sábado, dezembro 27, 2014

TRUDI GUDA, ROSA LIKSOM, EVELYN LAU, LINDA DARNELL & ADAM ALTER

 


A SOLIDÃO DE LINDA... - Aquela menina libriana de Dallas era a caçula entre quatro irmãos e eram felizes apesar dos pais não serem casado. Cresceu tímida e bastante reservada no meio da agitação doméstica. Era a preferida da mãe que sonhava com seu futuro ignorando a criação dos demais: Mamãe realmente me empurrou, me vendo em uma competição após a outra. Aquela doce e atenciosa menina ainda na infância tornou-se modelo atuando em teatro e cinema, e viveu na pele de Márcia Bromley no Hotel for Women, foi Jane Norton no Day-Time Wife, de Carolyn Sayres no Star Dust, Zina Webb, a The Outsider no Brigham Young, e Lolita Quintero no The Mark of Zorro. Seguia o incentivo da mãe para estrelar em filmes de aventura até se tornar papel principal nas telas e foi Caroline Tridd Hanna no Chad Hanna, Carmen Espinosa no Blood and Sand, Louise Murray no Rise and Shine e Virginia Clemm no The Loves of Edgar Allan Poe. Foi aclamada pela crítica e estava lá como Nancy Johnson no City Without Men, Virgin Mary no The Song of Bernadette, Sylvia Smith & Stevens no It Happened Tomorrow e Dawn Starlight no Buffalo Bill. A vida dividida entre palcos e passarelas, isolando-se dos colegas na adolescência e partiu para um teste em Hollywood, no qual foi rejeitada por ser muito jovem. Preferia o teatro, mas foi no cinema, aos quinze anos que ela estrelou como Olga Kuzminichna Urbenin no Summer Storm, Trudy Wilson no Sweet and Low-Down, Netta Longdon no Hangover Square, Anne Livingstone no The Great John L., Stella no Fallen Angel e Tuptim no Anna and the King of Siam. Foi ainda mais aclamada pela imprensa como nova estrela e se passava como se tivesse já 17 ou 19 anos de idade, quando ainda debutava protagonizando longas de sucesso e foi Edith Rogers no Centennial Summer, Chihuahua no My Darling Clementine, Amber St. Clair no Forever Amber, Algeria Wedge no The Walls of Jericho e Daphne De Carter no Unfaithfully Yours. Ela dizia: Estou aprendendo o que é trabalho realmente árduo. sobre o momento agradável e fácil que as estrelas do cinema devem estar passando em Hollywood, mas os últimos dois meses me ensinaram outra história... E foi Lora Mae Hollingsway no A Letter to Three Wives, Mrs. Aggie Hobson no Slattery's Hurricane, Cecil Carter no Everybody Does It e Edie Johnson no No Way Out. E brilhou nas comédias dramáticas, a ponto de ser apelidada da “estrela mais adorável e emocionante de Hollywood". Charmosa e com sua personalidade juvenil elucubrava: No início, tudo parecia um conto de fadas se tornando realidade. Entrei numa terra fabulosa onde, da noite para o dia, fui uma estrela de cinema. Nas fotos você é construído por todos... Você acredita no que as pessoas ao seu redor dizem... E foi Elena Kenniston no Two Flags West, Denise Turner no The 13th Letter, Dee Shane no The Guy Who Came Back e Evelyn Walsh Warren no The Lady Pays Off. Vieram os musicais e papéis que detestava, diretores aterrorizantes e foi punida acumulando desapontamentos, rejeições e ressentimentos, trabalhando para a Cruz Vermelha e vendendo títulos de guerra. Estava farta dos elogios à sua beleza. Mas seguiu firme e foi Lt. Elizabeth Smythe no Saturday Island, Julie Bannon no Night Without Sleep, Edwina Mansfield no Blackbeard the Pirate e Clare Shepperd, alias Clare Sinclair no Second Chance. E mais foi Lola Baldi no Angels of Darkness, Vida Dove no This Is My Love, Renata Adorni no It Happens in Roma, Amy Clarke no Dakota Incident e Ellen Stryker no Zero Hour! E ressurgiu como pin-up com as pernas de fora em filmes tidos por imorais à época e o sucesso deu-lhe o triunfo: Sou a garota mais sortuda de Hollywood... Mas logo vieram os revezes: Aos trinta e dois anos, consigo ver marcas reveladoras no espelho, mas a devastação do tempo já não me aterroriza. Disseram-me que quando a beleza superficial desaparece, a mulher real surge... Era o alcoolismo e o ganho de peso. Atrasou filmagens porque o seu descobridor havia morrido, adoece e fica de quarentena. Viajou para Itália e, com seu casamento, colocou a carreira num hiato. Depois foi para a televisão e voltou aos palcos entre amores fugazes e flertes, a separação dos pais, as grosserias escandalosas da mãe, extorsões a atormentavam, ameaças de fãs e ela já não era a mesma com endurecimento temperamental, estado de saúde piorando: Eu morava em um esgoto. Agora moro em um pântano. Eu subi no mundo... Queria ser enfermeira e atuando numa creche para mulheres operárias. Manteve-se destemida e banida dos estúdios com a filha adotiva, os casos amorosos, o divórcio malogrado, as terapias e a depressão, o quase suicídio, o tribunal e as fraudes, a ruína e o casamento por interesse financeiro, as insatisfações e os trabalhos de caridade, a adoção de um bebê e a incompatibilidade de gênios, a bebida e sucumbia visivelmente. E ressuscitou como Sadie no Black Spurs depois de um cigarro e o incêndio que a devorou, cinzas enterradas na Pensilvânia. Um tributo à atriz estadunidense Linda Darnell (Monetta Eloyse Darnell - 1923- 1965). Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Para onde foram os sentimentos quando desapareceram? Será que eles deixaram um traço químico em algum lugar de nossas mentes, de modo que, se pudéssemos olhar para dentro de nós mesmos, veríamos, através dos padrões dos neurônios, algumas das coisas importantes que nos aconteceram em nossas vidas? Pensamento da escritora canadense Evelyn Lau. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Cada um de nós é um produto contínuo do mundo dentro de nós, do mundo entre nós e do mundo ao nosso redor – e da sua capacidade oculta de moldar todos os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos... Pensamento do professor e psicólogo estadunidense Adam Alter, autor da obra Drunk Tank Pink: e outras forças inesperadas que moldam a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos (Penguin Press, 2013).

 

COMPARTIMENTO NÚMERO 6 – [...] Você não consegue ver além do bico, não importa o quanto tente. Mas lembre-se, mesmo nos momentos mais sombrios, de que sempre há vida por trás do céu morto. [...] Tudo está em movimento – neve, água, ar, árvores, nuvens, vento, cidades, aldeias, pessoas, pensamentos. [...] Naquela época eu ainda não entendia que só vale a pena matar quem tem medo da morte. Caso contrário, matar é um favor a um amigo. [...]. Trechos extraídos da obra Hytti nro 6 (Graywolf Press, 2011), da premiada escritora, fotógrafa e artista plástica finlandesa, Rosa Liksom, que na sua obra Perhe (HS Kulttuur, 2000), expressa que: [...] Achei que um homem normal não poderia viver com uma esposa assim, que de qualquer maneira está sendo vigiada por um motorista de linha. Afinal, a esposa deveria ser gordurosa e feia, como um marido estrangeiro que faz um rack de teto ruim. Essas esposas ficam bem em casa e limpas. [...].

 

DEVE HAVER SILÊNCIO TAMBÉM - Deve haver silêncio também. \ O velho sozinho \ tecendo provérbios esquecidos\ no crepúsculo\ Sobre os silenciosos não há mal\ Sempre haverá aqueles\ que cuida dos feridos\ O velho em seu jardim de ervas\ sozinho com sua sombra\ familiarizado com a morte\ seu livro de silêncio\ reflete a luta\ de lobos e ovelhas\ tamanho real. Poema da antropóloga e poeta surinamesa Trudi Guda (Gertrude Marie Guda).


 OUTRAS SACADAS & HUMOR


FREUD E O SISTEMA PENAL
– Vamos aprumar a conversa! Nesse tempo de falência das instituições penais, como também de extrema violência, roubalheira e indelicadeza, quase não sabemos mais quem é o amigo e quem o algoz. Abordando sobre transgressão e punição no seu livro Totem e tabu, Freud traz a seguinte reflexão: “[...] Existe, entre os povos primitivos, o temor de que a violação de um tabu seja seguida de uma punição, em geral alguma doença grave ou a morte. A punição ameaça cair sobre quem quer que tenha sido responsável pela violação do tabu. [...] Somente quando a violação de um tabu não é automaticamente vingada na pessoa do transgressor é que surge entre os selvagens um sentimento coletivo de que todos eles estão ameaçados pelo ultraje; e em seguida, apressam-se em efetuar eles próprios a punição omitida. Não há dificuldade em explicar o mecanismo desta solidariedade. O que está em questão é o medo do exemplo infeccioso, da tentação a imitar, ou seja, do caráter contagioso do tabu. Se uma só pessoa consegue gratificar o desejo reprimido, o mesmo desejo está fadado a ser despertado em todos os outros membros da comunidade. A fim de sofrear a tentação o transgressor invejado tem de ser despojado dos frutos de seu empreendimento e o castigo, não raramente, proporcionará àqueles que o executam uma oportunidade de cometer o mesmo ultraje, sob a aparência de um ato de expiação. Na verdade, este é um dos fundamentos do sistema penal humano e baseia-se, sem dúvida corretamente, na pressuposição de que os impulsos proibidos encontram-se presentes tanto no criminoso como na comunidade que se vinga. Nisto, a psicanálise apenas confirma o costumeiro pronunciamento dos piedosos: todos nós não passamos de miseráveis pecadores”. (Sigmund Freud, Totem e tabu). Veja mais aqui.


A LENDA DE BORGES – Inserido no seu livro Elogio da sombra/perfis, o escritor argentino Jorge Luis Borges traz o conto Lenda, narrando um encontro inusitado: “Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentarem-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira da pessoa cansada quando declina o dia. No céu assomava alguma estrela, que ainda não havia recebido seu nome. À luz das chamas, Caim percebeu na fronte de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que levava à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime. Abel respondeu: - Tu me mataste ou eu te matei? Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes. – Agora sei que em verdade me perdoaste – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Eu procurarei também esquecer. Abel falou devagar: - Assim é. Enquanto durar o remorso, dura a culpa”. (JorgeLuis Borges, Lenda, in: Elogio da sombra/perfis). Veja mais aqui.


O PAI, A MÃE E OS FILHOS – A importância da família no desenvolvimento da criança é inegável, exigindo uma preparação adequada dos pais para tal tarefa. O psiquiatra Içami Tiba faz uma análise de como se comportam pais e mães na atenção com a criança: “[...] Numa refeição em casa, se o filho não quer comer “que não coma”, pensa o pai. A mãe logo se dispõe a encher o estômago dele de qualquer jeito: “Quer que eu prepare aquele sanduíche que você adora?”. Quando o filho apanha de um colega, o pai se irrita e briga com ele, quando não chega a agredi-lo, para que aprenda a se defender na rua. A mãe também fica furiosa e quer dar uns tapas... mas em quem agrediu seu filho. Pais perdem os filhos em shoppings, praias, festas juninas. Mães não desgrudam os olhos de seus pimpolhos. Enfim, na família, o pai tem dois filhos, enquanto que a mãe tem três: o filho temporão é o marido!” (Içami Tiba, Quem ama, educa!). Veja mais aqui.


DA COMPULSÃO DO CONSUMO: ONIOMANIA & SHOPAHOLIC – Já nesse tempo de desenfreada compulsão de devorar as vitrines do consumo, à luz da Neuroeconomia, Eduardo Gianetti traz o seguinte esclarecimento: “No embate de forças subjacente às nossas escolhas, o sistema límbico e o córtex frontal são os principais vetores: os impulsos e desejos oriundos do primeiro gozam da prerrogativa de iniciar os lances da peleja, mas têm de abrir caminho e negociar a passagem pelo crivo modulador do segundo; só assim serão capazes de empolgar o sistema motor e acionar os músculos relevantes [...] Na prática, o córtex funciona como uma espécie de filtro ou gerente-contador, adepto do cálculo de custos e da prudência. É ele o vigia severo que, quando o primata límbico diz num repente – “Eu quero”!, responde – “Não!”; ou ao menos, dependendo do caso e da pessoa, é claro, balança a cabeça e propõe – “Calma lá, agora não!”. (Eduardo Giannetti, Ilusão da alma: biografia de uma ideia fixa). Veja mais aqui e aqui.

DUAS DICAS EM UMA: SAÚDE EM PRIMEIRO LUGAR


ALQUIMIA DA SAÚDE – A primeira dica é de James Elder que defende a alquimia dos quatro elementos nos cuidados com o corpo: “Fogo – Metabolismo e digestão: equilibrar o metabolismo para conseguir harmonia. Trabalhar bastante física e mentalmente para tornar o fogo elétrico do sistema nervoso mais sadio pelo uso. Ar – Respiração: deixar as janelas abertas sempre que possível. Inalar profundamente e exalar plenamente. Exercício intensivo é essencial para respiração e circulação eficientes. Terra – Dieta e exercício: procurar manter o peso correto. Fazer exercícios para fortalecer os órgãos, desenvolver os músculos e manter o tônus. Manter dieta equilibrada. Água – Líquidos: beber bastante líquido, principalmente água. Oito copos de água por dia é o ideal”. (James Elder, Alquimia da saúde).

SAÚDE UMBIGOCENTRISTA – Já o escritor e jornalista Xico Sá traz uma dieta mais acessível e eficiente da apolínea moda atualíssima para umbigocentristas glamourosas: “1. Francês por francês, sai Proust e entra toda a linha Lancôme. 2. Em vez de queimar pestanas e orgulhar-se de românticas olheiras, o milagre elíptico do Botox. 3. No lugar da cinemateca, sessões de bronzeamento artificial. 4. Os cortes epistemológicos serão substituídos pelo efeito de uma boa lipoaspiração. 5. Frequentar exposições de arte somente em pavilhões gigantes, como o da Bienal, que permitam queimar pneuzinhos ao longo da contemplação. 6. Em vez de amor platônicos, trepadas homéricas, como na receita do poeta da saudável marginalia. 7. Homem ou se pega pelo estômago, como na prenda culinária mais antiga, ou  pelos dotes da academia de ginástica. Desconfie sempre da sexualidade de um macho que se deixa prender pelo intelecto. Trata-se , para dizer o mínimo, de um tremendo pervertido. Ou você acha que Simone de Beauvoir vale mais do que uma cachorra do funk? 8. De humano demasiadamente humano, aceitarei apenas aquela pequena cota de celulite da qual uma gazela, mesmo de passarela, não consegue se livrar. 9. As almas se entendem, os corpos não. 10. Nada de ficar aí parada, absorta e nebulosa, olhando as interrogações de fumaça do velho e cancerígeno king-size existencial. Em vez da engorda no pasto inútil da metafísica, faça pelo menos meia hora de ginástica passiva”. (Xico Sá, Decálogo para queimar gorduras e neurônios). Vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Literatura: Modernidade x Pós-Modernidade aqui.

E mais:
Crença, Gabrielle D´Annunzio, Jack Kerouac, Al Jarreau, José Antônio da Silva, Edgar Rice Burroughs, Benício, Kristen Stewart & A princesa que amava insetos aqui.
Celso Furtado & O capitalismo global, Lucia Santaella & Linguagens Líquidas, Pierre Lévy & O Virtual, Cibercultura & Narrativas midiáticas contemporâneas aqui.
Al-Chaer, José Terra Correia, Vanice Zimerman Ferreira, Marisa Queiroz, Psicologia da Saúde, Elisabeth Kubler-Rossa & a morte e o morrer, Direito Ambiental & Simone Lessa aqui.
Caudal do Una de Pelópidas Soares, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Afonso Paulo Lins, Carmen Silvia Presotto, Natanael Lima Filho, Adriano Nunes & Eliane Auer aqui.
O trabalho: escravidão, subordinação e desemprego aqui.
Erich Fromm, Sigmund Freud, Roland Gori, Alan Watts & Eduardo Gianetti aqui.
Octavio Paz, Gestão Ambiental do Trabalho, Psicodrama & Role-Playing aqui.
Big Shit Bôbras: e num é que o Padre Cícero matou duas aqui.
A fenomenologia de Edmund Hurrserl, O bacanal do Boechat, Jacques Demolay & Programa Tataritaritatá aqui.
Brincar para aprender, Sistema Endócrino, Argemiro Correa, Nó na Garganta: Jan Claúdio & Eduardo Proffa aqui.
Dos destroços pra solidão criativa aqui.
É ela a soberania do mar na foz do meu rio aqui.
Cenário em ebulição aqui.
Os dois mundos de quem vive de um lado só aqui.
Reflexões de jornada à sombra da amendoeira aqui.
Desdita de Tripa, Maria Helena Vieira da Silva & Walter S. Parker aqui.
Trajeto Fatal, Bajado, Ascenso Ferreira & Jessiva Sabino de Oliveira aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando Deus Num Quer, Santo Num Voga aqui.
Fecamepa: Quando o nó se desata, bote banca porque o afolosado é a maior moleza, viu aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



sexta-feira, dezembro 26, 2014

OONYA KEMPADOO, EDNA MILLAY, SAPOLSKY & YVONNE SYLVAIN

 


ED’NANCY, POETA, MULHER... - Aquela pisciana era Edna e, quando não, Nancy, ela própria duas e outras, pois pelo acréscimo de santidade ao seu nome, porque seu tio fora salvo com anúncio de seu nascimento queria ser Vincent. E nisso insistia com o entusiasmo das leituras da mãe divorciada em cada canto que chegasse. E era o que mais apetecia. Foi na casa da tia de Camden que viveu depois de muitas andanças e o que levou a escrever seus primeiros versos. A firmeza veio junto com as reprimendas escolares. Foi no liceu de lá que estreou na revista The Megunticook, e alguns de seus poemas na infantil St. Nicholas, no jornal Camden Herald e na antologia Current Literature. Nem havia debutado ainda e a poeta trilhou seu caminho para fama com o seu aplaudidíssimo Renascence. Não foi poupada de controvérsias e escândalos, até ser surpreendida numa exibição performática ao piano, e premiada pela simpatia de uma ricaça financiadora de seus estudos no Vassar College. Depois de concluir os estudos foi para New York até ser contemplada com a Frost Medal. Aventuras amorosas de sua inusitada sexualidade desde o colegial levaram-na à Paris para casar-se em Austerlitz. Seus recitais fascinavam: Euclid Alone Has Looked on Beauty Bare. Depois The Ballad of the Harp-Weaver. Era o jazz e a boêmia, a Aria da Capo. E vieram as peças teatrais em versos: Two Slatterns and a King, The Lamp and the Bell e a ópera The King's Henchman. Certa noite ouviu-se First Fig: A minha vela arde nas duas pontas; \ Não vai durar a noite inteira; \ Mas ah!, meus inimigos, e oh!, meus amigos-- \ A sua luz é tão prazenteira!... Era a sua vela no Romany Marie. A última entre sonetos que emergiram aos seus tantos amantes, até ser encontrada morta ao fundo das escadas para o Caminho dos Poetas. Veja mais abaixo e aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Eu amo a humanidade, mas odeio as pessoas. A infância não é desde o nascimento até uma certa idade e em uma certa idade. A criança cresce e guarda as coisas infantis. A infância é o reino onde ninguém morre. Serei a coisa mais feliz sob o sol! Tocarei em cem flores e não colherei nenhuma. Fico feliz por ter prestado tão pouca atenção aos bons conselhos; se eu tivesse obedecido, poderia ter sido salva de alguns dos meus erros mais valiosos... Dizem que quando você sente falta de alguém, provavelmente essa pessoa está sentindo o mesmo, mas não acho que seja possível... Não é verdade que a vida seja uma coisa atrás da outra; é uma maldita coisa repetidas vezes. Eu sei que sou apenas verão para o seu coração, e não as quatro estações completas do ano... Onde você costumava estar, há um buraco no mundo, pelo qual eu ando constantemente durante o dia e caio à noite. Tenho muitas saudades tuas... Veja, eu sou uma poeta e não estou muito bem da cabeça, querido. É só isso...  Pensamento da poeta e dramaturga estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950), também conhecida por obras assinadas como Nancy Boyd. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Só vá aos feiticeiros quando não houver mais nada... Pensamento da médica e ativista haitiana Yvonne Sylvain (1907-1989).

 

POR QUE AS ZEBRAS NÃO TÊM ÚLCERAS - [...] Se eu tivesse que definir uma depressão grave em uma única frase, eu a descreveria como um “distúrbio genético/neuroquímico que requer um forte gatilho ambiental, cuja manifestação característica é a incapacidade de apreciar o pôr do sol. [...] Em um nível incrivelmente simplista, você pode pensar que a depressão ocorre quando seu córtex tem um pensamento abstrato e consegue convencer o resto do cérebro de que isso é tão real quanto um estressor físico. [...] A maioria das pessoas que pratica muito exercício, especialmente na forma de atletismo competitivo, tem, para começar, personalidades não neuróticas, extrovertidas e otimistas. (Os corredores de maratona são exceções a isso.) [...] Os genes raramente tratam da inevitabilidade, especialmente quando se trata de humanos, do cérebro ou do comportamento. Tratam de vulnerabilidade, propensões, tendências. [...]. Trechos extraídos da obra Why Zebras Don't Get Ulcers (Holt Paperbacks, 2004), do cientista e escritor estadunidense Robert Sapolsky, que na obra A Primate's Memoir: A Neuroscientist's Unconventional Life Among the Baboons (Scribner, 2002) expressa que: […] Vivemos bem o suficiente para podermos nos dar ao luxo de adoecer devido ao estresse puramente social e psicológico [...] e no livro The Trouble with Testosterone and Other Essays on the Biology of the Human Predicament (Scribner, 1998) expressa que: […] Não estou preocupado se os cientistas explicarem tudo. Isto ocorre por uma razão muito simples: um impala correndo pela Savana pode ser reduzido à biomecânica, e Bach pode ser reduzido ao contraponto, mas isso não diminui nem um pouco a nossa capacidade de tremer enquanto experimentamos impalas saltando ou Bach trovejando. Só podemos ganhar e crescer com cada descoberta de que existe uma estrutura subjacente aos níveis mais acessíveis de coisas que nos enchem de admiração. Mas há uma razão ainda mais forte pela qual não tenho medo de que os cientistas inadvertidamente expliquem tudo – isso nunca acontecerá. Embora em certos domínios possa ser que a ciência possa explicar qualquer coisa, ela nunca explicará tudo. Como deveria ficar óbvio depois de todas essas páginas, como parte do processo científico, para cada pergunta respondida, uma dúzia de perguntas mais novas são geradas. E geralmente são muito mais intrigantes e desafiadores do que os problemas anteriores. Isto foi afirmado maravilhosamente numa citação de um geneticista chamado Haldane, no início do século: "A vida não é apenas mais estranha do que imaginamos, é mais estranha do que podemos imaginar." Nunca teremos nossas chamas extintas pelo conhecimento. O propósito da ciência não é curar-nos do nosso sentido de mistério e admiração, mas sim reinventá-lo e revigorá-lo constantemente. [...].

 

TODOS OS ANIMAIS DECENTES - [...] Quando ela não consegue dormir, ela escreve. Tudo o que ela lembra são as palavras dele. Logo amanhecerá, com cavalos alimentados pelo fogo trovejando ao som dos grilos no céu. Eu vou ver você correr. E eu vou correr com você. Naquela manhã, enquanto Ata comia uma manga pingando na pia, ela o sentiu se aproximar por trás dela e tocar suas costas, leve como uma corrente de ar. Ele beijou a lateral do pescoço dela, inalou o vapor do cacau amargo, fervendo com folhas de louro, canela e noz-moscada, e disse que isso o lembrava de sua infância. “Você é das ilhas”, disse ela. Mas então ele se foi [...]. Trecho extraído da obra All Decent Animals (Farrar, Straus and Giroux; 2013), da escritora guianesa Oonya Kempadoo, que na obra Tide Running (Farrar, Straus and Giroux, 2003), expressou que: [...] Apenas vindo de Trinidad, nunca poderíamos ter visto a escuridão desta ilha. A força disso dominou e silenciou você. Só depois de se mudar para cá a calma se tornou perturbadora. Traços de ressentimento brilhando sob a pele de rostos orgulhosos, no andar de corpos móveis. A casa, nosso refúgio de férias da vida na cidade de Trinidad, nos seduziu em seu ventre, prometendo paz de espírito, uma vida livre de crime e o azul do Mar do Caribe. Assim que o trabalho de Peter em Trinidad terminou, nos mudamos. E agora o refúgio nos protegia de coisas desconhecidas e profundas. Sempre maternal, dando espaço para erros e meditação, zelando pelo nosso sono. [...].

 


CONCEITO

Não alongo
Poemas
Apenas curto
No máximo
Surto

CURUPIRA

O medo é um galope saindo das trevas
Como quem foge não sabe de quê
O medo é um sol imenso no céu
E uma boca escancarada para a sede
O medo é a possibilidade de enfrentá-lo

POETRIA

Poema é face descoberta
De tudo que pulsa
Poema é atitude permanente
Em tudo que passa
(que massa)

TEORIA LITERÁRIA

Das águas turvas
Nascerá o que não brota
Nos jardins e nos prados
Onde a vida punga
Como equação do silêncio

FRAGMENTES

Escrevo poemas
Para guardar memória
Dos instantes invisíveis
Partidos em milhares
De cacos mínimos
Escrevo poemas
Para não lembrar disso
Para não esquecer
Também

NA PELE DO RIO

A solidão
É uma pedra
No meio duma tempestade
Imóvel provação dos ventos
Escuridão que não fere
E tantas vezes absorve
O limo
Coisa roendo os ossos
Testando o limite que
Alimenta o ar

OLHAR DE ARRANJO

Até a derradeira silaba
Caminho no que estimo
Levar-nos a um silêncio
Não exatamente mudo

EQUILÍBRIO

Quando voar sobre
Incêndios
Não derrete minhas
Asas

LAU SIQUEIRA – O livro Poesia sem pele, do poeta Lau Siqueira traz o prefácio Uma poesia toda nua, da professora de Poesia Brasileira da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de São José do Rio Preto, comprovando a maestria e maturidade do poeta. Mais um excelente livro lançado em 2011 pela Casa Verde, um presente entregue pelos poetamigos Carmen Presotto e Adriano Nunes.

Veja mais:
Lau Siqueira Poeta do Mês


Veja mais sobre:
Carl Gustav Jung, Giórgos Seféris, Euclides da Cunha, Mario Vargas Llosa, Fito Páez, Cacaso, Anne Rice,Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro, Flávio de Barros, Dana Delany & Big Shit Bôbras aqui.

E mais:
Sócrates & a sofística no pensamento grego aqui.
Pirangi, Rabelais, Máximo Gorki, Jocy de Oliveira, Cícero, Ítala Nandi, Patrice Chéreau, Konstantin Razumov, Kerry Fox, Tchello D´Barros & Família Eudemonista aqui.
A justiça & a injustiça aqui.
Violência aqui.
O pensamento de Demócrito de Abdera aqui.
Serviço Público & Nênia de Abril aqui.
O pensamento de Anaxágoras de Clazomena aqui.
Aprumando a conversa na volta da Teibei & lorotas prontas do Brasilsilsilsil aqui.
O pensamento de Empédocles de Agrigento aqui.
O pensamento de Zenão de Eléia aqui.
Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams, Suzanne Valadon aqui.
Coisas do sentir que não são pra entender, Marco Túlio Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
O que é de sonho quando real, Yukio Mishima, Marisa Rezende & David Alfaro Siqueiros aqui.
O beijo dela de sol na minha vida de lua, José Régio, Ceumar & Luciah Lopez aqui.
Gato escaldado pra se enturmar é um pé na frente e outro atrás, Sonya Bach, Mariana Beltrame & Umberto Boccioni aqui.
Odisseia de um curau no Oriente Médio & Alexej von Jawlensky aqui.
Fecamepa aqui.
Um verso desesperado de amor, Raymundo Alves de Souza & Programa Tataritaritatá aqui.
As cinzas de Gramsci, de Pier Paolo Pasolini aqui.
Epigramas de Goethe, Seminário de Lacan, Princípio do Prazer de Freud & Produtos CCE aqui.
Poema em linha reta & outros poemas de Fernando Pessoa aqui.
Tomás de Iriarte, Gerusa Leal & Programa Tataritaritatá aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...