FARRA NO CEMITÉRIO – O Biriteiros
Esporte Clube finalmente foi criado. Depois de muita remoeta por assembleias
infindáveis, conseguiu-se quórum com todos os associados em pé e concordantes
do número inicial de membros: vinte apreciadores rigorosamente testados como
embeiçadores do aperitivo. Demorou um pouco, não só pelo número variado de
espécies que vão desde a pura e simples pinga, a todo e qualquer tipo de raiz
de pau, birita e pau de índio, principalmente a mais apreciada e principal
culpada pelo constante adiamento, a teibei
– essa, pra quem não sabe, quando o tomador não envulta por meses, fica pelo
menos aluado e com o juízo tostado por uns quinze dias de efeito. Explicada a
demora da fundação, era chegada a hora de eleger a mesa organizadora que o
negócio foi levado a sério e como manda o figurino. A primeira entre as
inúmeras exigências, estava a declaração assinada de próprio punho pelo cônjuge
do cachaceiro, reconhecendo, autorizando e admitindo que o portador da
carteirinha da agremiação, estava devidamente apto a tomar todas, ficar bicado
e protegido juntamente com as crianças e os doidos por Deus – o que valeria
dizer que nenhum deles seria jamais vítima de arengas, satisfações,
corneamento, ou de ataques de caçaroladas, mão-de-pilão, vassouradas, ou outros
indesejáveis artefatos que fossem capazes de denegrir a integridade física e
moral do afiliado -, bem como não fazer cara feia ou reprovar o envolvimento
dos portadores com saias e outras libidinosas conjugações – excetuando-se
viadagem que estava terminantemente proibida sob pena de exclusão automática do
quadro. Votada e aprovada, protestos emergiram pela discriminação contra
solteiros e separados, o que valeu muita hora de quebra-de-braço e insatisfação
até agora. Para tapear a celeuma, passaram para a segunda exigência, passar no
teste da goma para reiterar a cláusula anterior e entrar no cemitério meia
noite para encarar a Mulher da Sobrinha.
Como nem todo mundo tinha as devidas pregas do procto no devido lugar –, na
verdade, o problema era a aferição, ninguém enxergava direito de tão chumbado –
resolveu-se, depois de todo mundo imprimir o bocal da quartinha na terra para
conferência posterior, passar pra outra provando com a bunda cheia de terra, o
que, na horagá, nem todos, aliás, nenhum deles tinha homência suficiente de
encarar sozinho essa empreitada tétrica, decidindo-se unanimemente por uma
farra no cemitério. Assim, tanto fechavam questão, como deixavam tudo preto no
branco, já que não se podia mais recorrer da decisão, nem hoje nem nunca mais.
Já se organizavam na porta, quando Afredo que era doido por carne de bode, foi
excluído do clube, o que fez com que ele peiticasse com Mamão para se tornarem
cheleleus da trupe. Amuado, só depois de muito puxencolhe é que Mamão aceitou.
Então passaram a peruar o batalhão frouxo aparentemente destemido,
oferecendo-se por cobaias na prova dos comes e bebes para que nenhum sofresse
qualquer atentado. Por conta disso ambos angariavam alguns pedaços de bode,
discutindo se era mesmo de qualidade, ou se era carneiro ou cabrito: só passava
no teste aquela carne que mantivesse o gosto do mijo. Do contrário, era
rejeitada: Bode guisado ou assado que se preze tem que ter gosto de carne
mijada. Como não saciavam, Afredo atentou o juízo do Mamão a praticar pequenos
furtos no açougue de seu Pulinha, um ancião bem mão de figa. Esperavam descuido
ou saída do açogueiro e logo se apropriavam do que podiam: pedaços de costelas
ou outras partes. Não dava pro consumo dos dois famintos. No dia da farra dos
biriteitos, Mamão achou mole um bode estirado, sacudiu-lo na cacunda e saiu na
maior carreira pro local acertado. Era meia noite em ponto quando todos os
vinte associados presentes, todos torando o maior aço, esperavam pela Mulher da Sombrinha, fizeram uma
invocação conjunta pela presença da dita dama do outro mundo e, justo nessa
hora, Mamão sacudiu o bode sobre a mesa aos gritos pro Afredo: Corre que hoje
vai ser a maior comilança! Não deu tempo nem dele terminar a frase, até ele
mesmo partiu com mais de mil com a carreira dos outros, tudo de cabelo em pé e
de pelos arrepiados do gogó, braços, pernas, sovacos e até os pentelhos da
virilha, da bunda e do o osso do mucumbu. Não foi dessa vez o cumprimento da
tarefa, havia de desafogar os temores, limpar a merdaria toda e marcar uma nova
data para vigência total da sociedade. Passaram a exercitar a tripa gaitera
para que ela não afrouxasse na hora do susto e, assim, garantirem tudo limpinho
nos fundos da prova geral. Não é lá muito fácil, vai dias de treinamento para
poder aprumarem a conversa direito. © Luiz Alberto Machado. Direitos
reservados. Veja mais abaixo e aqui.TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
terça-feira, agosto 07, 2018
HILDA HILST, TENNYSON, ADONIRAN, LOQMAN, BOURDIN & DYOGENES CHAVES
FARRA NO CEMITÉRIO – O Biriteiros
Esporte Clube finalmente foi criado. Depois de muita remoeta por assembleias
infindáveis, conseguiu-se quórum com todos os associados em pé e concordantes
do número inicial de membros: vinte apreciadores rigorosamente testados como
embeiçadores do aperitivo. Demorou um pouco, não só pelo número variado de
espécies que vão desde a pura e simples pinga, a todo e qualquer tipo de raiz
de pau, birita e pau de índio, principalmente a mais apreciada e principal
culpada pelo constante adiamento, a teibei
– essa, pra quem não sabe, quando o tomador não envulta por meses, fica pelo
menos aluado e com o juízo tostado por uns quinze dias de efeito. Explicada a
demora da fundação, era chegada a hora de eleger a mesa organizadora que o
negócio foi levado a sério e como manda o figurino. A primeira entre as
inúmeras exigências, estava a declaração assinada de próprio punho pelo cônjuge
do cachaceiro, reconhecendo, autorizando e admitindo que o portador da
carteirinha da agremiação, estava devidamente apto a tomar todas, ficar bicado
e protegido juntamente com as crianças e os doidos por Deus – o que valeria
dizer que nenhum deles seria jamais vítima de arengas, satisfações,
corneamento, ou de ataques de caçaroladas, mão-de-pilão, vassouradas, ou outros
indesejáveis artefatos que fossem capazes de denegrir a integridade física e
moral do afiliado -, bem como não fazer cara feia ou reprovar o envolvimento
dos portadores com saias e outras libidinosas conjugações – excetuando-se
viadagem que estava terminantemente proibida sob pena de exclusão automática do
quadro. Votada e aprovada, protestos emergiram pela discriminação contra
solteiros e separados, o que valeu muita hora de quebra-de-braço e insatisfação
até agora. Para tapear a celeuma, passaram para a segunda exigência, passar no
teste da goma para reiterar a cláusula anterior e entrar no cemitério meia
noite para encarar a Mulher da Sobrinha.
Como nem todo mundo tinha as devidas pregas do procto no devido lugar –, na
verdade, o problema era a aferição, ninguém enxergava direito de tão chumbado –
resolveu-se, depois de todo mundo imprimir o bocal da quartinha na terra para
conferência posterior, passar pra outra provando com a bunda cheia de terra, o
que, na horagá, nem todos, aliás, nenhum deles tinha homência suficiente de
encarar sozinho essa empreitada tétrica, decidindo-se unanimemente por uma
farra no cemitério. Assim, tanto fechavam questão, como deixavam tudo preto no
branco, já que não se podia mais recorrer da decisão, nem hoje nem nunca mais.
Já se organizavam na porta, quando Afredo que era doido por carne de bode, foi
excluído do clube, o que fez com que ele peiticasse com Mamão para se tornarem
cheleleus da trupe. Amuado, só depois de muito puxencolhe é que Mamão aceitou.
Então passaram a peruar o batalhão frouxo aparentemente destemido,
oferecendo-se por cobaias na prova dos comes e bebes para que nenhum sofresse
qualquer atentado. Por conta disso ambos angariavam alguns pedaços de bode,
discutindo se era mesmo de qualidade, ou se era carneiro ou cabrito: só passava
no teste aquela carne que mantivesse o gosto do mijo. Do contrário, era
rejeitada: Bode guisado ou assado que se preze tem que ter gosto de carne
mijada. Como não saciavam, Afredo atentou o juízo do Mamão a praticar pequenos
furtos no açougue de seu Pulinha, um ancião bem mão de figa. Esperavam descuido
ou saída do açogueiro e logo se apropriavam do que podiam: pedaços de costelas
ou outras partes. Não dava pro consumo dos dois famintos. No dia da farra dos
biriteitos, Mamão achou mole um bode estirado, sacudiu-lo na cacunda e saiu na
maior carreira pro local acertado. Era meia noite em ponto quando todos os
vinte associados presentes, todos torando o maior aço, esperavam pela Mulher da Sombrinha, fizeram uma
invocação conjunta pela presença da dita dama do outro mundo e, justo nessa
hora, Mamão sacudiu o bode sobre a mesa aos gritos pro Afredo: Corre que hoje
vai ser a maior comilança! Não deu tempo nem dele terminar a frase, até ele
mesmo partiu com mais de mil com a carreira dos outros, tudo de cabelo em pé e
de pelos arrepiados do gogó, braços, pernas, sovacos e até os pentelhos da
virilha, da bunda e do o osso do mucumbu. Não foi dessa vez o cumprimento da
tarefa, havia de desafogar os temores, limpar a merdaria toda e marcar uma nova
data para vigência total da sociedade. Passaram a exercitar a tripa gaitera
para que ela não afrouxasse na hora do susto e, assim, garantirem tudo limpinho
nos fundos da prova geral. Não é lá muito fácil, vai dias de treinamento para
poder aprumarem a conversa direito. © Luiz Alberto Machado. Direitos
reservados. Veja mais abaixo e aqui.domingo, dezembro 10, 2017
TOLSTOI, MARIA GABRIELA LLANSOL, AMBROSE BIERCE, VANESSA BEECROFT, LITERÓTICA, JULIANO PESSANHA, DIREITOS HUMANOS, ARTERÓTICA & PALHAÇO
LITERÓTICA: NAQUELA NOITE TODAS AS NOITES - Naquele
dia a gente navegou por nossas fronteiras mais arraigadas e se curtiu o dia
todo, era o aniversário dela. Logo de manhã eu saboreei sua delícia na cozinha:
a comida da comida. De tarde, namoramos todos os mormaços. E quando a noite
chegou, eu acendi todas as estrelas com o prêmio da sua língua lua na varanda.
Era a festa total, como se todas as noites estivessem nesta noite na rodada de
sua saia estampada, mãos na cabeça e sussurros de vontades. Ali, de nós dois,
todas as posses e bens despojados varridos pela nossa dança na sala, no quarto,
nuvens e céus. Foi quando ela me agarrou com seu beijo Maragogi e me afogou nas
ondas do seu corpo. Foi quando ela engatinhou faminta, engolidora de espadas e
devoradora de desejos incendiando o meu sexo iluminado que a fazia rodopiar, se
entreter e esfomear na cena explícita de nossa explosão pornô e na minha
hipofixilia agoniada de gozo. Com a minha explosão ela me deu seu sorriso que
dinamitou de vez todas as minhas neuras, traumas, frustrações. Ofegantes na
cama, nossos corpos vencidos. Aí eu levitei com o aperto de seu abraço Porto
Calvo. O seu beijo molhado fez o mundo girar mais depressa e caímos lentamente
no Passo e bailamos nus na Matriz de Camaragibe. Eu sou seu par e ela se
debruça na cama e me puxa com força sobre as costas lanhadas para que eu vença
seus montes e sua carne rendida. Foi aí que venci a sua Paripueira, usurpei o
seu Sonho Verde, venci a sua Guaxuma até fazer no seu corpo o Riacho Doce. Coração
saindo pela boca, nosso suor lavou a minha vitória. E venci urrando de gozo
sobre sua carne varada e servida sobre a bandeja do meu domínio. O meu peso
sobre a rendição de sua maravilha dorsal. Os meus braços no seu corpo: o banho
da noite. A água iluminava a sua pele nua na minha língua que percorria a sua
Cruz das Almas, o seu Mata-Garrote, Jatiuca, Ponta Verde, Pajuçara até enfiá-la
na mina do seu Pontal e ela me deu a Madalena do Francês rebolando na Barra, se
espremendo no Gunga, se ajeitando na praia de Jequiá, enlouquecendo no Pontal
de Coruripe, até rebolar seu Piaçabuçu na curva do Penedo que assaltou a minha
loucura profana e a fez chorar de satisfação. O trem do meu tesão seguia os
seus trilhos. E ela tributária de tudo se valia dos nossos nervos que reagiam
na luta dos quereres mais safados. Não havia como saltar fora, soltar agora
toda libidinagem visceral. Foi quando ela, frango assado, escancarou todos os
segredos desvelando toda sua alma perversa. Ela Amanda Peet premiando o meu
apetite. E se deitando no céu como se fosse um presente de natal, como se fosse
toda folia de carnaval, como se fosse maior fungado de São João, como se fosse
as bênçãos de ano novo, todas as festas juntas, todas as noites nessa noite. Era
aniversário dela e por isso me olhava com seu jeito azul de me beijar a
virilidade, quando eu enlouquecido sugava no seu ventre como quem bebe
gasolina, gerando a todo vapor a nossa putaria, pele na pele nua e eu me
apoderando de sua carne com a fúria dos gritos de quem ama aquilo tudo e muito
mais. E insistia alisando a sua carne tocando cada milímetro de sua feitura,
como se num walkaround com toda força vital. Ah, minha vulnerável Lois Lane que
quando eu um simples Clark me fazia de Superman. E foi: todas as noites nessa
noite. E sobreviventes, emergimos enquanto mergulhávamos um no outro. Aí, lá e
loa. Ah, coisa tão boa. A gente mandava bem sem sossegar o facho, maior
repasto. Foi quando ela então vira Madonna ousada e sacana e tudo outra vez e
de novo. Puxa! Todas as noites nessa noite quando eu sonho nossas entregas que
fazem viver. © Luiz Alberto Machado.
Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.quinta-feira, dezembro 10, 2015
CLARICE, DICKINSON, LUCRECIO, SCHWARZKOPF, DIREITOS HUMANOS, FECAMEPA & MUITO MAIS!
DE
RERUM NATURA – O poeta e
filósofo latino Titus Lucrécio Caro
(99-55aC), é autor do livro De rerum
natura (Sobre a natureza das coisas), defendendo que a alma é imortal e que
após o decesso, resta um simulacro, os fantasmas que assombram os vivos. Ele
resgata a ideia epicurista de eidolon, termo grego, afirmando que o medo
da morte criou o mito da imortalidade da alma. A Teosofia sustenta a tese da
alma morredoura, mas defende que o espírito, princípio que anima a alma, é o
Ser que realmente sobrevive à morte. Para ele o epicurismo era a chave que
poderia desvendar os segredos do universo e garantir a felicidade humana. na
sua obra ele apresenta a teoria de que a luz visível seria composta de pequenas
partículas e sustenta a ideia da existência de criaturas vivas que, apesar de
invisíveis, teriam a capacidade de causar doenças. É fluente a história de que
Lucrécio teria bebido um filtro de amor, enlouquecido e escrito seu poema nos
intervalos de lucidez, terminando por se suicidar. Da obra destaco o trecho: Ó mãe dos Enéadas, prazer dos homens e dos
deuses, ó Vênus criadora, que por sob os astros errantes o navegado mar e as
terras férteis em searas, por teu intermédio se concebe todo o gênero de seres
vivos em, nascendo, contempla a luz do sol: por isto de ti fogem os ventos, ó
deusa; de ti, mal tu chegas, se afastam as nuvens do céu; e a ti oferece a
terra diligente as suaves flores, para ti sorriem os plainos do mar e o céu em
paz resplandece inundado de luz. Apenas reaparece o aspecto primaveril dos dias
e o sopro criador do Favônio, já livre, ganha forças, primeiro te celebram e à
tua vinda, ó deusa, as aves do ar, pela tua força abalada no mais intimo do
peito; depois, os animais bravios e os rebanhos saltam pelos ledos pastos e
atravessam a nado as rápidas correntes; todos, possessos do teu encanto e
desejo, te seguem, aonde tu os queiras levar. Finalmente pelos mares e pelos
montes e pelos rios impetuosos, e pelos frondosos lares das aves, e pelos
campos virentes, a todos incutindo no peito o brando amor, tu consegues que
desejem propagar-se no tempo, por meio da geração. Visto que sozinha vais
governando a natureza e que, sem ti, nada surge nas divinas margens da luz e
nada se faz de amável e alegre, eu te procuro, ó deusa, para que me ajudes a
escrever o poema que, sobre a natureza das coisas, tento compor para o nosso
Mêmio, a quem tu, ó deusa, sempre quiseste conceber todas as qualidades, para
que excedesse aos outros. Dá pois a meu versos, ó Vênus divina, teu perpetuo
encanto. Faze, entretanto que, por mares e por terras, tranquilos se aplaquem
os feros trabalhos militares; só tu podes obter para os mortais a branda paz,
visto que é Marte, o senhor das armas, quem ordena esses feros trabalhos de
guerra, e é ele quem muitas vezes se reclina em teu seio, vencido pela eterna
ferida do amor, e, erguendo os olhos para ti, inclinando para tras a nuca
roliça, fica deitado como que suspenso de teus lábios e apascenta de amor seus
olhos ávidos. E tu, ó deusa, enquanto ele repousa, enlaça-o com teu corpo
sagrado, solta dos lábios tuas doces palavras e pede para os romanos, ó cheia
de gloria, a plácida paz. Efetivamente, nesta época terrível para a pátria, nem
eu posso com serenidade realizar o meu trabalho nem o ilustre descendente dos
Mêmios iria, em tais circunstancias, faltar à salvação comum [...]. Veja
mais aqui, aqui e aqui.
A QUINTA HISTÓRIA – No livro A legião estrangeira (Autor, 1964), da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977), reúne
contos e crônicas que apresenta com persistência a temática da descoberta da
verdade, obsessão constante da autora. Na obra destaco A quinta história: Esta história poderia chamar-se "As
Estátuas". Outro nome possível é "O Assassinato". E também
"Como Matar Baratas". Farei então pelo menos três histórias,
verdadeiras, porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e
uma, se mil e uma noites me dessem. A primeira, "Como Matar Baratas",
começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a
receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de dentro
delas. Assim fiz. Morreram. A outra história é a primeira mesmo e chama-se
"O Assassinato". Começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora
ouviu-me. Segue-se a receita. E então entra o assassinato. A verdade é que só
em abstrato me havia queixado de baratas, que nem minhas eram: pertenciam ao
andar térreo e escalavam os canos do edifício até o nosso lar. Só na hora de
preparar a mistura é que elas se tornaram minhas também. Em nosso nome, então,
comecei a medir e pesar ingredientes numa concentração um pouco mais intensa.
Um vago rancor me tomara, um senso de ultraje. De dia as baratas eram
invisíveis e ninguém acreditaria no mal secreto que roía casa tão tranquila.
Mas se elas, como os males secretos, dormiam de dia, ali estava eu a
preparar-lhes o veneno da noite. Meticulosa, ardente, eu aviava o elixir da
longa morte. Um medo excitado e meu próprio mal secreto me guiavam. Agora eu só
queria gelidamente uma coisa: matar cada barata que existe. Baratas sobem pelos
canos enquanto a gente, cansada, sonha. E eis que a receita estava pronta, tão
branca. Como para baratas espertas como eu, espalhei habilmente o pó até que
este mais parecia fazer parte da natureza. De minha cama, no silêncio do
apartamento, eu as imaginava subindo uma a uma até a área de serviço onde o
escuro dormia, só uma toalha alerta no varal. Acordei horas depois em
sobressalto de atraso. Já era de madrugada. Atravessei a cozinha. No chão da
área lá estavam elas, duras, grandes. Durante a noite eu matara. Em nosso nome,
amanhecia. No morro um galo cantou. A terceira história que ora se inicia é a
das "Estátuas". Começa dizendo que eu me queixara de baratas. Depois
vem a mesma senhora. Vai indo até o ponto em que, de madrugada, acordo e ainda
sonolenta atravesso a cozinha. Mais sonolenta que eu está a área na sua
perspectiva de ladrilhos. E na escuridão da aurora, um arroxeado que distancia
tudo, distingo a meus pés sombras e brancuras: dezenas de estátuas se espalham
rígidas. As baratas que haviam endurecido de dentro para fora. Algumas de
barriga para cima. Outras no meio de um gesto que não se completaria jamais. Na
boca de umas um pouco da comida branca. Sou a primeira testemunha do alvorecer
em Pompéia. Sei como foi esta última noite, sei da orgia no escuro. Em algumas
o gesso terá endurecido tão lentamente como num processo vital, e elas, com
movimentos cada vez mais penosos, terão sofregamente intensificado as alegrias
da noite, tentando fugir de dentro de si mesmas. Até que de pedra se tornam, em
espanto de inocência, e com tal, tal olhar de censura magoada. Outras —
subitamente assaltadas pelo próprio âmago, sem nem sequer ter tido a intuição
de um molde interno que se petrificava! — essas de súbito se cristalizam, assim
como a palavra é cortada da boca: eu te... Elas que, usando o nome de amor em
vão, na noite de verão cantavam. Enquanto aquela ali, a de antena marrom suja
de branco, terá adivinhado tarde demais que se mumificara exatamente por não
ter sabido usar as coisas com a graça gratuita do em vão: "é que olhei
demais para dentro de mim! é que olhei demais para dentro de..." — de
minha fria altura de gente olho a derrocada de um mundo. Amanhece. Uma ou outra
antena de barata morta freme seca à brisa. Da história anterior canta o galo. A
quarta narrativa inaugura nova era no lar. Começa como se sabe: queixei-me de
baratas. Vai até o momento em que vejo os monumentos de gesso. Mortas, sim. Mas
olho para os canos, por onde esta mesma noite renovar-se-á uma população lenta
e viva em fila-indiana. Eu iria então renovar todas as noites o açúcar letal?
como quem já não dorme sem a avidez de um rito. E todas as madrugadas me
conduziria sonâmbula até o pavilhão? no vício de ir ao encontro das estátuas
que minha noite suada erguia. Estremeci de mau prazer à visão daquela vida
dupla de feiticeira. E estremeci também ao aviso do gesso que seca: o vício de
viver que rebentaria meu molde interno. Áspero instante de escolha entre dois
caminhos que, pensava eu, se dizem adeus, e certa de que qualquer escolha seria
a do sacrifício: eu ou minha alma. Escolhi. E hoje ostento secretamente no
coração uma placa de virtude: "Esta casa foi dedetizada". A quinta
história chama-se "Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia".
Começa assim: queixei-me de baratas. Veja mais aqui e aqui.
DENTRE TODAS AS ALMAS JÁ
CRIADAS – No livro Alguns poemas (Iluminuras, 2006), da
poeta estadunidense Emily Dickinson
(1830-1886), destaco, inicialmente o poema Dentre todas as almas já criadas: Dentre todas as Almas já criadas / Uma - foi
minha escolha / Quando Alma e Essência - se esvaírem / E a Mentira - se for - /
/ Quando o que é - e o que já foi - ao lado / Intrínsecos - ficarem / E o Drama
efêmero do corpo / Como Areia - escoar / Quando as Fidalgas Faces se mostrarem /
E a Neblina - fundir-se / Eis - entre as lápides de Barro / O Átomo que eu
quis! Também o poema 67: O Sucesso é
mais doce / A quem nunca sucede. / A compreensão do néctar / Requer severa
sede. / Ninguém da Hoste ignara / Que hoje desfila em Glória / pode entender a
clara / Derrota da Vitória. / Como esse — moribundo — / Em cujo ouvido o
escasso / Eco oco do triunfo / Passa como um fracasso! Por fim, o poema
389: Houve morte na casa ali defronte — /
Foi hoje, coisa recente; / Eu sei por esse ar de anestesia / Que dessas casas recende.
/ Vizinhos em sussurros entram e saem, / De carro afasta-se o médico, / Uma
janela se abre como vagem, / De modo abrupto, automático, / E por ela atiram
fora um colchão. / Crianças passam correndo — / Intrigadas — "foi ali que
morreu?" / Eu ficava assim, me lembro. / Formal e teso vai entrando o
clérigo, / Qual se sua a casa fosse — / Hoje são dele todos os que choram / E
das crianças toma posse. / Vem o homem do armarinho — e aquele homem / Da
horrorosa profissão — / O que toma as medidas para a casa. / Vai haver a
soturna procissão — / Vão vir os coches, as franjas douradas / Sem nem cartaz
ou rumor, / Corre fácil a intuição das notícias / Nas vilas do interior.
Veja mais aqui.
A
COMÉDIA LATINA - Na obra Teatro Vivo
(Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Perfilando-se aos espetáculos circenses e
mimos improvisados, a comédia latina, cujos maiores representantes foram
Andronicus, Plauto (254-184aC) e Terêncio (190-159aC), logo se fez aceitar pelo
povo romano, enquanto a aristocracia ouvia com muita gravidade a leitura das
tragédias de Sêneca (4ac-65). Estas jamais puderam concorrer com a popularidade
das comedias que, apesar da pouca sutiliza psicológica, eram repletas de
motivos familiares aos romanos. Nelas não faltavam disfarces, travestimentos,
truques de escravos, obscenidades, vigor colorido e permanente invenção da
intriga. Durante todo o período de expansão política de Roma e na fase em que o
império mostrava sinais de decadência, a comedia popular manteve um público certo.
E nem mesmo a adoção do Cristianismo – impondo seus valores a um mundo que se
fragmentava – foi suficiente para mudar de imediato os costumes. O povo
continuava vibrando com a licenciosidade do mimo e da pantomina, forma
dramática sem palavras, baseada na imitação mais ou menos estilizada. No século
V, numa de suas primeiras manifestações de autoridade, a igreja acabaria por
excomungar os atores, medida que não foi suficiente para terminar com os
espetáculos. Assim, no século seguinte, os teatros foram rigorosamente
proibidos de funcionar. Veja mais aqui e aqui.quinta-feira, junho 27, 2013
KAREN HORNEY, VICENTE ALEIXANDRE, CHAUÍ, BAUMAN, ANN CRISPIN, CLÁUDIA MAYER & HELLER
A PSICANÁLISE
DE KAREN HORNEY: A INFÂNCIA - A infância
da médica e psicanalista alemã Karen Horney (1885-1952) foi marcada por difícil
relacionamento com seu pai, um marinheiro religioso e rigoroso que manifestava
sua preferência pelo irmão mais velho, Berndt – o seu filho preferido -,
desejando sempre ter um pai que se possa amar e estimar. Seu pai era muito mais
velho que sua mãe e era com ela com Horney se identificava, confidenciado à
filha o desejo de ver o marido morto. Tornou-se, então, uma filha devotada para
angariar o afeto da mãe. Além de uma relação difícil com o pai, ele a
desestimulava aos estudos, desejando-a voltada ao lar. Foi exatamente essas
experiências da infância, ocasião em que desenvolveu uma hostilidade pela falta
de amor dos familiares, estimulando a sua ansiedade, que ela dedicou-se aos
estudos, formou-se em Medicina e tornou-se seguidora dos ensinamentos de
Sigmund Freud. Com uma vida entre envolvimentos amorosos, dúvida entre o
casamento e a carreira, estudos e determinação, ela começou a formular uma
teoria que se tornou bastante diferente do seu mestre, do qual divergiu por
contestar o seu retrato psicológico das mulheres e opôs-se ao conceito
freudiano de que as mulheres possuem inveja do pênis, defendendo que os homens
é que possuem inveja das mulheres por causa do útero. Influenciada pelo fato de
ser mulher e pelas suas experiências pessoais, passou a admitir que as forças
sociais e culturais influenciam a vida das pessoas. Constatou a diferença de
personalidade entre as pessoas, vez que esta não depende totalmente das forças
biológicas, passando a dar mais ênfase às relações sociais como fatores
significativos para formação da personalidade. Passou então a questionar os
conceitos de complexo de Édipo, da libido e da estrutura de três partes da
personalidade, defendendo que as pessoas não eram motivadas por forças sexuais
ou agressivas, mas pela necessidade de segurança e amor. Quando adulta percebeu
quanta hostilidade desenvolvera na infância pela falta de amor que estimulou
sua ansiedade e resultou na busca pelo amor e segurança, alimentando paixões
que foram registradas no seu Diário. Formou-se em Medicina, casou-se e teve
três filhas, contudo, mantinha-se infeliz e oprimida, queixando-se de crises de
choro, dores de estomago, fadiga crônica, comportamentos compulsivos, frigidez
e vontade de dormir e de morrer. Casamento desfeito, ela envolveu-se em
inúmeros relacionamentos com promiscuidade, entre eles com o psicanalista Erich
Fromm. A falta de atrativos físicos, como em Adler, era um dos motivos dos
sentimentos de inferioridade, concluindo que precisa sentir-se superior pela
falta de beleza e sentimento de inferioridade como mulher, determinando-se pelos
estudos. NECESSIDADE DE SEGURANÇA NA INFÂNCIA – Concordava com Freud sobre a
importância dos primeiros anos de infância na moldagem da personalidade adulta.
Todavia, para ela as forças sociais na infância influenciavam o desenvolvimento
da personalidade, discordando das etapas de desenvolvimento universais e dos
conflitos infantis inevitáveis. Para ela, o fator chave é a relação social
entre a criança e os pais. Daí, portanto, defendeu que a infância é dominada
pela necessidade de segurança, uma necessidade em grau mais elevado de
segurança e liberação do medo, dependendo totalmente de como os pais tratam a
criança, recomendando carinho e afeto. Entre as condutas que ela nomeia como
não recomendadas são as preferencias obvias por um dos filhos, castigo injusto,
comportamento instável, não cumprimento de promessas, ridicularização,
humilhação e isolamento da criança de seus companheiros. Enfatizou, por isso, o
desamparo da criança, discordando de Adler de que as crianças não
necessariamente desamparadas, mas que surge pela falta de carinho e afeto dos
pais, podendo levar a um comportamento neurótico. Assim, para ela, a sensação
de desamparo nas crianças depende do comportamento dos pais. E quanto mais
desamparadas forem as crianças, mas elas reprimirão a hostilidade, serão
levadas a sentir medo por meio de castigos, violência ou formas mais sutis de
intimidação, incluindo, também, o amor que pode ser outro motivo para reprimir
a hostilidade por meio de afeto desonesto na insistência de que amam os pais. A
culpa também é um outro motivo das crianças reprimirem a hostilidade, quando
elas se sentem culpadas por terem hostilidades ou rebeldias, guardarem
ressentimentos e se sentirem culpadas e pecadoras: quanto mais culpa a criança
sentir, mais profundamente a hostilidade será reprimida. ANSIEDADE BÁSICA – A
ansiedade básica é um sentimento insidiosamente crescente e penetrante de se
estar só e desamparado em um mundo hostil, sendo, assim, conceituada como uma
sensação penetrante de solidão e desamparo, tornando-se com isso a base sobre a
qual as neuroses posteriores se desenvolvem e está intimamente ligada aos
sentimentos de hostilidade. Na infância busca-se a proteção contra a ansiedade
básica de quatro maneiras: assegurando afeto e amor; sendo submisso; obtendo
poder; e distanciando-se. Assegurar o afeto e o amor dos outros está embasada
na ideia de que quem ama não magoa, e esse afeto é obtido ao fazer tudo o que o
outro quer, uma tentativa de suborno ou ameaça para que os outros devolvam o
afeto recebido e desejado. A submissão é um meio de autoproteção, envolvendo
agir de acordo com os desejos de uma determinada pessoa ou dos que pertencem ao
ambiente social. Nessa condição, procura-se não contrariar os outros, não se
ousa criticar ou ofender, reprimindo os desejos pessoais. A obtenção de poder
sobre os outros é uma forma de compensação ao desamparo, conseguindo-se
segurança por meio do sucesso ou de um sentimento de superioridade. Com isso,
acredita-se que tendo poder ninguém poderá prejudicar. Esses três meios de
autoproteção envolvem o fato de que a pessoa está lidando com a ansiedade
básica ao interagir com os outros. Por fim, o afastamento dos outros, não
fisicamente, mas psicologicamente, traduz independência: não se depende de mais
ninguém para obter satisfação das necessidades internas ou externa, uma vez que
quem se afasta protege-se contra a possibilidade ser magoado pelos outros. Esses
quatro mecanismos de autoproteção possui um único objetivo: defesa contra a
ansiedade básica, motivando a busca da segurança e o restabelecimento da
confiança, defendendo-se da dor e buscando bem-estar. A característica desses
mecanismos é o poder e intensidade, uma vez que podem ser mais forte dos que as
necessidades sexuais ou fisiológicas, podendo reduzir a ansiedade com um custo
individual de empobrecimento da personalidade. NECESSIDADES – Defendia Horney
que qualquer dos mecanismos de autoproteção podem se tornar permanentes na
personalidade, assumindo características de impulso ou necessidade, na
determinação do comportamento. para tanto, as necessidades neuróticas são
soluções irracionais para os problemas da pessoa e são identificadas por meio
de dez defesas irracionais contra a ansiedade que se tornam parte permanente da
personalidade e afetam o comportamento: afeto e aprovação; parceiro dominador;
poder; exploração; prestígio; admiração; realização ou ambição;
autossuficiência; perfeição; e limites restritos à vida. As necessidades
neuróticas são encontradas em quatro maneiras de proteção contra a ansiedade:
busca de proteção, submissão, obtenção de poder e afastamento. A busca de
proteção por meio do afeto é expresso na necessidade neurótica de afeto e
aprovação; a submissão inclui a necessidade neurótica de um parceiro dominador;
a obtenção de poder está relacionada com as necessidades de poder, exploração,
prestigio, admiração e realização ou ambição; e o afastamento inclui as
necessidades de autossuficiência, perfeição e limites restritos à vida. TENDÊNCIAS
NEURÓTICAS – Três categorias de comportamento definem as tendências neuróticas:
personalidade submissa, personalidade agressiva e personalidade distante. São
essas tendências neuróticas identificadas nas três categorias de comportamentos
e atitudes em relação à própria pessoa e aos outros que expressam as
necessidades da pessoa e surgem a partir dos mecanismos de autoproteção e os
aprimoram, envolvendo atitudes e comportamentos compulsivos: as pessoas
neuróticas são impelidas a se comportar de acordo com pelo menos uma das
necessidades neuróticas. A personalidade submissa ou movimento em direção às
outras pessoas, exibe atitudes e comportamentos que refletem um desejo de
caminhar em direção às outras pessoas, uma necessidade intensa e continua de
afeto e aprovação, um anseio de ser amado, desejado e protegido, identificada
naquela pessoa escolhida que ofereça proteção e orientação. Assim sendo, a
personalidade submissa é o comportamento e atitudes associadas à tendência
neurótica de ir na direção das pessoas, cl como a necessidade de afeto e
aprovação. A personalidade agressiva ou movimento contra as outras pessoas, é o
conjunto de comportamentos e atitudes associadas a tendência neurótica de ir contra
as pessoas, tal como um comportamento dominador e controlador. São movidas pela
insegurança, ansiedade e hostilidade porque julgam tudo em termos do beneficio
que receberão do relacionamento e por aparentarem confiantes nas suas
habilidades e desinibidas ao se afirmar e se defender. A personalidade distante
ou movimento para longe das outras pessoas, é o comportamento e atitude
associados com a tendência neurótica de se afastar das pessoas, como uma
necessidade intensa de privacidade. Essas pessoas são motivadas a se afastar
das demais e a manter uma distância emocional, não precisando amar, odiar,
colaborar ou se envolver com os outros. Para conseguir esse desligamento total,
buscam a autosufiência e dependem de seus próprios recursos que devem ser bem
desenvolvidos, além de precisarem sempre se sentir superiores, não podendo
competir ativamente por superioridade com os outros, reprimindo ou negando
qualquer sentimento relação aos outros, principalmente os sentimentos de amor e
ódio, achando que sua grandeza deve ser reconhecida automaticamente, sem luta
ou esforço: uma manifestação desse sentimento de superioridade é a filosofia de
que cada pessoa é diferente da outra. A personalidade submissa de Horney é
semelhante ao tipo dependente de Adler, a personalidade agressiva é semelhante
ao tipo dominador e a distante é semelhante ao tipo esquivo, justificando as
influencias exercidas por ele sobre as teorias dela. Na pessoa neurótica a
pessoa que é predominantemente agressiva também tem a necessidade de submissão
e distanciamento. A tendência neurótica dominadora é a que determina o
comportamento e as atitudes da pessoa em relação aos outros. Esse é o modo de
agir e raciocinar que mais serve para controlar a ansiedade básica e qualquer
desvio dele é ameaçador para a pessoa. Por isso, as duas outras tendências têm
de ser ativamente reprimidas, o que pode levar a mais problemas, pois qualquer
indicio de que a tendência reprimida está querendo se expressar provoca
conflito na pessoa. CONFLITO – Conflito é a incompatibilidade básica das
tendências neuróticas e é o centro da neurose. A diferença entre uma pessoa
neurótica e a que não é neurótica está na intensidade desse conflito. Ele é
muito mais intenso na pessoa neurótica porque ela precisa lutar para evitar que
as tendências não dominantes se expressem. Elas são rígidas e inflexíveis,
enfrentando todas as situações com comportamentos e atitudes que caracterizam a
tendência dominadora, independente da sua adequação. AUTOIMAGEM IDEALIZADA –
Todas as pessoas criam autoimagem que pode ou não se basear na realidade. Nas
pessoas não neuróticas a imagem do self é construída com base numa avaliação
realista das habilidades, potencialidades, fraquezas, metas e relações com
outras pessoas, oferecendo um senso de unidade e integração à personalidade e
uma estrutura dentro da qual deve-se abordar os outros e a pessoa em si. As
pessoas neuróticas que vivem em conflito entre os modos incompatíveis de
comportamento têm suas personalidades caracterizadas pela desunião e
desarmonia, criando uma autoimagem idealizada com o mesmo intuito das pessoas
não neuróticas: unificar a personalidade, mas fracassa porque a autoimagem do
self não se baseia numa avaliação realista dos pontos fortes e fracos, mas numa
ilusão, num ideal inatingível de perfeição. Então, para os não neuróticos a autoimagem
idealizada é um retrato idealizado da pessoa criado com base numa avaliação
flexível e realista das suas habilidades; o neurótico, ao contrário, a
autoimagem baseia-se numa autoavaliação inflexível e fantasiosa. Para tentar
realizar a autoimagem idealizada, as pessoas neuróticas envolvem-se na tirania
dos deveres. TIRANIA DOS DEVERES – É a tentativa de tornar real uma imagem
inatingível e idealizada do self negando o self verdadeiro e comportando-se com
base naquilo que se pensa que se deveria fazer. Ou seja, os neuróticos dizem a
si mesmos que têm de ser o melhor em tudo, quando o seu real é indesejável,
achando que devem agir para corresponder à imagem idealizada. Um detalhe:
embora a imagem neurótica ou idealizada do self não coincida com a realidade,
ela é real e precisa para que as criou, uma vez que a imagem neurótica do self
é uma substituta insatisfatória para um sentimento de autovalia, baseado na
realidade, em razão dele ter pouca autoconfiança, insegurança e ansiedade. Um
caminho que os neuróticos usam para se defender dos conflitos internos
provocados pela discrepância entre uma autoimagem idealizada e a real é a
externalização. EXTERNALIZAÇÃO – É a maneira de se defender contra o conflito
provocado pela discrepância entre uma autoimagem idealizada e a real,
projetando-se o conflito no mundo exterior. Esse processo pode aliviar
temporariamente a ansiedade provocada pelo conflito, mas não faz nada para
reduzir a lacuna entre a autoimagem idealizada e a realidade, envolvendo a
tendência para vivenciar os conflitos como se eles estivessem ocorrendo fora da
pessoa e para descrever as forças externas como a fonte dos conflitos. A
COMPETITIVIDADE NEURÓTICA – É um aspecto extremamente importante da cultura
contemporânea, definida como a necessidade indiscriminada de vencer a qualquer
custo. Aquele que manifesta essa necessidade encara a vida como um uma
competição e que só importa estar à frente dos outros. Ou seja, uma necessidade
indiscriminada de vencer a todo custo. PSICOLOGIA FEMININA – É uma revisão da
psicanálise para incluir conflitos psicológicos inerentes no ideal tradicional
da feminilidade e dos papéis femininos. Criticou o conceito freudiano de inveja
do pênis e a ideia de que as mulheres possuíam superegos maldesenvolvidos. Horney
defendeu que os homens invejavam a capacidade da maternidade, possuindo a
inveja do útero. O voo da feminilidade: como resultado dos sentimentos
inferioridade, as mulheres podem optar por negar a sua feminilidade e desejar,
inconscientemente, ser homem: um problema que pode levar a inibições sexuais e
se esse conflito for suficientemente forte, pode levar a problemas emocionais
que se manifestam em relação aos homens. Horney negava o complexo de Édipo,
porém reconhecendo a existência de conflitos entre pais e filhos como um
conflito entre dependencia do pai ou da mãe e a hostilidade em relação a um
deles. As influências culturais: ela reconheceu o impacto doas forças sociais e
culturais no desenvolvimento da personalidade e que as culturas e os grupos sociais
diferentes encaravam o papel da mulher de maneira diferente. A natureza humana
para Horney possuía a crença de que as forças biológicas não levam ao conflito,
ansiedade, neurose ou universalidade na personalidade, uma vez que cada pessoa
é única e que todos possuem a capacidade de moldar e mudar conscientemente a
sua personalidade. Veja mais aqui, aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS - Percebi, com angústia, que não era capaz de
escrever sequer uma página por dia. Eu me impus um esquema de catorze páginas
por semana. Deu e não deu certo, porque eu acabava não gostando daquelas
páginas. Agora sei que não escrevo facilmente. Eu costumo dizer a estudantes
talentosos que paciência é o que eles mais precisam; e que escrever é um
trabalho duro. Não se torna mais fácil para os que conseguem êxito no ramo. Pensamento do escritor estadunidense Joseph Heller (1923-1999).
ALGUÉM FALOU: Nós sabemos para onde vamos e de onde viemos. Entre duas obscuridades, um clarão. Existir é viver com ciência cega. Poesia é comunicação. A poesia tem que ser humana, se não for humana, não é poesia. Algo que sirva para conversar com outros homens. Esquecer é morrer. Ser leal a si mesmo é a única maneira de se tornar leal aos outros.Tudo é surpresa. O mundo fulgurante sente que um mar de repente se desnuda, trêmulo, que é esse peito febril e ávido que só pede o brilho da luz. Tudo é sangue ou amor ou pulsação ou existência. Pensamento do poeta espanhol Vicente Aleixandre (1898-1984), Prêmio Nobel de Literatura de 1977. Veja mais aqui.
SOCIEDADE DEMOCRÁTICA – [...] a mera declaração
do direito à igualdade não faz existir os iguais, mas abre o campo para a criação
da igualdade, através das exigências e demandas dos sujeitos sociais. Em outras
palavras, declarado o direito à igualdade, a sociedade pode instituir formas de
reivindicação para criá-lo como direito real. [...] as idéias de igualdade e liberdade como direitos
civis dos cidadãos vão muito além de sua regulamentação jurídica formal. Significam
que os cidadãos são sujeitos de direitos e que, onde tais direitos não estejam garantidos,
tem-se o direito de lutar por eles e exigi-los. É esse o cerne da democracia
[...]. Trechos extraídos da obra A sociedade democrática (EdUnB, 2002), da filósofa brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui e aqui.
FENOMENOLOGIA & ESTRUTURALISMO – [...] A certeza
perceptiva nunca será, por si mesma, autêntica certeza, se não remeter para
esta dimensão de coexistência na qual a minha perspectiva e a do outro se
envolvem mutuamente, como outras tantas aberturas para um único campo de
experiência. É por isso que eu e os outros podemos figurar como órgãos de uma
única intercorporeidade [...]. Trecho extraído do livro
Fenomenologia e Estruturalismo (Perspectiva, 1974), da filósofa italiana
Andrea Bonomi. Veja mais aqui e aqui.
IDENTIDADE – [...]
Em
nossa época líquido-moderna, o mundo em nossa volta está repartido em
fragmentos mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são
fatiadas numa sucessão de episódios fragilmente conectados. [...]. Trecho
extraído da obra Identidade (Zahar, 2005), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), Veja mais aqui.
TEMPO DE
ONTEM - […] Lembre-se que em qualquer mundo o vento eventualmente desgasta a pedra,
porque a pedra só pode desmoronar; o vento pode mudar. [...]. Trecho extraído da obra Time for Yesterday (Star Trek, 1999), da escritora estadunidense Ann
Carol Crispin (1950-2013), que no livro Pirates of the Caribbean: The
Price of Freedom (Disney Editions, 2011), expressou
que: [...] Todo
aquele sangue e... coisas. Eu, vou levar covardia inteligente
sobre bravura imprudente qualquer dia [...] Obediente à vontade de seu capitão, o Pérola Negra seguiu
seu anjo negro sobre as águas azuis; tão rápido quanto o vento, tão livre
quanto os homens que a navegaram. era quase como se ela soubesse que
era uma lenda em formação, destinada a grandes e terríveis aventuras. [...].
TRÊS POEMAS - VAZIO - Meus olhos repousam \ no velório disfarçado de ausência \ e
sendo sangue anônimo \ vai estourar a solidão como uma sombra de borboleta. \ A
sua chuva alertará a minha espera \ onde sufoca a pupila que não conheces, \ húmida,
virgem, \ tal como o prazer onde terão de nos exilar. \ Acontece que agora
desejo tatuar o silêncio \ que a pureza te menstruou, \ pureza vestida de noite
suicida, \ de beijo pensativo, \ de sono coagulado. \ Sua explosão humana
silenciará meus fantasmas; \ saciará o instinto com vozes nuas. \ E sobre o seu
sexo descontrolado, o mel \ dará à luz estrelas sobre o que era: \ simplesmente
uma vaga lembrança. VÔO FINAL - I - Agora abra todo o céu. \ Hoje vou dizer à
brisa queixosa: \ o amor é umidade e soluços... \ umidade disfarçada de
ausência, \ soluços ausentes de consolo. \ Feito de novo pátria noturna, \ feito
boca de pássaro, \ meu coração está opaco de raízes \ e tenho meu vôo rolando\ neste
turbilhão de memórias. \ É inútil ter os lábios inchados de estrelas, \ dormir
com a lua inerte dentro dos ossos: \ já é quimérico querer apanhar o vento \ estéril
é agora o bater da penugem \ que abriga esta solidão que não conheço. \ Aqui,
feito do silêncio lar vagabundo, \ ainda consigo evocar o teu pensamento: \ tristeza
perene que me envia a sua saudação miserável. \ Talvez a nostalgia esteja
ganhando \ (tirar as folhas dos lábios, esconder o sangue) \ talvez tenha
entrado nessa viagem \ e esteja deixando um rastro, \ ficando cinza \ e
deixando um eco. \ Que vazio gelado eu inspiro \ neste vôo desdobrado como um
poste de luz. \ Que angústia que dessas asas se abrem no horizonte. \ A aurora
paira sobre tua sombra ausente: \ sobre a certeza de saber que muito em breve \
prenderei a chorar no chão. II- Não és a morte, \ orquídea de pétalas
destronadas, \ aquela que o condenado às pradarias \ carrega entre os olhos
ausentes: \ é um triste voo de asa truncada \ um beijo de pedra vazio de
viajantes \ ou o frio azul que se esqueceu no o útero. \ Eu coloquei minha
testa em sua espuma profana \ e o granizo perfurou minha máscara de ferro; \ sem
sinos, \ sem insetos, \ sem alma, \ Eu estava sozinho o que não poderia
renascer: \ uma nova pátria de silêncio. Poemas da
escritora salvadorenha Cláudia Mayer.
MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA
Imagem: Acervo ArtLAM . O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...
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MADELEINE DE SCUDÉRY, SADE, BARBARA PYM, ANA CRISTINA CÉSAR, FUTURO DAS METRÓPOLES & BIG SHIT BÔBRASÓI NOIS AQUI TRAVEIZ – Tudo andava nos conformemente após o anúncio das previsões do Doro para todos os signos do zodíaco e, de lambu...

























