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quarta-feira, maio 15, 2019

EMILY DICKINSON, LIA ROBATTO, DAVID TAVARES BARBOSA, A PEIXA DO AÇUDE, CUPIDO & PSIQUÊ


A PEIXA DO AÇUDE – Era o maior açudão, meu! Num diga! Tinha até uma peixa! Como é que é? Era. No começo tinha só uns três arruados com uma capela mirochinha no meio pros fieis domingueiros. Dava muito peixe dos bons, não tinha como passar fome. Na fartura, havia até festa com roda-gigante, barracas de fogos e serviço de som. Areia branca à beira d’água, as roupas estendidas no varal, os peixinhos, o alagadiço, um paraíso. Foi o pescador Tonésio quem viu-la pela primeira vez, nem acreditou da maravilha ali boiando. Fechou olhos e ao abri-los, ela desaparecera. Só vista depois, no pôr do sol, uma festa pros curiosos que engrossavam a fila arrodiando o espetáculo. Dela Tonésio se afeiçoou de não sair mais da jangada, até dar um timbungue e nunca mais dar as caras por essas bandas. Que coisa! Ah, os meninos que viram e os moradores antigos dizem que foi mesmo, só ele pescava do muito, ela não deixava entrar ninguém com rede de arrasto, afundava quem se atrevesse, só pesca de vara e, ao que parece, com ela se casou para sempre. Falavam que ela tinha os olhos de verão, um prateado na pele lisa, e Tonésio quando vinha tomar umas e outras, pabulava que lá no fundo era como se tivesse no céu cheio de estrelas e nadar com ela era como voar sobre abismos. Tinha até um jacaré que guardava o reinado dela, isso todos viram. Com o sumiço dele, correu o boato de que tinha uma botija escondida, com muitos tesouros guardados lá fundo. Além do mais, de 5 em 5 anos, a invernada botava o rio para transbordar. Foi aparecendo gente, o bairro crescendo, o fuxico, os do disse-me-disse aumentavam na pacutia. Arengas e estranhamentos, queriam tirar o negócio a limpo: Vem ou não vem? Oxe, não deu outra, veio uma tropa do prefeito com escafandro e tudo, vasculharam mais de 50 metros de fundura, dizem. Maior remoeta: De hoje não passa! E o jacará? Ah, foi atraiçoado, repartido e venderam a carne e o couro na feira. Nada de botija? As buscas só pararam depois que uns dois mergulhadores morreram enganchado num redemoinho brabo que dava lá embaixo. Mesmo? Por conta disso, se arretaram e tudo ficou para trás, chega dava pena. O que fizeram? Ah, começaram a dizer que o açude estava podre, doença incurável, essas coisas, nem jacaré, nem peixe dava mais. Findou no aterro e enterro do açude, mais de mil casas em cima, gente até de um olho só. Lotearam, tudo vendido caro que só. Danou-se! Era uma vez. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] as ações contemporâneas [...] revelam profundas conexões entre os aspectos culturais da cidade, as estratégias de comunicação de seus atores e a variável política, pois nestas estratégias destacam-se ações que atuam na cidade visando tornar hegemônica determinadas leituras de apropriação dos espaços, domesticando os usos destes e promovendo a reprodução esperada dos traços culturais do éthos do lugar. [...] Tal aproximação entre classes é favorecida através da “retórica da paisagem” “recolhida” dos artísticos e culturais da cidade, capazes de construir elos efetivos que aproximam os diferentes grupos sociais da cidade numa retórica de confluência dos espaços públicos. [...]
Trechos extraídos de Pontes imaginárias sob o céu do manguetown: influências do Mangue Beach sobre as políticas públicas no entorno do Rio Capibaribe – uma análise do circuito da Poesia e do Carnaval Multicultural (EdUFPE, 2012), do geógrafo doutorando pela UFRJ, David Tavares Barbosa, pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Espaço, Cultura e Política da UFPE e ao Grupo de Pesquisas sobre Política e Território da UFRJ. Veja mais aqui.

CUPIDO E PSIQUÊ
Imagem: Cupid and Psiche, do escultor, pintor, desenhista, antiquário e arquiteto Antonio Canova (1757-1822).
Antigamente, vivia na Grécia um rei que tinha três filhas. Psique, a mais nova de todas, era de formosura rara. Quando passava pelas ruas, todos a cobriam de flores. Chegada a ocasião de se casar, o rei recebeu um misterioso aviso: que a levasse para uma montanha selvagem e a deixasse lá. “Oh!”, pensou o povo. “A nossa querida Psiquê vai ser sacrificada!”. E assim era, com efeito. O povo tinha dito que Psiquê era mais formosa que a própria Vênis, e esta, que era a deusa da beleza, quando isto ouvia, ficava irritadíssima. Tinha Vênus um filho chamado Cupido, e ordenou-lhe que casasse Psiquê com o homem mais feio da terra. [...] Em meio da obscuridade da noite alguém foi dizer palavras ternas ao ouvido de Psiquê e ela ficou tão encantada que consentiu logo em ser esposa daquele que assim lhe falava. Então, ele lhe disse: - “Psiquê, podes viver como mais te agradar neste palácio que construí para ti. Só uma condição te imponho? Que não queiras ver o meu rosto”. [...] Certa ocasião, um vento mágico levou-lhe lá as irmãs. Esta visita causou-lhe grande desgosto, pois, disseram-lhe que, por ordem de Vênus, Cupido a tinha casado com um monstro. E acrescentaram: - “Por isto é que ele não quer que lhe vejas o rosto”. [...]. Na noite seguinte Psiquê acendeu uma lâmpada e enquanto o companheiro dormia, foi ver-lhe o rosto. Era Cupido, o espírito alado e radiante do amor. Na sua alegria, levantou ela tão alto a lâmpada que deixou cair uma gota de azeite quente que o despertou. – “Ah, Psiquê!”, exclamou. “Temos que nos separar. Agora saberá minha mãe que eu me apaixonei por ti e me casei contigo em vez de te casar com um monstro. Adeus!”. E espalmando as asas, voou e fugiu. [...] A pobre caiu sobre a erva; mas Cupido, que a tinha seguido, foi em seu auxilio e, dissipando os vapores do rosto da jovem tomou-a nos braços, e, batendo as asas, levou-a para a Terra da Imortalidade. E ali viveram juntos e sempre felizes.
Trechos de A filha do rei da montanha – a lenda de Cupido e Psiquê, extraído da coleção Tesouro da juventude – reunião de conhecimentos essenciais, oferecidos em forma adequada ao proveito e entretenimento das crianças e adolescentes (W.M.Jackson, 1963). Psiquê é a divindade que personifica a alma e seu mito sobrevivo na história latina O asno de ouro, de Apuleio. Trata-se de uma bela jovem entre irmãs. Todas as suas irmãs se casam, menos ela que era admirada por todos, provocando, inclusive, inveja na deusa Afrodite. A deusa vingativa impõe ao seu filho Eros uma maldição para ela, mas ao tentar executá-la, por ela se apaixona. E com ela casou-se sob a condição dela jamais vê-lo. Feliz, ela convida as irmãs para visitá-la e, ao se encantarem, insinuaram que ela estava casada com o monstro anunciado pelo oráculo. Depois de irem embora, Psiquê se arma de uma vela acesa e um punhal, visualiza o seu marido e este, revoltado, vai embora para nunca mais. Chorosa lamentou, fez de tudo, até se ajoelhar aos pés da Deusa, que exigiu o cumprimento de 4 trabalhos impossíveis: recolher grãos espalhados, trazer a lã do velocino de ouro, buscar água da nascente do rio Estige e trazer a beleza de Perséfone. Ao cumprir as tarefas, ela tenta buscar um pouco da beleza de Pérsefone e se envolve no caos. Eros, por fim, socorre levando-a ao Olimpo, onde adquire a imortalidade para conviver com o deus. Ela é representada com asas de borboleta.Veja mais aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O ensino de dança – por tratar-se de uma prática artística, através da percepção do potencial do próprio corpo e de suas implicações culturais e sensoriais, emotivas e conceituais –propõe um conhecimento não só objetivo, técnico, mas também significativo, a partir de uma educação sensível, que abrange aspectos subjetivos e, ao mesmo tempo, coletivos, criativos, reflexivos e críticos. [...] Quando o ensino de dança recorre à sensibilidade e à imaginação corporal do aluno, produzindo movimentos, formas e gestuais numa perspectiva emocional, sensível e intuitiva, em abordagens subjetivas promovendo a livre expressão de seus sentimentos e ideias, com qualidade técnica e valor estético, essa prática está atribuindo centralidade ao aprendiz, um dos princípios mais significativos da educação. [...].
Trechos extraídos da obra A dança como via privilegiada de educação: relato de uma experiência (EDUFBA, 2012), da coreógrafa, artista e educadora Lia Robatto, reunindo sua experiência ao defender “o ensino da dança como educação para a vida”, um volume dividido em duas partes e oito capítulos, a primeira trazendo considerações gerais que definem e contextualizam a arte da dança e o profissional da área, e a segunda dedicada ao relato da trajetória da autora no Projeto Axé e ao debate de uma nova experiência – a tentativa de fusão entre a dança contemporânea e a capoeira. Ela sempre se posicionou na defesa de que: “A dança se apresenta como uma das formas de expressão coletiva mais fortes, trata da alma, do espírito, da fantasia, da criatividade e do corpo. Ela trata do sujeito como um todo une seu corpo com o seu sentimento e suas sensações. No momento que você trabalha isso e elabora, você transforma o aluno, você faz com que tenha consciência de si mesmo, tenha confiança, se descubra e se auto revele”. Veja mais aquiaqui.
&
A OBRA DE EMILY DICKINSON
A palavra morre no momento em que é proferida - dizem alguns. Eu digo que ela começa a viver naquele momento.
A obra da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quarta-feira, maio 16, 2018

EMILY DICKINSON, UMBERTO ECO, ELISABETH BANDINTER, TERESA REICHLEN, CIRO DE UIRAÚNA, ANA FARIA, ERICH LEHNINGER & HAN-NA CHANG

ESTIBADO, O AJEITADO NA VIDA – Imagem: Xilogravura do gravador e ilustrador Ciro de Uiraúna. - Tomé sempre foi jeitoso. Um dia lá, teve a ideia de abrir uma bodega. Juntou os trocados, surtiu de tudo um pouco e fez-se simpático pros fregueses. Sábado e domingo, os de feira livre, ele apurava mais que o previsto: dedinho na balança, conta de troco com um-pra-eu-um-pra-tu-um-pra-eu, moedas miúdas de menos, enfim, prosperou. Ô seu Tomé, posso deixar a sacola aqui pra pegar depois da feira? Pode, sim, podexá. Seu Tomé, posso deixar a peixeira pra volta? Pode, sim. Seu Tomé, vou deixar essa roupa aqui, quando eu voltar eu pego, viu? Podexá. E assim foi, guardava de tudo: documentos, carteiras, escrituras de casa, até dinheiro graúdo por causa da violência. No começo, não cobrava nada. Depois, começou a estipular uma taxa de armazenagem, coisa de centavo, depois pra 10, 20 ou 50, e o povo na maior confiança. Ele emprestava dinheiro, fazia compras encomendadas do que se precisasse, agendava consultas médicas, fazia de tudo, no final do mês, o povo honesto pagava no pedido dele. Entrava ano e saía ano, Tomé progredia, já proprietário de casas, salas e apartamentos, veículos de todo tipo, roupas pra toda ocasião, acessórios agrícolas, ferramentas e o escambau; bastava encomendar, mandava buscar e no final do mês a cobrança, tudo preto no branco. Foi passando o tempo e ele foi se esquecendo de alguns guardados de anos, confundindo-se por seu o que não era, e metendo-se a negociar pra si o que era dos outros. Ah, isso já era de tempo, a culpa diminuída dia após dia. Aí depois de anos, um dos fregueses chegou requerendo da escritura que ele guardara. Que escritura? A da minha casa lá em Ribigudo! Deixe-me ver, ah, olhe aqui: tenho escritura de meio mundo de gente e de muitos lugares, mas não tenho nenhuma de Ribigudo, meu amigo. Mas eu deixei com o senhor faz uns 12 anos! Meu amigo, aqui tem escritura de mais de 20 anos, se a sua estivesse comigo, estaria aqui. Eu lhe dei algum recibo? Não. Então, deixou não. E os dois aborrecidos, se estranharam e exaltados, xingamentos mútuos e, cada qual, nos seus direitos. Ficou por isso mesmo. Tomé sozinho: menos um. Amealhou fortuna da muita assim, homem de posses que nem sabia. Quando menos esperava, o povo na porta reclamando seus pertences. Passou a usar revólveres nos quartos, dois, um pra cada mão, nas cartucheiras dos quadris. Dava um tiro pra cima, todos corriam. A polícia encostava, ele deitava a lábia, ajeitava tudo. Nem, nem. De tão jeitoso, já era amigo do delegado, do Juiz de Direito, do Promotor de Justiça, do Prefeito, as autoridades todas no papo. Ninguém ousava macular a ilibada conduta do seu Tomé, homem probo daquele, jamais poderia ser denunciado por nada, um exemplar cristão da missa domingueira, presente em todos os eventos da sociedade abastada, amigo do bispo, do grão mestre maçom, membro benfeitor do Rotary e do Lions, sujeito articuladíssimo que não esperava o enterro voltar, prevenia-se como podia com agrados, servidor que só, a ponto de ser indicado umas trocentas vezes para vereança, da qual ele se eximia orgulhosamente: Não, faço favor por bondade mesmo, nada de politicagem pra minha banda. Se aceitasse, seria o fim da picada: servia tanto a um lado como a outro, não era besta, quem ganhasse ele estaria lá, isso era muito melhor que se sujeitar à esculhambação pública e ganhar a antipatia popular com apenas um mandato. Sabido e estibado, assim foi e é até hoje, só comendo arroiado na mão da Vitalina, essa sim, todo dia e o dia todo, com quem ele paga direitinho os seus pecados. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violinista alemão radicado no Brasil, Erich Lehninger: Sonata Brahms, Sonata Leopoldo Miguez & Trio para piano, violino e cello de Marlos Nobre; da cellista e maestrina sul-coreana Han-Na Chang: Concerto Haydn, Variations Tchaikovsky & Symphonie 5 de Tchaikovsky; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Qualquer que seja sua evolução para uma maior semelhança, o homem e a mulher distingue-se fundamentalmente por seu aparelho sexual. A natureza os fez de tal forma que se completam e não se confundem. [...] Dizer que Um é o Outro não significa aqui que Um é o mesmo que Outro, mas que Um participa do Outro e que eles são, ao mesmo tempo, semelhantes e dessemelhantes. [...]. Trecho extraído da obra Um é o outro (Nova Fronteira, 1986), da filósofa, historiadora e escritora francesa Elisabeth Bandinter.

EDUCAÇÃO - [...] Educar é transmitir ideias, conhecimentos que através de uma prática podem transformar ou conservar a realidade. A educação, portanto, é mediação entre teoria e prática. [...] A educação na sociedade capitalista tem a escola como um dos instrumentos de sua dominação, cujo papel é o de reproduzir a sociedade burguesa, através da inculcação da sua ideologia e do credenciamento, que permite a hierarquia na produção, o que garante maior controle do processo pela classe dominante. [...]. Extraído da obra Ideologia no livro didático (Cortez/Autores Associados, 1991), da professora e pedagoga Ana Lucia Goulart Faria. Veja mais aqui.

COLOPHON – [...] Pronto. O que terá acontecido com Roberto? Não sei, e acredito que ninguém jamais poderá saber. Como extrair um romance de uma história tão romanesca, se não se conhece o final, ou melhor, o verdadeiro início? A menos que a históra a ser contada não seja a de Roberto, mas a de seus papéis – embora tenhamos de caminhar aqui por conjecturas. [...] Eu não saberia sequer imaginar através de que última peripécia as cartas tenham chegado a quem deveria entregá-las a mim, tirando-as de uma miscelânea de outros desenxabidos e rabiscados manuscritos. [...]. Trechos extraídos da obra A ilha do dia anterior (Record, 1995), do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016). Veja mais aqui.

DOIS POEMAS - BELEZA E VERDADE: Morri pela beleza, mas apenas estava / Acomodada em meu túmulo, / Alguém que morrera pela verdade, / Era depositado no carneiro próximo. / Perguntou-me baixinho o que me matara. / – A beleza, respondi. / – A mim, a verdade, – é a mesma coisa, / Somos irmãos. / E assim, como parentes que uma noite se encontram, / Conversamos de jazigo a jazigo / Até que o musgo alcançou os nossos lábios / E cobriu os nossos nomes. À PORTA DE DEUS: Duas vezes perdi tudo / E foi debaixo da terra. / Duas vezes parei mendiga / À porta de Deus. / Duas vezes os anjos, descendo dos céus, / Reembolsaram-me de minhas provisões. / Ladrão, banqueiro, pai, / Estou pobre mais uma vez! Poemas da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE TERESA REICHLEN
A arte da bailarina estadunidense Teresa Reichlen.


O Festival Internacional Paraty em Foco (PEF) & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da xilogravura do gravador e ilustrador Ciro de Uiraúna.
Veja mais aqui.
&
As muitas das tantas de Tomé aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
Dos labirintos que brotam de si pra vida, a literatura de Gabriel García Marquez, o pensamento de Rui Canário & a arte de Jean-Léon Gérôme aqui.


terça-feira, janeiro 30, 2018

TAGORE, EMILY DICKINSON, MAFFESOLI, RUBEM ALVES, SILVA MELO, JOÃO BOSCO, NAHUI OLLIN, JÚLIA BOSCO & RAGÚ

VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA QUALQUER - Imagem: arte da pintora e poeta mexicana Nahui Ollin (Carmen Mondragón, 1893-1978). – A chuva esfria a manhã e eu desperto a pensar o sentido da vida humana diante do noticiário às voltas com o lucrativo e o útil, as variáveis econômicas e as decisões políticas. Ah, quantas manchetes, nada mais chato e a me deixar encolhido sob as cobertas. Cá comigo, coisas de quem joga bem a boca de forno e se valem pergíveis pela praticidade do toma lá dá cá, jogos de contas, logro e usura, malogro e embustes, nada mais, círculo visioso de ideias mortas no tempo, como força de lei e não me dizem mais nada, repetições a abusar da tolerância. Tudo é muito frio, meu coração inquieto, é domingo. Ouço o choro das águas já pela tarde chuvosa de janeiro, enquanto vozes e pés molhados pela rua ecoam a fita batida, do ouvido pra língua, a mesma ladainha duma saparia. Ah, não, já passou e ninguém se deu conta, pleno agora com efeito no passado mais remoto, não pode ser, não dá mais. É como se me dissesse do futuro agora e fosse um dialeto a significar saudade de ontem, como aquela paixão arrebatadora da adolescência tida por perene, como aquela idolatria por demais abjurada, ou aquela moda extravagante que ficou bufenta, aqueles arroubos que viraram arrependimento, aquela euforia nas fotos desbotadas, aquele prazer de ápice nem lembrável. Anoitece e revejo a estrela da manhã que mergulhou nas profundezas do mar e ressuscita agora a me dá a sensação de que é outra, sendo ela a mesma que vi quase cedo, eu reconheço e fico feliz na minha solidão. Isso ocorre enquanto contratos celebrados são implantados atravessando o tempo na compensação dos créditos para girar a roda da fortuna, dos valores e papéis, dos ganhos e especulações, e eu aqui a recolher do mel esborrado da abelha tão saboroso pro gosto, do leite que jorra do seio materno e compartilhado pra quem dele necessita, e sou taça cheia que se esvazia e torna a encher e secar, enchida e esvaziada tantas e muitas vezes com minha sede e fome. Não entendo mais nada das calculadoras nas estratégias das fortunas, títulos e rubricas que vão daqui para ali do enriquecimento, a festa da acumulação e do consumo, porque sou um tolo no exercício da loucura pelas encruzilhadas do desconhecido a provar o absurdo do mundo, como quem encontra a sabedoria perdida de brincar com o que não existe. Sou sem gravata, o cinto frouxo segura as calças nas camisas folgadas e me dou o prazer de sonhar por ideias muitas, até as desconexas, a hora da vez senão agora, outra ao desencarnar para reencarnar porque a vida é outra do nada, enquanto eu danço e a deusa comigo no salto para o vazio, a ousadia de sonhar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, violonista e compositor João Bosco: Obrigado, gente! & Galos de Briga; a cantora e compositora Júlia Bosco: Dance com o inimigo, Pra gozar & Acredite no amor; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAÉ preciso criar um laboratório de ideias focado no imaginário e uma audácia de pensamento para preencher, aos poucos, o fosso que existe entre os que têm a responsabilidade de agir sobre a sociedade e aqueles que simplesmente a vivem. Pensamento do sociólogo francês Michel Maffesoli. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: O segredo maior da vida, do sucesso, da felicidade, está no indivíduo atuar, viver, agir de acordo com as tendências íntimas do seu ser, de executar a tarefa para a qual tem verdadeira vocação. Pensamento do ensaísta, médico e professor Antônio da Silva Melo (1886- 1973).

A ALEGRIA DE ENSINAR – [...] a alegria de ser professor, pois o sofrimento de se ser um professor é semelhante ao sofrimento das dores do parto: a mãe o aceita e logo dele se esquece, pela alegria de dar à luz um filho. [...] Os técnicos em educação desenvolveram métodos de avaliar a aprendizagem e, a partir dos seus resultados, classificam os alunos. Mas ninguém jamais pensou avaliar a alegria dos estudantes – mesmo porque não há métodos objetivos para tal. Porqie a alegria é uma condição interior, uma experiência de riqueza e de liberdade de pensamentos e sentimentos. [...] A verdade se encontra no avesso das coisas [...]. O absurdo é o avesso do mundo. [...]. aquilo por que nossas crianças e jovens são forçados a passar, em nome da educação, me horroriza. [...] As crianças são ensinadas. Aprendem bem. Tão bem que se tornam incapazes de pensar coisas diferentes. Tornam-se incapazes de dizer o diferente. Se existe uma forma certa de pensar as coisas e de fazer as coisas, por que se dar ao trabalho de se meter por caminhos não-explorados? Basta repetir aquilo que a tradição sedimentou e que a escola ensinou. O saber sedimentado nos poupa dos riscos da aventura de pensar. [...] É como nos catecismos religiosos: o mestre diz qual é a perguntar e qual é a resposta certa. O aluno é aprovado quando repete a resposta que o professor ensinou. Pois não é isto que são os vestibulares? Ao final existe o gabarito: o conjunto de respostas certas. Claro que há respostas certas e erradas. O equivoco está em se ensinar ao aluno que é disto que a ciência, o saber, a vida, são feitos. E, com isto, ao aprender as respostas certas, os alunos desaprendem a arte de se aventurar e de errar, sem saber que, para uma resposta certa, milhares de tentativas erradas devem ser feitas. Espero que haverá um dia em que os alunos serão avaliados também pela ousadia de seus voos! [...] Acho que a educação frequentemente cria antas: pessoas que não se atrevem a sair das trilhas aprendidas por medo da onça. [...]. Feitiço é quando uma palavra entra no corpo e o transforma. [...]. Educação é isto: o processo pelo qual os nossos corpos vão ficando iguas às palavras que nos ensinam. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim. [...] Meu corpo é um corpo enfeitiçado: porque o meu corpo aprendeu as palavras que lhe foram ditas, ele se esqueceu de outras que, agora permanecem mal... ditas... [...]. A gente fica poeta quando olha para uma coisa e vê outra. É isto que tem o nome de metáfora. [...] E a sociedade não tolera a inutilidade. Tudo tem de ser transformado em lucro. [...] Todas estão transformadas numa pasta homogênea. Estão preparadas para se tornar socialmente úteis. [...] Pois formatura é isto: quando todos ficam iguais, moldados pela mesmo fôrma. Hoje, quando escrevo, os jovens estão indo para os vestibulares. O moedor foi ligado. Dentro de alguns anos estarão formados. Serão profissionais. E o que é um profissional se não um corpo que sonhava e que foi transformado em ferramenta? As ferramentas são úteis. Necessárias. Mas – que pena – não sabem sonhar... [...]. O corpo é o lugar fantástico onde mora, adormecido, um universo inteiro. Como na terra moram adormecidos os campos e suas mil formas de beleza, e também as monótonas e previsíveis monoculturas; como na lagarta mora adormecida uma borboleta [...] Tudo adormecido... O que vai acordar é aquilo que a Palavra vai chamar. As Palavras são entidades mágica, potências feiticeiras, poderes brucos que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. Nossos corpos são feitos de palavras... [...]. A este processo mágico pelo qual a Palavra desperta os mundos adormecidos se dá o nome de educação. [...]. Pensar é voar. Voar com o pensamento é sonhar. [...] Por isto que os adultos práticos e sérios não gostam de brincar. [...] Porque o brinquedo, sem produzir qualquer utilidade, produz alegria. Felicidade é brincar. E sabem por quê? Porque no brinquedo nos encontramos com aquilo que amamos. No brinquedo o corpo faz amor com objetos do seu desejo. [...]. As professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas danças sobre a tela. Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres de ideias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. [...] É com as ideias que o mundo é feito. [...]. Trechos extraídos da obra A alegria de ensinar (Ars Poética,1994), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui, aqui e aqui.

DOIS AMORES E UM RIO - [...] E quando chegou o momento de cortejar a jovem esposa com palavras bonitas, de pôr a coisa em prática, Ramesh descobriu um tanto assustado que os compêndios de Direito nada lhe haviam ensinado a esse respeito. Mas acabou tudo dando certo, como manda o figurino, e Ramesh aprendeu uma lição: erudição é uma coisa, e amar e fazer amor outra bem distinta, e nem sempre as duas combinam. E depois, quem neste mundo resistiria, fosse ele bacharel em direito ou não, a uma criaturinha tão cheia de graça, tão cativante e charmosa como Susila? [...] Como o pintor que engasta no fundo do coração a imagem da bem-amada, como o poeta que canta em versos unicamente a mulher que adora (e ambos empregam todo o seu talento e toda a sua devoção nessa obra) assim se sentia Ramesh. Só faltava mandar construir um altar e ai colocar sua jovem e graciosa companheira, que passar a ser a única razão de sua existência, a doce alegria do seu coração e prosperidade do seu lar. [...]. Trechos extraídos da obra Dois amores e um rio: o naufrágio (Mundo Inteiro, 1975), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941). Veja mais aqui.

DOIS POEMASA ALMA ESCOLHE A PROPRIA COMPANHIA: Sempre a alma escolhe a companhia / e fecha a porta / pois a divina maioria / não mais lhe importa. / Imóvel, de sege a parelha / ao portão baixo / imóvel e o imperador se ajoelja / sobre o capacho. / Sei que escolheu na Legião / entre a qual medra / fechou a valva da atenção / como uma pedra. TOMEI A FUNDA NA MÃO: Tomei a funda na mão / parti contra mundo e gente, / Davi mais armado – eu não - / eu duas vezes valente. / Lancei a pedra – caí. / Foi tudo o que aconteceu. / Seria maior Davi / ou muito menor sou eu? Poemas da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui.

RAGÚ
Capas das edições da revista pernambuca de HQ, Ragú, editada por Christiano Mascaro e João Lin. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Os dois mundos de quem vive de um lado só, a arte de Angelo Agostini, a música de Juliette Herlin, a arte de Hannah Wilke, a pintura de Fernando Botero & Nik Helbig aqui.
A mulher na Idade Média, a música de Johann Joachim Quantz & Verena Fischer, a literatura de Naoki Higashida & Teolinda Gersão, Fritz Lang, a pintura de Georges Rouault & Siron Franco, Marie Dumesnil, Anne Baxter, Benita Prieto, Maisa Vibancos, A mulher & a escravidão aqui.
Mahatma Gandhi, Michelangelo Antonioni & Vanessa Redgrave, Educação, Carlos Zéfiro, Phil Collins & Genesis, Jennifer R. Hale & Maria Luísa Mendonça aqui.
Marquinhos Cabral & Poetas do Brasil aqui.
Lev Vigotsky, Jean Piaget, Ausubel & Skinner aqui.
Responsabilidade ambiental aqui.
Teibei, a batida aqui.
Decameron, João Albrecht & Jiddu Saldanha aqui.
Riacho Salgadinho & a arte de Eliezer Setton, Zé Barros, Naldinho, Wilson Miranda & WebRadio Maceió aqui.
Hermilo Borba Filho & Sonia Van Dijck, Teoria da Literatura, Solange Palatinik, Constituição, Psicologia, Dialogicidade & Representações sociais aqui.
Nietzsche e a música, As raízes árabes na tradição poético-musical do sertão nordestino, História da Música de Otto Maria Carpeaux, O carnaval carioca através da música & a História da Música Popular de José Ramos Tinhorão aqui.
A vontade & a arte de Amanda Garruth, Deborah Rosa, Luciana Soler, Bete Sá, Vanessa Morais & Cantora Sol aqui.
O teatro de Augusto Boal aqui.
Poetas do Brasil: Carlos Gildemar Pontes, Sandra Fayad, Paulo Profeta, Gisele Lemos/Diana Balis, Luís Inácio Araújo, Helena Cristina Buarque & Rita Shimada Coelho aqui.
Afetividade & a arte de Lília Diniz, Lucinha Guerra, Thathi, Ezra Mattivi, Jualiana Sinimbu & Anna Ratto aqui.
Quadrinhos, a nona arte aqui.
O catecismo de Carlos Zéfiro aqui.
Doutor Zé Gulu aqui, aqui e aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora e poeta mexicana Nahui Ollin (Carmen Mondragón, 1893-1978).
Veja mais aqui.
 

terça-feira, dezembro 05, 2017

EMILY DICKINSON, HANNAH ARENDT, BIOY CASARES, GISMONTI, JURANDIR FREIRE, DAMRAU , MARGARET CHO, JIN SHANGYI, ESCOLA ELISEU & TACAIMBÓ

MARAVILHA DE VIVER - Imagem: arte do educador e pintor chinês Jin Shangyi. - No meio da noite os pensamentos passam e rolam por aí, a esmo e sem paradeiro certo, pra cima e pra baixo, alguns me assaltam e me escondo no paradoxo: sou o que sou e o contrário, sou livre à vida convcrsável. Tenho pra mim o plural e o amplo para ser melhor que sou no exercício da mútuua piedade. Não julgo, sou pra conversa e conversão: compreender o princípio de vida. Sou-me inteiro na solidariedade humana e a todo ser vivente: diálogo fácil com bichos, plantas, invenções. Tenho comigo que posso mais do que sou, isso eu sei, ação pra quem anda solitário com tudo e todas as coisas. Em silêncio, sozinho vou além das aparências, sei que tudo se manifesta em mais de zis maneiras no grande esquema das coisas e seres. Cogitações, encaro incompreensões – nenhum gênero me é estranho; as ilusões passeiam, não presumo nada. Sigo pela filosofia da vadiagem, poeta à solta: criança maravilhada a dar conta dos fieis do amor no privilégio da felicidade com a doação do amor. E se é noite, tanto faz se dia, o que importa é a maravilha de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, arranjador, cantor & multinstrumentista Egberto Gismonti, ao vivo no Montreal Jazz Festival & a soprano dramática alemã Diana Damrau interpretando Mozart: Die Zauberflöte. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui,  aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os direitos do homem, afinal, haviam sido definidos como inalienáveis porque se supunha serem independntes de todos os governos: mas sucedia que, no momento em que seres humanos deixavam de ter um governo próprio, não restava nenhuma autoridade para protegê-los e nenhuma instituição disposta a garanti-los. [...]. Trecho extraído da obra As Origens do Totalitarismo (Companhia das Letras, 1989), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975), no qual analisa e descreve os principais movimentos totalitários do século XXm o nazismo e o stalinismo, tratando sobre o anti-semitismo e a sociedade, o caso Dreyfus, o imperialismo, a emancipação política da burguesia, raça e burocracia, os direitos humanos, a sociedade sem classes, o totalitarismo no poder, ideologia e terror, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

TACAIMBÓ – O município de Tacaimbó é composto administrativamente dos distritos sede e Riacho Fechado. A sua povoação teve início com o surgimento do lugarejo denominado de Curralinho, onde identificada como sendo a Rua Velha. Alguns anos depois, foi construída a estrada de ferro da antiga Great-Western, cuja inauguração se verificou em, 25 de dezembro de 1896, tendo o povoado recebido o nome de Antônio Olinto, em homenagem ao engenheiro mineiro, que construi a estação. A população passou então, a se concentrar mais à margem esquerda do Rio Ipojuca, onde se localiza a estrada de ferro. Assim, o primeiro nome deste município foi Antônio Olinto, passando depois, para Tacaimbó. Esta mudança se deve ao fato já existir no Estado de Minas Gerais, outro município com este mesmo nome. O seu nome é de origem indígena, tendo existido uma tribo com este nome, na Fazenda Itacaité, passando este nome, a vigorar no ano de 1945. A criação desta denominação deve-se ao historiador Mário Melo. Veja mais aqui.

NOVAMENTE O AMOR HOJE - [...] apesar do enorme prestígio cultural, o amor deixou de ser um puro momento de encanto para se tornar uma corvéia. Quando é bom não dua e quando dura não entusiasma. [...]. Na prática, muitos começam a se convencer que “amar é sofrer” e quem não quiser sofrer deve desistir de amar. Realizar o amor sonhado tornou-se um desafio ou uma massacrante o obsessão. Cada dia mais, os deserdados da paixão buscam a cura para seus males. Uma descomunal máquina de reparar amores infelizes foi posta em marcha e, pouco a pouco, cresce o número dos que gravitam em torno dela: clientes, funcionários, proprietários, gestores, ideólogos, “garotos/garotas-propaganda” e assim por diante. Desde as lições de vida oferecidas pelas personagens de telenovelas, passando por conselhos paternos/maternos e opiniões savantes de psicanalistas, psicólogos cognitivistas, behavioristas, psicofarmacologistas, neurocientistas, religiosos, cartomantes, astrólogos e centenas de outros peritos, tudo e todos parecem querer resolver um “problema” cada vez mais rebelde ao adestramento. [...]. Para isso, entretanto, é preciso mostrar que nossas convicções amorosas podem ser aperfeiçoadas, qualquer que seja o sentido que venhamos dar ao termo perfectibilidade. [...]. Trechos extraídos da obra Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico (Rocco, 1998), Veja mais aqui e aqui.

DIÁRIO DA GUERRA DO PORCO – [...] Pela primeira vez entrava no quarto de Nestor. Olhou vagamente os retratos de pessoas desconhecidas e pensou: “A intimidade que deixamos de lado não impediu que fôssemos amigos. [...] Hoje todo mundo é intimo, amigo, ninguém. [...], Trechos extraídos da obra Diário da guerra do porco (Expressão e Cultura, 1972), do escritor argentino Adolfo Bioy Casares (1914-1999). Veja mais aqui.

ONE SISTER HAVE I IN OUR HOUSE - Tenho uma irmã em casa, / e outra, além da cerca, / Só uma term certidão, / mas as duas são minhas./ Uma é da mesma estrada / - e usa os meus roupões - / a outra fez um ninho / pros nossos corações. / É ave de outro canto - / é outro o seu refrão - / toca para si mesma, / abelha de verão. / Brincamos na montanha - / como se fosse a infância - / pego na mão dela - / isso encurta a distância. / E ainda o seu zumbido, / nesses anos todos, / engana a Borboleta; / ainda no seu Olho / vive a violeta - / molda maios e maios - / Derramei o orvalo - / mas salvei a manhã - / escolhi a estrela cadente / no infinito da noite - / Susan – eternamente! Poema da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE MARGARET CHO
A arte da premiada comediante, atriz, escritora, produtora e designer de moda estadunidense Margaret Cho, famosa por sua rotina de stand-up, através da qual ela critica política e problemas sociais, especialmente os referentes a raça, sexualidade e sexo, e por seus esforços humanitários em nome das mulheres, transexuais da comunidade, os asiáticos e a comunidade LGBT.

Veja mais:

PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS & CULTURAIS DE PALMARES
Documentário desenvolvidos pelo Ensino Médio Inovador da Escola Eliseu Pereira de Melo, envolvendo professores e alunos no projeto. Veja aqui. E mais 
aqui, aqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do educador e pintor chinês Jin Shangyi.
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segunda-feira, agosto 08, 2016

DICKINSON, MORIN, BERGMAN, FOLADORI, VASZARY & REINERS

TUDO ACONTECE NO ERMO DAS RUAS - Passos a esmo, eu só queria um copo d’água. A cabeça aos muros e a rua não é mais conversas ensolaradas, são sombrias até ao meio dia. Um deserto de pedras, nenhuma alma viva nas esquinas abandonadas. A vida invisível nos prédios imponentes, repartições, embaixo das pontes e viadutos, a chuva esfriando ânimos para mudez. Tudo jogado fora, o que se ergue ou o que desaba. Tudo voltado para si e vivendo a cidade inconscientemente, a memória jogada no lixo com o legado de nada. Nada se sabe, apenas nomes dos lugares dos compromissos, negócios ou lucros com suas grifes pros cifrões na elegância dos trajes. Eu voo olhar aguçado imigrante da vida nas pegadas da areia do tempo, nenhum rastro, menor resquício, as múltiplas faces do vazio. E eu me comovo com os gritos do silêncio: meus desfalques, tudo desabitado, parece cidade fantasma com todas as mudanças desconexas e bruscas: o que se constrói hoje, o que se destrói amanhã. Ninguém por aqui e eu aos saltos mortais pela violência dispersa, o medo religioso secular, as angustiantes tensões: olhos arregalados com as demolições, meu álbum de recordação com tudo desordenado, descolorido, desbotado. Atrevo-me aceno com secura na garganta aos reverentes ou refratários na perecibilidade de tudo, fugacidade de todos. Nada me daria maior apreço que saber-me solidário à rua a todos os acenos miúdos, desconfiados ou esfuziantes. Sozinho, levo a vida no quarador e eu apenas um sorriso para quem de onde vier na minha paisagem inventada, que sou eu quando choro de saudades ou de remorsos. Nunca fui, agora sou. Tentei de tudo e falhei; não fui capaz de ser minha própria luz, esforços em vão. E fiquei sem poder ir a lugar algum, descumprida missão: o preço do fracasso. Não terminei a obra e nem sei por onde recomeçar, muito menos o que fazer. Procuro não sofrer no rol dos erros, inútil me desvencilhar. Pago o pato e valho-me dos solidários fantasmas que rondam meus dias e noites enormes. O que sinto ou falo não tem destinatário, muito menos interlocutor, sou-me patético e beiro a insanidade entre sombras ocultas no que sou de vivo com todos os meus disfarces e solilóquios. Julgo haver incongruências esquisitas nos aterradores contornos dramáticos redutores da vida à minha dicção desolada ao longo de uma vintena de anos enclausurada em meus sonhos entre jogos de espelhos. Nunca tivera mais que o meu riso franco, sou-me do que tenho e nada mais além de mim mesmo na fartura dos acontecimentos momentâneos. Se louvo a vida, apouco a morte que cresce em dimensão. Antes fosse triste o meu olhar à flor do jardim: um salva-vida pro amor longínquo e ansiado. E olho o presente tão próximo e por todo lado, só peço que não seja insensível à dor alheia nesse reino das pedras onde tudo é controlado por uma absurda quantidade de leis inócuas que sequer reconhece cada parte do litígio. Vou pelo ermo das ruas e só queria um copo d’água, uma mão amiga, um olhar alheio no triz de simples momentos da vida, a aventura da ingenuidade em professar amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Curtindo a coleção de CDs e livros - 8 volumes- A Música Brasileira deste século por seus autores e intérpretes (Sesc São Paulo/Fundação Padre Anchieta, 2000), produzida por João Carlos Botteselli com material recolhido dos programas MPB Especial e Ensaio, criados e dirigidos pelo produtor Fernando Faro.

PESQUISA:
A história do mundo e do pensamento ocidental foi comandada por um paradigma de disjunção, de separação. Separou-se o espírito da matéria, a filosofia da ciência; separou-se o conhecimento particular que vem da literatura e da música do conhecimento que vem da pesquisa científica. Separam-se as disciplinas, as ciências, as técnicas. Separou-se o sujeito do conhecimento do objeto do conhecimento. Assim, vivemos num mundo em que é cada vez mais difícil estabelecer ligações [...] nossa educação nos ensinou a separar e a isolar as coisas. Separamos os objetos de seus contextos, separamos a realidade em disciplinas compartimentadas umas das outras. Mas, como a realidade é feita de laços e interações, nosso conhecimento é incapaz de perceber o complexus – o tecido que junta o todo.
Trecho extraído da obra Complexidade e ética da solidariedade (Sulina, 1997), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA
O Sucesso é mais doce / A quem nunca sucede./ A compreensão do néctar / Requer severa sede. / Ninguém da Hoste ignara / Que hoje desfila em Glória / pode entender a clara / Derrota da Vitória. / Como esse — moribundo — /Em cujo ouvido o escasso / Eco oco do triunfo / Passa como um fracasso!
Poema extraído do livro Alguns poemas (Iluminuras, 2006), da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: FATORES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As análises e propostas da problemática ambiental podem ser reduzidas a depredação dos recursos naturais; poluição por causa dos resíduos; população excedente/pobreza [...] quaisquer desses três aspectos estão fora do processo econômico propriamente dito.
Trecho extraído da obra Los limites del desarrollo sustentable (Revista Trabajo y Capital, 1999), do antropólogo uruguaio PhD em Economia, Guillermo Foladori.

IMAGEM DO DIA
Cartaz e cena do filme O sétimo selo (Det sjunde inseglet, 1956), escrito e dirigido pelo dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre Desnorteio, Pablo Picasso, Mauro Mota, As máscaras de Deus, Robert Siodmak, Orquestra Contempoânea de Olinda, Janos Vaszary, Através do Espelho, Irene Ravache, Ella Raines & La Liseuse de Grundworth aqui.

DESTAQUE
A arte do ilustrador Félix Reiners.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e artista gráfico húngaro János Vaszary (1867-1939).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...