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sábado, setembro 26, 2015

GERSHWIN, HEIDEGGER, ELIOT, VERÍSSIMO, LUCINDA, GÉRICAULT & SANDRA REGINA!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DE PERTO NINGUÉM É NORMAL – Estava eu devida e confortavelmente aboletado e mais que maravilhado no maior estado de graça com a competência e dedicação da professora Janne Eyre, quando me passou pela memória um trecho duma canção de Caetano Veloso: - De perto ninguém é normal! Nada mais teibei na constatação que isso! E eu lá num misto entre curioso e espantado com um clássico caso de lobotomia acidental, ocorrido em 1848, e denominado de Caso Gage, envolvendo o operário estadunidense Phineas Gage (1822-1861). Seguinte: o cara era um daqueles sujeitos bem quisto por todos. Pai de família correto, empenhado profissionalmente, atencioso e cordial com conhecidos e desconhecidos, moral irrepreensível e amado por todos, mesmo levando em consideração a nossa peculiar superestimação nas qualidades de qualquer vítima do mais pavoroso infortúnio. No amiudado: o melhor cara do mundo, um santo em pessoa que desfilava dando até pra imaginar a existência duma a auréola beatífica na cabeça dele. É isso. E isso até o dia em que ele saiu de casa cantarolando Cotidiano de Chico Buarque, não antes dar o costumeiro beijo de despedida na mulher – só que nem ela nem ele sabiam que poderia ser o último ou quase o último da vida deles -, e sair entre assobios e bom dia na saudação com todos do trajeto de seu lar pro trabalho. Era um dia de branco como outro qualquer. Organizou-se para o desempenho de suas funções profissionais, apropriou-se dos apetrechos laborais e foi de corpo e alma para mais um dia de labuta. Eis que a certa altura dos afazeres, dominando por completo o seu metier, altivo senhor da situação, manipulava ele explosivos solfejando uma cantiga de memória, quando, inadvertidamente, negligencia lá um procedimento corriqueiro pra ele e quase sem nenhuma valia na hora e por isso, sem mais nem menos, provoca um pipoco do estopô calango, de todo mundo correr e esperar baixar a poeira para ver o que havia sucedido. Ocorre que num revestrés do muito arretado, uma barra de metal atinge sua face esquerda e perfura o seu cérebro, especificamente o lobo frontal. Um acidente grave, mas ele sobrevive, graças! Corre corre da pega, levaram-no pro hospital ainda com o barrete enfiado na cara, conseguindo, enfim, com meticuloso trabalho médico retirar-lhe o entrave sem causar-lhe danos mais profundos e deixá-lo vivinho da silva pra contar história. E contou mesmo. Ficou caolho, mas não quis ser pirata. Feioso, assumiu a feiúra e, quase um Charlie Chaplin, ele não só contou como se tornou autor e protagonista ao mesmo tempo da própria história. Bem. É que passado alguns dias ele começou a apresentar sinais de violência progressiva nunca antes verificado no seu comportamento do dia a dia. Passou a se irritar com facilidade, sua moral abalada foi decaindo vertiginosamente, tornou-se irresponsável com uma irreverencia nunca vista e perdeu completamente o interesse pelas coisas espirituais. Quer dizer, esse não era mais o Phineas Gage que todo mundo estava acostumado a conviver. Era outro depois do acidente. E muito diferente. Era tão outro que, não sendo besta que nem eu, tirou proveito da sua sina e começou a dar espetáculos, apresentando-se como o cara que bateu as botas e foi pro Hades, encarou a morte e disse pra ela esperar por ele noutra que agora ele queria mostrar como se safar dum baque raçudo e tataritaritatá. Virou a maior atração do momento, o roliúde mesmo. Mas o que me chamou muito mais minha atenção, não foi o caso em si. Foi tomar conhecimento das mudanças comportamentais e de personalidade previstas quando da ocorrência de danos ou lesões do lobo frontal do cérebro humano. Entre as consequências desses danos ou lesões, pode acontecer a procura pela satisfação imediata. Êpa! Quem não está? Conheço um punhado de gente com isso. Outra: tendência a culpar os outros por seus problemas. Cuma? Tá piorando. Ora, ora, isso é mais comum que fazer qualquer conta daquela bem grandona e, no final, dá tudo errado. Mais outras: perda do sentido moral, irresponsabilidade, indisciplina, perda do sentido moral, perda das ligações sociais... Vixe! Tá parecendo mais com os Fabos que viraram políticos no Brasil. Mais: incapacidade de analise e de avaliação correta... danou-se! O que tem de analfabeto funcional por aí não tá no gibi. E mais: perda de sensibilidade e noção dos limites, como apresentação de agressividade, antipatia, hostilidade... Ave! Tô perdido. Mas tem mais: capacidade diminuída para cálculos matemáticos e de memória, em especial eventos recentes, afora a apatia e indiferença perante a situação pessoal. Lascou. Minha nossa! Aí cheguei pra professora e perguntei: - Professora, a senhora tirou meu retrato, foi? E ela, coitada, com a sua inocente forma de ser, virou-se pra mim interrogativa: - Por que? Ué, isso aí sou eu cagado e cuspido, ora. E mais: conheço uma tuia de gente que é assim mesmo, talqualzinha. Será que tá todo mundo com o lobo frontal danificado? Nossa! Ela sorria com o meu exagero, levando na conta do amostramento, apenas. Mas não era só isso. Ué, reveja uma por uma das consequências e diga se não é a certidão da gente hoje! Pra quem, como eu, é do tempo em que neurose era pior que a frebe do rato - (sic), não é febre, é frebe mesmo, aquela que é pior que câncer, aids e todas as maledicências de Pandora juntas num balaio só –, imagine nesse tempo umbigocentrista de oniomania! Eu mesmo já assumi publicamente: não tenho a menor sanidade mental. E ponto final. Veja mais aqui.


Imagem: Three Lovers (1817-20), do pintor e litógrafo francês Théodore Géricault (1791-1824)


Curtindo Rapsody in Blue (1924), do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1938), with Eastman Rochester Symphony Orchestra, Eugene List & Howard Hanson, Antal Doráti, Minneapolis Symphony Orchestra. Veja mais aqui.

O NADA E O TÉDIO - No livro Que é metafísica? (Livraria Duas Cidades, 1969), do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), encontro o trecho que o autor fala a respeito do nada e o tédio: [...] Primeiramente e o mais das vezes o homem somente então é capaz de buscar se antecipou a presença do que busca. Agora, porém, aquilo que se busca é o nada. [...] Seja como for, nós conhecemos o nada, mesmo que seja apenas aquilo sobre o cotidianamente falamos inadvertidamente. Podemos até, sem hesitar, ordenar numa definição este nada vulgar, em toda palidez do óbvio, que tão discretamente ronda nossa conversa: o nada é a plena negação da totalidade do ente. [...] A totalidade do ente deve ser previamente da para que possa ser submetida enquanto tal simplesmente à negação, na qual, então, o próprio nada se deverá manifestar. [...] Tão certo como é que nós nunca podemos compreender a totalidade do ente em si e absolutamente, tão evidente é, contudo, que nos encontramos postados em meio ao ente de algum modo desvelado em sua totalidade. E está fora de dúvida que subsiste uma diferença essencial entre compreender a totalidade do ente em si e o encontrar-se em meio ao ente em sua totalidade. Aquilo é fundamentalmente impossível. Isto, no entanto, acontece constantemente em nossa existência. Parece, sem dúvida, que, em nossa rotina cotidiana, estamos presos sempre apenas a este ou àquele ente, como se estivéssemos perdidos neste ou naquele domínio do ente. Mas, por mais disperso que possa parecer o cotidiano, ele retem, mesmoque vagamente, o ente numa unidade de totalidade. Mesmo então e justamente então, quando não estamos propriamente ocupados com as coisas e com nos mesmos, sobrevem-nos este em totalidade, por exemplo, no tedio propriamente dito. Este tédio ainda está muito longe de nossa experiência quando nos entedia exclusivamente este livro ou aquele espetáculo, aquela ocupação ou este ócio. Ele desabrocha se a gente está entediado. O profundo tédio, que como névoa silenciosa desliza para cá e para lá nos abismos da existência, nivela todas as coisas, os homens e a gente mesmo com elas, numa estranha indiferença. Este tedio manifesta o ente em sua totalidade. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.


ELA – No livro O nariz e outras crônicas (Ática, 2003), do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo, encontro a deliciosa crônica Ela: Ainda me lembro do dia em que ela chegou lá em casa. Tão pequenininha! Foi uma festa. Botamos ela num quartinho dos fundos. Nosso Filho – Naquele tempo só tinha o mais velho – ficou maravilhado com ela. Era um custo tirá-lo da frente dela para ir dormir. Combinamos que ele só poderia ir para o quarto dos fundos depois de fazer todas as lições. - Certo, certo.- Eu não ligava muito para ela. Só para ver um futebol ou política. Naquele tempo, tinha política. Minha mulher também não via muito. Um programa humorístico, de vez em quando. Noites Cariocas… Lembra de Noites Cariocas? - Lembro vagamente. O senhor vai querer mais alguma coisa? E me serve mais um destes. Depois decidimos que ela podia ficar na copa. Aí ela já estava mais crescidinha. Jantávamos com ela ligada, porque tinha um programa que o garoto não queria perder. Capitão Qualquer Coisa. A empregada também gostava de dar uma espiada. José Roberto Kely. Não tinha um José Roberto Kely? - Não me lembro bem. O senhor não me leva a mal, mas não posso servir mais nada depois deste. Vamos fechar. - Minha mulher nem sonhava em botar ela na sala. Arruinaria toda a decoração. Nesa época já tinha nascido o nosso segundo filho e ele só ficava quieto, para comer, com ela ligada. Quer dizer, aos pouco ela foi afetando os hábitos da casa. E então surgiu surgiu um personagem novo nas nossas casas que iria mudar tudo. Sabe quem foi? - Quem? - O Sheik de Agadir. Eu, se quizesse, poderia processar o Sheik de Agadir. Ele arruinou o meu lar. - Certo. Vai querer a conta? - Minha mulher se apaixonou pelo Sheik de Agadir. Por causa dele, decidimos que ela poderia ir para a sala de visitas. Desde que ficasse num canto, escondida, e só aparecesse quando estivesse ligada. Nós tinhamos uma vida social intensa. Sempre iam visitas lá em casa. Também saíamos muito. Cinema, Teatro, jantar fora. Eu continuava só vendo futebol e notícia. Mas minha mulher estava sucumbindo depois do Sheik de Agadir, nao queria perder nenhuma novela. - Certo. Aqui está a sua conta. Infelizmente temos que fechar o bar. - Eu não quero a conta. Quero outra bebida. Só mais uma. - Está bem… Só mais uma. - Nosso filho menor, o que nesceu depois do Sheik de Agadir, não saía de frente dela. Foi praticamente criado por ela. É mais apegado à ela do que a própria mãe. Quando a mãe briga com ele, ele corre pra perto dela pra se proteger. Mas onde é que eu estava? Nas novelas. Minha mulher sucumbiu às novelas. Não queria mais sair de casa. Quando chegava visita, ela fazia cara feia. E as crianças, claro só faltavam bater em visita que chegasse em horário nobre. Ninguém mais conversava dentro de casa. Todo mundo de olho grudado nela. E então aconteceu outra coisa fatal. Se arrependimento matasse… - Termine a sua bebida, por favor. Temos que fechar. - Foi a copa do mundo. A de 74. Decidi que para as transmissões da copa do mundo ela deveria ser bem maior. E colorida. Foi a minha ruína. Perdemos a copa, mas ela continua lá, no meio da sala. Gigantesca. É o móvel mais importante da casa. Minha mulher mudou a decoração da casa para combinar com ela. Antigamente ela ficava na copa para acompanhar o jantar. Agora todos jantam na sala para acompanhá-la. - Aqui está a conta. - E, então, acontecu o pior. Foi ontem, hora do Dancin´Days e bateram na porta. Visitas. Ninguém se mexeu. Falei para a empregada abrir a porta, mas ela fez “Shhh!” sem tirar os olhos da novela. Mandei os filhos, um por um, abrirem a a porta, mas eles nem me responderam. Comecei a me levantar. E então todos pularam em cima de mim. Sentaram no meu peito. Quando comecei a protestar, abafaram o meu rosto com a almofada cor de tijolo que minha mulher comprou para combinar com a maquiagem da Júlia. Só na hora do comercial, consegui recuperar o ar e aí sentenciei, apontando para ela ali, impávida no meio da sala: “Ou ela, ou eu!”. O silêncio foi terrível. - Está bem… mas agora vá para casa que precisamos fechar. Já está quase clereando o dia… - Mais tarde, depois da Sessão Coruja, quando todos estava dormindo, entrei na sala, pé ante pé. Com a chave de parafuso na mão. Meu plano era atacá-la por trás, abri-lá e retirar uma válvula qualquer. Não iria adiantar muita coisa, eu sei. Eles chamariam um técnico às pressas. Mas era um gesto simbólico. Ela precisava saber quem é que mandava dentro de casa. Precisava sabe que alguém não se entregava completamente a ela, que alguém resistia. E então, quando me preparava para soltar o primeiro parafuso, ouvi a sua voz. “Se tocar em mim você morre”. Assim com toda a clareza. “Se tocar em mim você morre”. Uma voz feminina, mas autoritária, dura. Tremi. Ela podia estar blefando, mas podia não estar. Agi depressa. Dei um chute no fio, desligando-a da tomada e pulei para longe antes que ela revidasse. Durante alguns minutos, nada aconteceu. Então ela falou outra vez. ” Se não me ligar outra vez em um minuto, você vai se arrepender”. Eu não tinha alternativa. Conhecia o seu poder. Ela chegara lá em casa pequenininha e aos poucos foi crescendo e tomando conta. Passiva, humilde, obediente. E vencera. Agora chegara a hora da conquista definitiva. Eu era o único empecilho à sua dominação completa. Só esperava om pretexto para me eliminar com um raio catótico. Ainda tentei parlamentar. Pedi que ela poupasse a minha vida. Perguntei o que ela queria, afinal. Nada. Só o que ela disse foi “Você tem 30 segundos”. - Muito bem. Mas preciso fechar. Vá para casa. - Não posso. -Por quê? - Ela me proibiu de voltar lá. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A CANÇÃO DE AMOR DE J. ALFRED PRUFROCK – No livro Poesia (Nova Fronteira, 1981), do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965), encontro o belíssimo poema A canção de amor de J. Alfred Prufrock, numa tradução de Ivan Junqueira: Sigamos então, tu e eu, / Enquanto o poente no céu se estende / Como um paciente anestesiado sobre a mesa; / Sigamos por certas ruas quase ermas, / Através dos sussurrantes refúgios / De noites indormidas em hotéis baratos, / Ao lado de botequins onde a serragem / Às conchas das ostras se entrelaça: / Ruas que se alongam como um tedioso argumento / Cujo insidioso intento / É atrair-te a uma angustiante questão... / Oh, não perguntes: "Qual?" / Sigamos a cumprir nossa visita. / No saguão as mulheres vêm e vão / A falar de Miguel Ângelo. / A fulva neblina que roça na vidraça suas espáduas, / A fumaça amarela que na vidraça seu focinho esfrega / E cuja língua resvala nas esquinas do crepúsculo, / Pousou sobre as poças aninhadas na sarjeta, / Deixou cair sobre seu dorso a fuligem das chaminés, / Deslizou furtiva no terraço, um repentino salto alçou, / E ao perceber que era uma tenra noite de outubro, / Enrodilhou-se ao redor da casa e adormeceu. / E na verdade tempo haver á / Para que ao longo das ruas flua a parda fumaça, / Roçando suas espáduas na vidraça;/ Tempo haverá, tempo haverá/ Para moldar um rosto com que enfrentar / Os rostos que encontrares; / Tempo para matar e criar, / E tempo para todos os trabalhos e os dias em que mãos / Sobre teu prato erguem, mas depois deixam cair uma questão; / Tempo para ti e tempo para mim, / E tempo ainda para uma centena de indecisões, / E uma centena de visões e revisões, / Antes do chá com torradas. / No saguão as mulheres vêm e vão / A falar de Miguel Ângelo. / E na verdade tempo haverá / Para dar rédeas à imaginação. / "Ousarei" E . . "Ousarei?" / Tempo para voltar e descer os degraus, / Com uma calva entreaberta em meus cabelos / (Dirão eles: "Como andam ralos seus cabelos!") / - Meu fraque, meu colarinho a empinar-me com firmeza o queixo, / Minha soberba e modesta gravata, mas que um singelo alfinete apruma / (Dirão eles: "Mas como estão finos seus braços e pernas!") / - Ousarei / Perturbar o universo? / Em um minuto apenas há tempo / Para decisões e revisões que um minuto revoga. / Pois já conheci a todos, a todos conheci / - Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes, / Medi minha vida em colherinhas de café; / Percebo vozes que fenecem com uma agonia de outono / Sob a música de um quarto longínquo. / Como então me atreveria? / E já conheci os olhos, a todos conheci / - Os olhos que te fixam na fórmula de uma frase; / Mas se a fórmulas me confino, gingando sobre um alfinete, / Ou se alfinetado me sinto a colear rente à parede, / Como então começaria eu a cuspir / Todo o bagaço de meus dias e caminhos? / E como iria atrever-me? / E já conheci também os braços, a todos conheci / - Alvos e desnudos braços ou de braceletes anelados / (Mas à luz de uma lâmpada, lânguidos se quedam / Com sua leve penugem castanha!) / Será o perfume de um vestido / Que me faz divagar tanto? / Braços que sobre a mesa repousam, ou num xale se enredam. / E ainda assim me atreveria? / E como o iniciaria? / ....... Diria eu que muito caminhei sob a penumbra das vielas / E vi a fumaça a desprender-se dos cachimbos / De homens solitários em mangas de camisa, à janela debruçados? / Eu teria sido um par de espedaçadas garras / A esgueirar-me pelo fundo de silentes mares. / ...... E a tarde e o crepúsculo tão .docemente adormecem! / Por longos dedos acariciados, / Entorpecidos... exangues... ou a fingir-se de enfermos, / Lá no fundo estirados, aqui, ao nosso lado. / Após o chá, os biscoitos, os sorvetes, / Teria eu forças para enervar o instante e induzi-lo à sua crise? / Embora já tenha chorado e jejuado, chorado e rezado, / Embora já tenha visto minha cabeça (a calva mais cavada) / servida numa travessa, / Não sou profeta - mas isso pouco importa; / Percebi quando titubeou minha grandeza, / E vi o eterno Lacaio a reprimir o riso, tendo nas mãos meu sobretudo. / Enfim, tive medo. / E valeria a pena, afinal, / Após as chávenas, a geléia, o chá, / Entre porcelanas e algumas palavras que disseste, / Teria valido a pena / Cortar o assunto com um sorriso, / Comprimir todo o universo numa bola / E arremessá-la ao vértice de uma suprema indagação, / Dizer: "Sou Lázaro, venho de entre os mortos, / Retorno para tudo vos contar, tudo vos contarei." / - Se alguém, ao colocar sob a cabeça um travesseiro, / Dissesse: "Não é absolutamente isso o que quis dizer / Não é nada disso, em absoluto". / E valeria a pena, afinal, / Teria valido a pena, / Após os poentes, as ruas e os quintais polvilhados de rocio, / Após as novelas, as chávenas de chá, após / O arrastar das saias no assoalho / - Tudo isso, e tanto mais ainda? - / Impossível exprimir exatamente o que penso! / Mas se uma lanterna mágica projetasse / Na tela os nervos em retalhos... / Teria valido a pena, / Se alguém, ao colocar um travesseiro ou ao tirar seu xale às  pressas, / E ao voltar em direção à janela, dissesse: / "Não é absolutamente isso, / Não é isso o que quis dizer, em absoluto." / Não! Não sou o Príncipe Hamlet, nem pretendi sê-lo. / Sou um lorde assistente, o que tudo fará / Por ver surgir algum progresso, iniciar uma ou duas cenas, / Aconselhar o príncipe; enfim, um instrumento de fácil manuseio, / Respeitoso, contente de ser útil, / Político, prudente e meticuloso;/ Cheio de máximas e aforismos, mas algo obtuso; / As vezes, de fato, quase ridículo / Quase o Idiota, às vezes. / Envelheci... envelheci... /Andarei com os fundilhos das calças amarrotados. / Repartirei ao meio meus cabelos? Ousarei comer um pêssego? / Vestirei brancas calças de flanela, e pelas praias andarei. / Ouvi cantar as sereias, umas para as outras. / Não creio que um dia elas cantem para mim. / Vi-as cavalgando rumo ao largo, / A pentear as brancas crinas das ondas que refluem / Quando o vento um claro-escuro abre nas águas. / Tardamos nas câmaras do mar / Junto às ondinas com sua grinalda de algas rubras e castanhas / Até sermos acordados por vozes humanas. E nos afogarmos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

POESIA, TEATRO, CINEMA & TELEVISÃO - A poeta, jornalista, cantora e atriz Elisa Lucinda, começou sua carreira no teatro em 1986, no Rio de Janeiro, trabalhando em peças como Rosa, um musical brasileiro e Nukowski, bicho solto no mundo. A partir daí, passou a desenvolver sua carreira por meio dos inúmeros espetáculos e recitais em teatros, escolas e empresas. No cinema, ela estreia no filme Barrela (1990), depois participou do elenco de A causa secreta (1994), O testamento do senhor Nepomuceno (1997), A morte da mulata (2001), Seja o que Deus quiser (2002), As alegres comadres (2003), Gregório de Matos (2003) e foi premiada na película A ultima estação (2012). Ela fundou e mantem a Casa-Poema, em Itaúnas, no Espírito Santo, uma instituição socioeducativa de capacitação de profissionais através da poesia falada, expressão e formação cidadã. Também desenvolve em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o projeto Palavra de Polícia, Outras Armas, ensinando poesia falada aos profissionais de segurança com os princípios dos direitos humanos. Criou a Companhia da Outra, grupo teatral em parceria com Geovana Pires, desenvolvendo sua linguagem de teatral através da poesia. Por toda sua trajetória, aplausos de pé pra essa atriz de teatro, cinema e televisão. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O NÃO SEI DAS MULHERES – O filme It (O não Sei que das Mulheres, 1927), é um longa metragem mudo comédia romântica, produzido e dirigido por Clarence G. Badger e Josef von Sternberg, baseado no romance escrito por Elinor Glyn, contando a história de uma jovem moça que se apaixona pelo filho do seu empregador, que se torna gerente e herdeiro da maior loja do mundo. Como eles pertencem a classes sociais diferentes, pra decepção dela, ele está apaixonado por uma socialite. Ela consegue ganhar a atenção dele, mas logo o esbofeteia quando ele tenta beijá-la e vai embora por isso. A história vai se desenrolando que os desencontros entre eles, até que numa viagem a trama chega ao ápice. O destaque do filme vai para a atriz estadunidense Clara Bow (1905-1965), que se tornou a estrela de maior magnitude, sendo conhecida como It Girl. Veja mais aqui.

VISITA INTIMA - Acontecerá no próximo dia 03 de outubro, a partir das 15hs, no Auditório da Biblioteca de São Paulo (BSP), o lançamento do livro Visita íntima, da poeta, compositora e blogueira Sandra Regina, pela Editora Reformatório e com apresentação de Luiz Alberto Mendes. Segundo release do evento, "Visita íntima" é um convite às sensações, aos desejos de plenitude cabíveis ou não no corpo físico. Poemas que versam sobre esperas, contatos e ausência. Amores incondicionalmente presos às convicções libertárias, com duração limitada e restrições. Os poemas são apresentados como um roteiro, um guia. E vão revelando a dor e solidão de quem vive à mercê das visitas que lhe são feitas, alguém que vive à espera do ser amado enclausurado numa cela, seja de uma cadeia, ou na imposta pelos limites do tempo/espaço. Ela edita os ótimos blogs Feita em versos e De tudo fica um conto. Imperdível. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Medusa, do artista multimídia e fotógrafo Sérgio Valle Duarte.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, outubro 28, 2011

KAMAU BRATHWHAITE, CAMILO CELA, SOPHIE CALLE, EDUCAÇÃO & INCLUSÃO

 


Meu trabalho não tem nada a ver com a intimidade. Quando uso minha vida, não é minha vida, é uma obra colocada na parede. Algumas coisas que me acontecem eu uso como o motor para um projeto, mas isso não significa para mim ensinar a intimidade, mas sim a poesia que vem das coisas banais, o que acontece com todo mundo. Eu trato de brigar com uma parede e fazer exposições. Não me interessa a quantidade de intimidade, ou de ausência, que está em minha obra. Esse é o trabalho do crítico. Essa é sua linguagem, não a minha. O que diferencia muitos de meus trabalhos é o fato de que eles são, também, minha vida. Eles aconteceram. Isso me distingue e faz com que as pessoas gostem ou desgostem intensamente do que faço. É por isso, também, que tenho um público além do mundo da arte.

A arte da escritora, fotógrafa e artista visual conceitual francesa Sophie Calle, que evoca o movimento literário francês Oulipo, utilizando suas experiências pessoais como ponto de partida para construir narrativas que desprezam os limites entre realidade e ficção, transformando situações banais em poesia e atingindo um público que transcende o mundo artístico. Veja mais abaixo.

 

 

DA MENINA-MENINO, IT GIRL & BETTY BOOP - Tributo à atriz estadunidense Clara Bow (1905-1965) - A pobretã leonina de Prospect Heighs foi a única sobrevivente filha da família vítima do frio e da pouca comida. Dela, as impressões do passado: Não acredito que alguém tenha olhado para a morte tão diretamente quanto minha mãe e eu naquela manhã em que eu nasci. Estávamos quase desistindo, mas de alguma forma conseguimos sobreviver. As privações, as roupas surradas, o bulliyng das colegas, o cabelo desgrenhado, uma infância difícil de fome e frio, a violência e a miséria. O pai era inteligente, mas não batia bem da bola e vivia de malogro e a ausência: Não creio que minha mãe tenha amado meu pai. Ele sabia disso. E isso o deixou muito infeliz, porque sempre a idolatrara. Até isso retocava a moldura das dores. E ela preferia estar entre os meninos e se trocava com eles, envolvendo-se em brigas. Gostava de esportes e cogitou uma carreira de instrutora, até ver um acidente em que um de seus colegas foi queimado vivo até a morte. Coisas de marcar fundo na alma. E a adolescente nova-iorquina do Brooklyn, desde a adolescência, passou a cuidar da mãe por conta de uma queda que a levou à paranoia e a comportamentos agressivos: ela preferia me ver morta e me atacou com uma faca afiada para cortar o pescoço, coitada, findou internada num sanatório e faleceu durante uma crise epiléptica: Minha mãe não era má, isso era efeito da doença. Meu pai se jogou no túmulo dela e, depois, me estuprou. Tudo era muita dor. Uma esquisita desajeitada foi tomando feições femininas e decidiu ser atriz. Era confiante, determinada e incrivelmente ambiciosa. Foi quando surgiu Beyond the Rainbow (1921), ela largou a escola e foi trabalhar num escritório. As cenas em que ela aparecia foram cortadas na edição final, mas seu nome permaneceu na legenda como ganhadora de prêmio e nos cartazes. O pai a encorajava, mesmo que ela se sentisse baixinha e gorda. Ela o amava. Alguém precisou de uma Maria-rapaz e viram sua foto numa revista, era a chance e foi a estrela de Down to the Sea in Ships. Um sucesso, tornou-se a queridinha da Western. Veio então The Daring Years, quando aprendeu a usar maquiagem e dançou seminua no Enemies of women, esbando sex appeal: Todo esse tempo eu estava como um animal selvagem, eu acho, no sentido de tentar me divertir… Talvez isso tenha sido uma coisa boa, porque eu acho que muito do excitamento, daquela alegria da vida, acaba indo para dentro da tela. Com Grit começou a namorar o operador de câmera. Daí, mudou-se para Hollywood Boulevard, família e namorado ficaram para trás. Tudo para trás, perseguia o seu sonho, lasciva e desavergonhada. Tornou-se sex-symbol com It – nascia Betty Lou, e envolveu-se com amantes e o sucesso de Mantrap, orgias e loucuras entre os musculosos Trojans, e Asas: o que era cena muda, virou aventura falada na fagulha do seu fogo divino: Pela primeira vez na vida eu sabia que havia beleza no mundo. Pela primeira vez eu vi terras distantes, serenas, belos lares, romance, nobreza e glamour. Sempre tive um estranho sentimento pelos atores e atrizes na tela... Sabia que teria feito algo ali de maneira diferente. Não tinha como criticar, mas era algo que eu sempre senti. Era para Victor Fleming um Stradivarius: Toque-a e ela responderá com genialidade. Sim, os olhos expressivos da ruiva em todas as direções e todos os outros estavam nela e vivia o presente para o seu ponto de ruptura com o excesso de trabalho, a pressão da fama, os escândalos. Casou-se e foi para o seu paraíso no deserto, teve dois filhos. Retraída e com insônia crônica, comportamento bizarro e sintomas de doença psiquiátrica, tentou suicídio: preferia a morte a ter uma vida pública. Estava esquizofrênica. Viveu sozinha: Um símbolo sexual é uma carga pesada demais para se carregar. Sim, ela não sabia, era uma tendência e inspirou Max Fleischer: Betty Boop. E foi interpretada pela atriz Jennifer Tilly no Return to Babylon: uma assombração que transformou a imagem dos participantes distorcidas e em formas grotescas, afora eventos estranhos como a atriz se sentia observada e tocada por forças invisíveis. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Existem dois tipos de homens: os que fazem história e os que sofrem com ela. O mal dos que creem ser os donos da verdade é que quando precisam demonstrá-lo não acertam uma. Pensamento do escritor e jornalista espanhol vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Camilo José Cela (1916-2002). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Há uma teoria que indica que sempre que qualquer um descobrir exatamente o que, para que e porque o universo está aqui, o mesmo desaparecerá e será substituído imediatamente por algo ainda mais bizarro e inexplicável... Há uma outra teoria que indica que isto já aconteceu. Pensamento do escritor e comediante britânico Douglas Adams (1952-2001).

 

TORTURAS DA DOREstávamos na nossa casa em Atibaia. Éramos eu, meu marido e meus filhos. A polícia cercou a casa, arrebentou o portão e bateu na porta. Meu marido estava dormindo. Mandaram chamá-lo e queriam levá-lo para prestar esclarecimento, mas ele pegou um fuzil e disse que não ia. Quando ele saiu na porta, a bala já bateu no peito dele, mas ele ainda estava vivo. Quando caiu, deram trinta, quarenta balas no corpo. O último foi na cabeça. Foi aí que ele morreu, e todos os homens entraram na casa. Eles diziam: ‘Mata ela e os fi lhos dela, mata essa puta’. Saquearam a casa toda. Lá era um aparelho, tinha todo o material da organização e muitas armas. Quando eu cheguei na delegacia, o pau comeu solto: arrancaram os meninos de mim, me jogaram no chão, pisaram em cima de mim, eu rolava no chão toda ensanguentada. Aí, começaram a vir os homens da Oban. Era soco, pontapé, batiam no meu quadril. Apanhei tanto na boca que a dentadura enganchou na gengiva. Minha boca fi cou toda inchada, cheia de dentes quebrados. De madrugada, me levaram para São Paulo, para a Operação Bandeirante, onde eu fiquei 23 dias apanhando. Era choque, choque, choque todo santo dia. Eu me urinava toda, e eles berravam: ‘Essa mulher tá podre, tira essa mulher fedorenta daqui’. Minha vagina ficou toda arrebentada por causa dos choques. Eu tive de fazer uma operação em Cuba, onde levei noventa pontos. Meu útero e minha bexiga ficaram para fora, eu estou viva por um milagre. Também levei muita porrada, muito soco na bunda. Fiquei completamente arrebentada, foi muito sofrimento. Nesses dias, eu não conseguia comer, porque, além da comida parecer ‘resto’, cheia de ponta de cigarro e palito, eu estava com a boca inchada. Então, só tomava uma xícara de café. Tinha também xingamento dos nomes mais pesados. De vez em quando, vinham e davam uma bofetada na nossa cara. Depoimento da doméstica e feirante nordestina negra Damaris Lucena, militante política na luta por direitos, memória viva e resistência operária que foi presa e torturada em 20 de fevereiro de 1970 pela repressão da ditadura militar. O seu marido foi assassinado em casa e seu corpo permanece desaparecido. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CUIDE DE SI MESMO – [...] Recebi uma carta de rompimento. E não soube respondê-la. Era como se ela não me fosse destinada. Ela terminava com as seguintes palavras: “Cuide de você”. Levei essa recomendação ao pé da letra. Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão, para interpretar a carta do ponto de vista profissional. Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la. Entendê-la em meu lugar. Responder por mim. [...]. Trecho extraído da obra Cuide de si mesmo - Prenez Soin de Vous (Actes Sud, 2007), da escritora, fotógrafa e artista visual conceitual francesa Sophie Calle, que assim se expressou durante o seu trabalho Mas pu saisir la mort (Impossível capturar a morte, 2007), filmando o momento em que sua mãe faleceu: Em vez de contar os dias que faltavam para a morte dela, passei a contar de forma obsessiva os minutos que faltavam para trocar a fita, desloquei a angústia. Quando ela morreu, eu estava efetivamente presente, vi seu sorriso.

 

PÃO - Lentamente, a (s) luta (s) do sonho branco ganham vida / mãos moldando o sal e os campos de milho estrangeiros / a carne fria amassada pelos dedos / está pronto para o carvão para a esposa negra / de calor os anos de verde dormindo no vulcão. / o sonho se torna mais difícil. Estabelecendo-se em sua forma / como uma rã-touro. Sóis nascem e elétrons / toque isso. Paredes derretem em marrom. movendo-se para crocante e estaladiço / ponta da faca do forno. / Barulho da loja. barulho do fazendeiro. Mercado. / Nesta laje de senhor. nesta mesa com seu pano de pele oleosa / neste altar do osso. Este sacrifício / de Isaac. / Mortos quentes. Mercadoria quente. / Mais do que mercadoria desgastada / vida / em si. O sonho do próprio solo / carne do deus que você quebra. Paz aos seus lábios. Contenda / das multidões que uivam o dia todo por seu salvador / que precisam de suas migalhas como peixes. / Piscando através de seu elemento verde / precisa de uma ampla sabedoria vítrea / para manter seus gemidos vivos / e este pão aqui. Vida / agora interrompido. Mais e mais água / itive. O sonho menos claro. O solo mais distante / sua oração de mesa. Abençoe de lábios. Mais difícil de alcançar com penns. A faca / isso deveria ter cortado. As mãos que deveriam ter quebrado abrem sua vitória / de crostas em sua garganta. Balaam assistindo com vazamento vermelho / olhos brilhantes. Os ratos / encontrando apenas esta jovem casca vazia / afiando suas catracas. Sua esposa / saindo para as ruas. Procurando procurando seus pés batendo. As luzes do motor / carros assistindo assistindo rodando-mudando a forma de seu cinto. As costas dela nuas / rolou noite adentro sem manhã / rolou de morto para morto sem visão / rolou para a vida sem sonho. Poema do escritor e crítico literário bahamense Kamau Brathwhaite (1930-2020).

 

INCLUSÃO & EDUCAÇÃO ESPECIAL
- A Educação Especial é uma modalidade de ensino, transversal ao ensino básico, que garante a crianças e jovens com necessidades especiais de aprendizagem o direito constitucional de ingressar no sistema educacional de ensino, desde a educação infantil até o ensino médio. Isto, portanto, está previsto no art. 58 da LDB, envolvendo educandos com necessidades especiais e que possuam necessidades incomuns, diferentes dos outros alunos. Tudo atinente às aprendizagens curriculares compatíveis com suas idades, assegurando a essa clientela nos sistemas de ensino, conforme previsto no art. 59, currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender às suas necessidades; além de  terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacidades para a integração desses educandos nas classes comuns; educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; e acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular (Brasil, 1999; Carneiro, 1998). Os alunos desta modalidade educacional estão distribuídos entre os portadores de deficiência mental, física, auditiva, visual, múltipla; os portadores de condutas típicas, portadores de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos com repercussão sobre o desenvolvimento e comprometimento no relacionamento social; as crianças de alto risco que possuem o desenvolvimento fragilizado em decorrência de fatores como gestação inadequada, alimentação imprópria ou nascimento prematuro; e os portadores de altas habilidades, crianças que exibem elevada potencialidade na capacidade intelectual geral, criativa e produtiva, além de um talento especial para as artes (Brasil, 1999: Carneiro, 1998). Carneiro (1998:41) ressalta que "(...) estas crianças têm direito a um atendimento educacional especializado. Preferencialmente, devem ter o seu espaço de aprendizagem em classes normais, ao lado das demais crianças, evitando-se desta forma, qualquer modalidade de segregação". Objetiva-se, então, a inclusão destes alunos, e no dizer de Godoy (2000:119): Evidencia-se o papel da escola comum do ensino regular em todos os seus níveis e etapas no sentido de acolher a diversidade dos alunos, de realizar uma avaliação de próprio processo educativo, de definir sua responsabilidade no estabelecimento de relações que possibilitem a criação de espaços inclusivos Isto quer dizer que o objetivo geral da educação volta-se para a formação e capacitação do educando em três aspectos entendidos como o individual (de auto-realização); individual e social (qualificação para o trabalho) e social (preparo de uma cidadania consciente) (Godoy, 2000). Há mais de dez anos, o princípio da inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais é uma preocupação dos educadores comprometidos com qualidade da educação e desenvolvimento humano. E o professor tem assumido o compromisso pedagógico de participar do processo de  inclusão social através do desenvolvimento de atividades educativas que possibilitem o preparo desses estudantes para vida e para o trabalho. Neste sentido, alerta Santos (1997:6) que "(...) é  preciso fazer com que os preceitos constitucionais - que garantem o direito à educação ao educando com deficiência, preferencialmente, na rede regular de ensino, da forma mais integrada possível - saiam do papel e ocupem o cotidiano de nossas escolas". Nessa perspectiva, a inclusão escolar dos alunos com necessidades educacionais especiais torna-se parte do princípio maior da educação: a inclusão social por meio de uma escola pública de qualidade para todos. É conveniente observar preliminarmente que a inclusão tem sido o desafio daqueles que priorizam a qualidade do ensino regular com a aprendizagem no centro das atividades e a meta no sucesso dos alunos, proporcionando-lhes o pleno exercício da cidadania, conforme preceitua a LDB 9.394/96. Sendo a inclusão mais do que acomodar uma criança ou adolescente dentro de uma sala de aula, onde tudo ao seu redor é novo e antes a excluíra, é imprescindível uma reforma considerável da escola que será seu novo ambiente, principalmente dos profissionais que irão trabalhar com esses alunos. Desses profissionais, o educador é o que irá exercer um papel primordial, pois é ele que estará presente em todos os momentos dessa implantação. Os professores encontram-se, portanto, diante de uma situação inovadora, onde a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais, mas sem nenhum preparo necessário para um bom desempenho, criando um desafio como o de atendê-los e de transmitir os conhecimentos adquiridos durante sua caminhada, colocando-os em condição de igualdade com os demais, desenvolvendo sentimentos de respeito às diferenças e beneficiando a todos os alunos. Desta forma, observa Mazzotta (2000:26) que: (...) sendo um espaço público de capital importância na construção da cidadania para cumprir esse papel, a escola tem de ser organizada de modo a atender a diversidade dos educandos, configurando-se como uma instituição social aberta e destinada a todos, com sentido integrador e inclusivo. O fundamental, pois, é que a escola se firme como espaço privilegiado das relações sociais para todos, não ignorando, portanto, aqueles que apresentem necessidades educacionais especiais. Tal compromisso implica absorção de mudanças nos papéis desempenhados pelos membros da organização escolar, no sentido de criticamente articular o estudante à aprendizagem e à vida participativa na sociedade e no seu meio, através do reconhecimento da diversidade dos talentos humanos e a valorização do trabalho de cada pessoa, compartilhando o saber e proporcionando um processo emancipatório de cidadania. Apreende-se daí o que observa Godoy (2000:118): Educação inclusiva é a transformação do sistema educacional, proporcionando o atendimento diferenciado para cada indivíduo: educação para todos. Exige igualdade de oportunidades educacionais, que é a possibilidade de oferecer a cada indivíduo meios de desenvolver o máximo de suas potencialidades de acordo com o seu ritmo de aprendizagem. A inclusão educacional é a garantia do acesso imediato e contínuo do aluno com deficiência ao espaço educacional e escolar comum, independentemente do tipo de deficiência e do grau de comprometimento, para que possam se desenvolver social e intelectualmente junto às crianças da classe comum. A escola inclusiva aceita todas as diferenças e se adapta à variedade humana, criando ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades individuais. Neste sentido é que se tem buscado viabilizar novas alternativas para melhoria do ensino, de se apresentar esforços mais contundentes no atual cenário de competitividade e competência para a clientela heterogênea que participa da sala de aula, inclusive, com a inserção de alunos com déficits temporários ou permanentes, garantindo o direito ao acesso de todos à educação. No que diz respeito à atuação com os alunos surdos, necessário se faz que os professores possam trabalhar com estes sentindo-se confiantes para acompanhar as evoluções, tomando em consideração as necessidades e exigências da sociedade competitiva na construção deste ser cidadão, o surdo. Pretende-se efetuar a formação deste profissional, rompendo-se com os modelos padrões do sistema educacional, o que acontecerá com a conscientização dos professores atuantes no processo inclusivo dos surdos, iniciando-se uma transformação social para obter as mudanças desejadas. Neste caso, é essencial que sejam criadas condições para que os professores se sintam indivíduos participante e contribuidores dessa transformação social, fortalecendo sua auto-estima e proporcionando condições mínimas necessárias para que as reformas educacionais dos surdos se tornem realidade. É necessário mencionar que trabalhar esta heterogeneidade requer capacitação e qualificação conveniente para garantir uma escolarização de qualidade aos alunos que, em decorrência de deficiências físicas, sensoriais ou mentais, necessitem de respostas educativas especiais da escola. E, à proporção que o docente esteja se capacitando, se renovando, encontrando a necessidade de mudar a forma de trabalho, melhora-se o nível de conhecimento dos profissionais, que se manterão bem informados e preparados para lidar com os alunos surdos. Daí, por que é importante a formação continuada. Veja mais a respeito aqui, aqui, aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
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BIENAL DO LIVRO DE ALAGOAS

TATARITARITATÁ NA BIENAL DO LIVRO DE ALAGOAS – Hoje o estande da Secult/Biblioteca Pública foi bastante movimentado na programação da V Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Grandes escritores estiveram reunidos:


V BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE ALAGOAS: 28 OUT 2011 - O poeta e professor universitário Luciano José 


A escritora Marijôse Albuquerque Costa


O artista circense Ronaldo Freire


A escritora Marluce Maria Costa Salvador de Oliveira


A escritora Maria de Lourdes do Nascimento


 O show do Demis Santana


Muitas atrações e visitantes




ESTANDE DA SECULT/BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO – Estarei todos os dias até o dia 30 no estande da Secult/Biblioteca Pública do Estado, com exposição de todos os meus livros infantis, DVD e folheto de cordel, além da distribuição gratuita do zine Tataritaritatá. Espero você por lá. Veja mais desse evento no Brincarte.


Veja mais sobre:
Quando Papai Noel foi presoHenryk Górecki, Demócrito de Abdera, Jane Campion, Alfred Eisenstaedt, Frédéric Bazille, Fernando Fabio Fiorese Furtado, A Comédia, Meg Ryan, A prisão de São Benedito & Luiz Berto aqui.

E mais:
Oniomania & Shopaholic, Píndaro, Mestre Eckhart, Maimônides, Paulo Leminski & Gilton Della Cella aqui.
A depressão aqui.
Ansiedade: elucubrações das horas corridas aqui.
O sabor da princesa que se faz serva na manhã aqui.
Orçamento & Finanças Públicas & os quadrinhos de Sandro Marcelo aqui.
Educação, Professor, Inclusão, Emir Ribeiro & Velta aqui.
A Lei de Responsabilidade Fiscal aqui.
Gilbela, é nela que a beleza se revela aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
Veja aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...