quinta-feira, fevereiro 07, 2019

AUGUSTO BOAL, JOEL BIRMAN, NAN GOLDIN & CHALÉ DO ALTO DO INGLÊS


O CHALÉ DO ALTO DO INGLÊS – Já tratei aqui a respeito do chalé ou, como chamam alguns, casarão do Alto do Inglês, um descaso que se arrasta por décadas. Desta feita, prefiro trazer um pouco de história para que se entenda a real importância desse imóvel como patrimônio histórico e cultural não só dos Palmares, mas de todo Estado de Pernambuco. Primeiramente, em artigo de Marcelo Pontes, Emilia Lopes e Mariá Silva, Os caminhos do açúcar em Pernambuco: reflexões sobre a relação espacial e operacional da ferrovia com a usina de açúcar (IPHAN, 2005), e o da bibliotecária da Fundaj, Lucia Gaspar, esta baseada nos relatos contidos nas obras de Estevão Pinto, História de uma estrada-de-ferro do Nordeste (José Olympio, 1949) e de Alcindo de Souza, Antologia ferroviária do Nordeste (Bagaço, 1988), nos quais se encontra registrado que, em 1872, foi criada a Great Western of Brazil Railway Company Limited, que era responsável pelo transporte ferroviário no Nordeste, notadamente em Pernambuco. Entretanto, em conformidade com o Decreto Imperial 1030, de 07 de agosto de 1852, 20 anos antes, já estava determinada a concessão aos engenheiros ingleses Edward e Alfred de Mornay, o direito à abertura de um caminho de ferro entre Recife e Água Preta e sua exploração por 90 anos, o que deu origem à Recife and São Francisco Railway Co. Ltda. Tal informação torna-se relevante, tendo em vista que a estação de Una foi inaugurada em 1862, compreendendo o trecho da ferrovia do qual os ingleses detinham a concessão, até o encontro dos rios Una e Pirangi. Há que se observar que, segundo Estevão Pinto, Una era uma simples povoação que vivia na dependência do Engenho Trombeta, em meados do século 19, na comarca de Água Preta. Por conta disso, o poeta e historiador Vilmar Carvalho, assinala que o casarão do Alto do Inglês foi construído no final do século 19, utilizado como residência dos engenheiros ingleses que se encontravam trabalhando desde 1859, em Palmares, sendo, posteriormente, a residência do fidalgo inglês Edmund Cox, que era engenheiro da Great Western Railway, inclusive membro honorário do Clube Literário de Palmares. Confere. A confirmação disso está no registro de que a concessão da linha férrea Recife a Maceió, datada de 1901 e que era denominada de Sul, ou Recife-Maceió, compreendia a junção de três ferrovias que ligava ao São Francisco, aberta entre 1858-1862, entre elas a de Recife a Una, isso por conta do Decreto 4.111, de 31 de junho de 1901, aprovando o contrato com a Great Western para dar início ao processo de unificação das ferrovias existentes na região. Já em agosto do mesmo ano, a Recife and São Francisco Railway Co. Ltda. foi resgatada pela União e arrendada a Great Western. Passa-se o tempo e em 1950, foi criada a Rede Ferroviária do Nordeste (RFN), que encampou a Great Western, áureos tempos para a cidade palmarense. Todavia, a partir dos anos 1970, quando o governo ditatorial militar optou pelo transporte rodoviário, deu-se o sucateamento da Rede Ferroviária, incluindo as ruínas do casarão em apreço. Em 1997 a concessão foi cedida para a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), ocorrida com o leilão da malha ferroviária nordestina. Em 2002, iniciaram os estudos para implantação do novo traçado com o projeto Transnordestina, até 2005, quando a linha foi abandonada. Em 2006 dá-se a implantação da Ferrovia Transnordestina e em 2008, a CFN passa a se chamar Transnordestina Logistica S/A, transformada em uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), privatizada no governo Itamar Franco, em 1993. Décadas se passaram e do casarão restaram apenas ruínas, fato que, por meio do ofício 165/2011, de 07/12/2011, a Fundarpe encaminhou o parecer técnico, confirmando a denúncia de demolição do imóvel do Alto do Inglês, invocando a Lei Municipal 1556/2002, referente ao tombamento do patrimônio histórico, e a Lei 1757/2007 que criou o Conselho Municipal de Cultura. A Fundarpe também encaminhou cópia do parecer técnico para a Associação Municipal de Entidades (AME-Palmares) e para o Ministério Público, solicitando providências para o caso. O prefeito dos Palmares foi notificado por meio do Oficio 166/2011, destacando tratar-se de imóvel de interesse cultural e histórico do Estado de Pernambuco, devendo ser dada a devida atenção para concessão e manutenção do mesmo, pedindo urgência para ações que demandavam à sua preservação. Como nada foi feito, em 2014, o poeta, professor e historiador Vilmar Carvalho apresentou oito razões para recuperação do casarão do Alto do Inglês, reafirmando a sua importância cultural e histórica, assino embaixo. Faz-se necessário ainda observar que, infelizmente, não é do conhecimento público que o aludido imóvel, nos anos 1980, na gestão municipal do prefeito Luís Portela de Carvalho, foi inserido, juntamente com o Teatro Cinema Apolo, na documentação estatutária registrada em cartório, como patrimônio da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, por meio de desapropriação pública, razão pela qual a referida fundação foi devidamente instituída, em conformidade com as exigências legais vigentes. Diante de tal situação, vê-se claramente o tratamento dado ao patrimônio histórico e cultural do Município e da entidade, causando indignação por constatar o descaso no que é de natureza pública. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] a passividade que sempre domina o indivíduo quando algo dói, esperando que alguém tome uma atitude por ele. Se isso não ocorre, a dor pode mortificar o corpo do indivíduo, minando o somático e forjando o vazio da autoestima. Ou, então, a dor pode fomentar as compulsões e a violência, formas de descarga daquilo que dói. Enfim, a dor é uma maneira de se falar do ressentimento que perpassa hoje os humilhados e ofendidos dos quatro quadrantes do planeta. Imersa que fica na dor e no ressentimento, portanto, a subjetividade contemporânea se evidencia como essencialmente narcísica, não se abrindo para o outro, de forma a fazer um apelo. Isso porque pega mal precisar do outro, pois isso revelaria as falhas do demandante. Na cultura do narcisismo, as insuficiências não podem existir, já que essas desqualificam a subjetividade, que deve ser autosuficiente [...].
Trecho extraído da obra Arquivos do mal-estar e da resistência (Civilização Brasileira, 2006), do psiquiatra e psicoterapeuta Joel Birman.

O CORSÁRIO DO REI, DE AUGUSTO BOAL
1º Ato – I – Abertura musical (Depois da abertura sobre o pano: todos os atores estão em cena preparando o cenário e cantando) Verdadeira embolada (ou O incrível dualo da mentira com a verdade)
A verdade que se preza / é fiel que nem um cão / a de César é de César / a de Cristo é do cristão / a mentira anda na feira / vive armando confusão / cheia de perfume, rebolando na ladeira / de mão em mão
A mentira e a verdade / são as donas da razão / brigam na maternidade / quando chega Salomão
A razão pela metade / vai cortar com seu facão / vendo que a mentira chora e pede piedade / dá-lhe a razão
Na realidade / pouca verdade / tem no cordel da história / no meio da linha / quem escrevinha / muda o que lhe convém / e não admira / tanta mentira / na Estação da Glória / claro que a verdade / paga passagem / e a outra pega o trem
A mentira, me acredite / com a verdade vai casar / se disfarça de palpite / pra verdade enfeitiçar / todo mundo quer convite / a capela vai rachar / pra ver a verdade se mordendo de apetite / ao pé do altar
Na verdade cresce a ira / a mentira é só desdém / a verdade faz a mira / a mentira diz amém / a verdade quando atira / o cartucho vai e vem / a verdade é que no bulho / de toda mentira / verdade tem.
(Ficam em cena apenas os atores da primeira cena: um bar do Rio de Janeiro, no Cais do Porto, pouco mais ou menos no começo do século XIX). [...].
Trecho inicial da peça teatral O corsário do rei (Civilização Brasileira, 1985), do dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009), com músicas de Edu Lobo e Chico Buarque. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa estadunidense Nan Goldin
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Chalé do Alto do Inglês (fotos: Carlos Calheiros) aqui.
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A criança na Antropologia Filosófica de Ernst Cassirer aqui
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quarta-feira, fevereiro 06, 2019

J. BORGES, KATIA CANTON, MICHELINE TORRES & ALAGOINHANDUBA


A COISA NO VENTILADOR – O desaparecimento do município de Alagoinhanduba, como se diz de fato e de direito, não ficará de graça. Pelo que se sabe, apenas ocorreu o sumiço do mapa de toda população e mais nada. Absolutamente nada. Ou melhor, como se nada tivesse acontecido. Porém, lá nos cafundós de não sei quantas léguas de distância, a coisa volta à tona depois de não sei quanto tempo depois. É que a comunidade científica mundial, ao dar por falta das impreteríveis e sucessivas contribuições inestimáveis do megaerudito Dr. Zé Gulu, residente estabelecido voluntariamente na localidade que, confidencialmente, tencionava instalar ali a Universidade Planetária, resolveu reunir uma equipe multiprofissional de arqueólogos, antropólogos e outros doutos Ph.Ds nas mais diversas áreas acadêmicas e de todas as nacionalidades, para desvendar o mistério. O grupo internacional de pesquisadores conta com o apoio do Padre Bidião que está capitaneando outros tantos e de todas as galáxias, objetivando deixar às claras a verdade sobre o ocorrido. Trocando em miúdos: o que se apurou até agora é que há, de fato, uma má-vontade no esclarecimento disso, carecendo de uma decisão que bote tudo preto no branco com os pingos nos iis e tataritaritatá. Como cada futucada levanta uma lebre, a coisa tomou ares de complexidade irresolúvel. É que tanto o Executivo como o Judiciário e o Legislativo em todas as esferas da Federação, não se manifestam a respeito, sob a alegação de que não é da responsabilidade de nenhum desses poderes, nem de ninguém. Ou seja, tirou cada qual o seu da reta e o dos outros, também. E de quem seria? Como não se sabe ao certo, a coisa fica meio que bosta na água, ou do tipo batata quente que ninguém quer nem assoprar. Acontece que, por debaixo do pano ou das encobertas, ninguém sabe, um pesquisador internacional aventou o encobrimento legal sobre a instalação há mais de sessenta anos naquele território, de uma secreta empresa industrial, denominada de Alagoinhanduba Corporation, que seria supostamente a responsável pelo cataclisma. O resultado das investigações infindáveis, correm em segredo de não se sabe quem, entretanto, já dá sinais de que, a exemplo da Cerro de Pasco do Scorza, a transnacional em questão, sigilosamente abrigou-se para funcionamento reservado na exploração de um minério raro reputado como de outro planeta ou galáxia, e só encontrado naquele subsolo. A averiguação parece aprofundada e constatou lá nas escondidas, que a comuflada organização dada por inexistente em todos os cadastros de pessoa jurídica nacional e internacional, comportava no seu quadro funcional toda a população alagoinhandubense que desconhecia tanto o vínculo empregatício, como a exploração de um fictício molibdênio. O empreendimento utilizava clandestinamente sondas invisíveis que exploravam profundidades no subsolo para extração do incógnito mineral, retirando de lá grandes quantidades transferidas furtivamente para ignorados depósitos sabe-se lá onde. Os excogitadores alegam que as escavações alcançaram profundidades subterrâneas jamais imaginadas, atravessando o solo, marga, argila, areia e cascalho, lençóis freáticos e aquíferos, além dos mantos até os núcleos externo e interno. A retirada do raro mineral levou a perfurações que promoveram o desabamento de toda dimensão do território municipal, com a comunidade soterrada pelo desmoronamento, tudo em conluio com autoridades e asseclas. Ecologistas envolvidos nas investigações acreditam que ações judiciais que tramitaram em segredo de justiça, absolveram a Alagoinhanduba Corporation de qualquer responsabilidade sobre o sucedido, isentando quem quer que seja de qualquer dano ou punição. Por conta disso, o movimento tenta levar aos tribunais e instâncias jurídicas possíveis, para o esclarecimento e a responsabilização sobre o fato. Tentativas de entrevistas realizadas por jornalistas e interessados no caso, resultou numa unânime expressão monossilábica de pessoas das cidades vizinhas: Qual? Quem? Como? Quando muito se ouviu: Sei disso não! Pode um negócio deste? Sei não. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] a arte provoca, instiga e estimula nossos sentidos, descondicionando-os, isto é, retirando-os de uma ordem preestabelecida e sugerindo ampliadas possibilidades de viver e de se organizar no mundo [...] A arte ensina justamente a desaprender os princípios das obviedades que são até juntas aos objetos, às coisas. Ela parece esmiuçar o funcionamento dos processos da vida, desafiando-os, criando para novas possibilidades. A arte pede um olhar curioso, livre de “pre-conceitos”, mas repleto de atenção [...].
Trechos extraídos da obra Corpo, identidade e erotismo (Martins Fontes, 2009), da escritora e crítica de arte, PhD em artes interdisciplinares pela UNY e professora Katia Canton. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina, coreógrafa, atriz, performer e professora Micheline Torres. Ela nasceu em Sertãozinho, na Paraiba, e é formada em Balé e em Dança Contemporânea, depois de ter estudado Filosofia e Artes Cênicas. O seu trabalho é desenvolvido a partir de pesquisas sobre dança, performance e artes plásticas, o que a levou a se apresentar em países como Portugal, França, Inglaterra, Canadá, Suiça e Alemanha. 
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FILOSOFIA DO PEIDO, DE J. BORGES
Vários poetas escreveram / o valor que o peido tem / eu achei muito engraçado / o peido é feito um trem / tanto apita como ronca / na hora que o peido vem
O peido se forma em gases / no centro do intestino / que de acordo a pressão / ele faz o eco fino / em qualquer um ser humano / por mais que seja granfino
Peida o homem e a mulher / o pobre e o potentado / peida a moça bonita / o ceho e o alejado / e o peido mais fedorento / é o peido de milho assado
Tem peido que fede tanto / que é de pedir socorro / numa sala com muita gente / quando ele fumaça o forro / e sempre quem leva a culpa / é um menino ou um cachorro
Num ônibus cheio de gente / quando ele sai fedorento / sai quente e se espalha / com o calor do assento / se o ônibus for fechado / a catinga é cem por cento
Tem peido que fala fino / outro faz furututu / tem uns que a pressão é tanta / que rasga as pregas do cu / existe peido calado / e o peido que faz fufu
Tem gente mal educada / que peida em qualquer lugar / não escolhe o ambiente / no almoço ou no jantar / e o padre também peida / até no pé do altar
Tem gente que come muito / e a noite vai para missa / e no salão da igreja / quando ali se espreguiça / o peido sai apertado / fedendo feito carniça
O peido é um desabafo / para quem está empachado / alivia o intestivo / deixa o cara aliviado / mas pra quem recebe ele / fica mais que enjoado
O peido que enjoa mais / é o peido de jaca dura / de crustacio e de buchada / milho assado e tanajura / peido de sarapatel / este já é bosta pura
Peido é muito necessário / na saúde de um vivente / tem gente que solta peido / sem olhar o ambiente / falyando com o respeito / a qualquer classe de gente
O peido incomoda mais / num ambiente fechado / com muita gente suada / o calor muito abafado / e sempre é de costume / soltando um peido calado
O peido dentro da água / num poço ou numa picina / forma bolhas e vai à tona / ninguém sente a fedentina / fica a água poluída / mas ninguém sente ruina
O velho Valfrido em Escada / já tinha ouvido falar / que o peido incendiava / ele procurou provar / na luz de um candeeiro / se preparou pra peidar
Tirou a calça e encostou / o cu ao candeeiro / e quando o peido saiu / o incêndio foi ligeiro / deixando o velho Valfrido / num completo desespero
Queimou todos os cabelos / que na região havia / ele com a bunda ardendo / e gritando vem cá Maria / abanar a minha bunda / e lavar com água fria
A mulher dele contou / que passou a noite abanando / a bunda branca do velho / e ele deitado fungando / e depois com uma pomada / foi que a bunda foi sarando
O peido é inflamável / por ser gas intestinal / se ele não sair fora / a pessoa se sente mal / com gases no intestino / vai parar no hospital
Pessoas que prende peido / respeitando o ambiente / o intestino dá retorno / todo organismo sente / e se repetir várias vezes / poucas horas está doente
O peido é oportunista / sempre sai numa risada / num espirro ou num tosse / ou numa força puxada / num salto ou numa cócega / sempre ele vem na parada
O peido mais perdoável / é o peido na dormida / quando o cara está deitado / junto a mulher querida / o peido sai abafado / é um cabar de vida
O homem reclama menos / a mulher reclama mais / mas devido a amizade / não fica ninguém voraz / balança o lençol ligeiro / a catinga se desfaz
O peido é mundial / sai do rico sai do pobre / das pessoas mais humildes / e do pessoal mais nobre / e ninguém pode dizer / que o peido não lhe cobre
Peida o papa de Roma / peida o rei e a rainha / o ministro o presidente / até o chefe da marinha / e o das forças armadas / a mulher dele e a minha
Ninguem está isento / todos temos que peidar / o peido é muito comum / e sai para aliviar / o intestino da gente / nunca temos que negar
Tem madames coloridas / cheias de uso granfino / mas por debaixo do luxo / o peido grita bem fino / se for no meio de gente / ela diz foi o menino
O político também peida / quando ele vai discursar / que faz força na garganta / para bel alto falar / e cada impulso na voz / é um peido que ele dá
As coisas melhores do mundo / primeira é cagar fumando / o velho Raul me disse / a segunda é mijar peidando / e pra terminar a pergunta / a terceira é meter mamando
A filosofia do peido / é um escrito profundo / o peido é muito restrito / se acaba ao sair do fundo / e por isso poucas histórias / do peido existe no mundo
Já escrevi muito versos / batendo na poesia / onde fiz vários assuntos / restava-me escrever um dia / gastei mais de uma hora / e do peido escrevi agora / sua nobre filosofia (Bezerros, 14 de março de 2002)
Extraído da obra Memórias e contos de J. Borges (Gráfica Borges, s/d), do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges). Veja mais aqui.
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Estudos e pesquisas sobre flatulências, a Tocha Humana e coisas horrorosas a respeito aqui, aqui, aqui e aqui
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A história de Alagoinhanduba aqui, aqui e aqui
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terça-feira, fevereiro 05, 2019

STEPHEN HAWKINS, CAROL CORREIA, NARCIS IBAÑEZ PALLARES & CARTA DE FEVEREIRO


CARTA DE FEVEREIRO – Por onde andei nenhum rastro, quase nem sei dali como fui: águas na areia familiar sem impressão digital. O chão esconde as dores na sola dos sapatos gastos, pés na terra, como se a punição apagasse fevereiro sem frevo nas chuvas de um céu incendiado. A culpa, não sei, o pingado da torneira, a sensação das cinzas de fogo apagado para desconhecer os nomes do parentesco, como se fosse roupas perdidas, cartas rasgadas, coisas urgentes esquecidas, consertos adiados, batalhas que sequer venci: nenhum caminho de volta e ter de fugir a toda hora para longe ir, não sei, andanças de quem chora e sofre entre extravios e fadigas. Quando por vezes regressei, mãos vazias pelas ruas escuras e desbotadas, havia escuridão e eu estava esgotado, todavia o que voga e conta, sem limites nem horas, nada mais porque cheguei disperso pelo que me consumia na desbaratada calamidade. Não que ouvisse quem me chamasse, coisas incompreensíveis e ninguém ali, porque sabia apenas necrológios e o que não se comprazia das fortunas embalsamadas, mumificados patrimônios, objetos de borracha e tecnologia de ponta, nada valia nada, decerto, apenas o repentino frio da solidão ao vento arrepiando a alma com as portas que se fechavam por si mesmas, as vozes das crianças, os muitos mortos nas entranhas abertas do meio dia. Não sou poeta porque revolvo cinzas um canto estropiado e não me digam das cigarras escondidas no ouvido tapado pelas mãos desesperadas, porque ninguém percebe que já fui embora há muito tempo, razão alguma pra voltar. O que se pode fazer diante de tudo isso, quem sabe, não fale com o motorista, não fale, não tenho passagem nem malas. Nem buzine em frente aos hospitais, por favor, os enfermos precisam de paz. Não liguem as máquinas barulhentas, elas roem minha paciência e inflamam o planeta. Não acionem os motores, não há pressa nem levam a lugar algum, poluem demais. Não usem o telefone, não me falem, não preciso de datas ou comemorações. Não acendam as lâmpadas, prefiro escurecer sozinho mesmo. Não façam nada, oh, não façam porque é preciso viver como se tivesse que correr o mundo inteiro depois de inúmeras quedas e cartas escritas, choradas, lacradas, laceradas, rasgadas, porque a noite é imensa e perdi o caminho quando as coisas não iam lá muito bem, assim me parece. Não me digam nada, nada mais vive fora daqui já que o estrondo dos tremores rasgam as tumbas e os astros, nada mais sustenta as palavras e os versos, a vontade e os gestos desenfreados. Não há mais terraços para recitar a música das preces mais verdadeiras. A canção restou amordaçada pelos negros anos e o silêncio infame faz da minha boca a flor murcha no peito, queimando o riso, a tormenta nos lábios ressecados, dos quais o derradeiro grito goteja sílabas de sangue, lama, feridas e o martírio da carne. Quem aquele que não veio a pele ao granizo, pelos açoitados, o corpo desnudo desconhece o frio da noite, desolado e só, eu voo sem precisar ter pra onde ir ou chegar. Apenas, simplesmente, sorriso tímido, olhar em qualquer direção, a vida passa e eu voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] se descobrimos de fato uma teoria completa, ela deverá, ao longo do tempo, ser compreendida, grosso modo, por todos e não apenas por alguns poucos cientistas. Então, devemos todos, filósofos, cientistas, e mesmo leigos, ser capazes de fazer parte das discussões sobre a questão de por que nós e o universo existimos. Se encontrarmos a resposta para isto teremos o triunfo definitivo a razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus [...].
Trecho extraído da obra Uma breve história do tempo: do Big Bang aos buracos negros (Rocco, 2000), do físico e cosmólogo britânico Stephen Hawkins (1942-2018). Veja mais aqui.

MARIA & MUCUNÃ DE CAROL CORREIA
A cineasta Carol Correia dirigiu e fez o roteiro do premiado filme Maria (2015), contando a história de uma mulher que caminha pelas ruas de um passado de beleza e desventuras, ao sentar-se na calçada, acedendo um cigarro e desfrutando da sua habitual solidão. No elenco Marcélia Cartaxo e Karine Ordônio. Ela anuncia para breve o lançamento do seu novo filme Mucunã: A subsistência, a existência e a resistência. A Arte. A Revolução. Nada se apaga. Tudo se paga.  A gente se comove e sonha. Aí sente, senta, coloca no papel e luta. Só que sonho bom a gente divide com os outros e a realização plena dos sonhos só é possível através de um processo coletivo e horizontal. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE NARCIS IBAÑEZ PALLARES
A arte do artista espanhol Narcis Ibañez Pallares. Veja mais aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, fevereiro 04, 2019

ANTÔNIO MARIA, IARA BEHS & ERNESTO NAZARETH, ABELARDO DA HORA & PALHÁSSARO


PASSAVIDA, PALHÁSSARO - Há quem viva de dormir e acordar, quando não roncar e peidar, ora essa. Acorda e não desperta; se desperta, não dá conta. Oh, não! Na vera, a vida não é só isso, apenas: tem sonhos, entressonhos reveláveis e passadiços. E muito mais: aqueles que remexem pesadelos e desamparo, para saltos e retrocessos, como outros, olhos cônscios, paradoxos de eita, coisa de não entender mesmo e são. E acontece, só pra saber o impossível que nem se adivinha e é pra valer, o cúmulo do caos. Medameaça de mesmo, frientanias danadas para enfrentar. Parece mais que o tempo não termina, gastagente, só. De resto, amavive, sonhassim. Desdontem, meninadulto nas claraboias de plutão ou quase dos cantos inóspitos, arreado. Quem não quantas faces de si, disfarces, chapéus de Schopenhauer. E o mundo, muitos para aprender. Quantas vivalmas e meio a meio, nem sempre. Tem que ser para viver subires sem degraus, desceres lisos, haja pau de sebo; pisadas no asfaltarenoso, lapadas no toitiço, largos passos no chão igual a todos, para onde frente e atrás, lugares desaconchegados e enquanto, obséquios e desterro penoso, pesaroso, brenhas e lonjuras, portalguma e olhar de quem esquece o longinguo norteste, suleste, alhures. Tudo por sustos e risos, desistidos poréns, extraordinárias surpresas, vésperespanta: o alegre ou abominoso, quantos desagrados escorraços, desordens de si e de todos. Luares de rio, espelhos de Sol. Veemências ante as malícias e notícias, as medonhas ingratidões, descreres. Mais tivesse, só resta dormir mesmo e doer, por mais que nem seja. Não ser mais que a sua solidão à noitinha, candeeiro nem, pelo menos tenha: somente réstias de confidências suas, clandestino de tantas nuvens e às sete capas e sete chaves, retraído uma vez em cem, segredado; afora as notórias, veladas, dissimuladas, das idas e vindas ao coringa e todo baralho: as covardias e as intemperanças, outras quase nem vistas. Cenas que chegam do agora e tarde demais na montantesperança: retrocederes, refazimentos. Assim também vou, fui. Ocultanias entre o que se quer ouvir ou não, calar pelos cotovelos, soltar de vez por bem ou que nem deva para o que come ou bebe entre a fome e a sede, os alaridos do ignoto. Quem capaz de discernir dessas loucuras que não se sabe, doidices que saltam do comum para desenredo: relâmpagos do revertério, trovoadas da danação, chuvadas sem guarida para quem não sabe nadar. Hojagora, crástino e pretérito, quem há-de ebrifestivo ou tristeimoso, vá ver. Olhesperante, avalanchegos, pobretamaínho, infimesmado. Como as coisas se estragam, assim cada um. Carece de se advertir, divertimento tem hora, haja flagelo no cabimento das coisas e seres. Chuva, lágrimas, rios. Passavida, passavios, palhássaro voo nos caminhudos de fogáguas & terrares. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
É preciso amar, sabe? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso é confortável, de noite, pede um cais. A mulher a quem se chega. Exausto e, com a força do cansaço, dá-se o espiritualíssimo amor do corpo. [...] Amor não tem nada a ver com essas coisas. Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legitimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do prazer cumprido. No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo ascetismo da ioga... tudo é menor. O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.
Crônica Café com leite, extraída da obra Crônicas (Paz e Terra, 1996), do poeta, radialista e compositor Antônio Maria (1921-1964). Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE ABELARDO DA HORA
A arte do escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor Abelardo da Hora (1924-2014). Obras extraídas do catálogo Amor e solidariedade: Abelardo da Hora 60 anos de Arte (IAH/Dona Lindu, 2011). Veja mais aqui e aqui.

IARA BEHS & ERNESTO NAZARETH
Hoje na Rádio Tatataritaritatá especial com a pianista e compositora Iara Behs interpretando as obras do pianista e compositor Ernesto Nazareth (1863-1934). Veja mais aqui, aqui e aqui.
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Palhássaro voo nos caminhudos de fogáguas & terrares aqui
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, fevereiro 01, 2019

GUY DEBORD, EVELIN SIN, SELMA RATIS & CONCEIÇÃO RAMOS


DOS QUE PUXAM E SE ENROLAM – Da esquerda pra direta, um atrito; ou vice-versa, um choque. Ô vida, só vale bate-boca, aqui ou ali um conflito. Josuíto mesmo acusou Marcolano de desonesto! O negócio pegou fogo, virou contenda e se engalfinharam. Um segurando na beca do outro, a mãe no meio e o bafo das ruindades. Quanto mais bufavam, mais botavam lenha pra queimar. Olho no olho, arregaçado de mangas, a treta decolando o desacordo. Vem Sebruíno para apartar, precisa de pulso pra deixar por menos a desavença. Não é bem assim. Ao intervir, foi atropelado por uma carrada de razão com réplicas e tréplicas sem fim. Cada qual seu gênio e coração na roda. Tome finca-pé. A coisa incendeia com a gasguita agulha de vitrola que chega tomando partido. Foi preciso segurá-la pra não botar tudo a perder. Sebruino entusiasmado tudo fez para ela, dedo na venta, levantar a saia e baixar as calcinhas, seria o fim. Josuíto primo dela, puxou-la de lado, defendendo o marido que ronca até quase meio dia. Nessa hora Marcolano dobrou o matraqueado, ofensa ousada neles apimentou a discórdia. Alto lá, gritou ela, deitou tintim por tintim no dissenso. Eu sou homem! Ah, não é lá grande coisa, não, se trouxer a fita métrica, a prova dos nove. Venha ver se não arregaço, quenga! Duvido fazer o teste da goma, disse ela como se acreditasse na sorte numa vida só de fiasco, digeria seus dissabores. O frege subiu de temperatura. Ou tira essa mulher daqui, ou eu não me responsabilizo!, decidiu a vítima. Faz o quê, ouse se for macho! A querela já ia nas alturas da esquina, levando o rolo pelas ruas, e tome gente dando pitaco, atiçando. Não é pra menos, as rusgas são cumprimentos; escaramuças, as saudações: Aquele fidumégua é corno até debaixo d’água, só se salva porque é meu amigo e pronto! A forma carinhosa e terna no tratamento entre uns e outros é como se uma peleja estivesse pronta pro pugilato: Esse fidapeste só não tem hipocondria, mas o resto, carrega tudo no couro, verdadeira boceta de Pandora! A amizade é um laço feito de duelos em descascar a reputação do outro: Esse fuleiro caipora fuma tanto que até as plantas no jarro tossem de madrugada na casa dele! E a certidão da amizade dá-se arranhando a cara outro: Como é? Ah, esse punheteiro só para o vício quando dá câimbras ou nas mãos ou no pau! Duvida? Assim os compadrios estreitos, pessoas íntimas, da laia, um dia chegam ao rompimento: Quem segura amizade com um sujeito perdulário desse, hem? Chararau, veio desgraça pro compadre e, evidentemente, que os achegados tinham outros planos e não contavam com uma moleza dessas, azar o dele, fica para trás. Mas onde come um, comem todos; na hora da requesta: De que lado você está mesmo, hem? Um pé de peru sempre alivia a cizânia: Olhe aqui que eu trouxe procê, tá vendo? Gostou? Isso é só pros do coração, viu? E quando a coisa entorta: Basta seguir o que digo que haverá solução para tudo, hem hem. Em cima da cartilha a lição pra qualquer disputa. Na cisão, o escárnio: Um ou outro aqui que vivem; a maioria, só existe mesmo, figurantes, caboetas. De qualquer forma tem algo errado, tem de ter. Há quem diga: Quem me dera, daria qualquer real para viver em paz, e toca fogo no primeiro boato que ouve. Assim caminha a comunidade: feliz e risonha entre vamos juntos e cada um por si, pendengas e rasga-boca, insultos e palminhas nas costas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência a fazer ver (por diferentes mediações especializadas) o mundo que já não se pode tocar diretamente, serve-se da visão como um sentido privilegiado da pessoa humana – o que em outras épocas fora o tato; o sentido mais abstrato, e mais sujeito à mistificação, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual [...] O princípio do fetichismo da mercadoria, a dominação da sociedade por “coisas supra-sensíveis embora sensíveis”, se realiza completamente no espetáculo, no qual o mundo sensível é substituído por uma seleção de imagens que existe acima dele, e que ao mesmo tempo se faz reconhecer como o sensível por excelência [...] o uso sob sua forma mais pobre (comer, morar) já não existe a não ser aprisionado na riqueza ilusória da sobrevivência ampliada, que é a base real da aceitação da ilusão geral no consumo das mercadorias modernas.O consumidor real torna-se consumidor de ilusões. A mercadoria é essa ilusão efetivamente real, e o espetáculo é a sua manifestação geral [...] O espetáculo é a outra face do dinheiro: o equivalente geral abstrato de todas as mercadorias. O dinheiro dominou a sociedade como representação da equivalência geral, isto é, do caráter intercambiável dos bens múltiplos, cujo uso permanecia incomparável. O espetáculo é o seu complemento moderno desenvolvido, no qual a totalidade do mundo mercantil aparece em bloco, como uma equivalência geral àquilo que o conjunto da sociedade pode ser e fazer. O espetáculo é o dinheiro que apenas se olha, porque nele a totalidade do uso se troca contra a totalidade da representação abstrata. O espetáculo não é apenas o servidor do pseudo-uso, mas já é em si mesmo o pseudo-uso da vida [...]
Trechos extraídos da obra A sociedade do espetáculo (Contraponto, 1997), do escritor e pensador francês Guy Debord (1931-1994), denominando o período atual de sociedade de consumo ostentatório e do espetáculo, por conta da ênfase que o mundo moderno/pós-moderno dá à imagem, provocando um deslizamento do “ter” para o “parecer”, na qual a mercadoria (descartável) consumida tem um lugar preponderante e é exaltada de forma significativa. Acrescenta o autor que a teatralidade é outra característica desse tipo de sociedade, na qual cada membro se insere como um ator na cena social, com grande contribuição da mídia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da poeta, grafiteira e artista Evelin Sin, ou simplesmente Sinhá e também conhecida como Eveline Gomes, é autora dos livros Devolva Meu Lado De Dentro (2012), Na Veste Dos Peixes As Palavras De Ontem (2014), Manga Espada (2015) e Fevereiro (2018). Veja mais aquiaqui.

DOSE DUPLA DE POESIA:
DOIS POEMAS DE SELMA RATIS
PERGUNTA – Oh! Mulher o que é isso aí? / - É tudo que você / quiser que seja! / O cálice onde você / bebe e se embriaga / com o vinho / da fantasia. / É a fonte onde / sua imaginação se sacia / é a montanha onde / você sobre até o / cume do prazer! 
BRAGUILHA – Ao ver um homem / em pé, vestido / isolado, semelhante / a uma ilha. / O que me encanta / não é o peito, a barriga. / Não são os sapatos / a combinar com as meias. / O que me atrai e seduz / é o contorno, o desenho / da braguilha.
Poemas recolhidos da obra Falo com flauta & poesia (Babecco, 2012), da poeta Selma Ratis.
DOIS POEMAS DE CONCEIÇÃO RAMOS
PALMARES – Paixão, / história, / memória, / meu chão... / Meu berço, / minh’alma, / meu terço, / minha calma. / Lembranças, / fantasias, / crianças, / poesias. / Meu povo, / minha gente, / meu tesouro, / minha mente. / Razão... minhas dores! / Emoção... Meus amores!
Poema extraído da obra Íntima mente tua (Tarcisio Pereira, 2017).
MULHER – Beleza / cor / sabor / alegria / furor / música / luz / o toque / o tom do batom / e o perfume da flor; / bendita seja a palavra bem dita / na intimidade feminina / pois estará nela / todo o desejo de continuar... / VIVA!
Poema extraído do livro Ver melhor (Tarcisio Pereira, 2018), da professora e poeta Conceição RamosVeja mais aqui
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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