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terça-feira, junho 26, 2018

AKHMÁTOVA, SÁBATO, POSTMAN , GILBERTO GIL, VICO, IMOGEM CUNNINGHAM, VIOLETTE & CLAUDE CHABROL


MADAME PUXENCOLHE – Imagem: arte da fotógrafa estadunidense Imogem Cunningham (1883-1976) - A madame acordou infeliz. Nada faltava, o mundo ao seu gosto, a vida ideal. Mas, estava infeliz. O prazer da solidão, a angústia de tudo nos conformes. Olhou do lado, todo conforto! Pensou em mudar as persianas, depois de tantas, convenceu-se: melhor não há. Ah, mudar o teto, esse o último escolhido entre centenas de outros, não, não. Podia trocar a cama e todos os utensílios do quarto, quantos não foram testados e usados, não. Ah, melhor outro cenário: uma paradisíaca vista pro mar: não há mais bonito depois de tantas moradias nos quatro cantos do mundo. Foi pro guarda roupa infinito: todas as vestes glamorosas e até as que não sabia possuir, nada mais, por enquanto. Foi pro espelho: cabelos de um lado pro outro, o penteado ideal: e se ficasse careca? Não, não. As faces, quantas plásticas, nada mais por mudar: lábios, nariz, os olhos, nenhum ruga, a maquiagem, não, nada, tudo ao seu gosto. O corpo conferido: e se diminuísse aqui ou aumentasse ali, tudo de novo e outra vez; não, estava no que ela queira, por enquanto. A casa, os empregados entre tantos substituídos, mordomos, governantes, serviçais, todos escolhidos a dedo a qualquer mínima destoada, adorava ser sinhazinha, mandona, servida. Os jardins, os cômodos, os automóveis, iates, aeronaves, os cartões de crédito, a vizinhança, os móveis, as obras de arte, os prazeres da estima, os cantos e recantos entre zis moradias, a cortesia dos ao redor, nada por mudar. E a madame infeliz. O céu, o sol, quantos enquadrados entre a harmonia de nuances, texturas, tonalidades e a madame infeliz. Assim a manhã: esse o lugar dos seus sonhos, enfim, e a madame infeliz. Será que enlouquecera? Pior, está envelhecendo, não, só sendo. Ora, alguma coisa roubava sua satisfação. A tarde, o desjejum, as amigas, os telefonemas: cabelereiros, manicures, ginástica, cinema, café e conversa em dia, requintes, o ápice da elegância, o poder, as posses, e a madame infeliz. Será que enlouquecera mesmo? Quantas extravagâncias, adorava excentricidades e mais o quê. Até isso agora a fazia infeliz. Já anoitecia e o tédio levou a perceber que ainda não havia feito: Paris, Quinta Avenida, os Alpes, todas as maravilhas, os amantes ocasionais, os casamentos desfeitos, as lembranças oníricas e a madame infeliz. Revistas, passeios, viagens, entretenimentos e ela infeliz. Tinha de fazer alguma coisa, motorista vai ali, volta, não, pra lá, direita, esquerda, gira: estou de saco cheio. Não devia ter dito e disse entre semáforos, viadutos, retornos. Nas proximidades de um supermercado, descobriu nunca ter ido. Ah, isso! Animou-se. Entra aí, pare e me espere. Pela primeira vez seguiu sem saber pra onde, pegou um carrinho entre gôndolas, gostou de se sentir só, escolhendo, dispensando, simpatias e ascos, desistiu de bebidas, comidas, de tudo. Um lixo. Foi pro caixa, nada pra pagar nem levar. Não queria nada. Queria saber quanto o passeio, pelo menos, abriu a carteira, nada para pagar, nada? E ficou mais infeliz. Saiu, dirigiu-se ao estacionamento e ordenou abrisse a mala do carro. Ao vê-la aberta e agora? Nada para fazer. De repente, começou a brincar de abre e fecha: puxa e encolhe, couro de pica. E repetia, abria e fechava, puxa e encolhe, couro de pica. E mais repetiu até gritar. Eis que notou alguém nas imediações assistindo a tudo. Envergonhou-se, fechou a mala com raiva, abriu a porta, acomodou-se e ordenou ao motorista que zarpasse e já, não antes passar pelo transeunte que havia testemunhado sua brincadeira. Ao se aproximar, ela baixou o vidro e gritou pra ele: puxa e encolhe, couro pica! E foi-se. Ah, a madame, finalmente, estava feliz. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor cultural Gilberto Gil: Live Festival Montreux, MTV Unplugged, Gilbertos Samba ao Vivo & Kaya n’Agadaya Vivo & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Pois foram os próprios homens que fizeram este mundo de nações (que foi o primeiro princípio incontestável desta Ciência, desde que nos desesperamos de encontrá-la nos filósofos e nos filólogos); mas este mundo, sem dúvida, saiu de uma mente frequentemente diversa e, às vezes, de todo contrária e sempre superior a estes fins particulares que os homens se haviam proposto; desses fins restritos, feitos em parte para servir a fins mais amplos, se serviram sempre para conservar a humana geração nesta terra. Por isso, querem os homens usar a libido bestial e dissipar seus benefícios, e fazem a castidade dos matrimônios, onde surgem as famílias; querem os pais exercerem desmedidamente os impérios paternos sobre os clientes, e sujeitá-los aos impérios civis, donde surgem as cidades; querem as ordens reinantes dos nobres abusar da liberdade senhorial sobre os plebeus, e tornam-se escravos das leis, que fazem a liberdade popular; querem os povos livres livrar-se do freio de suas leis, e seguem sujeitos aos monarcas; pois querem os monarcas, com todos os vícios que lhe assegurem a dissolução, aviltar seus súditos, e os dispõe a aceitar a escravidão de nações mais fortes; querem as nações dissiparem a si próprias, e vão salvar seus restos nas solidões, donde, como fênix, novamente ressurgem. O que fez tudo isso foi na verdade, a mente, pois que fizeram-no com inteligência; não é questão de destino, porque o fizeram com livre escolha; nem foi acaso, pois que com perpetuidade, sempre assim fazendo, chegaram às mesmas coisas. Assim pois, de fato, é refutado Epicuro, que defende o acaso, e seus seguidores, Hobbes e Maquiavel; é também refutado Zenão, e, com ele, Spinoza, que defendem o destino: ao contrário, foram confirmados os filósofos políticos, de que é príncipe o divino Platão, que estabelece como reguladora das coisas humanas a providência.[...]. Pensamento extraído da obra A ciência nova (Record, 1999), do filósofo e historiador italiano Giambattista Vico (1668-1744). Veja mais aqui.

ESCOLA & APRENDIZAGEM - [...] Para que a escola tenha algum sentido, os jovens, seus pais e professores precisam ter um deus a quem servir, ou, ainda melhor, vários deuses. Se não têm nenhum, a escola é inútil. O famoso aforismo de Nietzsche é pertinente aqui: ‘Quem tem um porquê para viver pode suportar bem um como.’ Isto se aplica tanto à aprendizagem como à vida. Para dizê-lo com simplicidade, não há meio mais seguro de pôr fim à escola do que não lhe atribuir um fim [...] o deus da Utilidade Econômica é impotente para criar razões para a escolaridade. Pondo de lado sua pressuposição de que educação e produtividade andam de mãos dadas, sua promessa de prover emprego interessante é, como tudo o mais, exagerada. Não há dados sólidos para acreditar que empregos bem renumerados e estimulantes estarão à disposição da maioria dos estudantes após a formatura [...]. Se soubéssemos, por exemplo, que todos os nossos estudantes desejavam ser executivos de grandes empresas, nós os treinaríamos para bons leitores de memorandos, relatórios trimestrais e cotações de papéis na Bolsa e não inquietaríamos a cabeça deles com poesia, ciência, história? Eu penso que não. Toda gente que pensa, pensa que não. A competência especializada ó pode vir por meio de uma competência mais generalizada; isto quer dizer que a utilidade econômica é um subproduto de uma boa educação. Qualquer educação voltada principalmente para a utilidade econômica é limitada demais para ser útil, e, de qualquer modo, amesquinha tanto o mundo que acaba zombando de nossa humanidade. No mínimo, amesquinha a ideia do que é bom aluno. [...] virtuoso é quem compra coisas, pecador é quem não compra. A semelhança entre este deus e o deus da Utilidade Econômica é flagrante, mas com esta diferença: este último postula que você é o que você faz para ganhar a vida, aquele diz que você é o que você acumula. [...]. Trechos extraídos da obra O fim da educação: redefinindo o valor da escola (Graphia, 2002), do professor crítico social e teórico da comunicação estadunidense Neil Postman. Veja mais aqui.

HEROIS & TUMBAS – [...] Uma energia atroz me possuía, eu me sentia uma mistura de força cósmica, de ódio e de indizível tristeza. Rindo e chorando, abrindo os braços, com essa teatralidade que temos quando adolescentes, gritei várias vezes ao alto, desafiando a Deus que me aniquilasse com seus raios, se é que existia. [...] Sim, mas podia ser um Deus imperfeito. Um Deus que não consegue controlar muito bem as coisas, que não consegue impedir os terremotos. Ou um Deus que dorme e tem pesadelos ou acessos de loucura: seriam as pestes, as catástrofes [...]. Trecho extraído da obra Sobre heróis e tumbas (Sudamericana, 1977), do escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011), romance que conta a devastadora paixão de Martin por Alejandra, o nascimento traumático de uma nação e a história da Seita Sagrada dos Cegos, decompondo o ciúme corrosivo de Martín, as pulsões incestuosas de Fernando, a radiografia da demência da família Olmos e o ódio fratricida dos caudilhos na luta pela emancipação da pátria. Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUATRO POEMAS - CANÇÃO DE NINAR - Longe mata adentro, / Atravessando o remoinho, / Um chalé sem acalento, / Um lenhador bem pobrezinho. / O caçula reclamava por papá, – / De que forma fazê-lo parar? / Dorme, meu filhinho, dorme, / Eu sou uma mãe má. / Ouve cantar o passarinho / Que pousou nestes umbrais… / Foi dada uma cruzinha, / De presente, a teu pai. / A fome vem, a fome vai, / E fome em casa se aloja. / Que São Jorge / Livre e guarde teu papai. II - Torço as mãos sob o negro xale… / “Por que tanto te censuras?” / – Fiz que me ouvisse até deixá-lo / Embriagado de amargura. / Como esquecer? Ele saiu, cambaleando, / Nos lábios uma horrenda contorção… / Desci correndo, sem pegar no corrimão, / E no portão segurei ele pela manga. / Sufocada, eu gritei: “O que se deu / Foi brincadeira. Se tu fores, não agüento.” / Ele então com toda calma respondeu / E com frieza: “Não te exponhas tanto ao vento”. III -  Naquele tempo eu era hóspede na terra. / O nome que me deram de batismo – Anna, / Era doce aos ouvidos e aos lábios dos humanos. / Assim eu por milagre vi o júbilo terrestre / E, nem sequer contando vinte aniversários, / Eram tantas minhas festas quantos dias há no ano. / Obediente a certo ímpeto secreto, / Elegendo um desprendido pretendente, / O sol, apenas, eu amava, e as árvores. / Encontrei, certo verão, uma estrangeira / E àquela hora nas marés de águas quentes / Em que juntas nos banhávamos / Estranho pareceu-me o seu traje de banho / E mais estranhos os seus lábios e palavras – / Raras, como estrelas cadentes em setembro. / Delicada, ensinava-me a nadar / Com sua mão me apoiando por debaixo / O corpo inábil sobre as ansiosas ondas. / De repente estatelei naquelas águas azul-claras / Calmamente ela a mim se dirigiu, / E pareceu-me que a floresta com as frondes / Farfalhava, que a areia abria fendas / Ou que o fole de uma gaita, num assobio, / Anunciava a despedida, pois o sol ia se pondo. / Suas palavras, não podia me lembrar, / Caía a noite sombreando seu perfil, / O cabelo molhado circundando seu olhar, / Uma frestra que na boca entreabriu. / Como perante uma divina mensageira, / Supliquei para a menina: “Diz-me, / Para quê me surrupias a memória, / E sussurras-me ao ouvido, se a glória / De cantar o que ouvi, tu retiraste-a de mim?” / Só uma vez, eu passeando na vindima, / Enchi o meu de estimação cesto de vime / E, bronzeada, me sentei sobre o capim. / Pálpebras cerradas, os cabelos destrançava, / Lânguida estava e dos perfumes estafada / Que exalavam desde os figos azulados / E do hálito picante das silvestres hortelãs. / Do relicário da memória aproximou-se, / Essa delícia de palavras derramou, / E o cesto cheio eu lançando pelos ares / Para a terra me joguei como se fosse / Certo amado, a quem canta meu amor. REQUIEM: EM LUGAR DE UM PREFÁCIO - Nos anos desgraçados da iejóvtchina eu passei dezessete meses nas filas da prisão em Leningrado. Certa vez alguém me “identificou”. Então atrás de mim uma mulher de lábios azuis e que, é claro, nunca na vida ouviu falar meu nome, despertou do torpor, peculiar a todas nós, e me perguntou ao pé do ouvido (lá só aos sussurros se falava): – E isso, tu és capaz de descrever? E eu disse: – Sou. Então algo semelhante a um sorriso passou por aquilo, que algum dia foi seu rosto. [...]. Poemas da poeta acmeísta russa Anna Akhmátova (1889-1966). Veja mais aqui.

VIOLETTE NOZIÈRE
O drama Violette Nozière (1978), dirigido pelo cineasta francês Claude Chabrol (1930-2010), é inspirado na historia real da francesa Violette Nozière (1915-1966), que foi manchete da crônica judicial e criminal nos anos de 1933-34. Trata-se de uma jovem adolescente que se prostitui em segredo na década de 1930, fato ignorado pelos pais que acreditavam na criança brilhante que se tornou gradualmente rebelde. Em revolta contra o seu estilo de vida e mentalidade reduzidos, ela se apaixona por Jean Dabin, um jovem fisiculturista que vive praticamente graças a pequenos roubos na casa dos pais e ao benefício da prostituição ocasional. Enquanto isso, seus pais são informados pelo médico de Violette que ela tem sífilis. Ela consegue convencer mais ou menos sua mãe, ainda desconfiada, e seu pai, mais indulgente, do que de uma forma ou de outra, é virgem e deles que ela herdou a doença. Graças a esse pretexto, ela os leva a tomar uma droga que é realmente veneno. Seu pai morre, mas sua mãe foge e ela presa e acusada de assassinato. Para se defender, ela afirma que seu pai abusou dela. Condenada por envenenamento e parricídio, Violette Nozière é condenada à morte. Sua sentença foi gradualmente liberada com base em uma acusação que ela fez sobre o abuso dela por parte do pai. O destque do filme fica por conta da atuação da premiada atriz francesa Isabelle Ann Huppert.


O livro Borges & Eugénio & muito mais na Agenda aqui.
&
As drogas e as campanhas antidrogas aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa estadunidense Imogem Cunningham (1883-1976).
Veja mais aqui.
&
Pelas ruas onde andei: Pra quem vem ou vai, mesmo caminho, diferentes vivências aqui.
&
O plenilúnio do amor (ou os arquétipos de Luciah Lopez), a literatura de Jorge de Lima, a poesia de Ana Cristina Cesar, o pensamento de Ernest Hans Gombrich, O mundo da leitura de Marisa Lajolo, A mudança tecnológica de José de Mello Júnior, a arte de Wendy Arnold & Agostino Carracci, Literótica: O amor mais que de repente, A paixão de Aristóteles & As previsões do Doro para Touros aqui.
&
Biritoaldo vai ao inferno, A música de Gilberto Gil & a arte de Tchello D’Barros aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

segunda-feira, novembro 21, 2011

VALUNA, RICOEUR, POSTMAN, PHILIP DICK, JOHN CLARE, HORNEY, DOLTO, CORTELA, SEXUALIDADE & HUMOR

 


VALUNA: PROJETO VALE DO UNA - APRESENTAÇÃO: O projeto Valuna compreende uma pesquisa de caráter cultural, artístico, ambiental e socioeconômica, envolvendo os municípios integrantes da Bacia Hidrográfica do Rio Una, no Estado de Pernambuco.

ANTECEDENTES: O projeto Valuna teve início com as atividades desenvolvidas pela equipe Alegro Trupe, em novembro de 2010, nos municípios alagoanos atingidos pelas enchentes de 2010. Veja detalhes aqui.

Em seguida, foi realizada a pesquisa e desenvolvimento das atividades para o projeto Bacia Criativa-Artística Vale do Una (BACUNA), envolvendo os municípios pernambucanos. Veja detalhes aqui.

O RIO UNA – O rio Una é um curso de água que possui sua nascente situada no município de Capoeiras, na região agreste de Pernambuco, cujo topônimo significa preto ou escuro. Possui 255 quilômetros de extensão, desembocando no Oceano Atlântico, em um local denominado Várzea do Una, no município de São José da Coroa Grande. A sua bacia assemelha-se a um grande losango recortado no sentido oeste-leste, limitando-se ao norte com as bacias dos rios Ipojuca e Sirinhaém e o grupo de bacias de pequenos rios litorâneos, ao sul com a bacia do rio Mundaú, de Alagoas, e outras bacias, a leste com o Oceano Atlântico, bacia do rio Sirinhaém e a oeste com as bacias dos rios Ipojuca e Ipanema. São tributáios do Una os rios Pirangi, Camevou, Verde, Preto, Parnaso e o riacho dos Cachorros. Outros afluentes do Una são o riacho Quati, Riachão, Mentirosas e Sapo, e os rios Jacuipe, Caraçu e Preto.

VALE DO RIO UNA - O Vale do Una compreende municípios integrantes da Zona da Mata Sul de Pernambuco, hoje denominada de Microrregião da Mata Meridional Pernambucana, uma das cinco mesorregiões da Mata Pernambucana, e identificada pela composição dos municípios de Palmares, Escada e Sirinhaém. Fazem parte desse vale os municípios de Água Preta, Amaraji, Barreiros, Belém de Maria, Catende, Cortês, Escada, Gameleira, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Maraial, Palmares, Primavera, Quipapá, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul, São José da Coroa Grande, Sirinhaém, Tamandaré e Xexéu, bem como os municípios da microrregião Vitória de Santo Antão, tais como Chã da Alegria, Chã Grande, Gloria do Goitá, Pombos e Vitoria de Santo Antão, além daqueles que se encontram inseridos na sua bacia, tais como Agrestina, Altinho, Barra de Guabiraba, Bezerros, Bonito, Cachoeirinha, Caetés, Calçado, Camocim de São Félix, Canhotinho, Capoeiras, Caruaru, Cupira, Ibirajuba, Jucati, Jupi, Jurema, Lagedo, Lagoa dos Gatos, Panelas, Pesqueira, Sanharó, São Bento do Una, São Caetano, São Joaquim do Monte, Tacaimbó e Venturosa. Pelo visto, este recurso hídrico tem sua nascente na região agreste, atravessando a Mata Sul até a sua foz no Litoral Pernambuco, banhando assim 42 municípios.

RESULTADOS: Com as visitas efetuadas aos municípios componentes da Bacia Hidrográfica do Una, os resultados frutos de observações culminaram com a elaboração do livro ficção de viagem Valuna (veja detalhes aqui) ainda inédito, a composição da música Una e o roteiro-base para o projeto do curta-documentário denominado Rio Una (Veja detalhes aqui).

 

A arte a escultora e professora Sonia Ebling de Kermoal (1918-2006). Veja mais aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Nós somos hoje responsáveis pelo futuro mais longínquo da humanidade. Pensamento do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005), que também expressa: A virtude da justiça se estabelece com base numa relação de distância com o outro, tão originária quanto à relação de proximidade com outrem ofertado em seu rosto e em sua voz. Essa relação com o outro é, ouso dizer, imediatamente mediada pela instituição. O outro, segundo a amizade, é o tu; o outro segundo a justiça, é o cada um o que é seu. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: As leis são teias de aranha pelas quais as moscas grandes passam e as pequenas ficam presas. Pensamento do escritor do Realismo francês Honoré de Balzac (1799-1850). Veja mais aqui.

 

TECNOPÓLIO - [...] as novas tecnologias mudam aquilo que entendemos como “conhecimento” e “verdade”; elas alteram hábitos de pensamento profundamente enraizados, que dão a uma cultura seu senso de como é o mundo – um senso do que é a ordem natural das coisas, do que é sensato, do que é necessário, do que é inevitável, do que é real [...] O fato de a vida das pessoas ser mudada pela tecnologia é encarado como algo natural, e que as pessoas devem ser tratadas às vezes como se fossem maquinaria é considerado como condição necessária e lamentável do desenvolvimento tecnológico. Mas, nas tecnocracias, essa condução não ética é tida como filosofia da cultura. A tecnocracia não tem como objetivo um grande reducionismo, no qual a vida humana deva encontrar seu sentido na maquinaria e na técnica. O tecnopólio tem [...] a informação tornou-se uma espécie de lixo, não apenas incapaz de responder às questões humanas mais fundamentais, mas também pouco útil para dar uma direção coerente à solução de problemas mundanos. Para dizer isso de uma outra maneira: o meio em que floresce o tecnopólio é um meio em que foi cortado o elo entre a informação e o propósito humano, isto é, a informação aparece de forma indiscriminada, dirigida a ninguém em particular, em enorme volume e em altas velocidades, e desligada da teoria, sentido ou propósito [...]. Trechos extraídos da obra Tecnopólio: A rendição da cultura à tecnologia (Nobel, 1992), do professor crítico social e teórico da comunicação estadunidense Neil Postman. Veja mais aqui e aqui.

 

O HOMEM DUPLO – [...] O mal uso das drogas não é uma doença. É uma decisão, como você parar na frente de um carro em movimento. Isto pode ser chamado de um erro de julgamento. [...] Às vezes a resposta apropriada para a realidade é se tornar insano [...]. Trechos extraídos da obra O homem duplo (Aleph, 1985), do escritor estadunidense Philip K. Dick (1928-1982), transformando na animação A Scanner Darkly (2006), dirigido por Richard Linklater, contando que em um futuro próximo, uma droga, a "Substância D", altamente viciante e de origem desconhecida passa a ser investigada pela agência "Novo Caminho", que para a tarefa, infiltra um agente entre um grupo de viciados. Embora seja um tempo em que tudo o que se faça seja vigiado, filmado e gravado, a identidade do agente é preservada pela tecnologia que, através de uma roupa, altera a fisionomia e a voz do indivíduo.

 

EU SOU - Eu sou: o que agora sou ninguém quer saber; / Amigos me abandonaram, fútil haver; / Eu mesmo consumo minhas paixões feéricas / Elas nascem e se esfumam em chão estéril, / Abafados espasmos de amor delirante – : / Mas sou, vivo – como vapores tremulantes / Em meio a um nada ruidoso e escamescente, / Em meio a um vivo mar de sonhos vigilantes, / Onde não há sentido de vida ou alegrias, / Só ‘o cru naufrágio de minhas aporias; / E a mais desejada, que me faz e desfaz, / É-me estranha – ou pior, mais estranha que as mais. / Aspiro a lugares por homem não pisados, / Cenário não visto por mulher, nem pranteado – / Para lá conviver com meu Criador, Deus, / Dormir como na infância, leve, junto aos meus, / Desanuviado, e confortado onde me encontro, / A grama por baixo – por cima o céu redondo. Poema do poeta britânico John Clare (1793-1864).

 

DIÁRIO DE KAREN HORNEY – [...] Na minha imaginação não há sequer uma parte de mim que não tenha sido beijada por uma boca ardente. Na minha imaginação não existe depravação do mais baixo nível que eu não tenha experimentado [...] Uma menina, a partir de seu nascimento, está exposta à sugestão-invevitável, seja ela transmitida com brutalidade ou delicadeza – de sua inferioridade [...] Metade da raça humana está descontente com o sexo que lhe foi designado [...] O homem é motivado pela inveja do útero, pelo ciúme da maternidade [...] A minha crença é no homem dotado da capacidade e do desejo de desenvolver a sua potencialidade e de tornar-se um ser humano decente. [...] Creio na capacidade do homem de mudar e continuar mudando por toda a vida. [...] KAREN HORNEY (1885-1952) - Nasceu em Hamburgo, na Alemanha. A mãe era casada com um capitão de navio religioso e taciturno, muito mais velho que ela, por medo de ficar solteira e desejando sempre a morte do marido. Karen sentia-se inferior, inútil e hostilizada pelos pais que dedicavam mais atenção ao seu irmão mais velho. Na adolescência ele se entregou às varias paixões na busca frenética pelo amor e pela aceitação que não encontrava em casa. Depois começou a frequentar por ruas repletas de prostitutas. Criou o jornal chamado Órgão Virginal para Supervirgens. Contra a vontade dos pais ingressou na University of Berlim no curso de Medicina, tornando-se Doutora em 1913. Casou-se, teve três filhas, sofria de depressão e envolveu-se em muitos relacionamentos até divorciar-se. Seu relacionamento mais duradouro foi com o psicanalista Eric Fromm, terminando depois numa profunda depressão. A busca do amor e a atração por homens mais fortes refletiam paixões edipianas da infância. A partir daí, adotou uma vida sexual promiscua. Passou a estudar psicanálise freudiana em Berlim, divergindo da ideia da inveja feminina do pênis proposta por Freud. A falta de amor dos pais promoveu a descoberta da ansiedade básica, conceito que resulta de atitudes paternas dominadoras, bem como da falta de proteção e amor e o comportamento errático. Definiu as necessidades neuróticas em tendências, entre as quais, a personalidade condescendente em que o individuo vai ao encontro de outros na busca de aprovação, afeto e parceiro dominante; a personalidade independente, quando o individuo se afasta dos outros na busca pela independência, perfeição e isolamento; e a personalidade agressiva, quando indivíduo vai ao encontro dos outros expressando a necessidade de poder, de exploração, de prestigio, admiração e conquista. Ela começou a trabalhar com a psicologia feminina em 1922 e foi a primeira mulher a apresentar um trabalho abordando esse tópico em um congresso internacional de psicanálise, presidido por Freud, em 1930, em Berlim. Ela traçou a distinção entre a mulher tradicional, como aquela que vivia em busca da própria identidade no casamento e na maternidade, da mulher moderna que busca a identidade na carreira profissional. Lutou pelo direito da mulher de tomar decisões próprias para enfrentar as restrições impostas pela sociedade machista dominadora. Tornou-se uma psicanalista e feminista à frente do seu tempo. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIAS:
DAVIDOFF, Linda. Introdução à psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
HORNEY, Karen. A personalidade neurótica do nosso tempo. São Paulo: Veja, 1979.
______. Psicologia feminina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sidney. História da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

O PAPEL DA SEXUALIDADE NO DESENVOLVIMENTO DA PESSOA – No seu livro Psicanálise e Pediatria, a médica e pediatra francesa Françoise Dolto (1908-1988), entre outros tantos importantes assuntos, aborda o papel da sexualidade no desenvolvimento da pessoa, o sexo, a libido, o hedonismo, as fases de desenvolvimento dos instintos, a masturbação, complexo de castração, pulsões, instâncias da personalidade, o consciente e o inconsciente, recalques, resistências, pensamento, inteligência, sexualidade normal e perversa, as interdições e a masturbação. Destacamos algumas expressões da autora: “[...] em cada idade, desde o nascimento à morte, não há pensamento, sentimento ou ato do individuo que não comporte em si a busca hedonista, isto é, uma pulsão libidinal. Não existe vida sã sem vida sexual sã e, inversamente, não há vida sexual sã num individuo doente ou neurótico. A saúde sexual não se mede pela atividade erótica fisiológica do individuo; esta constitui apenas um dos aspectos da sua vida sexual. O outro aspecto é o seu comportamento afetivo em face do objeto de amorosidade, o qual se traduz, na ausência desse objeto, pelos fantasmas em que ele intervém. Só o estudo desses fantasmas e do seu simbolismo permite conhecermos a idade afetiva do individuo e o modo de sexualidade que preside à sua atividade. Não existe atividade que não seja sustentada afetivamente pelos sentimentos, em relação com a finalidade consciente ou inconsciente dessa atividade. E o objetivo de toda educação (profilaxia dos distúrbios de comportamento), como de toda psicoterapia (cura dos distúrbios do comportamento), é a utilização da libido de individuo de maneira que ele se sinta feliz e que esse bem-estar subjetivo se harmonize com os dos outros e inclusive o promova, em vez de sustá-lo [...] é a energia libidinal derivada de seus fins sexuais, que anima todas as atividades do individuo”. “[...] as pulsões e descargas libidinais só são intrinsecamente importantes em virtude dos afetos que elas engendram [...] Mas as pulsões instintivas da criança deparar-se-ão com obstáculos. Se esses obstáculos são consentâneos com a condição humana, tomada em sua mais ampla acepção, ou são levantados sem necessidade racional pelo meio familiar, cuja atitude decorre de uma ótica moralmente deformada, é algo de que a criança não está apta a aperceber-se. Ela se aperceberá um dia, na puberdade ou mais tarde, de que as suas veleidades de rever os valores elevados à categoria de dogmas pelo seu meio educacional e pelo seu próprio Superego criarão conflitos entre o seu senso moral e o seu Ego. Essa revisão de valores, na puberdade afetiva, é entretanto, indispensável. [...] É por isso que esses conflitos da adolescência, quer se passem na idade fisiológica ou mais tarde, se o individuo já é ligeiramente neurótico antes da puberdade, isto é, culpado de seus sobressaltos sexuais, poderá desencadear neuroses mais ou menos agudas [...]”. “[...] Todos os que se ocupam de desordens do comportamento, de perturbações funcionais orgânicas, os educadores, os médicos, no verdadeiro sentido da palavra, devem ter noções sobre o papel da vida libidinal e saber que a educação da sexualidade é o fermento da adaptação do individuo na sociedade”. FRANÇOISE DOLTO – A médica e pediatra francesa Françoise Dolto desde a infância manifestava seu interesse em tornar-se doutora da educação, observando os problemas das relações entre seus pais e filhos. Aos doze anos, com a morte da sua irmã Jacqueline, ouviu dos pais a preferência de que ela devia ter morrido no lugar da irmã, inclusive, os pais a responsabilizaram por não ter rezado o suficiente para salvá-la. Na adolescência, ela enfrentará as incompreensões de sua mãe, ao confessar suas inclinações pela arte de esculturas, desenhos e aquarelas. Foi então estudar Enfermaria, depois se matriculou na Faculdade de Medicina, tornando-se médica de família e pediatra. Rompeu com um noivado arranjado pelos pais, originando sintomas neuróticos e sentimento de culpa, o que a fez decidir por análise com René Lafargue. Defendeu sua tese em Medicina, sobre o tema das relações entre a psicanálise e a pediatria, em 1939, sendo admitida na Sociedade Psicanalítica de Paris. A partir de então, publicou diversos livros sobre a temática da psicanálise para crianças e adolescentes. Entre suas obras se encontram A Psicanálise do Evangelho, livro que se tornou polêmico e foi criticado por teólogos e psicanalistas, ao que ela retrucou: “Eu não poderia vislumbrar de ser psicanalista se eu não fosse crente”. Casou-se em 1942 com o médico reumatologista Boris Ivanovitch Dolto, fundando o Colégio Francês de Ortopedia e Massagem. Trouxe à luz a castração simboligência, uma ideia acerca das marcas sancionadoras, que promoverá o aparecimento da alternativa para uma boa maternagem no esquema e imagem corporal da criança. Criou a Casa Verde em 1979 , em Paris, para abrigar crianças de até 3 anos de idade, acompanhadas pelos pais, na busca de evitar traumas na pré-escola. Conheceu Jacques Lacan em 1938 com quem ao longo de 40 anos passou a ser ambos considerados o casal parental influenciador das futuras gerações de psicanalistas franceses. Ela lutou pela causa da criança em rádio e televisão, até falecer em 1988. REFERÊNCIA: DOLTO, Françoise. Psicanálise e pediatria: as grandes noções da psicanálise. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1988. Veja mais aqui.

MITOS E TABUS DA SEXUALIDADE HUMANA - O livro Mitos e tabus da sexualidade humana: subsídios ao trabalho em educação sexual, de Jumena Furiani, aborda temas como mitos sexuais do corpo perfeito, da diferença do prazer entre teorias, orgasmo, tamanho do pênis, sexo vaginal, estimulação clitoidiana, esterelidade, pílula anticoncepcional, preservativo, ginecomastia, atividade sexual, alcool, iniciação sexual, casamento, adultério, incesto, sexo na terceira idade, pratica sexual, sexo com animais, sexo anal, sexo oral, sexo grupal, lojas eróticas, masturbação, virgindade, menstruação, homessexualidade e bissexualidade. A autora conclui no seu estudo que “É preciso romper com os mecanismos opressores que legitimam mitos e tabus sexuais. É preciso, independentemente de qualquer vivência sexual, dizer não a toda e qualquer forma de preconceito, segregação ou exclusão social. É preciso posicionar-se claramente contra a contraditória hipocrisia social que dá mais valor às práticas sexuais hegemônicas do que o valor humano das qualidades e caráter pessoal. É preciso ter a coragem para tornar a escola e a universidade, locais de critica latente e de pensamentos de resistência, buscando através de uma educação sexual sistemática, a superação de estereótipos e de todas as formas de preconceito. É preciso vislumbrar a entrada de um terceiro milênio, com uma postura mais digna e corajosa de defesa dos direitos humanos e, portanto, politicamente engajada na busca de uma cidadania real, sexualmente plena e feliz”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


DITADO CHINÊS: “Quando dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e eles trocam o pão, cada um continua com um pão. Mas, quando dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia, se eles trocam de idéia, cada um vai embora com duas idéias”. Ditado chinês recolhido por Mario Sérgio Cortella no seu livro “A Escola e o conhecimento – fundamentos epistemológicos e políticos”. Veja mais aqui. E veja mais aqui e aqui.






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