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quinta-feira, outubro 04, 2018

CAMUS, ANTÓNIO JACINTO, MARCO PEREIRA, CIDADE & SAÚDE, JAGODZINSKI, SLAVA FOKK & DECILDITA


DO QUE VAI ATÉ SER – Imagem: Beautiful Tulip (2018), do artista visual russo Slava Fokk. - Decildita, a Dinha pros de casa e achegados, sonhava muito, demais até de olhos abertos, abstraída em seus pensamentos. Era a caçula de seu Moedicio e dona Juvitacia, casal mais tratado por Juva e Momó, os que mimavam a menina que vivia de conversa com bichos e coisas, tinha até uma pedra de estimação, a comadre Ita, em altos papos, diziam dela não bater bem da bola, pois ela queria ser cientista desde que articulou a primeira frase da infância. Tanto é que ao falar pela primeira vez na vida, ao invés de mencionar papai ou mamãe, ela chamou por Mogéria e todos caíram o queixo no chão: era o nome da irmã dela que morrera com um ano de idade e com os dedos enfiados na tomada elétrica. Na verdade, antes dela, os cônjuges tiveram três filhos: a Mogéria que morreu eletrocutada, a Mobutéria que morreu afogada no tanque do quintal, e o Mojuvigênio que nasceu de parto complicado, morre mas num morre acometido de não sei quantas enfermidades, até se segurar na vida lá pela adolescência. Razões essa de mudarem o nome da ultimogênita, em princípio nomeada Modecilda, mas na última hora fora registrada em cartório como sendo Decildita, providência que acham os esposos justamente por ela ter vingado, senão, senão. Para eles, mesmo assim, ela não escapou de umas esquisitices, logo levaram-na aos médicos de todas as especialidades e não havia diagnóstico pras doidices dela, talvez mitomania, não era, só numa sessão espírita descobriram: era a reencarnação de uma grande benfeitora. Deixaram no de menos e vigiavam os sonhos da menina que voava de olhos abertos ou fechados, e via as maravilhas e as misérias do mundo: Minha nossa! Coisas reais a assustavam: a mediocridade, a mesquinharia e o retrocesso, dela constatar em conversa miúda com os pais que a espécie humana, desde o Homo Sapiens, não havia evoluído nada, cada vez mais agarrada às coisas materiais e às turras uns com os outros, cada qual com sua idolatria milenar por deuses, anjos e arcanjos forjados na mentira e só pelo poder, nada mais, quanta intolerância, quanto ódio e impostura, sempre a mesma coisa, entra ano e saem décadas, séculos, milênios. Os genitores entreolhavam-se desconfiados para a tagarelice: seria genialidade ou doença mental, quem sabe. Ela acordava no meio da noite com pesadelos terríveis por enfrentar exércitos de zumbis num charco que era o quintal de casa que dava pro mundo, sabia ali o inferno que era aqui mesmo e não onde diziam os religiosos, ou com íncubus que lhe atentavam a carne com ameaça de morte, ou ainda, com a Perna Cabeluda, o Boitatá, Sacis e outros monstros que estavam escondidos embaixo da sua cama para atanazá-la. Haviam de confortá-la, protegê-la luz acesa a noite toda, agarrados nela, cantando e dengando para ver se dormia e ela não pregava o olho, assim, todo dia até já madura de anos. Já balzaquiana teve o primeiro aneurisma. Internada, sonhou a morte do pai. Queria por que queria sair dali pra saber dele que não aparecia às visitas. Um drama que durou bom tempo. Ao ter alta, convalescente: Cadê pai? Viajou, já era pra ter chegado. Ela pôs-se a chorar, a mãe e o irmão condoeram-se: Que houve, menina? Pai morreu. É impressão sua. Não, pai morreu, não temos notícias dele. Foram ver: o genitor agonizava indigente num hospital não sei onde. Num disse? Dias depois, o sepultamento. Aí ela passou um tempo sem sonhar, olhos abertos dias, meses, anos, pervigil: estava alerta sem pregar os olhos. Uns três ou quatro anos assim, até que teve o segundo aneurisma, sonhava caindo num buraco sem fim e foi bater no centro da Terra: era como o Verne tinha dito. E era atacada por cobras que voavam, por piranhas que emergiam do chão, presa num redemoinho a naufragar. Viu-se no centro do nada, quando uma esfinge viera anunciar a morte da sua mãe. Agoniou-se demais aos gritos à procura da figura materna que não aparecia para amainar sua dor. Despertou repentinamente chamando por ela e nada. Logo o irmão apareceu mencionando que a mãe estava internada no hospital e passava bem. Ela não aceitou, insistiu e, por mais que ele tentasse apaziaguá-la, irredutível, seguiram pro hospital: ela havia falecido durante a madrugada. Depois disso, outros tantos anos de vigilância sem conciliar o sono, até que numa tarde primaveril deitou-se e teve o terceiro aneurisma e sonhou que ia a Marte e de lá foi levada pelos planetas, fora da Via Láctea, e conhecido outros sóis e galáxias, até visualizar lá no finzinho do horizonte, seu irmão ser esmagado pelo tempo. Ela grita inutilmente. Ao se restabelecer corre pra casa e encontra o irmão sentado no batente: Sai daí, mano, sonhei você morrendo! Besteira, sonhe com os números da loteria pra gente ganhar uma bolada! Saia daí, mano. Deixa disso, mana. E ficaram nisso, até ela sair desconsolada. Mal dobrou a esquina, só ouviu o estrondo e o povo gritando: a casa desabou sobre o irmão, Mojuvigênio. Restava agora ela sozinha pelo mundo, procurando sentido pra vida, nem pode mais pintar os cabelos, acometida de uma tuia de aneurismas que não a deixa em paz, mesmo assim, feliz da vida e sorrindo à toa, só o que lhe resta, nada mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista, arranjador e compositor Marco Pereira: Bons encontros com Cristóvão Bastos, Instrumental com Ulisses Rocha, Ao vivo com Nico Assunção & Free Jazz Festival In Concert & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Metade da população mundial vive em áreas urbanas e suburbanas. Este fato tem sido causa frequente de preocupação, pois nas cidades há mais pobreza e exclusão social, fatores de iniquidade nos cuidados de saúde por maior dificuldade de acesso e também no bem-estar pelas condições inerentes ao ambiente urbano. [...]. Extraído da obra A cidade e a saúde (Almedina, 2007), coordenado por Paula Santana, evidenciando cientificamente a associação entre os problemas de saúde e o ambiente humano construído, ao apresentar que a cidade é ao mesmo tempo refúgio e ameaça, união e discriminação, proteção e agressão, procurando com isso morfologias e funcionalidades urbanas que ajustem a cidade ao homem.

GLOBALIZAÇÃO – [...] reconhecer a globalização das aparições humanas universais democráticas de justiça, igualdade, liberdade e independência para todos, isto é, uma cidadania planetária na qual o imperialismo, nas suas formas pós-coloniais, o patriarcado, os problemas ecológicos, as distinções de classes forjadas pelo capitalismo transnacional e os direitos de preferencias sexuais permaneçam em evidencia na pauta educacional. [...]. Trecho de As negociações da diferença: arte educação como desfiliação na era pós-moderna, do autor e professor PhD, Jan Jagodzinski, extraído da obra O pós-modernismo (Perspectiva, 2005), de J. Guinsburg & Ana Mae Barbosa.

O ESTRANGEIRO – [...] Então, não sei por quê, qualquer coisa se partiu dentro de mim. Comecei a gritar em altos berros, insultei-o e disse-lhe para não rezar. Agarrara-o pela gola da batina. Despejava nele todo âmago do meu coração com repentes de alegria e de cólera. Tinha um ar tão confiante, não tinha? No entanto nenhuma das certezas valiam um cabelo de mulher. Nem sequer tinha certeza de estar vivo, já que vivia como um morto. Eu parecia ter as mãos vazias. Mas estava certo de mim mesmo, certo de tudo, mais certo do que ele, certo da minha vida e da morte que se aproximava. Sim, só tinha isso. Mas, ao menos, agarrava essa verdade, tanto como essa verdade se agarrava a mim. Tinha tido razão, ainda tinha razão, teria sempre razão. Vivera de uma certa maneira e poderia ter vivido de outra. Fizera isso e não fizera aquilo. Não fizera determinada coisa, ao passo que fizera outra. E depois? Era como se, durante todo o tempo, tivesse esperado por esse minuto e por essa madrugada em que seria justificado. Nada, nada tinha importância, e eu sabia bem por quê. Também ele sabia por quê. Do fundo do meu futuro durante toda aquela vida absurda que eu levara, subira até mim, através dos anos que ainda não tinham chegado, um sopro obscuro, e esse sopro igualava, à sua passagem, tudo o que me haviam proposto nos anos, não mais reais, que eu vivia. Que me importavam a morte dos outros, o amor de uma mãe, que me importavam o seu Deus, as vidas que se encolhem, os destinos que se elegem, já que um só destino devia eleger-me a mim próprio e, comigo, milhares de privilegiados que, como ele, se diziam meus irmãos [...]. Trecho extraído da obra O estrangeiro (Círculo do Livro, 1957), do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui, aqui e aqui.

DOIS POEMAS – O GRANDE DESAFIO: Naquele tempo / A gente punha despreocupadamente os livros no chão / ali mesmo naquele largo – areal batidos dos caminhos passados / os mesmos trilhos de escravidões / onde hoje passa a avenida luminosamente grande / e com uma bola de meia / bem forrada de rede / bem dura de borracha roubada às borracheiras do Neves / em alegre folguedo, entremeando caçambulas… / a gente fazia um desafio… / O Antoninho / Filho desse senhor Moreira da taberna / Era o capitão / E nos chamava de ó pá, / Agora virou doutor / (cajinjeiro como nos tempos antigos) / passa, passa que nem cumprimenta / – doutor não conhece preto da escola. / O Zeca guarda-redes / (pópilas, era cada mergulho! / Aí rapage – gritava em delírio a garotada) / Hoje joga num clube da Baixa / Já foi a Moçambique e no Congo / Dizem que ele vai ir em Lisboa / Já não vem no Musseque / Esqueceu mesmo a tia Chiminha que lhe criou de pequenino / nunca mais voltou nos bailes de Don´Ana, nunca mais / Vai no Sportingue, no Restauração / outras vezes no choupal / que tem quitatas brancas / Mas eu lembro sempre o Zeca pequenino / O nosso saudoso guarda-redes! / Tinha também / tinha também o Velhinho, o Mascote, O Kamauindo… / – Coitado do Kamauindo! / Anda lá na casa da Reclusão / (desesperado deu com duas chapadas na cara / do senhor chefe / naquele dia em que lhe prendeu e lhe disparatou a mãe); / – O Velhinho vive com a Ingrata / drama de todos os dias / A Ingrata vai nos brancos receber dinheiro / E traz pro Velhinho beber; / – E o Mascote? Que é feito do Mascote? / – Ouvi dizer que foi lá em S. Tomé como contratado. / É verdade, e o Zé? / Que é feito, que é feito? / Aquele rapaz tinha cada finta! / Hum… deixa só! / Quando ele pegava com a bola ninguém lhe agarrava / vertiginosamente até na baliza. / E o Venâncio? O meio-homem pequenino / que roubava mangas e os lápis nas carteiras? / Fraquito da fome constante / quando apanhava um pinhão chorava logo! / Agora parece que anda lixado / Lixado com doença no peito. / Nunca mais! Nunca mais! / Tempo da minha descuidada meninice, nunca mais!… / Era bom aquele tempo / era boa a vida a fugir da escola a trepar aos cajueiros / a roubar os doceiros e as quitandeiras / às caçambulas: / Atresa! Ninguém! Ninguém! / tinha sabor emocionante de aventura / as fugas aos polícias / às velhas dos quintais que pulávamos / Vamos fazer escolha, vamos fazer escolha… / e a gente fazia um desafio… / Oh, como eu gostava! / Eu gostava qualquer dia / de voltar a fazer medição com o Zeca / o guarda-redes da Baixa que não conhece mais a gente / escolhia o Velhinho, o Mascote, o Kamauindo, o Zé / o Venâncio, e o António até / e íamos fazer um desafio como antigamente! / Ah, como eu gostava… / Mas talvez um dia / quando as buganvílias alegremente florirem / quando as bimbas entoarem hinos de madrugada nos capinzais / quando a sombra das mulembeiras for mais boa / quando todos os que isoladamente padecemos / nos encontrarmos iguais como antigamente / talvez a gente ponha / as dores, as humilhações, os medos / desesperadamente no chão / no largo – areal batido de caminhos passados / os mesmos trilhos de escravidões / onde passa a avenida que ao sol ardente alcatroamos / e unidos nas ânsia, nas aventuras, nas esperanças / vamos então fazer um grande desafio… POEMA DA ALIENAÇÃO - Não é este ainda o meu poema / o poema da minha alma e do meu sangue / não / Eu ainda não sei nem posso escrever o meu poema / o grande poema que sinto já circular em mim / O meu poema anda por aí vadio / no mato ou na cidade / na voz do vento / no marulhar do mar / no Gesto e no Ser / O meu poema anda por aí fora / envolto em panos garridos / vendendo-se / vendendo / “ma limonje ma limonjééé” / O meu poema corre nas ruas / com um quibalo podre à cabeça / oferecendo-se / oferecendo / “carapau sardinha matona / ji ferrera ji ferrerééé…” / O meu poema calcorreia ruas / “olha a probíncia” “diááário” / e nenhum jornal traz ainda / o meu poema / O meu poema entra nos cafés / “amanhã anda a roda amanhã anda a roda” / e a roda do meu poema / gira que gira / volta que volta / nunca muda / “amanhã anda a roda / amanhã anda a roda” / O meu poema vem do Musseque / ao sábado traz a roupa / à segunda leva a roupa / ao sábado entrega a roupa e entrega-se / à segunda entrega-se e leva a roupa / O meu poema está na aflição / da filha da lavadeira / esquiva / no quarto fechado / do patrão nuinho a passear / a fazer apetite a querer violar / O meu poema é quitata / no Musseque à porta caída duma cubata / “remexe remexe / paga dinheiro / vem dormir comigo” / O meu poema joga a bola despreocupado / no grupo onde todo o mundo é criado / e grita / “obeçaite golo golo” / O meu poema é contratado / anda nos cafezais a trabalhar / o contrato é um fardo / que custa a carregar / “monangambééé” / O meu poema anda descalço na rua / O meu poema carrega sacos no porto / enche porões / esvazia porões / e arranja força cantando / “tué tué tué trr / arrimbuim puim puim” / O meu poema vai nas corda / encontrou sipaio / tinha imposto, o patrão / esqueceu assinar o cartão / vai na estrada / cabelo cortado / “cabeça rapada / galinha assada / ó Zé” / picareta que pesa / chicote que canta / O meu poema anda na praça trabalha na cozinha / vai à oficina / enche a taberna e a cadeia / é pobre roto e sujo / vive na noite da ignorância / o meu poema nada sabe de si / nem sabe pedi / O meu poema foi feito para se dar / para se entregar / sem nada exigir / Mas o meu poema não é fatalista / o meu poema é um poema que já quer / e já sabe / o meu poema sou eu-branco / montado em mim-preto / a cavalgar pela vida. Poema do poeta angolano António Jacinto (1924-1991).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista visual russo Slava Fokk. 
Veja mais aqui.

AGENDA
Mostra Peibê de Zines e Publicações Independentes – 25/26 out, na Fanzinoteca do IF-Fluminense – Campus Macaé (RJ) & muito mais na Agenda aqui.
&
Muitas & tantas vezes, Fernando Pessoa, Zygmunt Bauman, George Orwell, Pablo Palazuelo, Roberto Sousa Causo, Janilson Sales, Milton Nascimento, Viktoria Mullova, Joe Satriani & Marianna Leporace aqui.


quarta-feira, fevereiro 24, 2016

BURNOUT, CLÁUDIO MANUEL DA COSTA, KYLIE, FRAYN, LOU DE OLIVIER, LUCILENE MACHADO, EDUCAÇÃO, FECAMEPA & MUITO MAIS!



A SÍNDROME DE BURNOUT - A Síndrome de Burnout apareceu como consequência de excesso de expectativas e alto nível de estresse sofrido por profissionais que se envolviam no atendimento de terceiros. Nas últimas décadas, diversos estudos psicológicos foram desenvolvidos buscando uma maior compreensão acerca do tema, concluindo-se ser identificada como uma reação orgânica às pressões incidentes nas relações e atividades trabalhistas. Ela aparece quando o profissional se sente pressionado, levando-o a sentir-se vazio e exausto, até chegar ao esgotamento psicológico, impedindo de lidar com as atividades laborais. Trata-se, portanto, de uma enfermidade que se manifesta a longo prazo, e surge quando o profissional se sente subestimado pela organização ou possui mais encargos e atividades do que consegue lidar, identificada com o surgimento de conflitos nas relações com os colegas de trabalho. Entre os sintomas da Síndrome de Burnout, estão o estresse, queda de cabelo, dor de estomago, enxaqueca, sudorese, taquicardia, palpitações, medo, condição arredia, angústia, apatia, úlcera, hipertensão, dores de cabeça, insônia, consumo exagerado de medicamentos e álcool, e sensação de impotência para realização da atividade laboral. A exposição a situações estressantes desencadeia essa síndrome, vez que este fenômeno possui vinculação às ocorrências de riscos de natureza psicossocial na área laboral. Tal enfermidade acomete aqueles que atuam diretamente e de forma constante com o emocional. O seu diagnóstico apresenta perfis específicos, tanto como aquele que ocorre diante da presença de condutas e sentimentos vinculados ao estresse no trabalho, culminando no mal-estar não invalida ou incapacita para o desenvolvimento das atividades, ou quando há incidência de maior dano laboral, apresentando problemas que significativamente incidem sobre o desempenho e execução de suas atividades, provocando ausências até de longo prazo e comorbidades psiquiátricas. Entre os problemas mais constantes para os que são acometidos estão aqueles de natureza cognitiva, acrescidos de queda no desempenho, problemas de relações interpessoais que levam ao retraimento, a ausência de cuidados pessoais, as preocupações com o trabalho fora dele, satisfação reduzida, entre outros problemas de saúde oriundos do estresse crônico, como complicações digestivas e intestinais, problemas cardíacos, obesidade e depressão. Por conta disso, ela é constituída a partir de um modelo teórico formado por quatro dimensões que envolvem a ilusão pelo trabalho, o desgaste psíquico, a indolência e a culpa. É no ambiente laboral em que se encontram as probabilidades de ser o local no qual ocorre a manifestação do estresse em sua maior frequência, por causa das atividades e situações vivenciadas na rotina de trabalho, que são, muitas vezes, recheadas de adversidades que incidem e possuem maior repercussão na qualidade de vida profissional. As suas consequências são identificadas na insatisfação direta de execução das tarefas e atividades, notadamente com relação ao trabalho desenvolvido, influenciando, por consequência, a qualidade do desempenho e das atividades no ambiente educacional. Além disso, leva à apatia, desumanização, alienação, problemas de saúde, pensamento de abandono e recusa da profissão, absenteísmo, entre outros problemas. De forma geral, ela é vista como um problema de natureza social que possui uma grande relevância, razão pela qual passou a ser estudada nos mais diversos países, especialmente, em razão de sua incidência e vinculação ao peso de suas consequências no custeamento organizacional. O seu tratamento considera algumas estratégias que devem incidir sobre a melhoria da qualidade de vida no âmbito laboral, procurando transformar o ambiente em contexto saudável, propiciando o fortalecimento individual e coletivo, desenvolvimento de capacidade para lidar com o estresse e situações de conflito, criação de redes de apoio social, promoção de reflexões sobre a temática para troca de informações e experiências, ênfase na promoção de valores humanos e adoção de valores coletivos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


Imagem: Reclining Nude on a Blue Sofa, do pintor francês Carl Larsson (1853-1919). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Kiss Me Once (Roc Nation, 2014), da cantora, compositora e atriz australiana Kylie Minogue. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – No Brasil do Fecamepa tudo é reductio ad bsurdum! Explico: o termo latino em latim se aplica aos argumentos reduzidos ao absurdo, ou a demonstrações baseadas em hipóteses absurdas. Há exemplos clássicos, nesse sentido. Um deles, pretende provar que a estrada direta é o caminho mais curto entre dois pontos, através de um raciocínio desta espécie: Esta estrada ou é, ou não é a mais curta. Se não é a mais curta, então outra é que é a estrada direta. Mas não pode haver duas estradas diretas, e nesse caso a estrada direta deve ser a mais curta. Outro é a história de um homem que alugou sua égua para ser atrelada na carroça alheia. A égua teve um potro, mas o dono da carroça o reclamou, dizendo ser o novo animal uma produção do seu veículo, nascida entre os varais. O dono da égua reduziu o argumento ao absurdo, dizendo que admitir isso seria o mesmo que pescar nas ruas ou caçar peixes, de espingarada, num jardim. Tal argumento é baseado naquele ditado popular de que absurdo responde ao absurdo, com várias histórias folclóricas tendentes a provar o aforisma. Uma das mais típicas é a de um homem que foi procurar um potro extraviado e o encontrou entre dois bois do vizinho. Quando ia por-lhe o cabresto, o vizinho protestou que o potro era dele. O caso foi à Justiça. Como o dono dos bois dissesse, sob juramento, que o potro lhe pertencia, o juiz (ou o rei, segundo uma das versões), lhe deu ganho de causa. No dia seguinte, o juiz ia andando por um campo, quando viu o homem que reclamara o potro com uma vara de pescar e um azol, em plena estrada arenosa, como se estivesse pescando num lado. Interpelado, ele respondeu: É tão fácil pescar grandes peixes no pó da estrada, como dois bois produzirem um potro. Em face disso, a sentença foi reformada e a justiça imperou. Veja mais aqui e aqui.

ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR NO BRASIL – O livro Administração hospitalar no Brasil (Manole, 2013), de Enio Jorge Salu, trata a respeito da organização do sistema de saúde no Brasil, financiamento, hospital típico, termos, conceitos e práticas de mercado, tecnologia hospitalar, processos, fatores de competitividade, atores em saúde (governo, saúde suplementar, serviço de saúde), classificação do atendimento, saúde pública, protocolos e códigos identificadores, censo hospitalar, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

TRANSTORNOS DE COMPORTAMENTO E DISTURBIOS DA APRENDIZAGEM – O livro Transtornos de comportamento e distúrbios da aprendizagem (Wak, 2013), da psicopedagoga, psicoterapeuta, escritora, dramaturga e precursora da Multiterapia, Lou de Olivier, trata sobre neurologia, neuropsicologia, neurociência, psiquiatria, multiterapia, o normal, o problemático, o distúrbio no desenvolvimento de crianças, diferente entre distúrbio, transtorno e síndrome, distúrbios de aprendizagem, disgrafia, dislexia, causas. Comorbidades, recaídas, autismo, hipóxia perinatal, neonataol, limitrofia, TOC, Bordeline, hiperatividade e hipoatividade, transtorno bipolar, depressão, a droga no cérebro, delirium, musicoterapia, gestão escolar, entre outros assuntos. Veja mais aqui. 
DO CORAÇÃO DE UMA MULHER – Entre os trabalhos literários da escritora, professora doutora em Literatura, blogueira e membro da Academia sul-mato-grossense de Letras, Lucilene Machado, destaco o seu texto Do coração de uma mulher:  A bem da verdade, não sou essa mulher fatal que você pensa que sou. Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior, de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa. Aquelas frases filosóficas? foram só para lhe impressionar, pra passar essa ilusão de intelectual, na verdade, eu nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas. Senta aí, vai. Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem... Quero mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições. Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço. No íntimo, sinto-me uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento e que deseja ficar no aconchego do ninho sendo mimada até adormecer. Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência. Deixa-me tirar o casaco, tirar o cansaço... Essa jornada dupla me deixa tão carente. A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões, um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo... Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou! Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, furei a parede, abri sozinha o zíper do vestido. Decidi o meu destino com tanta segurança! Mas não previ que na linha do meu destino estivesse demarcada uma paixão inesperada. Agora, cá estou eu, quarenta e poucos anos e toda atrapalhada, tentando um cruzar de pernas diferente, um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual... Mas não sei direito o que fazer para agradar. Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos. “Dos seus medos?” você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e levá-lo à casa de minha mãe, mostrar meu álbum de retrato (eu, me equilibrando nos primeiros passos ), ah, queria lhe mostrar minha primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe! Queria mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!) e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros. Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisa: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez. Veja mais aqui.



SONETO – No livro Obras Poéticas de Glauceste Satúrnio (1768), do poeta e jurista mineiro do Arcadismo brasileiro, Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), encontro o soneto: Este é o rio, a montanha é esta, / estes os troncos, estes os rochedos; / são estes inda os mermos arvoredos; / esta é a mesma rústica floresta. / Tudo cheio de horror se manifesta, / rio montanha, troncos e penedos; / que de amor nos suavíssimos enredos / foi cena alegre, e urna é já funesta. / Oh quão lembrado estou de haver subido / aquele monte, e às vezes, que baixando / deixei do pranto o vale umedecido! / Tudo me está a memória retratando; / que da mesma saudade o infame ruído / vem as mortas espécies despertando. Veja mais aqui e aqui.

NADA DE PÂNICO – A comédia teatral Nada de pânico, do dramaturgo, tradutor e jornalista inglês Michael Frayn, conta a história de atores e atrizes incompetentes e cheios de rivalidades que se aventuram numa peça difícil em que o desastre é enorme, patético e bastante engraçado. Veja mais aqui.

ETERNAL SUNSHINE OF A SPOTLESS – O romance dramático de ficção científica Eternal Sunshine of the Spotless Mind (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, 2004), dirigido por Michel Gondry, utiliza elementos de ficção científica, suspense psicológico e uma narrativa não-linear para explorar a natureza da memória e do amor romântico, contando a história de um casal que aparentemente iniciam sua relação em um trem e imediatamente atraídos um pelo outro, apesar de suas personalidades radicalmente diferentes. Eles já se conheciam e eram ex-namorados, agora separados, depois de terem passado dois anos juntos. Depois de uma briga, ela contrata uma empresa para apagar todas as lembranças de seu relacionamento. Ao descobrir isso, ele fica arrasado e decide se submeter ao mesmo procedimento, um processo que ocorre enquanto ele dorme. O destaque do filme fica por conta da atuação da premiada atriz inglesa Kate Winslet. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz inglesa Kate Winslet.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte da pintora, artista visual e escultora alagoana Jeanine Toledo.
Veja aqui, aqui & aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quarta-feira, abril 30, 2014

LILLIAN HELLMAN, SÔNIA CHOCRON, ANA KATZ & LINDA LOVELACE

 

REMEXENDO AS CATRACAS DO QUENGO E QUEIMANDO AS PESTANAS COM COISAS, COISITAS E COISÕES!!!!!! – O que aprendi nos volteios da vida, coisas que nem sei, coisitas que passaram, coisões que deixaram quase danos irreparáveis. Foi, nada mais. De bom ficou o menino travesso da beira do rio engolindo sapos, atravessando brejos e mares imensos, quase não tinha mais como catar pra contar história. Sempre quase o menino cresceu, pintou e bordou. Fez quase tudo: copista dos tomos e leis, bancário relapso, radialista folgazão e sorria driblando com jeito quedas e escorregões, barreiras intransponíveis, bunda arrastada no chão, esfolando a carne, livrando-se das lapadas, escapando aqui e acolá, escorregando quase ileso, quase condenado, sobrevivendo e coexistindo com desertos e infernos. Aprendeu um bocado, parece. Leitor compulsivo de horas a fio sem bater a pestana e era nos livros o melhor de tudo. O que imaginou quase tudo deu certo. Quase. Depois da escola caiu na vida e pras bancas retornou um tanto de vezes para sacar o que havia dado errado. Virou mundo, conheceu muita gente, muitas ou quase todas se foram ou deram as costas, restando alguns gatos pingados na consideração. Parentes tudo longe ou do outro lado das coisas e do mundo. Teve que aprender por si só: levando tudo nos peitos e na raça, do jeito que desse. De relevante mesmo quase nada restou aqui ou ali uma coisinha que seja. Recomeçou um tanto de vezes, ainda hoje, todo dia parte da estaca zero. Assumiu fracassos, cônscio de sua inutilidade pro que prestasse. Bom de conversa e serventia pra mais nadica. Falante que só o homem da cobra, até que impressionava, mas é só: nada mais que só primeira impressão. Com o eterno retorno vai e volta, nunca é tarde para reaprender. O que fez e o que foi feito, a mesma coisa que não fizesse. Vale o que viveu e se aprendeu, pelo menos, parece que leva jeito para contar hestórias. E só. Jogar conversa fora. Afinal tudo é efêmero: a vida passa, a gente não sabe de onde veio nem pra onde vai, e o que fica, no fim mesmo, lembranças e aprendizagens que um dia virarão cinzas e ninguém mais nem saberá. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS –O mundo com suas regras, cada vez mais rígidas, e as pessoas pequenas ou anãs tentando realizar um sonho. Resumindo, acho que os problemas não são tantos, o problema é como nos imergimos neles e a sinceridade com que os enfrentamos... O tempo é um elemento fundamental para mim: ir, voltar, mudar, retomar… Mas estou falando de um período ativo em que muito trabalho é feito. Gosto de pesquisas aprofundadas, não dou muito espaço para desculpas: que ontem tive frio, que hoje estou atrasado, que não voltarei amanhã... Procuro sempre sair desses lugares que te atolam, aquelas áreas superficiais que costumam ser encontradas com frequência no teatro independente. Não gosto nada desses lugares opacos. A gestão deve ser um lugar de compreensão, mas também de promoção do trabalho com consciência... O teatro é um compromisso constante, mobiliza, aproxima as pessoas com quem você trabalha e longos períodos de pesquisa e busca. Preciso de tempo para desenvolver um projeto de teatro. Pensamento da escritora, atriz e diretora argentina Ana Katz. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Se não gerarmos resposta, as sacolas não ficarão tão cheias na despensa... Pensamento da atriz e ativista estadunidense Linda Lovelace (Linda Susan Boreman - 1949-2002), que no seu livro Ordeal (Citadel, 2006), expressa: [...] Quando alguém precisa de ajuda, é hora de ajudar. Não no dia seguinte. Não quando é seguro. [...] Ela fez coisas para manter seu homem feliz. Fiz coisas para evitar que meu homem me matasse [...] Eu era o tipo de garota que gostava de ir à beira-mar e dar as mãos. Eu ainda estou. [...] Embora eu tenha ficado terrivelmente decepcionada depois disso, houve um lado bom na experiência. Quanto mais as pessoas decentes se interessavam por mim por razões decentes, mais forte eu me tornava. [...]. A vida dela foi uma tragédia: aos 19 anos, ela engravidou sem querer e teve o bebê, que sua mãe repressora entregou para adoção. Pouco depois, sobreviveu a um terrível acidente de carro. Foi aí, enquanto se recuperava do acidente, que a deixou com um fígado em frangalhos, costelas e mandíbula quebradas, que ela conheceu Chuck Traynor, seis anos mais velho que ela. Ela se casou outras duas vezes e teve dois filhos, mas sempre enfrentou problemas de saúde. Em 87, precisou fazer uma mastectomia dupla para retirar os seios, contaminados pelo silicone que Chuck a forçou a colocar antes de Garganta. Durante a preparação para a mastectomia, os médicos perceberam que seu fígado não dava mais, consequência da transfusão de sangue após o acidente de carro de 69. Ela teve que se submeter a um transplante de fígado. Um só remédio para a não-rejeição do novo órgão custava 2,500 dólares por mês, que Linda não tinha como pagar. Afinal, tudo que Linda havia recebido pela super bilheteria de Garganta foi US$ 1,250 -- que foi direto pro bolso de Chuck. Sem ter como pagar as contas, sem conseguir emprego por causa de sua fama/infâmia, Linda tentou ganhar um pouco de dinheiro vendendo produtos referentes à Garganta, como uma camiseta escrito "I made Linda Lovelace gag". Linda morreu em 2002, num outro acidente de carro. Ela tinha apenas 53 anos. Veja mais aqui.

 

PENTIMENTO – [...] A tinta velha sobre uma tela, à medida que envelhece, às vezes torna-se transparente. Quando isso acontece é possível, em algumas fotos, ver os traços originais: uma árvore aparece através do vestido de uma mulher, uma criança dá lugar a um cachorro, um grande barco não está mais em mar aberto. Isso se chama pentimento porque o pintor “se arrependeu”, mudou de ideia. Talvez fosse melhor dizer que a concepção antiga, substituída por uma escolha posterior, é uma forma de ver e depois ver novamente. Isso é tudo que quero dizer sobre as pessoas neste livro. A tinta envelheceu e eu queria ver o que estava lá para mim uma vez, o que está lá para mim agora. [...]. Trecho extraído da obra Pentimento (‎José Olympio, 2010), da escritora estadunidense Lillian Hellman (1905-1984). Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS - COMO UMA NUVEM - Estou passando sem passar \como uma nuvem \Leve, tênue, insubstancial \ como uma nuvem \ Fazendo uma sombra fugaz \ como uma nuvem \ Mudando minha solidão \ como uma nuvem \ Vaga muito branca \ como uma nuvem \ Estou passando sem passar. ORDEM - Você tem que arrumar a casa \ lavar os azulejos vestir a cama \ você tem que arrumar a casa \ plantar as flores de abóbora \ apagar o rastro do mato \ procurar a música das coisas \ fazendo ordem arrumando a casa \ com as palavras para formá-las \ colocar a ordem \formar a casa \ com um exército de palavras \ que ninguém sabe que ninguém vê \ que os gazebos estão caindo \ temos que colocar ordem na casa \ para que o pássaro da tristeza \ vá ao parque ou à avenida \ colocar ordem dentro de casa \ e que deixa crescer a angústia \ cega que cresce nela quando amanhece, banha cada fenda dos cantos \ com açúcar e sangue ímpio. Que Deus a proteja e a favor da melancolia traiçoeira do mau-olhado e da vilania que deve ser cometida, \ ordenar, tirar o rastro, varrer a poeira todos os dias \ limpar a casa dar a ordem que se nos derrotar \ nos venderia a morte eterna a pena na vida matar a ordem cegar a ferida. Poema da escritora, dramaturga e roteirista venezuelana Sônia Chocron.

 

HOMEM SOU E NADA HUMANO ME É ESTRANHO –Anexim atribuído ao dramaturgo e poeta romano Públio Terêncio Afer (195 a.C-159 a.C), originalmente: "Homo sum, humani nihil a me alienum puto". A história dele é curiosa: teve uma infância de escravo do senador Terentius Lucanus, tendo excelente educação. Suas comédias tratam problemas morais, sempre com mentalidade de humanista. A sua obra prima é a peça teatral Os Irmãos que compara os efeitos de duas maneiras diferentes de educar os filhos: a severidade paternal e a compreensão liberal. Outras frases atribuídas ao comediógrafo romano: “Nada é tão difícil que, à força de tentativas, não tenha resolução”, ou “É sábio experimentar todos os caminhos antes de chegar ás armas”. Melhor ainda: “Nada é tão fácil que, feito de má vontade, não se torne difícil”. Veja mais Momentos de Reflexão.

O FAUSTO DE GOETHE – Oriundo de uma lenda popular alemã a respeito de um pacto feito pelo alquimista e mágico Dr. Johann Georg Faust (1460-1549) com o demônio, tornou-se a inspiração para diversas peças teatrais, entre as quais, o poema trágico homônimo de Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), tornando-se umas das grandes obras primas da literatura alemã. No texto encontramos um dos personagens, Mefistófeles dizendo: “De sol e de mundos nada sei dizer, vejo apenas como os homens se atormentam. O pequeno Deus do mundo continua na mesma e está tão admirável assim como no primeiro dia. Um pouco melhor ele viveria, não lhe tivesses dado o brilho da luz celeste; ele chama isto razão e lança mão dela somente para ser mais animalesco do que cada animal”. Noutra ocasião Fausto menciona que: “Temos necessidade justamente daquilo que não sabemos e sabemos aquilo que não sabemos utilizar”. Mais adiante faz menção: “Sou velho demais para somente me divertir; moço demais, para ser sem desejos. Que pode o mundo bem proporcionar-me? A existência é um fardo”. Em seguida ele confessa que: “Eu nunca soube adaptar-me à sociedade. Diante dos outros sinto-me tão pequeno que serei eternamente um acanhado”. Por fim, arremata: “Quem aspirar, lutando ao alvo / À redenção traremos”. Veja mais Goethe.

ÉTICA – A ética no Brasil é na base da consanguinidade e do compadrio, como diz o Doro: “Pra família e pros amigos, tudo! Pros inimigos, a lei!”. A propósito já dizia Sérgio Buarque de Holanda no seu Raízes do Brasil: "O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularizadas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o circulo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição". Será o Fecamepa? Veja mais Doro.

SAÚDE NO BRASIL – Enquanto a Constituição Federal determina no art. 196 que “[...] A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, Zé Corninho fica coarando meses para ser atendido por um médico para lhe curar da hérnia que faz com seus colhões desçam ao joelho, Vera Indignada chora a morte do sobrinho da prima por falta de atendimento médico numa emergência, a avó de 93 anos de idade do Robimagaiver em estado grave recebe alta porque o hospital está precisando do leito para acomodar outro paciente endinheirado, a bisavó de Doro é dada por morta quando ainda estava vivinha esquecida num canto duma UTI, afora desvio de medicamentos da glaucoma, má gestão pública, malversação do erário pública, uma praga a saúde no Brasil! Por isso, Ruben Araujo de Mattos diz: “[...] não é aceitável que os serviços de saúde estejam organizados exclusivamente para responder às doenças de uma população, embora eles devam responder a tais doenças. Os serviços devem estar organizados para realizar uma apreensão ampliada das necessidades da população ao qual atendem. [...] Um paciente não se reduz a uma lesão que nesse momento lhe provoca sofrimento. Tampouco não se reduz a um corpo com possíveis lesões ainda silenciosas, escondidas à espera de um olhar astuto que as descubra. Tampouco se reduz a conjunto de situações de risco. O profissional que busque orientar suas práticas pelo princípio da integralidade busca sistematicamente escapar aos reducionismos. [...] Como também não se reduzem às necessidades de informações e de intervenções potencialmente capazes de evitar um sofrimento futuro. As necessidades não se reduzem àquelas apreensíveis por uma única disciplina como a epidemiologia, ou como a clínica. Novamente, o princípio da integralidade implica superar reducionismos. [...] As respostas aos problemas de saúde devem abarcar as suas mais diversas dimensões. Analogamente, devem oferecer respostas aos diversos grupos atingidos pelo problema em foco. [...] Há profissionais que, impossibilitados de tratar com sujeitos, tratam apenas das doenças. Lidam com os sujeitos como se eles fossem apenas portadores de doenças, e não como portadores de desejos, de aspirações, de sonhos. Há modos de organizar os serviços que tomam certas percepções de necessidades (percepções necessariamente subjetivas) como se fossem reais. Reificando suas próprias percepções, tornam-se insensíveis aos desejos e aspirações de outros sujeitos, quer estejam eles como pacientes como usuários, quer como profissionais. Há formuladores de política que concebem os sujeitos que sofrerão as consequências das políticas que formulam como objetos, alvos das intervenções. (Ruben Araújo de Mattos, Os Sentidos da Integralidade: algumas reflexões acerca de valores que merecem ser defendidos). Confira mais Saúde no Brasil.

MAIOR ARRANCA-RABO! – Depois duns xingamentos regados a tabefes, empurrões e deixa-disso, a dupla das desavenças Zé Peiúdo e Zé Bilôla dá de novamente se agarrar num estrupício sob o teor da rixa. Um gritou pro outro: “Enquanto inzistir genti da sua laia na face da terra o mundo nunca vai prestá!”. O riscado das peixeiras chega espirrar fogo nas calçadas. Esses nunca se entenderam. Melhor seria o que diz Débora Massmann: “[...] é no espaço da controvérsia que a argumentação se consolida à medida que se estabelece a interação entre os interlocutores, ou seja, à medida que se considera o outro como um sujeito capaz de reagir e de interagir discursivamente pelo exercício da negociação e do entendimento através do debate”. (Débora Massmann, Argumentação em busca de um conceito). Ou mesmo o que diz Boaventura de Souza Santos no seu “A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência”: "[...] a incapacidade de estabelecer uma relação com o outro a não ser transformando-o em objeto". Ah, danou-se! Será tudo isso é coisa do Big Shit Bôbras?!?!?!?


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