Mostrando postagens com marcador Joseph Conrad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joseph Conrad. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 02, 2018

PAULO FREIRE, NOVALIS, BOAL, JOSEPH CONRAD, CAROLEE SCHNEEMANN, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, ANTÔNIO NÓBREGA & LUISA SPLETT

CADA DIA UMA ESQUINA & MUITAS OUTRAS – Imagem: arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. - Ao virar a esquina, a cada dia, peito aberto, não previa, nunca, o que poderia ocorrer. Sempre assim, a expectativa do imprevisível e inevitável. Podia ser o dia de ontem ou outros que passaram quando feliz por nada ou desolado de esperanças, sem poder pedir ajuda, as escolhas sempre foram minhas e todos fugiam pros seus compromissos, sabia, eu mesmo tenho de dar bom termo para tudo, ou não, cair e pagar o pato, assim seja como for. Podia ser o Galo da Madrugada com zilhões de foliões às fantasias loucas e meio mundo de gente colorida aos pulos pelo embalo da festa carnavalesca fora de hora, só pra dizer que a basta a liberdade de se esbaldar pra ser feliz como puder. Ou um touro bravo desgovernado arrepiando a ocasião e eu paralisado de pânico, sem tempo nem pra olhar pros lados e escapulir por um buraco milagroso aberto na calçada da agonia e eu sumisse daquele aperreio, enquanto uma boiada imensa seguia aterradora pra barca de Noé estacionada não sei onde. Ou um disco voador na caça de me abduzir assim do nada, sem mais nem menos, com tanta gente dando mole, logo eu o escolhido na maior fuga, de nada adiantando, que coisa! E agora? Ou podia ser a Lua que despencou do céu rolando solta e inclemente a esmagar desavisado que aparecer pela frente, como tacada na caçapa. Ou a passeata dos milhões de deserdados,  mulheres, meninos, anciões, toda gente das periferias e centros e adjacências, esfomeados de justiça aos gritos e choros de todas as dores desse Brasilzão arrevirado de porteira escancarada. Ou uma enchente disfarçada de tsunami lavando culpas, ardis e promessas no batismo de toda santidade roubada nas horas mais difíceis. Ou até mesmo Jesus escorraçado pela fúria dos cristãos por preferi-lo crucificado para doer e salvá-los de todos os seus pecados. Ou ainda a Terra rodando ao contrário desgovernada com a fúria dos que revidam toda sorte de exploração. Ou mesmo a morte com cara de raiva pronta para prestar contas comigo. Sem saber o que fazer, desfalecia sem ter mais o que fazer. Ah, nada disso, é o meu pesadelo de olhos abertos, acordei no susto. A vida é minha e vou com todos pra descoberta do que não sei. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do artista e músico Antônio Nóbrega: Madeira que cupim não roi, Pernambuco falando para o mundo & Lunário perpétuo; da pianista suíça Luisa Splett: Sonata nº 5 Scriabin, Vallée d’Obeberman Liszt & Sonata Reminiscenza Nikolai Medtner; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] é preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história. [...]. Trecho extraído da obra Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire (Moraes, 1980), reunindo o pensamento do sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997), que na sua obra Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2001), observa que: [...] a questão fundamental, neste caso, está em que, faltando aos homens uma compreensão crítica da totalidade em que estão, captando-a em pedaços nos quais não reconhecem a interação constituinte da mesma totalidade, não podem conhecê-la. E não o podem porque, para conhecê-la, seria necessário partir do ponto inverso. Isto é, lhes seria indispensável ter antes a visão totalizada do contexto para, em seguida, separarem ou isolarem os elementos ou as parcialidades do contexto, através de cuja cisão voltariam com mais claridade à totalidade analisada [...], bem como na sua obra Pedagogia da indignação (Unesp, 2000), acrescenta que: [...] Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes [...]. Veja mais aqui.

O TEATRO & O PENSAMENTO ESTÉTICO – [...] O pensamento estético, que produz arte e cultura, é essencial para a libertação dos oprimidos, amplia e aprofunda sua capacidade de conhecer. Só com cidadãos que, por todos os meios simbólicos (palavras) e sensíveis (som e imagem), se tornam conscientes da realidade em que vivem e das formas possíveis de transformá-la. [...] Trecho extraído da obra A estética do oprimido. (Garamond, 2009), do dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009). Veja mais aqui.

A JUVENTUDE & A VIDA - [...] tenho apenas 20 anos – e aqui estou, sobrevivendo a isto tanto quanto qualquer um destes homens, e mantendo meus camaradas inteiros. Eu estava satisfeito. Não abandonaria a experiência por nada neste mundo – ou de outros. Eu tinha momentos de exultação. Toda vez que a velha e esfarrapada embarcação atirava-se pesadamente em direção ao céu, ela parecia me arremessar, como um apelo, um desafio, um grito às nuvens sem piedade. As palavras escrita na popa: Judeia, Londres. Faça ou morra. Ah, juventude! Sua força, sua fé, sua imaginação. Para mim, ela não era um velho traste carregando pelo mundo um monte de carvão como carga – para mim, ela era a empreitada, a prova, o teste da vida. Penso nela com prazer, com afeição, com pesar – como pensaria de alguém morto que um dia amara. Eu nunca a esquecerei... Passe a garrafa. [...]. Trecho extraído da obra Juventude: uma narrativa (Paz e Terra, 2003), do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924).

OS HINOS À NOITE – I - Diante do espetáculo maravilhoso do espaço aberto à sua volta, que existência viva, sensível, não ama a deliciosa luz, com suas cores, raios e ondulações, sua onipresença gentil na forma do alvorecer? O mundo gigantesco das constelações despertas inala o dia como a mais profunda alma da vida, e flutua dançando em sua torrente azulada; a pedra tranqüilamente faiscante, a pesarosa planta, o mundo selvagem, ardente e multiforme dos animais o inala; porém, mais que elas, o nobre estrangeiro com olhos brilhantes, andar altivo, lábios melodiosos e cerrados. Como um rei que comanda a natureza mundana, ele invoca os poderes para transformações incontáveis, ata e desata inúmeras alianças, sustenta sob forma celestial cada substância terrena. Sua presença por si só revela o esplendor maravilhoso dos reinos do mundo. E eu me volto para a Noite misteriosa, sagrada e indescritível. Ao longe repousa o mundo, em sepulcro profundo; um lugar solitário e arruinado. Nas cordas do peito golpeia uma tristeza profunda. Estou pronto para mergulhar nas gotas do orvalho, e misturar-me às cinzas. - A distância da memória, os desejos da juventude, os sonhos da infância, as breves alegrias e aspirações vãs de uma vida longa, surgem com uma veste acinzentada, como o vapor da tarde antes do pôr do sol. Em outras plagas a luz assentou suas tendas felizes: e se eu nunca mais retornar para suas crianças, que me esperam com a fé da inocência? O que renova todos os pressentimentos de meu coração, e acalma o ar suave da tristeza? Negra Noite, não terás uma afinidade conosco? O que seguras sob teu manto, cujos poderes ocultos afetam minh'alma? O bálsamo precioso goteja do ramo de papoulas, em tuas mãos. Tu retiras os cravos de aço da alma. De modo obscuro e indescritível, somos tocados: estarrecido de prazer contemplo a face grave que, suavemente e em prece, inclina-se sobre mim, e, em meio a olhares confusos, revela o amor jovial da Mãe. Como a luz parece agora algo pobre e infantil! como é agradável e bem-vinda a partida do dia! - Não é apenas porque a noite arrebata de ti seus servos, e lança aos abismos do espaço teus globos faiscantes, que proclamas, nos momentos de ausência, sua onipotência, e desejas seu retorno? Temos olhos que a noite abriu em nosso interior, mais divinos que aquelas estrelas brilhantes. Sua visão alcança além dos incontáveis hóspedes mais pálidos da noite. Sem auxílio da luz eles penetram as profundezas que abrangem as regiões elevadas com inefável delícia. Glória à rainha do mundo, à grande profetisa dos mundos mais sagrados, à mãe cuidadosa do delicioso amor! ela mandou-te a mim, tu a mais suavemente amada, sol gracioso da Noite. Agora desperto, pois sou teu e meu. Fizeste-me conhecer a Noite, entregaste-a a mim para que se tornasse minha vida; tu fizestes de mim um homem. Consumas meu corpo com o ardor de minh'alma, de modo que eu, tornado ar purificado, possa misturar-me completamente contigo, e assim, nossa noite de núpcias durará eternamente. Poema do poeta alemão Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg – 1772-1801).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. 
Veja mais aqui & aqui.


Gesta Pernambucana de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
Quem abre os braços sou eu, a poesia de Virgilio, a escultura de Edward Onslow Ford & a música de Belchior aqui.

domingo, outubro 29, 2017

ALDOUS HUXLEY, JOSEPH CONRAD, SUSAN SONTAG, JOAN LA BARBARA, CELSO KELLY, MARC ATTALI, LIVRO, LITERÓTICA & MARYNA.

 
Curtindo a arte musical da cantora estadunidense Joan La Barbara.

LITERÓTICA: AS PERNAS DE MARYNA – Compenetrado nas minhas escrituras, a cigarra tocou. Não esperava ninguém àquela hora, quem seria, não sei. Abro a porta e o aroma de mulher invade o ambiente. Nada melhor que a surpresa. Era ela: Maryna sedutora, maneirosa, decotada, obscena, deliciosa. Ah, como é bom vê-chegar assim irresponsável, safada, matreira. Ao entrar empurrou-me incontinente, até sentar-me à cadeira da escrivaninha. Meus olhos fixos nela, quanta gostosura. Tirou o salto alto lentamente, descalça, o busto saltava do decote, o corpo enchia minha vista, a boca cheia d’água diante da sua apetitosa emanação. Trouxe o pé desnudo ao meu ventre, massageando delicadamente meu pênis já emergente. O corte da sia expôs suas esculturais pernas, a coxa roliça, permitia a visão da calcinha guardando seu ventre abundante: a fogueira para minha heresia priápica. Manhosamente enleava, convidava-me à sua safadeza sensual. Ela jogou a cabeça para trás, respirando fundo, mãos aos cabelos e as minhas aos seus fartos seios. Desabotoei os primeiros botões do vestido, invadi por baixo do sutiã, sua pele acetinada, minha ardente lasciva. Respirava com dificuldade pelo prazer abrasador das minhas mãos na sua carne perfeita para amar e gozar. Livrando-se do vestido, tirou a calcinha e sutiã, virou-se de quatro e me expôs as suas nádegas magistrais, ah, lauto banquete, fausto monumento. Passei a língua na sua vagina úmida e ela murmurava felina, porquanto submissa, apetitosa, propícia. Meus dedos percorriam suas ancas, acariciando seu ânus e clitóris, a sua carne viçosa, ah Vênus calipígica nua, suas pernas eram duas torres aprazíveis em que eu esfregava meu sexo duro e babento, a sua respiração suspensa, e eu mais lambia aquela fonte deliciosa de prazer. É por ali que eu devia seguir sem inibição e como uma ovelha desgarrada, levantei-me e aprumei meu pau rijo ns sua correnteza copiosa, a gemer com a minha estocada, disse-me: Ah, flauta mágica, a verdadeira. E nela trepei, empurrei, meus urros indecorosos, mais pedia, mais estocava, mais gemia, mais me acumulava entre suas coxas e gozava loucamente ao meu gozo estonteante. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.


DITOS & DESDITOS – As palavras têm sua propria firmeza. A palavra na página não pode revelar (pode esconder) a flacidez da mente que a concebeu. Todos os pensamentos são evoluções – ganham mais clareza, definição, autoridade ao serem impressos – ou seja, descolados da pessoa que os pensa. A escrita é uma pequena porta. Algumas fantasias, feito grandes peças de mobiliário, não passarão por ela. Pensamento da escritora e crítica estadunidense Susan Sontag (1933-2004). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: A castidade é a mais anormal das perversões sexuais. Adoro católicos. Se não insistissem tanto em misturar-se aos cristãos, já teria me convertido a eles. Pensamento do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Veja mais aqui.

ARTE & COMUNICAÇÃO: LIBERDADE DE EXPRESSÃO – A obra Arte e comunicação (AGIR/MEC, 1972), do jornalista, escritor, teatrólogo, professor, historiador e crítico de arte Celso Kelly (1906-1979), trata sobre arte e sociedade, o fato estético, a arte e o tempo, a criação artística, fundamentos estéticos da comunicação, artes plásticas e mensagens visuais, o espetáculo e a comunicação direta, uma nova linguagem, imagem e som, as novas linguagens e o espetáculo indireto, comunicação e literatura, linguagens poéticas, jornalismo e a publicidade na conjuntura da comunicação. Na obra ele expressa: [...] A liberdade de expressão que se reivindica nas comunicações em geral tem seu fundamento na necessidade de assegurar autenticidade às comunicações, de inspirar a mais sagrada confiança do público, de atingir originalidade na criação (inclusive no anúncio) e de garantir à sua clientela os benefícios da circulação e da audiência. Só bem utilizada, a liberdade de expressão proporciona aos veículos a penetração de público a q eue eles aspiram e a força de opinião que eles pretendem. Veja mais aqui.

JUVENTUDE: UMA NARRATIVA – [...] O mundo nada mais era que uma imensidão de enormes ondas espumantes nos perseguindo, sob um céu baixo o bastante para tocarmos as mãos, e negro como um teto fumegante. [...] Havia uma completude, algo sólido como um princípio e dominante como um instinto – uma revelação de algo secreto -, aquele algo escondido, aquela dádiva boa ou má que faz a diferença racial, que molda o destino das nações. [...] as faíscas voavam para cima como o homem gera seu próprio sofrimento [...] Juventude! Tudo pela juventude! A tola, encantadora, bela juventude! [...] o primeiro suspiro do Oriente em meu rosto. Jamais esquecerei isto. Era impalpável e escravizador, como um feitiço, uma promessa sussurrada de prazer misterioso. [...] O oriente misterioso estava diante de mim, perfumado como uma flor, silencioso como a morte, escuro como um túmulo. [...] o Oriente falou comigo, mas foi numa voz ocidental. Uma torrente de palavras jorrava no silêncio enigmático e fatal; palavras estrangeiras, zangadas, misturadas com palavras e mesmo frases inteiras em bom inglês, menos estranhas, mas por isso mesmo mais surpreendentes. A voz xingava e amaldiçoava violentamente; ela cifrava a paz solene da baía com uma saraivada de ofensas [...]. Trecjos extraídos da obra Juventude: uma narrativa (Paz e Terra, 2003), do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924). Veja mais aqui.

LES ÉROTIQUES DU REGARD
Imagens da obra Les érotique du regard (Balland, 1968), do fotógrafo Marc Attali.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aqui.
Veja mais aqui. 

quinta-feira, dezembro 03, 2015

O NATAL DE POPÓ COM DENEUVE, BJÖRK, JOSEPH CONRAD, NINO ROTA. VIVIANE, LARS, TEATRO, VIVIANE, MEIMEI & MUITO MAIS!



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O NATAL DE POPÓ - Popó é o papagaio do Doro. Um psicitaciforme piouníneo, mais apropriadamente um Amazona aestiva, com colorido predominantemente verde, encontros das asas vermelhas e a fronte tingida de azul, numa plumagem atraente, brilhante e colorida. Popó? Eita, tagarela! Fala pelos cotovelos. Só vive mexendo com tudo e com todos. Mora ali já desde anos, tendo, segundo dizem, percorrido toda árvore genealógica dos Doros. É um bicho peralta, gosta de dar bicada na cabeça dos desavisados que se insinuam por seu território. Gente, com aquele bico, adunco, curto e bojudo ele proporciona uma dor indesejável em quem quer que seja. Quando não é isso, todo folgadão, num deixa de participar do converseiro familiar. Maior tititi. Para se ter uma ideia, Popó acorda o povo solfejando o hino nacional: pãrã pãrã pãrã pãrã pãrã pãrãaaaaã pãrã… É, na vera. Maior barulhada! E em tempo de copa do mundo, danou-se, aí é que ele se mostra brasileiro da gema, a ponto de se vestir a rigor, com camisa, tênis, calção, boné, todo paramentado de verde-amarelo, e de sair narrando o jogo o dia inteiro, feito locutor endiabrado, principalmente os lances de gol. E os pitacos na hora do jogo? Nossa, parece mais peru que fica dizendo faz assim, faz assado, vai porra, num deixa a peteca cair, desgraçado, vai, vai, vai!… até quando o gol sai e ele ginga solto dando bundacanasca no ar. Brasil!!!!!! - Eita, esse tomou da água de chocalho! -, reclamam costumeiramente. Ninguém vê nada, ninguém ouve nada, só dá ele na cabeça! Maior amostramento. E bote adiantado nisso. - Qualquer dia desses, eu faço esse papagaio ficar mudo! -, ameaça Doro. Outra: não pode ver chuva, ocasião que não dá o menor pio possível e quando alguém constata o seu silêncio, chega lá onde o mudo está e encontra o danado a postos, com máscara, pés-de-pato e respirador, pronto para manobras de sobrevivência. Pode? - Esse é o papagaio mais cheio de munganga, mais cheio de pantim que já vi na vida -, diz Doro mangando da ave. Ôxe, isso não é nada, ele gosta de soltar assobio para as mocinhas e mulheres que passam, dele ficar berrando: - Eita cacarejado bom! Sou bom nisso! Sou bom nisso! Isso sem contar uma paixão platônica por uma cracatua branca da vizinhança e das paqueras insolentes por uma arara doutro quarteirão, que, invariavelmente, levam-no a expressar sua dor-de-cotovelo por canções de roedeira braba. Tome lubrificação de gaia, larari, larará. - Esse Popó é corno, tenho certeza! Vai gostar de brega assim na casa de caixa-pregos, vai! -, mais uma reclamação vinda de alguém. Quando Doro mesmo chega em casa, ele logo diz: - Eita, macacada, chegou o corno-mor! Ôxe, Doro fita o folgado pelo canto do olho, prometendo providências para muito em breve. Ah, ele nem aí. E quando todos se sentam para o café da manhã, ou almoço ou jantar, ele começa o enredo, descobrindo podres de um ou de outro dos ocupantes da mesa. - Esse papagaio deve ser da turma da Candinha, vai gostar de fofoca assim na casa da puta da tua mãe, enredeiro! Nem, nem. Vôte! Mas de quem ele mais tem verdadeira ojeriza é do vizinho: o Jardenildo. Quando o cabra aparece, ele solta maior caboetagem das atitudes salafrárias do desafeto. Tudo isso, porque certo dia, Jardenildo entrou na casa e insinuou que o Popó era viado, porque tinha pra mais de 50 anos e jamais vira dizer que ele havia acasalado qualquer arara, cracatua, periquita ou tuin. - Esse papagaio deve acasalar uma brachola! -, insinuava Jardenildo. - Rapaz, mas num é qui é mermo, parece que esse papagaio quebra na munheca! -, assevera na zombaria o Doro. - Nunca que ouvi dizer que um papagaio pudesse ser tão fresco. Ai, veja o jeitão dele! É ou num é pirobo? - Rapaz, mas num é qui é mermo que ele tem todas as ferramentas!? O quêeeeeee? Popó virou na porra! Ôxe, ingicou-se de ficar imóvel por horas e horas. E o pior: lá prás tantas, o Jardenildo cheio dos quequéos, achou de, ninquém sabe por que razão, pegar o bicho desprevenido e tascar uma dedada no furico dele. Menino, foi aí que ele se indignou e prometeu revide na maior desforra. Hum, ficou invocado de formas a não querer jamais dirigir a palavra pro apaideguado. E lá se vai tempo, remoendo, remoendo. Dia desse finalmente chegara o natal, Popó lá, solto: “Jingle bell, jingle bel, acabou papel, não faz mal, não faz mal, limpe com meu pau!”. O bicho era desbocado mesmo. Parodiava as músicas natalinas com insinuações sacanas de fudelança e cornagem na redondeza. Não escapava ninguém. Depois dele soltar meio mundo de insulto, Doro arretou-se, já alterado pela carraspana, pegou Popó pelo gogó, deu-lhe uns bregues e fez com que ele bebesse aguardente. Destá, hã! Popó fez ar de maior repugnância, mas, no frigir dos ovos, gostou. Gostou tanto que até hoje cultiva o hábito de se aventurar numa cachaçada boa, enrolando a língua e soltando lorota à toa. Pois bem, foi nesse natal que ele sentiu que podia se vingar de quem guardava maior rancor. E foi, vez que lá pras tantas chega Jardenildo mostrando algo. - Doro, vê só o presente que papai Noel me deu! -, era Jardenildo não se contendo de felicidade. - Rapaz, isso foi papai Noel que deu, foi? - Foi, rapaz. - Tu tem certeza? - Tenho. Minha mulher agarantiu que papai Noel deixou isso lá em casa para mim. - Rapaz…. - Verdade. Eu confio na minha mulher. Ela é a mais honesta do mundo. - Rapaz…. - Tá duvidando da honra da minha mulher, é? Se ela disse que foi papai Noel, disse por que foi! Pronto! Aí Popó se vingou: - A-há! Esse papai Noel é um sujeito pintudo que dá uns amasso na madame mulher dele, toda vez que ele não tá em casa. O cara é só socavando nela. Pronto. Não tá mais aqui quem falou, câmbio, desligo! Bum!!!!! Era uma vez… E veja mais aqui.


Imagem: Female nude, do artista plástico inglês William Etty (1787-1849). Veja mais aqui.

 Curtindo os álbuns The Film Music of Nino Rota & The Essential Nino Rota Film Music Colletion, com as música para o cinema do compositor italiano Nino Rota (1911-1979).

ELAS NÃO SABEM O QUE DIZEM – Na obra Elas não sabem o que dizem: Virginia Woolf, as mulheres e a psicanálise (Zahar, 1999), da psicanalista francesa de origem neerlandesa, Maud Mannoni (1923-1998), destaco os trechos: [...] A família do século XIX acabou. A de hoje se funda no contrato social imaginado por Rousseau para a vida política; repousa sobre um “estar junto”, respeitando a vida profissional da mulher, associando pai e mãe na responsabilidade da educação dos filhos. [...] Não há como evitar: a mulher, como mãe, encontra-se na origem da guerra dos sexos que ocorre no inconsciente dos homens. Em nome da mãe excessivamente presente e do pai ausente, ela está também na origem da relação de ódio-amor que as mulheres têm entre si mesmas. Sua função de educadora é sempre marcada por ter mãe demais ou de menos. O pai, paradoxalmente, se beneficia em estar menos presente: é assim mais facilmente idealizado. O lugar simbólico que lhe é atribuído não depende da importância que a mãe lhe dá, em sua fala? O pai presente na fala da mãe – foi a isso que Lacan nos tornou atentos. Mas, se ele não está suficientemente presente como referente na fala da mãe, é mais uma vez esta que será acusada! Não fomos nós que fabricamos esse homem misógino, autoritário, talvez um pouco condescendente em relação às mulheres quando simplesmente não as despreza? Essa teia de aranha da qual ele quer escapar, para, quando adulto, prender nela a mulher, não se teceu sem que as próprias mães soubessem? A divisão sexual das tarefas, a proibição do incesto, a união reconhecida dos casais (casados ou concubinos) são o próprio fundamento da estrutura social. Daí resultam atores sociais (homens e mulheres) e uma relação que se traduz por uma desigualdade vivida, embora, no Ocidente, se tenda cada vez mais para uma “igualdade dos sexos”. [...] Veja mais aqui e aqui.

O CORAÇÃO DAS TREVAS – No livro O coração das trevas (Estampa 2000), do escritor polonês radicado na Inglaterra, Joseph Conrad (1857-1924), destaco o trecho: A Nellie, chalupa de recreio, rodou à volta da âncora sem panejar as velas, e ficou imóvel. A maré enchia quase sem vento, e com o seguíamos rio abaixo só nos restava fundear à espera da viragem. O estuário do Tamisa rasgava-se como a boca de um canal interminável. Céu e mar uniam-se ao largo, sem traço de separação, e as velas crestadas das barcaças, a subirem com a maré, pareciam imobilizar-se no espaço luminoso como fardos de lona muito tensa, vermelhos, onde luzia o verniz dos mastros. As margens baixas corriam para o mar e sobre elas carregava uma névoa diluída na planura. O ar estava sombrio acima de Gravesend, e mais longe parecia condensar-se numa treva desolada que pesava, imóvel, sobre a mais vastae grandiosa cidade do mundo. O diretor da Companhia era nosso capitão e anfitrião. De costas, com os olhos postos no mar, a nós quatro inspirava simpatia. Em todo o rio nada havia mais náutico do que ele. Tinha ar de piloto de barra, o que entre marinheiros quer dizer confiança personificada. Era difícil admitirmos que a sua profissão deixasse de chamá-lo ali, ao luminoso estuário, e o não levasse longe, para enigmáticas sombras. Eu já disse noutro lado que a todos nos ligava o laço do mar. Em largos períodos de afastamento mantinha unidos os nossos corações, mas, além disso, garantia a tolerância mútua que devemos às nossas histórias - ou mesmo certezas. O advogado - o melhor dos camaradas – era homem com tantos anos e virtudes que lhe dávamos direito à única almofada e a estender-se no único tapete do convés. O contabilista já tinha à frente a caixa do dominó e divertia-se a fazer construções com pedras de osso. Marlow, esse estava à popa com as pernas cruzadas e encostado ao mastro da catita. Era um homem de rosto cavado, tez lívida e tronco hirto. Com ar ascético de ídolo. [...]. Veja mais aqui.

A VOZ, A POESIA & VÍDEOS – Como sinal de gratidão e indispensável homenagem, fiz uma reunião parcial do trabalho da queridamada poeta e radialista Meimei Corrêa no Blogagenda. Lá estão os poemas dela recitados por ela mesma, os meus poemas na voz dela, as canções de parcerias dela e as que fiz pra ela e os meus poemas recitados por mim e dedicados pra ela, todos já incluídos no meu canal do YouTube, relacionados nessa seleção do excelente trabalho por ela desenvolvido. Ela além dessa atividades edita o maravilhoso blog Baú deIlusões, no qual ela reúne todo o seu trabalho literário e demais atividades. Entre os poemas que ela a mim dedicou, destaco Ser teu amor: Ser teu amor é mais que renascer Para a vida que antes não me sorria É sonhar, ser livre, ter paz, viver Sou tão feliz por ser tua alegria Ser teu amor faz da vida um encanto Que acolhe a poesia dos meus segredos Tu me afagas, secas meu pranto E arrancas do meu ser todos os medos Ser teu amor faz de mim tua musa Faz de mim paixão debaixo da blusa E toda a explosão no meu coração Ser teu amor é brilhar no sorriso Que me vem de ti e o que mais preciso Se seguimos juntos nessa emoção. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A PEÇA DE TEATRO – No livro Teatro (Fename, 1980), da escritora e dramaturga Maria Clara Machado (1921-2001), encontro o texto A peça de teatro, o qual destaco: As histórias passadas no teatro são chamadas de peças de teatro e o lugar onde se passam essas histórias chama-se palco. Para haver teatro é preciso uma história, alguns atores para representar e um palco. O palco pode ser daqueles que se veem comumente nos teatros com cortina e cenários e pode ser também qualquer lugar onde haja espaço para se representar. Uma sala grande ou um tablado armado no meio de um terreno, tudo isso pode servir para se representar uma peça. Como é que se começa a fazer uma peça de teatro? depois que ela foi escrita pelo dramaturgo (escritor de peças de teatro), o diretor da peça reúne os atores para distribuir os papeis. Então ele escolhe os atores e atrizes que vão representar a peça. Aí começa um trabalho muito difícil. É o estudo da história pelo diretor e pelos atores para se entender o que a história quer contar. Todos se sentam em volta de uma mesa, cada um com um texto na mão e começam a ler seus papeis enquanto o diretor vai descobrindo a significação de tudo. E ele sabe a significação de tudo? Bem, ele tem mais experiência que os atores e procura, ouvindo a história, descobrir por que um personagem (personagem são as pessoas da peça) faz isto ou aquilo. Por exemplo: se um personagem chamado João diz para sua irmã que se chama Maria “Vamos fugir de casa” o diretor e os atores têm que descobrir se João está brincando, se está falando sério, se quer mesmo fugir porque está infeliz, etc. Só depois de descobrir estas coisas é que os atores começam a se movimentar. Depois de estudar o texto, então eles vão para o palco. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


DANCER IN THE DARK – O drama musical Dancer in the Dark (Dançando no escuro, 2000), dirigido e roteirizado pelo cineasta dinamarquês Lars von Trier, é o terceiro da trilogia composta pelos filmes Ondas do destino e Os idiotas. O filme se passa nos Estados Unidos, no ano de 1964, e a protagonista, uma imigrante tcheca que se mudou para aquele país com seu filho, aluga um trailer na propriedade do policial local e sua esposa, onde vive muito humildemente. Para sobreviver, trabalha em uma fábrica de indústria metalúrgica pesada com sua melhor amiga. O que ninguém sabe é que uma delas sofre de uma doença hereditária degenerativa que está lhe ocasionando uma rápida cegueira progressiva. Por este motivo, ela guarda cada centavo em uma lata em sua cozinha para custear uma operação que evite que seu filho sofra do mesmo destino. O destaque do filme é duplo: primeiro, para a sempre bela atriz francesa Catherine Deneuve e, em segundo para a protagonista, a cantora e compositora islandesa Björk, que compôs e gravou a trilha sonora em um dos seus álbuns, Selmasongs. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor francês Étienne-Maurice Falconet (1716-1791).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poeta, filósofa, psicóloga e psicanalista capixaba, Viviane Mosé. Veja aqui e aqui.

sexta-feira, maio 08, 2009

FERNANDO PESSOA, JOSEPH CONRAD, NOVALIS. ROLAND BARTHES, GILBERT STUART & DIREITOS HUMANOS


 
A arte do pintor estadunidense Gilbert Stuart (1755-1828)

DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS – Ao efetuar uma leitura da obra, Direitos humanos fundamentais: teoria geral, comentários aos arts. 1º a 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e jurisprudência (Atlas, 1998), de Alexandre de Moraes, constatou-se a divisão em duas partes, para analisar a Teoria geral dos Direitos Humanos detalhadamente, para em seguida direcionar-se para as previsões constitucionais de direitos e garantias fundamentais. Na segunda parte da obra, os comentários aos artigos 1° a 5° da Constituição, inciso por inciso, permite detalhar o perfil doutrinário e jurisprudencial de cada um dos direitos humanos fundamentais, comparativamente às previsões de diversas Constituições estrangeiras às Declarações de Direitos Humanos e aos Tratados Internacionais de Proteção de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil. Nos primeiros capítulos de seu livro o escritor aborda temas como os Direitos humanos fundamentais e constitucionalismo, a interpretação das normas constitucionais e sua aplicação aos direitos humanos fundamentais, evolução histórica dos direitos humanos fundamentais, entre outros temas diversos e importantes na Carta Magna. Seu livro é recheado de citações doutrinárias, nacionais e internacionais, jurisprudências do STF, do STJ e dos demais Tribunais Superiores, como também dos Tribunais Regionais Federais e Estaduais, presente principalmente em temas polêmicos, mostrando seus posicionamentos. Também escreve sobre várias decisões dos Tribunais, onde o magistrado tem maior âmbito de pesquisa e sempre pode ter o livro a mão para eventuais pesquisas. Em certos momentos do livro o autor nos mostra duplas concepções de alguns conceitos. Existe uma ampla discussão e extensa produção doutrinária sobre o tema no campo do Direito. É possível afirmar que tais discussões não são meras indagações, mas a tomada de posição culmina em conseqüências decisivas para a proteção concreta da pessoa nos diversos âmbitos da Ciência Jurídica. Com linguagem clara e voltada para estudantes e profissionais da área, na parte II, título I, ele aborda o princípio da dignidade humana, fazendo explanações abrangentes comentando que sua finalidade é a proteção contra o poder estatal arbitrário e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana, que são os direitos humanos fundamentais. O estudo da pessoa humana e de sua dignidade não é assunto simples, como muitos pensam, se mostrando um assunto de várias posições frente a tantas divergências, seja no âmbito filosófico ou jurídico, seja no doutrinário e jurisprudencial. As divergências abrangem desde seu significado até o âmbito de proteção. E para a compreensão da dignidade é imprescindível, assim, que o jurista recorra aos entendimentos filosóficos, históricos e políticos. Mas, ao mesmo tempo em que diz o Autor do livro serem os princípios uma proteção contra os poderes desmedidos do Estado, afirma logo após que os direitos humanos fundamentais não podem ser usados como escudo protetivo de práticas ilícitas ou como argumento para afastar a responsabilidade civil ou penal criminosa, pois é um desrespeito a um verdadeiro Estado de direito, demonstrando assim contradições no que diz. Fala dos fundamentos da República Federativa do Brasil, reportando a opiniões de outros autores, seguidos de seus comentários de maneira clara, com um vocabulário conciso e direto. Diz que o intérprete, quando houver o conflito de dois ou mais direitos fundamentais, deve-se valer do princípio da concordância prática ou da harmonização, para combinar e dirimir os conflitos, buscando o verdadeiro significado da norma do texto constitucional com suas principais finalidades. Ele adentra também num tema bem polêmico nos dias de hoje, que é a dignidade humana e a produção de provas em investigação de paternidade, colocando que os meios para a obtenção das provas devem respeitar sempre esse princípio, sob pena de prova ilícita. Na esteira de pensamento de Alexandre de Morais seria o “Conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito e a sua dignidade, por meio de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana”. Após esta análise, pode-se, de uma forma genérica, chegar a um conceito de que direitos humanos seria todo abster do poder Estatal para garantir ao cidadão o mínimo de direitos concernentes a sua incolumidade física, ou seja, à vida, à liberdade, e a propriedade, aos denominados direitos e garantias fundamentais de primeira geração. Como não há hierarquia entre os direitos fundamentais, eles devem ser analisados como direitos interdependentes, devendo ser acumulados. Alexandre de Moraes define direitos humanos fundamentais como sendo: “O conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana”. Os temas polêmicos, abordados com clareza, posicionam o leitor sobre as diversas interpretações, trazendo opiniões de vários doutrinadores e julgados de diversos tribunais, sendo igualmente analisadas as decisões e resoluções do CNJ e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A obra é enriquecida com citações STF em todas as questões importantes, indicando os repertórios ou mesmo o Diário da Justiça onde a íntegra da ementa ou do acórdão poderá ser encontrada. Como o livro de Alexandre de Moraes condensa a análise doutrinária e jurisprudencial da Constituição Federal, proporciona, desde fonte de consultas para a solução das problemáticas constitucionais até reflexos nos diversos campos do Direito, tratando de um estudo profundo das normas constitucionais atuais, comparando-as com as Constituições Brasileiras anteriores e de diversos países. Conclui-se, assim, que a referida obra é indicada para pessoas que desejam desde um aprendizado didático até uma orientação aos profissionais da área, também, portanto, para todos nós estudantes e defensores do constitucionalismo, o livro é indicado na manutenção, aprimoramento e fortalecimento de nossos estudos, na defesa intransigente da probidade administrativa e dos Direitos Fundamentais. Veja mais aqui e aqui.


DITOS & DESDITOS – Não existe senão um só tempo no universo e é o Corpo do Homem. Curvar-se diante do homem é um ato de reverência diante desta Revelação da Carne. Tocamos o céu quando colocamos nossas mãos num corpo humano. Pensamento do poeta alemão Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg – 1772-1801). Veja mais aqui e aqui.

A ESCRITURA & A VOZ - [...] a escritura é a destruição de toda voz, de toda origem. A escritura é esse neutro, esse composto, esse oblíquo pelo qual foge o nosso sujeito, o branco-e-preto em que vem se perder toda identidade, a começar pela do corpo que escreve [....] o escritor moderno nasce ao mesmo tempo que seu texto; não é, de forma alguma, dotado de um ser que precedesse ou excedesse a sua escritura, não é em nada o sujeito de que o seu livro fosse o predicado; outro tempo não há senão o da enunciação, e todo texto é escrito eternamente aqui e agora [...]. Trechos extraídos da obra O rumor da língua (70, 1987), do escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês, Roland Barthes (1915-1980). Veja mais aqui e aqui.

CORAÇÃO DAS TREVAS - [...] Eram homens para encarar as trevas de frente. E talvez lhes não faltasse coragem por trazerem debaixo de olho uma promoção rápida no exército de Ravena, caso contassem com os bons amigos de Roma e sobrevivessem aos rigores do clima. Ou imaginem um jovem e honesto cidadão de toga–perito a jogar aos dados, não sei se estão a ver – aqui chegado na esteira de um administrador qualquer, de um cobrador de impostos ou mesmo mercador, para fazer fortuna. Desembarcar num pântano, marchar através de bosques e sentir que a selvajaria, a verdadeira selvajaria de um posto do interior, se fechou à volta dele - toda a misteriosa e selvagem vida que põe florestas e matagais a vibrar, o coração dos homens não civilizados. Não são mistérios em que as pessoas pos sam iniciar-se. Só há que viver no meio do incompreensível e detestável também. Mas fascinante e capaz de atuar em nós. Como sabem, a fascinação do abominável. Imagine-se a saudade crescente, o forte desejo de evasão, o impotente desagrado, a abdicação, o ódio. Fez uma pausa. - Notem - recomeçou, erguendo um braço a partir do cotovelo com a palma da mão virada para fora e as pernas cruzadas à frente, autêntico arde buda vestido à europeia e a pregar sem flor de lótus -, notem que nenhum de nós sentiria o mêsmo. O que nos salva é a eficiência - a devoção pela eficiência. Mas aquela gente não tinha lá grande préstimo, na verdade. Não era colonizadora: ao que suponho, o seu império era espremer e mais nada. Conquistadora era, e para isso há que ter força bruta – coisa que não devemos gabar, quando existe, pois não passa de mero acidente e resulta da fraqueza alheia. Deitavam a mão ao que podiam, só pelo gosto de possuir. Nada mais do que roubo violento, crime agravado pela sua grande escala e os homens a ceder-lhe como cegos – vulgar atitude dos que têm de enfrentar as trevas. A conquista da terra (na maior parte dos casos roubá-la aos de cor diferente ou nariz mais achatado) não será bonita coisa se olhada de muito perto. Só a ideia que ela implica consegue redimi-la. A ideia que a sustenta; não sentimental pretexto, mas ideia; e uma fé desinteressada nessa ideia qualquer coisa que pode ser erguida e venerada, a que podem os oferecer um sacrifício... [...]. Trecho da obra O Coração das Trevas (L&PM, 2002), do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924). Veja mais aqui e aqui.

O MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL - O meu olhar é nítido como um girassol, / Tenho o costume de andar pelas estradas / Olhando para a direita e a esquerda / E de vez em quando olhando para trás... / E o que vejo a cada momento / É aquilo que nunca antes eu tinha visto, / E eu sei dar por isso muito bem... / Sei Ter o pasmo essencial que tem uma criança / Se ao nascer, reparasse que nasceras deveras... / Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo / Creio no mundo como um malmequer / Porque o vejo, mas não penso nele / Porque pensar é não compreender / O mundo não se fez para pensarmos nele / (Pensar é estar doente dos olhos) / Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... / Eu não tenho filosofia, tenho sentidos... / Se falo na natureza não é porque a amo, amo-a por isso, / Porque quem ama nunca sabe o que ama. / Nem sabe porque ama, nem o que é amar... / Amar é a eterna inocência / E a única inocência é não pensar. Poema de Alberto Caieiro, heterônimo do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935). Veja mais aqui e aqui.

 A arte do pintor estadunidense Gilbert Stuart (1755-1828)




Veja mais sobre:
A manhã de Madalena na Manguaba, Jorge de Lima, Nando Cordel, Em busca de vida, Psicologia & Contação de histórias aqui.

E mais:
Violência contra crianças e adolescentes, Ralf Waldo Emerson, Antônio Carlos Secchin, Rodolfo Mederos, Izaías Almada, Andrew Niccol, Orlando Teruz, Rita Levi-Montalcini & Madame Bovary aqui.
ENEM & Os segundos de sabedoria aqui.
Literatura de Cordel: A mulher de antigamente e a mulher de hoje em dia, de Manoel Monteiro aqui.
O Direito como sistema autopoiético aqui.
A Terra, Saint-Martin, Salvador Espriu, Ettore Scola, Lidia Bazarian, Antonio Bivar,Xue Yanqun, Teles Júnior, Adriana Russo, Direitos fundamentais & garantias constitucionais aqui.
Big Shit Bôbras, Indignação, Calígula, Ísis Nefelibata & Tabela de Graduação do Machochô aqui.
Cooperativismo e reforma agrária aqui.
Big Shit Bôbras, Provébio Chinês, Liderança essencial, A qualidade na escola, Johann Nepomuk Geiger & a  Oração das mulheres resolvidas aqui.
As musas Tataritaritatá aqui.
Educação sexual & Gravidez na adolescência aqui.
Direito à Saúde aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...