segunda-feira, janeiro 14, 2019

OSMAN LINS, VAULUIZO BEZERRA, FULÔ RASTEIRA, FRB, PADRE BIDIÃO & MARCELO COUTINHO

AS ÚLTIMAS DA FRB & PADRE BIDIÃO ANUNCIA A CHEGADA DE REFORÇOS – Após haver assumido a vice Toda-Poderosidade na Hierarquia Cósmica (veja a celebração aqui), o Padre Bidião revelou detalhes acerca das incomuns FRBs ultimamente detectadas pelos cientistas e imprensa internacional. Ele tratou logo de desclassificar a NASA por completa incompetência referente ao caso, sob a acusação de malversação do erário humano, bem como alguns astrônomos que querem se aproveitar da prestidigitação internacional. Para quem não sabe – ficará sabendo agora nada mais que a mais absoluta verdade –, FRB é a sigla britânica para rajada rápida de rádio recorrente que é um fenômeno astrofísico de alta intensidade energética, manifestada como um pulso de radio transitório e com duração de apenas pouquíssimos milissegundos, para não dizer um cabelinho de sapo de nada, com uma frequência de 400 MHz, melhor dizendo, uma coisinha de nada. Essas rajadas mostram a dispersão dependente da frequência consistente da propagação através de um plasma ionizado, ou seja, quase porranenhuma, só que encerra um dos códigos mais misterioriosos oriundos das ocultas transcomunicações da abissal profundidade universal. Depois de muitas discussões, chegou-se à conclusão de que, a esse respeito, só havia na Terra, em verdade, uma única autoridade capaz de desvendá-la: o Padre Bidião. Por isso mesmo, não se furtando ao assédio da imprensa, ele anunciou recentemente em coletiva realizada nos últimos dias que: - Atenção corriola, macacões & antenas a postos! Estão chegando reforços! Explicou ele nessa entrevista que o mundo anda de pernas pro ar! Enfatiza, então, que um estrupício anda se desenvolvendo entre catabis, golpes & maloqueragens, promovendo a maior crise megaplanetária da história. Especifica ele após enumerar as presepadas do Clone o-10PB (veja detalhes desse malefício aqui), acoloiado com o Trumpetudo & seu aliadíssimo achegado Coiso, afora conluios para as doidices de Kim Jong-il dos sapatos mágicos, o invisível Jose Eduardo dos Santos, as curas paranoicas de Yajya Jammeh, as perversões de Hassanal Bolkiah, a tenda de Muammar Gaddafi, a tirania de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, as transações de Than Shwe, a hediondez de Isaias Afewerki, a dança de Emomali Rahmon, a escravização de Islam Karimov, as viagens de Paul Biya, a adoração do rei Hamad Al-Khalifa, as extravagâncias do rei Abdullah, as jogadas de Omar Hassan al-Bashir, o bigodinho de Aleksander Lukashenko, as insânias do rei Mswati III & outras trepeças, direitismos e pacutias nos quatro cantos do mundo – e olhe que a Terra é redonda, viu? -, assinalou com veemência os devidos esclarecimentos a respeito, traduzindo trechos das supercomunicações e, ao mesmo tempo, evidenciou tratar-se das reuniões resultantes da sua nomeação como segundo e único substituto do Onipotente, com o objetivo de salvar os terráqueos. Pormenorizou que as ondas de rádio são resultantes dos relatórios enviados desde 2002, por planetas e reinos de galáxias lá nos cafundós das imensidões interestelares e há bilhões de anos luz de distância, alertando sobre a trágica situação por que passa o planeta. Revela que essa troca de informações interuniversais são do bem, pode crer; e que não possuem nenhuma ligação com a jactância do clone da pá-virada e seus sequazes fedorentos. Instado sobre as providências a serem tomadas, o pároco foi reticente ao anunciar a sagrada nomeação do professor doutor Marcelo Coutinho, na condição de assessor especial e direto para assuntos extraordinários e, ao mesmo tempo, tornando-o, além disso, o chefe do Comando Ultragaláctico da PorraToda, responsável pela formação da equipe receptora dos reforços para proceder à salvação da humanidade. Procurado por nossa reportagem, o ilustre professor depois de se esconder dos cliques e flashes, apenas acenou pros nossos jornalistas, cochichando fora das câmaras e gravadores que se encontra dedicado na escolha dos integrantes para realização de reuniões incomunicáveis, visando traçar os planos e estratégias para tal empreitada, anunciando futuros esclarecimentos para toda população mundial. Por enquanto, reafirma que tudo será feito para que chegue a bom termo os propósitos pluriuniversais de salvar o destino terráqueo. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Esta é a verdade: agora eu estou só. Com mais um pouco, chegará a madrugada. As velas ficarão pálidas, os sinos dobrarão em tua homenagem; e, quando o sol vier, não iluminará teus olhos. Mais algumas horas e nossos conhecidos te levarão para o Campo. Estarão um pouco tristes, mas não podem imaginar que imensa perda eu sofri. Dirão entre si: “Tinha de ser. Um deles havia que ir primeiro…” E acharão que já sou muito idoso, que minha capacidade de sofrer se extinguiu e que não tardarei a seguir-te. [...] Quanto aos amigos, tu sabes muito bem que não mais os possuo. Uns morreram; outros acharam na velhice um agradável pretexto para se tornarem brigões ou dementes; e o resto me aborrece pela insistência em me fazer acreditar ser bem mais velho que eles. Só tu me restavas. Junto a ti eu podia ser eu mesmo, sem temor de parecer ridículo. Eras tu quem tinha a chave do meu caráter e do dom de encantar-me. (Mesmo a tua zombaria era uma forma de afeição.) E agora um duro silêncio te envolve e imobiliza. [...] Na minha idade, já não se pode ter pensamentos estranhos nem fazer confissões. Fica-se ridículo, querida. E eu tenho que aproveitar estes últimos momentos em que ainda estamos juntos. É a última oportunidade de falar-te, mesmo sem abrir os lábios, e contar as tolices que não contarei a ninguém. Quero te dizer, por exemplo, uma coisa esquisita, uma coisa que não compreendo: os fatos culminantes de nossas vidas, aqueles que nunca poderíamos chegar a esquecer, perderam hoje esse privilégio. [...] Mas eu não devia estar me lembrando dessas coisas. Talvez alguém tenha visto meu sorriso e julgará que não sinto a tua falta. “Ele não chorou — pensará. E agora, sorri. Está maluco; ou então nem sentiu.” Decerto, minha dor não é violenta. É cansada. Mas é tão vasta, tão desalentada e profunda… E vou ficar tão sozinho, querida
Trechos do conto Elegíada, extraído da obra Os gestos (José Olympio, 1957), do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE VAULUIZO BEZERRA
A arte do premiado pintor, escultor, curador e crítico de arte sergipano radicado na Bahia, Vauluizo Bezerra. O artista realiza sua arte desde 1970, ingressando na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, em 1976, e realizando sua primeira exposição individual na Galeria Pacce em 1978. Foi selecionado no Concurso para Projetos de Arte Experimental, em Salvador, em 1982 e realizou sua exposição individual em Munique, na Alemanha, em 1991. A partir de então realizou mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com obras em diversos museus brasileiros, sendo considerado um dos mais importantes da geração 70 da Bahia. Para conhecer melhor o seu trabalho clique aqui e aqui.

A MÚSICA DA FULÔ RASTEIRA
A banda Fulô Rasteira é formada pelos músicos Henrique Teixeira (Vocalista), Gabriel Uberti (Guitarrista, Back Vocal/Vocalista), Eduardo Ferreira (Sanfoneiro), Victor Sabino (Baixista), Jorge Luis (Baterista/Percussionista), Bruno Ferreira (Zabumbeiro) e Ewerton Ribeiro (Trianguleiro/Percussionista). A banda catendense possui um repertório reunindo o melhor do gênero musical nordestino com muita poesia condimentada com repentes notáveis e criativos.
&
Os milagres, gestão e saga do Padre Bidião aqui, aqui, aqui & aqui.
&
A arte de Paul Klee aqui
&
O teatro de Edward Albee aqui
 
muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, janeiro 11, 2019

DARCY RIBEIRO, MARIA POLYDOURI, MISS.TIC & SOLILÓQUIO MATUTINO.


SOLILÓQUIO MATUTINO – Para quem já vai tarde, vou agora: fim ou recomeço, tanto faz, a qualquer parte alguma ou nenhuma. Vou a bordo da solidão, a partida deslizando meu corpo na navalha afiada pela encosta de ilhas submersas. Sentir só meu o Sol que partilhei e deram as costas ou negaram para que eu me desfizesse aos pedaços com uma facada no flanco, punhalada nas costas, uivando cão noturno na manhã ensolarada. Não me sigam, fiquem onde estão, é mais seguro, porque ergo pedras insustentáveis, músculos exaustos e esmagados, a tentar preencher as lacunas do tempo para subsistir onde nada sobra por desespero, arrastado ao lodo e o vazio perpetuo nas vozes dos mortos pelas brechas, mãos estranhas e eu despedaçado lambendo o próprio sangue, quem sabe, amanhã melhor sorte, sabe-se lá, juízes que me julguem como quiserem pros que riem de mim pelo delírio da minha carne em postas nas trevas da estrada deserta. Entre os dentes o que falei de amor e só ouviram o próprio passado, quem jamais amou, quem jamais sucumbiu ao amor, quem há de amar de verdade, estilhaçado coração, vazio olhar. Não me deixa dormir as almas desunidas, não me atreveria sequer velá-las. Passei a vida como quem errou, também era meu destino, assim o quis sem saber massacrado pela queda sem escutar das emboscadas homicidas, porque não confesso a mão ferida por espinhos das rosas que colhi e as perdi de cada vez, sangrando, e outra dor a cada dia, nada demais. Os pesares se dissolvem, nunca fui poeta para exorcizar os tormentos em versos mágicos, apenas revolvo cinzas de maio como se os dedos da mulher amada alisassem minha carne e me fizesse vivo ao toque, a me ensinar da entrega na ausência, ajoelhado silêncio. Guardo os lábios úmidos do amor à mulher nua desejada e fugitiva dúbia, ama e desama, olhos grandes. Depus todos os haveres e posses, nenhum navio sobrou, nenhum piso ou teto, nenhuma espera, até a última jangada, a única que restava, deixei-a ir sozinha correnteza afora, para nunca mais. Náufrago, braçadas na utopia dalguma ilha perdida por aí, deitar a cabeça ao chão, o céu frio por cobertor estrelado e a vida que resta no esquecimento. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] A concatenação das revoluções tecnológicas e dos processos civilizatórios com as respectivas formações socioculturais permite falar de um processo civilizatório global, diversificado em etapas sucessivas, que, mesmo cumprindo-se em povos separados uns dos outros no tempo e no espaço, promoveu reordenações da vida humana em áreas cada vez mais amplas e sua integração em entidades étnicas e políticas cada vez maiores, até unificar toda a humanidade num só contexto interativo. Através desse processo, a espécie humana, que era originalmente pouco numerosa e largamente diferencia em etnias, se foi multiplicando demograficamente e reduzindo o número de complexos étnicos, tanto no plano racial, quanto no cultural e linguístico. Este movimento parece conduzir, em termos milenares, à unificação de todo o humano em uma só ou muito poucas variantes raciais, culturais e linguísticas, até que um dia, em futuro remoto, a redução do patrimônio genético torne qualquer casal capaz de reproduzir qualquer fenótipo e cada pessoa capaz de entender-se com as outras, à base de um amplo patrimônio cultural coparticipado. [...] Nada autoriza a supor que tenha limites a flexibilidade até agora revelada pelo homem para ajustar-se às condições mais diversas. É de perguntar-se, porém, se o condicionamento cada vez mais opressivo a ambientes culturais não pode pôr em risco a propria sobrevivência humana. As ameaças que já hoje pesam sobre a humanidade levam a temer que estejamos alcançando esses limites, arriscando ultrapassar a linha fatal, se não forem desenvolvidas formas racionais de controle da vida social, econômica e política que habilitem os povos ao comando científico de todos os fatores capazes de afetar seu equilíbrio emocional e sua sobrevivência sobre a Terra. [...].
Trechos extraídos da obra O processo civilizatório: etapas da evolução sociocultural (Civilização Brasileira, 1975), do antropólogo e escritor Darcy Ribeiro (1922-1997). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A POESIA DE MARIA POLYDOURI
Eu canto só porque já fui amada / por ti em outros dias; / e à chuva e ao sol de um pressago verão, /e à neve e à ventania, / eu canto só porque já fui amada. / Só porque me tomaste nos teus braços / uma noite e me beijaste a boca, / só por isso eu sou bela como um lírio aberto / e um arrepio ficou-me na alma louca, / só porque me tomaste nos teus braços. / Só porque me fitaste certa vez / com a alma no olhar, / a minha vida fez-se altiva e ornei-me / de um diadema singular, / só porque me fitaste certa vez. / Só porque por mim passaste indiferente / e em teus olhos, de passagem, / vi minha sombra, comum sonho, tristemente / passar, sofrida imagem, / só porque por mim passaste indiferente. / Só porque hesitei quando chamaste / e me estendeste a mão / e trazias os olhos amorosos / repletos de paixão - / só porque hesitei quando chamaste. / Só porque, só porque eu te agradava / é que a minha passagem foi tão linda, / como se a toda parte me seguisses / e junto a ti eu estivesse ainda, / só porque, só porque eu te agradava. / Só porque fui amada é que eu nasci / e ao teu amor dei minha vida. / Uma vida incompleta, sem prazer, / mas não perdida, não perdida; / só porque fui amada é que eu nasci. / Só por causa do teu amor de eleito / nas mãos floriu-me uma rosa de arminho / e a noite pôs estrelas nos meus olhos / para um instante aclarar teu caminho, / só por causa do teu amor de eleito. / Só porque fui amada assim por ti / pude um dia viver / nos belos sonhos onde tu reinavas, / e é-me doce morrer / só porque fui amada assim por ti.
Poema Porque fui amada, da poeta grega Maria Polydouri (1902-1930). Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual e de rua francesa Miss.Tic.
Veja mais aquiaqui, aqui & muito mais na Agenda aqui.
 

quinta-feira, janeiro 10, 2019

FRANÇOISE DOLTO. GENINHA DA ROSA BORGES, FRANCESCA WOODMAN & SOLILÓQUIO VESPERTINO


SOLILÓQUIO VESPERTINO - A tarde é viva inteira nesta quinta, enquanto o Sol reina inextinguível em mim e emigro às doze horas como quem singra o ignoto a me projetar adiante do que posso e voo. Quatrocentas estrelas brilham no meu sorriso, tudo é tão imenso e real. Ninguém sabe, eu sei, onde está quem procuro o coração revelado na escolha da voz doce para celebrar seja qual for o seu nome bendito além do que espero. Às treze horas digo ponteiro impreciso que não posso viver livre se das entranhas privo o que anseio, como se me bastasse uma benção da mãe morta por refúgio, entregue às feras, atirado ao penhasco, entre o propício ou nefasto, não importa mesmo que à tarde o céu risonho nuble as florescidas cores da vida e eu tenha errado de mim sem saber pra onde na tempestade repentina que se anuncia. Tudo é tão estranho, quatrocentos sonhos tombados no caminho, a glória entre blasfêmias. Chegar onde estou não é pouco, quase um cidadão da cidade das ideias, pelo menos uma janela aberta e tanta coisa pra fazer. Valho-me do encorajamento das fisionomias carrancudas e nenhuma coroa de louros, o que há de ser minha vida mendigando afetos entre malogros, súplicas e lamentações de fracos e risíveis, porque às quinze e cinco a luz no quarto fechado, o postigo e à porta estou para que às dezesseis eu saiba o tempo passar imperceptível, anos e décadas que esqueci desde às dezessete e trinta de ontem, desabotoando o peito, olhos no espelho, detritos que preciso varrer, funerais, sepulturas, às duras penas com a frescura do entardecer refrescando o calor da intérmina solidão e tarda a noite à alvorada, ninguém responde, nenhum consolo e uma mão toca ao ombro e não vi pálpebras curiosas as quatrocentas cicatrizes do corpo. Voo só, nada é mais preciso que o imprevisível. Quem, às quatorze em ponto chamou por meu nome e não vejo se bem ouvido familiar menção que não lembro dalgum tempo longe como a lembrança perdida. Não há porque me apegar com a esperança imprescindível e hei de viver a cada ausência o que me resta e ser levado a morrer longe em terra estrangeira numa invernada de extrema urgência que sou aqui mesmo pelo que foi de reinos e nações, para ressurgir na primaveril salvação de naufrágio com sonhos podres que nem amanheceram. E se demoro agora de outono a verão com ar de pouco caso pelas difusas sensações fustigantes e os calafrios solitários medindo os astros e as obras do amor nos mil pedaços de mim, só para que eu tenha vida o porvir. É que não hesito entre a chance e a adversidade, o que me inquieta são às dezoito horas ter de hastear a noite ao crepúsculo, e sorrir de bom grado, grato ao ventre em que fui gerado com todos os tormentos humanos e um suspiro se esvaindo ao derradeiro aceno do tempo de areia a escorrer entre os dedos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] As pessoas que, como eu, amam a vida acham que é idiota suicidar-se. [...] Anuímos à vida: vamos dar-lhe nossa anuência até o fim. [...] Ajuda-se uma pessoa mostrando-lhe que não é um pária por pensar nisso. Ela achava que isso era ruim, mas vê que faz parte da cultura, que é exprimível, é o drama humano de todos. A solidão não é evitável, a angústia não é evitável, as fantasias de suicídio não são evitáveis. Todos temos de passar por isso. Não é nem bom nem mau. É a condição humana. Então, podemos colaborar uns com os outros. É viver. Que nem sempre se consegue, é verdade. [...] A solidão está mais no desamparo de não ter linguagem, muito mais do que no fato de não ter complemento físico para produzir frutos. [...] A maior dor, quando amamos alguém, é não podermos impedir que ela sofra da solidão. Sofrer de solidão faz parte da existência humana. Pessoas que se amam não podem impedir que o outro sofra de solidão. Não é uma questão de amor de uma pessoa pela outra, mas da qualidade da falta, que a outra não pode suprir. [...]. Trechos extraídos da obra Solidão (Martins Fontes, 1999), da médica e pediatra francesa Françoise Dolto (1908-1988). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

A ARTE DE GENINHA ROSA BORGES
A premiadíssima atriz Geninha da Rosa Borges – a Grande Dama do Teatro Pernambucano -, construiu uma trajetória iniciada com sua formação em Pedagogia e Letras na Faculdade de Filosofia do Recife, realizando na sua carreira exitosa iniciada em 1941, resultando na realização de 63 peças teatrais, 10 filmes e dirigiu 21 espetáculos. Participou do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), coordenou a partir de 1968 a equipe do Sistema Nacional de TV e Rádio Educação, designada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), participando de programa pioneiro de aulas teatralizadas para o rádio. Atuou, entre outros filmes, de Parahyba Mulher Macho, em 1983, e Baile Perfumado, em 1997. Participou do elenco das novelas A Favorita e Da cor do pecado, da Rede Globo. Ocupa a cadeira 33 da Academia de Letras e Artes do Nordeste. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa estadunidense Francesca Woodman (1958-1981). Veja mais aquiaqui & muito mais na Agenda aqui.


quarta-feira, janeiro 09, 2019

DIDI-HUBERMAN, J. BORGES, MARIA PAULA COSTA REGO & O IMPERADOR & O GENRO

O IMPERADOR & SEU GENRO MALQUISTO – O que possuía de terra, tinha de ruindade. Era o Zé Imperador, antes só Zé: pobre, pedra-ruim. Revoltou-se contra tudo e todos, pense num cabra injuriado; dava um berro, o mundo tremia, vento parava, as águas se acovardavam. Venha cá, elas vinham. Cadê os peixes? Eles chegavam. Onde fica a Pedra Funda? Ninguém sabia. Descubram! Maior correria, só a piaba soube e disse. Foram pro fundo do mar. Chegando lá, a ordem: Vamos arrastá-la, nem saiu do lugar. Convocou o que podia, baleias vieram, toda força, a pedra à beira-mar. Pronto, voltem pros seus, cambada! Aí trouxe bodes, bois, búfalos e outros chifrudos até de um olho só, cada marrada na pedra, chega o chão estremecia. Arrocha! Ela racha ou eu não me chamo Zé. Sentou o cabelo até que a pedra se ventou e acabaram de arrebentar. Aos farelos, ele pegou uma coisa que tinha lá, ninguém sabia, desconversou, dispensou tudo e foi pro escuro do quarto. Ninguém sabe, só que ele enricou daí por diante. Estibado e mandão, casou com uma galegona jeitosa que o que tinha de quartos tinha de formosura, coisa mais bonita de se ver, chega dava água na boca de tão formosa. Do casal, um dia, a notícia: a filha nasceu. E ele lá nele: Tô mole. Era Fia, menina virada, parecia menino de tão desassombrada, talqualzinha um cafuçu. Cresceu feito macho, escritinha, num tinha quem não dissesse, era a peste, da pá virada. Vencia qualquer peleja, destronava qualquer valentão, viesse quem fosse, ela lá, vitoriosa. Isso até o dia em que enfrentou o filho do pescador que também era Zé. Esse, um dia pegou um peixe destamanho que lhe falou: Você vai me levar ou me jogar de volta pra trazer muitos outros peixes. Era o diabo, fez o pacto, agora afilhado dele e da santa de devoção. Cabra sabido. Jogou-lo de volta, um cardume ao seu dispor. Tangeu a tuia pra casa, não tinha tanta precisão. Fez festa com todos, pirão e farinha, enriqueceu-se e mandava no que era seu. Mas veio a bronca com a filha do Imperador, pensou que era outro, de igual pra igual, golpe aqui, tome ali, socadas, pernadas, murro na venta, o pau cantou por horas. Quando foi ver, era mulher. Mesmo assim, acochou e aprumou. Depois da contenda, rendeu-la, botou-la na garupa e na primeira moita, ela fechou os olhos e ele acunhou lavando a jega: ela se perdeu com ele. Emprenhou. Maior armada. E uma bronca medonha: Filha minha não fica à toa. Vou capar esse fidapeste. E a cabroeira ia e voltava. Toleimas, tudo frouxo. Ah, vai ser na marra, a pulso. A pugna, os dois geniavam: Parace que veio mandado. E se agarraram chega saía raio do litígio, acabaram os dois morre mas num morre. A Fia embuchada foi lá ver os dois moribundos. Ao lado deles um sujeito estranho. Quem é você? Vim buscar o que estão me devendo, a alma deles. Como é? Quando ela armou-se toda para enfrentá-lo, ele disse: Esse menino que taí no seu bucho serve, troco pelos dois, fechado? Mas, menino! Mesmo gestante, a mulher deu com a brabeza e enfrentou o Coisa-ruim. Oxe, quem era doido? Mulher dessa, nem o diabo podia e botou pra correr. Até agora ninguém sabe o fim da história, quem morreu, quem ficou vivo; de certo mesmo é que entrou pela perna de pinto e saiu pela perna de pato. Isso, quem souber que conte. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Aristóteles pensou o coração como sede do pensamento. Depois a cabeça teve essa honra. Galiano designou diversas funções mentais para as diversas partes do cérebro. Mas como continua sendo difícil pensar (imaginar, apresentar, definir, mesmo questionar), esse lugar do pensamento! Sem dúvida, o interior de nossa cabeça continua invisível a nossos olhos. Quanto às impressões endógenas, às sensações kinestésicas, elas são pobres e sugerem unicamente, segundo os psicólogos, “um domo ou uma caverna” que enchemos com nossas imagens visuais e nossas invenções autoscópicas. [...] Nada saber disso, desse lugar. Mas como ele tem presa sobre nós, como o alcançamos, como nos toca? Os artistas sem dúvida não resolvem nenhuma das questões deste tipo. Pelo menos, deslocando os pontos de vista, revirando os espaços, inventando novas relações, novos contatos, sabem encarnar as questões mais essenciais, o que é bem melhor que acreditar responder a elas [...].
Trechos extraídos da obra Ser crânio: lugar, contato, pensamento, escultura (C/Arte, 2009), do filósofo, historiador, crítico de arte e professor francês Georges Didi-Huberman. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE J. BORGES
O meu nome hoje é muito falado, mas não chega um quarto do que vai ser depois do meu fim.
A fama sem ter dinheiro nem a todo mundo agrada.
A fama pelo trabalho honesto, mesmo sem dinheiro é boa.
A fama vem sem estudos, mas nunca vem sem trabalho.
Na casa da inteligência, a burrice não se hospeda.
Extraído da obra Memórias e contos de J. Borges (Gráfica Borges, s/d), do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da dança armorial da coreógrafa, dançarina, pesquisadora, professora e produtora cultural Maria Paula Costa Rego que atuou no Balé Popular do Recife e fundou, em 1997, o Grupo Grial.
Veja mais aquiaqui.
& muito mais na Agenda aqui.


terça-feira, janeiro 08, 2019

LELOUP, DALI, EM NOME DE DEUS & CARTA DE JANEIRO


CARTA DE JANEIRO – Aonde quer que eu vá, vou só. Esquinas, becos, trilhas, o inopinado. A cada dia um Cabo das Tormentas, naufrágios, derivas, gangorras, tobogãs, devires. Ah, santa sorte, o que virá não se sabe, que seja, na base do carteado: servindo-se de paus, copas, espadas, ouros; se deu, deu; se não deu, não deu, vale-se dos naipes, a cartomancia: a Roda da Fortuna, o Louco, o Enforcado, a Morte, o Diabo. Aha! O erro do carteio pra quem não sabe jogar, só se vive. Assim, percorrer o território por toda jornada: a sabedoria é próxima da loucura, ou vice-versa. Foi, não foi, a precisão de ir. Andarilho livre no incansável perambular. Onde vai dar? É só dançar como uma criança até tornar-se viajante maduro, se puder. As surpresas que pregam suas peças, o engano dos bufões: primeiro de abril. O farol, os monstros, os temporais. Encolher os ombros quando nada mais resta da escuridão adâmica, lembrar-se de não esquecer nada. Recorrer ao amor? Além de cego, muitas vezes é surdo, senão incompreensível. Amigos? Todos pularam fora quando não se esconderam: nem sempre a amizade é mútua, quando não covarde. Qual destinatário entre os arcanos vicariantes, epístolas sem correspondência, apelos sem recepção, prólogo sem trama, ninguém a quem possa interessar: rabiscos nas paredes, troncos, folhas, o tempo apagará. Manuscritos bilhetes que se esvairão inúteis, perdidos no fundo das gavetas. Palavras inauditas, gestos aos interditos paralisados no ar. Pra quem vai só, a companhia dos ventos, da escuridão, das estradas sem fim: a expectativa estrangeira de nenhuma chegada, não há porto para ancorar, nem fim da linha, eternamente seguir, recomeçar. A cada dia uma nova estrada, voo por aí. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Partimos em um movimento ascendente: a libido, a paixão, a compaixão. É a mesma energia que ascende e nos atravessa. Observem que os problemas sexuais, algumas vezes, são modos de misturar as formas de amor. [...] Em grego, há diferentes palavras para falar destas etapas do amor. A primeira etapa é Pornéia, o amor voraz e devorador, o amor do bebê por sua mamãe, o amor de consumo. Amo o outro, portanto como-o. [...] Traduzimos a palavra Pathé por paixão e ela está na origem da palavra Patologia. [...] algumas formas de amor são formas de patologia, são formas de possessão, de Manía. [...] Éros, que expressa não somente um amor de solicitação e necessidade, mas também de desejo. [...] Storghé pode ser traduzida como ternura e Harmonia que é uma palavra muito bonita para se falar de amor. É uma maneira de harmonizar o seu ser com o ser do outro. [...] Philia – o amor aos seres humanos. [...] Énnoia quer dizer o dom, a doação e, às vezes, o devotamento. É uma qualidade de amor que manifesta uma grande generosidade do coração. É a libido, a energia vital que se manifesta ao nível do coração. Kháris significa gratidão. [...] Agápe. Podemos traduzi-la como a graça e a gratuidade. [...] A palavra amor tem sentidos diferentes. Não é preciso opô-los uns aos outros. [...] Há em nós uma abertura para todas as outras cores. Mesmo se, para algumas cores, só nos reste sonhar. Há porem sonhos premonitórios e um dia nós amaremos. Não apenas como animais bem vivos, não somente como amantes apaixonados, mas também como deuses apaziguados. [...].
Trechos de A escada dos níveis de amor, extraído da obra O corpo e seus símbolos (Vozes, 1999), do PhD em Psicologia Transpessoal, doutor em Teologia e professor de Filosofia, Jean-Yves Leloup. Veja mais aqui e aqui.

ESCULTURAS DE SALVADOR DALI
 [...] Acreditam vocês que seja devido ao acaso que a força dos grandes místicos apresenta-se muitas vezes conjugada à defecação e ao peido? É que o ânus, exaltado por Quevedo no seu Elogio ao buraco do cu, é sobretudo um símbolo que purifica nossos atos de canibalismo. Tudo o que pertence ao humano, transcendido pela espiritualidade da morte, torna-se místico [...].
Trecho extraído da obra As confissões inconfessáveis de Salvador Dali (José Olympio, 1976), do pintor e artista surrealista catalão Salvador Dali (1904-1989) que assim se expressava sobre si próprio: “Todas as manhãs, ao me levantar, experimento um prazer supremo: ser Salvador Dali. Eu me pergunto maravilhado: que coisas prodigiosas ele fará hoje, este Salvador Dalí”. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EM NOME DE DEUS
O drama Em nome de Deus (Captive, 2012), dirigido por Brillante Mendoza, conta a história ocorrida em 2001, no sul das Filipinas, em que um grupo de separatistas islâmicos armados toma cerca de 100 pessoas como reféns, arrastando-as por vários locais por cerca de um ano. O destaque fica por conta da atriz francesa Isabelle Huppert que interpreta a missionária cristã Thérèse Bourgoine, voluntária francesa em missão humanitária e na luta pela sobrevivência. Veja mais aqui.
&
Pesquisa: Filosofia & Ciência aqui.
&
Varejo Sortido: livros & artes aqui.
&
muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


segunda-feira, janeiro 07, 2019

RUBEM BRAGA, JOÃO CÂMARA, LÍDIA BAZARIAN & ESCRITOS NA AREIA


ESCRITOS NA AREIA – Para quem sabe ou não, o Sol nasce para todos de uma forma ou de outra: cada um presta atenção como pode ou quer. O que sei é que quando me dei conta de que tudo sabia, parecia nada, apenas um fantasma enredado, um mudo sonhador diante: “A grande senda não possui portões. Milhares de estradas entram nela. Quando alguém atravessa o portal sem portões caminha livremente entre o céu e a terra”. Ora, era tudo muito complicado ao entendimento, sempre. Então, segui a estrada que pude para encontrar a entrada certa: quando não houver portões, para entrar é preciso inventá-los e depois suprimi-los, só assim o verdadeiro portal será atravessado. E me reinventei com a primeira flecha, leve; a segunda, penetrou profundamente. Aí o mundo era outro: tão amplo pra quem vê o som, ouve a luz e nada diz, cheira a vida, digere a tigela com as cascas e sementes de todas as coisas, toca tudo na concha da mão vazia: como é lindo testemunhar os pássaros cantando entre as flores perfumadas de todos os matizes. Quase sabia que pro cego de nariz alto tanto faz a luz ou a escuridão; e mesmo que ele leve uma lanterna, também será pro outro se estiver apagada: ninguém saberá dele. Um pouco mais: pra quem determinado ou pretendente das amenidades, algo pode se abrir a qualquer momento, o ouro do pó ou iluminação: só quem souber será premiado. E eu me vi no embarque do aeroporto pra imensidão do céu, do cais pras profundezas dos oceanos, da porta de casa pra ganhar as ruas e rodovias do fim do mundo. Enfim, a vida é a confluência de todos os caminhos e nenhum. As ilusões perturbam e, quando menos se espera, fenecem e se dissolvem, só assim se sabe do engodo: navios em águas rasas, sandálias na cabeça, o osso da língua - o tolo não sabe qual a primeira ou a última verdade, o erro sai pela boca e a fala tagarela é como o peixe encontra o anzol. Isso sou eu, patético. De outra forma, o drama jamais seria comédia porque não se luta com as armas alheias, não se cavalga com o cavalo de outro. É preciso perdoar e não só pancadas por não se saber digerir a verdade, qualquer que ela seja. Só depois de quinhentos renascimentos, o coração realiza pelas dez partes do mundo, seguindo as pegadas dos 10 Touros para entrar no portal sem portões. Sim, tentei, segui. Procuro escrever cartas legíveis, meus garranchos se escondem aos relâmpagos, as palavras não resistem a um piscar de olhos: ninguém ouve entre o instante e o infinito tempo, meus pés pisam a Terra pura: onde houver lógica não haverá graça, nada faz sentido. Dentro da minha casa os sábios me desconhecem e ninguém, muito menos, sabe do jardim invisível que cultivo iluminando cada uma das minhas vértebras para aprender que o caminho é a vida diária e o outro que continue o poema. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
Ir à praia cedo, como na infância. as ilhas no horizonte ainda estão veladas pela névoa da madrugada. O mar andou bravo esta noite, arrancando algas e mexilhões das pedras, em seu grande assanhamento de lua; respirar seu hálito acre; dar um mergulho na água fria, na praia ainda solitária, levar umas pancadas de onda, voltar para o sol na areia. E andar à toa ao longo da praia, chapinhando na espuma branca. Mas encontro, com surpresa, uma senhora conhecida. [...] Eu me afasto mais; longe, me sento na areia, e fico olhando o quadro. Contra a luz, já não distingo as feições nem ouço a voz da mulher. Assim, com a silhueta cortada contra a luz que se reflete no chão molhado, ela parece estar nua com o seu menino. É apenas uma jovem fêmea que ensina o mar e o mundo à sua cria; transmite-lhe a experiência da espécie e o sentimento dos deuses; na sua graça matinal esse batismo tem uma beleza solene.
Crônica Batismo (Rio, setembro, 1959), extraída da obra Ai de ti, Copacabana (Record, 2006), do escritor Rubem Braga (1913-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

DEZ CASOS DE AMOR DE JOÃO CÂMARA
Dez casos de amor e uma pintura de Câmara (1977) é o título de uma série reunida em um caderno de fontes com diversas litografias, um tríptico, pinturas, gravuras, montagens e objetos do premiadíssimo pintor paraibano residente em Olinda – PE, João Câmara. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista e professora Lídia Bazarian: Poemeto, Miragem, Manhã e Segundo Solo para Cortázar. Para conferir é só ligar o som.
E mais:
O Sol nasce paratodos aqui.
&
Vale do Una aqui.
&
Missiva do Esconjurado, Walter Benjamin, Uma Carta de Miguel Jasseli, A musa sem máscara de Maria Áurea Santa Cruz, Um poema de Lourdes Sarmento aqui
&
Música aqui Veja aqui.
&
muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...