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terça-feira, abril 01, 2025

GLÓRIA STEINEM, MIN JIN LEE, LINDA SUE PARK & LADY TEMPESTADE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Apimentada (2018) e Nossa Melhor Visão de Mundo (2023), da compositora, pianista e professora Deborah Levy, como parte de um olhar sensível ao processo da humanidade no momento difícil da pandemia, baseado numa visão holística da artista que provoca, por meio da música, a reflexão sobre uma nova visão de mundo. Ela é Bacharel em Música Popular Brasileira - Arranjo Musical na UNIRIO em 2005 e completou o Mestrado na mesma instituição em 2016, com a dissertação O Brazilian Jazz no eixo Rio-São Paulo na década de 1980.

 

Manguaba & o outro lado da existência... - Lugaroutro, mais um dia, nada demais, parecia. Não fosse a margem da lagoa o espetáculo, as águas transbordariam por meus olhos, peito inchado além das vontades e fruindo dos diferentes lugares e instantes dali. Na verdade, me sentia como se renascesse em cada momento, do tamanho de tudo que via: o universo unânime e todas as coisas imortais, o repertório da diversidade da causa primordial e na tarde crepuscular o amanhecer do dia se realizasse imorredouro – e fechasse os olhos para apreender o infinito, livre do que seria a morte e de qualquer lembrança. Dei-me a oportunidade de reviver ali a estadia na Ilha do Sol, com os fios de ouro dos dias estivais e a dançarina Dora de Cachoeiro do Itapemirim era Luz del Fuego, mãos e pernas no alvoroço da vida à flor d’água da Manguaba. Aquilo durava pouco, mas deixava marcas perenes. Por certo não haveria aquela quarta-feira de 19 de julho, muito menos a atroz vingança usurpando todas as margens de erro e ela não teria sido violentada e, seu corpo amarrado pelas pedras, jamais seria lançado ao mar para ser encontrado só dias depois. Jamais aconteceria e, no lugar de sua dança, uma fonte milagrosa brotaria para lavar as heresias civilizatórias e eu escaparia do presente inapreensível no simultâneo desconhecido, das sucessões de golpes inquisitoriais, da direção das vãs incertezas: a vida não se renderia coagida aos silêncios e olhares graves. As horas não seriam agora os que já foram, nem me perderia vencido pela tentação dos fins sinistros da vontade cega - quem à luz da razão enxergasse a hipocrisia e a loucura, o sacrifício de sobreviver aos flagelos mais imprevisíveis, aos disfarces de altruísmo pela dissonância cognitiva geral. Tudo era mais que impensável e poderia sorrir jeito que fosse, até por teimosia, a provar do que melhor ou pior entre a sabedoria e a insensatez. Quem perderia tempo, cada escolha não seria em detrimento de outras alternativas disponíveis. Afinal, a ausência de erros não confirmaria quaisquer acertos, porque até os clamorosos passavam, o difícil era ter de superá-los e distingui-los entre hediondos e fúteis. Quem proscrito suspenso no quase, emoções represadas, sentimentos rasurados, fronteiras borradas, teria a coragem de enfrentar o que o cimento escondia, valendo-se de buracos nas paredes e muros, sem que precisasse aquilatar do ínfimo ou sintomático, ou do sucessivo na analogia do infiel. Viver é acordar dum sonho à beira do abismo. E viva! Até mais ver.

 

Malika Oufkir: Cada dia é um milagre que me intoxica. Eu quero mais. Saúdo cada manhã como um novo prazer. E ainda assim estou profundamente ciente de todos os artifícios da vida... Veja mais aqui & aqui.

Han Kang: Estou lutando sozinha, todos os dias. Luto com o inferno que sobrevivi. Luto com o fato da minha própria humanidade. Luto com a ideia de que a morte é a única maneira de escapar desse fato... Veja mais aqui & aqui.

Camille Paglia: Regra da arte: a hipocrisia mata a criatividade!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

NENHUM OUTRO LUGAR PARA IR

Imagem: Acervo ArtLAM.

Apague as luzes. \ Use outra camada. \ (Parece um pai.) \ (Parece uma mãe.) \ Você diz "de segunda mão". \ Eu digo retrô. \ Andar. \ Bicicleta. \ Ande um pouco mais. \ Reciclar. \ (Veja o que eu fiz lá, \ bicicleta—reciclar?) \ Seu nome em Sharpie \ em uma boa garrafa de água. \ Mochila. Novos hábitos. \ Não, obrigado, não preciso de uma bolsa. \ O que mais. \ Oh sim. \ Conte a dez amigos \ quem pode contar a dez amigos \ quem pode contar a dez amigos... \ Faça barulho suficiente, \ talvez os adultos \ finalmente ouvirão \ o grito no título.

Poema da escritora estadunidense Linda Sue Park. Veja mais aqui & aqui.

 

A VIDA & O VIVER – [...] Viver todos os dias na presença daqueles que se recusam a reconhecer sua humanidade exige muita coragem. [...] Você quer ver um homem muito mau? Faça um homem comum ter sucesso além da imaginação. Vamos ver o quão bom ele é quando pode fazer o que quiser. [...] A história falhou conosco, mas não importa. [...] Ninguém é limpo. Viver te deixa sujo. [...] O destino de uma mulher é sofrer. [...] A vida faz você pagar...todo mundo paga alguma coisa [...]. Trechos extraídos da obra Pachinko (Intrínseca, 2020), da escritora e jornalista coreana Min Jin Lee.

 

MINHA VIDA NA ESTRADA - [...] Eu mesma chorava quando ficava com raiva, então me tornei incapaz de explicar por que estava com raiva em primeiro lugar. Mais tarde, eu descobriria que isso era endêmico entre seres humanos do sexo feminino. A raiva é supostamente "não feminina", então a reprimimos - até que ela transborde. Eu podia ver que não falar fazia minha mãe se sentir pior. Esta foi minha primeira dica do truísmo de que a depressão é a raiva voltada para dentro; portanto, as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ficar deprimidas. Minha mãe pagou um alto preço por se importar tanto, mas ser capaz de fazer tão pouco sobre isso. Dessa forma, ela me levou a um lugar ativista onde ela mesma nunca poderia ir. [...] Às vezes penso que a única divisão real em dois é entre as pessoas que dividem tudo em dois e aquelas que não o fazem. [...] Quando os humanos são classificados em vez de vinculados, todos perdem. [...] O riso é um resgate [...]. Trechos extraídos da obra My Life on the Road (Random House, 2016), da escritora, jornalista e ativista estadunidense Glória Steinem, que no prefácio da obra The Vagina Monologues (Virago, 2001), de Eve Ensler, expressou que: [...] Não é de se admirar que os líderes religiosos masculinos digam com tanta frequência que os humanos nasceram em pecado — porque nascemos de criaturas femininas. Somente obedecendo às regras do patriarcado podemos renascer por meio dos homens. Não é de se admirar que padres e ministros de saias borrifem fluido de parto de imitação sobre nossas cabeças, nos dêem novos nomes e prometam o renascimento para a vida eterna. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O DIÁRIO DE LADY TEMPESTADE

[...] Deixou claro que só poderei engravidar se deixar de advogar. Meu estado emocional perturba o metabolismo. É por demais cômico, luto pelos filhos dos outros, entram em minha vida, amarguram-me a existência e ainda me privam de ter filhos. [...] Em 1965, recebi um telefonema avisando-me que havia uma ordem de prisão contra mim. Quando desliguei bateram na porta, era a polícia. Abri e disse: vou me trocar. Sentaram-se na sala. No quarto fiz um bilhete para Dona Pepe, mãe de Ivo Valença, coloquei-o numa garrafa, e desci pela varanda recomendando meu filho recém-nascido. Tirei os lençóis do berço, para evitar que meu bebê sufocasse. Fui mais uma vez conduzida para a Secretaria de Segurança Pública. [...].

Trechos extraídos da obra Diários 1973-74 escritos por Mércia Albuquerque Ferreira (Potiguariana, 2023), da advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2033), organizado por Roberto Monte e conta que, em 1964, ao testemunhar a tortura pública do líder Gregório Bezerra nas ruas do Recife, decidiu dedicar-se à defesa de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985), sendo reconhecida como a maior advogada nordestina de presos políticos, ao atuar em aproximadamente 500 casos, defendendo indivíduos perseguidos pelo regime militar. Por conta disso enfrentou riscos significativos e foi presa diversas vezes. Após falecer seu acervo, composto por diários, cartas e documentos jurídicos, foi doado ao Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), no Rio Grande do Norte. A obra inspirou o monólogo Lady Tempestade (2024), solo da atriz Andréa Beltrão, dirigido por Yara Novaes e roteiro da dramaturga Silvia Gomez, em cartaz no Teatro Poeira, São Paulo: Mércia dizia que era uma contadora de histórias de pessoas que reconstruíram a liberdade. Eu sou uma contadora de histórias. Eu acredito que contar histórias é uma maneira amorosa de pensarmos juntos no nosso passado, nosso presente e nosso futuro. Contar histórias amorosamente, para nunca esquecer. Para tentarmos responder às perguntas que nos fazemos aqui e agora... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

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Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

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Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

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quarta-feira, setembro 16, 2015

BOBBIO, B B KING, LUCEBERT, MALLEA, ANDRÉA BELTRÃO, FAGUNDES, GRUPO JUNG, CLUBE DO VINIL & BRINCARTE DO NITOLINO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A CRIANÇA, VYGOTSKY & O TEATRO – Numa tarde do inicio do período letivo do primeiro semestre de 2014, a professora da disciplina Psicologia do Desenvolvimento, Ms Fátima Pereira, me convocou para a realização de um projeto de pesquisa para a área. De pronto, eu respondi: - A arte no desenvolvimento da criança. Ela me olhou com ares de interrogações agudas e me disse severamente: - Aprofunde. Dias depois ela me cobrou e eu cheguei com o seguinte tema: A contribuição do teatro no desenvolvimento da linguagem infantil. – Sob que enfoque? -, ela me inquiriu. - Na perspectiva sócio-histórica de Vygotsky -, respondi. Ela fez ar de tinindo e finalizou: - Traga o projeto. E, no dia seguinte, me trouxe livros de Vygotsky, de Luria e de Leontiev, dizendo: - Tome, mande ver. E mandei mesmo. Já havia lido os três autores, era chegada a hora de estudá-los. Então as ideias foram se alinhando. Tudo porque eu já havia realizado experiências com alunos da Educação Infantil e primeiro ciclo de Ensino Fundamental, desde 1995, quando publiquei o meu segundo livro infantil, Falange falanginha falangeta, até construir o meu personagem Nitolino, em 2008, e realizar desde recreações pedagógicas até a realização do espetáculo de teatro infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, com temporadas em 2010/2011, no Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió (AL), e com apresentações até então. Preparei o projeto, juntei à fundamentação teórica às ideias já estudadas de Huizinga, Richard Courtney, Marco Camarotti, Augusto Boal, Ingrid Koudela, Olga Reverbel, Viola Spolin, Ricardo Japiassu, mais as experiências desde 1995 e entreguei o projeto prontinho para ser realizado. Ela apreciou, fez observações importantes, sugeriu mais algumas coisas e, depois de algumas conversas, demos o projeto por fechado. Foi, então, que mantendo contatos com escolas das redes pública e privada, realizei quatro apresentações para checar os propósitos do projeto e apresentei o resultado disso à professora. Ela gostou e me desafiou: - Escreva um artigo! Olhei pra ela, assenti e me dediquei à construção do artigo, quando ela, então, me incentivou a participar do Congresso Nacional de Psicologia, realizado pela Sociedade Brasileira de Psicologia naquele ano. Por resultado escrevi o artigo A criança, Vygotsky e o Teatro. Assim foi, concluído o artigo científico, me inscrevi, fui aprovado e fui para São Paulo, apresentar os resultados do trabalho. Ao retornar, a professora fez questão de me levar em algumas salas de aula do curso de graduação Psicologia, para apresentação do meu trabalho. Este registro, portanto, é o meu gesto de gratidão para a professora Fátima Pereira, responsável por mais esta realização na minha trajetória profissional. Obrigado, professora. E veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem do artista holandês Lucebert (1924-1994).


Curtindo o álbum One Kind Favor (2008) do guitarrista de blues, compositor e cantor estadunidense B. B. King (1925-2015), Veja mais aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Na programação: Os Trapalhões, Charlie Brown Jr, Gabriel, Os Três Porquinhos, Família dos Anjos, Cristina Mel, dicas para uma boa saúde para as crianças e para todos nós, Aline Barros & Cia, Galinha Pintadinha, Leão Cordeirinho, As Esquiletes, Nita, Meimei Corrêa, Maisa & muito mais poemas, brincadeiras e dicas pra garotada. No blog, além da literatura infantil de Antonio Torres e dicas de Psicologia, Educação, Direito, Literatura, Música e Teatro, também consta a parceria MC Produções/Edições Nascente/Alan Miranda e Câmara de Vereadores de Três Corações (MG), realizando neste sábado, dia 19, a primeira etapa do curso de oratória para a Câmara Mirim coordenada pelo advogado e diretor geral, Heloisio Angelo Domintini – conhecido por Buluca -, e também pela coordenadora cultural, Francesmara Valim Silva Pereira. A segunda etapa do curso será realizada no próximo dia 26 de setembro. Para conferir tudo isso e muito mais ao vivo e online clique aqui ou aqui.

TEORIA GERAL DA POLÍTICA – O livro Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos (Campus, 2000), do filósofo político, historiador e escritor italiano Norberto Bobbio (1909-2004), trata sobre a filosofia política e as possíveis relações entre a filosofia e a ciência política, Kant e as duas liberdades, Marx e o Estado, Max Weber e o poder, política e moral, ética e política, o bom governo, valores e ideologias, a democracia, mudança política e filosofia da história, direitos e paz, do poder ao direito e vice-e-versa, a resistência à opressão, igualdade e igualitarismo, sobre a noção de justiça, pluralismo, a ideolologia do novo homem e a utopia invertida, sobre o liberal-socialismo, democracia e conhecimento, democracia e segredo, da ideologia democrática aos universais processuais, a regra de maioria, representação e interesses, direitos do homem, a paz, relações internacionais e o marxismo, reformas e revolução, a revolução entre movimento e mudança, filosofia da história, grandeza e decadência da ideologia europeia, reflexões sobre o destino histórico do comunismo, progresso científico e moral, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho A guerra, a paz e o direito: Considero quatro tipos de relação entre guerra e direito: a guerra como meio para estabelecer o direito, a guerra como objeto de regulação jurídica, a guerra como fonte de direito, a guerra como antítese do direito. Não obstante a aparente disparidade dessas quatro disposição da guerra em relação ao direito, há um nexo entre uma e outra [...] A teoria jurídica da guerra sempre se ocupou fundamentalmente de dois problemas: aquele da iusta causa das guerras, que deu origem às disputas em torno da guerra justa, e aquele da regulamentação da conduta da guerra, que deu origem aos ius belli. Bellum iustum e ius belli são as duas partes fundamentais nas quais se divide o tratamento jurídico da guerra: ora, teoria do bellum iustjm diz respeito ao problema da justificação ou não-justificação da guerra, quais sejam os motivos que tornam a guerra justa, em outras palavras: qual seja o título como base no qual uma guerra pode ser considerada justa; o ius belli é a revelação e o estudo das regras que disciplinam a conduta de uma guerra e que tornam possível a distinção entre aquilo que é lícito e o que é ilícito nas relações beligerantes. [...] Da crise das duas formas tradicionais da relação entre guerra e direito emergiram respectivamente dois novos modos de considerar a guerra do ponto de vista do direito: a guerra como fonte de direito e a guerra como antítese do direito. [...] A guerra, em outras palavras, é principalmente concebida como negação do direito; o direito, por sua vez, como afirmação ou reafirmação da paz. [...] O direito realiza a função de dirimir os conflitos de duas maneiras: com uma ação preventiva e com uma ação sucessiva, ou seja, tentando impedir que surjam ou então pondo-lhes termo no caso de já terem surgido. [...] Infelizmente, bastam as boas razões para se fundar racionalmente uma regra, mas não bastam para conseguir, com certa segurança, a sua observância [...] O direito não pode prescindir do uso da força, e se funda sempre, em última instância, no direito do mais forte, o qual, apenas, algumas vezes, coincide, mas não necessariamente, com o direito do mais justo. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O CAPITÃO – Entre os escritores de relevo latino-americanos, um dos nomes importantes é o do escritor e diplomata argentino Eduardo Mallea, do qual destaco o conto O capitão no trecho a seguir: Afastando-se do atalho, sete álamos alinhados indicavam uma nova direção. Na outra extremidade, erguia-se a casa do capitão, a todos os ventos, solitária e branca, como um rochedo pregado no prado. Sopros do fogo abrasavam a campina ao meio-dia, deixando as ladeiras e declives mais preguiçosos, provocando a sede dos trigais; mas as tardes luminosas estendiam a roupa nova das jornadas, a roupa própria e fresca de depois do banho. E os homens animados e palradores, seguiam pelos caminhos cheios de agilidade, com a vontade de subir, um pouco maravilhados diante da flor há pouco desabrochada, diante do olho d’água e do bruilho maligno dos olhos da raposa distante. Todo mundo pesava a vida como outro, e respirava os ventos quentos do otimismo, e o capitão, ele mesmo, ria jovialmente em sua casa, nos campos e na estalagem ruidosa. [...] Porém uma tarde, uma tarde situada entre muitas outras, Marcelina voltava do riacho com uma trouxa de roupa que fora lavar, seguida de sua cabra, quando encontrou o capitão que chegava aterrado, esbaforido, com o nariz ao vento. Ela o olhou com surpresa, e escutou o que dizia: - Ei-los aí, ei-los chegam. Eles vieram pela montanha, navegando lentamente, e ei-los que chegam com a bandeira amarela no mastro grande e todas as velas de fora. Eles vieram pela montanha. E a severa é a maior e a mais bela, toda brilhante e empenachada... as embarcações já estão aqui, Marcela, e é preciso partirmos todos... Marcela não compreendia o sentido destas palavras, mas o capitão a abandonou no caminho e se pôs a correr em direção à praça. Escutava-se ainda o seu grito alegra cortando o vento. E as pessoas, espantadas, saíram às portas com as mãos cheias de sabão e as camisas desabotoadas. Então o estalajadeiro quis saber o que se passava, e tomando o capitão por um braço interrogou-o: - Ei-los lá, ei-los lá que chegam, os quatro navios. A alegria deixava-o mais ágil, com a fisionomia mais remoçada e queria dar a todos de uma vez a noa noticia. Os homens, então, entreolhavam-se estupefatos e seus rostos tomavam um ar doloroso enquanto murmuravam palavras incompreensíveis. De súbito, alguns dentre eles, decididos, se aproximaram do capitão e lhe falaram ao ouvido, conduzindo-o lentamente para casa... e ele nunca mais saiu. E naquela noite, sua voz não foi ouvida sobre os caminhos cheirosos, nem no sitio habitual, nem nas habitações. Todas as luzes agonizantes do vilarejo oscilavam, defendo-se, as mulheres teciam, os homens, cansados, escavavam as mesas com pequenos canivetes. E todo o vilarejo subitamente mudo, farto do dia, ficou apagado e vazio, como se estivesse dormindo. Veja mais aqui.

NATAL – Na antologia Poesia Viva de Natal (Nordestal/FCCA, 1999), com seleção, organização e notas de Manoel Onofre Jr e apresentação do poeta e editor Juareiz Correya, destaco o poema Natal do escritor e jornalista potiguar Fagundes de Menezes: Aqui as consoantes e vogais / explodem em matizes tropicais: / Petrópolis Alecrim Rocas Tirol / ar alegria / paisagem som e sol. / Cidade Alta / Avenida Rio Branco dominadora do Atlântico / largas rias que sugerem liberdade / estradas para o povo / da terra de Miguelinho e Camarão / dos mártires de Cunhaú / de Augusto Severo e Alberto Maranhão. / Na praça humilde cheia de sombras / debruçado no pedestal de seu busto / Padre João Maria abençoa os fieis genuflexos. / As bandeiras da catedral / anunciam navios de todas as bandeiras / nas manhãs de luz integral / - brisas do mar acalentando arvores / andorinhas em voo solidário - / o pregão de há trinta anos inda ecoa: / “Comrpar juá, jucá, / quina, angélica, mutamba, / angico, pinhão / pimenta, limão”. / Senador Pitomba é todo unção sob a opa / na procissão de Nossa Senhora do Rosário. / Capote Molhado lança manifestos / Pedro Peru espalha boatos reza confessa-se / em meio a seus avatares / de médico professor advogado. / Bondinho do Tirol: luz roxa / bondinho de Petrópolis: luz encarnada / bondinho do Alecrim: luz verde / bondinho de Lagoa Seca: luz amarela / A valsa Royal Cinema / - que até já foi tocada em Paris - / Pureza emoliente das horas ociosas / silencio noturno das ruas / violentado pelos agudos / do tenor Santos Lima. / As copas das mangueiras do Tirol gritando viço / expedem convites / para a sua sombra maternal. / Ponta Negra e Pirangi se ornamentam / com a florescência dos cajueiros / enquanto as dunas têm a brancura de sua área movediça / manchada pelo verde dos orós rastejantes. / Para os lados do Mercado / clarins estridentes ferem a manhã mal-despertada / e espalham notas marciais / sobre o dorso do rio Potengi / imune à violência dos remos / arrepiando-se de sensualidade ao sopro do Nordeste. / Dança-dançava, Araruna / cheganças dos Santos Reis / cantos requebros, Bambelô ; e de pé no chão se aprendia a ler. / Aqui as consoantes e vogais / explodem em matizes tropicais: / Petrópolis Alecrim Rocas Tirol / ar alegria / paisagem som e sol. Veja mais aqui.

DA COMPADECIDA AOS PENETRAS & MAIS - A premiadíssima atriz, comediante, cineasta, jornalista e escritora de teatro, cinema e televisão Andréa Beltrão, iniciou sua carreira em 1978, no Teatro Tablado, estreando com a peça teatral O auto da compadecida, de Ariano Suassuna. Logo depois começou a trabalhar em diversos grupos teatrais se apresentando em orfanatos e hospitais infantis. Em seguida vieram Beijo no asfalto (1984), Ação entre amigos (1986), O amigo da onça (1988), A estrela do lar (1989), Senhorita Julia (1991), 5 x comédia (1994), A dona da história (1998), Memória da água (2001), A prova – na qual ganhou o premio Shell de Melho Atriz (2002), Sonata de outono (2005), As centenárias (2008) e Jacinta (2012). No cinema ela participou dos filmes Bete Balanço (1984), Garota dourada (1984), O rei do Rio (1985), Os bons tempos voltaram: vamos gozar outra vez (1985), A cor do seu destino (1986), As sete vampiras (1986), Rock estrela (1986), O bebê (1987), Minas-Texas (1989), O escorpião escarlate (1990), Vai trabalhar, vagabundo (1991), Pequeno dicionário amoroso (1997), A partilha (2001), Chatô, o rei do Brasil (2003), Cazuza, o tempo não para (2004), O coronel e o lobisomem (2005), A grande família – o filme (2007), O Tablado e Maria Clara Machado (2007), Jogo de cena (2007), Romance (2008), Verônica (2009), Salve geral (2009), O bem amado (2010), Os penetras (2012) e Giovanni Improtta (2013). Uma salva de palmas de pé pra esta grande artista. E veja mais aqui.

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO – O deliciosíssimo e imperdível drama Pequeno dicionário amoroso (1997), dirigido pela cineasta Sandra Werneck, com roteiro de José Roberto Rorero e Paulo Halm, conta a história de dois jovens que se conhecem por acaso, se apaixonam, se questionam e se separam. Todos os verbetes possíveis numa relação amorosa contemporânea, da atração à separação passando pelas coincidências, felicidade, idílio, jogo, juramento, pesadelo, revanche… e à teimosia do amor. Ou seja, conforme o tempo passa, o sentimento que nutrem um pelo outro modifica, e a relação do casal passa por todas as possíveis fases em uma relação amorosa. São, literalmente, as desordens da paixão em ordem alfabética, ilustrando a pluralidade de sentimentos dentro de uma relação, e os dilemas da vida a dois. O destaque é indubitavelmente para a atriz homenageada do dia: Andréa Beltrão. Veja mais aqui.

MÚSICA ALAGOANA – No dia da emancipação política de Alagoas nada melhor que curtir as muitas dicas do cenário musical alagoano na coluna do historiador e professor Dimas Marques, que é Mestre em História pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e apaixonado curtidor de música no Clube do Vinil de Alagoas, criado e organizado pelo Walter Pires. Tive a oportunidade de conhecê-lo ainda menino da mais tenra idade, treloso e virado da breca e, quando na adolescência, vivia lá em casa me levando as novidades rockeiras. Acompanhei sua formação acadêmica e hoje tenho a grata satisfação de curtir o espaço que ele tem dedicado à música de Alagoas em sua coluna. Abração, Dimas, vamos juntos! Veja todos os detalhes aqui.

IMAGEM DO DIA
Foto do Grupo de Pesquisa Carl Gustav Jung. Veja detalhes aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


segunda-feira, janeiro 28, 2008

A PRIMAVERA DE GINSBERG, CHOPIN, DIREITOS HUMANOS, MEG RYAN, IGOSHINA, ANDRÉA BELTRÃO, CORDEL DO PROFESSOR, PSICOLOGIA, ÍSIS NEFELIBATA & MUITO MAIS!!!!



A PRIMAVERA DE GINSBERG – Eu não ouvi a notícia de que esta terra verdeamarela propiciaria a vida de seus nativos numa corda bamba abissal, a longo prazo, até que louras intenções desviassem os rumos tropicais até a sua indignação. Não saberia eu, civil fulustreco, que emboabas seriam sempre bem-vindos para se apoderarem do nosso mais sagrado rancho, a dispor de regras e razões superiores para não termos de nos envergonhar ao subtrair nossa integridade. Jamais imaginava que pudéssemos enterrar nossos mortos no mais ingênuo mito folclórico a troco de veneração mais assídua por valores alienígenas que nos tomaria a direção da venta para o estardalhaço da admiração. Surpreendido fiquei com esta pobre gente que vive bebendo água na orelha dos outros, a cochichar no mais despudorado porão da vergonha as mais forjadas inverdades sobre a democracia e seus peculiares benefícios adulterados para a liberdade do gasta-gasta e da possessão maníaca de ter o que não pode ter. Sabia lá que os tais invasores, batizados em águas quentes nos frios do norte, pudessem se enraizar e conviver conosco como um de nossa casa, dando pitaco até nas nossas decisões com mágicas citações divinamente salvadoras. Nem me tocava que os bigorruptos e seus papéis de merda bizantina onde estão inscritos os diversos saldos astronômicos de nossa dívida enrolada, proporcionavam aos ventos brandos o poderio dos bobisnicolaus sentados nas tesourarias públicas, bufando seus sopros de bóreas para os mãozinhas de luvas e manguinhas de fora. Nem-seu-silva-de-dar-bola para as vítimas latinas cujo sangue hoje banha o colossal tesouro das metrópoles maiores do mundo e seus suntuosos edifícios de dar água na boca. Benevolentemente sequer prestava atenção aos discursos, os mais ásperos dos mais importantes da nação, quando se tratava dos que cagam na vela, seres de meia tigela, ousando gritar por justiça quando já desapareceram com os céus e roubado a balança e a venda de Têmis. Nem prestava atenção aos alcoviteiros inescrupulosos do poder, brilho maior da televisão engalanada, portadores da má notícia, a nos avisar dos abismos que nos meteríamos pelos gritos de liberdade que empunhamos, excluídos da festança abastada dos vencedores, donos do nosso escrutínio, que trocam a mãe por um condomínio luxuoso, e que padeceríamos, por isso, de mil achaques e seria grande o alarido dos nossos pecados. Nunca consultando a constituição pelos atos de exceção ou disposições transitórias que mais confundem já dos tantos artigos e parágrafos dúbios de códigos civis ou penais ou sei lá mais, qual gramática complicada – para que tanta lei, me Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida!! Ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido; ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos; ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência; ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã. Qual nada, se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva; se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais; se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho; e isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara! Chamo de gato ao gato e ao governante de patife! Cada qual cuide de si. Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog. Qual nada, cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis; cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil; pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir; pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!! Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos; pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua; pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor! Pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta! Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões; pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes; pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão; por esta multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol; por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia; por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor; pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu! Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!! Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!! A terra é redonda e ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!! Mas se estivéssemos na América, no continente americano, onde o sol sempre é enxaguado por sangue e, então, fôssemos para a América do Norte, uivando os mais sinceros arrotos psicodélicos sobre a face majestosa da Estátua da Liberdade, mijando num canteiro do Central Park e fosse preso em nome do pudor democrático dos americanos mais brancos possíveis ou negros mais ricos sobre pretos mais pobres; e se estivesse na Quinta Avenida, onde ninguém teve a coragem de engolir os sapos mais audazes daqui; e se tornasse uma locomotiva doida no comércio promissor de Miame sob o pretexto dos maiores meios de acender Whitiman e sua admiração pelos nossos, como se fosse um Halley gritando versos de Dilan Thomas e cantando Ezra Pound para os desvalidos nordestinos daqui; ou se falasse de Nixon e Watergate e repulsasse o caso Vietnã ou de Sacco e Vanzetti e se negasse a biodiversidade em nome do burgo anglo-americano, ninguém saberia nada!! E se louvasse a pirataria no Atlântico ou os fugitivos dos famosos Round Heads de Cromwell ou o boicote no porto de Boston pela autonomia aduaneira; ou a batalha de Lexington; ou o patriarcado indisfarçavelmente latifundiário com seus vultosos capitais sobre a escravaria negra; ou a vingança fanática sulista desferindo petardo contra Lincoln após a guerra vitoriosa da Secessão; ou dos fugitivos das perseguições de Jaime ou Carlos Primeiro; ou mesmo com a declaração dos direitos de Virgínia, quem saberia? Ou se encontrasse gente da melhor cepa e cada vez mais afoito em dominar escrotamente ferrenho, dilacerando legislações como a rotular cu-de-mãe-Joana em qualquer país latino-americano, peritos na arte de exterminar a sangue frio e serem perdoados na piedade dos tribunais mais auto-suficientes do universo, esmagando a todos com a sua avareza e cultuando o controle da natalidade para financiar abortos na fúria dos Torquemadas messiânicos, usurpando quereres para gozar na punheta de todos os mandos!!!! Qual nada, o bom prá essa gente é cívico devotado, besta quadrada, cumpridor dos dez mandamentos, portador das boas maneiras e não passar de um intelectual de sovaco que se enraba só para ver-lhe a careta e, ainda, depois, queimam-lhe o rabo e dizimam a honra e tanto se provoca o terror que um dia sua própria cabeça também desce ao cadafalso!! Qual nada, eles não sabem que a pobreza ainda é o maior crime da sociedade civilizada ou fingem não saber da distrofia pluricarencial hidropigênica ou da delinqüência infantil ou das distonias cerebrais ou das desigualdades sociais como para o predador e a lei quanto mais amor maior violência!!! Qual nada, batem no peito, expõem comendas e desonram tudo, botando as mangas de fora, fudendo tudo que lhe vem pela frente, como carniceiros nos impondo contratos leoninos assinados por débeis representantes e ignóbeis avais populares, assumidos publicamente para a constatação de uma insolvência que jamais será amortizada, a não ser por sangue e suor de herdeiros futuros que nos responsabilizarão pela inércia, aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai!!!! Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs e ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses; e ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais; e ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!! E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!! E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!! E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!! Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu? Só a poesia tornará a vida suportável!!!!!!!! (Luiz Alberto Machado. O trâmite da solidão). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Bathsheba (1832), do pintor russo Karl Briullov (1799-1852).

Curtindo o álbum (cd/dvd) Valentina Igoshina Plays Chopin, da pianista clássica russa Valentina Igoshina, interpretando as obras do célebre pianista e compositor polonês Frederick Chopin (1810-1849), que com suas notáveis composições para piano e profundeza de sentimento e estilo, foi um exemplo típico de masoquismo, por ligação à dominadora escritora francesa George Sand (Aurore Dupin - 1804-1876), a baronesa de Dudevant. Antes dele, ela mantinha laços amorosos com Alfred Musset (1810-1957), célebre poeta e acadêmico francês, cujas obras exprimem admiravelmente a situação moral da época em que foram escritas. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – Quando se precisa de alguém é zus daqui, zus dali, não falta andor para adoração. Aí vem aquela de que as pessoas – como as mercadorias – hoje têm prazo de validade: precisou, usou, descartou. Encheu o fole, pras cucuias. Lavou, tá novo. Só tem um detalhe: dor de barriga não só dá uma vez! E o burro pode ser lindo, mas dá coice! Tô aqui. (LAM). Veja mais aqui.

PSICOLOGIA & DIREITOS HUMANOS – No livro Psicologia e direitos humanos: desafios contemporâneos (Casa do Psicólogo, 2008), o Conselho Federal de Psicologia – Comissão Nacional dos Direitos Humanos, coordenado por Marcus Vinicius de Oliveira Silva, reúne diversos debatedores sobre as temáticas da conjuntura nacional e internacional relativa aos desafios dos direitos humanos, os limites e possibilidades para expansão dos direitos humanos, os paradoxos da liberdade, da igualdade e da fraternidade, os direitos humanos na América Latina, entre outros assuntos. Veja mais aqui.


 CORDEL DO PROFESSOR – (Antonio Barreto) Meu querido Presidente / nordestino de valor / peço a Vossa Excelência / que me faça um favor: / reflita sobre esta carta / desse humilde professor, / que assim como o senhor / veio da zona rural / do nordeste brasileiro / pra viver na capital / e entende perfeitamente / de justiça social. / Se a Educação vai mal / devemos aproveitar / elementos importantes / da cultura popular / então ponha o Cordel / na grade curricular:/ não só do Ensino Médio / mas também Fundamental / porque ele é um instrumento / pedagógico essencial / nas escolas brasileiras / neste momento atual. / O sentimento é geral / de todos da Educação: / profissionais atentos / dessa sofrida Nação. / E saiba que muita gente / tem o projeto na mão. / Vossa Excelência deve / olhar para o Magistério / fazendo valer sua voz / pressionando o Ministério / da nossa Educação / para que nos leve a sério. / Saiba que não há mistério / tampouco dificuldade / basta que Vossa Excelência / tenha então boa vontade / sensibilizando o MEC / para essa realidade. / Pela sua afinidade / com a cultura do Nordeste / e por ser pernambucano / um fiel cabra da peste: / mostre que na Educação / Vossa Excelência investe. / De norte a sul do Brasil / a Cultura Popular / é amada e bem aceita / inclusive além-mar: / nas pesquisas de Cantel / o Cordel vai sempre estar. / A Sorbone a estudar / Patativa do Assaré; / Idellete, em Paris, / também mostrando o que é / nosso Cordel nordestino / que o MEC não tem fé ! / Se o Presidente quiser / nos dará essa alegria. / Não deixe para depois / amanhã é um novo dia / pois quem sabe faz a hora: / basta ter autonomia. / A Educação da gente / aos poucos tem melhorado / e esperamos que adiante / tenhamos bom resultado / principalmente depois / que o Cordel for implantado. / Esteja do nosso lado / apoiando a Educação / porque Vossa Excelência / também é lá do sertão / e por ser um nordestino / ouvirá essa sugestão. / Muitas Leis importantíssimas / seu governo sancionou / a Dez Mil e Seiscentos / e Trinta e Nove emplacou / assim a Cultura Afro / o senhor valorizou! / Eu escrevo com alegria / meu querido Presidente / faço fé no seu trabalho / pois quem lucra é a gente / e o Cordel em nossa escola / será algo eficiente. / E se realmente for / logo oficializado / os educadores vão / estar sempre do seu lado: / e esse marco importante / por todos será lembrado. / Meu querido Presidente / convido Vossa Excelência / a visitar as escolas / e comprove a eficiência / que o Cordel tem demonstrado / com a nossa experiência. / Ao percorrer o Nordeste / não perca sua ternura / e perceba que o Cordel / é também literatura / porque esta arte é / raiz da nossa cultura. / E sendo Vossa Excelência / das terras de Pernambuco / nunca vai dizer que eu / estou ficando maluco ! / Sou um professor guerreiro: / se não morro, logo educo ! / Depois de ler esta carta / faça uma reflexão / e exija uma pesquisa / de quem rege a Educação / pois assim Vossa Excelência / verá que temos razão. / Aqui vai o meu abraço / Na certeza que o senhor / Tornará realidade / O apelo do professor. / Nada aqui lhe desaponta / Isso não é uma afronta / Ouça bem nosso clamor. / Barreto vai terminar / A cartinha aqui exposta / Rezando que o nosso Lula / Remeta logo a resposta ! / Encerro cordialmente, / Torcendo que o Presidente / Ouça aqui minha proposta. Veja mais aqui e aqui.

ORAÇÃO AO DEUS DO MEU DESEJO – Entre os poemas de Ísis Nefelibata destaco a sua Oração ao Deus do Meu Desejo: Oh, deus do meu desejo! Peço-te que me tome toda para ti e não me protejas das tuas inclemências. Rogo aos teus licenciosos desejos, que me arrebates a identidade da alma, para assenhorear-te de todos os meus sentidos. Peço-te que não tenhas misericórdia do meu corpo, ele é teu e faça de mim o que quiseres, desde ungir-me até seduzir-me com os gestos mais exóticos e eróticos de paixão e loucura. Rogo-te que não me poupes de tuas lascivas invasões, a fim de que todo o meu ser seja a tua realização e a minha redenção em teu reino. Peço-te que derrames sobre mim, o vinho da tua essência em gotas glorificadas que me deixarão inebriada, submetida às tuas vontades. Rogo-te que me prendas, acorrentando-me em tua beleza endurecida pelo meu simples gesto de entrega, de rendição. Peço-te que tapes minha boca, livrando-me de qualquer palavra que eu possa dizer em minha defesa, para que tenhas total domínio de todos os meus apelos. Por fim, imploro-te, oh, deus do meu desejo, não me abandones!... Tens a destreza de me fazer empunhar o mastro da minha desproteção que é tudo o que eu desejo. És a minha vida, és o meu dono, és todo o bálsamo das dores que não cessarão com remédios, apenas com a tua fricção. II – Meu santo pau amado, adorado / Se endureça diante de mim / Que na sua cabeça eu rezo o meu terço / Rogando por sua condenação suprema / Eterna de todo o meu pecar / Venha a mim, esqueça o teu reino, se enfie no meu cu / E me dê graças e me benza com sua baba tão benta / Venha e me toque com sua tesão, soque, me arrebenta / De tanto enfiar, de tanto meter até no fundo de minha alma /Amém... amém meu pau adorado, meu protetor, defensor / Meu cano de salvação pra vida eterna, amém... Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMO APRENDI A DIRIGIR UM CARRO – Em 2003, tive oportunidade de assistr no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, à montagem da peça teataro Como aprendi a dirigir um carro, de Paula Vogel e direção de Felipe Hitsch, contando a historia das memórias afetivas de uma mulher que recompõe a vida como um vitral de impressões e retrospectiva dos onze aos trinta e cinco anos de idade, quando os acontecimentos são remontados aos poucos e com a forte participação da mãe, avós e um tio, personagem-chave dos acontecimentos. O destaque do espetáculo fica por conta da magistral atuação da atriz, comediante, cineasta, jornalista e escritora de teatro, cinema e televisão Andréa Beltrão. Veja mais aqui e aqui.

IN THE CUT – O suspense In the Cut (Em Carne Viva, 2003), realizado por Jane Campion, trata sobre a história de uma escritora que vê-se em meio a uma trama envolvendo sua irmã, um psicopata que corta suas vítimas em pedaços e um investigador de crimes. Ela, além de escritora, é uma professora solitária que se envolve num relacionamento com um detetive que investiga um assassinato na sua vizinhança, sendo que o relacionamento de ambos aos poucos toma rumos cada vez mais sombrios. O destaque do filme vai pra atuação da atriz estadunidense Meg Ryan. Veja mais aqui.
 
IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da linda atriz estadunidense Meg Ryan.



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Se o mundo deu o créu, sorria!, Maria Clara Machado, Fridrich Witt, Bram Stocker, Susanne Barner, Darren Aronofsky, Aldemir Martins, Artur Griz, Ellen Burstyn, Claudia Andujar & Holismo, ecologia e espiritualidade aqui.

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As trelas do Doro, o bacharel das chapuletadas aqui.
Cordel A moça que bateu na mãe e virou cachorra, de Rodolfo Coelho Cavalcanti aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Mademoiselle Dubois, ninfomaníaca que viveu durante o século XVIII e teve as suas façanhas eternizadas pelo Marquês de Sade, tendo se tornado a imbatível por ter em seu catálogo de amantes, nada mais nada menos contabilizados 16.527 homens diferentes.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...