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domingo, março 01, 2015

BOTTICELLI, TODOROV, CHOPIN, MARCIAL, VIANNINHA, RIVETTE, PRESOTTO & EGUMBIGO!

EGUMBIGOS NO PAÍS DOS INVISÍVEIS – Ora, ora! Para quem vem de lá para cá, ou vai daqui pra lá, só tem umbigo: confidências absortas, cabeça à mil dos desejos e nada mais tem sentido. É tudo invisível: injustiça, fome, desigualdade, violência, pedintes, presidiários. Só com o umbigo se come vidros no deleite das ofertas e na navegação da última moda. Pra que tristeza se tem as teclas da felicidade ao alcance dos dedos e ouvidos? Sozinho não fica, xô solidão! Basta ser feliz na redoma dos egumbigos e o resto que se foda! Veja mais aqui, aquiaqui.

Imagem: O nascimento de Vênus, do pintor italiano Sandro Botticelli (1445-1510). Veja mais aqui.

Ouvindo Noturnos, do compositor e pianista polonês Frédéric Chopin (1810-1849), na interpretação do pianista brasileiro Artur Moreira Lima. Veja mais aqui e aqui.

OS EPIGRAMAS DE ESCÁRNIO E LICENCIOSIDADE – O poeta latino Marcial (40 a.C – 104 d.c) retratou nos seus epigramas a ironia e mesmo obscenidade, o cotidiano e as fraquezas da sociedade romana da época dos Flávios. Suas primeiras obras de sucesso foram o Liber spectaculorum, com mais de trinta poemas em exaltação aos jogos e as coletânea de poemas comemorativos para as festas em honra ao deus Saturno, Xenia e Apophoreta. Começou, então a publicar a genial série de 12 livros de Epigramas (85-100), onde escreveu com desenvoltura textos mordazes, retratos satíricos, anedotas, quadros, trocadilhos e poemas de ocasião, uma verdadeira crônica de seu tempo e ao mesmo tempo um diário do poeta, considerado o mais original da literatura latina. O primeiro epigrama que destaco é este: Qualé, Flaccus, meu tipo de mulher? uma nem fácil nem muito difícil. O meio termo pra mim ainda é o melhor: uma que não me esfole nem me deixe mal. Este outro epigrama trata sobre o livro: Certamente podias conter três centenas de epigramas, Mas quem te suportaria e te leria inteiro, meu livro? Aprende agora quais são as vantagens de um livro pequeno. Esta é a primeira: que menos papel é gasto por mim; Além disso, em uma hora o copista termina estes versos, E ele não gastará tanto tempo com minhas bobagens; A terceira razão é esta: que se acaso tu fores lido por alguém, Mesmo que sejas muito ruim, não serás desprezível. O convidado te lerá enquanto o vinho for misturado, Mas antes que o cálice servido comece a ficar quente. Crês que estás protegido por tamanha brevidade? Ai! Que para tantos leitores ainda assim serás longo! Veja mais aqui.


A CONQUISTA DA AMÉRICA – No livro A conquista da América: a questão do outro (Martins Fontes, 2003), o filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov faz a exposição de suas pesquisas a respeito do conceito de alteridade na relação entre as pessoas envolvidas em grupos sociais distintos, tendo como tema central a questão do imigrante diante das ações de xenofobismo. Ou seja, a descoberta que faz o eu do outro, tratando sobre o descobrir, o conquistar, o amar e conhecer, a partir de observância da igualdade e desigualdade, das tipologias das relações com outrem, o escravismo com observância do colonialismo e da comunicação, Montezuma e os signos, entre outros importantes assuntos. Veja mais veja mais aqui, aquiaqui.

RASGA CORAÇÃO – O drama que ganhou o Prêmio SNT 1974, Rasga Coração, do dramaturgo, ator e diretor Oduvaldo Vianna Filho -  o Vianinha (1936-1974), é nas palavras do próprio autor uma homenagem ao lutador anônimo político, aos campeões das lutas populares, preito de gratidão à Vela Guarda, à geração antecedente que foi a que politizou em profundidade a consciência do país. Segundo ele, a peça estuda as diferenças que existem entre o novo e o revolucionário, contando a história de Manguari Pistolão, lutador anônimo, que depois de quarenta anos de luta por aquilo que achava novo, revolucionário, vê seu filho acusa-lo de conservadorismo, antiguidade e anacronismo. Na cena 9 do segundo ato, encontramos o personagem Manguari se expressando: Não posso mais, não posso mais viver com uma pessoa que me olha como se eu estivesse morto! Como se todas as pessoas que estão aí fora gemendo no mundo fossem a mesma coisa! Como se não houvesse dois lados! E eu sempre estive ao lado dos que têm sede de justiça, menino! Eu sou um revolucionário, entendeu? Só porque uso terno e gravata e ando no ônibus 415 não posso ser revolucionário? Sou um jovem comum, isso é outra coisa, mas até hoje ferve meu sangue quando vejo do ônibus as crianças na favela, no meio do lixo, como porcos, até hoje choro, choro quando vejo cinco operários sentados na calçada, comendo marmitas frias, choro quando vejo vigias de obras aos domingos, sentado, rádio de pilha no ouvido, a imensa solidão dessa gente, a imensa injustiça. Revolução sou eu! Revolução pra mim já foi uma coisa pirotécnica, agora é todo dia, lá no mundo, ardendo, usando as palavras, os gestos, os costumes, a esperança desse mundo, você não é o revolucionário, menino, sou eu, você no meu tempo, chama-se Lorde Bundinha que nunca negou que era um fugitivo, você é um covardezinho que quer fazer do medo de viver, um espetáculo de coragem! Veja mais aquiaqui.

VIDRÁGUAS, ENCAIXES & POSTIGOS – A poetamiga Carmen Silvia Presotto além de ser autora de livros encantadores, é também editora e responsável pelo Projeto Vidráguas e de projetos culturais lá no Rio Grande Sul. Em uma das vezes que nos encontramos, recebi seus livros, li-os e adorei, tanto que propus que ela me concedesse uma entrevista exclusivíssima sobre suas atividades. Sempre generosa e amável, fui premiado tanto com o seu depoimento como pela oportunidade de conhecer seus livros, entre os quais, destaco o seu poema Livre: Redesenho o cotidiano / Pontos / E tramas / - coisa absurda – / Me ouço em outros poemas / Feito sussurro ao vento. Veja a entrevista e mais poemas dela aqui e aqui.


LA BELLE NOISESUE – O encantador drama franco-suíço-italiano La belle noisesue (A bela intrigante, 1991), do cineasta francês Jacques Rivette é baseado no conto Le chef-d´ouvre incomu (1831) do autor francês Honoré de Balzac (1799-1850) e de três contos recolhidos da obra do escritor estadunidense Henry James (1843-1916). O filme é belíssimo valendo-se não só das imagens paradisíacas proporcionadas pelas atrizes Jane Birkin, Emmanuelle Béart e Marianne Denicourt, como pelo talento de gênio de seu diretor. Indispensável. Veja mais aquiaqui.


Veja mais sobre:
Todo dia, a primeira vez, Gilvan Samico & Paul Mathiopoulos aqui.

E mais:
Afrodite & O julgamento de Páris, Lya Luft, Marcia Tiburi, Cacilda Becker, Diana Krall, José Celso Martinez Corrêa, Krzysztof Kieslowski, Jeanne Hébuterne, Débora Arango, Julie Delpys & Enrique Simone aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas e cheio de nó pelas costas, Viviane Mosé, Ralph Waldo Emerson, Isaac Newton, o Método Perigoso de Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, A Síndrome de Klüver-Bucy, Auguste Comte & Cloltilde de Vaux aqui.
Slavoj Zizek, Victor Hugo, Pier Paulo Pasolini, Agildo Ribeiro, Silvana Mangano, Honoré Daumier, Altay Veloso & Maria Creuza aqui.
Li Tai Po, Paul Ricoeur, Millôr Fernandes, Carlos Saura, Ralph Gibson, Salomé & Aída Gomez, Ronaldo Urgel Nogueira & Mônica Salmaso aqui.
O morto e a lua, Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Louis Malle, Montaigne, Lisztomania, Juliette Binoche, Virginia Lane, Luhan Dias & Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, Gonzaguinha, Rosie Scribblah, Milton Dacosta, Jean-Michel Basquiat, Nitolino & Literatura Infantil aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, Claude Monet, Ewald Mataré, Chris Maher, Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa – lições de ontem e de hoje pro que não é: Platão, Cícero, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Georg Lukács, Norbert Elias, Zygmunt Bauman & aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Debora Klempous, Amadeo de Souza-Cardoso, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
As escolhas entre erros e acertos, Armand Pierre Fernandez, Alexandra Nechita, Raceanu Adrian & Laura Canabrava aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, Peter Greenaway, Dalu Zhao, Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
Todo dia o primeiro passo, José Orlando Alves, Gilberto Mendonça Teles, Belle Chere & David Ngo, Lia Rodrigues Companhia de Danças & Maria Núbia Vítor de Souza aqui.
Pelos caminhos da vida, A lenda Tembé do incêndio universal e o dilúvio, Benedicto Lacerda, Ferdinand Hodler, Clodomiro Amazonas, Alessandro Biffignandi, Diane Arbus & Ligia Scholze Borges Tormachio aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, maio 16, 2014

INGEBORG BACHMANN, SOFI OKSANEN, GURINDER CHADHA, ALICE PAUL & ROSA

 


A DANÇA DE ROSA NA ÓPERA DO CAVALO – ATO 1 – A DANÇA - Imenso salão e lá está ela em pé de costas, com seu vestido negro, ao som da Sonata para Violino nº 3 – Melodia e nº 4 Presto, de Béla Bártók. Fita as velas acesas. De repente tira os sapatos e descalça transita pelo espaço enorme. Então se deita sobre o frio piso, rola o chão, levanta-se e rodopia, braços abertos com passos firmes desenvolve uma coreografia inspirada em Anne Teresa De Keersmaeker. E lá chego na carreira para encontrá-la Fumiyo Ikeda pro nosso pas de deux. E dançamos e rolamos pelo chão e crescemos juntos e pulo no voo, tiro o paletó e faço o solo para que tenhamos o nosso momento de ir embora. ATO 2 – A ÓPERA DO CAVALO –  Lá estava ela jogadora de tênis acendendo o cigarro enquanto as bolas rolavam no piso ao som dos arcordes de Andriessen. O amante à luz noturna seguia firme, outros acompanhavam enquanto o balé pelas tábuas do piso rastejava o matadouro sob os olhos da investigadora. Ela expõe o glúteo rebolador sob a saia curta ao pegar o isqueiro, acendeu o cigarro em tragadas oníricas, sob o olhar dos supostos jogadores que passavam giz no taco imaginando-a caçapa da sinuca. À invasão de intrusos ela se desfez da peruca, largou os óculos e as vestes, seguiu ao estrado para adorar o cavalo do amante. Foi desmascarada e completamente desnudada sacudiram-na ao sofá. Ajeitou-se aboletando-se às tragadas: pensava naquele que preferia o cavalo, ignorando-a, enquanto desejava que ele a fizesse sua égua, adorando-a com o mesmo fervor que dedicava àquela montaria. O sonho dela nua sob as investidas certeiras do amo reverberava entre bailarinos e figurantes engalfinhados promiscuamente, todos fodiam como cachorrinhos ao som dos acordes da Im Sommerwind de Webern. Ele então se aproxima e espanca-a até tê-la Conchita, a estendê-la às palmadas nas nádegas, ela sorridente deliciosa, revirando-a a afagar-lhe violentamente os seios e a possuí-la inclemente. Abruptamente abandona-a e solitária ela unta o corpo nu com óleo negro provocando-o para estrupá-la por trás ao dedilhado do piano. E a trota dançante enquanto beija a partitura e a distribui aos demais presentes para que todos os cavalos trotem e possam galopar sob as ordens do ufano cavaleiro de todos os mandos, enquanto ela supliciada chora abandonada abundantemente. Fez-se égua ao seu cavaleiro. E ele cavalgava pelos desertos distantes e amava seus cavalos que escravizavam índios, caras-pálidas, dançarinos, beberrões, campesinos, abastados, o poderoso fazendeiro com seus capangas no galope. Entristecida com todas as lágrimas como se fosse a de Hiroshima do Vinícius, girava na cadeira. O trem passava tronitruante com as notícias das mortes de Bucket, Arcadio, Zick, Marseil, Juan Manuel, Butlizer, Fallthuis, Felixchange & Lennon. Ela bêbada fumando os tiros do assassinato é levada ao sacrifício, torturada, sevidiada, abusada, até ser deitada sobre o morto a chamá-lo, ambos aprisionados pela turba. Mais estupram-na e é a festa popular correndo solta, o morto enfim crucificado e ela com ele, para sempre na chuva e no fogaréu, sucumbem. Ela não sabia que renasceu no meu coração e me trouxe a sorte como se fosse a dos Ventos e se fez Amarela como presente de Afrodite a Eros e, por isso, a louvarei como se fosse a de Pixinguinha, celebrando Esmeralda com a morte do compositor. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Nunca haverá uma nova ordem mundial até que as mulheres façam parte dela. Nunca duvidei que a igualdade de direitos fosse a direção certa. A maioria das reformas, a maioria dos problemas são complicados. Mas para mim não há nada complicado na igualdade comum. Quando você coloca a mão no arado, você não consegue largá-lo até chegar ao final da linha. Pensamento da ativista feminista e sufragista estadunidense Alice Paul (1885-1977).

 

ALGUÉM FALOU: Eu sei que parece muito estranho, mas somos todos crianças que buscamos a aprovação de nossos pais. Quando lhe dizem que, como cineasta negra, as histórias que você quer contar não são comerciais o suficiente, você começa a pensar: 'Vou contá-las de qualquer maneira.' Quanto mais faço filmes, mais me sinto menos inclinada a falar sobre eles e apenas deixar as pessoas assisti-los. Sinto que as fotos contam a história e não posso acrescentar nada, exceto apenas falar sobre os detalhes técnicos do que aconteceu naquele dia. Pensamento da cineasta e roteirista queniana Gurinder Chadha.

 

ROSA – O curta-metragem Rosa (1992), dirigido por Peter Greenaway, apresenta o encontro de um casal de bailarino durante dois movimentos da Sonata para Violino, de Béla Bartók, foi filmado na Gent Opera House com coreografias de Anne Teresa De Keersmaeker. Já o longa-metragem Rosa, A Horse Drama (1994), é uma ópera em 12 cenas do compositor holandês Louis Andriessen com libreto da série Death of a Composer de Peter Greenaway, que explora as mortes de dez compositores do século 20, dois reais, nos casos de Webern e Lennon, e os demais fictícios, contando a história do compositor argentino fictício Juan Manuel de Rosa, que escreve trilhas sonoras para faroestes e é assassinado no Uruguai. Sua noiva Esmeralda inveja o cavalo de Rosa, porque ele o ama mais do que ela. Rosa se apaixona por seu cavalo enquanto maltrata sua noiva, Esmeralda Boscano, que escreve constantemente para a mãe sobre esses acontecimentos. Num movimento desesperado para atrair a atenção de Rosa, ela se despe e se cobre com tinta preta, na tentativa de se parecer com o cavalo de Rosa, uma égua preta. Enquanto isso, dois cavaleiros, possivelmente irmãos de Esmeralda, avançam sobre Rosa enquanto ele cavalga e o matam a tiros. Eles então realizam o casamento de Esmeralda com o cadáver de Rosa. Acontece que Rosa deixou um testamento com uma frase "Quando eu morrer, mate meu cavalo e queime-o". A ópera termina com o cadáver nu de Rosa montado em seu cavalo morto que foi eviscerado e agora contém Esmeralda e todo o dinheiro de Rosa. Tudo é então queimado. A ação se passa em um matadouro abandonado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

JANE - [...] Bem, você quer fazer alguma coisa? - Eu acho que não. - Acho que você quer ir a algum lugar, ver gente? - Na verdade. Não tenho nada a ver com ninguém. Não há nada para conversar com ninguém. Não há o que conversar quando você não vê ninguém, não faz nada, não vai a lugar nenhum. - Você deveria ir a algum lugar e fazer alguma coisa? - Por que? - Bem, havia algo para conversar. - Mas você não sabe se quero falar com alguém. Por que eu falaria? [...]. Trecho extraído da obra Baby Jane (WSOY, 2005), da escritora e dramaturga finlandesa Sofi Oksanen, que da sua arte expressa: Escrever é como representar, a questão é que está no papel, escrever um ato político e os livros são importantes para criar opinião.

 

SEM DELICADEZAS - Nada mais me agrada. \ Devo\ guarnecer uma metáfora\ com uma flor de amêndoa?\ crucificar a sintaxe\ sobre um efeito de luz?\ Quem despedaçará o crânio\ por coisas tão superficiais —\ Aprendi a levar em consideração\ as palavras\ que lá estão\ (para a classe mais baixa)\ fome\ vergonha\ lágrimas\ e\ escuridão.\ Saberei lidar\ com o soluço impuro,\ com o desespero\ (e ainda me desespero de desespero)\ com a muita miséria,\ o estado dos doentes, o custo de vida.\ Não desprezo a escrita,\ mas a mim.\ Os outros sabem\ sabe Deus\ se entender com as palavras\ Não sou meu assistente.\ Devo\ aprisionar uma ideia,\ conduzi-la até uma célula iluminada da frase?\ alimentar olho e ouvido\ com bocados \de palavras da melhor qualidade? \ analisar a libido de uma vogal,\ investigar o valor erótico de nossas consoantes?\ Tenho que\ com a cabeça destruída por granizo,\ com a cãibra por escrever com esta mão,\ sob a pressão da tricentésima noite,\ rasgar o papel,\ varrer as tramas de palavras operísticas,\ destruindo assim: eu tu e ele ela isso\ nós vós?\ (Devo, sim. Devem os outros.)\ Minha parte, que se perca. Poema da da poeta e filósofa austríaca Ingeborg Bachmann (1926-1973). Veja mais aqui.

 


DO INDIVIDUALISMO POSSESSIVO AO UMBIGOCENTRISMO DA FUTILIDADE – Já dizia o filósofo e político italiano, um dos expoentes da pós-modernidade, Gianni Vattimo: “[...] significa que hoje temos laços comunitários menos fortes, enraizamentos menos profundos na família e com a comunidade do território, não acreditamos mais na raça”. Veja mais do Umbigocentrismo. Veja mais do autor aqui


A MULHER E A SORTE PARA SÖREN AABYE KIERKEGAARD (1813-1855) – “[...] A sorte não nos bafeja muitas vezes, devemos pois aproveitá-la o mais possível quando se apresenta; o mal está em que não é de modo algum difícil seduzir uma jovem, mas sim encontrar uma que valha a pena ser seduzida”. (Diário de um sedutor, Kierkegaard). Veja mais Filosofia. Veja mais do autor aqui.

A VIDA SEMPRE POR UM TRIZ – Já dizia Baudelaire: “Felizmente, essa imaginação interminável só durou um minuto, pois num intervalo de lucidez, às custas de um grande esforço, você conseguiu olhar para o relógio. Mas já outra corrente de ideias o está levando; por mais um minuto o fará rolar no seu redemoinho vivo, e esse outro minuto será uma eternidade. Pois as proporções do tempo e do ser estão totalmente distorcidas pela quantidade e intensidade das sensações e das ideias. Parece que se está vivendo várias vidas de homem no espaço de uma hora”. (Charles Baudelaire, O poema do haxixe. Rio de Janeiro: Newton Compton, 1996). Veja mais aqui

TRIBO IK – Por força de uma determinação governamental, a tribo Ik caçadores das montanhas do norte de Uganda, foi transferida das suas terras de caça para um território com solo árido e rochoso. O resultado dessa decisão provocou a fome entre esse povo montês, definhando por falta de alimento e deteriorando sua estrutura social. A fome predominava e, por causa disso, uns se voltaram contra os outros, abandonando os sentimentos de amor e afeição que havia entre eles. As crianças da tribo que não conseguiam encontrar comida eram deixadas em cercados à espera da morte, juntamente com os avós deixados à míngua.


ANTÍPODAS TROPICAIS, DE ADRIANO NUNES – Já tem data marcada para o lançamento do segundo livro do poeta alagoano Adriano Nunes, Antípodas Tropicais, pelo selo da Editora Vidráguas, da poetamiga e editora Carmen Presotto. Em Maceió, o lançamento ocorrerá no próximo dia 28/05, às 11hs, na Editora/Livraria Edufal, no campus da Ufal. Imperdível. Veja mais Adriano Nunes.


Veja mais sobre:
Da semente ao caos, Lasciva na Ginofagia & a arte de Vanice Zimerman aqui.

E mais:
Toni Morrison & A Filosofia de Schelling aqui.
O Princípio Federativo de Proudhon & a poesia de Ione Perez aqui.
A obra de Hermes Trismegistos & o cinema de István Szabó aqui.
Aleister Crowley & Regina Spektor aqui.
Alan Watts & O Sétimo Selo de Ingmar Bergman & Bibi Anderson aqui.
O Novo Organum de Francis Bacon & a poesia de Marinez Novaes aqui.
A Filosofia de Deleuze & Guattari, O Umbigo de Rubens Rewald & Anna Cecília Junqueira aqui.
Clarice Lispector & Helena Blavatsky aqui.
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André Breton, Marlos Nobre, Nikos Kazantzákis, Toni Morrison, Milos Forman, Adolf Ulrik Wertmüller, Natalie Portman & Tanussi Cardoso aqui.
Carson McCullers, Nicolau Copérnico, Max Klinger, Rogério Tutti, José Carlos Capinam, Alberto Dines, István Szabó & Krystyna Janda aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
A injustiça braba de todo dia aqui.
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As trelas do Doro: o bacharel das chapuletadas aqui.
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A Ilha Deserta de Deleuze & Guattari, a piada Será que tá morto aqui.
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O nome dela é amor aqui.
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segunda-feira, agosto 05, 2013

TUNGA, MARIA LUISA BOMBALL, MARÍA RAMÍREZ DELGADO, HUMOR & PERSONALIDADE

 

TUNGA – Do chão da minha terra: afinidades afetivas à luz de dois mundos. Era como se de Vê-nus histórias incandescentes atravessassem o peito e a voz pra cantar. O querido amigo à sombra da lâmpada, o mar a pele, a bagunça debaixo do meu chapéu: Inside out, upside down, Cooking cristals. Do chão da minha terra horizontes cambiantes e eu sou o Boneco de cristal a recitar: Todos túneis por parares \ Topas toro tapa rochas \ Se das beiras parte rachas \ Pares ouro bordas aros \ Soas artes para taras \ Torpes poros tortos ossos. Do chão da minha terra encarnações miméticas, lúcido nigredo, medula, as potências do orgânico e os Obscuros Objetos do Prazer. Ao meu olhar do chão da minha terra Woman with Lion Skull. À minha pálpebra uma aranha de prata, borracha, chumbo, asas de mosca, fio de nylon, luzes infravermelhas e ultravioletas: era outras hestórias do chão da minha terra e dela revia a antinomia, a trança, a quimera, Vers La Voie Humide, Psicopompo Cooking Crystal, Marionettes, o Portal, o Nervo de Prata e as Preliminares do Palíndromo Incesto. Do chão da minha terra a Tríade Trindade, Laminated Souls, as 100 redes e tralhas, o Barroco de Lírios, Twins & Snakes, Presolar, outros Psicopompos, Amber Chamber, enfim, do chão da minha terra todas narrativas ficcionais: Sabe-se lá o que vai acontecer… Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Paciência e amor podem fazer qualquer coisa. Mas também sei que para ignorar a alegria enquanto dura, em favor de lamentar o destino, é um grande crime. Pensamento da escritora estadunidense Nancy Farmer. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Para o último terço da vida resta apenas o trabalho. Só ela é sempre estimulante, rejuvenescedora, excitante e satisfatória. Pensamento da escritora e artista plástica alemã Käthe Kollwitz (1867-1945). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

O ENVOLTO - [...] E pode, pode muito bem, que as mortes não sejam todas iguais. Pode ser que, mesmo após a morte, todos sigamos caminhos diferentes. [...] Tem que ser criterioso no amor”, ela costumava aconselhar a si mesma. E ela de fato conseguira muitas vezes ser sensata. Conseguira adaptar o seu próprio amor veemente ao amor medíocre e limitado dos outros. Trêmula de ternura e verdade, muitas vezes conseguia sorrir, levianamente, para não espantar aquele amorzinho que vinha ao seu encontro. Porque não amá-los demais talvez seja a melhor prova de amor que se pode dar a certos seres, em certas ocasiões. Será que todos aqueles que nascem para amar vivem como ela viveu?, afogando minuto a minuto o que há de mais vital dentro dela? [...]. Trechos extraídos da obra La amortajada (Universidad Nacional Autonoma, 2005), da escritora chilena Maria Luisa Bomball.

 

UM POEMA - APITO DE PEDRAS - Eu tenho todas as facas enfiadas na minha cabeça. \ No crepúsculo escolho uma para cantar. Enterradas na minha consciência, alavancas apertadas e metódicas, quebram a minha dureza, afastam-se enquanto abrem tenores, apontam para o céu impertinentes, desconhecem o medo. \ Meu cabelo os absorve em uma vibração galante, o tédio dos fenômenos vem até mim, o moedor sibila, espantando as pedras, em sua chegada pálida a borda se estende na trágica umidade. Poema da escritora e professora venezuelana María Ramírez Delgado.

 


ADÁGIO DO UMBIGOCENTRISMO
Para quem só vive de enxergar seu próprio umbigo, todo o resto não faz o menor sentido.

Como antídoto para o rifão dos sectários do umbigocentrismo veja mais aqui e aqui.

TEORIAS DA PERSONALIDADE – O livro Teorias da personalidade: da teoria clássica à pesquisa moderna, de Howard Friedman e Miriam Schustack, trata de temas como a personalidade e a ciência, apresentação preliminar das perspectivas, uma breve história da psicologia da personalidade, o teatro e auto-representação, religião, biologia evolucionista, avaliação, teoria moderna, inconsciente, self, singularidade, gênero, circunstancias, cultura, personalidade de acordo com o contexto, como a personalidade é estudada e avaliada, medindo a personalidade, tendenciosidade, variedade de medidas da personalidade,o plano de pesquisa, a ética da avaliação da personalidade, a perspectiva psicanalítica, as perspectivas neoanaliticas e a identidade, perspectivas biológicas, behaviorista. Perspectivas cognitivas e sociocognitivas, traço e habilidade, perspectiva humanista e existencial, perspectiva interacionista pessoa-situação, diferenças entre homens e mulheres, estresse, adaptação, diferenças de saúde, diferenças culturais e étnicas, amor e ódio, as oito perspectivas, entre outros assuntos.
TEORIAS DA PERSONALIDADE – O livro Teorias da personalidade, de Jess Feist e Gregory J. Feist, aborda a introdução definindo o que é personalidade e o que é teoria, a psicanálise de Freud, níveis da vida mental, instancias da mente, dinâmica da personalidade, mecanismos de defesa, estágios de desenvolvimento, a psicologia individual de Adler, a psicologia analítica de Jung, a teoria das relações de Klein, a teoria de Horney, a psicanálise de Fromm, a teoria interpessoal de Sullivan, a teoria de Erikson, as teorias humanistas e existenciais, a teoria holística de Maslow, a teoria centrada de Rogers, a psicologia existencial de May, teorias disposicionais, a psicologia do individuo de Allport, a teoria de Eysenc & McCrae & Costa, teorias da aprendizagem, a análise comportamental de Skinner, a teoria sociocognitiva de Bandura, a teoria de Rotter e Mischel, a psicologia dos constructos de Kelly, entre outros assuntos. 
TEORIAS DA PERSONALIDADE – O livro Teorias da personalidade, de James Fadiman e Robert Frager, trata de assuntos como a psicanálise de Freud, a psicologia analítica de Carl Jung, a psicologia individual de Alfred Adler, a psicologia do corpo de Wilhelm Reich, a gestalt-terapia de Perls, a psicologia da consciência de William James, o behaviorismo radical de Skinner, a perspectiva centrada no cliente de Rogers e a psicologia da auto-realização de Maslow, as teorias orientais da personalidade, zen-budismo, ioga e a tradição hindu, sufismo, entre outros assuntos.

REFERÊNCIAS
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade.São Paulo: Harbra, 2002.
FEIST, Jess; FEIST, Gregory. Teorias da personalidade. São Paulo: Mcgraw-Hill, 2008.
FRIEDMAN, Howard; SCHUSTACK, Miriam. Teorias da personalidade: da teoria clássica à pesquisa moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

RELIGIÃO, PSICOPATOLOGIA & SAÚDE MENTAL – O livro Religião, Psicopatologia & Saúde Mental, de Paulo Dalgalarrondo, trata de temas como do coletivo ao individual acerca da temática, o fenômeno sociocultural e a experiência psicopatológica, religião em uma certa tradição, a definição do fenômeno religioso, campos semânticos, religião e religiosidade, espiritualidade, fé, mística e magia, formadores do campo teórico sob a observação da sociedade e a cultura, foco no individuo, a psicologia da religião, a psicologia empírica, o curso da vida, os grupos etários, o gênero, a neuropsicologia da religião, o cérebro e a experiência religiosa, religião e personalidade, identidade e noção de pessoa, as matrizes religiosas brasileiras, as várias religiões, a porosidade do campo religioso no Brasil, psicopatologia e religião, loucura e religião, melancolia e loucura religiosa, Kraepelin, De Sanctis, Schneider, Jaspers, o delírio religioso, a distinção entre fenômenos religiosos e psicopatológicos, psicopatologia do religioso na contemporaneidade, saúde física e religião, pesquisa médicas e epidemiológicas, religião e depressão, religião e suicídio, religião e outros transtornos mentais, religião e esquizofrenia, bem estar, qualidade de vida e rede de apoio social, aspectos negativos da religião sobre a saúde mental, avaliação geral da pesquisa sobre saúde mental e religião, estudo sobre religião e saúde mental de relevância histórica e estudos contemporâneos, balanço entre teoria e investigação empírica no campo da saúde mental e religião, limitações de estudos e sinopses dos estudos empíricos, a complexidade dos contextos, a religião como sistema privilegiado de constituição de sentido e ressignificação do sofrimento, a aflição e demanda da religiosidade brasileira, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

REFERÊNCIA
DALGALARRONDO, Paulo. Porto Alegre: Artmed, 2008.


Veja mais sobre:
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.

E mais:
Crônica de amor por ela aqui.
O Recife do Galo da Madrugada aqui.
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