Mostrando postagens com marcador Antônio Nóbrega. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antônio Nóbrega. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 02, 2018

PAULO FREIRE, NOVALIS, BOAL, JOSEPH CONRAD, CAROLEE SCHNEEMANN, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, ANTÔNIO NÓBREGA & LUISA SPLETT

CADA DIA UMA ESQUINA & MUITAS OUTRAS – Imagem: arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. - Ao virar a esquina, a cada dia, peito aberto, não previa, nunca, o que poderia ocorrer. Sempre assim, a expectativa do imprevisível e inevitável. Podia ser o dia de ontem ou outros que passaram quando feliz por nada ou desolado de esperanças, sem poder pedir ajuda, as escolhas sempre foram minhas e todos fugiam pros seus compromissos, sabia, eu mesmo tenho de dar bom termo para tudo, ou não, cair e pagar o pato, assim seja como for. Podia ser o Galo da Madrugada com zilhões de foliões às fantasias loucas e meio mundo de gente colorida aos pulos pelo embalo da festa carnavalesca fora de hora, só pra dizer que a basta a liberdade de se esbaldar pra ser feliz como puder. Ou um touro bravo desgovernado arrepiando a ocasião e eu paralisado de pânico, sem tempo nem pra olhar pros lados e escapulir por um buraco milagroso aberto na calçada da agonia e eu sumisse daquele aperreio, enquanto uma boiada imensa seguia aterradora pra barca de Noé estacionada não sei onde. Ou um disco voador na caça de me abduzir assim do nada, sem mais nem menos, com tanta gente dando mole, logo eu o escolhido na maior fuga, de nada adiantando, que coisa! E agora? Ou podia ser a Lua que despencou do céu rolando solta e inclemente a esmagar desavisado que aparecer pela frente, como tacada na caçapa. Ou a passeata dos milhões de deserdados,  mulheres, meninos, anciões, toda gente das periferias e centros e adjacências, esfomeados de justiça aos gritos e choros de todas as dores desse Brasilzão arrevirado de porteira escancarada. Ou uma enchente disfarçada de tsunami lavando culpas, ardis e promessas no batismo de toda santidade roubada nas horas mais difíceis. Ou até mesmo Jesus escorraçado pela fúria dos cristãos por preferi-lo crucificado para doer e salvá-los de todos os seus pecados. Ou ainda a Terra rodando ao contrário desgovernada com a fúria dos que revidam toda sorte de exploração. Ou mesmo a morte com cara de raiva pronta para prestar contas comigo. Sem saber o que fazer, desfalecia sem ter mais o que fazer. Ah, nada disso, é o meu pesadelo de olhos abertos, acordei no susto. A vida é minha e vou com todos pra descoberta do que não sei. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do artista e músico Antônio Nóbrega: Madeira que cupim não roi, Pernambuco falando para o mundo & Lunário perpétuo; da pianista suíça Luisa Splett: Sonata nº 5 Scriabin, Vallée d’Obeberman Liszt & Sonata Reminiscenza Nikolai Medtner; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] é preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história. [...]. Trecho extraído da obra Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire (Moraes, 1980), reunindo o pensamento do sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997), que na sua obra Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2001), observa que: [...] a questão fundamental, neste caso, está em que, faltando aos homens uma compreensão crítica da totalidade em que estão, captando-a em pedaços nos quais não reconhecem a interação constituinte da mesma totalidade, não podem conhecê-la. E não o podem porque, para conhecê-la, seria necessário partir do ponto inverso. Isto é, lhes seria indispensável ter antes a visão totalizada do contexto para, em seguida, separarem ou isolarem os elementos ou as parcialidades do contexto, através de cuja cisão voltariam com mais claridade à totalidade analisada [...], bem como na sua obra Pedagogia da indignação (Unesp, 2000), acrescenta que: [...] Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes [...]. Veja mais aqui.

O TEATRO & O PENSAMENTO ESTÉTICO – [...] O pensamento estético, que produz arte e cultura, é essencial para a libertação dos oprimidos, amplia e aprofunda sua capacidade de conhecer. Só com cidadãos que, por todos os meios simbólicos (palavras) e sensíveis (som e imagem), se tornam conscientes da realidade em que vivem e das formas possíveis de transformá-la. [...] Trecho extraído da obra A estética do oprimido. (Garamond, 2009), do dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009). Veja mais aqui.

A JUVENTUDE & A VIDA - [...] tenho apenas 20 anos – e aqui estou, sobrevivendo a isto tanto quanto qualquer um destes homens, e mantendo meus camaradas inteiros. Eu estava satisfeito. Não abandonaria a experiência por nada neste mundo – ou de outros. Eu tinha momentos de exultação. Toda vez que a velha e esfarrapada embarcação atirava-se pesadamente em direção ao céu, ela parecia me arremessar, como um apelo, um desafio, um grito às nuvens sem piedade. As palavras escrita na popa: Judeia, Londres. Faça ou morra. Ah, juventude! Sua força, sua fé, sua imaginação. Para mim, ela não era um velho traste carregando pelo mundo um monte de carvão como carga – para mim, ela era a empreitada, a prova, o teste da vida. Penso nela com prazer, com afeição, com pesar – como pensaria de alguém morto que um dia amara. Eu nunca a esquecerei... Passe a garrafa. [...]. Trecho extraído da obra Juventude: uma narrativa (Paz e Terra, 2003), do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924).

OS HINOS À NOITE – I - Diante do espetáculo maravilhoso do espaço aberto à sua volta, que existência viva, sensível, não ama a deliciosa luz, com suas cores, raios e ondulações, sua onipresença gentil na forma do alvorecer? O mundo gigantesco das constelações despertas inala o dia como a mais profunda alma da vida, e flutua dançando em sua torrente azulada; a pedra tranqüilamente faiscante, a pesarosa planta, o mundo selvagem, ardente e multiforme dos animais o inala; porém, mais que elas, o nobre estrangeiro com olhos brilhantes, andar altivo, lábios melodiosos e cerrados. Como um rei que comanda a natureza mundana, ele invoca os poderes para transformações incontáveis, ata e desata inúmeras alianças, sustenta sob forma celestial cada substância terrena. Sua presença por si só revela o esplendor maravilhoso dos reinos do mundo. E eu me volto para a Noite misteriosa, sagrada e indescritível. Ao longe repousa o mundo, em sepulcro profundo; um lugar solitário e arruinado. Nas cordas do peito golpeia uma tristeza profunda. Estou pronto para mergulhar nas gotas do orvalho, e misturar-me às cinzas. - A distância da memória, os desejos da juventude, os sonhos da infância, as breves alegrias e aspirações vãs de uma vida longa, surgem com uma veste acinzentada, como o vapor da tarde antes do pôr do sol. Em outras plagas a luz assentou suas tendas felizes: e se eu nunca mais retornar para suas crianças, que me esperam com a fé da inocência? O que renova todos os pressentimentos de meu coração, e acalma o ar suave da tristeza? Negra Noite, não terás uma afinidade conosco? O que seguras sob teu manto, cujos poderes ocultos afetam minh'alma? O bálsamo precioso goteja do ramo de papoulas, em tuas mãos. Tu retiras os cravos de aço da alma. De modo obscuro e indescritível, somos tocados: estarrecido de prazer contemplo a face grave que, suavemente e em prece, inclina-se sobre mim, e, em meio a olhares confusos, revela o amor jovial da Mãe. Como a luz parece agora algo pobre e infantil! como é agradável e bem-vinda a partida do dia! - Não é apenas porque a noite arrebata de ti seus servos, e lança aos abismos do espaço teus globos faiscantes, que proclamas, nos momentos de ausência, sua onipotência, e desejas seu retorno? Temos olhos que a noite abriu em nosso interior, mais divinos que aquelas estrelas brilhantes. Sua visão alcança além dos incontáveis hóspedes mais pálidos da noite. Sem auxílio da luz eles penetram as profundezas que abrangem as regiões elevadas com inefável delícia. Glória à rainha do mundo, à grande profetisa dos mundos mais sagrados, à mãe cuidadosa do delicioso amor! ela mandou-te a mim, tu a mais suavemente amada, sol gracioso da Noite. Agora desperto, pois sou teu e meu. Fizeste-me conhecer a Noite, entregaste-a a mim para que se tornasse minha vida; tu fizestes de mim um homem. Consumas meu corpo com o ardor de minh'alma, de modo que eu, tornado ar purificado, possa misturar-me completamente contigo, e assim, nossa noite de núpcias durará eternamente. Poema do poeta alemão Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg – 1772-1801).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. 
Veja mais aqui & aqui.


Gesta Pernambucana de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
Quem abre os braços sou eu, a poesia de Virgilio, a escultura de Edward Onslow Ford & a música de Belchior aqui.

quarta-feira, outubro 04, 2017

CARLOS EDUARDO NOVAES, DAVID HARVEY, NICANDRO NUNES DA COSTA, DAVID SALLE, TRABALHO, CIDADANIA & DESIGUALDADE SOCIAL

DE REPENTE A CRISE - Imagem: arte do pintor, gravador e estilista estadunidense David Salle.- Uma pedra caiu na água, danou-se! Deu-se a crise: não era nem um pedregulho para tanto transtorno alardeado, era só um cascalho, coisinha miúda de provocar pequenas ondas, nadica de nada. Já viu: se é pra manter temores, é só boato de coisa ruim pra enganar tantos bestas que nem eu. Sei não. Já soube? Um touro fugiu do cercado – assim feito um leão furioso que escapuliu da jaula -, crise: não era nem um daqueles que bufam brabeza de se correr pé na bunda levantando poeira, nada, foi só pra testar a carreira, era um garrotinho crescido que vendiam por tragédia anunciada das lendas do arco da velha. Que coisa! Ah, tem mais! Mesmo? Foi. Fulano peidou na esquina, vixe! Pronto, já davam por terremoto ineivado, coisa de matar todo mundo com a fedentina, de se esperar explosões de armagedom. Dizem até que o provocante findou reduzido às cinzas pela combustão humana. Vai-te! Pois é, pras expectativas escatológicas um dia o mundo acaba ou de fogo, ou de água, ou do sei lá o quê, sabem apenas que acaba e fim de papo. Pois é, de nada, manobras e outras escusas práticas engalobadoras dão conta de cabelinho de sapo como se fosse o fim do mundo do estardalhaço. Assim é a crise que tanto falam: basta reduzirem um tiquinho de nada os lucros ou escassearem por instantinho de nada as entradas ou captações dos que querem tudo o tempo todo, logo se instala uma crise de plantão que já dura, pelo menos pra mim, mais de sessenta anos – eu nem era nascido quando falavam de tantas crises disso e daquilo. Qual a da vez? É só passar, entra ano e sai ano, crises e crises, uma atrás da outras, encangadas, quando não enroladas, inventadas, ou fabricadas na puxada do tapete geral, sempre para amarelar o riso da maioria que sonha ter um pouco de estabilidade. Quem mandou? A crise só se justifica para não haver um mínimo de dignidade, só para educação ínfima, saúde precária, segurança pro beleléu, prestação parcas ou nenhuma dos serviços públicos que já faltam, ineficiência, incompetência, enrolação e trambicagem. Vai se vê no apurado, crise mesmo é conversa pra boi dormir – e deixar a população insone. Porque basta um maioral anunciar a dita cuja, o efeito em cadeia nacional é avassalador. Só resta segurar o tombo, envergar de quase torar – segura a onda! -, equilibrista na corda bamba que é feita de areia movediça e ventania de temporal, essa é só a primeira, vem mais, pode esperar, afinal, de golpe em golpe a gente vai aprendendo – peraí, aprender mesmo o quê? -, vai apurando, na marra, às topadas, aos empurrões. Conto outra? Ah, destá. Um dia lá, não sei quando, a gente sai dessa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do artista e músico Antonio Carlos Nóbrega: Pernambuco falando para o mundo, Lunário perpétuo, Carrossel do destino, O romance de Riobaldo e Diadorim & Meu foguete brasileiro; da violoncelista britânica Caroline Dale interpretando Merlis Hate & Such Sweet Thunder; o músico e compositor estadunidense Lee Ritenour: World of Brazil, West Bound & Night Rythms; e a cantora, compositora, produtora musical e publicitária Rosana Simpson: Cigano, Só, Tela de Cinema & Tanta Agonia. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A CONDIÇÃO PÓS-MODERNA - [...] O retrato do pós-modernismo que esbocei até agora parece depender, para ter validade, de um modo particular de experimentar, interpretar e ser no mundo - o que nos leva ao que é, talvez, a mais problemática faceta do pós-modernismo: seus pressupostos psicológicos quanto à personalidade, à motivação e ao comportamento. A preocupação com a fragmentação e instabilidade da linguagem e dos discursos leva diretamente, por exemplo, a certa concepção da personalidade. Encapsulada, essa concepção se concentra na esquizofrenia (não, deve-se enfatizar, em seu sentido clínico estrito), em vez da na alienação e na paranóia (ver o esquema de Hassan). Jameson (1984b) explora esse tema com um efeito bem revelador. Ele usa a descrição de Lacan da esquizofrenia como desordem lingüística, como uma ruptura na cadeia significativa de sentido que cria uma frase simples. Quando essa cadeia se rompe, "temos esquizofrenia na forma de um agregado de significantes distintos e não  relacionados entre si". Se a identidade pessoal é forjada por meio de "certa unificação temporal do passado e do futuro com o presente que tenho diante de mim", e se as frases seguem a mesma trajetória, a incapacidade de unificar passado, presente e futuro na frase assinala uma incapacidade semelhante de "unificar o passado, o presente e o futuro da nossa própria experiência biográfica ou vida psíquica". Isso de fato se enquadra na preocupação pós-moderna com o significante, e não com o significado, com a participação, a performance e o happening, em vez de com um objeto de arte acabado e autoritário, antes com as aparências superficiais do que com as raízes (mais uma vez, ver o esquema de Hassan). [...] pós-modernismo tipicamente descarta essa possibilidade ao concentrar-se nas circunstâncias esquizofrênicas induzidas pela fragmentação e por todas as instabilidades (inclusive as lingüísticas) que nos impedem até mesmo de representar coerentemente, para não falar de conceber estratégias para produzir, algum futuro radicalmente diferente. O modernismo, com efeito, não deixava de ter seus momentos esquizóides - em particular ao tentar combinar o mito com a modernidade heróica -, havendo uma significativa história de "deformação da razão" e de "modernismos reacionários" para sugerir que a circunstância esquizofrênica, embora dominada na maioria das vezes, sempre estava latente no movimento modernista. Não obstante, há boas razões para acreditar que a "alienação do sujeito é deslocada pela fragmentação do sujeito" na estética pós-moderna (Jameson, 1984a, 63). Se, como insistia Marx, o indivíduo alienado é necessário para se buscar o projeto iluminista com uma tenacidade e coerência suficientes para nos trazer algum futuro melhor, a perda do sujeito alienado pareceria impedir a construção consciente de futuros sociais alternativos. [...]. Trechos extraídos da obra A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural (Loyola, 2001), do professor e geógrafo britânico marxista David Harvey, definindo os contornos culturais da 'condição' pós-moderna em seus aspectos estéticos, sociais, literários e filosóficos, observando as mudanças que ocorreram na experiência do espaço e do tempo, como uma conseqüência da atual crise do capitalismo, e não como um sintoma do surgimento de uma sociedade pós-capitalista ou pós-industrial. Veja mais aqui.

FIM DO TRABALHO – [...] A imprescindível eliminação do trabalho assalariado, do trabalho fetichizado e estranhado (alienado) e a criação dos indivíduos livremente associados está indissoluvelmente vinculada à necessidade de eliminar integralmente o capital e o seu sistema de metabolismo social em todas as suas formas. O que, entretanto, não deve impedir um estudo cuidadoso da classe trabalhadora hoje, suas principais metamorfoses. [...] Claro que esta crise é particularizada e singularizada pela forma pela qual essas mudanças econômicas, sociais, políticas e ideológicas afetaram mais ou menos direta e intensamente os diversos países que fazem parte dessa mundialização do capital que é, como se sabe, desigualmente combinada. Para uma análise detalhada do que se passa no movimento operário inglês, italiano, brasileiro ou coreano, o desafio é buscar essa totalização analítica que articulará elementos mais gerais desse quadro, com aspectos da singularidade de cada um desses países. Mas é decisivo perceber-se que há um conjunto abrangente de metamorfoses e mutações que tem afetado a classe trabalhadora, e para a qual é absolutamente prioritário o seu entendimento e desvendamento, para resgatar um projeto de classe capaz de enfrentar esses monumentais desafios presentes no final deste século. [...]. Trechos extraídos da obra Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a Centralidade do Mundo do Trabalho (Cortez, 2000), do sociólogo, filósofo e professor Ricardo Antunes. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DESIGUALDADE E DIREITOS - [...] O grande desafio àqueles cuja matéria é, cotidianamente, lidar com as seqüelas decorrentes do processo de constituição da questão social a partir da lei geral da acumulação: conhecer as muitas faces da questão social no Brasil, das quais a mais perversa é a desigualdade econômica, política, social e cultural a que estão submetidas milhões de pessoas, o que requisita um grande esforço de pesquisa sobre o Brasil. É necessário e imprescindível conhecer profundamente nossa matéria: a questão social brasileira. [...] Falar sobre direitos e sua relação com a totalidade da vida social pressupõe considerar os indivíduos em sua vida cotidiana, espaço-tempo em que as expressões da questão social se efetivam, sobretudo, como violação dos direitos. A vida humana não é a mera reposição aleatória dos indivíduos ou explicitação de uma essência natural, mas expressa, além das respostas às demandas imediatas, vínculos com a produção da vida genérica, vida essa que se caracteriza pelo fato de os indivíduos serem relacionais, diversos e interdependentes. [...] Sabemos que, no desenvolvimento da sociabilidade, um conjunto de contradições e o antagonismo entre as necessidades do capital e as do trabalho frustraram amplamente as promessas de liberdade e de igualdade, bem como a efetivação de uma vida social sem dominação, exploração e opressão. Podemos, assim, afirmar que, no tempo presente, os segmentos do trabalho, ao invés de sujeitos de direitos, são sujeitos da desigualdade, que convivem nos cenários de violência endêmica e de barbárie a que fizemos referência anteriormente. Trechos do artigo Questão social e direitos (ABEPSS, 2006), das professoras Elaine Rossetti Behring e Silvana Mara de Morais dos Santos. Veja mais aqui e aqui.


CAPITALISMO PARA PRINCIPIANTES -  [...] A ideologia domina a sociedade, que por sua vez é difundida pela ideologia burguesa. Diante disso tudo, o mundo torna-se individualista. O que é passado pela ideologia dominante só fica na teoria. As camadas inferiores são consideradas mais solidárias. Portanto, percebe-se que o Capitalismo apesar de todas as crises e reformulações sofridas ainda assim é inviável. Torna os direitos humanos em negócios para garantirem lucros. [...]. Trecho da obra Capitalismo para principiantes (Ática, 1994), do advogado, cronista, romancista e dramaturgo Carlos Eduardo Novaes, com ilustrações do cartunista Vilmar Rodrigues.

QUEM É CATIVO NÃO AMA
Patrão não repara a sina
De quem vive escravizado,
Só lhe interessa o cuidado
De não cair na ruína
Convive com gente fina
Que tem talento e tem fama
Se o empregado reclama
Por viver do amor ausente
Ele responde imprudente
Quem é cativo não ama.
Mote de um pé, criação do grande cantador Nicandro Nunes da Costa (1829-1918).

Veja mais:
Dia Mundial da Natureza aqui, aqui & aqui.
A arte de Antonio Nóbrega aqui e aqui.
A arte musical de Caroline Dale aqui.
A arte de Lee Ritenour aqui.
O talento musical de Rosana Simpsom aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do pintor, gravador e estilista estadunidense David Salle.
Veja mais aqui.


terça-feira, fevereiro 14, 2017

UMUTINA, ANTÔNIO NÓBREGA, OSKAR KOKOSCHKA & MOZART FERNANDES

NADA MELHOR QUE A VIDA E VIVER ALÉM DOS PRÓPRIOS LIMITES – Imagem: Dent du Midi, do pintor e escritor austríaco Oskar Kokoschka (1886-1980). - A vida é muito mais que pelejar, espernear, bater o pé e se danar de amor. Dos amores que vêm e vão, nem todos são tão meritórios assim: chegaram e se foram, nada mais. De resto, é só juntar os cacos e tentar se refazer dos destroços. É que existe vida fora dos centros urbanos hostis e medonhos, com suas modas nas vitrines e luminosos, pendengas, decisões judiciais, miudezas e patifarias. Existe vida além dos empregos certinhos e burocráticos, com relógio de ponto, detector de metais e o que resta de garantida aposentadora. É muito além de comprar e vender, passar calote ou se aproveitar das oportunidades; das cenas da TV, do consumo desenfreado, ou da gula insaciável por todas as novidades do mercado, como se tudo não valesse mais que ter e poder. Existe vida fora das bancas e notas do colégio, dos apartamentos com tudo arrumado e das casas suntuosas, dos carros da feira automobilistica e do umbigo que se acha mais importante que qualquer outra coisa do planeta. Existe vida fora dos muros altos com segurança privada, das revistas de fofoca, do glamour das celebridades e dos buracos afetivos que doem mais que qualquer talho profundo na carne. Existe vida além das trapalhadas dos políticos e todas as farras da corrupção, dos viadutos, dos prédios, dos filmes de amor, de todos os contrastes e todas as indagações irrespondíveis. Existe vida além dessa contemporaneidade estilhaçada para quem entende mais de solidão que os escandinavos no meio do tédio de achar que não tem nada mais pra fazer; além das adoções por filhos desejados só pelo capricho de pais que temem a sua solidão; do estardalhaço das feiras e fantasias eróticas; além dos limites de qualquer crença ou de qualquer horizonte; das salas de estar e reunião de familia, das fotos penduradas escondendo as desavenças e as devastadoras vinganças; mais que os latifundios de toda ambição capitalista, dos condominios luxuosos, do papel higiênico utilizado, dos sacos de lixo jogados, das malas dos aeroportos por destinos turísticos e entretenimento; mais do que bloco do eu sozinho e da interdependencia entre eu e todos; do saneamento básico e ambiente salubre no meio da maior nojeira pobretã e do progresso canhestra pela industrialização; do que apenas se comunicar com as outras pessoas por meio de artefatos tecnológicos e contar história ou fazer festa apenas pela conectividade; dos descontentamentos e incômodos de ter que aturar além da paciência; além da maximização dos lucros, além da falsa independencia de que não se precisa de ninguém e só de si proprio para sobreviver a vida inteira, oh não! É preciso exagerar, às vezes, um pouco mais para que a verdade possa ser dita em poucas ou simples palavras. Não há nada mais, cada qual sua escuridão. Pior que ser cego é não enxergar a vida com olhos sãos. Ah, pois é. Caeté mandou me chamar. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo os dvds Lunário Perpétuo (2002) e Nove de fevereiro (2006) do artista e músico brasileiro Antônio Nóbrega. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Maria Callas, Psicodrama, Gestão de PME, Responsabilidade Civil & Acidentes de Trabalho aqui.

E mais:
Arte & Entrevista de Luciah Lopez aqui.
Psicologia Fenomenológica, Direito Constitucional, Autismo, Business & Marketing aqui.
Big Shit Bôbras, Zé Corninho & Mark Twain aqui.
Abigail’s Ghost, Psicologia Social, Direito Constitucional & União Estável aqui.
Betinho, Augusto de Campos, SpokFrevo Orquestra, Frevo & Rinaldo Lima, Tempo de Morrer, The Wall & Graça Carpes aqui.
O cinema no Brasil aqui.
Dois poemetos em prosa de amor pra ela aqui.
Agostinho, Psicodrama, Trabalhador Doméstico, Turismo & Meio Ambiente aqui.
Dois poemetos ginófagos pra felatriz aqui.
Discriminação Religiosa, Direito de Imagem, Direito de Arrependimento & Privacidade aqui.
A minissaia provocante dela aqui.
Princípio da probidade administrativa aqui.
O alvoroço dela na hora do prazer aqui.
Canção de Terra na arte de Rollandry Silvério aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: A CRIAÇÃO DOS HOMENS
Primeiro não havia gente e Haipucu, o Pai, andava triste, sozinho. Ele foi pensando na vida. Tratou de descobrir e juntar a fruta da bacaba do campo. E juntava fruta macho e fruta fêmea. Foi juntando, juntando, emendando até ter dois pés de comprimento. Então pôs de lado... Quando chegou a noite, ele ouviu conversa e ficou assustado. Foi ver e encontrou as frutas transformadas em pessoas. Gostou da sua companhia. Ficaram com ele e logo constituiram familia. Foi indo, foi indo, experimentou juntar fruta de figueira de folha larga. Juntou e botou debaixo da esteira, que às vezes é mágica. De noite ouviu conversa e assustou-se. Viu que aquela fruta também tinha virado gente e ficou satisfeito, pois já tinha muita gente para sua companhia. Depois de algum tempo, achou que aquela gente era pouca. E experimentou colher fruta de bacaba do mato. Juntou até um palmo de cumprimento e saiu tudo gente de cabelo comprido, dois homens e duas mulheres, dois casais. Experimentou com mel de tataíra e também saiu um casal, com cabeça mais pelada. Quando já tinha bastante gente, criou barriga de perna dos dois lados. Quando Haipucu sentiu as dores do parto, procurou uma árvore, que era uma figueira. Aí se lhe abriram as duas pernas e nasceram quatro crianças, dois meninos e duas meninas. Junto de Haipucui só ficaram os filhos das fruteiras.
A criação dos homens, lenda Umutina recolhida por Harald Schultz (Revista do Arquivo Municipal, 1949). Os Umutina viviam antigamente na margem direita do rio Paraguai, estendendo-se até o rio Cuiabá, migrando depois para as margens do rio Bugres. No início do século XX, eles foram vítimas da violência do homem branco, perdendo sua terra e sua língua nativa. Deles ainda resta a tribo Balotiponé, localizada na Terra Indígena Umutina, no Mato Grosso. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e escritor austríaco Oskar Kokoschka (1886-1980).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte do artista plástico, designer, grafiteiro e tatuador Mozart Fernandes.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui& maisaqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...