseia por viver, mesmo com a propriedade negando sua liberdade para
viver; a Vida não se submeterá. Nem deve se submeter. Seguirá seu curso até
aquele dia quando uma Humanidade que se auto libertou puder cantar o Hino ao
Homem de Swinburne: Glória ao Homem nas alturas, Ao Homem, Senhor das coisas.
Trechos extraídos da obra Ação direta (BPI, 2013), da escritora anarcofeminsita estadunidense
Valtairine de Cleyre (1866-1912).
VÊNUS
KALLIPYGOS
Escultura anônima da Venus Callipyge ou Aphrodite Kallipygos,
significando Vênus (ou Afrodite) das lindas nádegas, antiga estátua de mármore
romano, cópia original grega.
OUROBA
Acaba de ser gravado o primeiro cd do grupo vocal OuroBa,
formado por Marianna Leporace, Célia Vaz, Chris Tristão, Dalmo Medeiros, Symô
& Vicente Nucci, um projeto de pesquisa dos Cantos Sagrados do Candomblé,
agora com uma campanha de venda antecipada para confecção da arte gráfica e
prensagem. Confira aqui e aqui.