domingo, novembro 05, 2017

LAFCADIO HEARN, JOAN DIDION, FEDERICO FELLINI, ERNST BLOCH, BERTRAND TAVERNIER, CIDADE, CULTURA, LITERÓTICA & ARTERÓTICA

A arte da fotógrafa francesa Laure Albin Guillot (1879-1962). Veja mais aqui.

LITERÓTICA: NOSSA FESTA - Toda sexta-feira, meio-dia em ponto, eu bato meu ponto pro que der e vier. Meio dia em ponto, toda sexta-feira eu chego já pronto e o que é o que é. E ela vem de viés com toda surpresa, rompendo a represa de querer mais. É tudo demais e ela só me fascina, jóia excepcional, uma real mina, bailarina de Degas. Ou nua vestal, dançarina de fuá. E eu sentimental com toda destreza arrasto essa presa, astuta indefesa do pito voar. E para empenar tomo a pele e o pulso, a deixo em soluço a gemer de manhar. A se espernear no corpo rendido, eu domino o seu urânio enriquecido pronto pra explodir e eu só pra acudir num bote certeiro, quando vou de matreiro adornar seus quadris. E se faz bela atriz ensaiando sem medo a me ter entre os dedos, a me lamber num enredo de São Paulo a Paris. O que eu sempre quis e me morde abusada, se entope e se engasga entornando o seu mel. Eu adoço seu fel e vou de gandaia com minha azagaia no seu beleléu. Já sou réu condenado a morrer um bocado no meio do céu. Onde ela faz escarcéu, reluta e se esgana, ela goza sacana no maior pitéu. Ao léu a valer, ela não satisfez. E vem tudo de novo pra glória de um rei, ela sabe e eu não sei, o que importa é viver e venha tudo outra vez. OUTRA VEZ: Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela apronta de tudo comigo e pronto! Ela chega e me olha e toda se desfolha para o bem-me-quer. Ela se abre mulher e eu sorrio, ela se rela e vira cadela no cio e me abraça e me beija, e se faz de puta e princesa quando me quer e eu sou sua passarela onde o sangue dá na canela pro que der e vier. Ela ronda, me cheira e me fela, ela usa e lambuza, se descabela e me acusa de só abusar dela. Ela lambe e abocanha, ela vence e me ganha na melhor de três. Ela me agarra medonha, ela me bate uma bronha na maior maciez. Ela chupa e me suga, ela aponta pra fuga e me faz descortês. Ela agita e me alisa, ela grita e repisa que é a última vez. E nem bem recomeça, ela me prega uma peça e posa sisudez. Ela bole, suspira e rebola, ela delira e quase degola a minha rigidez. E se aninha e engalfinha, ela jura que é minha por mais de um mês. Ela assunta e se enrosca, ela se faz mesa posta e eu seu freguês. Ela ajeita e retruca, ela monta mutuca e diz que não fez. Ela esfrega e renega, ela rega e pula a janela da minha timidez. Ela atiça e se esfola, ela então faz escola pela insensatez. Ela aguça e me inflama, ela me queima na chama da sua nudez. Ela se arrisca de fato, ela fica de quatro na maior viuvez. Ela torce e retorce, ela morde, rejeita e se ajeita e nem se refez. Ela goza e remexe, ela arrocha e debocha na maior altivez. Ela treme e me grita e quer sair muito bem nessa fita com toda malvadez. E quando eu gozo espalhafato de folia de bombo. Ela sorri que de fato fui salvo pela zoada do gongo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.


DITOS & DESDITOS - Em vários aspectos, escrever é o ato de dizer Eu, de se impor sobre as outras pessoas, de dizer escute-me, veja pelo meu lado, mude de ideia. É um ato agressivo, até mesmo hostil. Pensamento da escritora e jornalista estadunidense Joan Didion.

ALGUÉM FALOUCinema-verdade? Prefirto o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade. Sempre faço o mesmo filme. Não consigo distinguir um dos outros. Pensamento do cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993). Veja mais aqui, aqui e aqui.

HERANÇA DESTE TEMPO – [...] Nem todos estão presentes no mesmo tempo presente. Aparentemente estão porque é possível vê-los aqui e agora. Mas não é só por isso que uns e outros vivem no mesmo tempo. Pelo contrário, alguns possuem um passado que se intromete. [...] Tempos mais antigos que os atuais continuam a viver nas camadas mais antigas [...] “As velhas formas”, dizia ele, colaboram em parte para a novidade, quando elas são bem dispostas. O inimigo viu melhor [...] que essas formas são extremamente eficazes. É tempo de recuperar algumas velhas coisas, a urgência da hora nos ordena. A indolente arrogância com que um Kautsky zombava dos “heróis” ou das “pequenas amostras da mística apocalíptica” e se contentava em ridicularizá-las está ultrapassada, tanto na teoria quanto na prática [...]. Trechos extraídos da obra Herança deste tempo (Payol, 1978), do filósofo alemão Ernst Bloch (1885-1977). Veja mais aqui.

CIDADE: A SEDUÇÃO DO LUGAR – [...] Mesmo com as instituições públicas distanciadas, a sensação da cidade e o seu tecido físico estão sempre presentes para os habitantes e visitantes. Apreciado, visto, tocado, cheirado adentrado, consciente ou inconscientemente, esse tecido é uma representação tangível daquela coisa intangível, a sociedade que ali vive e suas aspirações [...]. Trecho extraído da obra A sedução do lugar (Martins Fontes, 2004), do professor e historiador de arte britânico Joseph Ryckert.

QUANDO TUDO COMEÇA – O filme Quando tudo começa (1999), de Bertrand Tavernier, trata sobre a direção de uma escola pública infantil mutirracional, em uma pequena cidade francesa, com alto índice de desemprego. A situação confronta o cotidiano profissional, refletindo sobre o desempenho e o comportamento dos alunos. Utiliza historias reais relatadas por professores, discutindo problemas de educação, de comunidades excluídas, problemas éticos relacionados à exclusão socioeconômica, participação da comunidade, cidadania e solidariedade.


ARTERÓTICA –A coleção Erótica (Taschen, 2001), reunindo a arte de 17th – 18th Century: from Rembrandt to Fragonard, 19th Century: from Courbet to Gaugin, 20th Century Volume I – From Rodin to Picasso & 20th Volume II – From Dali to Grumb, do historiador e editor de arte francês Giles Néret, reúne a expressão artistica erótica dos séculos XVII ao XX. Veja mais aqui.

PROMESSA QUEBRADA - [...] Nada aconteceu que pudesse perturbar a felicidade da jovem esposa até o sétimo dia após o casamento, quando seu marido foi convocado para executar algumas tarefas que exigiam a presença dele no castelo durante a noite. Na primeira vez que foi obrigado a deixá-la sozinha, ela se sentiu indisposta de um modo que não soube explicar, vagamente assustada sem saber por quê. Quando se deitou, não conseguiu dormir. Podia sentir uma estranha opressão na atmosfera, uma densidade inexplicável, como ocorre algumas vezes nos momentos que precedem uma tempestade. Quase na Hora do Boi, ela ouviu, no lado de fora, um sino tocar, o sino dos peregrinos budistas; e se perguntou que peregrino poderia estar passando pelo bairro do samurai àquelas horas. Logo em seguida, após uma pausa, o sino soou muito mais perto. Com certeza, o peregrino estava se aproximando da casa; mas por que o faria pelos fundos, onde sequer havia uma rua?… De repente, os cães começaram a ganir e uivar de uma maneira incomum e apavorante; e ela sentiu-se tomada pelo medo, como o medo que tinha dos sonhos… Aquele som vinha certamente do jardim… Ela tentou se levantar para acordar um serviçal. No entanto, percebeu que não conseguia se erguer, se mover e nem mesmo falar… E o som do sino mais perto, cada vez mais perto; e, nossa!, como os cães estavam uivando!… Então, ligeira como uma sombra furtiva, uma Mulher entrou no quarto, embora todas as portas estivessem trancadas e todas as janelas fechadas, era uma Mulher vestida numa mortalha , carregando um sino de peregrino. Cega, pois estava morta havia muito tempo, ela se aproximou… e seus cabelos soltos escorriam pelo rosto; e sem visão ela olhou através do emaranhado da sua cabeleira e falou sem a língua: — Você não pode ficar nesta casa! Ainda sou a senhora deste lar. Vá embora; e não diga a ninguém a razão de sua partida. Se contar para ELE, eu te deixarei em pedaços! Dizendo isso, a assombração desapareceu. A nova esposa do samurai ficou entorpecida de medo. E assim permaneceu até o dia raiar. Todavia, com a agradável luz da manhã, ela duvidou da realidade do que tinha visto e ouvido à noite. Entretanto, a lembrança daquela ameaça ainda pesava sobre ela com tanta força, que não ousou falar sobre a visão que tivera, nem com seu marido, nem com ninguém; acabou, porém, quase conseguindo persuadir a si mesma de que tudo havia sido apenas um pesadelo que a deixara indisposta. Na noite seguinte, porém, não teve dúvidas. Novamente, na Hora do Boi, os cães começaram a uivar e ganir; novamente o sino soou, aproximando-se lentamente pelo jardim; novamente ela tentou em vão se levantar e chamar alguém; novamente a falecida entrou no quarto e lhe sussurrou: — Vá embora; e não conte a ninguém o motivo de sua partida! Se você sequer contar para ELE, eu te deixarei em pedaços! Desta vez, a assombração chegou perto da cama, curvou-se sobre ela e murmurou, como se pairasse no ar… Na manhã seguinte, quando o samurai voltou do castelo, sua jovem esposa se prostrou diante dele e suplicou: — Eu imploro — disse ela —, perdoe minha ingratidão e minha extrema rudeza dirigindo-me desta forma a você: mas eu quero voltar para casa; quero ir embora imediatamente. — Você não é feliz aqui? — perguntou ele com sincera surpresa. — Alguém ousou ser indelicado com você na minha ausência? — Não, não é isso — soluçou a moça. — Todos têm sido muito bons co- migo… Mas não posso continuar sendo sua esposa; tenho que ir embora… — Minha querida — exclamou o samurai, incrivelmente espantado —, é muito doloroso saber que alguma coisa nesta casa causou-lhe infelicidade. Mas não posso imaginar um motivo para você ir embora, a menos que alguém tenha sido indelicado contigo… Espero que você não esteja dizendo que pretende se divorciar. Tremendo e chorando, ela respondeu: — Se você não me der o divórcio, morrerei! Ele ficou em silêncio durante um instante, tentando inutilmente descobrir alguma causa para aquela surpreendente declaração. Então, sem demonstrar qualquer emoção, disse: — Deixá-la voltar para sua família, sem nenhuma falha da sua parte, seria um ato vergonhoso. Se você me der uma boa razão para esta sua vontade, qualquer razão que me permita explicar honrosamente o que houve, eu concederei o divórcio. Mas, a menos que me dê uma razão, uma boa razão, você não terá o divórcio, pois a honra deste lar deve ser mantida acima de qualquer opróbrio. E assim ela se sentiu obrigada a falar; e lhe contou tudo, acrescentando, numa agonia de terror: — Agora que contei para você, ela me matará! Ela me matará!… Embora fosse um homem de coragem, e pouco inclinado a crer em fantasmas, o samurai ficou bastante sobressaltado por um instante. Mas uma explicação simples e natural logo veio-lhe ao espírito. — Minha querida __ disse ele —, você está muito nervosa agora; e receio que tenham lhe contado histórias absurdas. Não posso conceder-lhe o divórcio apenas porque você teve um pesadelo nesta casa. Mas lamento realmente que esteja sofrendo de tal modo durante minha ausência. Esta noite, também, tenho que ir ao castelo; mas você não ficará sozinha. Ordenarei a dois serviçais que vigiem seu quarto; e você poderá dormir em paz. São pessoas da minha confiança e cuidarão muito bem de você. Em seguida, falou com ela de um modo tão atencioso e afetuoso que a moça se sentiu quase envergonhada do seu terror, e resolveu permanecer naquela casa. Os dois serviçais encarregados de cuidar da jovem esposa eram homens simples, fortes e corajosos, que tinham experiência em proteger mulheres e crianças. Eles contaram à moça histórias divertidas para alegrá-la. Ela conversou com eles por um bom tempo, riu de suas tiradas bem-humoradas, e quase esqueceu seus receios. Quando finalmente ela se deitou para dormir, os dois guardiões tomaram seus lugares no canto do quarto, atrás da tela, e iniciaram um jogo de go, falando apenas em sussurros, para não incomodá-la. Ela adormeceu feito uma criança. Porém, mais uma vez, na Hora do Boi, ela despertou com um gemido de terror ao ouvir o sino lá fora!… O som já estava perto e cada vez se aproximava mais. Ela teve um sobressalto e gritou; mas não notou nenhum movimento no quarto, havia somente um silêncio sepulcral, um silêncio crescente, cada vez mais denso. Ela correu na direção de seus guardiões: estes estavam sentados diante do tabuleiro, imóveis, miravam-se um ao outro com os olhos fixos. A moça os chamou, os sacudiu: eles permaneceram paralisados, como se estivessem congelados… Mais tarde, eles disseram ter ouvido o sino, e também o grito da jovem esposa, até chegaram a sentir que ela os sacudia para despertá-los; e que, no entanto, não foram capazes de se mover nem de falar. No momento exato em que pararam de ouvir e enxergar, submergiram num sono sinistro. Ao entrar no quarto de casal, de madrugada, o samurai viu, na claridade de uma luz evanescente, o corpo sem cabeça de sua jovem esposa, deitado numa poça de sangue. Ainda agachados diante do jogo inconcluso, os dois serviçais dormiam. Ao ouvirem o grito do senhor eles despertaram, e com uma expressão estúpida, afrontaram o horror no chão… Não encontraram a cabeça; e a ferida horrenda mostrava que ela não havia sido cortada, mas arrancada. Um rastro de sangue se estendia do quarto até um ângulo da varanda, onde as portas que protegem das intempéries pareciam ter sido rachadas. Os três homens seguiram o rastro até o jardim, passando pelo gramado, pelos canteiros de areia, ao longo da margem de um lago iridescente sob a sombra espessa de cedros e bambus. E, repentinamente, num desvão, encontraram-se face a face com uma coisa horripilante que se agitava como um morcego: a figura da mulher há muito enterrada, ereta diante de seu túmulo, numa das mãos o sino, na outra a cabeça ainda gotejante… Por um momento, os três ficaram entorpecidos. Em seguida, um dos serviçais, pronunciando uma prece budista, avançou e desferiu um golpe sobre aquele vulto. Imediatamente o vulto se esfarelou no chão, não passava de um amon- toado de trapos de pano, ossos e cabelos; e o sino rolou retinindo para longe daquele dejeto humano. Mas a mão direita, descarnada, mesmo decepada do pulso, ainda se contorcia; e seus dedos comprimiam a cabeça ensangüentada, dilacerando-a e desfigurando-a, como as tenazes dos caranguejos amarelos estraçalhando uma fruta que caiu da árvore…— Esta é uma história cruel — disse eu ao amigo que acabara de contá-la. — Se a falecida queria se vingar de alguém, deveria ter escolhido o marido. — É assim que os homens pensam — respondeu. — Mas não é desse modo que as mulheres agem… Ele tinha razão. [...]. Trechos da obra do escritor japonês Lafcadio Hearn (1850-1904). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa francesa Laure Albin Guillot (1879-1962). 
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TODO DIA É DIA DA MULHER
Leitora Tataritaritatá.

Todo dia é Dia da Cultura
&
Cantarau Tataritaritatá!
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sábado, novembro 04, 2017

DUFRENNE, RACHEL DE QUEIROZ, DELEUZE, ANA CRUZ, VIRGÍNIA PALOMEQUE, BOLSHOI BALLET, IARAVI & ÁGUAS BELAS

IARAVI ENTRE ANHANGÁ & PERÓS - Imagem: arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque - Tupã alumia meus caminhos e me protege enquanto subo o Una, alcanço as margens do Pirangi, sigo até a Serra da Prata para alcançar toda extensão da minha gente caeté, empunhando seus arcos e tacapes. Aceno e me despeço de todos. Sinto-me seguro, prossigo até a densa floresta com o silvo de cobras, piados de coruja rasgando mortalhas, cricrilar dos insetos, ameaças da Cobra Grande, ventos e presságios. Vou com a flecha em punho para rasgar o espaço escuro e o meu tacape pronto para golpear qualquer fera que interdite minha caminhada. Vou firme. Sei que lá longe Anhangá reina tirânico além das matas, aterroriza escravizando a todos que lhe cruzem as vistas. Por conta de uma sua desalmada intervenção, a amada caingang perdeu-se no caminho, nunca mais pude vê-la, temo não mais encontrá-la. Esse imprevisto me atormenta a alma e persigo os seus passos, sinto a baforada de sua ira a cada surpresa, tenho de enfrentar o seu horrível bafejo, pois desconfio que Iaravi tenha sido capturada por suas garras. Ouvi dizer que não, apenas se perdera estrada afora. Anhangá continua inquieto, reafirmam, se a tivesse capturado estaria quieto, entretido com sua escrava. Pode ser. Talvez ela tenha sido levada pelos perós aos montes desembarcando das suas caravelas e se amontoando na praia, sinal de desgraça no ar. Não confio neles, cara pálida pérfido parece desalmado e achegado às hostilidades. As fogueiras ardem e eles buscam aprisionar as cunhantãs formosas, isso eu sei. Temo por Iaravi. Também disseram que ela não está entre as suas prisioneiras, está perdida. Sei que ela tem poderes que nem sabe, aprenderá a usá-los para sobreviver às emboscadas e malsinações das matas densas sme fim. Foi por causa disso que exilei do meu povo para reencontrá-la, desconsolado, desgostoso de tudo, muitas luas no camino e penso nela, sua boca requerente à espera do meu beijo, sua graça à porta da maloca ansiando minha chegada, seu corpo o reino da minha satisfação. Por ela enfrento toda e qualquer maledicência, que venham monstros e algozes com seus ferros ultrajantes, estou pronto pro vento que encrespa nas ondas do Una e um raio fuzila no espaço com estrondoso trovão, chegou a hora da contenda! O vendaval é forte e demorado e quando a procela passa a manhã sorri no firmamento, com a autora o Sol doura as copas das frondosas árvores. Lá longe avisto: eis ela nas águas pro seu banho ritual, inocente vítima das circunstâncias. O meu coração se apressa querendo sair pela boca, meus passos se misturam às carreiras para encontrá-la quase a me descontrolar na descida da ribanceira e ela presa fácil, preciso alcançá-la para protegê-la tanto das investidas de Anhangá como das insolentes invasões dos perós. Finalmente alcanço-a e seu olhar é só sorriso ao ver-me. Abraço-a e sua carne é como a água que nos lava à cintura, tudo nela é como a vida para que eu possa viver o amor que nos une a alma. PS: Narrativa inspirada na lenda de Ajuricaba, recolhida da obra Folclore amazônico (São José, 1951), de José Coutinho de Oliveira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado: O Guarani & outros sucessos; a violinista e maestro britânica Rachel Podger: Sonatas de Bach &  La Stravaganza Vivaldi; o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno: Festival Choro Jazz, Beatles, Palhaço de Egberto Gismonti & Construção/Cotidiano/Deus lhe pague de Chico Buarque; e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk: Pianos Songs & Book of Days. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Certas conversações duram tanto tempo, que já não sabemos mais se faz parte da guerraou já da paz. È verdade que a filosofia é inseparável de uma cólera contra a época, mas também de uma serenidade que ela nos assegura [...] Como as potências não se contentam em ser exteriores, mas também passam por cada um de nós que, graças a filosofia, encontra-se incessantemente e em guerrilha consigo mesmo [...]. Trechos extraídos da obra Conversações (34, 1992), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), que nos legou em sua última obra Crítica e clínica (34, 1997), o texto A literatura e a vida, do qual destaco o trecho: [...] Escrever é um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer materia vivível ou vivida. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AS TRIBOS DE ÁGUAS BELAS - A vila de Águas Belas foi criada na antiga povoação de Ipanema, pela Lei provincial 997, de 13 de dezembro de 1871 – data de criação -, tendo sido desmembrada do município de Buíque. Sua instalação ocorreu em 25 de junho de 1872. Foi elevada à categoria de cidade pela Lei Estadual 665, de 24 de maio de 1904. Segundo a tradição, a região onde fica hoje siatuada a cidade de Águas Belas, era habitado pela tribo denominada de Tupiniquins. A tribo dos Carajós, depois de uma luta com aquela, conseguiu expulsá-la do aldeamento então conehcido pelo nome de Lagoa, devido a uma lagoa que ali existia. [...]. A denominação de Águas Belas se opriginou do fato de o ouvidor, Jacobina, durante a viagem, ao chegar a este lughar, encontrou a mais potável e fina água [...] Em Águas Belas ainda existe uma aldei de índios, já mais civilizados, restantes da tribo que povoou a região em épocas distantes. Eles já vivem em contato com os habitantes da cidade, embora conservando ainda seus antigos ritos tribais. Administrativamente, o município é formado apenas pelo distrito-sede e pelos povoados de Campo Grande, Curral Novo, Garcia e Tanquinho. Anualmente, no dia 24 de maio, Águas Belas comemora a sua emancipação política. [...]. Extraído  da Enciclopedia dos municipios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

A ESTÉTICA DE DUFRENNE - [...] A essência tem de ser descoberta, mas por um desenvolvimento e não por um salto do conhecido ao desconhecido. A fenomenologia se aplica em primeiro lugar ao humano, porque a consciência é consciência de si: é aqui que está o modelo do fenômeno, o aparecer como aparecer do sentico a ele mesmo [...] Nós não podemos dizer aqui qual é esta norma do objeto estético, pois ele é inventado por cada objeto, que não tem outra lei senão a que dá a si mesmo; mas pode-se dizer ao menos que, sejam quais forem os meios de uma obra, o fim a que ela se propõe para ser obra-prima é por sua vez a plenitude de ser senível e a plenitude de significação imanente ao sensível [...] Não se define o que é o belo, constatamos que ele é objeto [...] Assim é possível uma estética que não refuta de modo algum a valorização estética, mas que não lhe é subserviente, que reconhece a beleza sem fazer uma teoria da beleza, porque no fundo não há teoria a ser feita; ela tem a dizer o que são os objetos estéticos, e eles são belos desde que são verdadeiros [...]. Trechos extraídos da obra Fenomenologia da Experiência Estética  (PUF, 1953), do filósofo e esteticista francês Mikel Dufrenne, autor da obra Estética e filosofia (Perspectiva, 1998), em que aborda sob a perspectiva estrutural e fenomenológica por meio da experiência os valores estéticos das obras de arte e da natureza, os referenciais constituintes no objeto da percepção válida, o belo como artístico e natural, a linguagem da arte, a crítica literária, o objeto estético e técnico.

VIVER NA CIDADE - [...] A cidade, assim de repente, vista de uma vez e surpreendida de brusco, deu-me um choque no coração, comoveu-me tanto que as mãos me começaram a tremer e meus olhos se encheram de água. Estava ali o mundo, o povo, a vida de fora, tudo o que era interdito à minha vida de reclusa. Sentia medo e alegria juntos numa emoção violenta, como quem rouba e se apossa de qualquer coisa sonhada e proibida [...]. Trecho extraído da obra As três Marias (Abril, 1982), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui e aqui.

CORAÇÃO TIÇÃO - Quero me lambuzar nos mares negros / para não me perder, / conseguir chegar no meu destino. / Não quero ser parda, mulata / Sou afro-brasileira-mineira. / Bisneta / de uma princesa de Benguela. / Não serei refém de valores / que não me pertencem. / Quero sentir sempre meu coração / como um tição. / Não vou deixar que o mito / do fogo entre as pernas iluda e desvie / homens e mulheres / daqui por diante. Poema extraído da obra E... feito de luz (Ykenga, 1995), da poeta Ana Cruz. Veja mais aqui.

A ARTE DE VIRGINIA PALOMEQUE
A arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Espetáculo The Cage do Bolshoi Ballet and Opera Treatre, com música de Igor Stravinsky, coreografia de Jerome Robbins.
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sexta-feira, novembro 03, 2017

BETINHO, HENRY MILLER, ALZIRA RUFINO, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, CYANE PACHECO, LUCIAH LOPEZ & CUPIRA

POESIA VITAL ABSOLUTA - Imagem: arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco. - Desde daquela hora Pirata de 1982, dúbios passos trocando pés e pernas pelo meio fio, calçadas, asfaltos entre o Capibaribe e o Beberibe até a Livro 7 – tudo acontecia ali, asas livres na rua - para voar o céu do Recife além do Brasil e planeta. Mais fizera da intromissão do verbo a minha invocação pra saber do Burocracial e sem saber do Título Provisório nem que Só às paredes confesso, o Palpo a quimera e o tremor, ou Ora Pro Nobis Scania Vabis. Só agora, a vida à deriva e de pernas pro ar, dei de cara com o Bando de Mônadas revisitando Liebniz, quando o poeta se confessa atravessando o pomar do apocalipse, preparando seu próprio féretro pra viver aos extremos e além deles, insepulto na sua morte voluntária entre poemas surgidos do nada da intuição, confissões, loucuras de Catuama abarcando úteros e partos abandonados nas ruas de Palmares, com as cinzas do ego pelo céu vagaroso de Garanhuns, palavra como valor de troça nas metades perdidas do ser pra viver além da redoma de si, dos limites do plano cartesiano, das medidas e comprimentos. A sua Poesia Absoluta é feita de vida: sem explicações, regras, significados ou necessidade de compreensão: vive, apenas, simplesmente, e o poeta cônscio de sua natural vitalidade vocifera lírica paradoxal enraivecida por oxímoros que recriam sintagmas destronando hierarquias, taxonomias, distinções, porque o id vital é um jumento priápico celebrando a paudurescência das orgias dionisíacas na festa dos escombros da decadente sociedade neoposmoderna e despótica, tão corajosa quanto Dom Quixote enfrentando seus gigantes moinhos, tão desafiador quanto o eco de eu oco de Eliot e as provocações dos muitos eus Pound, Zizek, Cummings, Valéry, Wittgenstein, demasiadamente humano Nietzsche e tão ousado quanto o lance de dados de Mallarmé, tão intenso quanto as disparadas do Finnegans de Joyce, tão iconoclasta quanto o brincarte de Ascenso, tão paradoxal quanto a vida daquela tribo do Informe de Brodie da cegueira de Borges traduzida por Hermilo. É correr risco, o sema mata e ler VCA causa AVC e o leitor pode se perder no meio da poesia pura doída e doida contra o euismo poético com seus monósticos de carbono priapoéticos – respire fundo antes de usar – para a sublime incompreensão total: entender não é preciso, poetar livremente sim, isso sim é preciso, a talvez sincera confissão final no futuro que não virá nunca nas meditações do abismo profeta pra quem sabe Deus nos detalhes (nas reentrâncias de um punhal navalha e cutelo), demolindo sintaxes e sentidos – só o significante, nada de significados, esses pra lata de lixo! - pelas rieiras inóspitas das faces humanas com o peso da culpa, dos esgares, da usura nos omoplatas e o tempo escancarado sem horas nem contagem nem medidores no labirinto imprevisível: nada de inspiração, piração é a palavra de ordem! Que diga, ué! E só, dizer  e dizer mesmo sem ter nem pra quê, ora! O que é ao se revelar pode – ou deve - ser reconhecido como outra coisa, outras mais, muitas: do útero à cova, tudo, a semente, o fruto. Salve, salve, Vital Corrêa de Araújo (Veja mais abaixo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Slave Mass & Live Montreux Jazz Festuval; a compositora, pianista e escritora Jocy Oliveira: Estórias para voz, instrumentos acústicos e eletrônicos, Solares, Medea Ballade & Noturno de um piano; a iniciativa de criação da arte erudita com elementos da cultura popular Orquestra Armorial & Quinteto Armorial, oriundos do movimento criado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna: Chamada & Do romance ao galope nordestino; e a artista experimental e performática compositora estadunidense Laurie Anderson: Homeland & Mister Heartbreak. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No Brasil, a história é longa. Houve um tempo, antes de os portugueses chegarem, em que os povos indígenas viviam seus regimes comunitários em que cabia todo o mundo, uma sociedade de todas as gentes, ninguém era excluído. Não eram todos iguais, mas todos estavam contemplados com alguma parte do que era de todos. É fantástico pensar esse mundo onde cada pessoa tem um lugar, onde ninguém está excluído. Com a chegada dos portugueses, que naquela época se consideravam a modernidade, começou o regime da escravidão e da exclusão. Índios dizimados, negros africanos escravizados como assalariados, migrantes, trabalhadores de todo o tipo desse tremendo apartheid chamado Brasil. Brasil onde a terra nunca foi bem dividida, sempre concentrada. A riqueza grande, fabulosa para muito pouca gente. E o poder nas mãos de quem tem chicote, cerca de arame farpado, grupos armados. Depois, o poder de quem tem informação e meios de comunicação. Primeiro, a oligarquia e, depois, todos os outros senhores desta terra e dos bens que nela se produzem. Assim foi que se produziu o Brasil para chegarmos hoje a 80% de pobres e milhões de indigentes divididos entre o campo e a cidade. E isso num país onde o que não falta é riqueza. A matemática brasileira soma, acumula e multiplica, não aprendeu a dividir, a compartir. Aqui, o bolo sempre cresce, nunca é dividido. Hoje, temos uma bomba social explodindo nas nossas grandes cidades, literalmente. A miséria concentrada nas grandes cidades foi tomando forma de mendigos, alcoólatras, crianças de rua, contrabando, ilegalidade, marginalidade, roubo, seqüestro e narcotráfico que se confronta com as próprias forças armadas. E crescendo. As pessoas foram sendo excluídas, mas insistem em sobreviver à margem. Os ricos passaram a viver no medo, em bunkers onde se protegem da sociedade que criaram. Essa é uma bomba terrível e que não foi nem está sendo efetivamente desativada, cresce seu poder de destruição como se fosse um fato inexorável que todos vêem, mas não podem evitar. [...]. Trecho extraído do texto Democracia e cidadania (Democracia Viva, 28 – 1997) do sociólogo e ativista dos direitos humanos, Herbert de Souza – Betinho (1935-1997). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ABELHAS CUPIRA - [...] Como as demais cidades, Cupira nasceu de uma pequena povoação localizada em torno de uma capela, sob a iniciativa do senhor Aleleuia, à margem de uma lagoa, onde existia uma grande barauna. Nesta baraúna, árvore grande e frondosa, fizeram “morada” umas abelhas conhecidas por Cupira. O local ficou sendo escolhido pelo povo como ponto de reunião para “acerto” de negócios e conversações, e ficou conhecido como Cupira, a pequena povoação pertencente ao município de Panelas. O distrito de Cupira foi criado pela Lei municipal 10, de 30 de março de 1900, com sede na povoação de Taboleiro. Passou a denominar-se Cupira em virtude da Lei municipal 56, de 7 de dezembro de 1914. O Decreto estadual 1818, de 29 de dezembro de 1953, criou o município de Cupira, desmembrado de Panelas e elevando sua sede à categora de vila. Sua instalação ocorreu em 20 de 1954. Anualmente, no dia 29 de dezembro, o município comemora a sua emancipação política. Administrativamente é formado pelos distritos sede, Lage de São José e pelo povoado de Gravatá Açu. Trecho extraído da obra Enciclopedia dos Municípios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aquiaqui.

ESCREVER E VIVERO escrever, como a própria vida, é uma viagem de descobrimento. A aventura é de caráter metafísico; é uma maneira de aproximação indireta com a vida, de aquisição de uma visão total do universo, não parcial. Com freqüência, escrevo coisas que não entendo, embora certo de que depois me parecerão claras e significativas. Tenho fé no homem que está escrevendo, no homem que sou eu, no escritor. E não creio nas palavras, mesmo quando as junta o homem mais hábl: creio na linguagem, que é algo que está mais além das palavras, algo do qual as palavras não oferecem mais do que uma ilusão inadequada. As palavras só existem separadamente nos cérebros eruditos, filólogos, etimólogos, etc. As palavras divorciadas da linguagem são coisa morta e não entregam segredos. Como o princípio do universo, como o imperturbável Absoluto – o Uno, o Todo -, assim o criador, ou seja, o artista, se expressa a partir e por meio da imperfeição. Esse é o tecido da vida, o verdadeiro signo do vivente. A arte nada ensina, senão a significação da vida. A grande obra será inveitavelmente obscura, exceto por um punhado de homens, para aqueles que, como o próprio autor, foram iniciados nos mistérios. Uma vez realmente aceita, a arte deixa de sê-lo. Constitui apenas um substituto, uma linguagem simbólica que substitui algo que deverá ser captado diretamente. Mas para que isso seja possível, o homem terá de transformar-se em um ser totalmente religioso e não simplesmente em um crente, em um primeiro motor, em um deus em ato. Inevitavelmente, chegará a sê-lo. E de todos os rodeios ao longo dessa senda, a arte é o mais glorioso, o mais fecundo, o mais instrutivo. Texto escrito pelo controverso escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980), extraído da obra O escritor e seu fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor argentino Ernesto Sábato. Veja mais aqui e aqui.

RESGATE & CRIOULAI - Sou negra ponto final / devolvo- me a identidade / rasgo minha certidão / sou negra / sem reticências / sem vírgulas sem ausências / sou negra balacobaco / sou negra noite cansaço / sou negra / Ponto final. II - eu sou crioula decente / não sou vil / estou nas cordas / em equilíbrio / de um Brasil / a minha cor apavora / essa raça agride ouvi dizer / não é nos dentes do negro / não é no sexo do negro / é na arte do negro / de viver / melhor dizendo / sobreviver / com essa coisa que arrasta / o tronco que tentam esconder / mas esses troncos existem / no conviver / os troncos estão nas favelas / vejo troncos nas vielas / nas moradias fedidas / nas peles sem esperança / nas enxurradas de não / no jogo das damas e reis / eu me perdi / nas rotas dos estiletes / nas celas e nos engodos / negro carretel de rolo / querem fazer um mundo / marginal crioulo. Poemas da poeta e ativista política atuante no Movimento Negro e no Movimento das Mulheres Negras, Alzira Rufino. Veja mais aqui.

A ARTE DE CYANE PACHECO
A arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
NUVENS & CÉU DE PALMARES DE LUCIAH LOPEZ
No fim do mundo, um pé de sonhos
que mais parece ser__________um pé de nuvens.
Meu olhar afirma: são penas nuvens!
Meu coração me diz: são os teus sonhos nascendo outra vez.
Poena da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez
Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

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CINCO TERCETOS DE PALMARES – VITAL CORRÊA DE ARAUJO
Caminho pela tarde imaginária
Descendo de hunos e coivaras.
Das horas perdidas vestígios fumegam
Nas absolutas avenidas da vida não me demoro.
A sombra do Porto (do Recife) se arrastava do cais
E ferros das naves pareciam efêmeros (grilhões).
Ao absurdo cotidiano do homem do mundo
À cata de usuras obesas e salvações vãs.
(Gaia para salvar-se prescindirá da vida humana).
Reino das Águias, 15/05/2014
ADENDO: A ordem é o caos e sintagmas voam pelo meu peito como águias.
Poema extraído da obra Semata (Autor, 2017), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.
 

quinta-feira, novembro 02, 2017

SHAW, ISMAEL NERY, ODETTE ASLAN, MAURÍCIO MELO JÚNIOR, LIA VIEIRA, POESIA REVISTA, PAULO DANTAS, SUCATÁRIO & BONITO

AOS VIVOS QUE RESTAM DOS MORTOS - Imagem: Nós (1926), do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). - As partidas nas asas dos ventos, as chegadas apressadas de nada verem, atrasados nas suas fugas imotivas e defecções, afetos perdidos, asas partidas no espaço vazio, entre sentimentos estreitos, andares solitários doloridos na garoa dos muros interditados pelas tardes sem sol dos olhos nublados, mãos espalmadas para ausência, abraço estendido pro ermo da indiferença dos que vivem sem saber que já morreram nas suas frustrações e mágoas enfurecidas, dos que acham que vivem na embriaguês de seus mandos e posses a rivalizar com as necessidades alheias de sorrir a banguela das gengivas invernais, dos que tentam viver a todo custo a pisar os outros com a cegueira dos luxos das vitrines e pedidos de perdão na oração cristã da missa dominical. Em mim o vaivém do caleidoscópio, sombras de novembro no peito de maio pelo filho que partiu a muito na poeira do tempo quase inesquecível, pela mãe que se foi sem aceno na dor de parir sonhos irrealizáveis, pelos amigos tragados pelas tragédias, pelos que sumiram nas cinzas do álbum de fotografias, povoando lembranças erradias. Saúdo meus mortos que vivem em mim, estão vivos em mim no que me resta de ser feliz apesar dos pesares. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com os álbuns Carioca, Stone Alliance, Patamar & Makenna Beach do músico instrumentista Márcio Montarroyos (1948-2007); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; Rudepoêma de Villa-Lobos, Rapsódia Brasileira de Radamés Gnatali & Fantasia op. 28 de Scriabin, com o pianista brasileiro Roberto Szidon (1941-2011); e a Suíte 1 & 5 de Bach & a Sonata nº 2 de Myaskovsky, com a violoncelista russa Natalia Gutman. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado. Pensamento do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês George Bernard Shaw (1856-1950). Veja mais aqui e aqui.

SOCORRO DO TREM DO BONITOO município do Bonito foi assentado em meio a diversos pés de serras, verdadeiras couraças naturais que embalam a cidade [...] irrigados pelos rios Sirinhaém e Una. A fertilidade do solo, a amenidade do clime, a salubridade e as boas fontes de águas, atraíram, desde finais de sec. XVIII, toda sorte de aventureiros, muitos até endinheirados, que ali fundaram fazendas e engenhocas obtidas às terras por sesmarias. Outros sem grandes chances na vida, buscavam abrigo naquela terra como moradores e agregados havendo aqueles, como os retirantes das secas que por ali se abrigavam buscando conforto para suas miseráveis vidas. [...] Foi essa gente sofrida que, aproveitando as sobras de terras, as brechas, digamos assim, entre uma sesmaria e outra se arrancharam com suas famílias, fundando no outeiro a capela da Conceição (1812), mais tarde matriz da cidade. [...] Paulatinamente, o Bonito foi crescendo e adaptando-se às novas realidades [...] Afora o sesmarialismo, muitas terras foram conquistadas no tapa. [...] Nesses mundos onde se desenvolveram sítios, engenhos e engenhocas, a casa senhorial era o centro nevralgico das decisões. [...] Por volta do segundo quartel do sec. XIX, teve inicio no Bonito o cultivo da cana. [...] Diante dessas expectativas, a cana passou a invadir quase todo altiplano bonitense dilatando-se por várzeas, brejos e montanhas, registrando-se decréscimo no final do século mediante a consciência da cafeicultura. [...]. A região onde desemboca o rio Sirinhaem, o rio dos siris para os nativos, foi conquistadas aos índios em 1565. Após esse empreendimento, os índios foram expulsos de suas terras e estas repartidas em datas de sesmarias vicejando posteriormente engenhos de açúcar. Mais tarde o colonizador adentrou pelo mato reconhecendo todo o curso do dito rio até chegar suas nascentes no agreste em Camocim de São Félix. [...] De seus aflientes Bonito Grande, Riacho Seco, Tanque de Piabas, Várzea Alegre e Tese. [...]. Trechos extraídos da obra Velhos engenhos e antigas famílias do Bonito (CEHM, 2010), de Flávio José Gomes Cabral. Já no texto Estrada de ferro Ribeirão-Cortês-Bonito, de Severino Rodrigues de Moura, extraídop da Revista de História Municipal (CEHM, dez. 2008), encontramos o seguinte relato: A população do Bonito tinha o sonho de construir uma estrada de ferro ligando sua cidade a Ribeiro desde meados do século passado. [...] Em 1904 a linha férrea Ribeirão-Nonito foi anexada à Great Western e em seguida à Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) até sua extinção. [...] Um certo dia, a locomotiva descarrilou no ramal do Engenho Limão, com todas as carroças de cana. O acidente apresentou proporções bem maiores do que aqueles ocorridos antes, tendo o maquinista que pedir socorro ao gerente da usina. [...] Teve que pedir ajuda em Ribeirão. No entanto, o trem de socorro também descarrilou, sendo preciso vir um terceiro trem. Foi um Deus nos acuda. Parecia um formigueiro em vérpera de trovoada. [...] mais uma vez pediu socorro à estação de Ribeirão, passando o seguinte telegrama: Trem de carga caiu. Pedi socorro. Socorro veio. Também caiu. Agora peço socorro para socorrer socorro e trem de cana. Ass.: Norberto. Veja mais aqui.

ÍNTIMO DAS AUTORIDADESO sujeito tinha o apelido de “Sombra”. Era funcionário do cerimonial no palácio do governo estadual [...] Jornalistas e repórteres fotográficos credenciados, ficavam enfurecidos da vida devido as reais dificuldades em fotografarem as autoridades sem a presença do “individuo indesejavel”. [...] Verdadeiro batalhão de fotógrafos e jornalistas se posicionava a fim de clicarem o Presidente da República. [...] Quem estava logo na frente? Ele, o inconveniente e intrometido Sombra. Ajeitou o cabelo e a gola do surrado paletó, dirigiu-se aos fotógrafos e perguntou: Como vocês querem que eu saia? Disse um dos repórteres: Que saia da frente, para fotografarmos o presidente! Trechos extraídos da obra Sátiras políticas: porque rir faz bem à saúde (Livro Rápido, 2000), do escritor e advogado Paulo Dantas Saldanha.

A SUCATA & ARTES VISUAIS – [...] As possibilidades de construções com sucatas são infinitas, baratas e podem sem muito criativas. Além disso, as sucatas podem ser utilizadas em muitas outras atividades, como complemento de outra técnica. [...] Se a sucata não for valorizada, fica muito próxima de mero lixo e com isso não desperta nenhum interesse para a criação. [...]. Trecho extraído da obra 300 propostas de artes visuais (Loyola, 2009), das artistas plásticas Ana Tatit & Maria Silvia Monteiro Machado, tratando sobre pintura, desenho, recortes, colagens, bonecos, máscaras, modelagens, fantoches, mosaico, escultura e construções com materiais variados, jogos e brinquedos com sucata, sucatário, outras técnicas e atividades.

O ATOR NO SÉCULO XX – [...] perfila-se uma volta a comunhão por pequenos grupos, a celebração de um rito em que celebrantes e fieis respiram juntos, mobilizem suas forças fisiológicas e pesquisas, querem sair de si mesmo, comunicar-se numa troca fraterna. O ator continua sendo aquele que propõe essa troca, que dá ao outro, que recebe e se oferece de novo, qualquer que seja sua mensagem. [...] Ator-poeta, trovador falando ou cantando [...] o prazer de atuar se confunde com o prazer de viver para quem o mal de viver se traduz pela dor que se canta e repartindo o que se encanta. [...]. Trecho da obra O ator no século XX (Perspectiva, 2008), de Odette Aslan que trata sobre as formas de interpretação, os problemas do gestual, modo de formação, busca da personagem, reações contra o naturalismo, pesquisas antes e depois da revolução russa, revisão do espaço, radio, cinema, televisão, teatros-laboratórios, comunidades teatrais, tendencias atuais, ética pessoal e de grupo e o ator do amanhã. Veja mais aqui e aqui.

SER POETA - Fiz-me poeta / por exigência da vida, das emoções, dos ideais, da raça. / Fiz-me poeta / sabendo que nem só se finge a dor que deveras sente / e crendo que através da poesia posso exprimir / a arte do cotidiano, vivida em cada poema marginal. Poema extraído da obra Quilombo Hoje – Cadernos Negros 15 (Edição dos Autores, 1992), da poeta, pesquisadora, artista plástica e educadora Lia Vieira. Veja mais aqui.

CRÔNICA DO ARVOREDO & ANDARILHOS DE MAURÍCIO MELO JÚNIOR
[...] Já não me lembro bem dos detalhes, sei apenas que li num livro emprestado por um amigo. A memória também não alcança os nomes do amigo, do livro, do autor. Sei somente que era alto e escondia o rosto por trás de uma barba espessa, o amigo; e o volume tinha capa amarela e marrom. Vivíamos a tensão do vestibular; implacável, inadiável. Vivíamos uma cidade cercada pelos mistério da história, pelo fascínio de um cotidiano de transformações concretizadas ao desejos dos minutos. Tínhamos a sensação de que o mundo hirava em função de nós. E o mundo não nos bastava, embora tivesse sido feito para abrigar somente a nossa juventude. O amanhã era apenas a conseqüência do Sol que à tarde dormia. Por isso vivíamos com intensidade o Recife. [...].
Trecho da obra Crônica do arvoredo (Bagaço, 2006).
[...] Seu moço saia do caminho, a conversa é comigo e Deus. No meio, somente os macacos do exercito e a esperança de uma briga boa. Desarrede, desarrede que não tenho prosa pro senhor. Doido, eu? Pois o senhor ainda não topou com doido na vida e já disse pra não querer me enfrentar. Num avance, peste, num avnce que seu tempo pode tá findo. Pois, lá vai brincadeira que já num tenho tempo pra prosa. Pá, pá e que fique nas agonias do fim. [...]
Trecho da obra Andarilhos: caminhos só ida, volta à seca (Bagaço, 2007), ambos os livros do jornalista e escritor Maurício Melo Júnior. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Sena aqui.
A poesia & o cinema de Pier Paolo Pasolini aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). 
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POESIA REVISTA 2018
Acaba de ser lançado o edital da Poesia Revista para reunião anual de textos poéticos e colunistas de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, com tema Amor e distribuída em bibliotecas nacionais, em saraus e pelos poetas participantes do projeto. A publicação é destnada a jovens e adultos, visando o fomento da cultura e literatura na formação de público leitor e com objetivos voltados para valorização do escritor e suas habilidades textuais, incentivo da leitura, oportunizar aos autores a veiculação de seus trabalhos com divulgação nacional e internacional. Os interessados confiram aqui.

quarta-feira, novembro 01, 2017

LIMA BARRETO, CASCUDO, GENI GUIMARÃES, MÃES & AVÓS, LAMPIÃO, ÁGUA PRETA & EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA

O QUE SOU DE TODAS AS COISAS - Convivo com a indiferença do mundo nas muitas paisagens em que o Sol faz o espetáculo cada vez mais lindo e maravilhoso a cada dia e ninguém se dá conta com seus afazeres e compromissos cotidianos. E se a Natureza e o Universo com seus extraordinários esplendores não são o foco nem chamam atenção à sensibilidade dos tantos que seguem apressados com seus umbigos pra cima e pra baixo, não tenho nada que lamentar, sou apenas feliz ao meu modo, saudando a todos que dormem enquanto tantas maravilhas, muitas paragens, me extasiam e me ensinam viver: a correnteza pras quedas dos rios, as ondas dos mares, as flores dos jardins, as folhas dos quintais, o canto dos pássaros, o voo das borboletas, a brisa nas varandas, os montes do crepúsculo, o horizonte das manhãs, tudo em mim, paratodos. Eu sigo e se ninguém me vê eu abraço a alma de todos a todo instante: é quem passa que me faz existir, mesmo que nem queira sequer saber quem sou nem o que sinto, sou ninguém na multidão. Se acaso acordarem, estarei junto na viagem. E mesmo que nem despertem ou mantenham a sonolência dos seus sonhos nos mais altos níveis de seus prazeres e satisfações individuais, estarei insone a mostrar do visinvisivel que aprendi e me delicia viver: é a vida. Enquanto reduzem sua existência à cata do ouro da Terra pra viver, eu persigo o ouro do coração das pessoas que é muito maior e mais valioso, porque sou e todas as coisas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais especiais com as Cartas Celestes 1 e 8, Sonata 1 for guitar & o Concerto Fribourgeois do pianista e compositor de música erudita Almeida Prado (1943-2010); o Quartet piano nº 1 op 25 Brahms, Concerto nº5 Vieutxtemps & Israel Phylarmonic Zubim Mehta da premiada violinista alemã Viviane Hagner; Ter Pezzi per pianoforte do compositor, professor e musicólogo Hans-Joachim Koellreuter; e Sonata for cello & piano nº 1 op 38 de Brahms, Grand Tango de Astor Piazzolla, Água e Vinho de Egberto Gismonti & O canto do cisne negro de Villa-Lobos, da violoncelista francesa Ophélie Gaillard. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Havia-me preparado para todas as eventualidades da vida. Imaginei-me amarrado para ser fuzilado, esforçando-me para não tremer nem chorar; imaginei-me assaltado por facínoras e ter coragem par enfrenta-los; supus-me reduzido à maior miséria e a mendigar; mas por aquele transe eu jamais pensei ter de passar. Como é difícil controlar o amor. [...] Trecho extraído da obra Cemitério dos vivos (Planeta/FBN, 2004), do escritor Lima Barreto (1881-1922). Veja mais aqui e aqui.

A PRAIERA EM ÁGUA PRETA - [...] Água Preta figura como um dos pontos por onde passou a Revolução Praieira de 1848. Os revoltosos, que tinham pernoitado no engenho Araticum, do município de Barreiros, chegando ao Cachoeira, em 26 de outubro de 1848, bateram uma força encontrada aí, de paisanos governistas. A força de Cocal [...] seguiu pelo norte do rio Una, tiroteando aqui e ali, nos lugares mais estreitos do rio, em que se descobriram os revoltosos, que seguiam de estrada acima. Chegando no engenho Barra, Sebastião Alves da Silva passou o rio com um piquete e fez retroceder a tropa governista, que contava com seu chefe entre os feridos. Às oito horas da noite desse mesmo dia, os revoltosos entraram em Água Preta. Em 23 de dezembro, teve lugar o ataque de Almécega. [...] Administrativamente, o município é formado pelos distritos Água Preta (sede), Santa Terezinha e Xexéu, e pelo povoado de Campos Frios. Anualmente, no dia 03 de junho, Água Preta comemora a sua emancipação política. [...]. Trechos extraídos da Enciclopédia dos Municipios do interior de Pernambuco (FIAM, 1986). Atualmente é formado pelos distritos sede, Santa Terezinha e pelo povoado de Agrovila Liberal. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LAMPIÃO INVULNERÁVEL – [...] Um chofer de praça, em Recife, dizia-me, anos passados, que o bandido Virgolino Ferreira, o “Lampião”, era invulnerável, por ter recebido um “patuá” da mão de um feiticeiro baiano. “Não há bala que não derreta como manteiga e faca se dobra como arame ao chegar em sua pele”, afirmava o negro motorista, sisudo e convencido. Quando Lampião morreu, casualmente encontrei meu informante e inquiri das virtudes mirificas do “patuá”. Não se perturbou: Lampião morreu porque deixara o “patuá” na barraca, quando fora tomar banho pela manhã. Não tivera tempo de recolocá-lo ao pescoço. Por isso morreu... [...]. Trecho extraído da obra Geografia dos mitos brasileiros (Global, 2002), do escritor e folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

MÃES, AVÓS, MULHERES - [...] Sem dúvida, nossas avós e mães não eram santas, mas artistas, arrastadas para uma loucura entorpecida e sangrenta pelas fontes da criatividade nelas existentes e para as quais nçao havia escapatória. Sua arte não foi traduzida em poemas, músicas ou danças, mas na arte diária de cozinhar, do costurar, do bordar e de plantar jardins, que enfeitaram nossa infância e embelezaram nossas vidas. No mercado, na cozinha, no barrazão, na equipe de costura, na organização de festas e recepções, a mulher negra vem cumprindo os seus papéis. Arquétipos segundo os mitos africanos: nutre, protege, organiza, cria. [...]. Trecho extraído da obra A invenção do cotidiano (Vozes, 2000), de Michel de Certeau, Luci Giard e Pierre Mayol. Veja mais aqui.

CONSELHO DE GENI GUIMARÃES
Quem estanca o sangue
Que escorreu?
Quem sutura a língua e a boca
Arrancadas no meio da fala?
Quem devolve o feto primeiro
Da esperança trabalhada?
Quem resgata o tempo
E anula a doença
Que comeu a saúda da África?
Não perca tempo.
Não me procure para anular delitos
Que eu não posso e nem quero
Agasalhar memórias.
Não vou velar insônia de ninguém.
Poema extraído da obra Balé das emoções (Evergraf, 1993), da poeta e escritora Geni Guimarães. Veja mais aqui.

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EXPOSIÇÃO PINTANDO NA PRAÇA
Participando da exposição do projeto Pintando na Praça, na Biblioteca Fenelon Barreto, com o poeta e artista plástico Paulo Profeta, o artista plástico José Duran y Duran, as professoras Sil & Rute Costa e funcionários da SEMED-Palmares-PE. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...