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terça-feira, agosto 13, 2019

LUCIEN SFEZ, FERNANDO ARRABAL, LUCIA SANTAELLA, BRUNO GIORGI, DAREL & ALAGOINHANDUBA


CIDADE DEVASTADA, MEMORAÇÃO – Alagoinhanduba não existe, nunca existiu, parece. Alguém apenas lembrava vagamente e não sabia como nem causa. Suspeita-se que seus mortos resistiram ao esquecimento e os fundadores rebelados induziram a uma indecifrável e aparente vingança em honra dos ancestrais, para cancelamento das cidades atuais. Ressurretos tramaram com sofreguidão enlouquecer os vivos, feito invasores da memória, como recidiva - como se os que se foram dali na suposta tragédia, provocassem suas cobaias vivas no presente, domados para que não se esquecessem de nada ocorrido. Tudo começou com simples sonho de um morador desconhecido: um pesadelo com a tribulação remota do lugar perdido no tempo, e entender desperto como se desde ontem flagelasse os seus e a si. Uma vez possuído pelas lembranças, contaminação inevitável: ninguém mais se libertava, invadido inadvertidamente a dar com a língua nos dentes, por narrativas sem fim de fatos revivescentes entranhados no éter, imersos em nuvens carregadas de recordações incorporadas ao cotidiano e, vez em quando, escapulindo para influenciar ditos, jeitos e fazeres onde quer que estivesse e com quem escolhesse aleatoriamente. Os devaneios alheios se reuniam e mudavam os rumos da ventania vertiginosa para desenterrar tesouros recônditos e inválidos, denúncia em riste. Em seguida, deu-se o auto-enlouquecimento do padre no púlpito. Logo outros começaram a proceder com endoidecimentos similares: um médium numa sessão de mesa branca; um pai-de-santo no meio de um ritual, tambores e danças; um internauta capturado por um vírus de computador; e recém-chegados fugando atônitos pelas matas revoltas desencavadas, homens que se danaram largados por fêmeas pérfidas; mulheres esbeltas que se envultavam com suas ancas e mamilos nus fenecendo lúbricas de amor por machos errantes; crianças esmagadas pelo desamor dos pais; jovens que sucumbiam aos amores não correspondidos; idosos que se matavam ao abandono entre páginas, folhas e detrito soltos aos ventos; combustões por iras incontroláveis, presidiários suicidas, viajantes à deriva, confusão de partidas e retornos por ruas giratórias enoveladas fincando insepultos entre pedras e paralelepípedos, abolindo leis, destruindo patrimônios, destroçando jardins e praças, demolindo alvenarias e pavimentos arruinados; pugnas escorregadias, estuários explodidos, mentiras desmascaradas, milagres ambíguos, escombros, cidades umas as outras amontoadas ali, habitadas por zumbis que seguiam sem saber para onde, nenhum cumprimento e tanta hostilidade, desentendimentos e perseguições, inarticulados a se desconhecerem perdidos às caretas entre cemitérios e purgatórios. Entre eles, um anônimo que se esquecera de si e de seu próprio nome e passado, a repetir insistentemente: Fui acometido por uma estranha enfermidade. Eu sabia; os médicos, não. Todos os exames, nenhum diagnóstico, nada. Eu não estou bem, febril sem febre, doente sem doença; eufórico sem euforia, tomado completamente, esfacelado pelo desespero, herdeiro de ruínas que nunca vira, memórias na pele de autômato, autônomo, ninguém. Como pode? Desisti de compreender, sou a soma de tudo e sou nada. Mas, não sei quem sou, muitos povoam em mim e sou apenas as lembranças de Alagoinhanduba. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
Híbrido, hibridismo, hibridação e hibridização são os atributos que mais frequentemente têm sido utilizados para caracterizar variadas facetas das sociedades contemporâneas. Essas palavras podem ser aplicadas, por exemplo, às formações sociais, às misturas culturais, à convergência das mídias, à combinação eclética de linguagens e signos e até mesmo à constituição da mente humana. [...] o ciberespaço e a cibercultura vieram adquirir uma natureza híbrida na constituição de espaços que tenho chamado de espaços intersticiais. [...] Não resta dúvida de que a pluralidade se constitui na marca mais característica das mídias locativas. [...] além de funcionarem como exemplares mais legítimos de uma ecologia pluralista da cultura, os projetos de mídias locativas também funcionam como indicadores precisos dos dois lados antitéticos da psique humana que foram explorados por Freud. Em um extremo, o lado destrutivo da pulsão de morte e, no outro extremo, o lado construtivo sob a égide de Eros. É justamente esse último extremo da gangorra que os projetos estéticos de mídias locativas buscam explorar contrabalançando as forças contrárias exercidas pelo poder dissimulado do rastreamento e vigilância ubíquos. É por tudo isso que a ecologia pluralista das mídias locativas, unificada pelas forças de Eros, entre outras coisas, está nos incitando a rever e relativizar as teorias cujo pessimismo monolítico cobriu o ciberespaço e a cibercultura com premonições negras sobre a obsolescência do corpo, o colapso dos espaços geográficos e a inexorável perda de significados do passo da vida.
Trechos extraído de A ecologia pluralista das mídias locativas (II Simpósio Nacionalda ABCiber - Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 37 • dezembro de 2008), da professora e pesquisadora Lucia Santaella. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

O CINEMA DE FERNANDO ARRABAL
Fama é um pedaço de nada que o artista agarra no voo sem saber por quê. Eu sou feio, mas Deus me ama.
Entre as obras destacadas aqui do do poeta, dramaturgo, roteirista e diretor de cinema Fernando Arrabal, destacamos desta vez, em primeiro lugar, o documentário Borges: una vita di poesia (1998), sobre a obra do escritor argentino Jorge Luis Borges; e o drama ¡Adiós Babilonia! (1992), contando a história de uma jovem sonhadora e serial killer, que passeia pelas ruas encontrando vários personagens estranhos que povoam os subúrbios da cidade grande. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e professor Bruno Giorgi (1905-1993). Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE LUCIEN SFEZ
Todas as tecnologias de vanguarda, das biotecnologias à inteligência artificial, do audiovisual ao marketing e à publicidade, enraizam-se num princípio único: a comunicação. Comunicação entre o homem e a natureza (biotecnologia), entre os homens na sociedade (audiovisual e publicidade), entre o homem e seu duplo (a inteligência artificial); comunicação que enaltece o convívio, a proximidade ou mesmo a relação de amizade (friendship) com o computador.
A obra do escritor e professor tunisiano Lucien Sfez aqui e aqui.
&
Outras de Alagoinhanduba aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui aqui & aqui (Arte de Darel Valença Lins).
 

segunda-feira, julho 11, 2016

LUCIA SANTAELLA, WESLEY DUKE LEE, BELCHIOR, TATIANA MIKHINA & FOLCLORE DO BRASIL


LAGOA DA PRATA (Imagem: Lake Of Zug, by Joseph Mallord William Turner) - Branca Dias parecia mais que nascera com uma estrela na testa. Apesar dos pais modestos e simples, a beleza do casal invejava a todos e, a formosura de ambos, procedeu nela uma química graciosa fora dos precedentes. De uma garota bela duma infância feliz, deu-se adolescente não menos contemplada de uma boniteza ímpar com seus atributos corporais, ser o centro das fofocas e conversações da população inteira. Mas eis que mal debutara, ficou órfã: seus pais faleceram de um acidente de trânsito. Foram atropelados quando se encontravam no ponto de ônibus aguardando a condução pra casa, por um motorista embrigado que guiava em alta velocidade. Diz-se ter sido um juiz de direito completamente bêbado que fora o responsável pela fatídica morte deles. Até hoje nada fora apurado, vez que seguia no abafado da justiça para impunidade do réu. Fora ela, então, encaminhada aos cuidados de uma tia austera e bastante rígida num distrito da cidade e, com pouco tempo depois, viu-se enamorada com um simpático rapaz que lhe dedicara paixão desmedida e pedira sua mão em casamento justo quando passou em concurso público, ingressando no quando de funcionários do Banco do Brrasil. Contraíram núpcias oito meses depois e, mais três anos mais tarde, uma nova tragédia abalara sua vida: o marido se afogara numa pescaria, deixando-a viúva em plena flor da idade. Resignada na sua solidão, ao longo de cinco anos amealhara fortuna, tornando-se um dos baluartes da sociedade local. Nesse tempo, o seu cunhado Heitor Furtado, irmão bastardo do seu falecido marido, requeria sua parte na herança, visto ter sido sócio dele em negócio informal, investido todas as suas posses e falindo com saída do sócio. Branca sabia das astúcias do cunhado nunca achegado, ciente de que usaria de todos os ardis para assaltar seu patrimônio. Não deu outra e assim fez o crápula, investindo de todas as formas e modos sobre a faustosa riqueza dela, aprontando muitas e boas com armações zis, até denunciá-la por traficante de drogas e alcoviteira de puteiro, usando, pois, de todos os expedientes possíveis para arruiná-la. Numa pendenga de décadas, já com seus grisalhos cabelos, ela procurou sair do encalço de seu desafeto, adquirindo uma propriedade rural nas proximidades de uma lagoa, para qual se mudou dias depois. Incansável, o traste velhaco não diminuía em nada nas petições astutas contra suas posses, a ponto de resultante de engenhosa armação com policiais e autoridades corruptas, impetrar ação judiciosa que foi acatada e pronta para busca e apreensão de seus bens. Foi quando soube que o local onde havia se estabelecido, fora o mesmo no qual seu marido se vitimara. Ela pranteou por dias e noites, até com rezas de todo tipo de oração, invocando do marido finado a sua proteção. Assim fez por rituais de muitas velas, noites e rezas, até que, na véspera do arresto de seus bens, em plena noite sem estrelas, do breu surgiu um barulho ensurdecedor, de ouvir-se distante quilômetros dali. Quando o oficial de justiça e seu infeliz cunhado, escoltado por destacamento policial, chegaram ao local, o lugar estava mais limpo de não parecer ter existido nada ali. Soubera-se, depois, que a lagoa num momento de fúria da natureza, engoliu o prédio de sua residência, enterrando no espesso fundo daquele recursos hídrico, todas as posses dela agora sumida juntamente com seus bens. Por conta disso, as águas da lagoa tomaram uma cor prateada, passando-se, doravante, a ser chamada de Lagoa de Prata. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 Imagem: a arte do artista plástico Wesley Duke Lee (1931-2010).

CONHEÇO O MEU LUGAR
O que é que pode fazer o homem comum Neste presente instante senão sangrar?
Tentar inaugurar a vida comovida inteiramente livre e triunfante?
O que é que eu posso fazer com a minha juventude
Quando a máxima saúde hoje é pretender usar a voz?
O que é que eu posso fazer um simples cantador das coisas do porão?
Deus fez os cães da rua pra morder vocês que sob a luz da lua
Os tratam como gente - é claro! - aos pontapés
Era uma vez um homem e o seu tempo, botas de sangue nas roupas de Lorca
Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca
Não há motivo para festa: Ora esta! Eu não sei rir à toa!
Fique você com a mente positiva que eu quero é a voz ativa (ela é que é uma boa!)
Pois sou uma pessoa. Esta é minha canoa: Eu nela embarco.
Eu sou pessoa! A palavra "pessoa" hoje não soa bem. pouco me importa!
Não! Você não me impediu de ser feliz!
Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente! Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!
Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos!
Você sabe bem: Conheço o meu lugar!
Música de Belchior.

PESQUISA:
Quem anda no mato, que vê muita coisa, também cala a boca, também cala a boca.
Extraído do livro O folclore no Brasil (Imprensa Nacional, 1939), do folclorista, historiador e professor Basílio de Magalhães (1874-1957), reunindo 81 cartas populares contando histórias das lendas do Brasil, organizada por João da Silva Campos e revisão crítica de Aurélio Buarque de Holanda. Veja mais aqui.

LEITURA
[...] Sim. Tudo isso porque Jauaraicica mora no remoinbho do açude Uirapiá, e sai todos os anos para caminhar pelas vazantes, e de cada rastro brotam sementes, nascem riachos e lagoas.
Trecho do conto O garrote Juaraicica, extraído da obra Chão de mínimos amantes (Francisco Alves, 1961), do escritor Moacir da Costa Lopes (1927-2010).
Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] a condição pós-humana diz respeito à natureza da virtualidade, à genética, à vida inorgânica, aos ciborgues, à inteligência distribuida, incorporando biologia, engenharia e sistemas de informação. Por isso mesmo, os significados mais evidentes, que são costumeiramente vinculados à expressão pós-humano, associam-se às inquietações acerca do destino biônico do corpo humano.
Trecho extraído do livro Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura (Paulus, 2003), da professora e pesquisadora Lucia Santaella, refletindo sobre a passagem da cultura de massas para a cultura das mídias que fertilizou o terreno sociocultural para o surgimento da cultura digital, com questões relacionadas aos temas do ciberespaço, cibercultura e ciberarte. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA:
A arte da fotógrafa russa Tatiana Mikhina.

Veja mais sobre Folia Caeté, Antônio Carlos Gomes, Sérgio Buarque de Holanda, Carmen Miranda, Roberto Cardoso de Oliveira, Karl Georg Büchner, Alfred Green, Ivan Gregorewitch Olinsky, Charles-Antoine Coypel & William Orpen aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



segunda-feira, janeiro 04, 2016

BRAHMS, TAGORE, VIRGILIO, ALSOP, SANTAELLA, ROCCO, LENILDA LUNA & MUITO MAIS!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: O AMOR - Os olhos dela nos meus: uma fisgada de pegar na beca – preste atenção! -, desarrumando vinco, colarinhos, certezas, tudo em desalinho, a captura do amor na hora certa. E um beijo seu, primário do nada, profundo de todo, insensato de loucura prévia, me invade a remover todos os meus muros e minhas mortes, assaltando as quatro paredes da minha solidão, a me devolver a vida no que me resta de ser. E me envolve e afeta meu coração a bater descontrolado por saber da soberania do seu reinado que me toma o céu para reinar com seu reluzente jeito, descartando lembranças e sarando meus ferimentos para remissão de todas as perdas. E colhe com carinho as flores murchas dos meus jardins tristonhos para a semeadura da sua magnifica presença a me salvar dos perigos com a manhã luminosa do seu beijar que não quer conter seus ímpetos e nem perder a ocasião de me fazer feliz. E me ronda e espreita para dar-me a paz com o afago da sua amanhecida carícia e a me enfeitiçar nas horas dos meus sonhos com o deslumbrante emanar do hálito morno do seu sopro vivente. E me abraça para me defender do perecível e me socorrer da vida miserável do meu isolamento, e me encoraja para que eu não fraqueje na ruína da memória a permitir que floresça em mim um ânimo por demais afortunado. E assim eu sou em suas mãos ternas já entardecidas nas minhas. E ela as mantém entrelaçadas em sua alma aconchegante para que eu não seja errante na brisa leve que vem do leste do seu afago. E me traz a fragrância do seu perfume na dança dos meus desejos que germinam ao toque de caricia dos seus dedos por minhas faces perdidas. E sinto o seu sorriso amoroso com meus beijos e escuto o suspiro dos seus segredos mais escondidos e acendo em sua boca ardente os sussurros do seu coração. E toda a sua majestade se manifesta para me contemplar a alma com as riquezas de sua entrega. E posso escolher entre as suas faces para proclamá-la deusa minha com seu manto transparente de visível beleza estival no triunfo da formosura, e eu com vivas a me embebedar com o místico aroma do incensório que emana de seu ser. Tomo em meus braços e sinto em meu peito o pulsar do prazer de seu corpo trêmulo para o meu extravio no seu rosado entardecer e ela inteira amadurece nas minhas mãos para que eu recolha a colheita de seus prados enquanto sacode o quadril na travessura dos seus lábios que juram safras exitosas. E escuta meu coração atenta e envolta ao meu pescoço a se descobrir presa fácil na troca do meu coração com o seu, se derramando impaciente a sacudir a cabeça para se erguer altiva e idolatrada nas minhas libações profundas do meu arado em suas plantações. E se precipita celebrada como quem cumpre a quem merece com empenho e devoção, como quem esculpe uma obra de arte no meu corpo e me ensina a voar sobre as águas enquanto passeia o seu deslumbrante emanar no meu riso. Eu voo e na sua viagem sem pressa lugar algum será longe no seio de suas numerosas noites, como nenhum prazer jamais será fugaz no esplendor de sua gloria. Ela ascende máxima e exalta com seus preciosos aromas deleitosos e completamente destemida na paixão, faz-se roçar com seu ímpeto lascivo o meu corpo de eleito da sua beleza revelada e a me ofertar o reservado quinhão que me cabe de sua magnífica presença no centro da sua noite iluminada. E adivinha com o véu das nuvens de seu abraço a transbordar apressada com a urgência dos meus mais exaltados sentimentos, quando o eco dos seus desejos perpassa minha carne no voo dos seus penhascos e se me revelam o ancoradouro no qual meu nome e o seu está inscrito e apenas o querer nos separa de tudo que nos falta e me faz atado pelo elo da paixão desesperada. E assim tenho o prêmio do ardor de todo o seu prazer vivo nas suas luzes extremadas que me dão a perícia suprema de que seus passos farão as trilhas do meu caminho lado a lado até enlanguescer na caminhada para repousar o meu prazer na sua fonte profusa que jorrar o nosso prazer. (Luiz Alberto Machado.Veja mais aquiaqui, aqui e aqui).

PICADINHO
Imagem: Nu, do pintor ítalo-brasileiro Antonio Rocco (1880-1944).
Curtindo o álbum da Symphony nº 1 - Overtures – (Naxos, 2005), do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897), com a London Philharmonic Orchestra sob a regeência da violinista e regente estadunidense Marin Alsop que atualmente é a diretora musical da Orquestra Sinfônica de Baltimore e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEFacilitis descensos Averno, recolhido do poema épico Eneida, do poeta romano clássico Público Virgilio Maro (70aC-10aC), dando conta da saga de Eneias, um troiano que é salvo dos gregos em Troia, a viaja errante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica. Essa frase significa dizer que as descidas são sempre mais fáceis que as subidas, até a descida para o inferno é mais fácil. Veja mais aqui e aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA & GLOBAL – No livro Linguagens líquidas na era da mobilidade (Paulus, 2007), a professora e pesquisadora Lucia Santaella, encontro sobre a cultura pós-moderna e global o seguinte: [...] enquanto a cultura pós-moderna e global nos levou ao fim do estilo concebido como padrão capaz de perfilar e permitir o reconhecimento da uniformidade estilística de um período histórico, o que a cultura pós-humana está agora colocando sob interrogação é o estatuto do talento individual como fonte para certa noção de estilo. Enfim, se todos os processos de criação na era pós-humana, além de serem coletivos, cooperativos e dialógicos, são também realizados em uma simbiose com a inteligência e vida artificiais, então o estilo, tradicionalmente concebido como marcas qualitativas de um talento individual, está destinado a desaparecer? Deixo a pergunta para a nossa meditação. Veja mais aqui e aqui.

A BEM-AMADA - O livro A bem-amada (Códez, 2003), do escritor e arquiteto britânico Thomas Hardy (1840-1928), conta a história de um escultor que, em busca de um ideal estético, representado pela bem-amada, se apaixona sucessivamente por três gerações de mulheres de uma mesma família. Da obra destaco o trecho: A sua bem amada ele sempre fora fiel [...] Cada uma, conhecida como Lucy, Jane, Flora, Evangeline, ou o que quer que fosse, fora apenas uma condições transitória. [...] Em essência, ela talvez fosse de uma substancia intangível: um espírito, um sonho, um frenesi, um conceito, um aroma, uma sítese do sexo, uma luz do olhar, um separar de lábios [...]. Veja mais aqui.

O JARDINEIRO DO AMOR – No livro O jardineiro do amor (Thesaurus, 1983), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941), encontro o poema LXVII com o seguinte teor: Paz, meu coração, paz, deixe que seja doce o momento da separação, / que não se assemelhe à morte, e sim ao que é perfeito. / Deixe que o amor se dilua nas recordações, e a dor, em cânticos. / Deixa que esse longo voo, através dos céus, termine em um seguro bater de asas sobre o ninho. / Deixa que o último toque de tuas mãos seja suave como a flor da noite. / Permanece quieto, - ó final encantado! – quieto por um instante, e dize tuas últimas palavras em silêncio. / Inclino-me diante de ti, e levanto bem alto o lampião para iluminar o teu caminho. Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMMEDIA DELL’ARTE - Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: A commedia dell’arte vulgarizou a trama, as intrigas e as situações, aproveitando máscaras e trajes carnavalescos e os grandes recursos da pantomina popular. Permitindo ao ator os ilimitados recursos da improvisação, o gênero fez do interprete o mais importante elemento do espetáculo teatral. O reinado absoluto do ator confundiu-se com a commedia dell’arte. Embora os intérpretes devessem seguir os achados cômicos (lazzi) e respeitar os roteiros básicos (canovacci), havia extrema liberdade de variações. Assim, era válida a ideia de que os diálogos se conjugassem de acordo com a fantasia do momento. Essa liberdade criadora, paradoxalmente, confinava-se por outra limitação: os atores fixavam-se sempre numa máscara, especializando-se em determinado papel, pelo qual ficavam famosos, até a morte. Com base num esquema, os cômicos davam largas à imaginação. Mas, na realidade, eles acabavam por ser autores de um só tipo. Geralmente, o espetáculo mostrava um casal de namorados em luta contra a proibição dos pais, em meio a intrigas e acrobacias dos criados e intervenções do Arlequim, da Colombina, de Pantaleão, do Doutor e do Capitão. As companhias itinerantes fizeram da commedia dell’arte um dos gêneros mais populares em toda a Itália, com profundos reflexos no teatro europeu da época. Contudo, a pobreza do texto, provocando desequilíbrios no espetáculo, constituiu o principal fator de sua decadência. No século XVIII, Carlo Goldoni (1707-1793), autor máximo do teatro veneziano, iria se inspirar na commedia dell’arte para escrever as suas principais peças de costumes, mas teria o cuidado de limitar a palhaçada gratuita e a improvisação arbitrária. A commedia dell’arte pode ser considerada o ponto de partida das diferentes e posteriores formas de teatro do povo que culminou no drama shakespeariano. Veja mais aqui e aqui.

FA YEUNG NIN WA – O premiadíssimo filme honconguês Fa Yeung Nin Wa (Amor À Flor da Pele, 2000), dirigido e escrito pelo também premiado cineasta chinês Wong Kar-Wai, integrante do movimento chamado de "Segunda Nova Onda" do cinema de Hong Kong, traz a significação do seu título como sendo Anos Como Flores, baseado em uma canção de Zhou Xuan. O longa metragem conta a história de amor mal resolvida e impossível, dissecando os desencontros de um casal – o envolvimento sexual entre um jornalista e a sua bela vizinha jovem em um apartamento - à luz da repressão feminina e das convenções sociais de Hong Kong, no ano de 1962. O destaque do filme fica por conta da atuação da belíssima atriz chinesa Maggie Cheung. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Corina Chirila.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à jornalista e pedagoga Lenilda Luna & Pensando Bem.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui e aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...