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quarta-feira, fevereiro 06, 2019

J. BORGES, KATIA CANTON, MICHELINE TORRES & ALAGOINHANDUBA


A COISA NO VENTILADOR – O desaparecimento do município de Alagoinhanduba, como se diz de fato e de direito, não ficará de graça. Pelo que se sabe, apenas ocorreu o sumiço do mapa de toda população e mais nada. Absolutamente nada. Ou melhor, como se nada tivesse acontecido. Porém, lá nos cafundós de não sei quantas léguas de distância, a coisa volta à tona depois de não sei quanto tempo depois. É que a comunidade científica mundial, ao dar por falta das impreteríveis e sucessivas contribuições inestimáveis do megaerudito Dr. Zé Gulu, residente estabelecido voluntariamente na localidade que, confidencialmente, tencionava instalar ali a Universidade Planetária, resolveu reunir uma equipe multiprofissional de arqueólogos, antropólogos e outros doutos Ph.Ds nas mais diversas áreas acadêmicas e de todas as nacionalidades, para desvendar o mistério. O grupo internacional de pesquisadores conta com o apoio do Padre Bidião que está capitaneando outros tantos e de todas as galáxias, objetivando deixar às claras a verdade sobre o ocorrido. Trocando em miúdos: o que se apurou até agora é que há, de fato, uma má-vontade no esclarecimento disso, carecendo de uma decisão que bote tudo preto no branco com os pingos nos iis e tataritaritatá. Como cada futucada levanta uma lebre, a coisa tomou ares de complexidade irresolúvel. É que tanto o Executivo como o Judiciário e o Legislativo em todas as esferas da Federação, não se manifestam a respeito, sob a alegação de que não é da responsabilidade de nenhum desses poderes, nem de ninguém. Ou seja, tirou cada qual o seu da reta e o dos outros, também. E de quem seria? Como não se sabe ao certo, a coisa fica meio que bosta na água, ou do tipo batata quente que ninguém quer nem assoprar. Acontece que, por debaixo do pano ou das encobertas, ninguém sabe, um pesquisador internacional aventou o encobrimento legal sobre a instalação há mais de sessenta anos naquele território, de uma secreta empresa industrial, denominada de Alagoinhanduba Corporation, que seria supostamente a responsável pelo cataclisma. O resultado das investigações infindáveis, correm em segredo de não se sabe quem, entretanto, já dá sinais de que, a exemplo da Cerro de Pasco do Scorza, a transnacional em questão, sigilosamente abrigou-se para funcionamento reservado na exploração de um minério raro reputado como de outro planeta ou galáxia, e só encontrado naquele subsolo. A averiguação parece aprofundada e constatou lá nas escondidas, que a comuflada organização dada por inexistente em todos os cadastros de pessoa jurídica nacional e internacional, comportava no seu quadro funcional toda a população alagoinhandubense que desconhecia tanto o vínculo empregatício, como a exploração de um fictício molibdênio. O empreendimento utilizava clandestinamente sondas invisíveis que exploravam profundidades no subsolo para extração do incógnito mineral, retirando de lá grandes quantidades transferidas furtivamente para ignorados depósitos sabe-se lá onde. Os excogitadores alegam que as escavações alcançaram profundidades subterrâneas jamais imaginadas, atravessando o solo, marga, argila, areia e cascalho, lençóis freáticos e aquíferos, além dos mantos até os núcleos externo e interno. A retirada do raro mineral levou a perfurações que promoveram o desabamento de toda dimensão do território municipal, com a comunidade soterrada pelo desmoronamento, tudo em conluio com autoridades e asseclas. Ecologistas envolvidos nas investigações acreditam que ações judiciais que tramitaram em segredo de justiça, absolveram a Alagoinhanduba Corporation de qualquer responsabilidade sobre o sucedido, isentando quem quer que seja de qualquer dano ou punição. Por conta disso, o movimento tenta levar aos tribunais e instâncias jurídicas possíveis, para o esclarecimento e a responsabilização sobre o fato. Tentativas de entrevistas realizadas por jornalistas e interessados no caso, resultou numa unânime expressão monossilábica de pessoas das cidades vizinhas: Qual? Quem? Como? Quando muito se ouviu: Sei disso não! Pode um negócio deste? Sei não. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] a arte provoca, instiga e estimula nossos sentidos, descondicionando-os, isto é, retirando-os de uma ordem preestabelecida e sugerindo ampliadas possibilidades de viver e de se organizar no mundo [...] A arte ensina justamente a desaprender os princípios das obviedades que são até juntas aos objetos, às coisas. Ela parece esmiuçar o funcionamento dos processos da vida, desafiando-os, criando para novas possibilidades. A arte pede um olhar curioso, livre de “pre-conceitos”, mas repleto de atenção [...].
Trechos extraídos da obra Corpo, identidade e erotismo (Martins Fontes, 2009), da escritora e crítica de arte, PhD em artes interdisciplinares pela UNY e professora Katia Canton. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina, coreógrafa, atriz, performer e professora Micheline Torres. Ela nasceu em Sertãozinho, na Paraiba, e é formada em Balé e em Dança Contemporânea, depois de ter estudado Filosofia e Artes Cênicas. O seu trabalho é desenvolvido a partir de pesquisas sobre dança, performance e artes plásticas, o que a levou a se apresentar em países como Portugal, França, Inglaterra, Canadá, Suiça e Alemanha. 
Veja mais aquiaqui.

FILOSOFIA DO PEIDO, DE J. BORGES
Vários poetas escreveram / o valor que o peido tem / eu achei muito engraçado / o peido é feito um trem / tanto apita como ronca / na hora que o peido vem
O peido se forma em gases / no centro do intestino / que de acordo a pressão / ele faz o eco fino / em qualquer um ser humano / por mais que seja granfino
Peida o homem e a mulher / o pobre e o potentado / peida a moça bonita / o ceho e o alejado / e o peido mais fedorento / é o peido de milho assado
Tem peido que fede tanto / que é de pedir socorro / numa sala com muita gente / quando ele fumaça o forro / e sempre quem leva a culpa / é um menino ou um cachorro
Num ônibus cheio de gente / quando ele sai fedorento / sai quente e se espalha / com o calor do assento / se o ônibus for fechado / a catinga é cem por cento
Tem peido que fala fino / outro faz furututu / tem uns que a pressão é tanta / que rasga as pregas do cu / existe peido calado / e o peido que faz fufu
Tem gente mal educada / que peida em qualquer lugar / não escolhe o ambiente / no almoço ou no jantar / e o padre também peida / até no pé do altar
Tem gente que come muito / e a noite vai para missa / e no salão da igreja / quando ali se espreguiça / o peido sai apertado / fedendo feito carniça
O peido é um desabafo / para quem está empachado / alivia o intestivo / deixa o cara aliviado / mas pra quem recebe ele / fica mais que enjoado
O peido que enjoa mais / é o peido de jaca dura / de crustacio e de buchada / milho assado e tanajura / peido de sarapatel / este já é bosta pura
Peido é muito necessário / na saúde de um vivente / tem gente que solta peido / sem olhar o ambiente / falyando com o respeito / a qualquer classe de gente
O peido incomoda mais / num ambiente fechado / com muita gente suada / o calor muito abafado / e sempre é de costume / soltando um peido calado
O peido dentro da água / num poço ou numa picina / forma bolhas e vai à tona / ninguém sente a fedentina / fica a água poluída / mas ninguém sente ruina
O velho Valfrido em Escada / já tinha ouvido falar / que o peido incendiava / ele procurou provar / na luz de um candeeiro / se preparou pra peidar
Tirou a calça e encostou / o cu ao candeeiro / e quando o peido saiu / o incêndio foi ligeiro / deixando o velho Valfrido / num completo desespero
Queimou todos os cabelos / que na região havia / ele com a bunda ardendo / e gritando vem cá Maria / abanar a minha bunda / e lavar com água fria
A mulher dele contou / que passou a noite abanando / a bunda branca do velho / e ele deitado fungando / e depois com uma pomada / foi que a bunda foi sarando
O peido é inflamável / por ser gas intestinal / se ele não sair fora / a pessoa se sente mal / com gases no intestino / vai parar no hospital
Pessoas que prende peido / respeitando o ambiente / o intestino dá retorno / todo organismo sente / e se repetir várias vezes / poucas horas está doente
O peido é oportunista / sempre sai numa risada / num espirro ou num tosse / ou numa força puxada / num salto ou numa cócega / sempre ele vem na parada
O peido mais perdoável / é o peido na dormida / quando o cara está deitado / junto a mulher querida / o peido sai abafado / é um cabar de vida
O homem reclama menos / a mulher reclama mais / mas devido a amizade / não fica ninguém voraz / balança o lençol ligeiro / a catinga se desfaz
O peido é mundial / sai do rico sai do pobre / das pessoas mais humildes / e do pessoal mais nobre / e ninguém pode dizer / que o peido não lhe cobre
Peida o papa de Roma / peida o rei e a rainha / o ministro o presidente / até o chefe da marinha / e o das forças armadas / a mulher dele e a minha
Ninguem está isento / todos temos que peidar / o peido é muito comum / e sai para aliviar / o intestino da gente / nunca temos que negar
Tem madames coloridas / cheias de uso granfino / mas por debaixo do luxo / o peido grita bem fino / se for no meio de gente / ela diz foi o menino
O político também peida / quando ele vai discursar / que faz força na garganta / para bel alto falar / e cada impulso na voz / é um peido que ele dá
As coisas melhores do mundo / primeira é cagar fumando / o velho Raul me disse / a segunda é mijar peidando / e pra terminar a pergunta / a terceira é meter mamando
A filosofia do peido / é um escrito profundo / o peido é muito restrito / se acaba ao sair do fundo / e por isso poucas histórias / do peido existe no mundo
Já escrevi muito versos / batendo na poesia / onde fiz vários assuntos / restava-me escrever um dia / gastei mais de uma hora / e do peido escrevi agora / sua nobre filosofia (Bezerros, 14 de março de 2002)
Extraído da obra Memórias e contos de J. Borges (Gráfica Borges, s/d), do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges). Veja mais aqui.
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Estudos e pesquisas sobre flatulências, a Tocha Humana e coisas horrorosas a respeito aqui, aqui, aqui e aqui
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A história de Alagoinhanduba aqui, aqui e aqui
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segunda-feira, agosto 22, 2016

MELVILLE, KATIA CANTON, FERNANDO VERÍSSIMO, ROBERTINHO DE RECIFE, XICO SÁ, SIMONE GUTIERREZ & ANDRE KOHN

DO QUE FUI PRO QUE SOU - É festa no céu, tê teteretê tê teteretê! Não fui convidado: quem é coxo parte cedo, nem pude como o sapo me esconder na viola do urubu. O passado quer falar: caretas de bumba-meu-boi e do cavalo marinho no meu repente desentoado. Menino levado, sou inteiro dentro das minhas próprias malas: sou como quem levasse o levado e como querem o pé-direito duplo, sou da queda com meu estreito convívio com a mais surda obscuridade da inquisição dos cínicos de nascença e delatores da moral e bons costumes, irresponsavelmente mentirosa na caça às bruxas – meus esgares de compaixão com as aflições ou júbilos da conduta vazia e equivocada humana com seus vícios e virtudes na minha desencontrada e a gradativa existência. Não tenho mais minha mãe para minimizar minhas travessuras e incoerências: cabra-cabiolé, Cumadre Fulosinha, saci pererê. Falam-me da oração da cabra preta, do justo juiz, de bentidos e excelenças: são todos indiferentes como a parede, porta ou chuva. Na verdade, quase não tenho mais ninguém a favor, só algozes no que faço de mim mesmo. Nem sou absolvido por mim. Sou amarelo, laranja, vermelho, verde, azul anil índigo e violeta, sem ressentimentos, ajeitando os remendos deliberados que me aparecem da tapeçaria do apocalipse entre utopias paradisíacas, medos e esperanças. Fiz até o que não quis, fiz e me odiava no dia seguinte, coisas da vida que nem sei como era e que aconteceu, como se a burrinha do padre se desfizesse do encanto e me embalasse na sua nudez. Eu vou no meu voo, futuro algum, esperança alguma, só rodeios, abatido ou eletrocutado, um precursor que errou seu próprio caminho. Todo mundo erra, só errei demais. Até quando acertei foi um erro, não era. Fui adiante e errei de novo, errei sucessivamente, cheguei tarde demais e malsucedido entre os que fraquejaram pelos cinco continentes do planeta: sou protagonista no lar do meu espólio, sou água na minha solidão sem compensações, Prometeu agrilhoado na montanha. Lá se vão o garrote Jauaraicica, o boi pintadinho, o boi Espácio, não sei mais o que perdi - Ulisses sem Ítaca, pau pra toda obra. No meio do fugaz, tudo passou: pudera, tudo é idológico, há incertezas demais – o risco, o limite – não há limites para fantasia, paciência, não se pode abusar da insensatez. Até quero crer ser possível, como Berlioz, a minha alma gêmea no Vesúvio. Sou meu próprio atelier, minha religião é a arte, tenho espiritualidade. O passado quer falar e Cascudo exorta: elevai os corações! Pra mim, tudo é continuidade. E vou voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Rapsódia Rock In Concert (EMI-Odeon, 1990), do guitarrista, compositor, produtor musical e arranjador Robertinho de Recife.

PESQUISA 
[...] A interdisciplinaridade aqui, particularmente pensada na relação texto e imagem, propõem-se a reforçar as possibilidades de tornar o público leitor um criador, participante das ideais apresentadas, potencializador de suas poéticas, proponente de novas questões. [...].
Trecho extraído da obra Novíssima arte brasileira: um guia de tendências (Iluminuras/MAC-USP/Fapesp, 2000), da escritora e crítica de arte, PhD em artes interdisciplinares pela UNY e professora Katia Canton.

LEITURA 
Tentarei ser os seus olhos, Jorge. Sigo o conselho quevocê me deu, quando nos despedimos: “Escribe, yrecordarás”. Tentarei recordar, com exatidão desta vez. Para que você possa enxergar o que eu vi, desvendar o mistério e chegar à verdade. Sempre escrevemos para recordar a verdade. Quando inventamos, é para recordá-la mais exatamente. [...] O corpo formava a letra V, disse eu não tinha dívida. Mas qual era a sua posição? Estava com a bunda, ou o vértice do V, encostada num dos espelhos que cobriam a parede do quarto. Era isso, a bunda contra o espelho. [...].
Trechos extraídos da obra Borges e os orangotangos eternos (Coampanhia das Letras, 2000), do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luís Fernando Veríssimo. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] Sempre que sinto na boca uma amargura crescente; sempre que é um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que me percebo detendo-me involuntariamente diante de empresas funerárias, ou aumentando a fila de todo funeral que encontro; e especialmente sempre que minha hipocondria passa a me dominar de tal forma que é preciso um sólido princípio moral para evitar que saia às ruas e passe sistematicamente a atirar ao chão os chapéus de todos que vejo – então calculo que é boa hora de fazer-me ao mar, o mais cedo possível. Com um floreio filosófico, Catão atira-se sobre uma espada, eu calmamente vou para o navio. [...]
Trecho extraído da obra Moby Dick, ou a baleia em Londres (1851), do escritor e aventureiro estadunidense Herman Melville (1819-1891). Veja mais aquiaqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
[...] Quem não reage, rasteja. Era o lema. O velho acreditava no barulho dos maldizeres, aí a vida ganhava um sentido mínimo, aí fazia‑se a luz, sua própria labareda bíblica, o fulgor, o barato. [...].
Trecho da obra Big Jato (Companhia das Letras, 2012), do escritor e jornalista Xico Sá, adaptado para o cinema com direção de Claúdio Assis e com a sempre excelente arte do ator e diretor Matheus Nachtergaele. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Nascente: Crônica de amor por ela, Claude Debussy, Bertrand Russel, Dorothy Parker, Antonio Callado, Angela Hewitt, Ruy Guerra, Marina Lima, Francisco Rebolo, Contos árabes, Dançaterapia, Agostino Carracci, Claudia Raia, Teatro Espontâneo & Psicodrama aqui.

DESTAQUE
Todo dia é dia da atriz e cantora Simone Gutierrez.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Arte do pintor russo Andre Kohn.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...