OS QUINZE ANOS
DE CLARINHA – Imagem: arte do artista plástico e
visual estadunidense Jim Peters.- Dois
dias antes de debutar, Clarinha gritou por mim. Estacionei o veículo e ela veio
às pressas com aquele seu pujante jeito de ser: blusinha de alças segurando os
seios quase pulando fora e à mostra num decote acentuado, sainha curtinha
cobrindo o estritamente necessário e deixando à mostra um par de coxas para lá
de estonteantes e volumosas, uma juventude num rosto de riso nos olhos vivos e lindos
de morrer. Depois de amanhã é meu aniversário, não se esqueça! Jamais poderia
esquecer, nem que quisesse. Ao chegar à emissora, corri logo pra agenda e com
letras garrafais, no dia marcado, inscrevi: aniversário de Clarinha. Envolvi-me
nos afazeres e só, no dia seguinte, já de noite, lá vinha Clarinha tão bela
quanto nunca, sempre com suas blusinhas de alças decotadas, sainhas minúsculas
e recheio apetitoso esborrando das vestes. Para, para! Sim? Ah, me leva pra
algum lugar, vai! Disse-me apressada já abrindo a porta e sentando ao meu lado
no interior do automóvel. A surpresa de sua invasão não me impediu de uma
olhadela na sainha dobrada ao quadril com o movimento das coxas, sem calcinha,
e o decote dos seios fartos sem sutiã à mostra nos bicos dos seios empinados
estufando na blusinha. Acelerei e engatei primeira pra segunda, segui a esmo
rua afora. Seu aniversário é amanhã, né, Clarinha? É. A tácita resposta me deu
a impressão de que não estava bem. Algum problema? Não, quero que me leve daqui
pra algum lugar, só nós dois. Um restaurante? Não. Um barzinho? Não. Pra onde?
Um motel! Não posso, você é menor de idade. Dê seu jeito, quero ir prum motel,
me leve. Não posso. Tem de poder, eu quero. Aproveitei a aproximação de um
posto de gasolina e estacionei: Não posso levá-la prum motel, você é menor de
idade e seus pais são meus amigos. Tem que me levar, eu quero. Não posso. Eu
quero o meu presente. Ah, seu presente eu ainda vou comprar amanhã. Quero hoje e
agora. Não posso, o comércio já está fechado a esta hora da noite. Não precisa
comprar, basta me dar. O que você quer? Quero um filho seu. Não posso,
Clarinha, sou casado, você tem quatorze anos, é menor de idade, e seus pais são
meus amigos. Eu quero meu presente agora: um filho seu! Não, Clarinha. Você não
sente atração por mim? Não. Você não acha que eu mereço uma peiada e embuchar
de você? Clarinha, eu tenho trinta e cinco anos, sou casado, tenho filhos. Eu
quero um filho seu! Não é assim, Clarinha, sou casado, tenho responsabilidades,
seus pais não me perdoarão. Ah, eu quero um filho seu, sou apaixonada por você
desde minha infância, sonho com você, tenho sonhos e gozos com você todas as
noites, me contorço na cama com você e me toco e gozo diversas vezes sonhando
ser possuída por você, me dê esse presente, vá! Não, Clarinha, não é assim. De repente
ela me agarrou, lágrimas nas faces e me beijou a boca com seu hálito de rosa dos
campos, seu corpo de sedução das mil e uma noites de prazer, seus seios fartos
enchendo as minhas mãos, seu sexo túrgido e nu todo se esfregando ao meu que
foi retirado à força por suas mãos ágeis enveredando braguilha adentro e
enrijecido pelo toque de seus dedos hábeis, apontado pra direção dos seus
múltiplos prazeres e eu sufocado por seus beijos em meus lábios, faces, tronco
aberto da camisa, até alcançar meu sexo sobejado pela saliva abundante de sua
boca gulosa e quente, delirando ávida em me abocanhar até me provocar ereção enlouquecedora,
não, Clarinha, não, mais ela felava e me arriava as calças para esfregar sua
vagina em minhas pernas, ronronando louca e me apertando forte e me engolindo trêmula
e traquina para que eu estertorasse o sacrifício de segurar o gozo enquanto ela
atiçava labareda incendiárias com sua língua inquieta na boca faminta, não
Clarinha, e me sugou e bebeu todo meu gozo como quem tivesse roubado o manjar
escondido. Não, Clarinha. Não, nada, agora tenho você, se não me quer dar um
filho, darei pro primeiro que cruzar e você vai ver, vou me vingar de você com
o primeiro que me aparecer. Abriu a porta do carro e saiu correndo sem que eu
pudesse alcançá-la. Tomou um táxi e sumiu. Segui adiante, fiz o retorno na via
e fui direto em direção pra casa dela. Vi quando o táxi estacionou em frente a
sua residência. Ela desceu e desapareceu lá pra adentro. Eu estava
desconcertado, fui pra casa com ela perseguindo meus pensamentos. Nem consegui
ir pra cama, deitei no sofá e logo dormi sonhando com as peripécias de
Clarinha. O dia amanheceu e acordei com o telefone, atendi: Hoje é meu
aniversário, não falte! Eu me levantei pro ritual de todas as manhãs e fui
trabalhar. A cada hora o telefone: Hoje é meu aniversário, não esqueça! O dia
pela tarde, noite entrante e o telefone insistente. Fui. Lá chegando, poucas pessoas,
festa simples, os pais me recepcionaram alegremente, dei graças ao rever o
poeta há anos que não tinha notícia, foi a minha salvação. Logo ela apareceu
linda como sempre, deu-me um chauzinho de escárnio e puxou o poeta a um canto,
conversaram e muito. Fui surpreendido pelos pais delas, conversamos, mais um
pouco anunciei que ia embora. Não me deixaram, havia uma surpresa no ar,
aguardei. Foi quando Clarinha anunciou o seu presente: o seu casamento com o
poeta. Como? Ele vinte e cinco anos mais velho que ela, como pode? Os pais tão
surpresos como eu, nada entendiam. O poeta no meio da saia justa deixou
entender que se tratava de um arroubo dela, mas que era do seu agrado e desejo.
Formalmente pediu a mão dela em casamento aos pais e me convidou para padrinho.
No meio do mal-estar, depois de muito se olharem, não houve outra alternativa:
todos aceitaram, não pude recusar. Seis meses depois reencontro Clarinha
grávida de mãos dadas com o marido e um convite para que eu fosse o padrinho do
bebê. Não deu tempo nem responder, Clarinha abraçou-me sussurrando: Você não me
quis, mas esse filho é seu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
Veja mais aqui & aqui.TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
quarta-feira, novembro 08, 2017
CONFÚCIO, ARNALDO TOBIAS, IGNEZ DE ALMEIDA PESSOA, JIM PETERS, MULHERES NO MUNDO & BELÉM DE MARIA
OS QUINZE ANOS
DE CLARINHA – Imagem: arte do artista plástico e
visual estadunidense Jim Peters.- Dois
dias antes de debutar, Clarinha gritou por mim. Estacionei o veículo e ela veio
às pressas com aquele seu pujante jeito de ser: blusinha de alças segurando os
seios quase pulando fora e à mostra num decote acentuado, sainha curtinha
cobrindo o estritamente necessário e deixando à mostra um par de coxas para lá
de estonteantes e volumosas, uma juventude num rosto de riso nos olhos vivos e lindos
de morrer. Depois de amanhã é meu aniversário, não se esqueça! Jamais poderia
esquecer, nem que quisesse. Ao chegar à emissora, corri logo pra agenda e com
letras garrafais, no dia marcado, inscrevi: aniversário de Clarinha. Envolvi-me
nos afazeres e só, no dia seguinte, já de noite, lá vinha Clarinha tão bela
quanto nunca, sempre com suas blusinhas de alças decotadas, sainhas minúsculas
e recheio apetitoso esborrando das vestes. Para, para! Sim? Ah, me leva pra
algum lugar, vai! Disse-me apressada já abrindo a porta e sentando ao meu lado
no interior do automóvel. A surpresa de sua invasão não me impediu de uma
olhadela na sainha dobrada ao quadril com o movimento das coxas, sem calcinha,
e o decote dos seios fartos sem sutiã à mostra nos bicos dos seios empinados
estufando na blusinha. Acelerei e engatei primeira pra segunda, segui a esmo
rua afora. Seu aniversário é amanhã, né, Clarinha? É. A tácita resposta me deu
a impressão de que não estava bem. Algum problema? Não, quero que me leve daqui
pra algum lugar, só nós dois. Um restaurante? Não. Um barzinho? Não. Pra onde?
Um motel! Não posso, você é menor de idade. Dê seu jeito, quero ir prum motel,
me leve. Não posso. Tem de poder, eu quero. Aproveitei a aproximação de um
posto de gasolina e estacionei: Não posso levá-la prum motel, você é menor de
idade e seus pais são meus amigos. Tem que me levar, eu quero. Não posso. Eu
quero o meu presente. Ah, seu presente eu ainda vou comprar amanhã. Quero hoje e
agora. Não posso, o comércio já está fechado a esta hora da noite. Não precisa
comprar, basta me dar. O que você quer? Quero um filho seu. Não posso,
Clarinha, sou casado, você tem quatorze anos, é menor de idade, e seus pais são
meus amigos. Eu quero meu presente agora: um filho seu! Não, Clarinha. Você não
sente atração por mim? Não. Você não acha que eu mereço uma peiada e embuchar
de você? Clarinha, eu tenho trinta e cinco anos, sou casado, tenho filhos. Eu
quero um filho seu! Não é assim, Clarinha, sou casado, tenho responsabilidades,
seus pais não me perdoarão. Ah, eu quero um filho seu, sou apaixonada por você
desde minha infância, sonho com você, tenho sonhos e gozos com você todas as
noites, me contorço na cama com você e me toco e gozo diversas vezes sonhando
ser possuída por você, me dê esse presente, vá! Não, Clarinha, não é assim. De repente
ela me agarrou, lágrimas nas faces e me beijou a boca com seu hálito de rosa dos
campos, seu corpo de sedução das mil e uma noites de prazer, seus seios fartos
enchendo as minhas mãos, seu sexo túrgido e nu todo se esfregando ao meu que
foi retirado à força por suas mãos ágeis enveredando braguilha adentro e
enrijecido pelo toque de seus dedos hábeis, apontado pra direção dos seus
múltiplos prazeres e eu sufocado por seus beijos em meus lábios, faces, tronco
aberto da camisa, até alcançar meu sexo sobejado pela saliva abundante de sua
boca gulosa e quente, delirando ávida em me abocanhar até me provocar ereção enlouquecedora,
não, Clarinha, não, mais ela felava e me arriava as calças para esfregar sua
vagina em minhas pernas, ronronando louca e me apertando forte e me engolindo trêmula
e traquina para que eu estertorasse o sacrifício de segurar o gozo enquanto ela
atiçava labareda incendiárias com sua língua inquieta na boca faminta, não
Clarinha, e me sugou e bebeu todo meu gozo como quem tivesse roubado o manjar
escondido. Não, Clarinha. Não, nada, agora tenho você, se não me quer dar um
filho, darei pro primeiro que cruzar e você vai ver, vou me vingar de você com
o primeiro que me aparecer. Abriu a porta do carro e saiu correndo sem que eu
pudesse alcançá-la. Tomou um táxi e sumiu. Segui adiante, fiz o retorno na via
e fui direto em direção pra casa dela. Vi quando o táxi estacionou em frente a
sua residência. Ela desceu e desapareceu lá pra adentro. Eu estava
desconcertado, fui pra casa com ela perseguindo meus pensamentos. Nem consegui
ir pra cama, deitei no sofá e logo dormi sonhando com as peripécias de
Clarinha. O dia amanheceu e acordei com o telefone, atendi: Hoje é meu
aniversário, não falte! Eu me levantei pro ritual de todas as manhãs e fui
trabalhar. A cada hora o telefone: Hoje é meu aniversário, não esqueça! O dia
pela tarde, noite entrante e o telefone insistente. Fui. Lá chegando, poucas pessoas,
festa simples, os pais me recepcionaram alegremente, dei graças ao rever o
poeta há anos que não tinha notícia, foi a minha salvação. Logo ela apareceu
linda como sempre, deu-me um chauzinho de escárnio e puxou o poeta a um canto,
conversaram e muito. Fui surpreendido pelos pais delas, conversamos, mais um
pouco anunciei que ia embora. Não me deixaram, havia uma surpresa no ar,
aguardei. Foi quando Clarinha anunciou o seu presente: o seu casamento com o
poeta. Como? Ele vinte e cinco anos mais velho que ela, como pode? Os pais tão
surpresos como eu, nada entendiam. O poeta no meio da saia justa deixou
entender que se tratava de um arroubo dela, mas que era do seu agrado e desejo.
Formalmente pediu a mão dela em casamento aos pais e me convidou para padrinho.
No meio do mal-estar, depois de muito se olharem, não houve outra alternativa:
todos aceitaram, não pude recusar. Seis meses depois reencontro Clarinha
grávida de mãos dadas com o marido e um convite para que eu fosse o padrinho do
bebê. Não deu tempo nem responder, Clarinha abraçou-me sussurrando: Você não me
quis, mas esse filho é seu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
Veja mais aqui & aqui.quinta-feira, julho 27, 2017
OBJETOS DE BAUDRILLARD, INGEBORG BACHMANN, CARL ORFF, CHLOË HANSLIP, NELSON FREIRE, MITSUKO UCHIDA, DOROTHY IANNONE & NITOLINO!
NITOLINO NO REINO ENCANTADO DE TODAS AS COISAS - A ideia
de criação do personagem Nitolino
surgiu com o convite feito pela professora e coordenadora pedagógica, Ceiça
Mota, da Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, bairro de Canaã, Maceió,
para recreações com contação de história em turmas de educação infantil. O que
era para ser um único momento findou em contínuas apresentações tanto para alunos
da educação infantil até as quartas séries do Ensino Fundamental, com as
histórias dos meus livros para crianças, como também para estudantes das demais
series do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos
(EJA), para os quais desenvolvi atividades com literatura de cordel, tudo
enquadrado ao meu projeto Brincarte nas
Escolas. Assim foi ao longo de todo mês de julho em 2008, finalizando com o
lançamento dos meus livros infantis Turma
do Brincarte e Frevo Brincarte,
e do cordel Tataritaritatá, com
exposição dos meus outros livros publicados, palestras, contação e cantação de
histórias. Depois disso, como eu estava recebendo inúmeros convites dos mais
diversos educandários, tanto da rede pública como da rede privada de Alagoas e
de outros estados, o personagem foi tomando corpo e, já no mês de agosto do
mesmo ano, o Nitolino já se
apresentava em colégios, associações de moradores, centros recreativos e de
saúde, bem como nos mais diversos auditórios das mais variadas instituições
sociais, fato que levou a criação do evento Natal do Nitolino, com o objetivo de levar livros, contação de
história e promover o hábito da leitura entre crianças das áreas periféricas
das cidades, bem como da participação em eventos nas Bienais do Livro,
Convenções, Congressos, Palestras e em mesas de debates, fato este que levou
durante os anos de 2009, 2010 e 2011, à realização de temporadas do espetáculo Nitolino no Reino Encantado de Todas as
Coisas, no Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió, concomitante ao lançamento
do livro homônimo e da segunda edição do livro infantil O lobisomem zonzo, culminando com a gravação do DVD com o resultado
dos espetáculos destinados aos alunos da rede pública de ensino e,
posteriormente, abertos para o público em geral. Além do mais, Nitolino nada mais é que a minha eterna
maneira de ser menino com a perspectiva de que ser criança é pra brincar e ser
feliz; com a esperança de que este possa ser um mundo no qual as pessoas possam
construir relações saudáveis respeitando uns aos outros, cuidando do planeta e
reconhecendo o outro como extensão afetiva de si e de toda irmandade humana;
enfim, a minha crença de que o Brasil possa ser um país melhor, mais justo e
solidário, porque todo dia é dia de ser
criança. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
perdi o mundo.
sábado, janeiro 09, 2016
FONTE, GABO, WATTS, ÉLUARD, CARL OFF, BERGMAN, JOSÉ PAULO PAES, BÉJART, MONTAIGNE, BONASSI, RACHEL LUCENA & MUITO MAIS!
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA: FONTE - Quando
o dia amanhece em seu sorriso, tudo é festa mais que sou do meio dia, tudo vibra
de eclosão na natureza, tudo brota antes árido sertão. É nela que faço meu
canto e minha poesia, porque dela é a terra que se faz mar fecundo pra me
inundar do verde ao azul por inteiro como amargo para descobrir o doce que não
tenho: o prazer que não sou para me dar o que nem mereço. E o meu prazer é ela
me comendo aos poucos pelos bagos soltos da jaqueira que lhe servisse ao
paladar da predileção. E já posso ver o Sol nascer entre os seus seios pra
pulsar de emoção minha planície mais que versátil de assimetria, emergindo meu
vulcão da mais longínqua freguesia pra fremir na maior erupção. É aí no seu
colo que se faz nascente para ser tão grande quanto queira e são meus seus
dotes que me fazem vivo entre suas mãos, quando ela prefere a noite por
trazerem respostas pras nossas mais loucas aventuras. E quando a manhã se faz
plena no seu ventre mais que solaçoso sou adulto mais que rijo tão viril nessa
fonte inesgotável de prazer. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.QUANDO TE VI
ARDÊNCIA
quinta-feira, julho 10, 2014
JANET MOCK, LOUISE MICHEL, NINA HARTLEY & VITA SACKVILLE-WEST
A VIRGEM VERMELHA
-A geminiana de Haute-Marne, filha de serviçais do Castelo de Vroncourt, foi
criada pelos avós paternos que, ao falecerem, teve que se encaminhar Chaumont, com
a intenção de cursar magistério. Ao se formar, ela foi impedida de lecionar por
recusar-se a jurar lealdade ao imperador. As agruras levaram-na à poesia adolescente
de temperamento altruísta, fundando uma escola livre em Audelocourt. A professora
republicana das crianças entoava a Marselhesa entre as lições. Por pressão das
autoridades, a escola é fechada. Persiste e abre outra em Clefmont, a qual sofre
as mesmas perseguições. Muda-se para Paris para ensinar às moças de Montmartre,
dedicando-se à política revolucionária e à solidariedade com apoio às escolas e
orfanatos laicos. Seus primeiros versos emergem sob o pseudônimo de Enjolras, e
da poesia surge Victorine, fruto de uma paixão poética que a expressaria como Judith,
la sombre Juive e Ária, la Romaine – pintada como excepcional e
tragicamente destinada. Participou ativamente do periódico O Grito do Povo e
tornou-se membro da União dos Poetas, atuando no auxílio aos desempregados,
reconhecendo-se blanquista. Durante a Guerra franco-prussiana ela militou
contra o encarceramento de seus parceiros, além de lutar contra a fome ao criar
um refeitório comunitário para as crianças. Virou então anarquista, importante communards
na linha de frente, pelas barricadas, além de enfermeira sindicalista durante a
batalha da Comuna de Paris, cuidando dos feridos. Vestiu uma farda revolucionária
para deflagrar a bandeira negra dos seus ideais libertários, tentando livrar a
mãe da prisão. A escritora feminista não foi poupada de assistir a execução de
muitos dos seus, ocasião em que escreveu o seu poema Os cravos rubros. Em
seu louvor um outro poema lhe homenageou: Viro Major. Ela foi, então, capturada,
julgada e deportada para a Nova Caledônia e nomeada pela imprensa estatal de la
Louve rouge, la Bonne Louise – controvertidamente considerada tanto santa
quanto herege. No exílio ela foi acolhida pelos kanak, criando uma
revista: Petites Affiches de la Nouvelle-Calédonie. O público festeja os
cantos e lendas dos nativos publicadas por ela: Légendes et chansons de
gestes canaques. Voltou a lecionar para crianças e adultos locais, tomando parte
da revolta dos aborígenes. O retorno foi consagrado, contudo, uma vigilância aguda
com sua volta pelo envolvimento entre operários, levando à prisão um tanto de
vezes pela sua militância revolucionária. Mesmo assim foi contemplada com o sucesso
de La Misère. Novamente presa pela repressão estatal, foi condenada e proibida
de discursar em público. Vítima de um atentado, ela se recusou a prestar queixa
contra o agressor, sendo taxada de louca e se expondo por conferências e
manifestações públicas, até ser acometida por uma pneumonia que a levou ao
túmulo sob a celebração maçônica. Veja mais abaixo e mais aqui, aqui &
aqui.
DITOS & DESDITOS - Sexo é minha prática. É onde eu sempre me esforço para dar o melhor de mim. Tento ser a mais honesta possível, a mais presente possível, a mais
centrada possível, a mais gentil possível, a mais
generosa possível, sem ser capacho.Tornei-me
uma pessoa cinestésica porque sempre intelectualizo demais. E sentimentos, para mim, são um conceito. Sentimentos? Ah sim, já ouvi falar disso. Acho que a maioria das pessoas está
programada para ser monogâmica por curtos períodos de cada vez. Com isso quero
dizer que, quando estão apaixonados, realmente não querem nem precisam de mais
ninguém. Para eles, a monogamia não é um problema. Vinte por cento das pessoas
são do tipo poliamoroso ou swinger. Eles nunca serão monogâmicos e não querem
ser. Os restantes 60% da população estão presos algures num espectro entre a
monogamia feliz e a monogamia não feliz. Alguns porque esse foi o voto que eles
fizeram e basicamente concordam com isso, e não querem ser mentirosos ou
trapaceiros. Alguns ficam ativamente zangados com isso e provocam brigas. Alguns
ficam insatisfeitos com isso e, embora não trapaceiem, afastam-se
emocionalmente dos parceiros, dando a si mesmos o pior dos dois mundos. Alguns
estão traindo ativamente, mas não abandonam o casamento. Algumas pessoas
ficariam felizes em casa se pudessem ficar um pouco “estranhas” algumas vezes
por ano e não deixar que isso fosse um grande problema. Eles não querem perder
tudo o que construíram com seus companheiros, mas apenas querem provar algo
diferente. Tenho compaixão
instantânea pelos homens como seres humanos iguais. Igualmente derrotados pelo patriarcado e igualmente
perdidos e errantes. Pelo menos as mulheres podem se abraçar. Pensamento da atriz, cineasta,
escritora, feminista e educadora estadunidense Nina Hartley, pseudônimo de Marie
Louise Hartman.
ALGUÉM FALOU: Não há nada mais amável na vida do que
a união de duas pessoas cujo amor por um ao outro cresceu durante os anos,
desde a pequena bolota de paixão, em uma grande árvore enraizada...
Pensamento da escritora britânica Vita Sackville-West (1892-1962). Veja
mais aqui.
REDEFININDO A REALIDADE - [...] Acredito que contar as nossas histórias, primeiro para
nós mesmos e depois uns para os outros e para o mundo, é um ato revolucionário. É um ato que pode ser enfrentado com hostilidade,
exclusão e violência. Também pode levar ao amor, à compreensão, à
transcendência e à comunidade. Espero que ser verdadeiro com você ajude a capacitá-lo a
assumir quem você é e a encorajá-lo a se compartilhar com as pessoas ao seu
redor. [...] Já ouvi pais dizerem que tudo o que querem é “o melhor”
para os seus filhos, mas o melhor é subjetivo e ancorado na forma como conhecem
e aprendem o mundo.
[...] Ser excepcional não é revolucionário, é solitário. Isso separa você de sua comunidade. Quem é você, realmente, sem comunidade? Tenho sido constantemente considerada um símbolo, como o
tipo “certo” de mulher trans (educada, saudável, atraente, articulada,
heteronormativa). Promove a ilusão de que, porque eu “consegui”, esse nível
de sucesso é facilmente acessível a todas as jovens mulheres trans. Sejamos claros: não é. [...] Aquelas partes de você que você deseja
desesperadamente esconder e destruir ganharão poder sobre você. A melhor coisa
a fazer é enfrentá-los e possuí-los, porque eles serão para sempre parte de
você. [...] Minha avó e minhas duas tias eram uma exibição de
resiliência, desenvoltura e feminilidade negra. Raramente falavam sobre a injustiça do mundo com as
palavras que uso agora com os meus amigos da justiça social, palavras como
“interseccionalidade” e “igualdade”, “opressão” e “discriminação”. Eles não discutiam essas coisas porque estavam muito
ocupados vivendo, navegando e sobrevivendo. [...] Autodefinição e autodeterminação têm a ver
com as muitas e variadas decisões que tomamos para compor e caminhar em direção
a nós mesmos, com a audácia e a força para proclamar, criar e evoluir para quem
sabemos que somos. Não há problema se sua definição pessoal estiver em
constante estado de fluxo enquanto você navega pelo mundo. [...] Não existe fórmula quando
se trata de gênero e sexualidade. No entanto, muitas vezes são apenas as pessoas cuja
identidade de género e/ou orientação sexual nega os padrões heteronormativos e
cisnormativos da sociedade que são alvo de estigma, discriminação e violência. Desejo que, em vez de investir nestas hierarquias do que
está certo e de quem está errado, do que é autêntico e de quem não é, e de
classificar as pessoas de acordo com estes padrões rígidos que ignoram a
diversidade nos nossos géneros e sexualidades, demos às pessoas liberdade e
recursos para definir, determinar, e declare quem eles são. [...] Bondade e compaixão são
irmãs, mas não gêmeas. Um você pode comprar, o outro não tem preço. [...] O equívoco de equiparar facilidade de vida com
“passagem” deve ser desmantelado em nossa cultura. O trabalho começa com cada
um de nós reconhecendo que as pessoas cis não são mais valiosas ou legítimas e
que as pessoas trans que se misturam como cis não são mais valiosas ou
legítimas. Devemos reconhecer, discutir e desmantelar esta hierarquia que
policia os corpos e valoriza alguns em detrimento de outros. Devemos reconhecer
que todos temos diferentes experiências de opressão e privilégio, e reconheço
que a minha capacidade de me misturar como cis é um privilégio condicional que
não nega o facto de experimentar o mundo como uma mulher trans (com os meus
próprios medos, inseguranças e questões de imagem corporal), não importa o quão
atraente as pessoas possam pensar que eu sou. [...] Esta
ideia generalizada de que as mulheres trans merecem violência precisa ser
abolida. É uma prática socialmente sancionada de culpar a vítima. Devemos começar a culpar a nossa cultura, que
estigmatiza, rebaixa e despoja as mulheres trans da sua humanidade. [...] As palavras têm o poder
de encorajar e inspirar, mas também de rebaixar e desumanizar. Eu sei agora que os epítetos têm como objetivo nos
envergonhar para que não sejamos nós mesmos, para nos encorajar a mentir e a
ficar em silêncio sobre nossas verdades. [...]. Trechos extraídos da obra Redefining
Realness: My Path to Womanhood, Identity, Love & So Much More (Atria, 2014), da escritora, jornalista e ativista
estadunidense Janet Mock. Veja mais aqui.
LES ŒILLETS
ROUGES – Quando ao negro cemitério eu for, \ Irmão,
coloque sobre sua irmã, \ Como uma última esperança,\ Alguns 'cravos' rubros em
flor.\ Do Império nos últimos dias\ Quando as pessoas acordavam,\ Seus sorrisos
eram rubros cravos\ Nos dizendo que tudo renasceria.\ Hoje, florescerão nas
sombras\ de negras e tristes prisões.\ Vão e desabrochem junto ao preso sombrio\
E lhe diga o quanto sinceramente o amamos.\ Digam que, pelo tempo que é rápido,\
Tudo pertence ao que está por vir\ Que o dominador vil e pálido\ Também pode
morrer como o dominado. Poema Os cravos rubros, uma declaração de amor e carta
de despedida da escritora, professora, enfermeira e blanquista francesa Louise
Michel (1830-1905), apelidada de Enjolras e afamada como A Virgem Vermelha,
anarquista da Comuna de Paris. Foi homenageada por Victor Hugo com poemas e personagens
em seus livros, o qual, presume-se seja o pai de sua filha Victorine. Para ela
os tributos do longa-metragem de 2009 do cineasta Sólveig Anspach, a Cantate da
cantora Michèle Benard, a epopeia acústica Daoumi de Clément Riot, também a
homenagem dos grupos musicais Louise Attaque e Les Louise Mitchels, afora tema
do terceiro filme dos "grolandeses" Bento Delépine e Gustave Kervern.
Veja mais aqui.
OUTRAS
DIC’ARTES MAIS
ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA
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Imagem: Capriccio with a Bridge , do pintor italiano Francesco Guardi (1712-1793) Curtindo o álbum Najljepše ljubavne pjesme ...
















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