Mostrando postagens com marcador Tabu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tabu. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

HOPE MIRRLEES, CHARLOTTE WOOD, NANCY CUNARD & EVELYN HALL

 


NANCY, A INCANSÁVEL MUSA – Herdeira da fortuna de uma família londrina, ela passou a infância de Nevill Holt entre um e outro colégio interno. Com a separação dos pais foi para Londres acompanhando sua mãe. Outras passagens por vários internatos. Cresceu e casou-se como uma dama pisciana – a namoradeira elegante mantinha outros romances secretos. Toda sofisticada intensidade humanitária superava todos os rumores e veio o divórcio com mudança para Paris na festa dada e surrealista. O primeiro golpe foi não ter conseguido superar por inteiro um amante morto em combate e os poemas de Outlaws. Outro golpe: a histerectomia quase fatal, recupera-se na Normandia e os poemas de Sublunary. Reabilitada fulgurante com suas joias afro pela devoção provocativa e controversa de malaquitas e purpuritas, as pulseiras dos pulsos ao cotovelo, os colares de cubos de madeira, as extravagâncias estilísticas cubistas, a excentricidade de uma boêmia com seu visual bárbaro vanguardista. E os poemas de Parallax. Assumiu riscos financeiros e outros envolvimentos amorosos, era a publicação da revolucionária Hours Press. A rebelde jornalista de guerra rejeitava os lugares glamourosos. Ousava com o polêmico panfleto Black Man and White Ladyship (1931) atacando racistas. Olhos abertos na glória de trocar dinheiro pelo ativismo incansável na luta antifascista com a Negro Anthology, relatando o caso dos Scottsboro Boys. Recebeu ameaças anônimas e correspondências de ódio, enquanto identificava-se como anarquista! Veio então o panfleto compilado Authors Take Sides e os poetas del mundo defienden al pueblo español. Diante da segunda grande guerra sofria com os refugiados, arrastando-se na batalha com seus panfletos poéticos na resistência francesa. Apelou por ajuda e entrega de mantimentos, o seu esforço de socorro.  Foi à exaustão e as condições de campo levaram-na ao esgotamento e uma saúde precária: ...é impossível não tomar partido... Voluntária guerrilheira pela restauração da democracia e com Releve into Marquis e Poems for France, a decepção com H.G. Wells, Pound e Eliot, Orwell, Woolf, Russel e Joyce. Desistiu de Réanville e viajou extensivamente. Depois alugou uma pequena casa numa vila do Vale do Dordogne. Veio, então, a pobreza enfrentando a injustiça com a própria pele da brancura de lua, a saúde frágil com episódios de mania autodestrutivas e o alcoolismo. Era a tragédia da musa louca enfrentando a polícia para ser internada pela psiquiatria. Na libertação vagava pelas ruas magérrima, solitária sem nome, até ser vista desacordada numa rua parisiense, suas cinzas para a Inglaterra, os restos mortais no Père-Lachaise, a La Jeune Fille Sophistiquée de Brâncusi. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Acredito na missão sagrada da arte de mudar a história... Pensamento da escritora e ativista política britânica Nancy Clara Cunard (1896–1965), autora dos poemas: I - Ousando olhar para trás e olhar novamente \ À frente para todos os dias que vêm lentamente, \ Não veja nada além dos Carnavais da Paz, \ Esqueça os sonhos de morte e outros caminhos \ Os homens imaginaram para sua própria diminuição... \ Eu escreveria uma canção para conquistar todas as nossas lágrimas \ Durando para sempre através dos anos dobrados. II - Todos estavam lá, \ Os alarmistas desta vida, semeando suas colheitas futuras, \ Ervas daninhas abundantes de conflito--- todos, menos um \ Que eu nunca nomeio, Ciúme.

 

ALGUÉM FALOU: Sempre há mais bondade no mundo do que parece, porque a bondade é, por natureza, modesta e reservada... Detesto o que você escreve, mas daria minha vida para tornar possível que você continue escrevendo... Pensamento da escritora britânica Evelyn Beatrice Hall (1868-1956), que por conta da obra Voltaire in His Letters: Being a Selection from His Correspondence (Franklin Classics, 2015), confere uma frase dela atribuida a Voltaire. Confira aqui.

 

O CAMINHO NATURAL DAS COISAS - [...] O que as pessoas em suas vidas antigas diriam sobre essas garotas? Elas seriam chamadas de desaparecidas? Algum programa de documentário na ABC que ninguém assistia, ou um daqueles jornais finos que ninguém lê, de alguma forma conectaria seus casos, encontraria o fio para transformá-los em uma história? As Garotas Perdidas, elas poderiam ser chamadas. Seria dito que elas "desapareceram", "estavam perdidas"? Seria dito que elas foram abandonadas ou levadas, do jeito que as pessoas dizem que uma garota foi atacada, uma mulher foi estuprada, essa feminilidade sempre no centro, como se a feminilidade em si fosse a causa dessas coisas? Como se as garotas de alguma forma, pelo caminho natural das coisas, fizessem isso a si mesmas. Elas atraíram o sequestro e o abandono para si mesmas, elas se reuniram nesta prisão onde tinham feito suas camas, e agora, mais uma vez, estavam deitadas nelas. [...]. Trechos da obra The Natural Way of Things (Europa, 2015), da escritora Australiana Charlotte Wood, que na obra Animal People (Allen & Unwin, 2012), expressou que: […] Era perigosamente fácil ceder: as defesas humanas se dissolviam ao toque de outra pessoa [...] O ponto de um animal não era que ele te amasse; era que você pudesse amá-lo. Em toda a sua alteridade, seu não pertencimento à sua espécie, ele ainda poderia receber - sem limites - seu amor. [...].

 

PARIS, UM POEMA - Quero uma holofrase \ NORD-SUD \ ZIG-ZAG\ LION NOIR\ CACAO BLOOKER\ Vasos de negras figuras em túmulos etruscos\ RUE DU BAC (DUBONNET)\ SOLFERINO (DUBONNET)\ CHAMBRE DES DEPUTES\ Brekekekek coaxa coaxa1 vamos, passando sob o Sena\ DUBONNET\ A Mulher Escarlate gritando BYRRH e ensurdecendo S. João em Patmos\ Vous descendez Madame?\ QUI SOUVENT SE PESE BIEN SE CONNAIT\ QUI BIEN SE CONNAIT BIEN SE PORTE\ CONCORDE\ Não posso\ Tenho que ir devagar\ As Tulherias entram em um transe\ porque os pintores ficaram\ encarando-as por tanto tanto tempo\ Menininhos em macacões pretos cujas mãos, grudentas de brincar, parecem\ as folhas novas ainda enroladas das castanheiras riem,2 rodam e rodam nos\ cavalinhos-de-pau até ficarem de cabeça tonta.\ Pombos se empoleiram em estátuas\ E viram pedra.\ Le départ pour Cythère.\ Essas ninfas são inofensivas, \ Medo não tenhais de suas bocas macias—\ Um Pasteur qualquer tornou os Gauleses imunes\ À mordida de Ninfas... olhe \ Gambetta \ Uma roseta vermelha3 na lapela do casaco\ O tutoiement4 conjugal obsceno\ Mais c´est logique\ O Esprit Français se curva sobre ele,\ Sussurrando\ Segredos \ requintados significativos\ fados plásticos\ Da 13a Duquesa de Alba\ Longa longa6 como a Torre Eiffel\ Sob tantas braças de haxixe\ Com longo convincente dedo\ Mostrando Magos invisíveis\ A um Maltesinho branco:\ O fundo cinza e verde-oliva\ Como o Midi, o Louvre, o Sena... \ De espátulas de marfim, um leão esculpido no punho, Lisístrata tinha\ uma, mas a artesania dessas é Império... \ Vejo o Arco do Triunfo \ Sóbrio e sombrio como os sonhos de Júlio César:\ Desdenhe as leis da geometria sólida,\ Audaz penetre a parede da Salle Caillebotte\ E adiante e adiante... \ Odeio a Etoile\ O Bois me aborrece: \ Cágados com a carapaça crivada de gemas\ Um menino romano tirando um espinho do pé\ Uma revoada de Madames Récamiers descalçadas \ Lamentando, onde, onde, o Chateaubriand de nos jours \ E no entanto... ali bem perto \ Vagueia a vetusta rue Saint-Honoré \ Maltrapilha e indiferente, como um Grand Seigneur da Bretanha \ Um Auvergnat, todas as montanhas de Auvergne em cada castanha que ele vende... \ Paris é um imenso camponês saudoso de casa, \ A carregar mil vilarejos no coração. \ Pátios ocultos \ Com faunos em baixíssimo-relevo siflando entre lótus\ E trepadeiras que galgam treliças\ São vales secretos onde vão nascendo pequenos deuses.\ Toda hora quase se ouve um galo\ Dó dó miii\ 80 Ele não pode cantar as cidades—\ O fantasma do velho Hesíodo com sobra de tempo pra sentir melancólico - \ Na ociosidade eterna do Aqueronte\ Doido por 'Trabalhos e Dias' ouça! \ O singelo Espírito do Ano\ Está duro e desolado\ Estendido por acres de terra roxa,\ As retas linhas nítidas de sua rouparia arcaica,\ Perfeitamente cinzelada pelo arado...\ E tem coisas bonitas— \ Crianças com amuletos no pescoço\ Brincando de Pigeon vole,\ Telhados vermelhos,\ Batas azuis,\ E santos gaiatos...\ AU \ BON MARCHE\ ACTUELLEMENT\ TOILETTES\ PRINTANIERES\ A jeunesse dorée dos plátanos. \ Nas Igrejas, durante a Quaresma, Cristo e os Santos vestem véus\ cor-de-malva.\ Lá longe, nos jardins,\ Crocus, \ Chionodoxas, a Princesa num conto-de-fadas sérvio,\ Depois \ A chef d´oeuvre do ourives—lírio-do-vale, \ Logo\ Rosas-caninas vão encarar ciganos, carroças, peregrinações\ O tempo todo\ Inodoras rosas de Lyons\ Gélidas, \ Plásticas,\ Batizadas em homenagem às mulheres de Prefeitos... \ Ingres pintou um retrato de Madame Jacquemart \ André? \ No Louvre\ A Pietà de Avignon,\ L’Olympe,\ Giles,\ Os Sete Pecados Capitais de Mantegna\ Os Chardins;\ Se alçam, serenos and vívidos, um atrás do outro dos seus cinco longos anos \ de sono subterrâneo. \ Como Duncan, dormiram bem.\ O PresidenteWilson sorri feito um cão e corre cidade afora, fucinhando com\ um prazer inocente a urina diluviana de Gargântua.\ Os botões nos álamos são crisálidas douradas;\ O Balé de verdes Borboletas\ Está prestes a começar.\ Durante o cíclico Grand Guignol do Catolicismo\ Guinchos,\ Lacerações,\ Suor sangrado—\ Le petit Jésus fait pipi.\ Lilás\ A PRIMAVERA É A IRMÃZINHA DE SALOMÃO ; ELA NÃO TEM SEIOS.\ LAIT SUPERIEUR\ DE LA\ FERME DE RAMBOUILLET\ ICI ON CONSULTE\ LE BOTTIN.\ CHARCUTERIE\ COMESTIBLES DE IRE CHOIX\ APERITIFS\ ALIMENTS DIABETIQUES\ DEUIL EN 24 HEURES\ Messieursetdames\ Pequenos templos de Mercúrio;\ A circunferência do seu templum\ Um belo senso de escala,\ Uma gota dourada do sangue de Harpagão,\ Preserve-a de ímpia ampliação.\ Grandes buquês de lilases entre sifões, vermute, Bocks, tabaco.\ Messieursetdames\ NE FERMEZ PAS LA PORTE\ S.V. P\ LE PRIMUS S´EN CHARGERA\ Em mesas de mármore, ouvriers vestidos de linho azul sentam-se discutindo:\ La journée de huit heures,\ Se Landru era um sádico,\ A foca amestrada no Nouveau Cirque;\Cottin... \ Ecos de Bossuet louvando rainhas mortas.\ méticuleux\ bélligerants\ hebdomadaire\ immonde\ As Legiões Romanas\ Aladas\ Invisíveis\ Batalham em sua última batalha na Gália.\ O fantasma de Père Lachaise\ Vai andando pelas ruas,\ Vai envolto numa cortina negra bordada com a letra H, \ Nele dependuradas, coroas fúnebres de papel,\ É belo e horrível e amigo próximo de Rousseau, o funcionário da Alfândega.\ As unidades jazem destroçadas, \ O palco entulhado de cadáveres... \ Espertos, gentis gaillards\ Seus eidola em molduras hediondas, de bronze, gravado, o motto\ MORT AU CHAMP D'HONNEUR;\ E viuvinhas se lamentando\ Le pauvre grand!\ Le pauvre grand!\ E petites bourgeoises de lábios cerrados e vozes estridentes vão contando o troco e dizendo Messieursetdames e seus corações são a província arruinada\ de Picardie... \ Eles não são como nós, que, feito vampiros17, enterramos nossos amigos vinte vezes antes mesmo que morram mas—\ Nunca nunca mais vai o Marne\ Fluir por margens felizes.\ É bom sentar nos Grand Boulevards—\ Têm cheiro de\ Cloacas \ borracha d'Índia quente\ Poudre de riz \ Tabaco argelino\ Monsieur Jourdain no rubro-azul dos Zuavos\ É o premier danseur no Ballet Turque\ ´Ya bon!\ Mamamouchi\ YANKEES--“e diga ainda que em Aleppo un dia...”\ Muitos Mardi Gras e Carême Prenant do Carnaval\ da Paz ;\ Véus de crepe,\ Bocas em biquinhos pro protetor labial como se tivessem acabado de dizer: \ Cho-co-lat... \ “Elles se balancent sur les hanches.”\ Olhos de lagarto,\ Barbas assírias,\ Botas com topo de pano—\ L’Olympe,\ Giles,\ Os Sete Pecados Capitais de Mantegna\ Os Chardins;\ Se alçam, serenos and vívidos, um atrás do outro dos seus cinco longos anos \ de sono subterrâneo.\ Como Duncan, dormiram bem. \ O Presidente Wilson sorri feito um cão e corre cidade afora, fucinhando com\ um prazer inocente a urina diluviana de Gargântua.\ Os botões nos álamos são crisálidas douradas;\ O Balé de verdes Borboletas\ Está prestes a começar. \ Durante o cíclico Grand Guignol do Catolicismo\ Guinchos,\ Lacerações,\ Suor sangrado—\ Le petit Jésus fait pipi.\ Lilás\ A PRIMAVERA É A IRMÃZINHA DE SALOMÃO ; ELA NÃO TEM SEIOS.\ LAIT SUPERIEUR\ DE LA\ FERME DE RAMBOUILLET \ ICI ON CONSULTE \ LE BOTTIN.\ CHARCUTERIE\ COMESTIBLES DE IRE CHOIX\ APERITIFS\ ALIMENTS DIABETIQUES\ DEUIL EN 24 HEURES\ Messieursetdames\ Pequenos templos de Mercúrio;\ A circunferência do seu templum\ Um belo senso de escala,\ Uma gota dourada do sangue de Harpagão,\ Preserve-a de ímpia ampliação.\ Grandes buquês de lilases entre sifões, vermute, Bocks, tabaco.\ Messieursetdames\ NE FERMEZ PAS LA PORTE\ S.V. P\ LE PRIMUS S´EN CHARGERA\ Em mesas de mármore, ouvriers vestidos de linho azul sentam-se discutindo:\ La journée de huit heures, \ Se Landru era um sádico,\ A foca amestrada16 no Nouveau Cirque;\ Cottin... \ Ecos de Bossuet louvando rainhas mortas.\ méticuleux\ bélligerants\ hebdomadaire\ immonde\ As Legiões Romanas\ Aladas\ Invisíveis\ Batalham em sua última batalha na Gália.\ O fantasma de Père Lachaise\ Vai andando pelas ruas,\ Vai envolto numa cortina negra bordada com a letra H,\ Nele dependuradas, coroas fúnebres de papel,\ É belo e horrível e amigo próximo de Rousseau, o funcionário da Alfândega.\ As unidades jazem destroçadas,\ O palco entulhado de cadáveres\ Espertos, gentis gaillards \ Seus eidola em molduras hediondas, de bronze, gravado, o motto\ MORT AU CHAMP D'HONNEUR;\ E viuvinhas se lamentando\ Le pauvre grand! \ Le pauvre grand!\ E petites bourgeoises de lábios cerrados e vozes estridentes vão contando o troco e dizendo Messieursetdames e seus corações são a província arruinada\ de Picardie... \ Eles não são como nós, que, feito vampiros, enterramos nossos amigos vinte vezes antes mesmo que morram mas— \ Nunca nunca mais vai o Marne\ Fluir por margens felizes.\ É bom sentar nos Grand Boulevards—\ Têm cheiro de\ Cloacas \ borracha d'Índia quente\ Poudre de riz\ Tabaco argelino\ Monsieur Jourdain no rubro-azul dos Zuavos\ É o premier danseur no Ballet Turque\ ´Ya bon!\ Mamamouchi\ YANKEES--“e diga ainda que em Aleppo un dia...”\ Muitos Mardi Gras e Carême Prenant do Carnaval\ da Paz ;\ Véus de crepe,\ Bocas em biquinhos pro protetor labial como se tivessem acabado de dizer:\ Cho-co-lat...\ “Elles se balancent sur les hanches.” \ Olhos de lagarto,\ Barbas assírias,\ Botas com topo de pano—\ A raça, tão pequena quão audaz, cujo cérebro, disseram os Árabes, era um dos três cimos \ do Espírito de Deus. \ Ouiouioui, c´est passionnant— on en a pour son argent.\ Le fromage n´est pas un plat logique\ A a a a a oui c´est un délicieux garçon\ Il me semble que toute femme sincère doit se retrouver en Anna\ Karénine.\ Nunca a catalepsia do Teutônico\ Que tempo\ Sub-aquoso\ Célula sobre célula\ Experiência\ Muito lentamente\ Tomando a forma\ De algo belo—terrível—gigante\ O se dar conta... \ Fala rouca aos trancos—a maldição do que é vasto.\ O Primeiro de Maio\ N\ ã\ o\ h\ á\ l \ í\ r\ i\ o\ d\ o\ v\ a\ l\ e\ Houve uma luta ritualística pelo seu doce corpo \ Entre duas virgens—Maria e a lua\ A malévola lua de abril\ O silêncio de la greve\ Chuva\ O Louvre se desnovela na névoa\ Logo vai ficar transparente \ E trespassando-o vão cintilar as misteriosas ajardinadas ilhas da Place du Carrousel. \ O Sena, velho egotista, serpenteia imperturbavelmente em direção ao mar,\ Ruminando sobre ervas daninhas e chuva...\ Se pelo seu sono lerdo e líquido surgem sonhos\ São os fantasmas azuis de martins-pescadores,\ A Torre Eiffel é bi dimensional,\ Gravada em papel grosso, branco.\ Poilus num azul cerâmico com feixes Terre de Sienne estão acampando ao redor da cinza esfinge das Tulherias. Parecem assim um esboço em giz que um \ artista-de-guerra faria, pra ser ‘editado’ na Rue des Pyramides a 10 francos\ a folha.\ Désoeuvrement, \ Apprehension;\ Vronsky e Anna\ Sobressaltando-se em camas separadas num suor frio\ Lendo calamidade no mesmo sonho\ De um mujique gigantesco e sinistro... \ O que quer que aconteça, um dia vai parecer bonita:\ Clio é uma grande pintora francesa,\ Caminha sobre as águas e elas permanecem paradas.\ Sidrac, Misac e Abdênago, de pé, imóveis e plásticos, em meio às chamas.\ Massacres des Jours de Juin, de Manet,\ Prise de la Bastille, de David,\ Fronde, de Poussin,\ Pendurados numa sala calma.\ Esse tempo todo, aVirgem não está parada ;\ As vitrines das Galéries Lafayette, do Bon Marché, da Samaritaine,\ Piscam iscas santas,\ Pandoras de cera em véus brancos e laços que ela mesmo decorou;\ Catéchisme de Persévérance,\ Os decretos dos Sete Concílios Ecumênicos reduzidos ao formato da Bibliothè que Rose,\ Première Communion,\ (Prometeu engoliu a isca)\ Petits Lycéens,\ Por-no-gra-phie,\ Encantadoras noivinhas pigmeias,\ São Huguinho vingado—\ AS CRIANÇAS COMEM O JUDEU.\ FOTO ANÃO\ Eu vou!\ Caminho imersa até os joelhos em sonhos—\ Progresso duro doce\ Assim, se atravessando um campo de trigo maduro em Périgord.\ O Louvre, o Ritz, o Palais-Royale, o Hôtel deVille\ Leves e frágeis\ Pavilhões de prazer, de palha\ Palco disposto pra dez dias de folias\ De cidadãos com suas máscaras e dominós\ A l´occasion du marriage de Monseigneur le Dauphin.\ Do último andar de um velho Hôtel,\ Em transe, \ Lá em baixo vejo, estreita, a rue de Beaune.\ Vendedores ambulantes liturgicamente solfejam seus bagulhos: \ Mulheres sem chapéu sob xales negros\ Vão com longos pães—Triptólemo envolto em fraldas:\ Operários de pálido azul:\ Carros de mão de verduras: \ Cães ocupados :\ Vêm e vão.\ São pequenininhos.\ Estórias... \ A romança perdida \ Composta por algum Ovídio, um relutante escravo\ No País das Fadas,\ Ninguém sabe seu nome ;\ Era o segredo-chave dos pintores italianos.\ Passaram a vida inteira ilustrando-a... \ A aldeia chinesa na mente de um gênio... \ Pequenas cômicas coisinhas acontecendo sem parar. \ Na Ile Saint-Louis, na rue Saint Antoine, na Place des\ Vosges\ O século XVII jaz morrendo, requintadamente.... \ Ss s s h \ Na paróquia de Saint Thomas d´Aquin tem um beco chamado l´impasse\ des Deux Anges.\ Casas com fileiras de janelas impassíveis ;\ São como cachorros cegos\ Tudo que conseguem ver são fantasmas.\ Ouça a pequenina voz e seca,\ Se de uma velha monja cantando Missas \ Pela alma de um irmão morto em Sebastopol... \ MOLIERE\ EST MORT\ DANS CETTE MAISON\ LE 17 FEVRIER 1673\ VOLTAIRE\ EST MORT\ DANS CETTE MAISON\ LE 30 MAI 1778\ CHATEAUBRIAND\ EST MORT\ DANS CETTER MAISON\ LE 4 JUILLET 1848\ Isso não é tudo,\ O paraíso não consegue conter por muito os famosos mortos de Paris... \ Eis os Campos Elísios ! \ Sainte-Beuve, um compacto buquê na mão para MadameVictor-Hugo,\ Passa, na Pont-Neuf, pelo duc de la Rochefoucauld\ Com um andar esplendorosamente despreocupado\ Em direção ao salon d´automne\ De Madame de Layette ;\ Um não pode ver o outro.\ Il fait lourd,\ Os sonhos chegaram à minha cintura.\ Fomos à Benção do Santíssimo em Notre-Dame-des-Champs,\ Zum be zum37... be zum be... zum be zum.\ AVirgem sentada em seu jardim ;\ Veste o hábito azul e o véu de linho alado38 das freiras de SãoVicente de\ Paula.\ O Espírito Santo arrulha no seu pomba\ As Sete Estações da Cruz gravadas em buxo\ Lírios se açulam, azul, verde, e rosa, \ Os bulbos foram ex-votos\ De um japa convertido.\ Um trovador angélico\ Canta para ela canções\ De pecadilhos veniais.\ No muro do pôr-do-céu vespas nunca roem\ Os pêssegos do Paraíso.\ La Libertè! La Presse!\ La Libertè! La Presse!\ O sol naufraga atrás do Petit-Palais.\ No deserto da Argélia eles entoam o Alcorão.\ La Libertè! La Presse!\ O sol é damasco;\ Contra ele passam\ Sobre a Pont Solférino\ Fiacres and miniaturas de gente todas negras,\ Mosquitos mordiscando o damasco celestial—\ Aquele com chapéu de abas largas e peliça deve ser um padre.\ São negros e bidimensionais e parecem silhuetas de cidadãos de Luís\ Filipe.\ Ao longo dos Quais os bouquinistes. fecham suas caixas verdes.\ Vinda doVIIéme arrondissement\ A noite como um vampiro\ Suga toda cor, todo som.\ Os ventos estão dormindo em sua caverna hiperbórea ;\ As ruas estreitas se curvam orgulhosamente para as estrelas ;\ De tempos em tempos um táxi pia feito uma coruja.\ Mas atrás dos taludes do Louvre\ Freud dragou o rio e, sorrindo horrivelmente, acena com seu lixo num lampejo\ de eletricidade\ Táxis,\ Táxis,\ Táxis,\ Eles gemem e gritam e guincham \ Feito mil gatos no cio.\ As prostitutas45 feito leões vão procurando sua carne em Deus:\ Um capelão inglês vai tombando com o Moulin Rouge \ Semínimas e colcheias tem cabeças-de-negro e se contorcem em síncope\ obscena :\ Toutes les cartes marchent avec une allumette!\ Cem lentes refratam a Mascarada dos Sete Pecados Capitais para o astigmatismo americano :\ "Num gòsto das garetas48 da boate—elas gostam de mulheres." \ Toutes les cartes marchent avec une allumette!\ AURORA\ Hora deVerlaine ir pra cama... Alquimia,\ Absynto, \ Tabaco argelino,\ Falar, falar, falar,\ Adubando as brancas violetas da lua.\ O Presidente da República está deitado na cama ao lado de sua esposa, e pode\ ser que nesse exato momento...\ Na Abbaye de Port-Royal nasçam novos nenês, \ Talvez alguém que não consegue dormir esteja lendo le Crime et le Châtiment. \ O sol vai nascendo,\ Logo les Halles vão abrir,\ O céu é de açafrão entre as duas torres de Nôtre-Dame\ JEVOUS SALUE PARIS PLEIN DE GRACE. Poema experimental da escritora e tradutora britância Hope Mirrlees (1887–1978).

 

SACADOUTRAS

 

A TRAGÉDIA HUMANA – A peça teatral A tragédia do homem (Salamandra, UERJ, 1980), do poeta e dramaturgo húngaro Imre Madách (1823-1864), escrita em 1860 e que aborda as mais altas questões do espírito humano e que se constitui numa espécie de Bíblia magiar, tornando-se obra clássica, ultrapassando fronteiras. Ganhei o livro das mãos do poetamigo Juarez Correya, no início dos anos 1980, quando estava me preparando para trabalhar a peça teatral João Sem Terra, de Hermilo Borba Filho. Logo me impressionei com a leitura do texto: um drama de mistério medieval, que traz a representação de Lúcifer, o espírito da negação, em luta com Deus pela alma de Adão. Depois de tê-lo instigado a comer do fruto proibido, o diabo mostra-lhe num sonho os episódios mais significativos da história humana. Na cena IV da peça, num diálogo com Adão, Lúcifer diz: “- Dói, mas ela não sabe onde é a dor. Todos os homens sonham com o poder, e esse sonho – não a fraternidade – é que os leva a empunhar os estandartes da liberdade, não por convicção profunda, mas vagamente empunhando-o, sempre em busca de alguma coisa nova negando qualquer coisa já existente. E esperam sempre ver concretizados os sonhos de ventura que acalentam. O povo é um mar muito fundo: nenhum raio de sol penetra as águas dele, sempre às escuras. Só a espuma brilha na crista da onde – que podes ser tu!”. Veja mais aquiaqui.

Imagem sem título do escultor austríaco Franz West. Veja mais aqui.

Ouvindo os Violin Concerts nºs 7, 10 and 13, do compositor e violinista francês Pierre Rode (1774-1830), en si mineur Friedemann Eichhorn, Violin South West German Radio Orchestra, Kaiserlautern, Nicolas Pasquet.


A RESILIÊNCIA DA SEREIA DAS TELAS - A atriz, bailarina e dançarina da Broadway e Hollywwod, Vera Ellen (1921-1981), mais conhecida como a Sereia da Tela na época de ouro do cinema norte-americano, participou de catorze filmes e com uma queda que lhe acarretou uma fratura do quadril e o diagnóstico de artrite, manteve sua resiliência em dia, ensinando: “Você não pode esperar fazer coisas árduas com o corpo, como eu fiz, ano após ano, sem ter qualquer desgaste ou [derramar] lágrimas. Até uma máquina se acaba”. E sobre a dança ela se expressou que: “A dança traz para fora o melhor numa pessoa porque ajuda a desenvolver um corpo sadio". Veja mais aqui.

TABU MUDO – Tive a oportunidade de assistir ao filme Tabu, a Story of the South Seas (1931), produzido pelo documentarista estadunidense Robert Joseph Flaherty (1884-1951), com música de Hugo Riesenfeld, Milar Roder e W. Franke Haarling, e dirigido pelo cineasta expressionista alemão e do movimento Kammerspiel Friedrich Wilhelm Murnau (1888-1931), ganhador do Oscar de melhor cinematografia. O filme é apresentado em dois capítulos, o primeiro no Paraíso e, no segundo, O Paraíso Perdido, contando a história de dois jovens apaixonados e nativos de Bora-Bora, Matahi e Reri, esta última que, com o falecimento da virgem sagrada dos deuses passa a ser a escolhida como substituta Tabu pelo chefe Fanuma. Destaque para as imagens belíssimas e a beleza da atriz Anne Chevalier (1912-1977) que atua como a Tabu do filme. Veja mais aqui.


MULHERES & DOCES PROBLEMAS – A comédia Women in Trouble (Doces problemas, 2009), dirigido por Sebastian Gutierrez, reúne oito mulheres das mais diversas profissões: psiquiatra, comissária de bordo, atriz pornô, massagista, bartender, telemarketig, entre outras, que formam a maior confusão. O filme é delicioso: não é todo dia que beldades se reúnem assim às tuias pra nosso deleite. Destaque para a atriz norte-americana aniversariante do dia Sarah Clarke nos premiando com seus atributos na tela. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Cantarau, Thiago de Mello, Paul Verlaine, Tracy Chapman, Melanie Klein, Francisco de Goya, José Celso Martinez Corrêa, Vincent Van Gogh, Warren Beatty, Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.

E mais:
Sombras de Goya & Os poderosos de hoje aqui.
Poemas de Thiago de Mello aqui.
A poesia de Paul Verlaine, Denise Levertov, Wojciech Kilar, Paul Delaroche, Marcoliva & Lourdes Limeira aqui.
Big Shit Bôbras: a lástima da imitação do pior do ruim, Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Felix Mendelssohn, Gil Elvgren & Marion Cotillard aqui.
Desejo: a história da canção, A Paz & Ralph M. Lewis, Jacques Prévert, Milton Hatoum, Jonathan Larson, Eric Fischl, Monica Bellucci, Madhu Maretiori & Sônia Mello aqui.
A multa do fim do mundo, William Burroughs, Henfil, Ernest Chausson, Liliana Cavani, Hans Rudolf Giger, Paulo Dalgalarrondo, Charlotte Rampling & Auber Fioravante Junior aqui.
O pensamento de Theodor Adorno aqui.
A teoria da estruturação de Anthony Giddens & Iniciação à estética de Ariano Suassuna aqui.
Solidariedade aqui.
E se vem ou vai, eu voou, Jehane Saade, Paula Rego& Manuel Pereira da Silva aqui.
O poeta e a fera, Mariarosaria Stigliano & Leila Nogueira aqui.
Festa do dia 8 de dezembro, lavando a jega, Florbela Espanca, Camille Claudel, Alaíde Costa, Tatiana Grinberg, Militão dos Santos & Quando tudo se desapruma a farra é só pro desgoverno aqui.
O fulgor do amor, Érico Veríssimo, Jorge Drexler, Luciah Lopez & O amor premia o final de semana aqui.
A corrupção come no centro e a gente é quem paga o pato sempre, Darcy Ribeiro, Sebastião Salgado & Depois da farra a corda só arrebenta pra precipício dos que estão de fora aqui.
Há um ano, Ná Ozzetti, Fernando Rosa, Luciah Lopez & Quem não sabe ver é mais fácil de enrolar aqui.
Absolutismo aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.




sábado, junho 14, 2014

VICKI BAUM, IDA FAUBERT, MAIREAD CORRIGAN & BEATRICE TINSLEY

 


DOBREI A ESQUINA...- Em plena madrugada amanheço, pronto já proutro dia.  O que havia desmoronado já se edificou, nada aconteceu. E se realmente houve, um toque de mágica, outro lugar por cenário, não ter mais que calar a dor passada. Hoje toco em frente e tudo se renova. É como se mesmo rio e correntezas me façam outro ao mesmo tempo, o rio me leva e nele vou leve pra onde não sei. O rio é só rio, eu sou rio e tudo bem. É como se o mesmo dia outro, quase igual, não fosse a tarde noite adentro madrugada agora. O dia sou eu e tardo logo triz como sou de eterno na hora em que cravo um verso e o olhar se faz instante do flagra e o poema nascesse em pleno Sol que abre o peito e canto como se morresse ali para renascer no exato momento da epifania. E como a tarde e o mormaço me fizessem o poeta que não sou, alcançando o zênite no topo do monte a cavar a alma. E abri o peito enquanto entoo não quantos versos e me faço mais que sonhos ao crepúsculo na magia da alvorada. É como a noite com a luz da lua alumiando minhas passadas, incendiando o chão seco de folhas que servem por tapete no prazer de pisá-las com o eflúvio da chuva redentora lavando todos os males que aconteceram. E foco em frente insone mar aberto nas trevas da profundidade. Quase levito, voo sobre as horas e mais me eternizo ao saber-me o verso solto que sai da boca e encontra o coração da essência para ter mais que manifestação. Toco em frente e dobro esquinas de meses para crescer por dentro e me sentir gigante sobre os véus da poesia que me ilumina e me faz deus mais que perene entre os mortos dantanho e dagora. Toco em frente esquinas outras do labirinto atravessando portas sem janelas e me enfio pelas paredes dos castelos sombrios a ter-me a luz ânfora guardadora dos mistérios de todos os tempos, o segredo infinito dos espaços e o essencial desvelado de todas as línguas e magias. Toco em frente e as esquinas com degraus íngremes e infinitos, o apogeu da vida e o poema supremo transpira na minha pele que se expande e por meus poros respiro, por minhas vísceras as sonantes emanações, sou a poesia viva e enlargueço para crescer-me e me fazer mais inteiro que sou e maior do que melhor em mim, ainda não nasci. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Precisamos agora construir uma cultura de não-violência genuína e democracia real. Se quisermos colher a colheita de paz e justiça no futuro, teremos que semear Sementes de não-violência, aqui e agora, no presente. Um dos maiores blocos para o movimento é o medo. Esse medo só pode ser removido quando as pessoas sentem que suas vozes estão sendo ouvidas pelo governo e, quando eles têm uma palavra a dizer em suas próprias vidas e comunidades. Realmente podemos fazer as coisas em apoio uns dos outros muito, muito rapidamente. Aqueles de nós que acreditam nos direitos humanos e da verdade - particularmente os jornalistas e a mídia - devem ficar em defesa de Julian Assange e Bradley Manning. Devemos muitos por nos dizer a verdade do que está acontecendo em nosso mundo, e é por isso que continuaria a apoiá-los. Eu acredito que estamos à beira de um salto quântico em uma nova maneira de organizar e viver como uma família humana. Pensamento da ativista pacifista britânica Mairead Corrigan, que juntamente com Betty Williams, fundou a Community for Peace People e, ao mesmo tempo, receberam juntas o Prêmio Nobel da Paz de 1976. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A mente quer descobrir, através do raciocínio, o que existe na infinidade do espaço que existe além das muralhas deste mundo. Aqui está então o meu primeiro ponto. Em todas as dimensões, deste ou daquele lado, para cima ou para baixo no universo, não há fim. Acho que estou ligada à ideia de expandir para sempre – como a vida em certo sentido – mais do que o infinito espacial. Pensamento da astrônoma e cosmologista neozelandesa Beatrice Tinsley (1941-1981).

 

BALARINA – [...] Existem atalhos para a felicidade e dançar é um deles! [...]. Trecho extraído da obra Ballerina (Michael Joseph, 1958), da escritora e roteirista austríaca Vicki Baum (Hedwig Baum, 1915-1960), que também se expressa assim: Um escritor deve sempre ter alguma profissão que o coloque em contato próximo com a realidade da vida. A fama sempre traz solidão. O sucesso é tão gelado e solitário quanto o Pólo Norte. Veja mais aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - ESPERE MEU AMOR - Quando você esquece que você me abraçou \ Cativo entre suas mãos, como algo seu,\ Quando você se cansar do meu terno amor,\ Espere a noite chegar antes de dizer isso.\ Você não poderá ver meu rosto distorcido,\ Nem meus olhos tristes, nem meus lábios trêmulos,\ Porque a sombra velará minha dor avassaladora;\ Espere que a noite realmente chegue.\ Espere que o vento faça as árvores gemerem,\ E fazer chorar os pássaros do mato em seus ninhos,\ E você não ouvirá o soluço da minha voz,\ Nem o grito do meu coração, mais frio que o mármore.\ Espere a tempestade escurecer os céus,\ E inundar, perto de nós, na estrada,\ E durante a noite, você sem dúvida irá confundir,\ O choro do céu com as lágrimas dos meus olhos.\ Um dia você vai esquecer que me abraçou\ Cativo entre suas mãos, como algo seu,\ Então, quando você me contar, use palavras ternas;\ Espere, meu amor, que a noite chegue. MANHÃ DE PRIMAVERA - Ao longo do caminho fora da vista\ Das tílias floridas\ Flui com a brisa\ Um perfume, baunilha e luz.\ Zumbido e vibração\ O enxame de abelhas da manhã\ Sobre a manhã pálida\ Alegre e trêmulo,\ Na clara luz da manhã\ Escondido nas pétalas das flores\ Um tesouro precioso para perturbar\ E as borboletas levantam vôo.\ Os suaves raios do sol se beijam\ A cabeça corada da pétala da rosa,\ Uma flor que não teme\ Deixando a felicidade do doce sono. \ De debaixo da verdura das palmeiras\ Um perfume sai fluindo.\ O cheiro da primavera\ De coisas que arrebatam;\ E meus braços dificilmente faltam\ Para flores que mal fecham.\ Cheio de jasmim e rosa,\ Cheio de lírio e lilás.\ Encantado, eu escuto\ Ao canto dos pássaros canoros\ Entre as árvores que estão florescendo\ E as águas murmurantes que brilham.\ O céu, com cores derretendo\ Do sol escaldante,\ Eu sinto dentro desta minha alma\ A necessidade de cantar tudo nesta primavera. Poemas da escritora haitiana Ida Faubert (Gertrude Florentine Félicitée Ida – 1882-1969).

 


TEMPO E EXPRESSÃO LITERÁRIA
O livro “Tempo e expressão literária” do doutor em Letras e catedrático das universidades de Buenos Aires e La Plata, Raúl H. Castagnino é dividida em duas partes: tempo e literatura, a primeira. E a segunda: tempo e teatro. Na primeira parte o autor trata acerca da dimensão tempo, da distância interior, a época, o tempo objetivo, subjetivo e psicológico em relação à lírica e ao romance. Na segunda parte trata acerca do fato teatral e o fato literário ante o tempo, o aristotelismo e o antiaristoteliosmo, o tempo relativista e o atual, J. W. Dunne e o tempo serial, Dunne e o tempo e os Conways de Priestley, o valor de teatro ou de ilustração de teorias e uma síntese bibliográfica. Veja mais aqui.

FONTE:
CASTAGNINO, Raul. Tempo e expressão literária. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

TOTEM E TABU DE FREUD - [...] uma coisa que é proibida com a maior ênfase deve ser algo que é desejado [..] onde existe uma proibição tem de haver um desejo subjacente. [...] Se uma só pessoa consegue gratificar o desejo reprimido, o mesmo desejo está fadado a ser despertado em todos os outros membros da comunidade. A fim de sofrear a tentação o transgressor invejado tem de ser despojado dos frutos de seu empreendimento e o castigo, não raramente, proporcionará àqueles que o executam uma oportunidade de cometer o mesmo ultraje, sob a aparência de um ato de expiação. Na verdade, este é um dos fundamentos do sistema penal humano e baseia-se, sem dúvida corretamente, na pressuposição de que os impulsos proibidos encontram-se presentes tanto no criminoso como na comunidade que se vinga. Nisto, a psicanálise apenas confirma o costumeiro pronunciamento dos piedosos: todos nós não passamos de miseráveis pecadores. [...] Na raiz da proibição existe sempre um impulso hostil contra alguém que o paciente ama - um desejo de que essa pessoa morra. Esse impulso é reprimido por uma proibição e esta se liga a algum ato específico, que, por deslocamento, represente talvez um ato hostil contra a pessoa amada. Existe uma ameaça de morte se o ato for realizado. Mas o processo vai além e o desejo original de que a pessoa morra é substituído pelo medo de que ela possa morrer. Assim é que, quando a neurose parece ser tão compassivamente altruísta, está simplesmente compensando uma atitude subjacente contrária de brutal egoísmo. Podemos descrever como ‘sociais’ as emoções que são determinadas pelas demonstrações de consideração por outra pessoa, sem tomá-la como objeto sexual. O recuo ao que está por trás desses fatores sociais pode ser ressaltado como uma característica fundamental da neurose, embora se trate de uma característica que é posteriormente disfarçada pela supercompensação. [...] Assim o fato que é característico da neurose é a preponderância dos elementos sexuais sobre os elementos instintivos sociais. Os instintos sociais, contudo, derivam-se eles próprios de uma combinação de componentes egoísticos e eróticos em totalidades de um tipo especial. [...] Poder-se-ia sustentar que um caso de histeria é a caricatura de uma obra de arte, que uma neurose obsessiva é a caricatura de uma religião e que um delírio paranóico é a caricatura de um sistema filosófico. [...] A natureza associal das neuroses tem sua origem genética em seu propósito mais fundamental, que é fugir de uma realidade insatisfatória para um mundo mais agradável de fantasia. O mundo real, que é assim evitado pelos neuróticos, acha-se sob a influência da sociedade humana e das instituições coletivamente criadas por ela. Voltar as costas à realidade é, ao mesmo tempo, afastar-se da comunidade dos homens. [...] A raça humana, se seguirmos as autoridades no assunto, desenvolveu, no decurso das eras, três desses sistemas de pensamento - três grandes representações do universo: animista (ou mitológica), religiosa e científica. Destas, o animismo, o primeiro a ser criado, é talvez o mais coerente e completo e o que dá uma explicação verdadeiramente total da natureza do universo. [...] Com esses três estágios em mente, pode-se dizer que o animismo em si mesmo não é ainda uma religião, mas contém os fundamentos sobre os quais as religiões posteriormente foram criadas. É evidente também que os mitos se baseiam em premissas animistas, embora os pormenores da relação entre os mitos e o animismo pareçam estar inexplicados em alguns aspectos essenciais. [...] A feitiçaria seria, então, a arte de influenciar espíritos tratando-os da mesma maneira como se tratariam seres humanos em circunstâncias semelhantes: apaziguando-os, corrigindo-os, tornando-os propícios, intimidando-os, roubando-lhes o poder, submetendo-os à nossa vontade - através dos mesmos métodos que se têm mostrado eficazes com homens vivos. A magia, por outro lado, é algo diferente: fundamentalmente, ela despreza os espíritos e faz uso de procedimentos especiais e não dos métodos psicológicos do dia-a-dia. É fácil imaginar que a magia é o ramo mais primitivo e mais importante da técnica animista, porque, entre outros, os métodos mágicos podem ser utilizados para tratar com os espíritos e a magia pode ser aplicada também a casos onde, segundo nos parece, o processo de espiritualização da natureza ainda não foi realizado. [...] A magia tem de servir aos mais variados propósitos - ela deve submeter os fenômenos naturais à vontade do homem, proteger o indivíduo de seus inimigos e de perigo, bem como conceder-lhe poderes para prejudicar os primeiros. Mas o princípio em cuja pressuposição a ação mágica se baseia - ou, mais propriamente, o princípio da magia - é tão notável que nenhuma das autoridades deixou de identificá-lo. [...] Apenas em um único campo de nossa civilização foi mantida a onipotência de pensamentos e esse campo é o da arte. Somente na arte acontece ainda que um homem consumido por desejos efetue algo que se assemelhe à realização desses desejos e o que faça com um sentido lúdico produza efeitos emocionais - graças à ilusão artística - como se fosse algo real. As pessoas falam com justiça da ‘magia da arte’ e comparam os artistas aos mágicos. Mas a comparação talvez seja mais significativa do que pretende ser. Não pode haver dúvida de que a arte não começou como arte por amor à arte. Ela funcionou originalmente a serviço de impulsos que estão hoje, em sua maior parte, extintos. E entre eles podemos suspeitar da presença de muitos intuitos mágicos. [...] Ao concluir, então, esta investigação excepcionalmente condensada, gostaria de insistir em que o resultado dela mostra que os começos da religião, da moral, da sociedade e da arte convergem para o complexo de Édipo. Isso entra em completo acordo com a descoberta psicanalítica de que o mesmo complexo constitui o núcleo de todas as neuroses, pelo menos até onde vai nosso conhecimento atual. Parece-me ser uma descoberta muito surpreendente que também os problemas da psicologia social se mostrem solúveis com base num único ponto concreto: - a relação do homem com o pai. É mesmo possível que ainda outro problema psicológico se encaixe nesta mesma conexão. Muitas vezes tive ocasião de assinalar que a ambivalência emocional, no sentido próprio da expressão - ou seja, a existência simultânea de amor e ódio para os mesmos objetos - jaz na raiz de muitas instituições culturais importantes. Não sabemos nada da origem dessa ambivalência. Uma das pressuposições possíveis é que ela seja um fenômeno fundamental de nossa vida emocional. Mas parece-me bastante válido considerar outra possibilidade, ou seja, que originalmente ela não fazia parte de nossa vida emocional, mas foi adquirida pela raça humana em conexão com o complexo-pai, precisamente onde o exame psicanalítico de indivíduos modernos ainda a encontra revelada em toda a sua força. TOTEM E TABU – O livro Totem e tabu & outros trabalhos, de Sigmund Freud, aborda temas como o horror ao incesto, totemismo, exogamia, tabu e ambivalência emocional, expiação ou purificação, fixação psíquica, ritos de apaziguamento, tabu aos mortos, função do luto, tabu e a neurose, animismo, magia, onipotência dos pensamentos, senso de culpa, deslocamento, perturbações psiconeuróticas, autocensuras obsessivas, animismo, narcisismo, animatismo, o retorno do totemsmo na infância, teorias nominalistas, teorias sociológicas, teorias psicológicas, as fobias, o sacrifício, o totemismo e as religiões, a doutrina do pecado original e um posfácio contendo os interesses científicos, psicológicos, fisiológicos, filosóficos, biológicos, do desenvolvimento, sociológico e educacional da psicanálise, observações e exemplos da prática analítica, sonhos, fausse reconnaissance (déja raconte) no tratamento psicanalítico, Pitágoras, Moises de Michelangelo e um post escript com algumas reflexões sobre psicologia escolar. Veja mais aquiaqui e aqui.

REFERÊNCIA
FREUD, Sigmund. Totem e tabu & outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996.


Veja mais sobre:
Imprensa Brasileira aqui e aqui.

E mais:
As pernas no Cinema & o Seminário – A relação do objeto, de Jacques Lacan aqui.
As pernas de Úrsula de Claudia Tajes & Mil Platôes de Gilles Deleuze & Félix Guattari aqui.
Marlene Dietrich & Hannah Arendt aqui.
Diálogos sobre o conhecimento de Paul Feyerabend & a poesia de Lilian Maial aqui.
As pernas da repórter Gracinaura aqui.
A tragédia humana de Imre Madách, a música de Pierre Rode, o cinema de Robert Joseph Flaherty, a pintura de Franz West, a arte de Vera Ellen & Anne Chevalier & Sarah Clarke aqui.
Educação, orientação e prevenção do abuso sexual aqui.
Segmentação do mercado na área de serviços aqui.
Das bundas & outros estudos bundológicos aqui.
Aristóteles, Rachel de Queiroz, Chick Corea, Costa-Gavras,Aldemir Martins, Teresa Ann Savoy, José Terra Correia, Fernando & Isaura, Combate à Corrupção & Garantismo Penal aqui.
Presente dela todo dia e o dia todo aqui.
O caboclo, o padre e o estudante, Lendas Nordestinas & Luiz da Câmara Cascudo aqui.
As obras de Gandhi & Programa das Crianças aqui.
Os lábios da mulher amada aqui.
Ritual do prazer aqui.
Funções do superego e mecanismos de defesa aqui.
Memória e esquecimento aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.




NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...