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terça-feira, junho 05, 2018

LORCA, FERENCZI, PEDRO NAVA, DUOFEL, DENNIS GABOR, ZUZU ANGEL, SILVIO HANSEN & FREDERICO SPENCER


O OLHO DO RINOCERONTE: O TRÂMITE DA SOLIDÃO - Lembro-me criança na escola, em dia de aula sobre o reino animal, apareceu-me a figura dum rinoceronte. Virei-me pra professora: Nunca vi, onde é que tem? A professora explicou e não entendi nada. Fiquei imaginando: o maior que já tinha visto era um boi, aí fiquei na ideia com o paquiderme. Coisa mais estranha, hem? Mais tarde, já beirando a adulteza, esse mesmo estranhamento ocorreu quando dei de cara com o cartaz de uma peça teatral que fui assistir cheio de curiosidade: era a comédia do absurdo de um patafísico e dramaturgo romeno, o Eugene Ionesco (1909-1994), escrita em 1950. Ora, ora, tratava-se de uma metáfora sobre a alucinação coletiva, a liberdade, o preconceito, a barbárie, a solidão, a desumanização, o conformismo, as contradições, a vida e a verdade no meio das metamorfoses. Ou como diz o próprio autor numa entrevista: “o absurdo está vivo. A prova é que estou aqui!”. Sobre os rinocerontes, na mesma entrevista, Ionesco disparou: “[...] me recuso a capitular perante o mito do mal. O rinoceronte representa um homem de ideias impostas, preconcebidas, sem julgamento próprio. As nossas sociedades modernas estão cheias de rinocerontes [...]”. Agora dou de cara com o de Frederico Spencer, O olho do rinoceronte (Tarcísio Pereira, 2018), poetamigo que conheci alguns anos atrás, por meio do seu Abril sitiado (Bagaço, 2011), integrante da equipe do Domingo com poesia e que nos encontramos pela última vez durante uma das edições da Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar), em Alagoas. Acabei de ler o livro do também sociólogo e psicopedagogo, agora incursionando pela prosa: reunião de contos prefaciados pelo psicólogo, escritor e doutor em Neuropsiquiatria, Spencer Júnior: “[...] do rinoceronte que habita a savana de sua poesia [...] um cógito mais spenceriano, ou seja, vejo, logo sou! [...] a brecha por onde nossa alma toca o mundo”. Em nota do próprio autor, ele destaca que os rinocerontes vivem geralmente isolados, remetendo à condição humana: “Todo o resto é mera ficção”. No livro, o trâmite da solidão: Tango para Nanci: tudo era solidão e silêncio; Nas entrelinhas: agora é apenas este vulto, ele a via e sentia sua falta; Dos santos domingos: ao final a solidão o fez voltar outras vezes, refém daquele desejo; Esfinge de barro: ninguém nas ruas – sentia um clima de tragédia no ar; Lola e Gina: não pregou o olho nesta noite, com os olhos inundados de chuva; Para o palhaço: uma última esperança de ressuscitação; A pele: toda a família já havia se perdido naquele amontoado de pele fina; Status quo: só um vazio; Os óculos: enfim, mais um dia havia acabado; Os pés: e tudo recomeçava, os anos eram seu carrasco; Amanhã não será o mesmo: precisava entender o fio da vida, preferiu ficar parado e ver tudo escorrer pelas mãos; O encontro: em sua solidão, jogado no sofá da sala, esperou que alguém batesse à porta e lhe tirasse daquele transe; O encontro II – na festa caem as máscaras: trancafiado naquele apartamento, retomar sua vida, coisas que moem o cotidiano, recluso em sua própria condenação; Pingo e Canivete: sempre foi assim; Conceda-me o prazer desta dança: passava as noites em claro, acometida por uma insônia – suada e inquieta na cama – rezava para os dias amanhecerem; Insolação: a tarde arde lentamente, parecem sedentas por um pouco de frescor; Oi, como assim?: ninguém sabe; A maldição das letras: pular pela janela e encontrar a saída – são só dez andares; O inventário: com ele descia a noite, os filhos, a mulher e a poesia o abandonaram; O pequeno conto de um reino: a carne de seus bichos em noites de lua cheia; O poder das armas: corri, me expus, até de bala me desviei; Com berro e saliva: vivia pelos cantos; Vamos de SMS: coisa longe, nem pensar; Na carne: acabou-se o homem; Recheio de coxinha: afinal somos uma família; A ligação: Às vezes falo comigo também, a gente só dá bom dia a quem conhece; Amor de plástico: gostava deste silêncio que reinava na casa; À luz de um sol impuro: chamar a atenção de todos que passavam, preferiu ficar quieto, ainda de pijama no terraço da casa. E na última orelha do volume, invoca Lukács: “[...] todo verdadeiro artista ou escritor é um adversário instintivo dessas deformações do princípio humanista [...]”. Gostei muito de ler a obra, tanto que fui de um fôlego só, do começo ao fim: narrativa sintética, concisão, maestria. Coisa de quem sabe. Da poesia pra prosa, riqueza metafórica. O que mais? Aplausos. Leia e saberá o que estou dizendo. Abração, escritoramigo, parabéns! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do Duofel - duo de violonistas formado pelo alagoano Fernando Melo e o paulistano Luiz Bueno: Plays Beatles, Espelho das águas com Badal Roy, Ao vivo – Partes 1, 2 e 3 & Surfando no trem com o Quinteto da Paraíba; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O futuro não pode ser previsto, mas pode ser inventado. É a nossa habilidade de inventar o futuro que nos dá esperança para fazer de nós o que somos. Pensamento do físico húngaro Dennis Gabor (1900-1979).

A MULHER & A PSICANÁLISE - [...] Estamos habituados desde longa data a admitir que somente os homens têm direito à libido sexual e ao orgasmo; estabelecemos e impusemos às mulheres um ideal feminino que exclui a possibilidade de exprimir e de reconhecer abertamente desejos sexuais, e só tolera a aceitação passiva, ideal que classifica as tendências libidinais, por muito pouco que elas se manifestem na mulher, nas categorias patológico e “vicioso”.  [...] Se os homens rompessem seu modo de pensar egocêntrico para imaginar uma vida em que lhes tocasse sofrer constantemente a interrupção do ato antes da resolução orgástica da tensão, dar-se-iam conta do martírio sexual suportado pelas mulheres e do desespero provocado pelo dilema que as reduz a escolher entre o respeito a si mesmas e a plena satisfação sexual. Eles compreenderiam melhor por que uma porcentagem tão importante de mulheres foge ao dilema através da doença. [...] A teleologia própria do raciocínio humano não se resigna facilmente ao postulado de que “no melhor dos mundos possíveis” um funcionamento orgânico tão elementar deve apresentar naturalmente igual diferença de duração para resultar na satisfação em ambos os sexos. E a experiência parece confirmar, com efeito, que não se trata de uma diferença orgânica nos dois sexos, mas de uma diferença de condições de vida e de pressão cultural, para explicar essa “discronia” na sexualidade dos cônjuges. [...] A maior parte dos homens casa-se após um número maior ou menor (geralmente bastante grande) de aventuras sexuais e a experiência mostra que, nesse domínio, o hábito não acarreta uma elevação do limiar de excitação mas, pelo contrário, propicia uma aceleração da ejaculação. Esse efeito aumenta consideravelmente se – como é indiscutivelmente o caso em 90% dos homens – a satisfação foi por largo tempo, obtida por via auto-erótica. Por isso, na grande maioria dos homens que se casam, a ejaculação é relativamente precoce. Em contrapartida, a mulher, durante sua adolescência, é metodicamente subtraída a toda e qualquer influência sexual, quer se trate do plano real ou do plano mental; e, além disso, os esforços tendem a fazê-la detestar e desprezar tudo o que envolva o domínio da sexualidade. Assim, pois, comparada com seu futuro esposo, a mulher que se casa é, do ponto de vista sexual, pelo menos hiperstésica, quando não anestésica. [...]. Trechos extraídos da obra Psicanálise (Martins Fontes, 1991), do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi (1873-1933), que expressa o pensamento de que: [...] o conhecimento de uma parte da realidade, talvez a mais importante, não pode se tornar uma convicção pela via intelectual mas apenas quando se faz conforme com a experiência afetiva [...].

BAÚ DE OSSOS - [...] A desorganização coletiva acarretada pelas migrações dos retirantes, a desgraça de cada um encarando a fome e as fúnebres companheiras do flagelo: epidemias de cólera e de bexigas. [...] Basta dizer que em dois meses, a capital cearense viu morrerem 27.378 vítimas da doença. Além de testemunharem essas cenas incomparáveis de passarem o dia à porta, socorrendo famintos, de verem na cidade a dança macabra dos esqueletos ainda vivos de uma população em agonia – meus avós tiveram o toque da doença em pessoa muito cara. Minha tia Marout foi atingida e ao levantar-se, era um espectro do que tinha sido. Seus imensos olhos escuros reduziram-se, apertaram-se e ficaram piscos de receberem a luminosidade que os cílios perdidos não amorteciam; suas tranças grossas como cordas e escuras com a noite, grisalharam e ficaram ralas; sua pele mais lisa que a dos jambos ficou toda áspera e lembrando casca de goiaba branca. cuspiu, um por um, trinta e dois dentes perfeitos que foram substituídos pela fosforecente dentadura dupla que, anos depois, eu a via lavar e escovar, ao mesmo tempo, se sentimento de pejo e de idéias mágicas e ancestrais [...] Não é difícil descobrir quais eram, diante dos laivos de positivismo e de fraternidade que transparecem na sua história e no seu modo de ser. Esses aspectos vinham de vogas da época. Comtismo. Maçonaria. É muito tênue o que se encontra como influência do primeiro e tudo talvez nem fosse intencional e tivesse tocado os padeiros como espírito do século [...]. Trechos extraídos da obra Baú de ossos: memórias (Sabiá, 1972), do escritor e médico Pedro Nava (1903-1984). Veja mais aqui e aqui.

PAISAGEM COM DUAS TUMBAS E UM CÃO ASSÍRIO - Amigo, / levanta-te para que ouças uivar / o cão assírio / As três ninfas do câncer estiveram dançando, / meu filho. / Trouxeram umas montanhas de lacre vermelho / e uns lençóis duros onde o câncer estava dormindo. / O cavalo tinha um olho no pescoço / e a lua estava num céu tão frio / que teve de rasgar seu monte de Vênus / e afogar em sangue e cinza os cemitérios antigos. / Amigo, / desperta, que os montes ainda não respiram / e as ervas de meu coração encontram-se em outro lugar. / Não importa que estejas cheio de água do mar. / Eu amei por muito tempo um garoto / que tinha uma plúmula na língua / e vivemos cem anos dentro de uma navalha. / Desperta. Cala. Escuta. Ergue-te um pouco. / O uivo / é uma longa língua roxa que deixa / formigas de espanto e licor de lírios. / Já vêm até a rocha. Não alargues tuas raízes! Aproxima-se. Geme. Não soluces em sonho, amigo. / Amigo! / Levanta-te para que ouças uivar / o cão assírio. Poema do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936). Veja mais aqui.

A ARTE DE ZUZU ANGEL
Em setembro de 1971, organizei um desfile de modas em Nova York. Na oportunidade, denunciei o que já sabia a respeito de meu filho, que já havia sido preso […], torturado e provavelmente assassinado pelo governo militar brasileiro.
Palavras da estilista Zuzu Angel (1921-1976), depois do assassinato do seu filho Stuart Edgar Angel Jones, torturado e assassinado pela ditadura militar brasileira. Ela morreu em um suposto acidente automobilístico na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado, no Rio de Janeiro. A sua luta foi para o cinema por meio do drama biográfico Zuzu Angel (2006), do diretor Sérgio Rezende. Veja mais aqui.


A arte de Silvio Hansen & muito mais na Agenda aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
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Todo dia é dia do Meio Ambiente aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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O teatro de Eugene Ionesco (1909-1994) aqui e aqui.
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A poesia de Frederico Spencer aqui e aqui.
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Programa Tataritaritatá, a poesia de Allen Ginsberg, as esculturas de Jean-Michel Bihorel, o cinema de Ian McEwan & Keira Knightley aqui.
 

sábado, novembro 04, 2017

DUFRENNE, RACHEL DE QUEIROZ, DELEUZE, ANA CRUZ, VIRGÍNIA PALOMEQUE, BOLSHOI BALLET, IARAVI & ÁGUAS BELAS

IARAVI ENTRE ANHANGÁ & PERÓS - Imagem: arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque - Tupã alumia meus caminhos e me protege enquanto subo o Una, alcanço as margens do Pirangi, sigo até a Serra da Prata para alcançar toda extensão da minha gente caeté, empunhando seus arcos e tacapes. Aceno e me despeço de todos. Sinto-me seguro, prossigo até a densa floresta com o silvo de cobras, piados de coruja rasgando mortalhas, cricrilar dos insetos, ameaças da Cobra Grande, ventos e presságios. Vou com a flecha em punho para rasgar o espaço escuro e o meu tacape pronto para golpear qualquer fera que interdite minha caminhada. Vou firme. Sei que lá longe Anhangá reina tirânico além das matas, aterroriza escravizando a todos que lhe cruzem as vistas. Por conta de uma sua desalmada intervenção, a amada caingang perdeu-se no caminho, nunca mais pude vê-la, temo não mais encontrá-la. Esse imprevisto me atormenta a alma e persigo os seus passos, sinto a baforada de sua ira a cada surpresa, tenho de enfrentar o seu horrível bafejo, pois desconfio que Iaravi tenha sido capturada por suas garras. Ouvi dizer que não, apenas se perdera estrada afora. Anhangá continua inquieto, reafirmam, se a tivesse capturado estaria quieto, entretido com sua escrava. Pode ser. Talvez ela tenha sido levada pelos perós aos montes desembarcando das suas caravelas e se amontoando na praia, sinal de desgraça no ar. Não confio neles, cara pálida pérfido parece desalmado e achegado às hostilidades. As fogueiras ardem e eles buscam aprisionar as cunhantãs formosas, isso eu sei. Temo por Iaravi. Também disseram que ela não está entre as suas prisioneiras, está perdida. Sei que ela tem poderes que nem sabe, aprenderá a usá-los para sobreviver às emboscadas e malsinações das matas densas sme fim. Foi por causa disso que exilei do meu povo para reencontrá-la, desconsolado, desgostoso de tudo, muitas luas no camino e penso nela, sua boca requerente à espera do meu beijo, sua graça à porta da maloca ansiando minha chegada, seu corpo o reino da minha satisfação. Por ela enfrento toda e qualquer maledicência, que venham monstros e algozes com seus ferros ultrajantes, estou pronto pro vento que encrespa nas ondas do Una e um raio fuzila no espaço com estrondoso trovão, chegou a hora da contenda! O vendaval é forte e demorado e quando a procela passa a manhã sorri no firmamento, com a autora o Sol doura as copas das frondosas árvores. Lá longe avisto: eis ela nas águas pro seu banho ritual, inocente vítima das circunstâncias. O meu coração se apressa querendo sair pela boca, meus passos se misturam às carreiras para encontrá-la quase a me descontrolar na descida da ribanceira e ela presa fácil, preciso alcançá-la para protegê-la tanto das investidas de Anhangá como das insolentes invasões dos perós. Finalmente alcanço-a e seu olhar é só sorriso ao ver-me. Abraço-a e sua carne é como a água que nos lava à cintura, tudo nela é como a vida para que eu possa viver o amor que nos une a alma. PS: Narrativa inspirada na lenda de Ajuricaba, recolhida da obra Folclore amazônico (São José, 1951), de José Coutinho de Oliveira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado: O Guarani & outros sucessos; a violinista e maestro britânica Rachel Podger: Sonatas de Bach &  La Stravaganza Vivaldi; o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno: Festival Choro Jazz, Beatles, Palhaço de Egberto Gismonti & Construção/Cotidiano/Deus lhe pague de Chico Buarque; e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk: Pianos Songs & Book of Days. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Certas conversações duram tanto tempo, que já não sabemos mais se faz parte da guerraou já da paz. È verdade que a filosofia é inseparável de uma cólera contra a época, mas também de uma serenidade que ela nos assegura [...] Como as potências não se contentam em ser exteriores, mas também passam por cada um de nós que, graças a filosofia, encontra-se incessantemente e em guerrilha consigo mesmo [...]. Trechos extraídos da obra Conversações (34, 1992), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), que nos legou em sua última obra Crítica e clínica (34, 1997), o texto A literatura e a vida, do qual destaco o trecho: [...] Escrever é um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer materia vivível ou vivida. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AS TRIBOS DE ÁGUAS BELAS - A vila de Águas Belas foi criada na antiga povoação de Ipanema, pela Lei provincial 997, de 13 de dezembro de 1871 – data de criação -, tendo sido desmembrada do município de Buíque. Sua instalação ocorreu em 25 de junho de 1872. Foi elevada à categoria de cidade pela Lei Estadual 665, de 24 de maio de 1904. Segundo a tradição, a região onde fica hoje siatuada a cidade de Águas Belas, era habitado pela tribo denominada de Tupiniquins. A tribo dos Carajós, depois de uma luta com aquela, conseguiu expulsá-la do aldeamento então conehcido pelo nome de Lagoa, devido a uma lagoa que ali existia. [...]. A denominação de Águas Belas se opriginou do fato de o ouvidor, Jacobina, durante a viagem, ao chegar a este lughar, encontrou a mais potável e fina água [...] Em Águas Belas ainda existe uma aldei de índios, já mais civilizados, restantes da tribo que povoou a região em épocas distantes. Eles já vivem em contato com os habitantes da cidade, embora conservando ainda seus antigos ritos tribais. Administrativamente, o município é formado apenas pelo distrito-sede e pelos povoados de Campo Grande, Curral Novo, Garcia e Tanquinho. Anualmente, no dia 24 de maio, Águas Belas comemora a sua emancipação política. [...]. Extraído  da Enciclopedia dos municipios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

A ESTÉTICA DE DUFRENNE - [...] A essência tem de ser descoberta, mas por um desenvolvimento e não por um salto do conhecido ao desconhecido. A fenomenologia se aplica em primeiro lugar ao humano, porque a consciência é consciência de si: é aqui que está o modelo do fenômeno, o aparecer como aparecer do sentico a ele mesmo [...] Nós não podemos dizer aqui qual é esta norma do objeto estético, pois ele é inventado por cada objeto, que não tem outra lei senão a que dá a si mesmo; mas pode-se dizer ao menos que, sejam quais forem os meios de uma obra, o fim a que ela se propõe para ser obra-prima é por sua vez a plenitude de ser senível e a plenitude de significação imanente ao sensível [...] Não se define o que é o belo, constatamos que ele é objeto [...] Assim é possível uma estética que não refuta de modo algum a valorização estética, mas que não lhe é subserviente, que reconhece a beleza sem fazer uma teoria da beleza, porque no fundo não há teoria a ser feita; ela tem a dizer o que são os objetos estéticos, e eles são belos desde que são verdadeiros [...]. Trechos extraídos da obra Fenomenologia da Experiência Estética  (PUF, 1953), do filósofo e esteticista francês Mikel Dufrenne, autor da obra Estética e filosofia (Perspectiva, 1998), em que aborda sob a perspectiva estrutural e fenomenológica por meio da experiência os valores estéticos das obras de arte e da natureza, os referenciais constituintes no objeto da percepção válida, o belo como artístico e natural, a linguagem da arte, a crítica literária, o objeto estético e técnico.

VIVER NA CIDADE - [...] A cidade, assim de repente, vista de uma vez e surpreendida de brusco, deu-me um choque no coração, comoveu-me tanto que as mãos me começaram a tremer e meus olhos se encheram de água. Estava ali o mundo, o povo, a vida de fora, tudo o que era interdito à minha vida de reclusa. Sentia medo e alegria juntos numa emoção violenta, como quem rouba e se apossa de qualquer coisa sonhada e proibida [...]. Trecho extraído da obra As três Marias (Abril, 1982), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui e aqui.

CORAÇÃO TIÇÃO - Quero me lambuzar nos mares negros / para não me perder, / conseguir chegar no meu destino. / Não quero ser parda, mulata / Sou afro-brasileira-mineira. / Bisneta / de uma princesa de Benguela. / Não serei refém de valores / que não me pertencem. / Quero sentir sempre meu coração / como um tição. / Não vou deixar que o mito / do fogo entre as pernas iluda e desvie / homens e mulheres / daqui por diante. Poema extraído da obra E... feito de luz (Ykenga, 1995), da poeta Ana Cruz. Veja mais aqui.

A ARTE DE VIRGINIA PALOMEQUE
A arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Espetáculo The Cage do Bolshoi Ballet and Opera Treatre, com música de Igor Stravinsky, coreografia de Jerome Robbins.
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sábado, julho 22, 2017

O MEDO DE BAUMAN, QUINTETO VIOLADO, DUOFEL, MEREDITH MONK, RACHEL PODGER, SOPHIA NARRETT & RALPH LEWIS.

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ? - A primeira resposta foi o medo de barata, pois a catsaridafobia é a mais comum entre todas as fobias. A ofidiofobia aparece logo em seguida na mesa das revelações: rastejado de cobra deixa o cabelo em pé de muita gente. Os musófobos também logo se entregam: qualquer remexido de catitas ou guabirus, logo sobem em cima da cadeira. O aracnófobo fica todo arrepiado a qualquer menção de teias, seja das mais pirrototinhas às caranguejeiras, extensivo aos lacraus e similares. Os melissófobos não podem ouvir falar de mel, zangão ou abelha-raínha, que se borram todo. Isso afora tantos outros medos estranhos e incomuns que aparecem. Nem ignoro, pois desde bem criancinha com o boi da cara preta ao não faça isso que o bicho vai lhe pegar, que metem medo na gente, seja no seio familiar, na escola, nos templos, nas relações sociais, tudo sobrecarregado de interditos e punições. No meu tempo mesmo tinha o Velho do Saco, aquele que levaria qualquer criança que causase contrariedade aos pais ou adultos, ou que fosse desobediente ou tranquinas. Eu mesmo cheguei ao ponto de ter medo pavoroso até o do coração de Jesus aceso no alto da sala, de tanto medo que pais e parentes imprimiram na infânca, de passar noites e mais noites sem dormir por causa de um bicho horroroso que havia embaixo da cama. Por conta disso, não largava o cós da saia da minha mãe. Temendo tudo, mortos-vivos, vampiros, espíritos erráticos, a La Ursa, os ETs, os astronautas que foram pra Lua, cavernas, terrenos baldios, casas abandonadas, alagadiços e charcos, ora, fui crescendo e perdendo alguns desses temores, contudo ganhando outros tantos e novos na adolescência. Tanto é que há os medrosos que distribuem seus medos generosamente para todos, como aqueles que temem até qualquer surpresa, a ponto de passar mal ou cair duro com qualquer insinuação de agouros ou acidentes, bem como aqueles geradores das brabas e perogosas circunstâncias malévolas, as quais a gente nem saber mesmo como apareceram, ou de estranhos pânicos que nem sabíamos que tínhamos antes, como os acrófobos ou os abissófobos: as alturas e o abismo são verdadeiros terrores porque levam às quedas intermináveis; os nictóofobos que podem ter ablepsifobia ou acluofobia: o medo de escuro e da cegueira; os isolófobos não podem ficar só, os pirófobos diante de qualquer centelha ou riscado de fósforos, ou os mirmecóbofos que correm diante de qualquer formiga e por aí vai. Os tripanófobos como eu não podem ver seringa ou injeção, lona na hora. Os brontófobos, ceraunófobos ou tonitrófobos não se sentem bem em dias de tempestades com trovoadas e relâmpagos. Os tatófobos possuem o terrível medo de serem entrerrados vivos, ou aqueles que por causa dos filmes viraram selachófobos e, por tabela, talassófobos: nem vão mais à praia temendo serem devorados por cações ou mesmo tubarões. Os que se tornaram tanatófobos que pensam que vão ficar pra semente, ou os que chegaram aos extremos, como os fobófobos ou pantófobos: tudo mete medo, até mesmo as fobias. Quando não ficam paralisados, congelam arrepiados dos pés à cabeça, choram, gritam, mesmo diante de uma lagartixa ou morcegos, sentem tonturas ou mesmo uma fraqueza nos joelhos diante de um caçotinho ou dum cururu no canto do terraço, ou de gafanhotos, libélulas, lesmas, vagalumes, da mesma forma que diante de despachos ou de catimbós. Encontrei quem me dissesse que morre de medo de ladrões, quem não? Fazem questão de dizer que basta qualquer mal-encarado já vai logo se escondendo. Ué? Há quem se renda à rupofobia ou misofobia: basta ver qualquer poeirazinha lá no mais escondido de qualquer móvel que logo perde o controle aos tremeliques. Ou agoráfobos aos montes, bibliófobos incorrigíveis: se eu soubesse quem inventou estudo eu mataria. E fronemófobos nem se fala: ah, dá medo pensar muito e descobrir que não tem mais jeito pra nada, só a morte. Curioso mesmo foi me deparar com eisoptrófobos, sobretudo nesse tempo umbigocentrista de metrossexuais e glamourosas, não é pra menos diante da espetacularização, banalização e naturalização da violência pelos veículos de comunicação de massa, tanto nos telejornais como em programas alarmistas montados sob os mais duvidosos alardes ideológicos. Parece mais que imprimir o medo é a arma pro consumo, desconfio, principalmente pras prescrições de medicamentos com teores de panacéia e do lazer que vende felicidade gratuita. Não me surpreende saber que há medo pra tudo e pra todo mundo, distribuídos no varejo ou no atacado, basta só escolher o mais apreciável pras manias de cada um e meter-se patologicamente no meio dessa redoma. Eu, hem!?! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O MEDO LÍQUIDO DE BAUMAN
Bizarro, embora muito comum e familiar a todos nós, é o alívio que sentimos, assim como o súbito influxo de energia e coragem, quando, após um longo período de desconforto, ansiedade, premonições sombrias, dias cheios de apreensão e noites sem sono, finalmente confrontamos o perigo real: uma ameaça que pode mos ver e tocar. Ou talvez essa experiência não seja tão bizarra quanto parece se, afinal, viermos a saber o que estava por trás daquele sentimento vago, mas obstinado, de algo terrível e fadado a acontecer que ficou envenenando os dias que deveríamos estar aproveitando, mas que de alguma forma não podíamos -  e que tornou nossas noites insones... Agora que sabemos de onde vem o golpe, também sabemos o que possamos fazer, se há algo a fazer, para afastá-lo – ou pelo menos aprendemos como é limitada nossa capacidade de emergir incólumes e que tipo de perda, dano ou dor seremos obrigados a aceitar. [...] Podemos profetizar que, a menos que seja controlada e domada, nossa globalização negativa, alternando-se entre privar os livres de sua segurança e oferecer segurança na forma de não-liberdade, torna a catástrofe inescapável. Sem que essa profecia seja feita e tratada seriamente, a humanidade pode ter pouca esperança de torná-la evitável. O único início promissor de uma terapia contra o medo crescente e, em última instância, incapacitante é compreendê-lo, até o seu âmago – pois a única forma promissora de continuar com ela exige que se encare a tarefa de cortar essas raízes. O século vindouro pode muito bem ser a época da derradeira catástrofe. Ou pode ser o tempo em que um novo pacto entre os intelectuais e o povo - agora significando a humanidade em seu conjunto – seja negociado e trazido à luz. Esperemos que a escolha entre esses dois futuros ainda nos pertença.
Trechos da obra Medo líquido (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), tratado sobre a origem, a dinâmica e os usos do medo, o pavor da morte, o medo e o mal, o horror do inadministrável, o terror global e o pensamento contra o medo, fazendo um inventário dos medos presentes e apresentando um diagnóstico mapeado das origens comuns das ansiedades contemporâneas, analisando os obstáculos para o pleno conhecimento da situação e eimaninando os mecanismos que possam deter a influencia do medo sobre as vidas humanas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Quando ela dança tangará no céu azul do amor, A condição pós-moderna de François Lyotard, Estética da desaparição de Paul Virilio, a música de Anna-Sophia Mutter, a pintura de Alex Alemany & Eloir Junior, a arte de David Peterson & Luciah Lopez, a poesia de Isabel Furini & Carlos Zemek aqui.

E mais:
Elucubrações das horas corridas, O pensamento comunicacional de Bernard Miège, O outro por si mesmo de Jean Baudrillard, a arte de David Lynch & Edilson Viriato, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Vicente Romero Redondo & Sandra Hiromoto, a música de Sarah Brasil, Efigênia Rolim & Érica Christieh aqui.
Por onde é que anda o doro, hem?, A revolução de Fernando Morais, O Uruguai de Basílio da Gama, Teatro & ciência de Bertolt Brecht, a pintura de Cristoforo Munari, a música infantil de Adriana Calcanhoto, Olga Benário Prestes, o cinema de Patrice Chéreau & Isabelle Adjani, arte de Rollandry Silvério & Brincarte do Nitolino aqui.
Reino dos sonhos, A palavra na democracia & na psicanálise de Osman Lins, a poesia de Denise Levertov, Mal educação de música de Renato Borghetti, a pintura de Laszlo Moholy-Nagy & Mike Todd aqui.
Mentes & máquinas de João de Fernandes Teixeira, Gerontodrama & Neurociência, a poesia de Basilio da Gama, a pintura de Edward Hopper & Odete Maria Figueiredo, a música de Silviane Bellato, Zacarias Martins & Programa Tataritaritatá aqui.
A poética do espaço de Gaston Bachelard, Neurociência cognitiva de Steven Pinker, Visão hoslística em psicologia e educação, a música de Renato Borghetti, a pintura de Antonio Rocco, Mácia Malucelli, Menalton Braff & Diego Lucas aqui.
Literatura de cordel: Melancia & Coco Mole aqui.
Retrato do artista quando jovem de James Joyce aqui.
Barrigudos, afagando o ego aqui.
Literatura de cordel: História da princesa da Pedra Fina, de João Martins de Athayde aqui.
A arte de Jozi Lucka aqui.
Ah, se em todo lugar houvesse amor, Origem do indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Exército da arte de Vladimir Maiakovski, Teatro pobre de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, a pintura de Edgar Degas, Os Saltimbancos de Chico Buarque, Brincarte & Literatura Infantil & O lobisomem zonzo aqui.
Entre topadas e sonhos, Linguagem poética de Jean Cohen, a poesia de Ledo Ivo, Esferas de Peter Sloterdijk, a coreografia de Pina Bausch, a música de Miguel Álvarez-Fernández & a pintura de María Blanchard aqui.
Juramento, a poesia de Federico Garcia Lorca, Entre o passado e o futuro de Hannah Arendt, Memorável viagem ao Brasil de Johan Nieuhof, a música de Gabriel Pareyon, a fotografia de Lionel Wendt, a pintura de Vera Rockline & Leonid Afremov, a arte de Rufino Tamayo & Sergio Ramirez aqui.
Os feitiços da paixão, Ação cultural para a liberdade de Paulo Freire, Aforismos de Oscar Wilde, Poesia viva do Recife de Juareiz Correya, a música de Yanto Laitano, a coreografia do Corpo, a pintura de Ernst Ludwig Kirchner, a arte de Ericka Herazo & Larry Carlson aqui.
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MEDOS & SUPERSTIÇÕES DE RALPH LEWIS
Deve-se compreender que a superstição jamais existe onde as causas reais de uma coisa ou condição são conhecidas, ou onde o fato pode suplantar a suposição. [...] Quase todo homem acredita que nada realmente acontece por acaso e que existe uma causa para todas as coisas, conhecidas ou desconhecidas do homem. Se o homem compreende a causa, ele tente utilizá-la ao máximo ou procura evitar seus resultados, se os considera perigosos ou prejudiciais. Quando, contudo, não consegue perceber ou compreender a causa, ainda, assim, não declara que a ocorrência foi um acidente. Em vez disso, a atribui, com mais frequencia, a uma causa desconhecida. Porém, a menos que seja bastante inteligente, na maioria das vezes, atribui as causas desconhecidas a poderes sobrenaturais; isto é, se não pode perceber uma causa ou compreendê-la, em sua opinião, ela deve pertencer a outro mundo ou esfera de influencia. Nisso vemos, também, o ego do homem. Este tema e respeita as coisas que não pode compreender ou dominar. [...] Para evitar sermos supersticiosos, o que temos de fazer, é, primeiramente, tentar compreender as causas das coisas; se não conseguirmos, não devemos presumir que conhecemos a causa. Tal presunção, sem base em fatos, é perigosa. Segundo, lembrar-nos de que não existe o chamado sobrenatural; há apenas leis Cósmicas e naturais que existem por todo universo. O sobrenatural é um termo inventado pelo homem, para explicar-se a si mesmo, ou tentar explicar o que não compreende. [...]
Trechos extraídos da obra O santuário do eu (Renes, 1976), do escritor e místico Ralph M. Lewis (1904-1987), que adotou o pseudônomo de Sir Validivar. (Imagem: Sanctuary by Sarah Treanor). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado, a violinista e maestro britânica Rachel Podger, o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte de Sophia Narrett.
Veja mais aqui.


segunda-feira, julho 27, 2015

DUOFEL, BAUDRILLARD, PINA BAUSCH, JAYME GRIZ, VADIM, KAUB-CASALONGA, TRISTÃO & ISOLDA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DUOFEL, TRÊS POR UM – Era uma sexta de 1997, parece. Direto feito cantiga de grilo e na maior tirineta da munheca empolgada de ancho todo folgado, foi assim que descobri a maravilhosa música do Duofel. Seguinte: era a terceira edição do Maceió Jazz e eu teria a oportunidade de mais uma vez ver um show do Hermeto Pascoal. Estava feliz com a edição nº 9 do meu tabloide Nascente impresso para distribuir na ocasião, com uma entrevista do Milton Nascimento. Tudo pronto numa área ao ar livre do hotel na praia de Mata-Garrote, em Maceió, eu devidamente aboletado à espera do bruxo alagoano dos sons no palco, quando apareceu uma dupla que encheu o ar com sua violada. Gente, era cada cipoada bonita nas cordas! Eles arreavam a ripa com cada lapa de música, eu pegando bigu no prazer das harmonias melodiosas, só molhando a goela dando um bico na austeridade e confirmando tudo pela profusão: eles esbanjavam talento. Quem são? Não sabia. Queria mesmo aproveitar a oportunidade, enquanto dentro de mim ficava mais buliçosa a curiosidade. De tão bom, nem dei fé da chuviscada insistente que caía. Fazia parte do espetáculo: o som deles era como uma cachoeira do tamanho do Brasil distribuindo a beleza que havia em todas as coisas da vida. No acorde final, aplaudi extasiado de pé. Já não eram mais os chuviscos amenos, ameaçava cair uma senhora chuvada. Pois bem, chuva, copos e aguardando Hermeto. Quando estava para começar a apresentação, caiu um pé d’água. Não arredei: botei a mesa na cabeça e fiquei lá insistente. De repente, uma explosão. Meia hora depois devolveram os ingressos para o domingo. – Ué, o festival não é até sábado? O show do Hermeto fora transferido para mais um dia de evento. Foi quando voltei pra real e o apagão se expandia geral. Parecia mais com um causo do Daniel Cavalcanti dando conta da visita de funcionários do ministério de Brasília para estudar a seca do Nordeste. Uma chuvada despencou do céu quando eles estavam em Recife, malas prontas pra viajar: “[...] Viero de Brasilia uma comissão, instudá o meu sertão. Sabe adonde fôro s’hospedá? In riba do Grande Hoté Boa Viagem, bem na beirinha do mar. Aí Sunpedo parece que por maicação, abriu as portas do céu e fincou água no chão. Aí eles atelegrafaram ao prisidente da Nação: nóis tá tudo preso, nóis num pode sair não. Inté a data de hoje nóis num feiz reunião. E pra encurtá essa história: nóis num intende esse sertão”. Tanto é que na minha terra de Ascenso Ferreira, tem outro poeta de valia, Jayme Griz que diz num de seus poemas da antologia Poetas de Palmares (Nordestal, 1973), assim: Verão! Sol quente de tinir! Sol quente de rachar o chão! De repente: chuva chuva chuva chuva chuva chuva de danar a paciência! Chuva do sapo pedir aos céus clemencia! Mãe Natura endoideceu... e se ela, que é mãe, que é sábia, que é única, a cabeça perdeu.... quanto mais eu... quanto mais eu. Esse o meu Nordeste. Cenário: em casa, faltando energia, bebericando umas e outras. Quando um amigo meu liga do celular: - E aí, que achou do show do Duofel? Quem? Duofel, cara, eu vi você lá! Ah, agora sabia: Duofel. E ficamos jogando conversa fora até amanhecer o dia. Quando o comércio abriu, corri pra comprar qualquer cd deles, adquiri três: o Espelho das águas ao vivo (1994), As cores do Brasil (1990) com participação do percussionista João Parahyba, e Duofel (1993). Tasquei os três encarreados no som e cada vez mais ficava maravilhado. Aí, fui pesquisá-los. Bruta ignorância essa minha! Eles existiam desde 1977 e só agora que sabia: tava passando a vida sem viver. Agora sim, o duo do paulistano Luiz Bueno e o alagoano de Arapiraca, Fernando Melo. Deles Hermeto havia dito: "o Duofel não é um duo, é um trio, às vezes um quarteto e outras uma banda inteira, por isso acho que deveriam mudar o nome para Trio Du’Ca”. Nunca uma verdade foi tão explícita. Desse dia em diante virei fã e nem me dei conta que comi o sábado todinho ouvindo e reouvindo os cds, até amarrar o bode e me acordar na ensolarada tarde de domingo, prontinho da silva para marcar presença no show do Hermeto. Quanto chego lá: Duofel! A sexta estava valendo pelos três dias numa verdadeira festa de dia santo com direito a roda-gigante, pirotecnia e meio mundo de gente – como festa de padroeira na minha cidade do interior! E premiada com a bruxaria do Hermeto e, por troco, fechando tudo, um grandioso show do Gilberto Gil. Não sei como acordei na segunda pra trabalhar, depois de três dias de verdadeira apoteose. Agora, Duofel já com 35 anos de história, não cochilei e me danei conferindo tudo: Kid of Brazil (1996), Duofel 20 (2000), Duofel Experimenta (2006), Olho de boi (2008), Beatles (2010) e o comemorativo Pulsando MPB (2013). Ao todo são doze cds e dois dvds que não tenho todos, mais hei de tê-los. Estou repetindo tudo agora, enquanto mando ver nessas mal traçadas linhas. Fica o convite: veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nu aux roses, da pintora francesa Alice Kaub-Casalonga (1875 – 1948)


Curtindo Espelho das águas ao vivo (1994), do Duofel & Badal Roy. Veja mais aqui.

A SOCIEDADE DE CONSUMO – No livro A sociedade do consumo (Edições 70, 2008), do sociólogo e escritor francês Jean Baudrillard (1929-2007), me deparo com as seguintes reflexões: [...] Nova arte de viver, nova maneira de viver, dizem as publicidades, o ambiente quotidiano que se respira: pode fazer shopping agradável no mesmo local climatizado, comprar de uma só vez as provisões alimentares, os objetos destinados ao apartamento e à casa de campo, os vestidos, as flores, o último romance ou a última quinquilharia, enquanto marido e filhos vêem um filme ou almoçam todos ali mesmo, etc [...] As comunicações de massa não nos oferecem a realidade mas a vertigem da realidade […] Vivemos desta maneira ao abrigo dos signos e na recusa do real. Segurança miraculosa: ao contemplarmos as imagens do mundo, quem distinguirá esta breve irrupção da realidade do prazer profundo de nela não participar. A imagem, o signo, a mensagem, tudo o que consumimos, é a própria tranqüilidade selada pela distância ao mundo e que ilude, mas do que compromete, a alusão violenta ao real. [...] Todas as sociedades desperdiçaram, dilapidaram, gastaram e consumiram sempre além do estriti necessário, pela simples razão de que é no consumo do excedente e do supérfluo que tanto o individuo como a sociedade, se sentem não só existir, mas viver. [...] A noção de utilidade é substituída pela produção de valores: a noção de utilidade, de origemn racionalista e economista, tem portanto de rever-se segundo uma lógica social muito mais geral em que o desperdício, longe de figurar como resíduo irracional, recebe uma função positiva, substituindo a utilidade racional numa funcionalidade social superior e se revela, no limite, como a função essencial – tornando-se o aumento da despesa, o supérfluo, a inutilidade ritual do “gasto para nada”, o lugar de produção de valores, das diferenças e do sentido – tanto no plano individual como no plano social. [...] uma definição do “consumo” como “consumição”, isto é, como desperdício produtivo – perspectiva inversa da do “econômico”, fundado na necessidade, e na acumulação e no cálculo em que, pelo contrário, o supérfluo precede a necessário e em que a despesa precede em valor (se é que não no tempo) a acumulação e apropriação. [...] As necessidades visam mais os valores que os objetos e a sua satisfação possui em primeiro lugar o sentido de uma adesão a tais valores. A escolha fundamental, inconsciente automática do consumidor é aceitar o estilo de vida de determinada sociedade particular (portanto, deixa de ser escolha! – acabando igualmente por ser desmentida a teoria da autonomia e soberania do consumidor).[...]. Veja mais aqui e aqui.

AMORES IMPOSSÍVEIS – Tristão e Isolda é uma das sagas germânicas que o maestro e compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), tomou como assunto de ópera, baseando na lenda do Príncipe de Estrasburgo, órfão desde a infância, tendo sido despojado de sua herança pelos vassalos do seu pai, fora para o castelo de seu tio, Rei da Cornualha, para ser educado e tornar-se cavaleiro. Torna-se ele, o mais brilhante dos Cavaleiros da Távola Redonda que realizou a façanha de derrotar e matar o gigante Morlot. Dessa luta ganha um ferimento que só poderá ser curado pela Rainha da Irlanda, que é inimiga declarada do seu tio. Disfarçado ele consegue penetrar no castelo, tornando-se professor de música da Princesa Isolda. Retorna curado e encantado com a beleza da princesa. O rei resolve então pedi-la em casamento e é aceito. Abandonando a Cornualha na tentativa de esquecer Isolda, Tristão se casa com outra mulher também Isolda, a das mãos brancas, mas não consegue esquecer a princesa. É quando ele se vê mortalmente ferido e pede para buscar a princesa para que ela assista sua morte. A esposa vê o navio da princesa chegando, diz a Tristão que ela se negou a vir. Quando a princesa, agora rainha, entra nos aposentos, já o encontra morto. Dominada pela dor mais profunda, ela igualmente morre. Existem outras versões para esta história, sendo tema para teatro, cinema, poemas e outras manifestações artísticas. Exemplo disso é essa versão do escritor francês Joseph Bédier (1864-1938), traduzida por Maria dos Anjos Braacamp Figueiredo (Francisco Alves, 1994), da qual destaco o trecho a seguir: [...] XXXII - O PECADO E A PENITÊNCIA DE ISOLDA - Mal encontrou a rainha, Audret disse-lhe: “Senhora, sei agora que Tristão regressou a este país. Avistei-o perto daqui, num bosque, em companhia de um desconhecido. Ambos se puseram em fuga por um velho caminho abandonado. Por três vezes o intimei a parar esconjurando-o em nome de Isolda, a loura, mas ele amedrontou-se e não ousou esperar por mim.” “Sire Audret, falais mentira e loucura! Nunca me fareis crer que Tristão, esconjurado em meu nome por três vezes, não tenha parado e não tenha ousado fazer-vos frente!” “No entanto, foi ele quem eu vi! Até me apoderei de um dos cavalos: podeis avistá-lo, todo aparelhado, lá embaixo no pátio.” Com isto, Audret despediu-se da rainha, que deixou completamente desamparada. Começou a chorar e disse: “Infeliz, vivi demasiado, pois vi o dia em que Tristão me despreza e amaldiçoa. Outrora, esconjurado em meu nome, que inimigo não defrontaria? É ousado e valente: se fugiu diante de Audret e se se recusou a obedecer à tripla esconjuração que lhe era feita em meu nome, é porque a outra Isolda o possui e já não faz, na realidade, nenhum caso de mim! Todavia voltara e eu recebera-o com alegria. Ora, não lhe bastou trairme, quis desonrar-me também! Não estava eu farta dos meus tormentos antigos? Que volte, pois, por sua vez amaldiçoado, para Isolda das mãos brancas!” A rainha chamou Périnis, o fiel, e repetiu-lhe as notícias que Audret lhe trouxera: “Amigo Périnis, procura Tristão na estrada abandonada que vai de Tintagel a Lancien. Dir-lhe-ás que não o saúdo e que não seja tão audacioso que ouse doravante aproximar-se de mim, pois fá-lo-ei expulsar pelos sargentos e lacaios.” Périnis põe-se imediatamente à procura de Tristão e de Kaherdin; quando os encontrou, transmitiu- lhes a mensagem da rainha. “Irmão — exclamou Tristão, espantado —, que me contas? Como teríamos fugido, Kaberdin e eu, perante o duque Audret, se não encontramos os nossos escudeiros no bosquezinho onde nos deviam esperar? Não tínhamos os cavalos. Procuramos em vão Gorvenal e o escudeiro de Kaherdin; ainda os procuramos.” Nesse mesmo momento, Gorvenal e o outro escudeiro desembocaram do velho caminho abandonado, seguidos por um único cavalo. Interrogado por Tristão, Gorvenal não pôs nenhuma dificuldade em confessar que haviam fugido: “Senhor, que outra coisa podíamos fazer para não cairmos nas mãos do duque Audret e da sua gente? Se me tivesse deixado reconhecer, o traidor teria descoberto logo o segredo do teu regresso à Cornualha.” Então o bravo disse a Périnis: “Querido amigo, volta depressa para a tua senhora: diz- lhe que lhe mando saudações e amor, que não faltei à lealdade que lhe devo e que nunca fugi diante de ninguém nem ignorei uma esconjuração feita em seu nome. Pede-lhe que me perdoe, uma vez que não falhei e que toda esta história é o resultado de um mal- entendido. E não deixes de voltar trazendo-me o seu perdão: aguardarei aqui o teu regresso.” Périnis contou à rainha o que vira e ouvira; esta recusou-se a acreditar: “Ah!, Périnis, eras o meu fiel servidor e o meu pai havia-te afeiçoado, ainda criança, à minha pessoa. Durante anos, nada houve que te censurar, mas eis que agora Tristão, o enganador, te conquistou com as suas mentiras! Também tu me traíste: vai-te!” O lacaio prosternou-se de joelhos diante dela, as mãos estendidas: “Senhora, dizeis-me palavras duras que me ofendem e afligem. Nunca senti tal dor em toda a minha vida! Mas pouco me importa por mim: se me aflijo, é por vós, senhora, que ultrajais injustamente o meu senhor Tristão, e vos mostrais iníqua com ele. Estou certo de que um dia. mas demasiado tarde, vos arrependereis.” “Vai-te, não te acredito! Também tu, Périnis, o fiel, me atraiçoaste!” Tristão esperou muito tempo pelo perdão da rainha: Périnis não voltou. De manhã, Tristão vestiu uma grande capa em farrapos e tingiu o rosto com suco de casca de noz e vermelhão, a fim de ficar com o aspecto de um doente carcomido e desfigurado pela lepra, como fizera quando da assembléia da Charneca Branca. Tomou entre as mãos o bastão de madeira venada que lhe dera a rainha e uma matraca. Penetrou assim nas ruas de Tintagel e, disfarçando a voz, começou a pedir esmola aos passantes. O seu único desejo e esperança eram avistar a rainha e fazer-se reconhecer por ela. Finalmente, ela saiu do castelo, acompanhada por Brangia e um grupo de lacaios e de sargentos. Quando meteu pela rua que levava à igreja, o falso leproso juntou-se ao grupo de lacaios fazendo tinir a matraca e suplicando com uma voz dolente: “Rainha, fazei- me algum bem, não sabeis a que ponto sofro e estou necessitado!” Isolda não se deixou iludir pela velha capa usada e pela matraca: reconheceu Tristão pelo belo corpo, pela nobre estatura e pelo bastão de madeira venada que lhe havia oferecido. Mal o reconheceu, o seu corpo estremeceu todo, mas, ofendida no orgulho, não se dignou baixar o olhar para ele. O mendigo implorou de novo e metia dó ouvi-lo. Suplicava-lhe arrastando-se ao pé dela: “Rainha, não vos enfureçais se ouso aproximar-me de vós! Vede a minha miséria: tende piedade de mim!” Em vez de se comover, chama os lacaios e os sargentos: “Expulsai este vagabundo” — ordena-lhes. Os lacaios empurram-no e afastam-no batendo-lhe com os paus. Ele enfrenta-os ferozmente e exclama: “Rainha, tende piedade! Sofri tanto por vós!” Quando ouviu estas palavras, Isolda desatou a rir e entrou rapidamente na igreja. O mendigo calou-se e afastou-se. Nesse mesmo dia. Tristão, depois de abandonar as vestes de leproso, despediu-se de Dinas de Lidan. Estava tão desanimado que parecia ter perdido o juízo. No dia seguinte, em companhia de Gorvenal, de Kaherdin e do seu escudeiro, todos vestidos de peregrinos, fez-se ao mar para regressar à Pequena Bretanha. Pobres amantes! A rainha não tardou a arrepender-se do seu orgulho e dureza. Recordando a sucessão dos acontecimentos, compreendeu finalmente que Périnis falara verdade. Tristão jamais fugira diante do duque Audret; jamais fora esconjurado em nome de Isolda, a loura; cometera um grave erro ao expulsá-lo. “Infeliz de mim! — exclamou. — Pequei contra o meu amor! Doravante odiar-me-á e nunca mais o verei. Jamais saberá quão arrependida estou nem que penitência irei impor a mim mesma e oferecer-lhe como penhor dos meus remorsos.” Desde esse dia. Isolda, a loura, passou a usar um cilício e fez o voto de trazê-lo contra a carne até que Tristão a perdoasse. [...] Veja mais aqui.

POETAS DE PALMARES – O poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981), é autor de uma diversidades de livros, entre eles Palmares, seu povo e suas tradições (1953), Gente, coisas e contos do Nordeste (1954), O lobisomem da porteira velha (1957), Negros (1965), Acauã, O cara de fogo (1969). Da sua poesia, destaco as que foram selecionadas na antologia Poetas de Palmares (Nordestal, 1973), a primeira Cachoeira de Paulo Afonso: Que ruído! / Que barulho! / Que coisa atordoante! / Até que enfim, / vi a mijada do gigante! Também A preguiça da raça: Rede. / Rede. / Rede./ Muita rede! / Rede armada de norte a sul, / rede gemendo em todo lugar... / E no Hino Nacional, / consagrada, / a nossa preguiça. / a nossa vasta e gostosa preguiça, / afrontando o dinamismo universal: / “Deitado eternamente em berço esplêndido”... E, por fim, Abusão: No silêncio da mata / mergulhada nas trevas / de uma noite sem fim, / um grito se ouve, / vindo de além, / ninguém sabe de quem: / - Ô Jooooooão! / E logo em seguida, / dentro das trevas, / outro grito ecoou: / - Inhôôôôôôôôô! / A noite é só treva, / assombro e pavor... / E quem por desdita / (assim diz a lenda) / esta abusão encontra, / da mata não volta, / e a história não conta. / Foi numa noite assim, / que Bento, o caçador, / das matas do Mearim / nunca mais voltou... Veja mais aqui, aqui e aqui.

A COREOGRAFIA DA ARTE – A memorável coreografa, dançarina, pedagoga e diretora de balé alemã Pina Bausch (1940-2009), é um dos mais expressivos nomes da dança contemporânea, que foi diretora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch. Ela tornou-se onhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, sendo suas coreografias baseadas na experiência de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente. Várias delas são relacionadas a cidades de todo o mundo, já que a coreógrafa retirava de suas turnês ideias para seu trabalho. Entre os seus temas recorrentes estavam as interações entre masculino e feminino - uma inspiração para o cineasta espanhol Pedro Almodóvar que realizou o filme Fale com ela, em que Pina aparece em uma bela sequência de dança. Rendemos nossa homenagem. Veja mais aqui.

HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS – O filme Histórias Extradordinárias (:Histoires extraordinaires, 1968), reúne cineastas como Roger Vadim, Federico Fellini e Louis Malle, para realização de três contos do escritor, editor e crítico literário estadunidense Edgar Allan Poe (1809-1849). Para o cineasta Roger Vadim (1928-2000), coube a história Metzengerstein, contando a história de uma condessa promíscua, interpretada por Jane Fonda, que se apaixona por um barão que é seu primo, sendo rejeitada por ele por seu comportamento amoral, incendeia seus estábulos e causa a morte do barão no incêndio, quando tentava salvar seus cavalos premiados. Um cavalo negro selvagem escapa do incêndio e foge para o castelo de Metzengerstein, onde vive a condessa, que, impressionada com sua beleza, resolve domá-lo e tê-lo para si. Durante uma tempestade de raios, o cavalo a arrasta para o incêndio que os raios haviam causado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Ilustrações do pintor, desenhista, escultura, professor e poeta Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), par o livro Do Amazonas a Paris: as lendas indígenas de Vicente do Rego Monteiro (Edusp), editadas em francês nos livros Légendes, croyances et talismans des Indiens de l’Amazone (1923) e Quelques visages de Paris (1925), ambos organizados por Pierre-Louis Duchartre. Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Crônica de Amor, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude Reading by MilesWilliams Mathis
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...