terça-feira, maio 31, 2016

O SISIFISMO DA SEMANA


O SISIFISMO DA SEMANA - (Imagem: Arte de Nina Moraes & Trampo para o Projeto Arte Urbana, proposta cultural promovida pelo Sindicato da Industria e da Construção Civil do Rio Grande do Sul (SINDUSCON/RS) em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, promovendo a humanização do meio ambiente urbano e, em especial, redesenhar o cenário urbanístico da cidade a partir da apropriação de tapumes de obras realizadas na capital como suporte para a arte urbana em 2009).- SEGUNDA – O dia internacional da ressaca é sui generis: embora seja dia de branco, é sempre de meia embreagem, bandeira a meio pau. No câmbio do corpo, passar da segunda marcha já é desembesto dos grandes, altíssima rotação. É só debreiando da primeira pra segunda e só, tudo desacostumado da puxada que foi o final de semana, com a aventura que começou na sexta, uma noite virada e que foi no embalo o sábado todo até se acordar só na tarde do domingo e aproveitar o restinho, pra só empurrar o trampo com a barriga, retornando a dieta, arrumando a beca, ajeitando a gola, conferindo o abanhado, sacada na braguilha e na algibeira para ver toda valia. Se vê direitinho, é o mais longo da semana, vez que se fica só nos ponteiros do relógio: dá meia noite, mas num chega nunca no final do expediente! TERÇA – É ir com tudo e com todo gás. Restaurado por uma noite pra lá de bem dormida, renovado, remoçado, está pronto pra briga: do pescoço pra baixo tudo é perna. É hora de começar a cobertura da cota, vai de cabeça que o mar não está pra peixe. Mergulha na resolução das broncas, seguindo à risca a agenda nunca cumprida. Dá uma afinada no fôlego e usa de todas as marchas, menos a de ré porque ninquem tá pra andar de costas. Segura o sopapo. QUARTA – O que foi adiado, vai ter de vigir. Inteiraço, manda ver mesmo. A orelha abanando com todas as pulgas feito vagalume pra levantar a lebre que der. Vale tudo: rasteira, cama-de-gato, quem tiver cardan que se aguente. Senão, tora na emenda. O foguete decolou desde ontem e a coisa está mais para fora de órbita que de costume. Vai administrando os catombos, não deixa o beiço cair na moleza que está na hora de sacudir a poeira, pegar a onda que não é pegadinha, é na vera e pode botar tudo a perder. QUINTA – O maior fuzuê: o que não deu até agora, vai ter que dar. Tem que fazer varredura, as coisas saíram do traçado. Tem de rearrumar a troçada pra deixar tudos nos trinques. Amanhã é o dia. Se não for dessa vez, fica tudo no desconforme. Então é hora de mira no alvo, afiando a pontaria, dando o bote e tentando pegar a ocasião pelos cornos que o bicho é brabo. SEXTA – Ufa! É hoje! Não adianta língua de fora, senão o pencó agarra e seja lá o que Deus quiser. É hora de pular na mola, dá um trato no topete, chamar na grande em riba da fivela, chô pros encostos num banho de sal grosso que o negócio tá todo enganchado. Afina a goela que o pódium da noite tá só esperando pra comemoração e pé na taboa. Segura o cabresto que o animal tá indomável, não deve deixar nada embirrar que tudo se esfola e fica só no couro cru. E haja remédio. Tem que dá uma saneada na tripa gaiteira pra num virar munganga na maior rebordosa. Pronto. Foi-se o dia. Agora é deixar rolar que a noite é olê olá e só segunda pra trabalhar. SÁBADO – Vixe! Emendado desde ontem até segunda de manhã, joga a conversa fora, monta na fuleragem de nem ver o tempo passar. É só o vira virar de não saber o que é de dia nem de noite, só na folga do cinturão. DOMINGO – Eita! Já? Nunca foi tão rápido o fim de semana, mas sempre é. Nem amanheceu e já é meio dia. É hora de se empanturrar de tudo que for quitute, lavagem e porqueira. Na primeira golada já findou a tarde com a trilha sonora da despedida da boa vida e do que foi o que era doce. Bota fé e ótima semana. Tudo de novo. E vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Imagem: Nude in a briar patch, da artista visual Mary Addison Hackett.


Curtindo o álbum Breakdown (A & M 1987), do percussionista Paulinho da Costa, considerado pela revista Down Beat "um dos percussionistas mais talentosos do nosso tempo" e ganhador por três anos consecutivos Most Valuable Player Award, da National Academy of Recording Arts and Sciences.

PESQUISA
Tempo e expressão literária (Mestre Jou, 1970), do doutor em Letras e catedrático das universidades de Buenos Aires e La Plata, Raúl H. Castagnino. Veja mais aqui.

LEITURA 
Quingumbo: nova poesia norte-americana (Escrita, 1980), organizada por Kerry Shawn Keys, reunindo poetas como Allan Ginsberg, Sylvia Plath, Rbert Lowell, Lwrence Ferlinghetti, LeRoi Jones, Denise Levertov, Susan Musgrave, entre outros.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: Time Travel by Steve Hester
[...] o homem contemporâneo traz dentro de si, inerente à sua realidade psicológica, tanto o tempo cíclico enraizado no inconsciente, que é a morada dos símbolos, mitos e arquétipos, como o tempo-sucessão, ideia que contem valores culturais históricos. Se o próprio existir, o estar no mundo, implica findamentalmente na idéia de tempo, de um tempo fracionado em finitude e infinitude, o existir de uma obra literária, pelas razões próprias de sua natureza ficcional, tem como matéria-prima o tempo, que também é a essência da memória.
Trecho de Tempo e antitempo na ficção, do professor, escritor e jornalista Luiz Toledo Machado (1927-2010).

IMAGEM DO DIA 
 Cena da soprano canadense Meghan Lindsay na ópera em três atos Alcina (HWV 34 - 1735), do compositor alemão naturalizado britânico Georg Friedrich Händel (1785-1759), baseada no poema épico Orlando furioso, do poeta italiano Ludovico Ariosto (1474-1533), com a Tafelmusik Baroque Orchestra de Toronto, sob a regência do maestro David Fallis. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Prosérpina, Walt Whitman, Alessandro Bronzino, Richard Strauss, Gian Lorenzo Bernini, Francis Fergusson, Reinaud Victor, Charb, Diana Damrau, Sandrine Bonnaire & Mitologia Latina aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Arte do pintor, gravador e escultor Alain Bonnefoit.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Arte do artista do Expressionismo Abstrato e Pop Art estadunidense Robert Rauschenberg (1925-2008).
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.




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O ESPADACHIM DO CANAVIAL – Imagem do artista plástico João Gonçalves - O que Zedonho tinha de ocrídio, tinha de trabalhador. Pense num su...