sábado, maio 27, 2017

FANTASMAS DE PAUL AUSTER, LUCIANA ACHUGAR, DEBBIE LEE, MARISA RICCO & DAS COISAS & COISAS

DAS COISAS & COISAS – Imagem: Keep the fear away, da artista plástica inglesa Debbie Lee. - Quem dera fosse mais que o dia pra ter o que fazer na escravidão da grana, mês a mês, todo dia pra pagar as contas e sustento, como quem anda pelos infindos caminhos com a impressão de que jamais saiu do imobilismo e zanzasse no centro oco do mesmo lugar de sempre. Quem dera fosse mais que o invencível das tardes ruidosas, levando tudo nos peitos, pedras, troncos, morros e concretos na beira das pontes entre a lucidez e a insanidade, no meio da madrugada erguida no meio das cidades ilusórias que brotam de dentro de mim e não sou bem-vindo. Quem dera fosse mais que a vida enclausurada nas torres de templos da incredulidade, com festas entre roubos e assassinatos cruéis em nome de quem não sei e quase nem quero mesmo saber das mentiras das manchetes diárias. Quem dera fosse a rua aos braços quinze pras três a quem chegar, na emoção sem máscaras nem pé atrás e fizesse a canção da alvorada confundir o crepúsculo na hora anoitecida para anunciar um outro dia porque tudo passa e sou outra vez. Quem dera fosse a telenovela final feliz e no dia seguinte a face tão risonha como se não houvesse passado e o futuro preso no presente de riso largo por todos os dias, semanas, meses e anos pra sempre, amém. Quem dera fosse a felicidade gratuita na dança sensual das noites que nunca acabam de satisfação e que amanhecem com se fossem as festas de ontem que se perduram feito um filme romântico que arranca lágrimas de alegria por tórridas paixões inexistentes e jamais sentidas ou sonhadas. Quem dera fosse mais que essa janela aberta e engradada como o que tenho do mundo num pedaço de céu pela brecha do basculante aos prédios e telhados, antenas e caixas d’água, postes e nada mais na tarde chuvosa e escura. Quem dera não fosse mais que esse quarto desarrumado, tralhas, roupa suja, ferramentas e um amontoado de coisas inúteis e inutilizáveis que nem sei se estão ali por conta própria ou por negligência fabricando lixo e escondendo sujeira que se guarda à espera de serventia. Quem dera fosse mais que o corredor da solidão que dá de ombros com os quartos vazios que não ocupo nem ocasionalmente no meio dessa casa enorme em que os vizinhos se tornaram longe desconhecidos de uma pátria estrangeira. Quem dera, oh, quem dera, eu fosse mais que um simples andejo apátrida da vida, desiderato perdido a buscar a redenção num espontâneo e pulsante coração que sirva de mínimo amparo no mundo dos simulacros e das coisas e coisas. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

FANTASMAS DE PAUL AUSTER
[...] reflete sobre como é estranho que tudo tenha sua cor própria. Tudo o que vemos, tudo o que tocamos – tudo no mundo tem sua cor própria. [...] Vejamos o azul, por exemplo, diz ele: existe o azulão, o gaio azul, a garça azul. E existe a centáurea e a pervinca. Existe o meio-dia sobre Nova York. Existem as bagas do vacínio e do mirtilo, além, do oceano Pacífico. Existe o azul-piscina, o sangue azul e a fita azul da Ordem da Jerreteira. Há uma voz que canta o blues. Existe o uniforme da polícia do meu pai. Existe o loto-azul e o azul anil. Existem meus olhos e o meu nome. [...] Existem as gaivotas, diz ele, as andorinhas-do-mar, as cegonhas e as cacatuas. Existem as paredes deste quarto e o lençol da minha cama. Existem os lírios do campo, os cravos e as pétalas das margaridas. Existe a bandeira da paz e o luto na China. Existe o leite materno e o sêmen. Existem os meus dentes. Existe o branco dos meus olhos. Existe a savelha, o pinheiro branco e os cupins. Existe a casa do presidente e a roupa do medico. Existem mentiras brancas e cheques em branco. [...] sem titubear, ele passa para o preto, começando com a lista negra, o mercado negro e a ovelha negra. Existe a noite sobre Nova York, diz ele. Existe o futuro negro. Existem os corvos e as uvas pretas, os blecautes e a mancha negra, a Terça-Feira Negra e a Peste Negra. Existe a magia negra. Existe o meu cabelo. Existe a tinta que sai de uma caneta. Existe o mundo que o cego vê. [...] Mas a história ainda não terminou. [...] O mundo é assim: nem um instante a mais, nem um instante a menos. [...] para onde vai depois, não importa. Pois devemos ter em mente que tudo isso ocorreu mais de trinta anos atrás, no tempo da nossa infância. Portanto, tudo é possível. Pessoalmente, prefiro imaginar que Blue foi para longe, embarcando em um trem naquela mesma manhã e seguindo para o oeste a fim de começar uma vida nova. É até possível que na América não seja o ponto final de sua viagem. Em seus sonhos secretos, gosto de imaginar Blue comprando uma passagem em um navio e viajando para a China. Pois então,q eu seja a China, e vamos deixar as coisas nesse pé. Pois agora é o momento em que Blue se levanta da cadeira, põe o chapéu na cabeça e cruza a porta. E, deste momento em diante, nada mais sabemos.
Trechos do livro Fantasmas (Planeta De Agostini, 2003), o segundo do premiado A trilogia de Nova York, do escritor e cineasta estadunidense Paul Auster,
Contando a história de um detetive que investiga um certo homem, escrevendo e enviando relatório ao contratante, findando frustrado pelas exigências de vigilância contínua do trabalho, esquecendo-se de sua própria vida. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Sou mato, sou mata, sou Mata Atlântica, A hora dos ruminantes de José J. Veiga, a música de Peter Scartabello, o teatro popular de Augusto Boal, a pintura de Georges Rouault & Tom Fedro, a arte de Pristine Cartera & Patricia Galvão – Pagu aqui.

E mais:
Todo homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão, Aracelli de José Louzeiro. Violência doméstica e sexual de Lucidalva do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a Mulher, Gershwin & Geneviève Salamone, a arte de Yukari Terakado & Nina Kuriloff, Marcha das Vadias & O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão aqui.
Brincarte do Nitolino, As regras humanas de Peter Sloterdijk, Viagem da noite de Louis-Ferdinand Céline, Aprendizagem do ator de Antonio Januzelli – Janô, a arte de Barbara Parkins & Sharon Tate, a dança de Isadora Duncan, a pintura de Georges Rouault & a música de Ivete Sangalo aqui.
Espera & Primeira Reunião, Glosas críticas de Karl Marx, Sóror Saudade de Florbela Espanca, a música de Maki Ishii, o teatro pedagógico de Arthur Kaufman, Musicoterapia de Rolando Benezon, o cinema de Silvio Soldini & Licia Maglietta, a pintura de Carl Larsson & o atletismo de João do Pulo aqui.
Traquinagens do amor, a pintura de Rodolfo Barral & Programa Tataritaritatá aqui.
A afetividade & a pedagogia do afeto & Sabedoria popular de Valério Arcary aqui.
Ética & moral aqui.
Ascenso Ferreira: Oropa, França & Bahia aqui.
A poesia de Mariza Lourenço aqui.
A imprensa e o Dia Mundial da Comunicação aqui, aqui, aqui. aqui & aqui.
A saúde no Brasil & o Dia do Serviço de Saúde aqui, aqui, aqui, aqui. aqui, aqui, aqui. aqui & aqui.
Diálogo entre ninguém e coisa alguma, a música de Cláudio Santoro & Lilian Barreto, Natália de Jussara Salazar, a pintura de Viktor Lyapkalo $ Aprumando a conversa aqui.
A menina morta, o pai assassino, Debaixo da ponte de Dalton Trevisan, a música de Caetano Veloso & Ute Lemper, a escultura de Jeff Koons, a arte de Jemima Kirke & Dani Acioli, Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é aqui.
A avareza perde valia quando a vida vai pro saco, Saúde no Brasil, a arte de Vik Muniz, a música de Júnior Almeida & Nada satisfaz e a querer sempre mais e mais aqui.
Entre o científico-racional e o estético-emocional, Física do estado sólido de Gert Eilenberger, a música de Chico Mário, a arte de Wesley Duke Lee, a pintura de Delphin Enjolras & a fotografia de Otto Stupakoff aqui.
Quem vai pra chuva é pra se molhar, Da competição à cooperação de Pierre Weil, a música de José Miguel Wisnik, a arte de Jasper Johns & George Segal, Na lei da competição só se colabora pra vencer, o resto é conversa pra boi dormir aqui.
Sobrevivente de dezembro a dezembro, a literatura de Elfriede Jelinek, a música de Björk, o cinema de Michael Haneke & Isabelle Huppert, a arte de Odawa Sagami & Márcia Porto, Quem sabe tudo dará certo até certo ponto ou não aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
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PURO DESEO & OUTRO TEATRO DE LUCIANA ACHUGAR
A arte da premiada coreógrafa uruguaia Luciana Achugar, nos espetáculos Puro Deseo (2010) e Outro Teatro (2014).

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Curtindo o álbum Contando Histórias da cantora Marisa Ricco.
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Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sexta-feira, maio 26, 2017

O LIVRO VERMELHO DE JUNG, A MÚSICA DE LÍVIO TRAGTENBERG, A ARTE DE LUCIAH LOPEZ & TUDO DELA PRA MIM

TUDO DELA PRA MIM - Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Fui ao reino das palavras, encontrei seu ninho e sua fonte. Catei uma a uma e as reuni como num quebra-cabeça, tentando expressar os mais completos sentimentos e emoções. A cada frase colhida, em outra era refeita, muitas e tantas emanações de sentidos, capazes de demonstrar aquilo que eu sentia e queria falar. Ao cabo de horas e horas, muitas frases e tantos versos, o âmago e a fala eram uma só: a busca da poesia. Quanto mais tempo dedicado, mais a fala do íntimo se mostrava insuficiente, não bastava, queria mais e mais. Por mais que traduzissem meus sentimentos e emoções, faltavam para completar o que queria ser dito, talvez o indizível de cada ato, o subjacente a cada ação, a plenitude do verbo. Palavras, versos, a fala e nenhuma delas capazes de representar o tanto dela pra mim, incapazes de exprimir a plenitude do beijo amante no encontro dos lábios, nem o abraço no abrigo dos sentimentos mútuos, nem a entrega dos corpos na completude do amor. Se havia palavras e versos, ela era a poesia inteira que eu precisava descobrir e ser capaz de apreender a carga das emoções e sentimentos na sua feitura, no seu ser, e a cada releitura, uma nova compreensão e outras complementares, nunca completa, algo escapava da minha finitude. Mas a mim o privilégio de captar do que era dela naquele instante, o que podia capturar nela no que é ela pra mim. Vi-me incapaz de dizer e apreender tudo, nada se mostrava capaz de reproduzir o prazer que ela me proporciona e me faz sonhar de olhos abertos. Porque ela me dá seus lábios com o hálito da querência no batom sedutor que me lambuza a gula do sexo aceso, e com seus braços me abriga como o agasalho de cobertor pra quem está morrendo de frio, e seu corpo me entrega esquentando a alma e incendiando quereres, e suas pernas se enroscam ao meu atrevido ímpeto de desfrutar o quinhão que mereço pras degustações esbaldadas nas incursões mais íntimas do seu território escancarado, pronto pras investidas do que sou inteiro e invasivo. É ela o vulcão que incendeia minha volúpia e entra em erupção com a minha chegada consentida ao porto de suas terras abundantes, dela se fazer Parsifae pra que eu me tornasse o Touro de Poseidon na fúria dos seus desejos incontroláveis. E se fez Beatriz para que eu qual Dante no céu e inferno de sua nudez paradisíaca, me fizesse jardineiro escolhido para colher no jardim de suas praças abundantes, a bela e rubra flor guardada pra mim no rubor do seu mais intenso e louco furor de prazer. E se fez Dulcineia a me chamar por Quixote, ensinando caminhos por seu agudo decote umbigo abaixo, pra que eu enfrente os moinhos do seu vestido e descobrir entre as coxas roliças o seu mais precioso archote flamejante. E se fez Maria pra que fosse João a levá-la atrás da moita com jeitinho galante, e mais afoito meter-me embaixo da saia com os carinhos buliçosos pra ela ir pra lua, olhos revirando e a pedir mais e de novo uma nova viagem sideral. É nela que o reino das palavras expõe a fonte e todos os seus ninhos para que eu seja poeta com todos os versos de sua carne e a cometer a poesia de sua alma conquistada que é minha e só minha, como se dela pra mim tudo fosse ela e nela eu sou o que é tudo dela pra mim. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

O LIVRO VERMELHO DE JUNG
[...] A imagem do mundo é a metade do mundo. Quem possui o mundo, mas não sua imagem, possui só a metade do mundo, pois sua alma é pobre e sem bens. [...] Quem possui a imagem do mundo possui a metade do mundo, mesmo quando seu humano é pobre e sem bens [...] Meus amigos, é sábio alimentar a alma, senão criareis dragões e demônios em vossos corações [...] Eu devo também elevar-me acima de meus pensamentos ao encontro de meu próprio si-mesmo. Para lá vai minha viagem e, por isso, ela conduz para longe das pessoas e das coisas, à solidão. [...] Nenhuma cultura do espírito é suficiente para fazer de tua alma um jardim [...] A alma tem seu mundo que lhe é próprio. Nele só entra o si-mesmo, ou a pessoa que se tornou totalmente seu si-mesmo, que, portanto, não está nas coisas, nem nas pessoas e nem em seus pensamentos [...] Uns preferem o pensar e baseiam sobre ele a arte da vida. Exercitam seu pensar e sua cautela, e perdem assim seu prazer. Por isso são velhos e têm o rosto severo. Outros amam o prazer, exercitam seu sentir e vivenciar. Perdem assim o pensar. Por isso são jovens e cegos. Os que pensam baseiam o mundo sobre o pensado, os sensitivos, sobre o sentido. Tu encontras verdade e erro em ambos [...].
Trechos extraídos da obra O livro vermelho (Liber Novus - Vozes, 2010), do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), escrito com texto caligráfico e diversas ilustrações do próprio autor, mantido inédito até 2009. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Os feitiços da paixão, Ação cultural para liberdade de Paulo Freire, A Poesia Viva do Recife, Aforismos de Oscar Wilde, Imã da Cia de Dança Corpo, a música de Yanto Laitano, a pintura de Ericka Herazo & Ernst Ludwig Kirchner, a arte de Steve Justice & Larry Carlson aqui.

E mais:
Pensando o ritual de Mario Perniola, Entre nós de Emmanuel Lévinas, Teatro em síntese de Maria Helena Kühner, a música de Sivuca & Orquestra Sinfônica do Recife, Livro das Incandescências de Jaci Bezerra, a pintura de Emanuel Leutze, Sexo com amor de Wolf Maia & Maria Clara Gueiros, a fotografia de Dorothea Lange & Programa Tataritaritatá aqui.
A explosão do prazer no Recife, Paixão e razão de Gaston Bachelard, A educação de Rubem Alves & John Dewey, Matéria de poesia de Manoel de Barros, História da Literatura Ocidental de Ottto Maria Carpeaux, Meu exílio de Luiz Ruffato, o frevo de Luiz Bandeira, O lixo de Marcelino Freire & Quando o verso acaba de Armando Freitas Filho aqui.
Febeapá de Stanislaw Ponte Preta aqui.
Felicidade clandestina de Clarice Lispector, o pensamento de Raimond Bernard, A interpretação dos sonhos de Sigmund Freud, O saber & a liberdade Hilton Japiassu, Fundamento da psicanálise de Horácio Etchegoyen, Interfaces psicanalíticas de Renato Mezan & Técnica Psicanalítica de David Zimerman aqui.
A administração e as organizações aqui.
A corrupção come no centro e a gente é quem paga o pato sempre, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, a fotografia de Sebastião Salgado & Depois da farra a corda só arrebenta pra precipício dos que estão de fora aqui.
Há um ano, a música de Ná Ozetti, a pintura de Fernando Rosa, a arte de Luciah Lopez & Quem não sabe ver é mais fácil de enrolar aqui.
A velhice não é o fim do mundo, a poesia de William Butler Yeats, a música de Antônio Nóbrega & a fotografia de Spencer Tunick aqui.
A criança em mim resiste, a música de John Cage & Martine Joste, a escultura de Valentim da Fonseca e Silva, a fotografia de Marta María Pérez Bravo & Dê-me a sua mão, as minhas são suas aqui.
Vamos aprumar a conversa, O sono interrompido de Arthur Schopenhauer, a música de Catherine Ribeiro & a arte de Natalia Goncharova aqui.
A vida passa e a história se repete, a pintura de Alfredo Volpi, a literatura de Edith Wharton, a música de Xheni Rroji, a pintura de Avigdor Arikha & a arte de Gillian Leigh Anderson aqui.
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A MÚSICA DE LÍVIO TRAGTENBERG
Entre as muitas obras do premiado compositor e saxofonista Livio Tragtenberg, destaco o álbum Pasolini Suite/ Hänsel Und Gretel Suite (Tratore, 1996), o livro Artigos musicais (Perspectiva, 1991), o livro/cd Música de Cena: Dramaturgia Sonora (Perspectiva, 1999) e o álbum Através da janela (Demolições Musicais, 2000), em parceria com Wilson Sukorski. O autor escreve música para teatro, cinema, vídeo, dança e instalações sonoras, incluindo obras instrumentais, sinfônicas, eletroacústicas e ópera.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
me mata de prazer
na ponta da sua língua
___________
escreva seu poema obsceno
faça poesias e versos
pelo meu corpo
vira e revira até a exaustão e inscreva o seu gozo
na intimidade vermelha da minha carne(sua)
Quinto dia, poema/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
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quinta-feira, maio 25, 2017

APESAR DE TUDO DE DIDI-HUBERMAN, ESCULTURA DE HODGES BAILY, A ARTE DE KÊNIA BASTOS & ELOGIO AO CONTRIBUINTE

ELOGIO AO CONTRIBUINTE - Pra se livrar das broncas, cada um dos brasileiros e brasileiras desse nosso Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, tem que pagar o pato. O dele e o dos outros. Sim, exatamente. E isso é compulsório, inescapável. Paga pra nascer, pra viver e até pra morrer – se morrer, menos um apenas, quem ficar que lasque, né? Tudo é ilegal se favorável pra gente; do contrário, tudo é ilegal. Afinal, lei, na vera, é só um pedaço de papel arrodiado de sanções por todo lado só pra foder a vida da gente. Pode conferir: a gente é engalobado a pagar até o que não se deve, quanto mais o dos outros que foram contemplados com as benesses de verbas públicas em empréstimos ou concessões do tipo 0800, frete FOB e a fundo perdido. Sim, isso e muito mais! Por exemplo: para azeitar engrenagens e disfuncionalidades burocráticas do serviço público ou privado, ôia pra quem for o birozado, senão a coisa emperra de quase desaparecer pra nunca mais o que era tido por direito adquirido e findou prescrito. Pra descongestionar o direito de ir e vir no trânsito ou rodovia qualquer, bola pro guarda ou patrulheiro, senão de um nada a gente vira de simples infrator com tudo nos trinques pra contraventor de todas as previsões penais na horinha. Duvida? Ah, não pague pra ver! Pois é, pra manter o negócio que seja, mantido pelos sacrifícios e tinos empreendedores, lembre-se: tocos pros fiscais de renda, da prefeitura e do que for do Fisco e afins, afora oficial de justiça e outras trepeças, senão a gente se vê lavrado em autos de infrações ou mandados de execução com penhora ou arresto, prontos para sermos incursos nas penas do desacato à autoridade com formação de quadrilha, sonegação e o diabo a quatro. Ué? Isso mesmo! Eles nos chantageiam e a gente que é o infrator. Isso sem falar nas suspeitas de gato na eletricidade, jacaré na água e toda fauna ilegal pra nos levar pro cúmulo das condenações, aí o troço embica de vira bundacanasca, porque tem de contar com honorários pros advogados que comem dos dois lados, agrado pras visitas policiais, doações para manutenção dos políticos nos cargos, afora impostos de toda sorte, todos nomeados de tributos como taxas, emolumentos, custas, guias de recolhimento, etc e tal, tudo a mesma coisa e só pra chamar a gente de besta e ficar caladinho, senão, senão. Fique logo carequinha de saber de cor e salteado: pra ser atendido pra saúde ou qualquer coisa do interesse da gente, propina a granel. Não se esqueça da gorjeta pro garçom. Pague-se por baixo dos panos, viu? Não teime, ou será aquela de mãos pro alto, sacou? Nem insista, senão verá o sol quadrado por desobediência civil. Tenha logo a ciência de que se for contra a gente, serão ágeis, meticulosos, inexoráveis, pronto a gente fodido por e por mil. Se for a favor, ah, tenha esperança, ela nunca morre mesmo que a gente bata as botas e deixe tudo pra arenga dos herdeiros ou pro erário público assim de graça. Não reclame, oh, pelamordedeus, não reclame! Procure do jeitinho e, se não der, valha-se de agiotas e livre-se o mais depressa deles. Oh, praga dessa, não é só mais uma. Ah, mas não se ofenda, oh, não se ofenda, nem adianta sair de armadura pela insegurança, pela crueldade, grosseria, aspereza, escárnio, violência institucional – esse é grosso que só papel de enrolar pregos, meu! Seja razoável, não seja pão-duro, há sempre quem se ache perversamente superior ali, a nos ver tão insignificante quanto indesejáveis, mesmo que passem por amáveis fora do trabalho ou invisível pomba-lesa no lar, mas ali, no cargo, no trono dele, ah, se transformam no maior algoz da humanidade, vez que entendem que são pagos para atrapalhar nossa vida, subjugando ao poder de ferrar com a gente arrebentando tudo com toda impostura. Ah, não se desaponte, saiba que só haverá facilidade pros que fazem parte da panelinha. Está dentro? Uma vez do lado de fora, nunca haverá lado de dentro pra privilégios, só pros a favor, os que se humilharam reduzidos a insetos, passaram no teste da goma e da fidelidade – mesmo que no dia seguinte troquem de chefe como quem tira a ceroula pro enrabamento e faça da gente penicos pras suas excreções. Mantenha a calma, não se inflame, oh não se aborreça, tente manter a sua vida decorosa e aprovada pela sociedade, sem nunca ter de pensar que não viveu como devia, mesmo que não tenha gordos salários nem amigos importantes, pelo menos assim a mordida do Leão é maior para torná-lo hipossuficiente! Não é bom? Pois é, já dizia Mateus 13:13, console-se, por isso quanto mais se ganha, menos se paga; e se for ricão é isento. Já imaginou? Pense assim: a vida não pode ficar melhor do que está, mesmo que se veja impotente em mudar ou vulnerável a qualquer ameaça miúda, ou mesmo vítima de estratagemas inimagináveis, que ao redor seja uma só catástrofe, que se ache passando pro provações que não são justas, privações medonhas e com a impressão de que tudo é surrupiado com práticas pouco honestas, ah, nem ligue, é tudo corrupção mesmo, abuso de autoridade, desvio de poder, se estivesse lá você faria o mesmo, não acha? Calma, não fique furioso, oh, não vire bicho, tente aprender a lidar com isso. Uma vez vencido, perdedor até morrer. Quem mandou? Mantenha-se na ilusão da estabilidade – a vida dá voltas. E como dá, hem? Leve em conta que a gente contribui para que tudo funcione, por bem ou mal, ou ao contrário do que se espera, o que fica de mesmo é a honradez de contribuir pra tudo isso que está aí, já pensou? Você também é responsável. E viva o contribuinte que somos todos nós! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

APESAR DE TUDO DE GEORGES DIDI-HUBERMAN
[...] Não se pode falar do contato entre a imagem e o real sem falar de uma espécie de incêndio. Portanto, não se pode falar de imagens sem falar de cinzas. As imagens tomam parte do que os pobres mortais inventam para registrar seus tremores (de desejo e de temor) e suas próprias consumações. Portanto é absurdo, a partir de um ponto de vista antropológico, opor as imagens e as palavras, os livros de imagens e os livros a seco. Todos juntos formam, para cada um, um tesouro ou uma tumba da memória, seja esse tesouro um simples floco de neve ou essa memória esteja traçada sobre a areia antes que uma onda a dissolva. Sabemos que cada memória está sempre ameaçada pelo esquecimento, cada tesouro ameaçado pela pilhagem, cada tumba ameaçada pela profanação. Assim, cada vez que abrimos um livro — pouco importa que seja o Gênesis ou Os Cento e Vinte Dias de Sodoma —, talvez devêssemos nos reservar uns minutos para pensar nas condições que tenham tornado possível o simples milagre de que esse texto esteja aqui, diante de nós, que tenha chegado até nós. Há tantos obstáculos. Queimaram-se tantos livros e tantas bibliotecas12. E mesmo assim, cada vez que depomos nosso olhar sobre uma imagem, deveríamos pensar nas condições que impediram sua destruição, sua desaparição. Destruir imagens é tão fácil, têm sido sempre tão habitual [...] Nisto, pois, a imagem arde. Arde com o real do que, em um dado momento, se acercou (como se costuma dizer, nos jogos de adivinhações, “quente” quando “alguém se acerca do objeto escondido). Arde pelo desejo que a anima, pela intencionalidade que a estrutura, pela enunciação, inclusive a urgência que manifesta (como se costuma dizer “ardo de amor por você” ou “me consome a impaciência”). Arde pela destruição, pelo incêndio que quase a pulveriza, do qual escapou e cujo arquivo e possível imaginação é, por conseguinte, capaz de oferecer hoje. Arde pelo resplendor, isto é, pela possibilidade visual aberta por sua própria consumação: verdade valiosa mas passageira, posto que está destinada a apagar-se (como uma vela que nos ilumina mas que ao arder destrói a si mesma). Arde por seu intempestivo movimento, incapaz como é de deter-se no caminho (como se costuma dizer “queimar etapas”), capaz como é de bifurcar sempre, de ir bruscamente a outra parte (como se costuma dizer “queimar a cortesia”; despedir-se à francesa). Arde por sua audácia, quando faz com que todo retrocesso, toda retirada sejam impossíveis (como se costuma dizer queimar os navios”). Arde pela dor da qual provém e que procura todo aquele que dedica tempo para que se importe. Finalmente, a imagem arde pela memória, quer dizer que de todo modo arde , quando já não é mais que cinza: uma forma de dizer sua essencial vocação para a sobrevivência, apesar de tudo. Mas, para sabê-lo, para senti-lo, é preciso atrever-se, é preciso acercar o rosto à cinza. E soprar suavemente para que a brasa, sob as cinzas, volte a emitir seu calor, seu resplendor, seu perigo. Como se, da imagem cinza, elevara-se uma voz: “Não vês que ardo?”.
Trechos de Quando as imagens tocam o real (Eba/UFMG, 2012), do filósofo, historiador, crítico de arte e professor francês Georges Didi-Huberman, autor da obra Imagens apesar de tudo (KKYM, 2012), tratando sobre a ação de fotógrafos durante o processo de extermínio em Auschwitz-Birkenau, da qual destaco os trechos seguintes: [...] Para saber, há que imaginar [...] “Foi aqui”. O “foi” nos impede de esquecer o Outrora terrível dos campos, ele nos impede de acreditar que o presente só tem contas a prestar com o futuro. O “aqui” nos impede de mitificar ou sacralizar esse Outrora dos campos, o que significa distanciar e, de certo modo, se livrar dele. [...] Esta expressão denota a dilaceração: o tudo reenvia para o poder de condições históricas para as quais ainda não conseguimos encontrar resposta; o apesar resiste a esse poder unicamente pela potência heurística do singular. É um ‘clarão’ que rasga o céu quando tudo parece perdido [...] um cineasta que conhece melhor que ninguém – e não cessa de demonstrar, de desmontar – a manipulação e o ‘tratamento’ que as imagens técnicas fazem padecer o real? Isso é possível, isso é justamente necessário como o apesar de tudo é necessário para objetar algo – uma exceção – ao tudo. [...]. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Juramento, O passado e o futuro de Hannah Arendt, a poesia de Federico Garcia Lorca, Memorável viagem ao Brasil de Johan Nieuhof, a música de Gabriel Pareyon, a pintura de Leonid Afremov & Vera Rockline, a fotografia de Lionel Wendt, a arte de Rufino Tamayo & Sergio Ramirez aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa, A Divina comédia de Dante Alighieri, Ensaios de Ralf Waldo Emerson, a música de Mikko Härkin, o teatro de Luigi Pirandello, Macunaíma de Mário de Andrade, a pintura de Mark Gertler & a arte de Guido Crepax aqui.
Os amores de Edneimar, a viúva negra, o cinema de Edward Yang & Elaine Jin, A pintura de Pino Daen & Norman Lindsay, a música de Iara Rennó & Tudo quanto pode o sonho, pode o amor provar aqui.
Se essa rua fosse minha, Manuscrito de Felipa de Adélia Prado, a música de Chiquinha Gonzaga & Clara Sverner, a arte de Luciah Lopez & Quem sabe a vida o amor que nos faz vivo aqui.
Quem vê cara, não vê coração, a música de Fany Solter, a fotografia de Jack Mitchell, a pintura de Fabien Clesse, a arte de Valmir Singh & Entre tombos & topadas a gente leva a vida aqui.
Erotismo & pornografria, o tamanho da hipocrisia, O Sartor Resartus de Thomas Carlyle, a poesia de Ferreira Gullar, a música de Maria Gadú, a gravura de Edmund Joseph Sullivan, a arte de Nadir Afonso & A alegria imensa para um, dois, ou mais, todos aqui.
A ansiedade, a depressão & a medicalização, a  literatura de José Cândido de Carvalho, a música de Schuman & Maria Clodes Jaguaribe, a arte de Shirley Paes Leme & Aldemir Martins, Na festa das vitrines, tudo é do umbigo e o bolso furado no âmago aqui.
E se vem ou vai, eu voou, a música de Jehane Saade, a arte de Manuel Pereira da Silva & Paula Rego aqui.
Festa do dia 8 de dezembro, lavando a jega, a poesia de Florbela Espanca, a escultura de Camille Claudel, a música de Alaíde Costa, a arte de Militão dos Santos & Tatiana Grinberg, Quando tudo se desapruma a farra é só pro desgoverno aqui.
O fulgor do amor, Caminhos cruzados de Érico Veríssimo, a música de Jorge Drexler, a arte de Luciah Lopez & O amor premia o final de semana aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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QUASE TUDO & A ARTE KÊNIA BASTOS
Seu perfume 
é energia eminente,
sutileza
e conseqüência
dos seus traços
marcantes
Sua presença
inebria meus olhos
intensidade e ternura
emoção e milagre
a soma e a mistura
de uma louca
miragem
quase sonho
quase realidade
um pouco de tudo
até saudade
Quase tudo, poema da poeta, professora e artista visual/virtual Kênia Bastos.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Imagens: arte do escultor inglês Edward Hodges Baily (1788-1867).
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quarta-feira, maio 24, 2017

ESTABELECIDOS & OUTSIDERS DE NORBERT ELIAS, O APRENDIZ DE GERARDO MOURÃO, AS BAILARINAS DE ALEX KRIVTSOV, DIAS & NOITES A FIO

DIAS & NOITES A FIO – Noites e dias a fio, a minha teia de Penélope pelo fio de Ariadne, passo a passo inventando sonhos na urdidura dos dias, nos labirintos da noite, entre telhados e luas na procela das horas. Aos indiferentes minha saudação e muito obrigado. Aos renitentes, eu aceno: sigam em paz. Aos que não sabem com seus olhares perdidos e mãos à cabeça, sou solidário. Histórias sem fim emolduram o presente, vou entre sarcasmos e risos acanhados como quem estivesse pronto para dar conta do recado e não estava, como quem tivesse poupado quando todos necessitavam, como quem resistiu à tentação das seduções diabólicas de vender a alma e sair debulhando um a um dos que achava odientos ou praticantes nefandos de heresia, como quem resistisse às duras penas e mesmo sangrando escoriações do tempo, chegasse ao destino que jamais soubera, com a vida sobrecarregada de lugares-comuns na teimosia de competir contra o mundo inteiro, não logrando êxito e ainda conseguir sorrir. Tanto faz como tanto fez, quando o firme é mais que falso, não faz a menor diferença se entre ruínas e trivialidades, remorsos não saram feridas: é lamber os talhos e seguir adiante até o fim da linha, saindo ou não dos eixos, aos descompassos, fio de prumo no desnível, como quem vive no mundo da lua e à beira vertiginosa e abissal das iminentes quedas ao fundo do poço, cavernas que criei para inventar o Sol, porque toda ida é sempre volta no contorno das pedras. Se eu tivesse mais uma chance, seria mais que o improvável, não seria nada de mais ou de menos, o olho erra o alvo e acerto quando menos aprumo. Apenas vivo no presente, tudo passa e fiquei só dias e noites a fio. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

ESTABELECIDOS & OUTSIDERS DE NORBERT ELIAS
[...] O grupo estabelecido tende a atribuir ao conjunto do grupo outsider as características ‘ruins’ de sua porção ‘pior’ – de sua minoria anômica. Em contraste, a auto imagem do grupo estabelecido tende a se modelar em seu setor exemplar, mais ‘nômico’ ou normativo – na minoria de seus melhores membros [...] A peça central dessa figuração é um equilíbrio instável de poder, com as tensões que lhe são inerentes. Essa é também a pré-condição decisiva de qualquer estigmatização eficaz de um grupo outsider por um grupo estabelecido [...] quando o diferencial de poder é grande e a submissão inelutável, vivenciam afetivamente sua inferioridade de poder como um sinal de inferioridade humana [...].
Trechos de Os estabelecidos e os outsiders, do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990), extraído da obra Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade (Zahar, 2000), de Norbert Elias e Johan L. Scotson, abordando sobre as relações de poder em uma cidade interiorana da Inglaterra, com análise de questões como a violência, a discriminação e a exclusão social. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Entre topadas e sonhos, A poesia completa de Ledo Ivo, Esferas de Peter Sloterdijk, Linguagem poética de Jean Cohen, a música de Miguel Álvarez-Fernández, a coreografia de Pina Bausch & a pintura de María Blanchard aqui.

E mais:
Brincarte do Nitolino, Holismo & evolução de Jan Christiaan Smuts, a poesia de Joseph Brodsky, a música de Bob Dylan, o teatro de Gianfracesco Guarnieri, o cinema de Leon Hirszman, a pintura de Jacopo Pontormo & a arte de Helena Ranaldi aqui.
Finanças públicas aqui.
Sulina, a opulência da beldade, Viventes das Alagoas de Graciliano Ramos, Mídia & cultura de Douglas Kellner, a música de Ronaldo Bastos, o pensamento de Horácio, Rede de Arame de Wanda Cristina da Cunha, o teatro de Lavinia Pannunzio & Regina França, o cinema de Andrew Niccol Uma Thurman, a pintura de André Derain & Cindy Sherman, Todo dia é dia da mulher & a arte de Thaís Motta aqui.
Todo dia é dia da mulher, a literatura de Mário Quintana, Os contos tradicionais de Luís da Câmara Cascudo, o pensamento de Voltaire, A comunicação de Juan Diaz Bordenave, o teatro de Sérgio Roveri & Tuna Dwek, o cinema de François Truffaut & Jeanne Moreau, a música de Daniela Spielmann, a poesia de Gerusa Leal, a pintura de Anita Malfatti & Hans Temple aqui.
A mulher na antiguidade, Berenice de Edgar Allan Poe, O fio da navalha de Louise Glück, A quântica de Max Planc, O diário de Adão & Eva de Mark Twain, Foco & sucesso de Daniel Goleman, a música de Shirley Horn, o cinema de Alain Berliner & Demi Moore, a arte de Alessandra Cavagna, a pintura de Edouard Manet & a gravura de Johann Theodor de Bry aqui.
Leolinda Daltro & Todo dia é dia da mulher aqui.
A mulher nos primórdios da humanidade, A mulher grega de Friedrich Engels, A época da inocência de Edith Wharton, Sou a flor de Maria Polydouri, Virginia Woolf & Paula Picarelli, a música de Sainkho Namtchylak, o pensamento de Horácio & Jean de La Fontaine, o cinema de Michael Haneke & Juliette Binoche, A instrução dos amantes de Inês Pedrosa, a pintura de Jean-Léon Gérôme & a arte de Hanna Cantora aqui.
Derluza & a saúde na Justiça, Jardim morto de Federico García Lorca, Filosofia na alcova de Marquês de Sade, a poesia de Robert Burns, O sexo na História de Reay Tannahill, a música de Radamés Gnatalli & Fernanda Chaves Canaud, o pensamento de Virgílio, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Sebastian Llobet Ribas, a arte de Jules Ralph Feiffer & Chilica Contadora de Histórias aqui.
A mulher na Roma Antiga, Uma rosa para Emily de William Faulkner, A mulher e o patriarcado Helena Iara Bongiovani Saffioti, a música de Jacqueline Du Pre, o pensamento de Victor Hugo, Elizabeth Short & Mia Kirshner, a arte de Carmen Tyrrel, a escultura de Jean-Baptiste Pigalle, Lenita Estrela de Sá & Lia Helena Giannechini aqui.
As duas mortes de Dona Zezé, Violência contra a mulher de Maria Amélia de Almeida Teles e Monica Melo, a música de Jane Birkin, o pensamento de Jacques-Antoine-Hyppolyte, a pintura de Rafael Hidalgo de Caviedes, a poesia de Diva Cunha, o teatro de João Caetano dos Santos, o cinema de Joel Coen & Frances McDormand, a arte de Frank Miller & Maria de Medeiros, Fernando Fiorese, Regina Souza Vieira & Deize Messias aqui.
A mulher no Cristianismo, O caso das camas de Fernando Sabino, A responsabilidade dos relacionamentos afetivos de Ana Cecília Parodi, a música de Francisco Mignone & Lilian Barreto, a poesia de Germana Zanettini, o teatro de Adrienne Lecouvreur, o cinema de Júlio Bressane & Bel Garcia, Teodora & Marózia, a arte de Rodrigo Luff & Manoela Afonso aqui.
As sombras de Gilvanícila, O barão de Itararé de Fernando de Brinkerhoff Torelly, a música de The Dresden Dolls, o pensamento de Juvenal & Voltaire, Heloisa de Paráclito, a poesia de Claudia Pastore, o teatro de Mademoiselle Clairon, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Rosel Zech, a pintura de Ângelo Cantú, a arte de Demócrito Borges & Isabela Morais aqui.
A mulher da Idade Média, A cidade de Ulisses de Teolinda Gersão, Mulher & gênero de Cecília Toledo, Ser humana de Marcia Moraes, a música de Johann Joachim Quantz & Verena Fischer, a literatura de Naoki Higashida, o teatro de Marie Dumesnil, o cinema de Fritz Lang & Anne Baxter, a pintura de Georges Rouault & Siron Franco, Benita Prieto & Maisa Vibancos aqui.
Mulher & Solidariedade, A mulher medieval de Andreé Michel, o teatro de Mademoiselle Mars, a música de Joyce, o pensamento de Sêneca, O florista de Nilza Amaral, O Tristão de Dilercy Adler, o cinema de Neil Jordan & Ruth Negga, a pintura de Paulo Paede, a arte de Julia Crystal & Claudinha Cabral aqui.
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O APRENDIZ DE GERARDO MELLO MOURÃO
Não mais a Musa não mais
Teresa ou Isabel
e o príncipe devasso?
e o domador de fêmeas?
e o pretendente e o palácio
da mulher de Ulisses?
Galerias de cal
no hospital de Cleveland:
Enfermeiras e a neve e o ouro desses cabelos
e a bainha engomada dessa roupas de linho
por cama e câmara esvoaçam
aprendizes de anjo;
na boca morde termômetro de vidro
aprendiz de defunto.
O aprendiz, poema extraído da obra Cânon & fuga (Record, 1999), do poeta, jornalista, tradutor e biógrafo Gerardo Mello Mourão (1917-2007). Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
As bailarinas do fotógrafo Alex Krivtsov.
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