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sexta-feira, março 13, 2020

MANUELA MARGARIDO, LOUISA MAY ALCOTT, AI YAZAWA & ÍNDIA MORENA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: O FASCÍNIO DA ARANHA - Estive sempre ao seu lado e quando me quisesse, assim. Fui testemunha do que lhe valeu viver e amar, assim éramos um ao outro, a mesma loucura e falsos temores, festas de risos e solidão. Em mim se fez sempre o autorretrato: as tranças das medusas e serpentes, a metáfora das árvores e das plantas comestíveis, a palidez das larvas gordas no fundo preto, a esperança de outra vida, as aranhas e as teias de significado alheio, o azul das espirais infinitas, o trauma do professor de inglês e a gripe espanhola, todos os símbolos abstratos de suas expressões por nunca haver perdido o seu próprio drama e a experiência de amar. Era a sua vida, o seu cotidiano exorcismo entre o pedido de socorro e o prazer, apascentando seus demônios sem ferir ninguém. Era em mim que se largava de si e se curava na arte, só porque eu era o seu segredo mais bem guardado. Quem? Louise Bourgeois: As metáforas na natureza são muito fortes… a natureza é um modo de comunicação. Arte não é sobre arte. É sobre a vida, e isso resume tudo. Para ser um artista, você precisa existir em um mundo de silêncio. DUAS: O AMOR APENAS EM TROCA DE AMOR - Quando a amei não era apenas uma, as tantas que ela era, a delícia de um enigma a se revelar a todo instante. Era Marie diligente aos seus escritos como aos beijos e seduções, ou era Cartherine que me assaltava noite adentro para que não tivesse mais nenhuma noção de viver. Quando não Sophie radiante divindade anulando meus sentidos pelas imensidões siderais de seus truques mais que enfeitiçáveis nas horas mais remotas. Às vezes Daniel, como podia, não sei, tantos nomes e nenhum, ela mais que inteira a me revelar as inúmeras faces de sua instigante emanação. Eu mal sabia acomodar os acordes às teclas diante das suas decepções amorosas de antes, eu não estava imune muito menos incólume enquanto ela escrevia vorazmente sua arte e correspondência, e eu o seu destinatário para a vida e tudo que nos cercava. Eu a amava sem que houvesse limites, recolhendo suas dores e quedas, seus queixumes e poemas. Quem? Marie Agoult: Para ser um grande homem é preciso ter feito grandes coisas, mas não chega ter feito grandes coisas para ser um grande homem. TRÊS: AS MÚLTIPLAS FACES DA SEDUÇÃO - Era o espetáculo fosse Heather ou Renée, atriz, deusa ou pin-up sedutora dos zis encantos a me enlouquecer com sua ebulição mais que formosa. Não havia como distinguir a artista burlesca dos meus desejos mais arraigados, daquela nua fetichista com todo luxo aos extremos, imantando minha alma para que se revelasse sua e ao seu querer. Não havia como não mergulhar de cabeça na abissal protagonista desamparada, a tomar banho com meu sêmen e a me levar ao olho do furacão de se doar como se jamais o amanhã ditasse o futuro, porque o presente era erupção do prazer interminável. Quem? Dita Von Teese: Gosto da ideia de ser quem eu quero ser. O elemento mais sexy que uma mulher pode ter é a autoconfiança. Quando uma mulher entra em um lugar e está confiante, se sente confortável consigo mesma, os olhares se voltam para a sua direção. Outro ponto importante é nunca se comparar com outras mulheres - saiba quais são as suas qualidades e aprenda a usá-las a seu favor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Pouquíssimas cartas escritas naqueles tempos difíceis deixariam de comover, principalmente as que os pais enviavam para casa. Essa não comentava quase nada sobre as privações, os perigos ou as saudades de casa; era uma carta alegre, cheia de esperança, descrevendo vividamente a vida no acampamento, as marchas e as novidades militares, e só no final o coração do remetente transbordava de amor paterno e de saudades de suas meninas em casa. “Mande-lhes todo o meu amor e um beijo. Diga-lhes que penso nelas de dia, rezo por elas à noite e que meu maior consolo é sempre o afeto delas. Um ano parece tempo demais até poder revê-las, mas lembre-as que, enquanto esperamos, todos nós podemos trabalhar para não desperdiçar esses dias difíceis. Sei que elas vão se lembrar de tudo que eu lhes disse, serão filhas carinhosas com você, cumprirão fielmente suas obrigações, combaterão bravamente seus inimigos internos e vencerão com tanta galhardia que, quando eu voltar, poderei sentir mais carinho e mais orgulho do que nunca pelas minhas mulherzinhas”. Todas fungaram quando chegaram a esse trecho [...]. Trecho extraído da obra Mulherzinhas (Musa, 1995), da escritora estadunidense Louisa May Alcott (1832-1888), uma novela icônica destinada ao público feminino, tratando acerca da domesticidade, trabalho e amor verdadeiro, de forma interdependente para a necessária conquista da identidade individual de uma heroína, tornando-se um clássico atemporal, escrito para encantar gerações de mulheres aptas a lutarem contra todo tipo de restrição de gênero. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A POESIA DE MANUELA MARGARIDO
A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.
A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;
capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.
E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto
há-de realizar.
MANUELA MARGARIDO - Roça, da poeta são-tomense Manuela Margarido (1925-2005), extraído da antologia Poesia Africana de Língua Portuguesa (Lacerda, 2003), organizado por Maria Alexandre Dáskalos, Livia Apa e Arlindo Barbeitos. Ela combateu o autoritarismo e desumanidade imposto à África na década 1950, lutando pela independência do arquipélago. Corajosamente levantou a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa, denunciando com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os trabalhadores do café e do cacau em São Tomé. Exilou-se na França, quando escreveu: Na beira do mar, nas águas,/estão acesas a esperança/o movimento/a revolta/do homem social, do homem integral. É autora de obras como Alto como o Silêncio (Lisboa, 1957), Vós que ocupais a nossa terra (1963), Os Poetas e Contistas Africanos (S. Paulo, 1963); Poetas de S. Tomé e Príncipe, (Lisboa, 1963); Nova Soma de poesia do mundo negro "Présence Africaine nº 57" (Paris, 1966), entre outros. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Gosto de várias coisas, mas acho que as expressões e os comportamentos dos personagens são fundamentais. Ao variar a recitação de um personagem, todo o trabalho deve mudar de acordo. Deixe-me explicar: cada personagem do meu mangá é como um ator de teatro. Cada vez que um personagem muda seu comportamento ou muda sua atitude, todo o contexto em que está imerso também muda. Como uma mudança de palco do teatro.
AI YAZAWA – A arte da quadrinista e mangaká japonesa Ai Yazawa, voltados para o público feminino. É autora da série Nana e do mangá Paradise Kiss. Os mangás mais famosos dela são Nai de Tenshi Nanka Ja (Eu não sou um anjo), Gokinjo Monogatari (História da vizinhança), Paradise Kiss e Nana. Nana é um dos mangás de maior sucesso, com um total de 21 volumes publicados, tendo se tornado em uma série de anime e dois filmes live-action, com trilha sonora, um álbum de tributo e itens promocionais. Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
ÍNDIA MORENA
A arte de Índia Morena, a artista circense Margarida Pereira de Alcântara, que atuou como contorcionista, trapezista voadora, acrobata, cantora, ginasta e atriz circense. Na infância ela era catadora de crustáceos no mangue do Recife, ingressou num concurso de calouros promovido pelo Circo Democratas e venceu, em 1952. A partir de 1953 integrou a trupe do Circo Itaquatiara e atualmente integra o elenco do Gran Londres Circo. Ela fundou em 1993 a Associação dos Proprietários e Artistas Circenses do Estado de Pernambuco (APACEPE). Em 2006 ela recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Fonte: Patrimônios vivos de Pernambuco (Fundarpe, 2014), de Maria Alice Amorim.
&
A poesia do escritor, jornalista e sociólogo Alberto da Cunha Melo (1942-2007) aqui.
A música do artista e músico Antonio Carlos Nóbrega aqui.
A literatura de Genésio Cavalcanti aqui, aqui & aqui.
A arte de Isac Vieira aqui.
A poesia do poeta popular José Maria Sales Pica-pau aqui e aqui.
Amaraji & o Cambão Torto aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

sábado, novembro 17, 2012

ROGER VAILLAND, ROBERT BRINGHURST, MAY ALCOTT, SAROYAN & LITERÓTICA

 

A ARTE DE NANCY BOSSERT

Pensar fora da caixa é meu normal enquanto pinto, desenho e esculpo com uma abordagem de perspectiva diferente, usando materiais de uma maneira única e combinando o inusitado. À medida que me aproximo do assunto abstrato, meu trabalho assume uma qualidade sonhadora de fractal, movimento não objetivo na tela.

A arte de Nancy Bossert. Veja mais abaixo.

 


LITERÓTICA: O PRAZER ENLOUQUECEDOR DELA - Ela enlouquece ao perceber meu vibrante desejo descontrolado para tocar suave seus dedos alisantes por toda extenção, até encher a mão e tomá-lo para inspeção apurada por circundar o ápice enrejecido e louvar desesperada o que almeja na ponta da língua para lamber insana e abocanhar impune tudo o que o membro retesado oferta pro seu repasto. Assim mais delira atiçadora a sorver com gosto o acre sabor da minha clava salivada já a esfregá-la às faces, pele e seios, enquato desliza seus lábios atiçadores pela minha carne inchada, alcançando o meu beijo indômito enquanto se ajeita nua estirada para se apossar exageradamente ofegante da glande e todo tronco com a saudade de sempre. E monta ajeitada para cavalgar oferecida e penetrada para mais enlouquecer dominadora entre minhas buliçosas mãos a percorrerem a magnitude de seu corpo convulso e insaciável de cativa escaldante no calor do fascínio tórrido. Ávida pelo trote segue arrepiada como quem geme lancinante com o vigor delirante das profundas estocadas e arremetidas na profusa escalada do meu sexo a se deliciar trepidante por sua envolvente gruta totalmente explorada pela enfiada justa e certeira repetidas vezes até vê-la gritar nua lavada e impulsiva que é minha e toda minha nas pernas entrelaçadas pela fusão do vertiginoso prazer explodindo a libertação do extremo gozo preso ao orgasmo do seu momento de amor em carne viva. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - No momento de sua vida, viva - de modo que naquele bom tempo não haja feiúra ou morte para você ou para qualquer vida que sua vida tocar. Busque a bondade em todos os lugares e, quando ela for encontrada, tire-a de seu esconderijo e deixe-a ser livre e sem vergonha. Coloque na matéria e na carne o menor dos valores, pois essas são coisas que contêm a morte e devem passar. Descubra em todas as coisas o que brilha e está além da corrupção. Incentive a virtude em qualquer coração que possa ter sido levado ao segredo e à tristeza pela vergonha e terror do mundo. A arte não pode mais se dar ao luxo de desprezar a política, e parece que está na hora de a política aprender um pouco com a arte. Estou interessado na loucura. Acredito que seja a coisa mais importante da raça humana e a mais constante. A solidão não vem da guerra. A guerra não o fez. Foi a solidão que fez a guerra. Quando você rir, ria como o inferno. E quando você ficar com raiva, fique bem e com raiva. Tente estar vivo. Você estará morto em breve. Afinal, hoje é para sempre, ontem ainda é hoje e amanhã já é hoje. Pensamento do escritor e dramaturgo armênio William Saroyan (1908-1981). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quando você pensa intensamente e lindamente, algo acontece. Que algo é chamado de poesia. Se você pensar dessa maneira e falar ao mesmo tempo, a poesia fica na boca. Se as pessoas ouviam você, fica em seus ouvidos. Se você pensar dessa maneira e escreve ao mesmo tempo, a poesia é escrita. Mas a poesia existe em qualquer caso. A questão é apenas: você vai participar, e se sim, como? Pensamento do escritor estadunidense Robert Bringhurst.

 

OUTROS DITOS: As mentes humanas estão mais cheias de mistérios do que qualquer livro escrito e mais mutáveis do que as formas das nuvens no ar. Combater os defeitos não é tarefa fácil. É incrível como as coisas comuns se tornam adoráveis, se você souber como olhar para elas. Eu preferiria ganhar café do que elogios neste momento. O amor desarma o receio, e a gratidão pode dominar o orgulho. Ao longe, lá no briho do sol, estão minhas mais sublimes aspirações. Posso não alcançá-las, mas consigo olhar para o alto e ver suas belezas, acreditar nelas, e tentar seguir por onde elas me guiam. O poder de encontrar beleza nas coisas mais simples torna o lar feliz e a vida adorável. Pensamento da escritora britânica Louisa May Alcott (1832-1888). Veja mais aqui e aqui.

 

RETRATO DE LIBERTINO – [...] O libertino reserva a ternura à parceira que após muitas lutas mostrou ser adversário digno dele e a quem pode proclamar sua igual. Conquistou ela a sua estima e o seu respeito, e ele elevou-a à categoria de cúmplice. [...] A ternura que nasce da estima recíproca em que se têm dois libertinos é de uma espécie muito particular. Mais ainda que dos laços da cumplicidade, é feita da mútua piedade de dois seres igualmente conscientes do gratuito, da inutilidade fundamental do jogo a que consagram as suas existências [...]. Trechos extraído da obra Esboço para um Retrato do Verdadeiro Libertino (&etc, 1976), do escritor e dramaturgo francês Roger Vailland (1907-1965), autor também de A Virisova (Europa América, 1987).

 

O ELOGIO A XILO - a xilo / o isso / da xilo / o aquilo / a eira / a beira / da madeira / a xilo / a arte da / xilo / a feira / o cordel / a bandeira / o corte / a parte da / madeira / o ferro / o norte / o recorte / do ferro / na madeira / a xilo / o elo /da xilo / o azul / o vermelho / o ocre / o amarelo / da xilo / a doce / curva do / ferro / a arte chim / da xilo / a vez do / chinês na / xilo / a via do / índio / a voz do / afro / na xilo / o aquilo / o doce / morder do / ferro / na eira / na beira / no belo / da madeira /a xilo / o solo /da xilo / o fácil- / -difícil / da xilo / o demo / pavão / o lampião / a vênus /da xilo / o cristo / da xilo / o isto / a arte / a matéria / a medida / a mestria /a madeira /da xilo / o aço / o osso / o dado / o dedo / o índio / o afro / o chim / o não / o sim / o sem-fim / da xilo /o belo /solo de celo / da xilo / a bela / viola canora /da xilo /a xilo. Poema do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002). Veja mais aqui e aqui.

 

A arte de Nancy Bossert.

 


CRÔNICA DE AMOR POR ELA – Tudo começou em 2002 com o Ela nua é linda. E foi a poetamiga Mariza Lourenço que concretizou a ideia com a criação do blog Crônica de amor por ela. Nesses 10 anos, muita pesquisa a partir de Reay Tannahill a Michel Foucault, passando por Engels, Kierkegaard, Nietzsche, Schopenhauer, Georges Bataille, Heleith Saffioti, Cecilia Toledo, Maria Amélia Teles e Monica Melo, afora uma abordagem feita desde a mulher na civilização celta, fenícia, suméria, até os dias atuais, na tentativa de realizar uma modesta visualização da trajetória da mulher na humanidade.


Resultado disso: poemínimos, poemetos e proserótica reunidas no livro Crônica de amor por ela, edição limitadíssima com capa dura e sob encomenda.


Também canções que viraram o Cantarau de amor por ela, um show realizado em dezembro de 2011, no teatro do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, em Maceió.


E muito mais: a campanha Todo dia é dia da mulher. Até chegar no Cordel da Mulher. Por isso digo: o melhor do Dia Internacional do Homem é saber que todo dia é dia da mulher.  Confira os clipes realizados pela arte de Meimei Corrêa para os poemas do livro e canções do show aqui. Veja mais Crônica de amor por ela - Poemas & Canções aqui.



Veja mais sobre: 
Big Shit Bôbras, Machado de Assis, Bocage, Pablo Picasso, Milton Nascimento, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Mike Featherstone, Fox Harvard, Julia Broad, Alessandra Maestrini, João Falcão & Maria Martha aqui.
 
E mais:
Henry Miller & 30 anos de arte cidadã aqui.
Quarto poema de amor pra ela aqui.
O Direito aqui.
Emma Bovary & Gustave Flaubert aqui.
A criação do mundo aqui.
Cantiga de amor pra ela aqui.
Crônicas palmarenses: gratidão aos professores aqui.
A pobreza aqui.
Saúde no Brasil aqui.
Dois poemas pra ela nua sexta-feira meio dia em ponto aqui.
Aos professores da gramática portuguesa aqui.
Eu & ela a festa do amor aqui.
A trajetória da mulher aqui.
Padre Bidião e o fim do mundo aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Derinha Rocha
Veja aqui aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



quinta-feira, julho 31, 2008

ZÉ DA LUZ, VALUNA, ANDREA DWORKIN, LIUDMILA ULITSKAIA, SUSAN BROWNELL, LOUISA MAY ALCOTT, REUNIER, LORUSSO & PAULO RIOS



A arte de Joseph Lorusso.

VALUNA: DEPOIS DE JORRAR A VIDA NAS CAPOEIRAS - (Imagem Paulo Rios) - Já era um camurim e não sabia como havia acontecido. Sei que ao chegar à margem, saí do que era e rastejei o chão, me tornando o que não esperava nem sabia, sei que caminhei sob a lua cheia pelo matagal, até ver-me diante de um ser atraente e era Ela, o nome dela nunca soube, nem dissera. Parecia-me Ísis com Egito às mãos. Não era, como se fosse. Ela estava acompanhada do que pude ali entender por musas, não mesmo, como se fossem, Hera, Atena, Afrodite, e mais sal, enxofre e mercúrio. Isso mesmo: sal, enxofre e mercúrio. Constatei. No demais, tudo como se fosse.  Confesso o espanto e meu olhar demorado no ar interrogador que elas expressavam. Falavam e não entendia. Elas sorriam para esclarecer o que desentendia, o que demandou tempo para que eu pudesse compreender o que estava acontecendo. Deixei-me levar e, ao se postarem reunidas em torno de mim, percebia a união de nossos corpos, o espírito e a alma. Assim, as amei, todas, uma a uma, e nos amamos como se fosse uma única vez e a última. Depois do desejo, o céu, as nuvens, o universo no êxtase das mãos, na chuva a me banhar, alma lavada na imensidão. Ali eu já era do mato e da mata densa dos bichos da infância, folhas que matizavam minhas manhãs e tardes, flores que perfumavam aonde quer que fosse. A relva vicejava por todo lado, a comunhão do meu íntimo: tudo e todas as coisas, o infinito, mais que a mim mesmo, o prazer de estar cônscio e de que há muito mais do que pudesse ver: o prazer de estar vivo e viver. O que era do Buraco era mais da Queimada, andejo do dia singrando na vida. Do outro lado o Mundaú dava para Alagoas, até mais, boa viagem. E eu seguia por conta do Planalto da Borborema para ser o que for feito por força do querer. Era eu, então, pelo que pude enfim tomar ciência, um caeté da sina de ontem que ia pelo sítio Imbé, onde a minha raiz beijava a brisa na abissal alegria agreste. Eu era Quatis de um lado, Riachão do outro; Doce e Bonito adiante, Retiro de adeus para São Bento, até ser-me, de novo, meio de rio, águas que de mim, correntezas de sonhos que nem sabia. Empreendi corajosamente a jornada para dentro de mim, como se um retorno intrauterino, e prossegui como seiva da raiz nos galhos que sentia de mim e dela, pois sou minha mãe que talvez me tenha sonhado, como se me desejasse para que eu soubesse entre o medo e a rebentação, o trauma do nascimento por não saber do meu corpo como só dela. Foi quando entendi que não nasci aqui, daqui nasci. A alma está no sangue, o profundo corte do meu povo e da minha terra. Eu e a inominada.© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.


DITOS & DESDITOS - Sexismo é a fundação onde toda tirania é construída. Toda forma social de hierarquia e abuso é moldada tendo como ponto de partida a dominação macho-fêmea. O fato que todas nós somos treinadas da infância em diante para sermos mães significa que nós todas somos treinadas para devotar nossas vidas aos homens, quer eles sejam nossos filhos ou não; que todas nós somos treinadas a forçar outras mulheres a exemplificar a falta de qualidades que caracteriza a construção cultural da feminilidade. O desejo de dominação é uma besta voraz. Nunca há corpos quentes suficientes para saciar sua fome monstruosa. Uma vez viva, essa besta cresce e cresce, se alimentando de toda vida ao seu redor, percorrendo a terra para encontrar novas fontes de nutrição. No tempo em que somos mulheres, medo é tão familiar para nós como ar. É o nosso elemento. Nós vivemos nele, nós inalamos ele, nós exalamos ele, e na maioria do tempo nós nem notamos isso. Ao invés de "Eu tenho medo", nós dizemos, "Eu não quero", ou "Eu não sei como", ou "Eu não posso". Pensamento da escritora estadunidense Andrea Dworkin (1946-2005). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: O julgamento nem sempre é necessário. Você não precisa ter uma opinião sobre cada tema. Aquilo em que você acredita não importa nem um pouco. Tudo o que importa é como você se comporta pessoalmente. A forma é o que transforma o conteúdo de uma obra em sua essência. Ele entendera há muito tempo que o passado não era melhor que o presente. Isso era claro como o dia. Uma pessoa precisava tentar escapar, libertar-se de todas as épocas, para não ser devorado por elas. Pensamento da premiada escritora russa Liudmila Ulitskaia. Veja mais aqui.

ATIVISMO FEMININO - A verdadeira república: homens, seus direitos e nada mais; mulheres, seus direitos e nada menos. Nenhum homem é bom o suficiente para governar qualquer mulher sem o seu consentimento. Não há uma mulher nascida que deseje comer o pão da dependência, não importa se é da mão de pai, marido ou irmão; pois quem come esse pão se coloca no poder da pessoa de quem o tira. Declaro que a mulher não deve depender da proteção do homem, mas deve ser ensinada a se proteger, e aí eu tomo minha posição. Independência é felicidade. Não quero morrer enquanto puder trabalhar; no momento em que não puder, quero ir. Pensamento da ativista feminista, sufragista & abolicionista estadunidense, Susan Brownell Anthony (1820-1906). Veja mais aqui.

OS LIVROS & A VIDA - Bons livros são como bons amigos: são poucos e estão todos escolhidos. Ao longe, lá no briho do sol, estão minhas mais sublimes aspirações. Posso não alcançá-las, mas consigo olhar para o alto e ver suas belezas, acreditar nelas, e tentar seguir por onde elas me guiam. As pessoas melhores do mundo têm um princípio de perversidade inata, principalmente quando são jovens e amam. Combater os defeitos não é tarefa fácil. Derramei muitas lágrimas amargas pelos meus defeitos, pois, a despeito de meus esforços, parecia que jamais os venceria. Não tenho medo de tempestades, pois elas me ensinam a navegar. Eu gosto de palavras boas e fortes que significam algo. O amor desarma o receio, e a gratidão pode dominar o orgulho. Há no mundo muita gente com cabeça de repolho, sem que dê por isso. Não deixe que o sol ao nascer ainda a encontre com raiva; perdoem-se mutuamente, ajudem-se uma à outra, e comecem vida nova amanhã. Comece a fazer alguma coisa agora, não lhe amargurando a vida. Dê-lhes toda a minha saudade num beijo. E tudo foi esquecido e perdoado num beijo partido do íntimo do coração. Pensamento da escritora estadunidense Louisa May Alcoott (1832-1888). Veja mais aqui.


BRASI CABOCO

Zé da Luz

O qui é Brasí Caboco?
É um Brasi diferente
do Brasí das capitá.
É um Brasi brasilêro,
sem mistura de instrangero,
um Brasi nacioná!

É o Brasi qui não veste
liforme de gazimira,
camisa de peito duro,
com butuadura de ouro...
Brasi caboco só veste,
camisa grossa de lista,
carça de brim da “polista”
gibão e chapéu de coro!

Brasi caboco num come
assentado nos banquete,
misturado cum os home
de casaca e anelão...
Brasi caboco só come
o bode seco, o feijão,
e as veiz uma panelada,
um pirão de carne verde,
nos dias da inleição
quando vai servi de iscada
prus home de posição.

Brasi caboco num sabe
falá ingrês nem francês,
munto meno o português
qui os outros fala imprestado...
Brasi caboco num inscreve;
munto má assina o nome
pra votar pru mode os home
Sê gunverno e diputado

Mas porém. Brasi caboco,
é um Brasi brasileiro,
sem mistura de instrangero
Um Brasi nacioná!

É o Brasi sertanejo
dos coco, das imbolada,
dos samba, dos vialejo,
zabumba e caracaxá!

É o Brasi das vaquejada,
do aboio dos vaquero,
do arranco das boiada
nos fechado ou tabulero!

É o Brasi das caboca
qui tem os óio feiticero,
qui tem a boca incarnada,
como fruta de cardoro
quando ela nasce alejada!

É o Brasi das promessa
nas noite de São João!
dos carro de boi cantano
pela boca dos cocão.

É o Brasi das caboca
qui cum sabença gunverna,
vinte e cinco pá-de-birro
cum a munfada entre as perna!

Brasi das briga de galo!
do jogo de “sôco-tôco”!
É o Brasi dos caboco
amansadô de cavalo!
É o Brasi dos cantadô,
desses caboco afamado,
qui nos verso improvisado,
sirrindo, cantáro o amô;
cantando choraro as mágua:
Brasi de Pelino Guedes,
de Inácio da Catingueira,
de Umbelino do Texera
e Romano de Mãe-d’água!

É o Brasi das caboca,
qui de noite se dibruça,
machucando o peito virge
no batente das jinela...
Vendo, os caboco pachola
qui geme, chora e soluça
nas cordas de uma viola,
ruendo paxão pru ela!

É esse o Brasi caboco.
Um Brasi bem brasilero,
sem mistura de instrangêro
Um Brasía nacioná!

Brasi, qui foi, eu tô certo
argum dia discuberto,
pru Pêdo Arves Cabrá.

ZÉ DA LUZ - Severino de Andrade Silva, mais conhecido como o poeta popular Zé da Luz, nasceu em Itabaiana, PB, em 29/03/1904 e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 12/02/1965.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

 Imagem: art by Eugene Reunier.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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Veja  aqui e aqui.
 
 

NORA NADJARIAN, LAUREN WEISBERGER, CAROLINE DEAN, MAGDALE ALVES & CARMEN CAMUSO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som do álbum The Changing Sky (2025), da violonista e premiada compositora britânica Laura Snowden .   ...