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sexta-feira, julho 06, 2018

GOETHE, JOÃO DO RIO, CASAIS MONTEIRO, SCHELER, ALBERTO NEPOMUCENO, MÔNADAS DE LEIBNIZ & FABRIZIO CASSETTA


GOETHE, PAIXÃO & ARTE – Imagem: Goethe, art by Fabrizio Cassetta – De um bisavô ferreiro a um avô alfaiate e um pai conselheiro imperial para filho com uma vida de oitenta e três anos. Dizia dever ao pai a perspectiva de vida e a mãe o gosto de contar história. Disso, muitas lendas: se rebelou de Deus aos seis anos, duvidou da justiça dos homens aos sete, compôs aos oito um ensaio comparando a sabedoria dos pagãos aos cristãos, escreveu aos onze uma novela cosmopolita em sete línguas, apaixonou-se pela primeira vez aos quatorze, era ela Gretchen de Francforte, adolescente provinciana do desespero e melancolia como peso horrível no coração. Seria mais fácil influenciar árvores e pedras que chama-lo à razão. Aos dezessete escrevia as imoralidades e adultérios, o sofístico Die Mitschuldigen: “Como quase todos somos culpados, o melhor é perdoarmos e esquecermos”. Intoxicado de juventude, ao invés de douto jurista, preferia o trato com as Musas e a contemplação das formosas moças de Lipsia. Era a vida um redemoinho e, qual Spinoza, tudo era amável e divino em cada pessoa que encontrasse. Vivia para cantar Götz von Berlichingen, o Robin Hood germânico, e se transformava em um egoísta rebelde no jogo do amor - se o matrimônio era uma síntese impossível, as mulheres eram o vaso de eleição onde ainda podia ser colocado o ideal -, o bárbaro do amor para genial na arte. Ao se apaixonar pela jovem dama Lottchen, ela já estava comprometida, lamentavelmente, pensou até em suicidar-se. Era o nascimento de Werther, uma elegia sobre a tristeza da vida e um hino à alegria da morte. Bebeu de Confúcio e foi pra alquimia, o Opus Mago Cabalisticum de Welling, a Aurea Catena Homeri de Paracelso, para entender que “Somente o homem que foi o mais sensível pode tornar-se o mais frio e o mais duro, pois tem que cercar-se de uma couraça dura... e, às vezes, ele mesmo, ressente-se do peso dessa couraça”. Confinou-se aos livros para alimentar o seu rebelde espírito, tornou-se o mais submisso dos cortesãos. E amou, amou Frederica Brion inspirando os lieders de Estrasburgo, amou a delicada Carlota Buff que aumenta o seu pesar, a fascinante Maximiliana de La Roche, a graciosa Lili Schönemann, a virtuosa matrona Mme. Stein a quem escreve mil e quinhentas cartas, a musa amante que morre de ciúmes da atriz Corona Schröter, e transformou o flerte no divertimento da moda: “Nós todos somos um pouco doidos aqui e fazemos o próprio jogo do diabo”. Escreveu Stella, a convivência com a esposa e a amante, sem saída, uma bala na cabeça, até ver-se compondo versos sobre os ombros de morena beleza da florista Cristina Vulpius, o amor e valor do seu diário. Enamorou-se por Minna Herzlieb, apaixonou-se por Mariana de Willemer. Para todas perguntava: “Sentes, em meus poemas / que sou dois em um só?”. Não queria mais destruir o mundo, agora queria compreendê-lo, amava apaixonadamente as criaturas humanas: “Nunca expressei nada que não houvesse sentido... componho canções de amor porque tenho amado muito... como poderei então escrever cantos de guerra sem nunca ter odiado?”. A vida pagã com o culto da beleza. Com Schiller, a rebelião da arte. Aos sessenta e quatro anos apaixonou-se violentamente como a primeira vez pela juventude radiante de Ulrica de Levetzow, a quem desposa e com ela, a Elegia de Marienbad e os sofrimentos de Werther envelhecido: “À boca dadivosa eles me alçaram / E, ao separar-me dela, me arrasaram”. Gênio e demônio: “Todos os teus ideais não me impedirão de ser verdadeiro, isto é, de ser bom e mau como a natureza”. Os dois Faustos – o do amor de Margarida salva e a paixão do erro, e o que foi ao paraíso: “Cantemos em coro, Da vitória a palma, O ar está puro: Respire esta alma!”. Também a Ifigênia condenada pelo próprio pai e poupada pela deusa Diana para ser sacerdotisa em Tauride. Depois a Erótica Romana: “A mulher é a eterna salvação do homem”. No fim de certa manhã, queria mais luz: “Nem sempre estou disposto para os grandes sentimentos e, sem eles, nada sou”. Depois, registra Emil Ludwig, recostado comodamente na sua poltrona, desapareceu na sua hora natal, ao meio-dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor, pianista, organista e regente Alberto Nepomuceno (1864-1920): Série Brasileira, Sinfonia em Sol Menor, Serenata para Cordas & Quarteto e Cordas nº 1 em Si Menor & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A alteração deste mundo dos bens modifica o sentido e o significado do bom e do mau. Dado que a história nos mostra que este mundo de bens está submetido a uma alteração constante e a um movimento continuo, o valor moral do querer e dos seres humanos participariam também do destino deste mundo [...] o homem bom, que age espontaneamente realizando aquilo que seu discernimento apontava como bom, coloca-se na defensiva diante de um conteúdo que tome a forma imperativa, resultando daí uma tendência ao mau [...]. Trechos extraídos de Ética: nuevo ensayo de fundamentación de um personalismo ético. (Revista do Ocidente, 1948), do filósofo alemão Max Ferdinand Scheler (1874-1928), autor da frase: Em época alguma foram as opiniões sobre a essência e a origem do homem tão incertas, tão indeterminadas como a nossa... Dentro de uma história de aproximadamente dez mil a nos, somos a primeira época em que o homem se tornou completamente ‘problemático’ para si mesmo; na qual ele não sabe mais o que é, mas ao mesmo tempo sabe que não sabe. Veja mais aqui.

AS MÔNADAS – As mônadas, por não terem partes, não podem ser formadas nem desfeitas. Não podem começar nem acabar naturalmente e, portanto, duram tanto como o universo, que será mudado, mas não destruído. Não podem ter figuras; de outro modo, teriam partes. Por conseguinte, uma mônada em si mesma, e no instante, só pode diferençar-se de outra pelas qualidades e ações internas, as quais são tão-só as suas percepções (isto é, as representações do composto, ou do que é exterior no simples) e as suas apetições (isto é, as suas tendências de se mover de uma percepção para outra) que são os princípios da mudança. Pois a simplicidade da substância não impede a multiplicidade das modificações que se devem encontrar juntas nesta mesma substância simples, e devem consistir na variedade das relações com as coisas que fora dela estão. Tal como num centro ou ponto, embora de todo simples, existe uma infinidade de ângulos formados pelas linhas que nele convergem. Tudo na natureza está cheio. Em toda a parte há substâncias simples, efetivamente separadas umas das outras por ações próprias, que modificam, sem cessar, as suas relações; e cada substância simples ou mônada individual, que constitui o centro de uma substância composta (como, por exemplo, de um animal) e o princípio da sua unicidade, está rodeada de uma massa formada por uma infinidade de outras mônadas, que constituem o corpo próprio dessa mônada central; de acordo com as afecções dele representa ela, como numa espécie de centro, as coisas que lhe são exteriores. E este corpo é orgânico, quando forma um espécime de autômato ou de máquina da natureza, que é máquina não só no todo, mas ainda nas mínimas partes que se fizerem notar. E, como em virtude da plenitude do mundo, tudo está ligado e cada corpo age sobre qualquer outro corpo, mais ou menos conforme a distância, e é por ele afetado por reação, segue-se que cada mônada é um espelho vivo, ou dotado de atividade interna, representando o universo segundo o seu ponto de vista, e é tão ordenado como o próprio universo. As percepções das mônadas nascem umas das outras pelas leis dos apetites ou das causas finais do bem e do mal, que consistem nas percepções observáveis, ordenadas ou desordenadas, tal como as mudanças dos corpos e os fenómenos externos nascem uns dos outros em virtude das leis das causas eficientes, ou seja, dos movimentos. Existe assim uma harmonia perfeita entre as percepções da mônada e os movimentos dos corpos, preestabelecida inicialmente entre o sistema das causas eficientes e o das causas finais. E nisso consiste o acordo e a união física da alma e do corpo, sem que nenhum deles consiga alterar as leis do outro. [...]. Trecho extraído da obra Princípios da natureza e da graça (Caleidoscópio, 2001), do filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO – [...] vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social. [...] Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. [...] Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam. Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrario. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. [...]. Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. [...] Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional. – Só caso se o senhor tomar juízo. – Mas que chama você juízo? – Ser como os mais. – Então você gosta de mim? – E por isso é que só caso depois. Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido. Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma “relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão”. Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo. – Traz algum relógio? – Trago a minha cabeça. – Ah! Desarranjada? - Dizem-no, pelo menos. - Em todo o caso, há tempo? – Desde que nasci. – Talvez imprecisão na montagem das peças. [...] – E o senhor fica com a minha cabeça? – Se a deixar. – Pois aqui a tem. Conserte-a. o diabo é que não posso andar sem cabeça... – Claro. Mas, enquanto arranjo, empresto-lhe uma de papelão. – Regula? – É de papelão! [...] Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antonia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. [...]. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão [...]. Trecho do conto extraído da obra Homem da cabeça de papelão (Hedra, 2012), do jornalista, escritor, tradutor e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Veja mais aqui.

AURORA - A poesia não é voz - é uma inflexão. / Dizer, diz tudo a prosa. No verso / nada se acrescenta a nada, somente / um jeito impalpável dá figura / ao sonho de cada um, expectativa / das formas por achar. No verso nasce / à palavra uma verdade que não acha / entre os escombros da prosa o seu caminho. / E aos homens um sentido que não há / nos gestos nem nas coisas: / voo sem pássaro dentro. Poema extraído da obra Voo sem pássaro dentro (Ulisseia, 1954), do poeta, ensaísta, crítico literário e professor universitário português Adolfo Casais Monteiro (1908-1972). Veja mais aqui e aqui.

GOETHE (1749-1832)
O verdadeiro amor é aquele que permanece sempre, se a ele damos tudo ou se lhe recusamos tudo.
Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora.
Quanto mais um homem se aproxima de suas metas, tanto mais crescem as dificuldades.
Nada é mais repugnante do que a maioria, pois ela compõe-se de uns poucos antecessores enérgicos; velhacos que se acomodam; de fracos, que se assimilam, e da massa que vai atrás de rastros, sem nem de longe saber o que quer.
As pessoas tendem a colocar palavras onde faltam ideias.
Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.
Pensamentos do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Veja mais:

O IV Congresso Nacional de Formação de Professores (CNFP) integrado ao XIV Congresso Estadual Paulista Sobre Formação de Educadores (CEPFE) & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte de Fabrizio Cassetta. 
Veja mais aqui.
&
Dia internacional do beijo aqui, aqui, aqui & aqui.
&
A festa dos beijos & muitos beijos, a literatura de Juan Rulfo, Presente do mar de Anne Morrow Lindbergh, a música do Yes, a fotografia de Clarence Hudson White, Luciah Lopez & Marcos Alexandre Martins Palmeira aqui.
&
Ela acolheu meu desterro, Os mímicos de Naipaul, A música de Keith Jarret, Sueli Costa, Eumir Deodato & Rita Lee; a arte de Ewa Ludwiczak & Luciah Lopez aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.


quinta-feira, março 22, 2018

QUINTANA, PAULA FOX, CASAIS MONTEIRO, ÍNDIO CACHOEIRA & KATHRYN STOTT, ROHMER, HÉLIO OITICICA & EDUARDO PRADO DE MENDONÇA

PASSANDO A LIMPO - Imagem: To Organize Delirium, do pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas Hélio Oiticica (1937-1980). - Já fui xodó de mãe, avós, tias, isso quando bolotinho mimado imitando os olhos de peixe, de soslaio, até ser destronado adolescente magro seco, envergado, barbicha rala no queixo, desengonçado com a revolta de tudo na corcunda de avexado, e me incomodando com o que pensavam que eu queria ser quando crescesse. Desde que botei a perna no mundo jamais fui o mesmo: coisas de ir e voltar, troca de pele, ritos de passagem, epifanias. Nunca fui de virar casaca, nem seguir ao pé da letra, ou cumprindo à risca, afinal de contas, nunca soube o xis do problema e, na horagá, adeus, minhas encomendas. Já fui fanático por futebol, hoje não mais, não há graça nenhuma na competitividade das retrancas. Não tenho mais pressa pra nada, pois já corri tanto e ao chegar a minha vez nunca era – o sistema saiu do ar, deu pane no equipamento, só depois ou deus dará. Nunca fui de cortar caminho por atalhos nem tirar proveito do desleixe de outro, se tenho de ir vou até o fim, nunca desisti no meio do caminho. Nunca subestimei a inteligência ou a ignorância alheia, indignado com a estupidez e com os tantos desatinos. Já não ligo pro noticiário, há tempo que as noticias são mesmas de sempre e se repetem infinitamente. Não professo nenhuma fé, sou da espiritualidade, embora nutre simpatias pelos taoístas, quackers e zen-budistas. Nunca me levei tão a sério, nem aprendi a andar na linha porque me precavenho, tudo tende a piorar. Sei que existo pelos documentos ao bolso, assim que me reconhecem, mesmo que me chamem pelo apelido. Pelejo que só e nutro a esperança de que um dia eu chego lá, só não sei onde. Como todo mundo, atravesso na faixa e respeito o sinal. Reconheço nenhuma coerência nos meus atos, quase sempre sou assaltado pela paradoxalidade. Já não enxergo lá muito bem – antes por completa ausência de tino e formação, hoje por deficiência promovida pelos anos de vistas apregadas nos livros. Chego quase sempre atrasado porque só tomo conhecimento das coisas quando não tem mais nem graça. Só chego adiantado porque ou foi adiado ou já cancelado. Tem horas que até eu mesmo nem me reconheço no espelho. Vou de cara pro Sol já que não tem mais sombra pra refrescar, arrancaram as árvores das calçadas e a violência grassa nas praças. Hoje prefiro ouvir, porque quando falo ninguém entende. Por mais que eu me esmere em fazer tudo certo a minha vida toda, dá sempre tudo errado. Ainda bem que só passo aperto quando estou sozinho, o que é recorrente, ninguém sabe, mesmo com as melhores intenções, sempre piso na bola. E me revolto por não ter a resposta certa na ponta da língua na hora exata, só quando chego em casa, tarde da noite e lastimo por ter perdido a oportunidade. Vou sempre adiante mesmo que pareça não ter saído um mínimo centímetro do lugar. Acredito na vida porue ela não pode estar reduzida apenas a uma convenção científica, nem a masturbação intelectual da indiferente racionalidade. Hoje pouco importa, não dou a mínima pro que pensam a meu respeito e tranquilizo a todos dizendo que tudo é verdade, nada mais nem demais. Se estou sempre sozinho, não há de ser nada, cultivo a utopia de que o mundo pode ser bem melhor e que, com certeza, a gente ainda possa ser feliz. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violeiro Índio Cachoeira: Viola de Ouro, Solos de Viola Caipira & Prelúdio dos Pássaros; da pianista britânica Kathryn Stott: Suite Bergamasque Debussy, Valsa da dor Villa-Lobos & com Janine Jansen Sonata for violin and piano Cesar Franck; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Paixão não tem significado de cegueira, nem de demência, mas indica precisamente aquela força comunicativa que se propõe ao frio raciocínio. O frio raciocínio nunca poderia levar um critico a tomar partido, porque o caracteriza precisamente aquela presunção de objetividade à qual se deve por uma grande parte a má fama de que goza a crítica pelos seus repetidos malogros [...]. Extraído da obra Clareza e mistério da crítica (Fundo de Cultura, 1961), do poeta, ensaísta, crítico literário e professor universitário português Adolfo Casais Monteiro (1908-1972). Veja mais aqui.

OS LIMITES DA LIBERDADE – [...] Quando se diz que liberdade de um acaba quando começa a liberdade do outro, o que se procura no fundo é evitar o questionamento do que deva ser a liberdade. A posição limita-se a considerar o seu exercício, sem maiores especulações sobre oq eu efetivamente possa ser considerado como liberdade. Nestas condições, admite-se como direito de liberdade de um individuo ele realizar tudo quanto queira desde que suas ações não venham a interferir na vida do outro. O que não se admitem são os choques, os conflitos. Deste modo, teria eu o direito de fazer tudo quanto quisesse desde que não perturbasse a vida de outra pessoa. [...] O homem é de fato um animal social. Desta forma, não podemos esperar que realize o plano de sua liberdade a não ser dentro de um contexto social. A sua liberdade é na verdade uma co-liberdade. Ele constrói a sua liberdade em espírito de comunidade, dentro de um sentido de co-participação. [...] Extraído da obra A construção da liberdade (Comvivio, 1977), do filósofo, professor e escritor Eduardo Prado de Mendonça (1924-1978).

DESESPERADOS – [...] Otto entrou na sala. "O que você vai vestir?" "Aquele vestido Pucci", ela disse, "só que eu acho que engordei demais para ele." Ela se levantou. "Otto, por que ele me mordeu? Eu estava fazendo um carinho nele." "Achei que você disse que ele tinha arranhado." "Seja lá o que for... mas por que ele me atacou assim?" Subiram a escada. O corrimão de mogno brilhava na luz oleosa e macia do globo de vidro soprado que pendia do teto. Ela e Otto tinham trabalhado uma semana para remover a tinta preta velha do corrimão. Foi a primeira coisa que fizeram juntos depois de comprar a casa. "Porque ele é selvagem", disse ele. "Porque o que ele queria de você era só comida." Ao pôr o pé no primeiro degrau, disse, como se fosse para si mesmo, "Vou me dar melhor sozinho". "Você sempre teve seus próprios clientes", ela disse, irritada, abrindo e fechando a mão machucada. "Não entendo por que não podiam continuar juntos." "Aquele melodrama todo... Não consigo conviver com aquilo. E ele não conseguia parar. Se eu não estivesse a favor dele, estava contra. Não estou querendo dizer que não havia causa. Não estou querendo dizer que o mundo seja justo. Mas eu conheço o Charlie. Ele está usando essas pessoas e os casos delas. Ele só não quer ficar de fora. E eu quero ficar de fora. Ah... estava na hora de acabar. Nós dois nos usamos até onde deu. A verdade é que eu não gosto mais dele." "Me pergunto como ele deve estar se sentindo." "Como Paul Muni, defendendo os não-amáveis e não-amados. Nunca existiu advogado assim. Lembra? Aqueles filmes todos dos anos trinta? Os jovens médicos e advogados indo para o interior para edificar os caipiras." "Paul Muni! Charlie tem razão", disse ela. "Você não está no século certo." "É verdade." "Mas Charlie não éruim!", ela exclamou. "Eu não disse que ele é ruim. Ele é irresponsável, vaidoso, histérico. Não tem nada a ver com ruindade." "Irresponsável! O que você quer dizer com irresponsável?" Fique quieta!", disse Otto. E passou os braços em torno de Sophie. "Cuidado!", disse ela. "Vai se sujar de sangue!" [...]. Trecho extraído da obra Desesperados (Companhia das Letras, 2007), da escritora estadunidense Paula Fox (1923-2017).

DE GRAMÁTICA E DE LINGUAGEM - E havia uma gramática que dizia assim: / "Substantivo (concreto) é tudo quanto indica / Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta". / Eu gosto das cousas. As cousas sim !... / As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso. / As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém. / Uma pedra. Um armário. Um ovo, nem sempre, / Ovo pode estar choco: é inquietante...) / As cousas vivem metidas com as suas cousas. / E não exigem nada. / Apenas que não as tirem do lugar onde estão. / E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta. / Para quê? Não importa: João vem! / E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão, / Amigo ou adverso...João só será definitivo / Quando esticar a canela. Morre, João... / Mas o bom mesmo, são os adjetivos, / Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto. / Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso. / Sonoro. Lento. Eu sonho / Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos / Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais. / Ainda mais: / Eu sonho com um poema / Cujas palavras sumarentas escorram / Como a polpa de um fruto maduro em tua boca, / Um poema que te mate de amor / Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido: / Basta provares o seu gosto... Poema do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui.

PAULINE NA PRAIA
A comédia Pauline na Praia (1983), do cineasta, crítico de arte, roteirista e professor francês Eric Rohmer (1920-2010), conta a viagem em férias de verão de uma adolescente para as praias da Normandia, com uma prima adulta que está se divorciando e reencontra uma antiga paixão. Durante essas férias a adolescente orgulhosa e sensível descobre os jogos do amor com um jovem que está à procura de uma garota da sua idade. As duas vão se envolver com seus amigos aproveitando a vida e as situações, independentemente das consequências. Veja mais aqui.
IV Congresso Internacional de Literatura e Ecocrítica & muito mais na Agenda aqui.
&
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella de Forrest J. Ackerman, Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, julho 04, 2014

SUSAN BROWNMILLER, CAROLINA QUINTERO VALVERDE, LUKÁCS, GOLDING & BOCCACCIO

 

LIÇÃO DO FOGO - O elemento e as dúvidas de Shakespeare, os rituais e a poética de Bachelard, o ponto de ignição e a mente de Plutarco, a língua e a orgia de Artaud. A reação, a pólvora chinesa e a sabedoria de Yourcenar. As chamas, a casa de Horácio e o sofrimento de Gandhi. O combustível e os livros de Valery. A combustão e as carruagens de Vangelis. A limpa da terra e os escondidos de Neruda, o cozinhamento e as brasas de Tagore, o calor e a passagem de Dante, a luz e o amor de Rilke, a propulsão e os impulsos de Poe, a fundição e a arte de Brecht, a forja e a poesia de Maiakoviski, a incineração e Gransci de Pasolini, os incêndios – da homérica Troia, das bombas de Guérnica, dos napalms do Vietnã, das guerras descabidas. Os riscos de queimadura e as vantagens de Wilde, a poluição e Gonzagão cantando Chico Mendes, a erosão e a Terra de Eliot, arma inexorável de destruição – ambição e desumanidade, as diversas formas de fanatismos dos autos-da-fé, a barbárie da inquisição secular renovada de sempre, o interior de Castañeda. As cinzas e a cremação, os pássaros de Stravinsky. Assim aprendemos a nos queimar ardentes de paixões, a nos aquecer do frio na solidão, a nos proteger de invasores e equívocos, a queima nossos fantasmas e esperança, a anunciar onde estamos ou se nos perdemos na primeira certeza, a cuidar de nós e de tudo, dominá-lo nem sempre dá certo. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - As palavras podem, através da devoção, da habilidade, da paixão e da sorte dos escritores, provar ser a coisa mais poderosa do mundo. Elas podem levar os homens a falar uns com os outros porque algumas dessas palavras em algum lugar expressam não apenas o que o escritor está pensando, mas o que um grande segmento do mundo está pensando... Precisamos de mais humanidade, mais cuidado, mais amor. Há quem espere que um sistema político produza isso; e outros que esperam que o amor produza o sistema. Minha própria fé é que a verdade do futuro está entre os dois e que nos comportaremos humanamente e um pouco humanamente, tropeçando, aleatoriamente generosos e galantes, tolamente e mesquinhamente sábios, até que o estupro de nosso planeta seja visto como a loucura absurda que isso é... Pensamento do escritor e dramaturgo William Golding (1911-1993), autor da obra O senhor das moscas. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU - É melhor agir e correr o risco de se arrepender do que se arrepender de não ter feito nada... Nada é tão indecente que não possa ser dito a outra pessoa se as palavras certas forem usadas para transmiti-lo... Pensamento do poeta e crítico literário italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375), autor de Decameron, que é uma coleção de cem novelas escritas entre 1348 e 1353. O livro é estruturado como uma história que contêm 100 contos contados por um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigam em um castelo próximo de Florença para fugir da peste negra, que afligia a cidade. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

TEORIA DO ROMANCE –[...] Afortunados os tempos para os quais o céu estrelado é o mapa dos caminhos transitáveis e a serem transitados, e cujos rumos a luz das estrelas ilumina. Tudo lhes é novo e no entanto familiar, aventuroso e no entanto próprio. O mundo é vasto, e no entanto é como a própria casa, pois o fogo que arde na alma é da mesma essência que as estrelas; distinguem-se eles nitidamente, o mundo e o eu, a luz e o fogo, porém jamais se tornarão para sempre alheios um ao outro, pois o fogo é a alma de toda luz e de luz veste-se todo fogo. Todo ato da alma torna-se, pois, significativo e integrado nessa dualidade: perfeito no sentido e perfeito para os sentidos; integrado, porque a alma repousa em si durante a ação; integrado, porque seu ato desprende-se dela e, tornado si mesmo, encontra um centro próprio e traça a seu redor uma circunferência fechada. [...] a épica, por colar-se à vida, eleva-a à imanência do sentido ("como pode a vida tornar-se essencial?"); o drama, por intensificar o sentido, desperta a essência para a vida ("como a essência pode tornar-se viva?") [...] Ainda que a vida não mais contasse com um sentido imanente, o drama logrou equilibrar-se na corda bamba da forma, o que lhe garantiu uma sobrevida negada à epopeia. Por virtude de suas leis internas, e não por fechar-se à nova realidadé1, é que o drama pôde perpetuar-se ao longo do tempo, encastelado numa redoma formal que o amarrava, por outros meios, à vida moderna. [...] De causa em causa, sobe-se à causa última, incondicionada, que não é efeito de outra causa. Ao longo de toda a série, a estrita necessidade que une os elos permite indagar o porquê do vínculo, a razão pela qual algo ocorre. Somente essa causa última dá uma resposta incontrastável à pergunta pelo motivo. [...] Trata-se, portanto, de uma luta levada a extremos, que simboliza num único embate o conjunto da vida, e na qual o homem tem sempre de sucumbir. [...] Não é com resignação melancólica que o herói aceita a ruína, mas de cabeça erguida, certo de realizar sua essência concreta no momento em que assume a fatalidade, sem os disfarces da vida comum, subindo ao degrau mais alto da existência [...]. Trechos extraídos da obra A teoria do romance: um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande épica (34, 2000), do filósofo, crítico literário e pensador marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971), autor, entre outras obras, de O estilhaçar da forma em contato com a vida (1909) e do Ensaio sobre Kierkegaard - A alma e as formas (1911). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

CONTRA NOSSA VONTADE - [...] A violação é nada mais nada menos do que um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo. [...] Todo estupro é um exercício de poder, mas alguns estupradores têm uma vantagem que é mais do que física. Operam num ambiente institucionalizado que funciona a seu favor e no qual a vítima tem poucas hipóteses de reparar a sua queixa. A violação na escravatura e a violação em tempo de guerra são dois exemplos. Mas os violadores também podem operar num ambiente emocional ou numa relação de dependência que proporciona uma estrutura hierárquica e autoritária própria que enfraquece a resistência da vítima, distorce a sua perspectiva e confunde a sua vontade. [...]. Trechos extraídos da obra Against Our Will: Men, Women and Rape (Ballantine, 1993), da jornalista e escritora estadunidense Susan Brownmiller, que na obra Femininity (‎Ballantine, 1985), expressa que: [...] Dependendo do que estava disponível num determinado clima, uma variedade de fibras porosas eram usadas (e ainda são usadas na maioria dos países) para estancar o sangue mensal: enchimentos improvisados de raízes e cascas, tampões caseiros de papel amassado, algodão ou lã, e fraldas reutilizáveis feitas de pedaços de tecido grosso dobrados, os vergonhosos e volumosos trapos menstruais da geração da minha avó que eram furtivamente esfregados em água fria e deixados para secar em um lugar secreto [...] O aspecto animalesco dos pêlos corporais, para uma sensibilidade muito refinada, e o fato de as mulheres detidas não terem acesso às suas navalhas, levaram sem dúvida um criminologista pioneiro do século XIX, chamado Cesare Lombroso, a propor que o tipo de corpo da mulher infratora era caracteristicamente hirsuto. [...] Os pelos das pernas não eram um problema para as mulheres americanas antes da década de 1920 porque as pernas da maioria das mulheres nunca estavam à vista do público. Quando uma mudança de atitude em relação à recreação, moda e emancipação feminina durante a próspera Era do Jazz do pós-guerra tornou socialmente aceitável para mulheres de todas as idades e classes exporem seus membros, a modéstia em relação à propriedade de mostrar as pernas foi transformada com surpreendente rapidez em uma delicada autoconsciência em relação ao cabelo “feio”. [...] Biologicamente, uma mulher tem menos glândulas sudoríparas funcionais do que um homem e também tem um limiar de transpiração ligeiramente mais elevado, exceto durante a gravidez. Assim, as mulheres, em regra, transpiram menos que os homens, mas esta pequena diferença não foi considerada suficientemente grande para distinguir os sexos. Uma senhora não deve suar nada. [...]. Ela ainda expressa que: Um mundo sem violação seria um mundo em que as mulheres se movimentassem livremente sem medo dos homens. Que o estupro de alguns homens representa uma ameaça suficiente para manter todas as mulheres em constante estado de intimidação, sempre conscientes do conhecimento de que a ferramenta biológica deve ser respeitada, pois pode se transformar em arma com rapidez repentina, nascida de intenções prejudiciais... Em vez disso, do que os aberrantes da sociedade ou"estragadores de pureza", os homens que estupram servem na verdade como tropas de choque masculinas na linha de frente, guerrilheiros terroristas na mais longa batalha sustentada que o mundo já conheceu. Veja mais aqui e aqui.

 

MIGRAÇÕES - Longe das grandes migrações animais: \ os salmões que regressam à sua casa de água doce, \ as tartarugas marinhas que depositam os seus ovos na praia \ onde nasceram. \ Aqui falta-nos magnetismo, \ uma certa noção de espaço e tempo que nos diz para onde ir. \ Uma bússola dentro das borboletas \ faz com que elas viajem milhares de quilômetros sem se perderem. \ Os ursos farejam a vida a quilômetros de distância \ e os elefantes sempre se lembram de seus mortos. \ Nós, temos uma memória frágil \ e uma marca nos cromossomos \ que nos faz fugir por mar por terra. \ Então, migramos de um esquecimento para outro guiado pelo instinto. Poema da poeta costarriquenha Carolina Quintero Valverde, autora da obra Little Death in the Arctic (Perro Azul, 2010).

 

Curtindo Por una cabeza (Perfume de Mulher), de Carlos Gardel & Alfredo Le Pera, com Astor Piazzola.

BURLE MARX - O arquiteto e pintor brasileiro Roberto Burle Marx (1909-1994), produziu verdadeiros poemas paisagísticos. Para ele, o poeta Antonio Miranda escreveu Os jardins de Burle Marx: “Roberto entronizava tapetes vegetais, samambaias, gravatás. Pintava jardins tropicais. Cantos rodados cipós, palmeiras, trepadeiras redescobrindo a flora brasileira, no Itamaraty, no Alvorada – ou teria sido na Alemanha? – na floresta amazônica na Mata Atlântica dos manguezais aos canaviais. Roberto pintava com seivas florestais, cubistas, painéis herbóreos helicônias, aristolóquias ou pedras e heras, jardins suspensos, ninfeáceas. (Plantou, disseminou). São paisagens ou são painéis, são janelas para o interior, arestas e frestas de luz. Cores, formas, geometrias impossíveis, mutantes, são pinturas sem molduras, relevos, bordaduras, volumes. São memória e vida”. Veja mais aqui.

 Imagem: Negra, óleo sobre tela  (1941) de Roberto Burle Marx.


ADOLFO CASAIS MONTEIRO – O poeta, crítico e novelista português, Adolfo Vitor Casais Monteiro, em seu livro Poesias Completas (1969), escreveu o poema Toco-te e és verdade: “Toco-te e és verdade. Mas não serás em breve um sonho que passou? Agora tua cabeça pousando no meu ombro não mente: és bem presente, passarinho vivo no meu ramo pousado. Mas logo voarás e sumirão no escuro o ramo mais a árvore...”. Veja mais aqui, aqui e aqui.


DORO E O BRASIL NA COPA DO MUNDO - Já dizia o apedeuta Doro: “Jogador só é bom quano tá no outro time; quando tá do lado da gente, é uma merda só. Purisso que digo: o time da gente só vale se o adversáo for bom! Tenho dito”. Veja mais aqui.


ADRIANA GARAMBONE –A atriz, dançarina e cantora Adriana Garambone Guerra é formada em Letras e cursou teatro na Casa de Arte Laranjeiras (CAL). Começou sua carreira como modelo em 1986, passando depois para o teatro e televisão. No teatro encenou diversas peças, desde Romeu e Julieta, de Shakespeare, Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, e Gypsy... Gypsy Rose Lee, entre outras. No cinema fez O homem nu (1997) e Apolônio Brasil – O campeão da alegria (2003), ambos de Hugo Carvana. Na televisão fez diversos papéis para novelas e séries, a exemplo de As mãos de meu filho (2010), Rebelde (2011), Casamento blindado (2013), O amor e a morte (2013) e Milagres de Jesus (2014), entre outras participações. Hoje é o aniversário dela. Aqui, nossa homenagem: parabéns, Adriana, feliz aniversário & sucesso!


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