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quinta-feira, agosto 16, 2018

BUKOWSKI, LAFORGUE, MORIN, YUJA WANG, CAILLOIS, MARIA FLOR, MPB & ROBIMAGAIVER


CULPA NO CARTÓRIO - Imagem: arte postal Maria Flor. - O que foi que eu fiz? Você sabe! Não sei! Sabe! Já disse que não sei! Fora. Por quê? Fez uma, fará todas! Eu? Fora! Danou-se. Robimagaiver tanto fez, mas daquela não conseguiu escapar. Não adiantou confabular, provar por a mais b, pagar todos os patos, reconhecer todas as incertas e recorrentes, sacolejar dum lado pro outro, clamar por todos os santos e a piedade de Deus, implorar de joelhos, chorar todas as pitangas, botar a bunda de fora e espremer-se todo, nada, ela inexorável. Fora, já! Admitiu falhas, reconheceu deslizes, prometeu nunca mais como antes, agora um novo sujeito, arrependido e refeito, jurou pela alma dele, da mãe dele, dos filhos dele, dela mesma e de todo mundo, nada. Fora! Usou da persuasão, contudo, quanto mais argumentava, mais empiorava. Tentou, então, extorquir: Pensei em presentear um vestido novo. Fora! Tentou ganhar tempo, estalou os dedos e parecia mais articulando as sinapses neuronais que restavam ao movimento das mãos, como um metrônomo, para nada sair do controle. Fora! Pode perguntar a fulano, sicrano, beltrano, todos testemunharão, não fui eu! Chispa daqui, fora! Mas... Mas, nada, não adianta recorrer a quem quer que seja, nem recursar em quantas instâncias judiciais existirem, fora! Eita, essa mulher está virada mesmo! Fora! E agora, véio? Apelou: Mas não fui eu, juro! Fora! Agora deu! Não adiantou. Não haveria quem tirasse ele da forca: Nem Jesus descendo dos céus e dizendo que não foi você, não acredito, fora! Respirou fundo, tentou raciocinar, precisava da lábia agora mais do que nunca, porém nada do que dissesse removia a intransigência. Estava ferrado mesmo. Sentiu: já vai tarde, mané! Realmente não fora ele, fora outra pessoa, mas como ele é reincidente, ficou sendo ele mesmo, tanto pra ela, como pela pecha das más línguas. O apurado só se deu quase duas semanas depois quanto ele já estava arranchado na casa do compadre Zé-Corninho, usando e abusando nas intimidades do lençol com a comadre de então. Vixe que danada quente medonha, por isso que o Corninho não dá vencimento. E tome, bota e tira. Aí: Que é isso Roberto? Outro flagra. Ele avexado, saiu de lado, aos gritos: Não fui eu, ela que queria me agarrar! Mas você não toma mesmo jeito, né, rapaz? Não fui eu. Basta um cochilo, espaçozinho qualquer e você cai na esparrela de novo. Não fui eu, já disse. Vamos. Pra onde? Pra casa! Agora não quero mais ir não. Vai. Não vou. Vai. Não vou. Você vai, cabra safado! Vou não! Foi puxado pelas orelhas rua afora. Maior humilhação e mangações. Escapou fedendo. Pronto. O que foi mesmo que ele fez? Quem sabe! Se é Robimagaiver, tem culpa no cartório. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da belíssima pianista chinesa Yuja Wang: Concert piano F major Gershwin, Concert piano nº 2 C minor Rachmaninoff, Concert nº 1 Tchaikowsky & Rapsody in blue Gershwin & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A cultura de massa integra e se integra ao mesmo tempo numa realidade policultural; faz-se conter controlar, censurar (pelo Estado, pela Igreja) e, simultaneamente, tende a corroer, a desagregar outras culturas. A esse título, ela não é absolutamente autônoma: ela pode embeber-se de cultura nacional, religiosa ou humanista e, por sua vez, ela embebe as culturas nacional, religiosa ou humanista. [...] Um verdadeiro cracking analítico transforma os produtos naturais em produtos culturais homogeneizados para o consumo maciço. Em outras palavras, certos temas folclóricos privilegiados são mais ou menos desintegrados a fim de serem mais ou menos integrados no novo grande sincretismo. [...] Uma cultura constitui uma espécie de sistema neurogevegetativo que irriga, segundo seus entrelaçamentos, a vida real do imaginário, e o imaginário da vida real. [...] A cultura de massa não faz outra coisa senão “mobiliar o lazer” (através dos espetáculos, das competições, da televisão, do rádio, da leitura de jornais e revistas); ela orienta a busca da saúde individual durante o lazer, e, ainda mais, ela acultura o lazer que se torna estilo de vida. [...] Trechos recolhidos da obra Cultura de massas no século XX: neurose (Forense Universitária, 1977), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui.

A VIDA & A TEORIA DA FESTA – [...] À vida regular, ocupada pelos trabalhos cotidianos, tranquila, encerrada em um sistema de interditos, repleta de precauções, em que a máxima quieta no movere mantém a ordem do mundo, opõe-se a efervescência da festa. [...] Na vida ordinária, como visto, o sagrado quase exclusivamente se manifesta por interditos. Ele se define como o “reservado”, o “separado”. É colocado fora do uso comum, protegido por proibições destinadas a prevenir qualquer atentado à ordem do mundo, todo risco de destruí-lo e de nele introduzir algum agente perturbador, aparecendo, então, como em essência negativo. Este é um dos caracteres fundamentais que com maior frequência foi reconhecido na interdição ritual. [...] Mesmo a sanidade do corpo humano exige dele a evacuação regular de suas “sujeiras”, urina e excrementos, e, no caso da mulher, do sangue menstrual. A velhice contudo acaba por enfraquecê-lo e paralisá-lo. Do mesmo modo a natureza, a cada ano, passa por um ciclo de crescimento e de declínio. [...] A fecundidade nasce do exagero. À orgia sexual, a festa acrescenta a ingestão monstruosa de alimentos e bebidas. [...] Cada um deve se empanturrar até o limite do possível, se encher como um odre distendido. [...] Da mesma maneira, aos gestos regrados do trabalho, que garantem as subsistências, se opõe a agitação frenética da festividade que as dilapida. A festa não comporta somente desregramentos de consumo, da boca e do sexo, mas também desregramentos de expressão, do verbo ou do gesto. Gritos, ofensas, injúrias, trocas de ditos grosseiros, obscenos ou sacrílegos, entre um público e um cortejo que o atravessa [...] Os movimentos não ficam atrás: mímicas eróticas, gesticulações violentas, lutas simuladas ou reais. [...] Atos interditos e atos excessivos não se mostram suficientes para marcar a diferença entre o período do desencadeamento e o da regra. A eles são acrescidos atos ao revés, pelos quais as pessoas se esforçam por se conduzir de maneira exatamente contrária ao comportamento normal. A inversão de todas as relações parece a prova evidente do retorno do Caos, da época da lucidez e da confusão. [...] preciso então se perguntar qual fermentação de mesma grandeza libera os instintos do indivíduo reprimido pelas necessidades da existência organizada e, em concomitância, leva a uma efervescência coletiva de uma envergadura tão vasta. Parece assim que, desde a aparição dos Estados fortemente constituídos, e, ainda mais claramente, à medida que sua estrutura se afirma, a antiga alternância entre festança e labor, êxtase e domínio de si, que fazia renascer periodicamente a ordem do Caos, a riqueza da prodigalidade, a estabilidade do desencadeamento, foi substituída por uma alternância de uma outra ordem, mas que apresenta no mundo moderno, e apenas ela apresenta, volume e características correspondentes: aquela entre a paz e a guerra, aquela entre a prosperidade e a destruição dos resultados da prosperidade, aquela entre a tranquilidade regulamentada e a violência obrigatória. [...]. Trechos extraídos da obra O homem e o sagrado (70, 1988), do sociólogo, crítico literário e 1ensaísta francês Roger Caillois (1913-1978). Sobre a imagem fantástica ele expressa que [...] O reino das lendas é um universo estranho que o mundo acresce a ele próprio sem perguntar porquê e sem alargar o seu âmbito. O reino fantástico, pelo contrário, revela um escândalo, uma fenda, uma estranha ruptura, que seria intolerável no mundo real... temos que ter em mente que o fantástico não tem significado num mundo que é totalmente estranho. Num mundo de maravilhas, o extraordinário perde o seu poder [...], trecho extraído da obra Arte fantástica (Taschen, 2005), de Walter Schurian. Veja mais aqui.

AO SUL DE NENHUM LUGAR - [...] Falávamos sobre mulheres, espiávamos suas pernas ao saírem dos carros e as olhávamos pelas janelas à noite, na esperança de ver alguém fodendo, mas nunca víamos ninguém. Uma vez chegamos a pegar um casal na cama e o cara estava malhando a mulher e pensamos que agora veríamos algo, mas ela disse: – Não, não quero trepar essa noite! Então voltou-se de costas para ele, enquanto ele acendia um cigarro e nós partíamos em busca de outra janela. – Filho da puta, nenhuma mulher viraria as costas para mim! – Nem para mim. Que tipo de homem era aquele? [...] A minha era Rosalie. Rosalie tinha uma bunda grande e a balançava sem parar, cantando musiquinhas engraçadas e, enquanto caminhava tirando a roupa, falava sobre si mesma e ria. Era a única que realmente gostava do que fazia. Eu estava apaixonado por ela. Muitas vezes pensei em lhe escrever para dizer como ela era maravilhosa, mas, não sei por que, nunca escrevi. Certa tarde, estávamos esperando pelo táxi depois de um espetáculo, e lá estava a Mulher Tigre esperando por um também. Usava um vestido verde justo e nós ficamos ali parados, olhando para ela. [...] Pouco depois disso, comecei a perder o interesse naqueles domingos na Main Street. Suponho que a Follies e a Burbank ainda estejam lá. Claro, a Mulher Tigre e a stripper com asma e Rosalie, minha Rosalie, já se foram há muito tempo. Provavelmente mortas. A enorme e balançante bunda de Rosalie está provavelmente morta. E, quando estou na minha vizinhança, passo dirigindo em frente à casa em que vivia e vejo estranhos morando lá. Ainda assim, aqueles domingos eram bons, a maioria dos domingos eram bons, uma pequena luz na escuridão dos dias da depressão, quando nossos pais saíam pelas varandas, desempregados e impotentes, e olhavam-nos enquanto espancávamos uns aos outros pra valer e então voltavam para dentro e ficavam encarando as paredes, com medo de ligar o rádio por causa da conta de luz. [...] Trechos extraídos da obra Ao sul de nenhum lugar: histórias da vida subterrânea (L&PM, 2013), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Henry Charles Bukowski Jr (1920-1994). Veja mais aqui e aqui.

TRES POEMASJOGOS - Ah! a Lua, a Lua me assedia... / Acreditas que algo remedia? / Morto? Porque ela dorme assim seria, / Em clorofórmio cósmico, alvadia?/ Rosácea em tumular eflorescência / Da Basílica do Silêncio. / Persistes em tua atitude, / Eu me sufocando em solitude! / Sim, sim, tens o colo bem feito; / Mas se eu jamais ali me aleito?... / Mais uma tarde, e minhas berquinadas / Vão-se rir às bandeiras despregadas, / Dando ao meu platonismo um teor / De êxtase digno de pescador! / Salve Regina dos Lys! a que reina, / Quero te atravessar com as falenas! / Quero beijar a tua pátena triste, / (A travessa viúva da cabeça!) / De São João Batista! / Quero achar um lied! que te toca, / Faz que emigres para esta boca! / – Mas, nem mesmo mais rimas para a Lua... / Ah! que lamentável lacuna! / LAMENTO-PETIÇÃO DO FILHO FAUSTO - Se soubesses, mamãe Natura, / O quanto eu me adoro em teu tédio, / Me darias uma Bela pura, / Casta, que remédio! / Se soubesses, essa miuçalha, / Os sóis de Panurgo!, dirias, / Ora, deixe o nosso em migalhas, / Ao meio-dia. / Se soubesses, o quanto a Lista / De tuas matérias é meu forte. / Me farias contabilista, / Até a morte. / Se soubesses, as fantasias!/ Eu poderia ser o fermento, / Farias de mim o teu Sósia,/ Por um momento. SPLEEN - Tudo é tédio. Manhã. Olho pela janela. / No alto, risca-se o céu no giz da chuva fria. / Em baixo, a rua. Sob a cerração sombria / Vultos deslizam na água turva de barrela. / Olho sem ver (até meu cérebro regela) / Maquinalmente sobre o vidro que embacia / Meu dedo faz rabiscos de caligrafia. / Bah! Saiamos. Quem sabe, alguma coisa bela. / Nenhum livro. Perfis estúpidos. Ninguém. / Fiacres, lama, e ainda a chuva nos telhados… / Enfim a noite, o gás, volto com pés pesados… / Janto, bocejo, leio, nada me convém… / Bah! Dormir. – Meia noite. Uma. É sem remédio. / Só eu não durmo, só. E tudo é tédio. Poemas do poeta francês nascido no Uruguai Jules Laforgue (1860-1887). Veja mais aqui.

ALGUNS ASPECTOS DA MPB
O livro Alguns aspectos da MPB (E. Amaral da Silva, 2014), do escritor, letrista, produtor e pesquisador musical, Euclides Amaral, trata da música brasileira com um compasso brasileiro, a introdução poética e o choro de Paulo César Pinheiro, samba, choro, Hip Hop, Funk, introcitações, Jobim, MPB e cinema, Profissão poeta: Sérgio Natureza, os letristas e a herança provençal, Chico Buarque paratodos, a nova geração da MPB do século XXI, a contribuição estrangeira do século XVI ao XXI, entre outros assuntos.

AGENDA
O Festival Literário de Extrema (FLEX-MG), com o tema “Ser-Tão: Caminho sem fim”, acontece entre os dias 17 e 19 de agosto, com a realização da IV Mostra de Cinema, homenageando Guimarães Rosa e apresentando os escritores Antonio Torres, Fernanda Young, Carola Saavedra e Luiz Ruffato & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte postal Maria Flor.
Veja mais aqui.
&
As trapalhadas de Robimagaiver aqui, aqui, aqui e aqui
&
Arrelique & Ozi dos Palmares, Viagem ao Brasil de Jean de Léry, A era da incerteza de John Kenneth Galbraith, A poesia de José Maria Sales Pica-Pau, Violência da desigualdade, A criação artística e a dança, A mulher & o Bom Pastor aqui.


quarta-feira, abril 12, 2017

CAMUS, CHAPLIN, BAURSCHEIT, PONCE, RAPTO DE PROSÉRPINA & SORRIR PRA VIVER!

SORRIA PRA VIVER - Imagem: arte de Ricardo Ponce. - Tem gente que ri de tudo, até da desgraça alheia. Pior os que choramingam por qualquer tostão perdido, esses os chatos mimados. Afora outras daquelas que dão um passo pra frente e trocentos pra trás, com sua vidinha inútil de quase não valer um cocô de lôro, feito uma pata choca, insossas quando não azedas e com os sentimentos mais ralos que caldo de piloro, entediadas com os dias que são outros, mas que parecem os mesmos desde ontem e anteontem, que coisa! Tem gente pra tudo, eu sei. Os risíveis são mais simpáticos, mesmo que a vida pareça pra eles uma madrasta inclemente. Zé Corninho, por exemplo, mesmo com tanto revestrés nos costados, não se exime de expor ao ridículo sua risada de boca banguela, tá nem aí. Biritoaldo é outro que vive cheio de nó pelas costas de aloprado azarento, destá, quando não tem de quem mangar, manga dele mesmo. Robimagaiver vive todo enrolado, endividado até o tampo, virado na porra e não se deixa esmorecer: uma pinóia por segundo e tudo vira piada pra risadagem. Isso pra você ver que rindo até os ocrídios com suas feiúras ficam, diga-se lá, atraentes. Pra eles, feiúra pouca é bobagem, mocreia é todo mundo. Conheço gente que não tem onde cair morto de tanto escorregar no asfalto com topada aos tombos e se mandam mesmo que nada dê certo e no final dê tudo errado mesmo, motejo que seja, estão vivos e pra cima, às gargalhadas. Quando algo dá um créu, nem esperam o enterro voltar, caçoam até de quem não viu. Se alguém chamar na grande, pode esperar: vão caçoar até da sombra de desenvultado. Pra qualquer sisudez pregam a maior zombaria, seja santo ou trepeça. Vivem como podem, não sabem o que é estresse, têm uma longevidade que nem parecem que são do tempo do ronca de tão rejuvenescidos; vez ou outra, raramente é que adoecem: acho que a doença é que se manda com medo da fealdade deles; trabalham que só cantiga de grilo e fazem amizade com gregos e troianos com a maior facilidade. Assim são felizes ao seu modo, estejam onde estiverem. Essa a lição, agora sorria, só há uma verdade: a vida; o resto tudo é mentira. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Amar é... sorrir por nada e ficar triste sem motivos, é sentir-se só no meio da multidão, é o ciúme sem sentido, o desejo de um carinho; é abraçar com certeza e beijar com vontade, é passear com a felicidade,  é ser feliz de verdade!
Pensamento do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Uma ou outra coisa que eu sei de mim, Rio Una, Fernando Pessoa, Robert Delaunay & Anikeev Sergey aqui.

E mais:
Educação para além do capital de István Mészarós, A origem das espécies de Charles Darwin, O ateneu de Raul Pompeia, A música de Antonio Salieri & Montserrat Caballé, O batizado da vaca de Chico Anysio, a escultura de Pierre Le Gros, a pintura de Robert Delaunay, Hipermnestra & Liceu, Pedro Almodóvar & Infância, imagem e literatura: uma experiência psicossocial aqui.
Mandonismo da paixão & a pintura de Carolyn Weltman aqui.
Educação, afetividade, transversalidade & homossexualidade aqui.
Código de Defesa do Consumidor, Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre, Ensinar aprendendo de Içami Tiba, Papisa Joana & Johanna Wokalek, a música de Oswaldo Montenegro, a pintura de Giovanni Battista Tiepolo & James Gillray aqui.
Fecamepa: salve Dioniso, evoé Baco, a poesia de César Vallejo, a música de Franz Haydn & Teresa Berganza, o teatro de Augusto Boal, a pintura de Rosa Bonheur & William-Adolphe Bouguereau, Sabina Spielrein & Keira Knightley aqui.
Para fazer do Brasil um páis melhor tem que começar tudo em casa, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Incidentes em Antares de Érico Veríssimo, Cidade do amanhã de Peter Hall, O desenvolvimento das cidades de Nelson Werneck Sodré, Geração 70 de Álvaro Manuel Machado, a música de Louis Moreau Gottschalk & Ivan Lins, a escultura de Alberto Santos & Candidato faz tudo cara de pau na maior responsa aqui.
É preciso respeitar as diferenças, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a História do Brasil de Angela de Castro Gomes, o pensamento de Bernard Stiegler,  a cidade de Marshal McLuhan, a música de Jards Macalé, a literatura de Monica Ali, o cinema de Wong Kar-Wai & Maggie Cheung, a arte de Artur Barrio, a fotografia de Luiz Filho & Annie Leibovitz, . A gravura de DiMagalhães, Teatro na Rua, o cartun de Harvey Kurtzman & Canto paródia de mim aqui.
Depois da tempestade nem sempre uma bonança, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, A poética do romance de Autran Dourado, A ciência pós-moderna de Boaventura de Sousa Santos, o pensamento de Gilbert Simondon, a coreografia de Hisako Horikawa, o cinema de Júlio Bressane, a pintura de Nancy Bossert, a arte visual de Patti Smith & Mônica Nador, o grafite de Alex Vallauri, a fotografia de Alfred Noyer, Pombas Urbanas, a arte multimídia de Hudinilson Urbano Junior & Pra vida ofereço a outra face aqui.
A educação por água abaixo pra farra dos mal-educados, A ilusão jurídica de István Mészarós, A metáfora do rizoma de Gilles Deleuze & Félix Guattari, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Serviço Social na Escola, a fotografia de Henri Cartier-Bresson, a arte de George Segal & Eulalia Valldosera, A morte sem nome de Santiago Nazarian, a música de Jussara Silveira, Teatro P com P, o grafite de Crânio, o desenho de Roger de La Fresnaye & Quando Ciuço Pacaru embarcou no maior revestrés aqui.
Judicialização do SUS: pra que saúde se não tem nem onde cair morto, Os objetivos da educação de Alain Touraine, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Contos de Genji de Murasaki Shibuku, A educação escolar, a música de Hans-Joachim Koellreuter & Sérgio Villafranca, a pintura de Carlos Scliar, a charge de Latuff, As Meninas do Conto, a escultura de João Sotero, o cinema de Frances François Ozon, a fotografia de Eduardo Ramirez & Juan Esteves aqui.
As presepadas do Zé Corninho aqui, aqui, aqui e aqui.
As proezas do Biritoaldo aqui.
As doidices de Robimagaiver aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

Pensamento do ator, diretor, escritor, comediante, músico, roteirista e compositor britânico Charlie Chaplin (1889-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
The Abduction of Persephone by Hades, do escultor dos Paises Baixos do Sul, Jan Peter Van Baurscheit (1669-1728) – Na Roma Antiga, deste período marca início do feriado da Cereália, em homenagem a deusa Ceres, dos grãos e dos cereais, momento em que ocorre o Rapto de Prosérpina (Persephone) por Plutão (Hades).
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

segunda-feira, julho 04, 2011

PEPETELA, HENRI GERVEX, CAMILLA COLLET, JORGE DREXLER, ERIK ERIKSON & PSICOSSOCIAL

 


A arte do pintor francês Henri Gervex (1852–1929). Veja mais abaixo.

 


A CACHORRA DA VIZINHARobimagaiver estava aboletado num tamborete, braços cruzados na janela. Tudo olhava, nada via; largadão ali coçando o saco, enquanto um filme transbordava imagens na cabeça. De lá de dentro: Tais fazendo o que, traste? Nada, pensando na vida. Pensava mesmo e como. Algo chamou atenção na outra calçada: Isso é que é cachorra apreciável - falou para si, mas não era a cachorra que ele via. Que cachorra, broco? Nada, mulher, pensando alto. Ah, tá; vê se arruma o que fazer, visse? Não enche, baranga. O quê? Nada. E acompanhava o movimento na calçada oposta, olhos vidrados, lambendo os beiços, imaginando coisas: Bem que podia ser minha, passeando pelas calçadas, visitando lugares, essa sim, chega dá gosto de viver. Na outra calçada, ia e vinha, ele lá, sonhando como se fosse aquela de um conto do cachorrinho de Tchekhov, atravessando a rua e vindo em sua direção: Eita, lá vem! Ô de casa! Pois não, senhora! O senhor sabe onde encontro um veterinário por aqui? Sei não, madame, mas vou ver agora, digo já. Mesmo? Já. E saltou do tamborete, passou pelo espelho: Num tô tão feio! Abriu a gaveta, revirou os trapos, nada que lhe agradasse; voltou ao espelho, alisou os tuins, o queixo pela barba por fazer, alinhou a camisa, conferiu a bermuda, as sandálias, pegou atrás da porta a calça surrada, puxou embaixo da cama o par de tênis, organizou-se todo e viu que ainda faltava alguma coisa, ah, o boné encardido na cabeça, os óculos empenados na cara, o espelho: Ah, seja lá o que Deus quiser! E zarpou: Vou ali vê um cliente, volto já. Ganhou o mundo com as ideias tropicando às cambalhotas. Deu umas dez voltas pelos quarteirões, outras passadas para lá e cá, zombou de um e outro, teve um estalo, retornou e foi até a senhora com a cadela no braço: Tem um lá na terceira esquina, dobrando a direita, mas só estará segunda-feira. Ah, que pena! Que é que tem ela? Não sei, anda estranha. Posso ver? Pode. A cadela rosnou: Calma, Lessie. Fez menção de mordê-lo: Não estranhe o tio, calma. E era um olho no animal e outro na dona. Fez umas mandingas para impressionar e a fera ficou imóvel: Agora vou examinar. Apalpou, alisou, virou, revirou e saiu diagnosticando: carrapato, não tem; babando, não está; castrada, não é. Enquanto amolegava sua paciente, examinava de soslaio a vizinha. Depois de muito remexer: Pronto, tudo normal. O senhor entende mesmo de cachorro, né? Dou minhas tacadas e tratou de reanimar a cadela com ares de quem sabe mesmo o que está fazendo e nada dela dar sinal de vida. Deu três estalos nos dedos, nada; futucou com os pés, nada; deu umas rodadas puxando pelo rabo, nada. Aí bateu pé, deu grito, dançou, pintou e bordou, até perder a paciência e a jogou contra a parede. Teibei. A cachorra gania agoniada entre as pernas de sua cuidadora que a colocou nos braços aos mimos. O senhor é louco? Tinha de acordá-la, estava com um encosto brabo de quase mata-la! Ah, tá, será que agora ela está boa mesmo? Ora, se; e se ela tiver mais algum sintoma, me avise que dou um jeito. Obrigada. Não é de nada, sou Robimagaiver, seu criado ao dispor. Sou Anita, moro aqui ao lado. Ah, a nova vizinha, muito prazer. E ficou puxando conversa sem contar com o bafejado de um brutamontes na sua nuca todo interrogativo: Olha, amor, a Dudinha tava toda estranha e o senhor aqui deu um jeito nela. Ah, o vizinho é seu marido? Sim, senhor, obrigado por cuidar da cachorra da minha mulher. Riso amarelo, cabeça dando mil voltas, escapou: A sua esposa é muito boa! Vixe! O tempo fechou, o vizinho fez uma cara feia e se armou todinho e... Em cima da bucha foi salvo pelo gongo com uma beliscada bem dada no toitiço: Ah, são os novos vizinhos? Muito prazer, sou Dauzidália, vizinha de vocês e esposa desse porra, bora véio safado, tu não se emenda mesmo, né, até mais ver, boa tarde, qualquer coisa, apareçam e é só pedir, até. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Provar que tenho razão significaria reconhecer que posso estar errado. Só nos interessamos pelos problemas dos outros quando os nossos não nos preocupam. Pensamento do autor de teatro francês Beaumarchais (1732-1799). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Não tenha medo do trabalho duro. Nada que valha a pena vem facilmente. Não deixe que os outros o desencorajem ou digam que você não pode fazer isso. Na minha época, disseram-me que as mulheres não faziam química. Não vi razão para não podermos. As pessoas sempre me perguntam: o Prêmio Nobel o que você almejou por toda a sua vida? E eu digo que isso seria loucura. Ninguém almejaria o Prêmio Nobel porque, se você não conseguisse, toda a sua vida seria perdida. O que pretendíamos era melhorar as pessoas, e a satisfação disso é muito maior do que qualquer prêmio que você possa receber. Expressão da bioquímica estadunidense Gertrude Elion (1918-1999). Veja mais aqui.

 

EFEITO MATILDA – A escritora e feminista norueguesa Camilla Collet (1813-1895), a primeira crítica literária feminista da Noruega. Sua obra mais famosa foi seu único romance publicado anonimamente, Amtmandens Døttre (1854/55 - A Filha do Governador), considerado o primeiro romance político norueguês que trata das dificuldades de ser mulher em uma sociedade patriarcal e, principalmente, sobre casamentos forçados. No romance, ela discute como as moças e meninas são privadas de treinamento e educação que as encorajará a ter mais sucesso na vida, mas ela não argumenta que as mulheres devem buscar a vida e o sucesso independentemente de serem casadas. Ela apoiou mudanças sociais e políticas para promover os papéis das mulheres na sociedade, e os artigos que publicou eram anônimos, mas acabaram sendo publicados em um livro compilado de obras. Também escreveu sobre ensaios e polêmicas, bem como suas memórias, inspirada em George Sand. Nestes ensaios e artigos de opinião, ele declarou a necessidade de uma nova imagem para a mulher. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

MAYOMBE – [...] As pessoas devem estudar, pois é a única maneira de poderem pensar sobre tudo com a sua cabeça e não com a cabeça dos outros. O homem tem de saber muito, sempre mais e mais, para poder conquistar a sua liberdade, para saber julgar. Se não percebes as palavras que eu pronuncio, como podes saber se estou a falar bem ou não? Terás de perguntar a outro. Dependes sempre de outro, não és livre. Por isso, toda a gente deve estudar. Mas aqui o camarada Mundo Novo é um ingénuo, pois que acredita que há quem estuda só para o bem do povo. É essa cegueira, esse idealismo, que faz cometer os maiores erros. Nada é desinteressado. [...]. Trecho extraído da obra Mayombe (1980), do escritor angolano Pepetela, pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido por sua obra que reflete sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. A história do livro tem como cenário Angola nos anos 70, período que marca as lutas pela independência do país. No primeiro capítulo intitulado A Missão, os guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) chegam à selva de Mayombe, com o intuito principal de lutar com os exploradores, que estavam retirando madeira da região, e preparar uma emboscada para atacar o exército colonial. Nesse momento, raptaram alguns dos trabalhadores. O segundo capítulo, intitulado A Base, faz referência à base de guerrilheiros do MPLA que fora construída na floresta de Mayombe, na qual ocorrem algumas divergências entre as ideias do Comissário e do Comandante. O terceiro capítulo recebe o nome da noiva do Comissário, Ondina, cujo relacionamento era complicado: ela era professora e lecionava na cidade de Dolisie e ambos fingiam ter atração e prazer sexual pelo outro. Nesse momento a base dos guerrilheiros sofria com a ausência de abastecimento de mantimentos e as discussões e desentendimentos entre os chefes e os guerrilheiros aumentavam cada vez mais. Com isso, a ideia de tirar André de sua posição era a mais importante e ele foi pego com Ondina, a noiva do Comissário. Ela deixou uma carta para seu ex-noivo lhe dizendo que deixaria a cidade de Dolisie. Na maior parte do capítulo, o Comissário revela suas histórias amorosas e sua relação com Ondina. Curiosamente, quando o Comissário vai ao encontro de Ondina, eles se sentem atraídos e fazem amor de uma maneira diferente de todas as outras. Ele diz a ela que não é necessário abandonar a cidade por conta disso. Pelo ato desonroso e por pertencerem a duas tribos diferentes (Kikongo e Kimbundo), o Comissário enviou André para Brazaville para ser julgado. No quarto capítulo, intitulado A Surucucu, é revelado o suposto ataque dos tugas à base de guerrilheiros e o planejamento do contra-ataque. Em grande parte do capítulo eles focam na preparação e estratégias do MPLA. No quinto capítulo, A Amoreira, Mundo Novo foi nomeado chefe em Dolisie. O Comandante Sem Medo recebeu a notícia de que seria transferido para leste. O Comissário ficou encarregado de chefiar o ataque aos Tugas no Pau Caído. O grupo de guerrilheiros seguia em direção ao Pau Caído. O nome A Amoreira faz referência a um dos pensamentos de Sem Medo antes de morrer, que comparou seu tronco único com os homens. Por fim, o Comissário ordenou que cavassem um túmulo para os dois mortos ali mesmo. No epílogo da obra, o Comissário reflete sobre a morte do Comandante Sem Medo. Por fim, ele é enviado para leste no lugar do Comandante. Com o exposto, observa-se que o romance se aproxima de um texto documental ou de reportagem, apresentando as lutas entre os guerrilheiros angolanos e as tropas portuguesas durante a libertação do país. O autor do livro ressalta a dificuldade dos guerrilheiros, enfatizando as diferenças e as rivalidades entre as tribos, deixando claro que as rivalidades devem ser deixadas de lado e que os sentimentos, as angústias, os medos são de todos. O autor recria de forma inovadora os conflitos e os momentos de reflexão de todos que lutavam por um país livre.

 

MOVIMIENTONós mal subimos nos dois pés / Começamos a migrar pela savana / Seguindo o rebanho de bisões / Além do horizonte / Para novas terras, longe / As crianças de costas e expectantes / Olhos em alerta, todos ouvidos / Farejando aquela paisagem nova e desconhecida intrigante / Somos uma espécie viajante / Não temos pertences, mas bagagem / Vamos com o pólen ao vento / Estamos vivos porque estamos em movimento / Nunca estamos parados, somos transumantes / Somos pais, filhos, netos e bisnetos de imigrantes / É mais meu o que sonho do que o que toco eu não sou daqui / Mas nem você eu não sou daqui / Mas nem você / De lugar nenhum / De todo lugar um pouco / Atravessamos desertos, geleiras, continentes / O mundo inteiro de ponta a ponta / Teimosos, sobreviventes / O olho no vento e nas correntes / Mão firme no remo / Nós carregamos nossas guerras / Nossas canções de ninar / Nosso curso feito de versos / De migrações, de fomes / E sempre foi assim, desde o infinito / Éramos a gota d'água viajando no meteorito / Atravessamos galáxias, vazio, milênios / Estávamos procurando oxigênio, encontramos sonhos / Nós mal subimos nos dois pés / E nós nos encontramos na sombra da fogueira / Nós ouvimos a voz do desafio / Nós sempre olhamos para o rio / Pensando na outra margem do rio / Somos uma espécie viajante / Não temos pertences, mas bagagem / Vamos com o pólen ao vento / Estamos vivos porque estamos em movimento / Nunca estamos parados, somos transumantes / Somos pais, filhos, netos e bisnetos de imigrantes / É mais meu o que sonho do que o que toco eu não sou daqui / Mas nem você eu não sou daqui / Mas nem você / Em lugar nenhum e / De todo lugar um pouco / Mesmo com canções, pássaros, alfabetos / Se você quer que algo morra, deixe pra lá. do cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler. Veja mais aqui e aqui.

 

A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON - O presente trabalho de pesquisa aborda acerca da teoria da personalidade desenvolvida pelo teórico Erik Erikson, denominada de teoria psicossocial que reside no amplo quadro das teorias psicodinâmicas da personalidade. O presente trabalho tem a finalidade de revisar a teoria contemporânea postulada por esse autor, fazendo uma breve abordagem biográfica, realizar um estudo sobre os estágios psicossociais do desenvolvimento humano, que é baseado na premissa de que o desenvolvimento decorre desde o nascimento até a morte. Procurará tratar sobre o desenvolvimento psicossocial, a identidade do ego e a formação da personalidade, a adolescência, a avaliação e a pesquisa, compreendendo, portanto, o panorama que a contribuição eriksoniana acrescentou para a ciência psicológica e o conhecimento humano. A metodologia aplicada ao presente estudo compreende uma pesquisa bibliográfica efetuada a partir de uma revisão da literatura, baseada em Roudinesco e Plon (1998), Schultz e Schultz (2014), Cloninger (2003), Friedman e Schustak (2004), Hall, Lindzey e Campbell (2002), procurando alcançar toda dimensão da proposta temática ora estudada.
A VIDA DE ERIK ERIKSON(1902-1994) - Erik Erikson nasceu em 15 de junho de 1902, Frankfurt, Alemanha. Seu pai biológico era um desconhecido dinamarquês que abandonou sua mãe antes dele nascer. Sua mãe era uma mulher judia que o criou sozinha até ele completar 3 anos de vida. Ela se casou com um pediatra e todos se mudaram para o sul da Alemanha. Durante a infância e adolescência, ele se chamava Erik Homberger, pois seus pais lhe ocultaram os detalhes de seu nascimento. Na escola, era satirizado pelas crianças por ser um judeu nórdico. Depois de se formar na escola, se tornou artista. Frequentou escolas de artes e viajou pela Europa, visitando museus e dormindo embaixo de pontes. Como pintor, seu talento logo lhe rendeu reputação de artista promissor, especialmente por seus retratos de crianças.Viveu como rebelde até seus 25 anos, quando começou a dar aulas de artes numa escola experimental para estudantes americanos. Lá, através de amigos em comum, acabou conhecendo Anna Freud, que se tornou sua psicanalista e o incentivou a estudar Psicanálise. Nessa época, também conheceu uma professora canadense de dança, com quem se casou e teve 3 filhos. Ele graduou-se no Instituto Psicanalítico de Viena, em 1933, se especializando em psicanálise infantil. Iniciou seu trabalho clínico nos Estados Unidos neste mesmo ano, e foi analista didático nos Institutos da Associação Americana de Psicanálise, desde 1942. Sua carreira inclui cargos nas escolas de Medicina de Harvard e Yale, na Universidade da Califórnia e na Clínica Austin Rigg. Tornou-se um psicanalista de renome que fez grandes contribuições no campo psicológico e sua própria história de vida contribuiu para a formulação de seus conceitos e teorias, entre os quais focalizou o desenvolvimento contínuo da personalidade através de toda a vida, um conceito que ele estudou numa variedade de situações socioculturais. Durante sua carreira, Erikson se envolveu em estudos sobre a influência da cultura e da sociedade no desenvolvimento infantil. Ele estudou grupos de crianças nativo-americanas para formular suas teorias. Esses estudos possibilitaram a correlação da formação da personalidade com os valores sociais e familiares.
A TEORIA DE ERIKSON - A teoria desenvolvida por Erik Erikson, conforme Cloninger (2003) e Schultz e Schultz (2014), se inscreve no contexto da abordagem dos estágios contínuos, concentrando-se no desenvolvimento da personalidade durante toda vida. Denomina-se Teoria de Desenvolvimento Psicossocial por ter tentar explicar o comportamento e o crescimento humanos, por meio de etapas ou estágios, que compreendem desde o nascimento até a morte. Nessa teoria o autor defende que todos os aspectos da personalidade podem ser explicados em termos de momentos decisivos ou crises que o ser humano precisa enfrentar e resolver em cada fase de desenvolvimento. As diferenças individuais detectadas por Erikson, determinam que os indivíduos diferem quanto às forças do seu ego, apresentando diferenças de personalidade e biológicas. A adaptação e o ajustamento nessa teoria identifica que um ego forte é a chave para a saúde mental, derivando de uma boa resolução das fases de desenvolvimento, com predominância pelas forças positivas sobre as do polo negativo. Os processos cognitivos nessa teoria, definem que o inconsciente é uma força importante na personalidade, e a experiência é influenciada por modalidades biológicas que se expressam por meio de símbolos e jogos. A sociedade é entendida como aquela que modela a forma com as pessoas se desenvolvem e as instituições culturais dão suporte às forças do ego. As influências biológicas nesta teoria são determinantes cruciais da personalidade e as diferenças de sexo são fortemente influenciadas. O desenvolvimento da criança se dá ao longo de quatro fases psicossociais, cada uma delas contendo uma crise na qual se desenvolve uma força específica do ego. Os adolescentes e os adultos desenvolvem-se ao longo de outras quatro fases psicossociais. Também aí cada fase envolve uma crise e desenvolve uma força específica do ego.
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL - O desenvolvimento psicossocial, segundo Cloninger (2003), Friedman e Schustak (2004), Roudinesco e Plon (1998) e Hall, Lindzey e Campbell (2002), é o desenvolvimento da personalidade que decorre ao longo de oito estágios – denominados de Oito Estágios do Homem -, que constituem o ciclo da vida, sendo que cada estágio corresponde à formação de um aspecto particular da personalidade. Ele esboça o seu método de desenvolvimento a partir da experiência de confiança e desconfiança da criança e o começo da esperança, através da procura de identidade do adolescente, da procura de intimidade do jovem e do adulto e a resolução da crise da velhice. Essa teoria está sustentada no princípio epigenético que se aplica tanto ao desenvolvimento físico dos fetos antes do nascimento, quanto ao desenvolvimento psicológico ao longo da vida, significando, portanto, que cada estágio contribui para a formação da personalidade total, sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. Esse princípio, conforme Schultz e Schultz (2014), é a teoria de que o desenvolvimento humano é regido por uma sequencia de etapas que dependem de fatores genéticos ou hereditários. Por esse princípio epigenético da maturação, ele propõe a concepção de oito estágios de desenvolvimento psicossociais, compreendendo do nascimento até o final da vida, sendo que cada uma das fases desse estágio é atravessa por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma negativa. Os oito estágios do homem compreendem uma análise do desenvolvimento global do homem - cada estágio tem seu momento -, relacionando-se com a conquista gradual das virtudes básicas. O primeiro estágio é a infância ou o estágio oral-sensorial, abrangendo o primeiro ano ou um ano e meio de vida. É nesse período que a criança desenvolve a confiança e a desconfiança, e adquire a virtude da esperança, embasada na relação com os pais, se de confiança ou desconfiança, o que determinará sua vida e suas relações. Há que se ressaltar que durante o primeiro ano de vida a criança é substancialmente dependente das pessoas que cuidam dela, requerendo cuidado quanto à alimentação, higiene, locomoção, aprendizado de palavras e seus significados, bem como estimulação para perceber que existe um mundo em movimento ao seu redor. O amadurecimento ocorrerá de forma equilibrada se a criança sentir que tem segurança e afeto, adquirindo confiança nas pessoas e no mundo. O segundo estágio é o muscular-anal, que vai dos dezoito meses aos três ou quatro anos de idade e que possui o objetivo de desenvolver a autonomia, minimizando a vergonha e a dúvida.A musculatura anal faz parte da musculatura geral. A criança nessa fase de desenvolvimento, precisa aprender não só a dominar seu esfíncter, mas os seus músculos e aprender o que ela pode "querer" com eles. Só quando a criança tiver aprendido a confiar em sua mãe e a confiar no mundo (primeiro estágio), é que ela pode passar a ter vontade e precisar arriscar sua confiança, a fim de ver o que ela, como indivíduo digno de confiança, pode querer. O terceiro estágio é o locomotor-genital, que vai dos três ou quatro anos até os cinco ou seis anos, onde a criança aprende a ter a virtude da iniciativa, o que significa responder positivamente aos desafios do mundo, tendo responsabilidades e aprendendo novas tarefas. Os pais podem incentivar seus filhos a terem iniciativa, encorajando-os a seguirem suas ideias, ou seja, suas fantasias, curiosidades e imaginação. Durante este período a criança passa a perceber as diferenças sexuais, os papéis desempenhados por mulheres e homens na sua cultura (conflito edipiano para Freud) entendendo de forma diferente o mundo que a cerca. Nesta fase se a curiosidade sexual e intelectual natural for reprimida e castigada poderá se desenvolver um sentimento de culpa e diminuir a iniciativa de explorar novas situações ou de buscar novos conhecimentos. O quarto estágio é o de latência ou idade escolar, que vai aproximadamente dos seis aos doze anos. Essa fase trabalha a virtude da competência, eliminando os excessos de inferioridade. A melhor maneira de superar essa fase é balancear a superioridade e a inferioridade, adquirindo a virtude da competência, necessária para o justo desenvolvimento das habilidades. O quinto estágio é a adolescência, começando com a puberdade aos treze anos e terminando aproximadamente entre 18 e 20 anos. É preciso mencionar que Erikson dedicou especial importância ao período da adolescência, devido ao fato ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verifiquem acontecimentos relevantes para a personalidade adulta.O objetivo deste estágio é desenvolver a virtude da fidelidade, ou seja, uma capacidade de perceber e de se manter, através de valores estabelecidos por meio de um sistema de vida específico.Esta é a fase da formação da identidade do ego e da crise de identidade, utilizadas por Erikson como base para a formulação dos estágios seguintes. O sexto estágio é a fase jovem-adulta, que vai dos dezoito aos trinta anos. O objetivo é atingir a intimidade, em contraposição ao isolamento. Isso se refere ao indivíduo que, tendo ultrapassado as questões básicas do seu problema de identidade, pode mover-se em direção a questões de relacionamento com os outros, como relacionamentos íntimos, de amizade, amor, intimidade sexual e, até mesmo intimidade consigo próprio. Intimidade é realmente a habilidade de fundir a sua identidade com a do outro, sem temor de estar perdendo alguma coisa de si mesmo. A virtude desenvolvida nessa fase é o amor. Amor, no contexto teórico, é estar apto a deixar os antagonismos de lado, em nome de uma boa convivência. Não é só o amor encontrado no casamento, mas também o amor por amigos, ou pelo vizinho, ou pelo colega de trabalho, entre outros. O sétimo estágio é o estágio da idade adulta, que lida com a geratividade versus estagnação e vai aproximadamente dos 25 aos 55 anos. O conceito de geratividade é uma tendência a que, na maturidade, as pessoas apresentem determinados comportamentos que aumentam sua competência em papéis de liderança, ensino, invenções, artes e ciência, atividades sociais, e em deixar uma contribuição para o bem estar das futuras gerações. Considera-se a geratividade como um diferencial positivo que a idade trás para as pessoas e que precisa ser conhecida e valorizada. Tem-se, portanto, que se trata da mais longa das idades psicossociais, compreendendo entre os 30 aos 60 anos, consistindo no conflito entre produzir, educar, cuidar do futuro e preocupar-se unicamente com as suas necessidades e interesses. A vertente positiva é a generatividade que traduz o desejo de criar novas vidas, obras de arte, ideias, objetos, educar, ensinar, ou seja, o desejo de realizar algo que nos sobreviva e que contribua para o bem-estar das gerações futuras. O indivíduo generativo = gerador ou criativo, projeta-se no futuro não se preocupando somente consigo ou com os seus.A virtude que se desenvolve neste estágio é o cuidado, que se expressa pela preocupação com os outros, o querer cuidar das pessoas e compartilhar com elas o seu conhecimento e experiências.O fracasso neste estágio, conduz à estagnação, à incapacidade de projeção no futuro, isto acontece porque, o indivíduo se torna egocêntrico, fecha-se nas suas próprias ambições dando pouco ou nada de si aos outros.A ritualização é denominada por geracional e consiste na ritualização da maternidade/paternidade, produção, ensino e papeis em que o adulto age como transmissor de valores para os mais novos. O ritualismo perverso é o autoritarismo, a usurpação da autoridade incompatível com o cuidado. O oitavo é o estágio final, o da velhice e da maturidade, que vai dos 55 a 60 anos em diante, consiste numa retrospectiva da vida ao aproximar-se do fim, em que rever escolhas, opções, realizações e fracassos. A vertente positiva é a integridade que advém do sentimento de que a vida teve sentido, há satisfação por ter vivido e a existência como algo valioso.A sabedoria é a virtude resultante do encontro da integridade com o desespero, e consiste na consciencialização das potencialidades dadas as circunstâncias, e a constatação de que não se viveu em vão. O desespero é a avaliação negativa do que se fez e a tomada de consciência de que já não se pode recomeçar, que desperdiçou o tempo e que quase nada de valioso foi criado, instalando-se a angústia e o medo da morte.A ritualização presente neste último estágio pode ser chamada de integral, que se reflete na sabedoria das idades. Assinalam Schultz e Schultz (2014) que cada uma das fases possui a sua crise, sendo esta o momento decisivo enfrentado em cada fase de desenvolvimento. Essas crises são os confrontos com o ambiente, envolvendo mudanças de perspectiva e requerendo que recorra-se à energia instintiva de acordo com as necessidade de cada estágio do ciclo de vida. Observou-se, conforme Schultz e Schultz (2014) que cada uma das fases possui uma força básica que é identificada como virtude e que surgem quando a crise é resolvida satisfatoriamente. Assim, essas forças básicas são características e crenças motivadoras derivadas da resolução satisfatória da crise em cada fase de desenvolvimento. Assim como são identificadas as forças básicas, também ocorrem as fraquezas básicas que são as características motivadoras derivadas da resolução insatisfatória da crise de desenvolvimento. Por consequência, dá-se um mau desenvolvimento que é uma situação que ocorre quando o ego é composto apenas de uma única maneira de lidar com os conflitos.
IDENTIDADE DO EGO E FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE - Erikson, conforme Hall, Lindzey e Campbell (2002), vai apresentar um novo conceito de ego, denominado de ego criativo, uma vez que nessa instância psíquica pode-se encontrar soluções criativas para os novos problemas que o assediam em cada estágio da vida. A identidade do ego para Erikson, conforme Friedman e Schustak (2004), efetuada a partir dos oito estágios humanos, definia que o indivíduo tem que superar uma tarefa psicossocial em cada um desses estágios. A confrontação em cada tarefa produz um conflito com dois resultados possíveis: se o conflito é resolvido com êxito, constrói-se uma qualidade positiva na personalidade e se produz o desenvolvimento. Se o conflito persiste ou se resolve de forma insatisfatória, há um dano para o Ego e uma qualidade negativa se incorpora dentro dele. Para Schultz e Schultz (2014), a identidade do ego é a autoimagem formada durante a adolescência que integra as ideias quanto ao que se é e o que se quer ser. Assim, em conformidade com Erikson, a tarefa global do indivíduo é adquirir uma identidade positiva à medida que avança de uma etapa para a seguinte. A formação da identidade é um processo que dura toda a vida, amplamente inconsciente para o indivíduo, vez que suas raízes remontam à infância com a experiência de reciprocidade entre pais e filhos. A teoria de formação da identidade traz a perspectiva de que as pessoas alcançam a identidade na medida em que são capazes de se envolver em uma série de compromissos relativamente estáveis.Os tipos de compromissos relativamente estáveis necessários para alcançar um sentido de identidade incluem a decisão sobre um conjunto de valores e crenças que possam guiar as ações, uma série de objetivos educativos e profissionais dirigidos aos esforços para realizá-lose uma orientação de gênero que influi nas formas de amizade e intimidade do indivíduo com homens e mulheres, que constituem uma atitude interpessoal. A formação da identidade recebe a influência conjunta de fatores intrapessoais que compreendem as capacidades inatas do sujeito e as características adquiridas da personalidade; de fatores interpessoais que incluem identificadores com outras pessoas das que se segue o exemplo e o respeito por outras cujos conselhos são levados em conta; e de fatores culturais, que consistem nos valores sociais aos quais uma pessoa está exposta enquanto se desenvolve em um determinado país, comunidade ou grupo cultural concretos. Assim, a formação da identidade emerge como uma configuração estabelecida por meio de sucessivas elaborações e reelaborações do ego na infância.
ADOLESCÊNCIA - Influenciado pelas teorias do movimento culturalista americano, Eikson dedicou-se aos problemas da adolescência. Para ele, a adolescência é uma crise normativa, fase normal de conflito e flutuação na força do ego. Ela começa com a instância de identidade difusa, que é um estado de coisas em que o sujeito não estabelece compromissos firmes com nenhuma atitude ideológica, ocupacional ou interpessoal, nem está vislumbrando tal possibilidade. Qualquer compromisso que possa ocorrer tende a ser efêmero e a ser substituído com rapidez por outros, igualmente provisórios. Sendo a quinta idade do processo de desenvolvimento e que compreende a adolescência, quando ocorre a aquisição de uma identidade psicossocial: a compreensão da sua singularidade e de seu papel no mundo. Esta é fase que devido as influencias oriundas das fases anteriores, tem-se a partir disso a percepção de uma constituição de elementos identitários como somatórios das idades anteriormente vivenciadas. Para Erikson é o ego que vai fazer o papel de agente interno ativador, em seus aspectos conscientes e inconscientes. Essa aquisição por parte do adolescente de uma identidade psicossocial possibilita a construção da identidade, o sentimento da identidade: o sentimento de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas. Erikson define que nessa fase ocorre a moratória psicossocial que é um período de pausa entre os jovens, sendo um compasso de espera nos compromissos adultos, na procura de alternativas e de experimentação de papéis que permitem um trabalho de elaboração internas. Na adolescência é a permissão da sociedade para experimentação, exploração e ensaio aos vários estatutos e papéis sociais. Assim, a moratória psicossocial é o período intermediário admitido social para o adolescente encontrar sua posição na sociedade por meio da livre experimentação das funções. Ocorre depois de ter chegado ao autoconhecimento nos aspectos físicos, cognitivo, interpessoal, social e sexual, quando os adolescentes começam a refletir sobre os tipos de compromissos que gostariam de assumir, o que seria o estado da identidade em fase de moratória, se convertendo em um período para analisar e provar vários papéis sem a responsabilidade de assumir nenhum deles. É durante a adolescência que ocorre uma integração de todos os elementos de identidade convergentes e uma resolução de conflito, que Erikson dividiu em sete momentos fundamentais, os quais se forem superados se adquirirá uma identidade firma e a crise superada. No desenraizamento, Erikson defendia que a cada estádio de sua evolução, o sujeito podia fazer uma escolha baseada na confiança ou na desconfiança, adotando o projeto profilático do higienismo e renunciado a uma concepção psíquica da organização da personalidade. Assim, ligava a noção de estádio à de evolução biológica social, afirmando que uma pedagogia da adolescência era necessária para superar os conflitos de gerações. A preocupação do adolescente em encontrar o seu papel na sociedade provoca uma confusão de identidade, afinal, a preocupação com a opinião do outro faz com que o adolescente modifique a sua forma de ser no mundo, remodelando sua personalidade muitas vezes em um período muito curto, seguindo o mesmo ritmo das transformações físicas que acontecem com ele. Na adolescência, quando não se consegue sair da fase com um forte senso de auto-identidade, não estarão equipadas para enfrentamento da idade adulta, passando por uma crise de identidade. Essa crise significa o fracasso em adquirir a identidade do ego durante a adolescência (SCHULTZ, SCHULTZ, 2014). Tal fato se dá por ausência de uma força básica que deveria ser desenvolvida nessa fase que é a da fidelidade, que surge de uma identidade do ego coesa e que engloba sinceridade, genuinidade e senso de dever para com os outros.  
AVALIAÇÃO E PESQUISA - Erikson desenvolveu o seu método de avaliação da personalidade baseado em técnicas de terapia com brinquedos, estudos antropológicos e analises psicohistóricas.  A terapia com brinquedos é denominada de ludoterapia e era usada para trabalhar com crianças mentalmente perturbadas, observando-se as formas e a intensidade do brincar que revelavam aspectos da personalidade. Essa pratica era denominada de Construção de Cenas, uma técnica de avaliação da personalidade para crianças nas quais se analisam estruturas montadas a partir de bonecas, bocós e outros brinquedos. Segundo Hall, Lindzey e Campbell (2002), trata-se de uma psicoterapia para crianças numa situação lúdica de interação entre elas e o analista. A análise psicohistórica é um estudo biográfico, utilizando-se da estrutura da teoria dos estágios contínuos para descrever as crises e formas de lidar com figuras, concentrando-se numa crise significativa. Segundo Hall, Lindzey e Campbell (2002), trata-se de um estudo da vida individual e coletiva com os métodos combinados de psicanálise e história. As contribuições mais significativas de Erikson, conforme Hall, Lindzey e Campbell (2002), foi o de estabelecer uma teoria psicossocial do desenvolve, da qual emerge uma concepção ampliada do ego e os estudos psicohistóricos que exemplificam sua teoria psicossocial nas vidas de indivíduos famosos. Para Cloninger (2003), Erikson ajudou a psicohistória a superar o estágio de simples documentação do impacto de pessoas importantes na história, para reconhecer as influencias reciprocas entre as forças psicológicas e a história. Cloninger (2003) destaca os estudos de Erikson voltados para as diferenças étnicas e interculturais desenvolvidos sobre a cultura dos Sioux e dos Yurok descrevendo o desenvolvimento individual interligado com fatores culturais, sociais e econômicos, bem como suas pesquisa de gênero.
CONCLUSÃO - Verificou-se com a realização do presente estudo a importância do psicólogo Erik Erikson no desenvolvimento do pensamento psicanalítico e, em especial, seus estudos dedicados às crianças e aos adolescentes, notadamente com relação à questão da identidade. É de fundamental importância ter conhecimento acerca dos oito estágios humanos pensados por Erikson, com suas peculiaridades, consequências e especificações, entre os quais é possível destacar uma diversidade enorme de enquadramento com pessoas das relações mais próximas, principalmente no tocante às fases da adolescência. Esses estágios psicossociais são reveladores e constituem indispensáveis conteúdos da teoria psicodinâmica da personalidade. A dimensão dada pelo autor para o ego, ao dimensionar o ego criativo, torna-se de relevante questão para melhor entendimento do seu pensamento. Mais importante ainda é sua perspectiva sociocultural adotada e que permeia toda a sua teoria, dando destaque para a interação entre o sujeito e o seu meio. Pesquisa reveladora que bastante contribuiu para a formação daquele que deseja ser profissional da psicologia. Veja mais aquiaqui.
REFERÊNCIAS
CLOUNINGER, Susan. Teorias da personalidade. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
FRIEDMAN, Howard; SCHUSTACK, Miriam. Teorias da personalidade: da teoria clássica à pesquisa moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
HALL, Calvin; LINDZEY, Gardner; CAMPBELL, John. Teorias da personalidade. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Teorias da personalidade. Cengage Learning, 2014.

IX EDIÇÃO DO PROJETO JUSTIÇA À POESIA – A IX edição do Projeto Justiça à Poesia aconteceu agora a tarde, na 10ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho, reunindo poetas, cantores, servidores e público em geral.



Nessa edição, além da poeta Simone Moura Mendes, juízes e servidores, marcaram presença o ator Chico de Assis e a cantora Wilma Araújo que foi acompanhada do seu marido, o violonista Marcão, entre poetas e participantes.



Eis mais algumas fotos do evento.














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MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...