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segunda-feira, março 09, 2020

ALEXANDRA KOLLONTAI, SIMONE SABACK, ELSA CAYAT, RUTH KLIGMAN, ÁGDA MOURA & AMÉLIA BRANDÃO


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: PODIA ATÉ SER, POR QUE NÃO? - A poeta chegou nua, cabelos longos, seios nos ombros da minha noite exaltada: abraço de mar no meu insulado coração. Dela, beijos de mel na minha boca faminta. Enaltecida, sussurrou ao meu ouvido atento todos os seus poemas de amor da sua carne divinizada entre lençóis, nuvens e estrelas. Amanheceu-me ensolarada com um sorriso reluzente e uma frase inesquecível. Quem? Elizabeth Barrett Browning: Ilumine seu amanhã com seu hoje! Você é algo entre um sonho e um milagre. Ninguém está sozinho se tiver Deus e a companhia de bons livros. Realmente, inesquecível. DUAS: QUANDO NELA EU OUTRO – Seus olhos nos meus, o éden agora: vestes deslizam na sua escultura desnuda. Sua língua é um pincel atrevido no meu tórax erradio: uma égua sem véus na montaria da minha clava aguerrida. O seu sexo uma pintura viva e abstrata. A loucura e o seu aranzel como se morta rosa despetalada sem saber se renascia levada apenas pelo gesto. Quem? Georgia O'Keeffe: A visão de outra pessoa nunca será tão boa quanto a sua própria visão de si mesmo. Viva e morra com isso, porque no final é tudo que você tem. Perca e você se perderá e tudo mais. Eu deveria ter me escutado. Ah, a nudez dela na minha lente e sonho. TRÊS: NELA OPERÓTICA – Ela não se diz má, assimétrica e angelical imperfeita a solfejar uma Bachianinha do Villa enquanto cata insetos na minha pele embriagada, porque sou asteroide vagante na sua mão carinhosa. O seio robusto explode o decote amotinado, rasga a saia coxa exposta e o sexo vulcânico assoma do torso de uma deusa furiosa, semblante safado nos lábios pedintes. Quem? Kiri Te Kanawa: Eu realmente acredito que tenho sido uma boa pessoa. Não é perfeito - esqueça o perfeito - mas apenas aprendendo o que eles me ensinaram e vivendo de acordo com meus próprios valores. Eu poderia ter pisado em algumas formigas - e algumas outras coisas também - mas nunca machuquei ninguém. Ah, sua voz na minha loucura. Todas elas, um só ser em mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Somente as novas tempestades revolucionárias foram fortes o suficiente para varrer preconceitos grosseiros contra a mulher e somente o povo trabalhador é capaz de efetuar a completa equalização e liberação da mulher, construindo uma nova sociedade. Se eu alcancei algo neste mundo, não foram minhas qualidades pessoais que originaram isso. Em vez disso, minhas realizações são apenas um símbolo do fato de que a mulher, afinal, já está em marcha para o reconhecimento geral. Somente as novas tempestades revolucionárias foram fortes o suficiente para varrer preconceitos ocultos contra a mulher e somente o povo produtivo é capaz de efetuar a completa equalização e libertação da mulher construindo uma nova sociedade. [...]. Pensamento da líder revolucionária e teórica russsa Alexandra Kollontai (1872-1952). Veja mais aqui, aqui e aqui.

BASEAR A VIDA NO OUTRO – [...] Esse é todo o problema do amor. Não se trata de apoiar sua vida no outro, mas preservar sua vida para si, recentrar em si para poder abrir-se ao outro. Esse é o eixo central dos problemas do amor, um eixo do mito do amor. Um quer se apoiar no outro, quer descansar no outro, pois crê que o amor é a solução a tudo o que falta e assim demanda no outro o amparo a sua fragilidade. Mas isso é falso. O outro não pode preencher nossas faltas. Em geral se pensa que o amor é a solução a tudo o que falta, e então o outro vai nos curar. Repito: isso é falso. O outro não pode nos preencher completamente, e os problemas pessoais irão irromper. Para se resolver os problemas é preciso acertar-se consigo mesmo. Pode-se amar tendo confiança relativa. O outro existe, é um ser humano como a gente. Entretanto, é diferente da gente. A confiança que se precisa aprender é a confiança em si. [...]. Palavras da jornalista médica psiquiátrica e psicanalista francesa Elsa Cayat (1960-2015), autora das obras Un Homme + Unne Femme = Qoui (“Um homem + uma mulher = o que é”) e Desir et la Putain – Les Enjeux Cachés de la Sexualité Masculine (O desejo e a puta – Os desafios escondidos da sexualidade masculina). Ela foi a única mulher entre as 12 vítimas dos terroristas no ataque jihadista contra o Charlie Hebdo, enterrada no trecho israelita do Cemitério de Montparnasse, em 15 de janeiro de 2015.

A MÚSICA DE SIMONE SABACK
Aperta-me nas mãos
Busca as soluções.
Planta-me num jardim
Fora do alcance de qualquer ser.
Ali crescerá uma canção
Que dirá o que eu não posso.
Planta-me.
Mas antes retira minhas mágoas.
Seca o suor de minha pouca idade.
Antes purifica-me.
Antes,
Ama-me.
A MÚSICA DE SIMONE SABACK - Poema Planta-me, extraído do livro Mesmo sangue (1980), da poeta, compositora, intérprete, roteirista e jornalista Simone Saback. Ela começou sua carreira como cantora em show com temporadas na Sala Funarte, dedicando-se em seguida em atuar como produtora no fomento do mercado candango do Teatro e da Música. Depois trabalhou na Revista Manchete e nos jornais Correio Brasiliense, Jornal de Brasília e Última Hora. Atuou como roteirista para cinema e televisão, além de ter várias de suas músicas gravadas por Zélia Duncan, Ana Carolina, Frejat, Simone, Cassia Eller, Fábio Jr, entre outros.
&
ÁGDA MOURA
[...] tenho o projeto musical autoral, “O canto do meu canto” , onde toco com músicos da cidade. [...] Com teatro, sou integrante do grupo Avani Lopes, que é formado por grandes artistas que cresci admirando. Estudo arquitetura. Junto aos meus amigos, organizamos o movimento Lamparina, que funciona como uma intervenção urbana cultural a espalhar arte pelas ruas, nossas tradições e a história da cidade. Nas escolas do município, produzo atividades e oficinas culturais com contação de histórias, poesia, dinâmicas teatrais e música. E assim vão se desenhando os projetos que naturalmente vão se atribuindo.
ÁGDA MOURA - A arte da cantora, compositora, atriz, desenhista e multi-instrumentista Ágda Moura, que no seu repertório autoral, apresenta conexões estreitas com temas que valorizam a simplicidade da vida e evidencia um diálogo entre composições com arranjos contemporâneos, conectados ao rock pernambucano, ao blues e ao folk, com elementos rítmicos da tradição do maracatu, ciranda e coco. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Arte é minha vida. Sinto-me privilegiado como artista, como mulher, como uma pessoa com uma grande história.
RUTH KLIGMAN – A arte da pintora estadunidense Ruth Kligman (1930-2010), musa dos mais importantes artistas do século 20 e paixão amorosa do artista Jackson Pollock (1912-1956). Veja mais aqui & aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
AMÉLIA BRANDÃO, A TIA AMÉLIA
A arte da pianista e compositora Amélia Brandão (1897-1983), que começou sua carreira como erudita e transformou-se em figura representativa do choro, homenageada por figuras de peso, a exemplo de Pablo Neruda e Vinicius de Moraes, entre outros.
A poesia do poeta, tradutor, crítico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968) aqui & aqui.
A literatura de Maurício Melo Júnior aqui & aqui.
Antonio de Brito Alves: o príncipe dos advogados, do jornalista Carlos Cavalcante(1949-2011) aqui.
A arte de Eliete Carvalho aqui & aqui.
As artesanias de Epifânio aqui.
Os quadrinhos de Nel Angeiras aqui.
O município de Canhotinho aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

sexta-feira, setembro 20, 2019

ELIZABETH BROWNING, EISENSTADT, ESTHER VILAR, VANESSA LAMOUNIER, LAURO CHAVES & SOLILÓQUIO


SOLILÓQUIO DAS HORAS AGUDAS - Vou além do que vivo! Já dizia Gullar: viver só não basta. Invento mundos e sonhos, sonhar é preciso: é ser mais que músculos, gestos, coração. Não sou suficiente em mim: sou muitos, senão todos. Dialogo comigo mesmo para que tudo seja real, apesar de onírico. Escrevo o meu olhar e a minha palavra é grega aos ouvidos; apesar do vernáculo: soa das tripas coração. Escrever é a minha forma de ser e estar vivo: solilóquios solitários – eu e tudo, solitude nas horas suicidas e com todos os meus eus que falam de si e do que não sei de mim mesmo. Cá com os meus botões, coisa de doido: é a forma de me dar a conhecer o que sou e vejo além do óbvio, as essências, poeiras, bolhas, espumas - o todo em tudo. As partes, só quando interessa amálgama: quebra-cabeça. Tudo me chama atenção, até o inútil, o vão, até desvelar ocultidões: o interior do interior do interior do interior. Sou do desafio, vencer é conhecer, desvendar o que se diz de mistérios e saber que nã há mistério algum. Sou todo o olhar e o sentir que sugere a paisagem das coisas e o irrevelável me seduz, o invisível: porque não vejo só com meus olhos, todos os sentidos, corpalma, de olhos fechados e para todas as coisas: o visinvisível. Invento que seja este o meu tempo, não é e pouco importa. Invento o espaço, da minúscula fresta aos quilômetros estelares, o voo. Invento o meu mundo, este não é o meu e tudo isso é pouco, senão ilusório. Sou semente e me reinvento raiz para o êxtase da fotossíntese, até ser-me fruto devorado pela própria fome de tudo e de todos. Senão pedra, se viva, não sei. Disso, me reduzo a nada e feliz: cumpro a missão. Ademais, sou estrangeiro aqui e vou só. Assim sou, só a poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A tendência geral de reconstruir o mundo com todas as suas repercussões ideológico e institucional, era comum a todas as civilizações da época pós-axial, embora, é claro, modalidades concretas variassem enormemente. Assim, nem uma história homogênea do mundo surgiu, nem os diferentes tipos de civilizações eram semelhantes ou convergentes, mas, pelo contrário, uma multiplicidade de civilizações mundiais tão diferentes surgiu tão divergente. Mesmo se eles estivessem sujeitos a uma influência incessante; mútuo, cada um deles tentou reconstruir o mundo à sua maneira e de acordo com suas próprias suposições básicas, tentando absorver os outros, conscientemente se afastando deles. [...] Trechos extraídos do estudo A era axial: o surgimento de visões transcendentais e a ascensão dos clérigos (Sociologia Histórica, 2017), do sociólogo israelense Shmuel Noah Eisenstadt (1923-2010), que se tornou professor emérito da Faculdade de Sociologia da Universidade Hebraica de Jerusalem, além das de Chicago, Harvard, Zurique, Viena, Berna, Stanford e Heidelberg, afora membro da Academia Americana de Artes e Ciências.

ALGUÉM FALOU: [...] O homem esconde “com amor” a sua ilusão covarde, autossugestionada, e obriga-se a crer que a sua escravidão absurda à mulher e seus reféns é honrosa e tem um sentido superior. Está satisfeito com o seu papel, como escravo atingiu a meta dos seus desejos. E como a mulher, aliás, só tira vantagens desse sistema, nada se modificará. É certo que o sistema a obriga à corrupção, mas ninguém vê mal nisso. Nada mais se deve esperar de uma mulher além do “amor”, enquanto ela puder trocar esse “amor” por tudo o resto. E os esforços do homem, domado para ser escravo, vão conduzi-lo sempre no sentido da amestração, nunca no sentido do seu próprio proveito. Ele trabalhará cada vez mais e quanto mais trabalhar mais a mulher se afastará dele. Quanto mais ele se insinuar na sua intimidade, mais exigente ela se tornará. Quanto mais ele a desejar, tanto menos será para ela desejável. Quanto mais ele a rodear de conforto, mais comodista, mais estúpida, mais desumana ela se tornará e ele, por seu lado, mais solitário. Só as mulheres poderiam romper o círculo infernal de amestração e exploração do homem. Não o farão, porém. Não existe qualquer motivo racional para que o façam. Não há nada a esperar dos seus sentimentos – as mulheres são frias e não têm qualquer compaixão. O mundo continuará, pois, a mergulhar nesse vazio, nessa barbárie, e esses sonhadores maravilhosos, jamais vão acordar dos seus sonhos. [...]. Trecho extraído da obra O homem domado (Nórdica,1971), da escritora argentina Esther Vilar, pseudônimo de Esther Margareta Katzen, debatendo o sentido contrário da retórica feminista de defesa dos direitos femininos, considerando que as mulheres, nas sociedades industrializadas exploram um sistema bem estabelecido de manipulação dos homens, observando na dedicatória do seu livro que: Este livro é dedicado àqueles de que nele não são mencionados: aos poucos homens que não se deixam domar, e às poucas mulheres que não se vendem. E também, aos felizes sem valor no mercado, por que são velhos, feios ou doentes mentais.

POESIA DE ELIZABETH BARRETT BROWNING
O mundo inteiro está mudado, penso,
Desde que ouvi tua alma se movendo
Perto, perto de mim, entre o horrendo
Extremo do decesso óbvio e denso
E eu mesma, onde eu, em meu naufrágio intenso,
Fui pega pelo amor e o mais que vem do
Afeto: a vida em novo ritmo. Tendo
Aceito o pouco que Deus dá, convenço
A mim a mesma a louvá-Lo, e a te louvar.
E então o nome dos países muda
Tão logo você venha a se mudar;
E isto… esta canção!, agora muda,
(Os anjos sabem) com a tua ajuda
Eu sei que um dia irá se eternizar
.
ELIZABETH BARRETT BROWNING – Soneto da poeta inglesa da época vitoriana Elizabeth Barrett Browning (1806-1861). Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista Vanessa Lamounier, que estudou arquitetura na Universidade de Delft, na Holanda, país no qual trabalha e atua. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ESCOLA MUNICIPAL LAURO CHAVES
Nesta quinta, 19 de setembro, ocorreu a visita à Escola Municipal Professor Lauro Chaves, na qual estivemos, eu o parceiramigo Carlos Calheiros, com a diretora da instituição, professora Jaidene Maria da Silva, participando de reunião com as mães e de reconhecimento do espaço para o desenvolvimento do projeto piloto do Festival TTTTT de Arte Estudantil, uma parceria deste blog com a SEMED/Biblioteca Fenelon Barreto. Veja mais aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...