Mostrando postagens com marcador Locke. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Locke. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, janeiro 29, 2015

ANNIE ERNAUX, LOUISE GLUCK, MOLLY IVINS & BISCO HATORI

 


PEG, O PULO PRO ESCURO...A linda garota era chamada de Millicent Lilian e nasceu no País de Gales, teve sua infância vivida em Port Talbot, depois para Londres e, quase adolescente, foi levada pelos mares aos Estados Unidos. Pouco tempo depois de chegar lá, seu pai que era ator foi atropelado em New York. Daí passou a morar com o tio que era agente de atores. Ela vivia encantada com cinema e teatro, os quais logo levaram-na à paixão pelos palcos: com 17 anos estreou na Broadway. E debutou creditada como Martha na peça teatral The Man from Toronto. Ela estava feliz porque, enfim, tudo corria bem, boas críticas e muitos papéis. Para melhorar de vez, logo veio a paixão e casou-se. Porém, ao contrário da felicidade de representar, a relação não foi das melhores e logo se divorciou. Veio a peça teatral Alice Sit- by-the-Fire, depois o filme Thirteen Women. Estava muito triste apesar das realizações concretizadas. Numa sexta-feira saíra de casa para ir à farmácia e depois visitaria uns amigos. Na verdade, ela fora caminhar sem destino. Desapareceu por dois dias e já era domingo quando foi encontrada. Estava descalça, havia largado a bolsa e a jaqueta, havia subido a escada até o topo da letra H e sua angústia e depressão interromperam seus sonhos. Uma carta de próprio punho foi encontrada aos pés da famosa placa: Eu tenho medo, sou uma covarde. Sinto muito por tudo. Se eu tivesse feito isso há muito tempo, teria economizado muita dor... Aos 24 anos de idade ela saltava para o escuro: tirava a própria vida no mais glamouroso ponto turístico. Seu corpo estirado no chão, múltiplas fraturas na pelve, lá estava ela num barranco ao pé da montanha, logo abaixo da placa de seus desejos. Sumia para sempre aquela linda loira de olhos azuis, Peg Entwistle (Millicent Lilian Entwistle -1908-1932). Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Ouça as pessoas que estão falando sobre como consertar o que está errado, não aquelas que apenas irritam as pessoas com os problemas. Ouça as pessoas que têm ideias sobre como consertar as coisas, não aquelas que apenas culpam os outros. Quando os políticos começam a falar de grandes grupos dos seus compatriotas como “inimigos”, é altura de uma agitação silenciosa de alerta. Polarizar as pessoas é uma boa forma de ganhar eleições e também uma boa forma de destruir um país. Pensamento da jornalista e escritora estadunidense Molly Ivins (1944-2007). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A força não é a capacidade de renunciar a todas as mentiras do coração?... Um único dia pode fazer toda a diferença. Pensamento da mangaka japonesa Bisco Hatori. Veja mais aqui.

 

OS ANOS - [...] Existir é beber-se sem sede. [...] Todas desaparecerão ao mesmo tempo, como os milhões de imagens que jazem por trás das testas dos avós, mortos há meio século, e dos pais, também mortos. Imagens em que aparecemos como uma menina no meio de seres que morreram antes de nascermos, assim como em nossas próprias memórias nossos filhos pequenos estão lá ao lado de nossos pais e colegas de escola. E um dia apareceremos nas memórias de nossos filhos, entre seus netos e pessoas ainda não nascidas. Como o desejo sexual, a memória nunca para. Ela emparelha os mortos com os vivos, seres reais com imaginários, sonhos com história [...]. Trechos extraídos da obra Les Années (Gallimard, 2008), da escritora francesa Annie Ernaux, que na obra I Remain in Darkness (Seven Stories Press, 2000), expressa que: […] A dor não pode ser mantida intacta, ela precisa ser “processada”, convertida em humor. [...] Onde estão os olhos da minha infância, aqueles olhos medrosos que ela tinha trinta anos atrás, os olhos que me fizeram? [...] Procurei o amor da minha mãe em todos os cantos do mundo. [...] Envelhecer é desaparecer, tornar-se transparente. [...], autora da frase: O mundo foi feito para ser aproveitado e aproveitado, e que não há absolutamente nenhuma razão para se conter. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

VÉSPERAS - I – Na sua ausência prolongada, você me permite\ uso da terra, antecipando\ algum retorno sobre o investimento. Eu tenho que relatar\ falha na minha tarefa, principalmente\ em relação às plantas de tomate.\ Eu acho que eu não deveria ser encorajado a crescer\ Tomates. Ou, se eu for, você deve reter\ As fortes chuvas, as noites frias que vêm\ muitas vezes aqui, enquanto outras regiões obtêm\ Doze semanas de verão. Tudo isso\ pertence a ti: por outro lado,\ Eu plantei as sementes, eu assisti os primeiros brotos\ como asas rasgando o solo, e era meu coração\ quebrado pela praga, o ponto preto tão rapidamente\ multiplicação nas fileiras. Eu duvido\ Você tem um coração, em nossa compreensão de\ esse termo. Você que não discrimina\ entre os mortos e os vivos, que são, em consequência,\ imune a prenúncios, você pode não saber\ quanto terror levamos, a folha manchada,\ As folhas vermelhas do bordo caindo\ Mesmo em agosto, na escuridão precoce: eu sou responsável\ para essas vinhas. II – Uma vez eu acreditei em você, eu plantei uma figueira.\ Aqui, em Vermont, país\ de nenhum verão. Era um teste: se a árvore vivesse,\ Significa que você existiu.\ Por essa lógica, você não existe. Ou você existe\ exclusivamente em climas mais quentes,\ na fervorosa Sicília e no México e na Califórnia,\ Onde são cultivadas o inimaginável\ Aprico e pêssego frágil. Talvez\ eles vêem seu rosto na Sicília; aqui mal vemos\ a orla da sua roupa. Eu tenho que me disciplinar\ para compartilhar com João e Noé a colheita de tomate.\ Se há justiça em algum outro mundo,\ como eu, a quem a natureza força\ em vidas de abstinência, deve\ A maior parte de todas as coisas, todas\ Objetos da fome, ganância\ O elogio de você. E ninguém elogia\ mais intensamente do que eu, com mais\ Desejo dolorosamente verificado, ou mais merece\ para sentar à sua mão direita, se existir, participando\ do perecível, o figo imortal,\ que não viaja. Poemas da premiada poeta e ensaísta estadunidense Louise Gluck (1943-2023), que também expressa: Sinto-me atraída pela elipse, pelo não dito, pela sugestão, pelo silêncio eloquente e deliberado. O não dito, para mim, exerce um grande poder: muitas vezes gostaria que um poema inteiro pudesse ser feito nesse vocabulário. É análogo ao invisível... A vantagem da poesia sobre a vida é que a poesia, se for suficientemente nítida, pode durar... Veja mais aqui e aqui.

 

SACADOUTRAS

 

ESCRITOS - A obra Escritos, do psicanalista, médico, neurologista e psiquiatra francês, Jacques Lacan (1901-1981), traz o seminário sobre A carta roubada, os antecedentes, para além do principio de realidade, o estádio do espelho como formador da função do eu, a agressividade em psicanálise, introduções teóricas sobre as funções da psicanálise em criminologia, formulações sobre a causalidade psíquica, o tempo lógico e a asserção de certeza antecipada, intervenção sobre a transferência, do sujeito, funções e campos da fala e da linguagem em psicanálise, variantes do tratamento padrão, introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre Freud, a coisa freudiana, a psicanálise e seu ensino, situação da psicanálise e formação do psicanalista, a instancia da letra no inconsciente, a razão desde Freud, questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, a direção do tratamento e os princípios de poder, psicanálise e estrutura da personalidade, a significação do falo, a memoria de Ernest Jones, a teoria do simbolismo, diretrizes para um congreso sobre a sexualidade feminina, juventide de Gide, a letra e o desejo, Kant com Sade, subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano, posição do inconsciente, Freud e o desejo do psicanalista, a ciência e a verdade, entre outros temas. REFERÊNCIAS: LACAN, Jacques; Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. Veja mais aquiaqui.

ENSAIO ACERCA DO ENTENDIMENTO HUMANO – A obra Ensaio acerca do entendimento humano, do filósofo, ideólogo do Liberalismo e principal representante do Empirismo britânico, John Locke (1632 – 1704), trata de temas como princípios inatos na mente, as ideias em geral e suas origens, ideias simples, de solidez, de reflexão, da sensação, percepção, retenção, discernimento e outras operações da mente, ideias complexas, de duração, de número, infinidade, poder, relação, causa e efeito, ideias claras e obsuras, distintas e confusas, palavras ou linguagem em geral, o significado das palavras, termos gerais, nomes das ideias, nomes dos modos mistos e das relações, os nomes das substancias, termos abstratos e concretos, imperfeições das palavras, o abuso das palavras, remédios para os abusos e imperfeições, conhecimento, os graus do conhecimento, a extensão do conhecimento humano, a realidade do conhecimento, a verdade, proposições universais, verdade e certeza, máximas, proposições frívolas, conhecimento da existência, aperfeiçoamento do conhecimento, julgamento, probabilidade, os graus do assentimento, razão, fé, erro e a divisão das ciências. REFERÊNCIA: LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1999. Veja mais aqui e aqui.

NOVOS ENSAIOS SOBRE O ENTENDIMNTO HUMANO – A obra Novos ensaios sobre o entendimento humano – pelo autor do sistema da harmonia preestabelecida, do filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716), aborda temas como as noções inatas, as ideias, as palavras ou a linguagem geral, a significação, os termos gerais, os nomes dos modos mistos e as relações, os nomes das substâncias, as partículas, os termos abstratos e concretos, a imperfeição e abuso das palavras, os remédios que se podem aplicar contra as imperfeições e abusos de que se acaba de falar, o conhecimento, os graus e a extensão do conhecimento, a realidade e a verdade, as proposições universais, as proposições denominadas máximas ou axiomas, as proposições frívolas, o conhecimento da existência, os meios para aumentar o conhecimento, o julgamento, a probabilidade, os graus de assentimento, a razão, a fé e a razão, o entusiasmo, o erro e a divisão das ciências. REFERÊNCIA: LEIBNIZ, Gottfried Wilhelm Leibniz, Novos ensaios sobre o entendimento humano: pelo autor do sistema da harmonia preestabelecida. São Paulo: Abril Cultural, 1980. Veja mais aqui e aqui.

DISTANÁSIA - A distanásia, segundo Martin (2007), é um termo científico que foi cunhado por Morache, em 1904, em seu livro "Naisance et mort", publicado em Paris. Oriunda do grego “dis”, significando mal, algo mal feito, e “thánatos”, morte, segundo o autor mencionado, é etimologicamente o contrário da eutanásia e é utilizada como a forma de prolongar a vida de modo artificial, sem perspectiva de cura ou melhora. Tendo por base as ideia expressas por Sousa (1994), Carneiro (2007) e Cabral (2007), a distanásia encontra-se conceituada como sendo a aplicação aos moribundos sofrimentos adicionais que, não conseguirão afastar a morte, mas apenas atrasá-la umas horas ou uns dias, sem respeitar o direito do paciente a uma morte digna. Segundo Borges (2007), ela é o contrário da eutanásia, também chamada de intensificação ou obstinação terapêutica, e consiste em atrasar o mais possível o momento da morte usando todos os meios, proporcionados ou não, ainda que não haja esperança alguma de cura, e ainda que isso signifique infligir ao moribundo sofrimentos adicionais e que, obviamente, não conseguirão afastar a inevitável morte, mas apenas atrasá-la umas horas ou uns dias em condições deploráveis para o enfermo. Revela a autora mencionada que a expressão obstinação terapêutica, oriunda do francês l'acharnement thérapeutique, foi introduzida na linguagem médica francesa por Jean-Robert Debray, no início dos anos 50, e foi definida como sendo o comportamento médico que consiste em utilizar processos terapêuticos cujo efeito é mais nocivo do que os efeitos do mal a curar, ou inútil, porque a cura é impossível e o benefício esperado, é menor que os inconvenientes previsíveis, é uma postura ligada especialmente aos paradigmas tecnocientífico e comercial-empresarial da medicina. Já com base em Carvalho (2001), o termo distanásia vem sendo utilizado para designar a obstinação terapêutica ou futilidade médica, consistindo, portanto, na utilização injustificada de processos terapêuticos que prolongam artificialmente a vida do paciente. E, neste sentido, chama a autora atenção para o fato de que a insistência terapêutica, portanto, caracteriza-se quando for possível avaliar-se que o estado de um determinado paciente terminal não pode ser revertido pela terapia a ele imposta, a qual, sendo retirada, importará na iminente constatação de sua morte cerebral. Contudo, torna-se passível de questionamento se a interrupção dos meios terapêuticos extraordinários pode caracterizar a eutanásia, no caso a chamada ortotanásia, à medida que a conduta do agente, que deixa de utilizar os meios adequados à manutenção (prolongamento) da vida do doente, poderia estar causando a sua morte. Fica, portanto, entendido que a distanásia é a prática pela qual se continua através de meios artificiais a vida de um enfermo incurável e representa atualmente uma questão de bioética e biodireito. Nesta condução, encontra-se que o Código de Ética Médica vigente no Brasil, desde 1988, estabelece, em seu artigo 57, ser vedado ao médico: "deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento a seu alcance em favor do paciente". Já no seu artigo 130, veda ainda ao médico: "realizar experiências com novos tratamentos clínicos ou cirúrgicos em paciente com afecção incurável ou terminal, sem que haja esperança razoável de utilidade para o mesmo, não lhe impondo sofrimentos adicionais". Observa-se, portanto, que com base nas ideia de Ramos (2003), que a partir da publicação dos Códigos de Ética Médica 1984 e 1988 a abordagem dos direitos do paciente terminal a não ter seu tratamento complicado, ao alívio da dor e a não ser morto pelo médico, entra numa nova fase com o surgimento de novos elementos, em grande parte trazidos pelo progresso da tecnociência. Também chama atenção o autor, para o fato que no Código de 1984 percebe-se a existência das tensões inerentes à aliança entre a benignidade humanitária, o modelo científico-tecnológico e o medicocentrismo autoritário. Sua benignidade humanitária insiste sobre o "absoluto respeito pela vida humana", já exigido pelos Códigos de 1953 1965, e reforçado pelo principio 9° do Código de 1984 com o seguinte acréscimo ao texto da frase: "desde a concepção até a morte". Ressalta, portanto, Augusto César Ramos que a dificuldade é que esta valorização da vida tende a se traduzir numa preocupação com a máxima prolongação da quantidade de vida biológica e no desvio de atenção da questão da qualidade da vida prolongada. Desta forma, há um passo rumo à recuperação da valorização da boa morte cultivada no artigo 6° do Código de 1988 que diz ser antiético para o médico utilizar "seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral". Mais significativo ainda, porém, é o art. 61, parágrafo 2°, que incentiva o médico a não abandonar seu paciente "por ser este portador de moléstia crônica ou incurável" e a "continuara assisti-lo ainda que apenas para mitigar o sofrimento físico ou psíquico". Este cuidado em mitigar não apenas o sofrimento físico, mas também o psíquico é sintomático de uma nova preocupação com integralidade da pessoa, que vai além da dor física. Este novo cuidado se reflete no reconhecimento do direito do paciente terminal a não ter seu tratamento complicado. Como no art. 23 do Código de 1984, há, no art. 60 do Código de 1988, a proibição de "complicar a terapêutica". Com isso, o autor menciona que fica também claro no Código de 1988 a obrigação de o médico "utilizar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento a seu alcance", mas a medida do seu uso não é sua eficácia em resolver o problema técnico de como controlar o sofrimento e a morte, mas sim o benefício do paciente. Isto nos permite questionar se a gestão técnica do sofrimento e o adiar o momento do morrer são sempre do interesse do paciente, situação hoje muito freqüente na fase final da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS. Silva (2007) chama atenção para um outro aspecto importante no Código de 1988, no que se refere ao direito do paciente de não ter seu tratamento complicado, é a preocupação em regulamentar pesquisas médicas em pacientes terminais. O art. 130 proíbe ao médico "Realizar experiências com novos tratamentos clínicos ou cirúrgicos em paciente com afecção incurável ou terminal sem que haja esperança razoável de utilidade para o mesmo, não lhe impondo sofrimentos adicionais". Aqui não se trata de uma rejeição da ciência e tecnologia, reconhece-se a legitimidade de recorrer a tratamentos experimentais, mas a partir de um critério bem definido: existência de uma esperança razoável de que o tratamento será útil para o próprio doente e que este não sofrerá desnecessariamente. Vê-se, portanto, que a distanásia é uma das questões contraditórias que permeia os debates médico-jurídicos no presente, confrontando posicionamentos progressistas e religiosos de matéria alusiva à bioética e ao biodireito. No Brasil, na tradição da ética médica codificada, baseada no atual Código de Ética Médica, encontra-se que a medicina com o compromisso pela saúde e no bem-estar da pessoa, objetiva prolongar ao máximo o tempo de vida de uma pessoa, tem-se encontrado o confronto entre o paradigma médico da benignidade solidária e humanitária e a teologia moral, na discussão que envolve o ideal comportamento mediante as questões atinentes à saúde e vida como bens fundamentais. Desta forma, confrontam-se as correntes de natureza religiosas e morais frente a perspectiva da benignidade humanitária e solidária, discutindo-se a atitude médica da distanásia de prolongar a vida e postergando a morte ao máximo possível do paciente. Indubitavelmente é uma questão polêmica, complexa e controversa, ficando, pois, de importante, a necessidade de aprofundados debates para que, com exaustivas discussões, se chegue a um denominador comum. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
BIZATTO, José Ildefonso. Eutanásia e responsabilidade médica. Porto Alegre: Sagra, 1990.
BORGES, Roxana Cardoso. Eutanásia, ortonásia e distanásia: breves considerações a partir do biodireito brasileiro. Biodireito, 2007.
BRASIL. Código de ética médica. Médicos, 2007.
CABRAL, Roque. Eutanásia e distanásia: Clarificações necessárias. Revista FacFil, 2007.
CARNEIRO, Antonio Soares. Eutanásia e Distanásia: A problemática da bioética – Uma abordagem filosófica. Eutanásia, 2007.
CARNEIRO, Antonio Soares; CUNHA, Maria Edilma et al. Eutanásia e distanásia. A problemática da Bioética. Bioética, 2007.
CARVALHO, Gisele Mendes. Aspectos jurídicos-penais da eutanásia. São Paulo: IBCCRIM, 2001.
COELHO, Milton Schmitt. Eutanásia: uma análise a partir de princípios éticos e constitucionais. Bioética, 2007.
MARTIN, Leonard. Eutanásia e distanásia. Portal Médico, 2007.
NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Eutanásia no direito comparado. In Consulex Revista Jurídica. Ano V. Número 114 de 15 de outubro de 2001.
PESSINI, Léo. Distanásia. Até quando investir sem agredir? São Paulo: Faculdades Integradas, 2005.
________. Morrer com dignidade: como ajudar o paciente terminal. São Camilo: Faculdades Integradas, 2006.
_______. Distanásia: até quando prolongar a vida? São Paulo: Loyola, 2001.
_______. A eutanásia na visão das grandes religiões do mundo. RevistaBio, 2007.
RAMOS, Augusto Cesar. Eutanásia: Aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis: OAB/SC, 2003.
SANTOS, Maria Celeste Cordeiro; LEITE, José Américo. Anteprojeto de Código Penal: Reflexões Relativas ao Crime de Eutanásia. São Paulo: IBCCRIM, 1998.
SANTOS, Ruy. Da eutanásia nos incuráveis dolosos. Salvador: UFBA, 1928.
SCHELP, Diogo. Até onde prolongar a vida. Revista Veja, nº 35, ano 35, set.2002.
SCRECCIA, Elio. Manual de Bioética: I – Fundamentos e Ética Biomédica. São Paulo, Loyola, 1996.
SILVA, Sonia Teixeira. Eutanásia. Revista Proteus, 2007.
SOUSA, Aline Delias. Variáveis conceituais da eutanásia. São Leopoldo/RS: Unisinos, 2003.
SOUSA, Deusdedith. Eutanásia, ortotanásia e distanásia. Revista dos Tribunais 706/283, agosto, 1994.

COACHING & MENTORING - A temática do Coaching Empresarial na construção de talentos e na gestão de pessoas considera a estratégia e importante ferramenta de gestão na contribuição do desenvolvimento de competências comportamentais e operacionais dos liderados, bem como atende a necessidade da organização de ambientes que oportunizem tanto melhor qualidade de vida e bem-estar de seus colaboradores, como o desenvolvimento de talentos, competências e habilidades para o desempenho desejado. Destaca-se o Coaching por ser uma relação de parceria no contexto da organização contemporânea, possibilitando o desenvolvimento do Capital Intelectual, a promoção de talentos e a gestão de pessoas dentro do ambiente de trabalho. A gestão de pessoas, para Vergara (2009), possui a característica fundamental de promover a formação, participação, capacitação, envolvimento e desenvolvimento do capital humano das organizações, tendo a função de processar a humanização das empresas. É, conforme a autora, no Departamento de Recursos Humanos que se desenvolve a promoção, o planejamento, a coordenação e o controle das atividades relacionadas com o desempenho, capacitação, qualificação e acompanhamento das pessoas no âmbito organizacional, conduzindo a gestão de pessoas com o envolvimento de treinamentos e desenvolvimento pessoal recrutamento e seleção, remuneração, avaliação, entre outras. Tal condução é dada pelas exigências de vigência da sociedade do conhecimento, uma vez que as capacidades e talentos humanos são vistos, segundo a autora mencionada, como fatores competitivos no mercado de trabalho globalizado. A construção de talentos, na visão de Chiavenato (2002) e Barbosa (2009), se dá por meio de ações e medidas que procurem melhorar o desempenho dos funcionários da organização para atingimento das metas e resultados previstos, orientando-se por meio do foco no resultado organizacional. Essas ações, conforme Barbosa (2009), compreendem motivação profissional e pessoal dos colaboradores, adequação das pessoas nos diversos cargos e setores e formação do patrimônio humano para retenção e atração de talentos. Essas ações também, conforme Chiavenato (2002) e Barbosa (2009), se direcionam para descoberta, reconhecimento, atração, desenvolvimento e manutenção dos talentos no âmbito organizacional. Encontra-se, portanto, que esse é o papel do coach na organização, entendendo-se que se trata de uma liderança que atua na promoção de talentos e no desenvolvimento de capacidades e competências. A base de conhecimento do coach, para Chiavenato (2002) está em conhecer a organização e suas necessidades básicas; conhecer as pessoas e a sua natureza humana; conhecer o cliente interno e suas necessidades; conhecer o ambiente de negócios da organização; conhecer os meios de compatibilizar tudo isso. Assim sendo, para o autor mencionado, o coach deve saber compatibilizar administrando a tensão do cotidiano e desenvolver sua auto-atenção e resolver criativamente os problemas. Por essa razão, o papel do coach é preparar e orientar pessoas, ter liderança renovadora e ser impulsionador de talentos. Com isso, ele lidera, orienta, guia, aconselha, treina, desenvolve, estimula, impulsiona o aprendiz. No dizer de Chiavenato (2002, p. 85), o “[...] coaching é uma abordagem comportamental de benéficos múltiplos para pessoas e organizações. Constitui um processo estratégico que agrega valor tanto ao coach como à base da organização”. Assinala Garcia (2011, p. 22) que o coaching é “[...] um processo de aprendizagem contínuo tanto no âmbito profissional quanto pessoal”, abarcando com isso, a possibilidade de reflexão de grupos e pessoas sobre a visão do mundo crenças e valores, incorporando, por consequência, novas aprendizagens. Também pode ser vista, segundo Chiavenato (2002,, p. 34), como: [...] uma técnica de supervisão, orientação, treinamento e de gestão do desempenho. É uma maneira direta e eficaz de motivar e estimular as pessoas, dar-lhes orientação e rumo na vida profissional, incentivar a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal e melhorar a qualidade de vida no trabalho. O foco do processo do coaching, conforme Krausz (2007, p. 28) está na ação de “[...] investimento na adoção de novas posturas, valores e comportamentos correspondentes que possibilitarão alcançar os resultados almejados”.Assim, para Mussak (2010) e Blanco (2006), o objetivo do coaching é aumentar o desempenho do ser humano no trabalho. Trata-se, portanto, de ferramenta indispensável para a autocorreção do comportamento e aprendizado dentro da organização e que é utilizada no desenvolvimento e aprimoramento de competência, ampliando os níveis de desempenho tanto da liderança, como de toda organização. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Lindolfo G. Competitividade e Recursos Humanos. Revista de Administração, São Paulo, v.27, n.4, p. 16-29, out /dez. 1992.
BARBOSA, Carolina. O papel do coaching dentro da organização. Belo Horizonte: CUU, 2009.
BLANCO, Valéria. Um estudo sobre a prática de coaching no ambiente organizacional e a possibilidade de sua aplicação como prática de gestão do conhecimento. Brasília: UCB, 2006.
BOWDITCH, James; BUONO, Anthony. Elementos de comportamento organizacional. São Paulo: Pioneira, 1992.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos. São Paulo: Atlas, 1997.
______. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
______. Construção de talentos: coaching & mertoring – as novas ferramentas da gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.
_______. Recursos humanos: o capital humano das organizações. São Paulo: Atlas, 2006.
DRUCKER, Peter Ferdinand. Administrando em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Pioneira, 1996.
________. Administração de Organizações sem fins Lucrativos. São Paulo: Pioneira, 1994.
FERREIRA, Marcos Aurélio. Coaching – um estudo exploratório sobre a percepção dos envolvidos: organização, executivo e coach. São Paulo: USP, 2008.
GARCIA, Ana Lucia. O processo de coaching nas organizações empresariais. Porto Alegre: PUC, 2011.
GASPAR, Denis; PORTÁSIO, Renato. Liderança e coaching: desenvolvendo pessoas, recriando organizações. Revista de Ciências Gerenciais, Vol. XIII, nº 18, 2009.
HOLM-HADULLA, R. Coaching. Psychotherapeut, 47: 241-248, 2002..
KRAUSZ, R. R. Coaching executivo: a conquista da liderança. São Paulo: Nobel, 2007.
MUSSAK, E. Gestão humanista de pessoas: o fator humano como diferencial competitivo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
TERRA, José Claudio. Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial. São Paulo: Negócio, 2001.
VERGARA, S. C. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2009.

COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR – A obra Comportamento do consumidor, de James E. Engel, Roger D. Blackwell e Paul W. Miniard, trata de temas como as perspectivas e ponto de vista do consumidor, segmentação de mercado e análise demográfica, os mercados consumidores, estrutura e estratégia, os processos decisórios, o reconhecimento de necessidade e a busca, avaliação de alternativa pré-compra, compra, consumo, satisfação, descarte, diferenças individuais, recursos do consumidor, conhecimento, atitudes, motivação e autoconceito, personalidade, valores e estilo de vida, processos psicológicos, aprendizagem, influencias nas atitudes e comportamentos, cultura, influências étnicas, classe social e status, família e domicilio, estratégias de marketing, varejo, difusão de inovações, consumerismo e responsabilidade ética, entre outros importantes temas. REFERÊNCIAS: ENGEL, James; BLACKWELL, Roger; MINIARD, Paul. Comportamento do consumidor. Rio de Janeiro: LTC, 2000. Veja mais aqui e aqui.

VENDAS – A obra “Vendas: fundamentos e novas práticas de gestão” de Charles M. Futrell, aborda temas a respeito de vendas como profissão, vida, experiências e carreira do profissional de vendas, marketing de relacionamento, questões sociais, éticas e legais de vendas, programação para a venda de relacionamento, a psicologia de vendas, a comunicação na construção de relacionamentos, conhecimentos de clientes, produtos e tecnologias, o processo de venda de relacionamento, prospecção como alva das vendas, planejamento das visitas de vendas, seleção cuidados dos métodos de apresentação, apresentação estratégica, as objeções do cliente, o fechamento, os serviços e acompanhamento para manutenção do cliente, gerenciamento de si mesmo, carreira, organização e recrutamento, motivação, remuneração, liderança e avaliação de profissionais, dramatizações das visitas, guia de tecnologias, entre outros. REFERÊNCIAS: FUTRELL, Charles. Vendas: fundamentos e novas práticas de gestão. São Paulo: Saraiva, 2003. Veja mais aqui. 




Lara Vichiatto é uma jovem artista de Três Corações (MG) – (Info. Meimei Corrêa).

Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Enquanto a vida passa..., Lidia Wylangowska, Victor Meirelles & Suzanne Marie Leclair aqui.

E mais:
Sanha, Erich Fromm, Moacyr Scliar, Akira Kurosawa, Nikolai Rimsky-Korsakov, Menotti Del Picchia & Jean-Hippolyte Flandrin aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Frineia, Euclides da Cunha, Federico Fellini, Ana Terra, Amedée Ernest Chausson, Antonio Parreiras, Jean-Léon Gérôme & Programa Tataritaritatá aqui.
AIDS & Educação, John Dewey. & EaD aqui.
Sincretismo religioso aqui.
Racismo aqui.
O trabalho da mulher aqui.
Levando os direitos a sério, de Ronald Dworkin aqui.
Ética & Moral aqui.
A luta pelo direito, de Rudolf von Ihering aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Quando a folia é maior em mim, A lenda Vapidiana Árvore de Tamoromu & Antúlio Madureira aqui.
A folia do frevo no meu coração, Galo da Madrugada, Nelson Ferreira & Jae Ellinger aqui.
Uma prosa nos entreversos do amor, Marco Ferreri & Andréa Ferréol, Fernado Alves, Maestro Duda & Luciah Lopez aqui.
A folia do biritoaldo desandou no carnaval, Frevo do mundo & Mário Hélio aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.




terça-feira, junho 02, 2009

PAUL GUIMARD, JUHAN LIIV, SAMUEL BUTLER, KHACHATURIAN, MARGARET ROSSITER, LOCKE, HOBBES & INDIVIDUALISMO POSSESSIVO


A música do compositor armênio Aram Khachaturian (1903-1978) que exerceu sua arte baseada no folclore e na música popular da Armênia.

DO QUE SOBRA NA HORAGÁ DE TUDO - UMA: O MOMENTO NÃO ESTÁ PARA BRINCADEIRA – Nesse tempo só na base do ad hominem – critica a pessoa e não a ideia do contendor, sempre foi assim -, o argumento confunde mais que esclarece. Bote enrolão para cima e para baixo, como aquela do discurso do doutor Marca Bosta ad infinitum. Quanta asneira! A coisa não está para brincadeira, sério mesmo! E Samuel Butler dá o tom da desgraça: Existem mais tolos do que espertos no mundo, caso contrário os espertos não teriam o suficiente para viver. Essa é a mais pura verdade, vôte! DUAS: QUASE UMA CAUSA PERDIDA – Fazer alguma coisa que preste hoje em dia dá sempre no maior angu de caroço. Aprovação que é bom, nem de perto. O que tem de gente do contra, dá de muito nos a favor que são só uns gatos pingados e tudo escondido na hora da precisão. Mas se der uma acertada, vira logo celeuma para uma tuia de insatisfeitos pro pencó empenar. Dá naquela do Aram Khachaturiam: Se eu soubesse que ela se tornaria tão popular, a ponto de obscurecer todas as minhas outras obras, jamais a teria escrito. Dá nisso, vez em quando, ou quase sempre. TRÊS: TENTANDO REMEDIAR A SITUAÇÃO - No meio do maior buruçú é preciso ter nervos de aço, senão, senão. Quando o enterro volta por falta de uma esclarecida visão da empreitada, os metidos a sabichão – ou melhor, os do contra mesmo -, logo dão chute na canela, desclassificando do primeiro ao quinto qualquer troço só para obstar inclemente. Sujeito como eu que age para resolver o que aparece de empecilho, dou de cara com aquela frase do combatente de Budapeste, recolhida por Paul Guimard: A situação é boa, mas não é desesperada. É o jeito de dar uma risada e amainar a chatura da ocasião. Vamos nessa e até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - O demônio tem pelo menos a desculpa de que só ouvimos um lado da história. Afinal, Deus escreveu todos os livros. Frase do escritor britânico Samuel Butler (1835-1902).

ALGUÉM FALOU: A juventude feliz é uma invenção de velhos. Pensamento do escritor francês Paul Guimard (1921-2004).

EFEITO MATILDA & MATTHEW – [...] O Efeito Matilda esconde as mulheres na história da ciência: Se nós tivéssemos alguma escala, saberíamos quão chateado ou revoltado poderíamos ficar quando um cientista é ignorado ou esquecido. Afinal de contas, nem todo mundo pode ou deve ser lembrado pelos outros. Mas qualquer que seja a hierarquia, se a ciência é para ser meritocrática, e a história da ciência reflete isso, conquistas semelhantes ou iguais devem receber reputação e reconhecimento similares. [...]. Trecho extraído de The Mathew Matilda Effect in Science (Social Studies of Science, 1993), da professor e historiadora da ciência, Margaret W. Rossiter, que cunhou o termo Efeito Matilda para a repressão e negação sistemática das contribuições de mulheres cientistas em pesquisa. Para ela, o Efeito Matilda é o preconceito que privilegia os homens de ciência, em detrimento das mulheres que atuam na área. Está relacionado com o Efeito Matthew que, em sociologia, representa vantagem acumulada, ou seja, um fenômeno no qual os ricos ficam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, metáfora para referencia às questões de fama e acumulação de capital, condizente com a parábola dos talentos no evangelho segundo Mateus: O que tem mais se lhe dará; e o que não tem, até o que tem, lhe será tomado. Veja mais aqui e aqui.

AS COISAS DA VIDA – [...] Se eu tivesse morrido, Hélène encontraria no meu bolso essa carta ridícula. Foi uma burrice não a ter destruído, pois ela já não representa a realidade dos meus sentimentos atuais, e sim um movimento sem profundidade, um humor, que eu exprimia de maneira cruel. Deviam-se queimar todas as cartas desse gênero... Testemunham estados de alma ou do coração demasiado temporários, contraditos no próprio instante em que se escreve a última frase... [...]. Trecho extraído do livro As coisas da vida (Expressão Cultura, 1968), do escritor francês Paul Guimard (1921-2004), obra que deu origem ao drama romântico dirigido pelo francês Claude Sautet, em 1970, contando a história de um maduro arquiteto que sofre um grave acidente de carro e fica em estado de coma à beira da estrada, tendo flashbacks do passado e das duas mulheres de sua vida: a ex-mulher e a atual com quem vive um conturbado relacionamento, teme que venha à tona uma carta que daria outro sentido à sua relação com os outros.

DOIS POEMAS - A floresta sussurrou, genuína, / escura... / Ansiosamente eu a ouvi. / Já do meu berço, seu sussurro / no meu ser as asas se abriram. / Eu permeei seu sussurro escuro; / constante, seu som isso me perfura. / Eu luto permanentemente por ele: / Nunca mais serei feliz. II - Uma greve se instala diante da minha janela branco sob o pescoço, o peito de gualda; / coça, bica, bisbilhota em minha casa, / como é seu trabalho hábil / branco sob o pescoço, o peito de gualda! / Afia o bico, corre os olhos / o pobre pássaro do inverno Solitário! / E assim que olho, isso já está na janela / outro como ela, no parapeito / bate suas asas! / E os dois me olham, com sutil audácia, / fisgan, eles escaneiam e eles fogem da balaustrada. / Continuo seguindo-os com os olhos. / E penso: foi assim que ele veio dar uma volta na minha janela, / E então outro veio batendo as asas! Poema do escritor estoniano Juhan Liiv (1864-1913).


HOBBES: O DEVER POLÍTICO DO MERCADO: A filosofia de Hobbes abriu um espaço de conveniência entre o racionalismo e o empirismo num campo de conciliação, sendo assim atacado por várias razões, dentre elas teológicas, filosóficas e pragmáticas. Hobbes, entretanto, não foi o resultado mecânico do convívio com Bacon e Galileu, não tendo sua obra constituído de uma simples justaposição de variantes empiristas e racionalistas, impondo, então, a razão na experiência num modo particular comum.  Ao deduzir deveres morais ele postulou fatos supostos de dever moral, desvinculando-se da teoria do dever. Para Hobbes a natureza fez os homens iguais, quanto as faculdades do corpo e do espírito que, embora por vezes, se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo ou de espírito mais vivo do que outro. Desta igualdade quanto a capacidade, deriva a igualdo quanto a esperança de se atingir os fins de cada um. Por outro lado, pensa Hobbes, os homens não tiram prazer algum da companhia um dos outros principalmente quando não existe um poder capaz de manter a todos em respeito. Para ele o direito de natureza é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria vida. E consequentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento indiquem como meios adequados a esse fim. Então, o estado de natureza ou condição natural da humanidade em Hobbes, não se refere ao ser natural mas sim ao indivíduo cujos desejos são especificamente civilizados. O estado de natureza é a condição hipotética na qual os indivíduos, como são agora, com naturezas formadas pelo viver na sociedade civilizada, se encontrariam inevitavelmente se não existisse nenhum poder comum, capaz de impor respeito a todos. E define que uma lei de natureza é uma regra estebelecida pela razão, proibindo a um homem fazer todo o que possa destruir a vida ou privá-la dos meios necessários de preservação. Quanto a sua visão de natureza humana, destaca Macpherson (1979:29), que se trata de uma análise psicológica submetida a uma análise da natureza humana desligada da sociedade, observando que todos os indivíduos na sociedade procuram sempre mais poder sobre os outros e daí a demonstrar a necessidade do soberano. Assim, o estado de natureza em Hobbes é deduzido da necessidade dos homens em se firmarem no reconhecimento de um estado soberano. E deduz a partir das paixões oriundas dos apetites e aversões que nascem com o homem. Alguns desses prazeres derivam da sensação de um objeto presente chamados de prazeres dos sentidos. Estas paixões simples chamadas apetite, desejo, amor, aversão, ódio, alegria ou tristeza recebem nomes diversos conforme a maneira como são consideradas esta sucessão alternada de apetites, aversões, esperanças e medos não é maior no homem do que nas outras criaturas vivas. O sucesso contínuo na obtenção das coisas que os homens desejam para prosperar constantemente, é aquilo a que os homens chamam de felicidade e, consequentemente, esses desejos representam os desejos humanos na vida. Na natureza do homem, Hobbes encontra três causas principais de discórdia: a competição, a desconfiança e a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança; a terceira, a reputação. Os primeiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas e rebanhos dos outros; os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias. Lembra ele, então, que com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manger a todos em respeito, eles e encontram naquela condição a que se chama guerra e guerra que é de todos os homens contra todos os homens. E a maneira de evitar tal estado de guerra, é a existência de um poder público com homens civilizados. Macpherson (1979:44) obersva que em Hobbes "a vida vida não é senão movimento e nunca pode ser sem desejo, nem sem medo, nem tampouco sem sentido, cada homem precisa procurar êxito contínuo para obter aquelas coisas que de vez em quadro deseja e desejará. Os homens são máquinas apetitivas que se movimentas sozinhas e se autodirigem".  Ou seja, atribuindo valores a tudo por comparação com o que os outros têm. A partir disso Hobbes compõe um modelo de indivíduo ligados aos seus postulados de natureza humana, a partir da relação entre os seres. Isso tudo, conforme observa Macpherson (1979:60) "resulta, entretanto, na sociedade de mercado possessivo também implica em que, onde o trabalho se tornou artigo de mercado, as relações de mercado moldam ou permeiam de tal forma todas as relações sociais que pode ser adequadamente chamada de sociedade de mercado". Na sociedade de costumes ou "status", Hobbes defende que o poder de um homem consiste nos meios que aparentemente dispõe para obter qualquer bem futuro. E estabelece que o maior dos poderes humanos é aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento numa só pessoa que tem o uso de todos os seus poderes na dependência de sua vontade, como um poder de um Estado. Ele, então, não entende a decêndia de conduta por costumes. A competição pela riqueza, a honra, o mando que leva para a luta, para a inimizade e para a guerra, trata do desejo de conforto e deleite pessoal. A ignorância das cuasas e da constituição original do direito e da justiça predispõe os homens para tomarem como regra de suas ações o costume e o exemplo, de maneira a considerarem injusto e justo o resultado de todas as ações humanas. Ou como diz Macpherson (1979:62) "o modelo de uma sociedade de status costumeira, ao mesmo que permite a perene invasão pela força entre rivais no alto da escola e ocasionais invasões pela força entre classes ou segmentos de classe, não permite a invasão perene, seja pela força ou por outro modo, de indivíduos por indivíduos, de ponta a ponta da sociedade". A partir de então carece que vislumbremos tais comportamentos dentro de sociedades caracterizadas como de mercado simples ou possessivo. A simples se caracteriza quando os indivíduos estão mantendo o controle sobre sua produção e com apenas trocas entre produtos. Enquanto a possessiva, traduz uma competição maior com desejos maiores para converterem tudo em posses maiores. Ou seja, "o modelo de mercado possessivo exige uma estrutura legal compulsiva. No mínimo, a vida e a propriedade precisam ser postas em segurança, os contratos precisam ser definidos e obedecidos. O modelo permite também a ação do estado, muito além desse mínimo. (Macpherson, 1979:. 68) O modelo possessivo é detectado em Hobbes quando ele considera o trabalho do homem uma mercadoria negociável para proveito, quando todos os homens tem um desejo inato de poder ilimitado sobre todos os outros, permitindo a contínua intrusão de cada um sobre o outro. Isto porque todos os indivíduos já trazem inatamente o desejo de terem sempre mais que os outros. Macpherson (1979:79) identifica que  "Hobbes introduziu suposições que são válidas somente para as sociedades de mercado possessivo. Porque seu propósito era persuadir as pessoas de que precisavam reconhecer um soberano, e para isso seu método era apenas relembrar aos homens aquilo que já sabem, ou podem saber por experiência própria". Para Hobbes o fim último, causa final e desígnio dos homens é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita, porque vivem constantemente numa competição pela honra e pela dignidade e é devido que surjam entre os homens a inveja e o ódio e, finalmenete, a guerra. E a única maneira de instituir um poder comum, capaz de defendê-los, é conferir toda sua força e poder a um homem que possa reduzir suas diversas vontades a uma só vontade. Isso significar dizer a designação de um homem como representante das pessoas e isso, para Hobbes, é o Estado, a quem todos por dever político ou moral, devem respeitar. Postulando sobre a igualdade, defende ele que a natureza fez os homens iguais e desta igualdade os homens se fazem desiguais quando incorporam as três causas principais de discórdia. E que um Estado é constituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam que a qualquer homem a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoa de todos eles, tanto os que votaram a favor ou contra, deverão autorizar tal como fossem seus próprios atos e decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros. Com isso ele acha a igualdade de fato dentro de uma igualdade de direito, deduzindo direitos a partir de que cada indivíduo tem necessidades que precisa realmente satisfazer coletivamente. A moral, a partir de sujeitos justos; a ciência, a partir de homens civilizados e educados a fim de evitar as paixões arrebatadoras que desviam a sua conduta; e o mercado, a partir do equilíbrio encontrado pelas necessidades de competição e de lucro, fazem o arcabouço materialista de Hobbes. Desse fato, ele modela as modalidades de igualdade a partir da insegurança e da subordinação do mercado. A primeira, na ausência de uma representação que coíba as iniciativas danosas a cada um; a segunda, no respeito à competição dada pela subordinação de regras claras ditadas pelo soberano. No que concerne a teoria política de Hobbes, o pacto social, não estabelecendo contradições entre o pacto e o absolutismo, conduzindo um ao outro. Ele reconhece a legitimidade de outros tipos de governo, não admitindo vários detentores de poder. Mas que havia criando uma igualdade perante a lei do mercado, onde os homens racionais eram obrigados a se posicionar. Esse equacionamento do problema político deriva do modo como Hobbes encara o pacto social. Para ele, o contrato é estabelecido unicamente entre os membros do grupo que entre si, concordar em renunciar a seu direito a tudo para entregá-lo a um soberano encarregado de promover a paz. Esse soberano não precisaria dar satisfações de sua gestão, sendo responsável apenas perante Deus. Esse corpo soberano com direito a se perpetuar. Macpherson (1979:105) trata, nesse sentido, a congruência da soberania na sociedade de mercado: "Numa sociedade de mercado, em que a propriedade se transforma num direito de usar, de excluir totalmente os demais do uso e de transferir  ou alienar terras e outros bens, é necessário um soberano para estabelecer e manter os direitos individuais de propriedade e Hobbes também tinha razão quanto à espécie de propriedade  característica da sociedade de mercado possessivo. A necessidade de um poder soberano numa sociedade de mercado possessivo, e em especial, numa emergente, é portanto de toda evidência".  
OS NIVELADORES: O SUFRÁGIO E A LIBERDADE: O PROBLEMA DO SUFRÁGIO - Os niveladores representam a doutrina democrática da Inglaterra do século XVII, fortalecendo os movimentos radicais ingleses a partir de então. Eles foram responsáveis pela discussão acerca do sufrágio que, na ocasião, representavam quatro modelos distintos. O primeiro deles, denominado de sufrágio dos proprietários alodiais, se caracterizava pela exclusão dos anfiteutas e arrendatários, além de artesão, comerciantes, membros mercantis,  todos os assalariados e os que pediam esmolas. A seguinte vertente de discussão sobre o sufrágio entre os niveladores era o sufrágio dos contribuintes, ou seja, para todos os chefes de família, comerciantes, enfim, todos que haviam sido excluídos na primeira modelagem, excetuando-se apenas os pobres. A terceira modelagem, a dos não-assalariados, se extendia para todos os homens, menos os assalariados e pedintes. E, por fim, o quarto tipo, o do sufrágio universal, abarcando todos os homens, menos os criminosos e delinqüentes. Observando-se atentamente, em três delas excluía-se por completo os assalariados e os pedintes, enquanto em apenas um grupo, excetuava-se apenas os apenados criminalmente, este último mais próximo dos ideais democráticos, enquanto as outras três vertentes se caracterizavam por exclusão de uma ou mais classes sociais. Tais debates tiveram início com o debate ocorrido em Putney, em 1647, onde selaram o Acordo do Povo, sobre o volto adulto universal e culminando com o manifesto final do movimento dos niveladores que possuíam uma posição dentro dos quatro modelos anteriormente assinalados. É preciso mencionar que, durante a leitura efetuada na obra de Macpherson, dois outros acordos, o primeiro em 1648, onde o sufrágio novamente exclui pedintes, assalariados e os que não tenham propriedade sujeita a impostos. Enquanto que o de 1649, exclui apenas os assalariados e os mendigos. Antes deles as discussões foram incipientes e só depois de Putney e que mereceram destaque. E os debates ocorridos depois vinham se desenrolando dentro de uma normatização vigente que se caracterizava predominantemente na propriedade da pessoa individual do homem, ou seja, o homem é naturalmente proprietário de sua própria pessoa. Deduz-se, assim, que tanto os pedintes e mendigos, bem como os assalariados que eram destituídos de posses que sejam além de sua própria pessoa e, no caso dos assalariados, de suas capacidades para desenvolverem seus trabalhos, estavam naturalmente excluídos de participarem da vida política. Ou como melhor se reporta Macpherson (1979:158) "Tanto aos pedintes e mendigos, quanto para os assalariados, a cassação dos direitos naturais, quando não era resultado de rebelião contra o trabalho útil, e portanto contra a sociedade, poderia ser vista como inclusão em seus patrões. Era pela mesma perda - a perda do direito ao seu próprio trabalho - pedintes e mendigos e assalariados cassavam seu próprio direito natural a ter voz em eleições, e essa perda, inevitavelmente, os incluía em outrem". O confronto entre as postulações dos niveladores e os independentes condimentaram as discussões para estabelecer qual o melhor modelo de sufrágio que acordasse as categorias sociais. E a discussão, observada na ótica de Macpherson, era a de que os independentes se viam prejudicados pela manutenção efetiva da exigência de propriedade o que, na sua ausência, pelo menos algum capital de trabalho. Sem este capital ficava patente a dependência da vontade alheia. O trabalho para os niveladores tanto era considerado como uma mercadoria, como também um atributo humano, onde exigiam uma nova modelagem para a liberdade e para a propriedade, incluindo a possibilidade de que todos possam ter acesso à propriedade. Desta forma se defininia a forma de individualismo dos niveladores.
A TEORIA DO DIREITO DE PROPRIEDADE. O PROPÓSITO DE LOCKE - As teses sociais e políticas de Locke caminha em paralelo. A sua política deriva a lei civil das leis naturais, racionais, morais. Ele considera que a razão natural que diz terem os homens uma vez nascidos, direito a própria preservação, bem como sua comida, bebida e a tudo quanto a natureza lhes fornece para a subsistência. Além disso, admite que todos os homens são livres iguais, tendo o mesmo direito para viver e para ter propriedade. O estado de natureza, para ele, está antes do estado civilizado e deve servir a uma passagem de um para o outro através de um instrumento moral. Analisa, portanto, que ao primeiro falta a certeza e a regularidade da defesa e da punição, que existe no segundo, graças à autoridade do superior. Entretanto, no seu contrato social, os indivíduos não renunciam a todos os direitos, vez que os direitos constituem a natureza humana. Mais amiudamente mostra que os homem chegam a ter uma propriedade em várias partes daquilo que Deus deu para a humanidade em comum e sem qualquer pacto expresso entre todos os membros da comunidade. Aceitando, portanto, como preceito, as questões atinentes tanto da razão natural quanto das escrituras. No estado da natureza, observa que o homem tem dois poderes para suprimir a liberdade que tem quanto a prazeres, sendo o primeiro consistindo em fazer o que julgar conveniente para a própria preservação e a de terceiros dentro do que permite a lei da natura. O outro, é o de castigar os crimes cometidos contra essa lei. Locke dizia que antes da apropriação da terra, quem colhia o mais possível de sua produção, invadia a parte do outro porque não tinha mais além do que o exigia o próprio uso para qualquer deles, servindo-lhe para proporcionar as conveniências da vida. A invenção do dinheiro, para ele, atribuiu um tácito acordo dos homens e valor para a terra, produzindo maiores posses. O dinheiro quando possibilitou a ampliação do comércio além da acumulação, também possibilitou a todos consumir bens mais variados, deixando claro tratar-se de uma mercadoria que pode ser permutada por outras mercadorias e possuia a finalidade característica de servir como capital. Outra observação relevante sobre o assunto, é que Locke sustentatva que a adoção do dinheiro, em sua qualidade de armazenador de recursos removia o obstáculo técnico que era a única coisa a restringir a apropriação ilimitada para se tornar racional no sentido moral, ou seja, estar em concordância com a lei da natureza ou com a lei da razão. A adoção do dinheiro removeu também o obstáculo que restringia a apropriação de se tornar racional no sentido da conveniência. Marcpherson (1979:233) observa que "Locke reconheceu explicitamente que a teoria da propriedade, no todo, é uma justificação do direito natural, não apenas à propriedade desigual, mas a uma apropriação individual ilimitada. A insistência em que o trabalho do indivíduo lhe pertence é a raiz da sua justificação". Para compreendê-lo melhor, considera Locke que todo homem, quando de início se incorpora a uma comunidade, tambem se anexa a ela e em virtude dessa união se submete a comunidade todas as posses que tenha ou venha a adquirir. Todavia, embora os homens, a seu ver, quando entram em sociedade abandonem a igualdade, a liberdade e o poder executivo que tinham no estado de natureza, para que nas mãos da sociedade disponham por meio da legislação o bem dela mesma, preservando a si própria, a sua liberdade e a sua propriedade. As diferenciações feitas entre as classes sociais, onde quem possuía estaria naturalmente acima de quem nada possuía, revela que "(...). a sociedade civil é instaurada para proteger posses desiguais, que já deram origem, no estado de natureza, aos direitos desiguais. (Macpherson, 1997:243). Para bem compreender Locke é preciso observar que o poder político deriva do estado em que todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordernar-lhes as ações e regulando suas posses dentro dos limites da lei. Estado esse também aceito como de igualdade, onde é recíproco qualquer poder. E para impedir a todos os homens que invadam os direitos dos outros e para que se observe a lei da natureza, põe-se a execução da lei da natureza nas mãos de todos os homens, mediante isso qualquer um tem o direito de castigar os transgressores dessa lei. E enfatiza na necessidade de trazer a classe operária à obediência por meio da crença em recompensas e punições divinas. A classe operária mais do que todas as outras, é incapaz de levar uma vida racional. Os pobres ociosos como sendo depravados por opção; os trabalhadores pobres, como simplesmente incapazes de vida plenamente racional, devido a sua infortunada condição, era observado como incapazes de plena vida racional, ou seja, incapazes de governarem suas vidas pela lei da natureza ou pelo raciocínio. O direito diferenciado causado por tais discriminações traduzia como resultante que todos os homens, exceto os lunáticos e os idiotas, são portanto libertos de autoridade paterna porque presume-se que sejam igualmente capazes de reconhecer a lei da natureza e de se arranjar por conta própria. Já na questão da sociedade civil, prescrevia que a classe operária, não tendo fortunas está submetida à sociedade civil, mas dela não faz parte. Ou seja, "o direito de governar é dado apenas aos homens de fortuna: a eles é que é dada a voz decisiva sobre a tributação, sem a qual nenhum governo pode se manter". (Macpherson, 1979:260) Para Locke o a natureza fixou bem a medida da propriedade pela extensão do trabalho do homem e conveniências da vida, onde nenhum trabalho podia tudo dominar ou de tudo apropriar-se. Já no tocante a liberdade em relação ao estado, reitera que o homem não possuindo o poder da própria vida não está em condições, por pacto ou por consentimento próprio, de escravizar-se a qualquer outro, porque ninguém pode dar mais poder do que possui. Mas com relação aos depossuidos, o estado consiste tanto apenas de proprietários de terras, como de toda a população. Assim, a classe operária, cujo único haver é sua capacidade de trabalho, não pode tomar parte nas operações da companhia ao mesmo nível que os proprietários. Macpherson (1979:266) muito bem observa neste sentido que "a equiparação lockeana dos consentimentos individual e majoritário é apenas um caso de sua equiparação entre os dois consentimentos. A cada indivíduo que ingressa na sociedade civil para a preservação da propriedade de todos os membros daquela sociedade, tanto quanto possível, são seus próprios julgamento, sendo eles feitos por ele próprio ou por representante". O individualismo de Locke não exclui necessariamente, mas ao contrário, requer a supremacia do estado sobre o indivíduo.  E o seu constitucionalismo é essencialmente em defesa da supremacia da propriedade.
O INDIVIDUALISMO POSSESSIVO E A DEMOCRACIA LIBERAL: OS FUNDAMENTOS DO SÉCULO XVII - O que se pode apreender acerca do individualismo possessivo e a democracia liberal próprias do século XVII, é que Macpherson conclui (1979:275) que "a liberdade, e portanto a humanidade, depende de sua liberdade para entrar em relacionamentos voltados para o interesse próprio, com outros indivíduos, e desde que sua capacidade para entrar em tais relacionamentos depende de ter ele o controle exclusivo de sua própria pessoa e de suas próprias capacidades, e já que o "status" de proprietário é a forma generalizada desse controle exclusivo, o indivíduo é essencialmente proprietário de sua própria pessoa e de suas próprias capacidades". Tais assertivas identificam as características que permearam o individualismo possessivo àquela época e proporcionando a introdução da democracia liberal a partir das discussões dos niveladores e dos postulados tanto de Hobbes (que admitia o absolutismo) e Locke. O indivíduo, assim, é essencialmente o proprietário de sua própria pessoa e de suas próprias capacidades e a sociedade humana consiste de uma serie de relações de mercado. Já que a liberdade das vontades dos outros é o que torna humano o indivíduo, a liberdade de cada indivíduo só pode ser legitimamente limitada pelos deveres e normas necessários para garantir a mesma liberdade aos outros. A partir disso, encontramos de Macpherson que a sociedade política é um artifício humano para a proteção da propriedade individual da própria pessoa e dos próprios bens, e portanto, para a manutenção das relações ordeiras de trocas entre os indivíduos, considerados como proprietários de si mesmos. Quanto aos dilemas do século, Macpherson (1979:283) assinala que "o indivíduo, numa sociedade de mercado possessivo é humano em sua qualidade de proprietário de sua própria pessoa; sua humanidade realmente depende de sua independência de quaisquer relacionamentos contratuais com os outros, exceto as que são de seu interesse; sua sociedade realmente consiste de uma série de relações de mercado". Isto quer dizer que se faz necessário que se possa postular que os indivíduos de que se compõe a sociedade se vêem, ou são capazes de se ver, como sendo iguais, sob algum aspecto mais fundamental, do que sob todos os aspectos em que são desiguais. Essa condição, na visão do autor, foi preenchida na sociedade de mercado possessivo original, até seu surgimento como forma dominante no século XVII, até seu apogeu no século XIX, pela aparente inevitabilidade da subordinação de todas as leis do mercado. Há que se ressaltar que numa sociedade de mercado possessivo era exigida ainda uma condição para uma teoria válida do dever do indivíduo para com um corpo soberano que não se perpetuasse. E que exista uma coesão de interesses próprios entre todos aqueles que têm voz na escolha do governo, suficiente para contrabalançar as forças centrífugas de uma sociedade de mercado possessivo.
REFERÊNCIAS
MACPHERSON, C. B. A teoria política do individualismo possessivo de Hobbes a Locke. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. Caps. II,III, V e VI. Veja mais aqui e aqui




Veja mais sobre:
Tem horas que até o amor fala grego, Lev Vygotsky, Rachel de Queiroz, Ledo Ivo, Chick Corea & Friedrich Gulda, William Shakespeare, Jean-Luc Godard, Auguste Rodin, Agnolo Bronzino & Marina Vlady aqui.

E mais:
A saga do Padre Bidião aqui.
Villa Caeté aqui.
A poesia do cordel de Chico Pedrosa, Bob Motta & Jorge Filó aqui.
A poesia viva de Raymundo Alves de Souza aqui.
Cordel Ais coisa qui tu me diz..., de  Bob Motta aqui.
Literatura de cordel: Mulher cariri, cariri mulher, de Salete Maria – Cordelirando aqui.
Cordel do Meio Ambiente, de Marcos Maciel - Janduís – RN aqui.
O evangelho de José Saramago aqui.
Cordel do quebra pau no STF, de Bob Motta aqui.
Fecamepa à República aqui, aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA


Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...