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quarta-feira, maio 15, 2019

EMILY DICKINSON, LIA ROBATTO, DAVID TAVARES BARBOSA, A PEIXA DO AÇUDE, CUPIDO & PSIQUÊ


A PEIXA DO AÇUDE – Era o maior açudão, meu! Num diga! Tinha até uma peixa! Como é que é? Era. No começo tinha só uns três arruados com uma capela mirochinha no meio pros fieis domingueiros. Dava muito peixe dos bons, não tinha como passar fome. Na fartura, havia até festa com roda-gigante, barracas de fogos e serviço de som. Areia branca à beira d’água, as roupas estendidas no varal, os peixinhos, o alagadiço, um paraíso. Foi o pescador Tonésio quem viu-la pela primeira vez, nem acreditou da maravilha ali boiando. Fechou olhos e ao abri-los, ela desaparecera. Só vista depois, no pôr do sol, uma festa pros curiosos que engrossavam a fila arrodiando o espetáculo. Dela Tonésio se afeiçoou de não sair mais da jangada, até dar um timbungue e nunca mais dar as caras por essas bandas. Que coisa! Ah, os meninos que viram e os moradores antigos dizem que foi mesmo, só ele pescava do muito, ela não deixava entrar ninguém com rede de arrasto, afundava quem se atrevesse, só pesca de vara e, ao que parece, com ela se casou para sempre. Falavam que ela tinha os olhos de verão, um prateado na pele lisa, e Tonésio quando vinha tomar umas e outras, pabulava que lá no fundo era como se tivesse no céu cheio de estrelas e nadar com ela era como voar sobre abismos. Tinha até um jacaré que guardava o reinado dela, isso todos viram. Com o sumiço dele, correu o boato de que tinha uma botija escondida, com muitos tesouros guardados lá fundo. Além do mais, de 5 em 5 anos, a invernada botava o rio para transbordar. Foi aparecendo gente, o bairro crescendo, o fuxico, os do disse-me-disse aumentavam na pacutia. Arengas e estranhamentos, queriam tirar o negócio a limpo: Vem ou não vem? Oxe, não deu outra, veio uma tropa do prefeito com escafandro e tudo, vasculharam mais de 50 metros de fundura, dizem. Maior remoeta: De hoje não passa! E o jacará? Ah, foi atraiçoado, repartido e venderam a carne e o couro na feira. Nada de botija? As buscas só pararam depois que uns dois mergulhadores morreram enganchado num redemoinho brabo que dava lá embaixo. Mesmo? Por conta disso, se arretaram e tudo ficou para trás, chega dava pena. O que fizeram? Ah, começaram a dizer que o açude estava podre, doença incurável, essas coisas, nem jacaré, nem peixe dava mais. Findou no aterro e enterro do açude, mais de mil casas em cima, gente até de um olho só. Lotearam, tudo vendido caro que só. Danou-se! Era uma vez. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] as ações contemporâneas [...] revelam profundas conexões entre os aspectos culturais da cidade, as estratégias de comunicação de seus atores e a variável política, pois nestas estratégias destacam-se ações que atuam na cidade visando tornar hegemônica determinadas leituras de apropriação dos espaços, domesticando os usos destes e promovendo a reprodução esperada dos traços culturais do éthos do lugar. [...] Tal aproximação entre classes é favorecida através da “retórica da paisagem” “recolhida” dos artísticos e culturais da cidade, capazes de construir elos efetivos que aproximam os diferentes grupos sociais da cidade numa retórica de confluência dos espaços públicos. [...]
Trechos extraídos de Pontes imaginárias sob o céu do manguetown: influências do Mangue Beach sobre as políticas públicas no entorno do Rio Capibaribe – uma análise do circuito da Poesia e do Carnaval Multicultural (EdUFPE, 2012), do geógrafo doutorando pela UFRJ, David Tavares Barbosa, pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Espaço, Cultura e Política da UFPE e ao Grupo de Pesquisas sobre Política e Território da UFRJ. Veja mais aqui.

CUPIDO E PSIQUÊ
Imagem: Cupid and Psiche, do escultor, pintor, desenhista, antiquário e arquiteto Antonio Canova (1757-1822).
Antigamente, vivia na Grécia um rei que tinha três filhas. Psique, a mais nova de todas, era de formosura rara. Quando passava pelas ruas, todos a cobriam de flores. Chegada a ocasião de se casar, o rei recebeu um misterioso aviso: que a levasse para uma montanha selvagem e a deixasse lá. “Oh!”, pensou o povo. “A nossa querida Psiquê vai ser sacrificada!”. E assim era, com efeito. O povo tinha dito que Psiquê era mais formosa que a própria Vênis, e esta, que era a deusa da beleza, quando isto ouvia, ficava irritadíssima. Tinha Vênus um filho chamado Cupido, e ordenou-lhe que casasse Psiquê com o homem mais feio da terra. [...] Em meio da obscuridade da noite alguém foi dizer palavras ternas ao ouvido de Psiquê e ela ficou tão encantada que consentiu logo em ser esposa daquele que assim lhe falava. Então, ele lhe disse: - “Psiquê, podes viver como mais te agradar neste palácio que construí para ti. Só uma condição te imponho? Que não queiras ver o meu rosto”. [...] Certa ocasião, um vento mágico levou-lhe lá as irmãs. Esta visita causou-lhe grande desgosto, pois, disseram-lhe que, por ordem de Vênus, Cupido a tinha casado com um monstro. E acrescentaram: - “Por isto é que ele não quer que lhe vejas o rosto”. [...]. Na noite seguinte Psiquê acendeu uma lâmpada e enquanto o companheiro dormia, foi ver-lhe o rosto. Era Cupido, o espírito alado e radiante do amor. Na sua alegria, levantou ela tão alto a lâmpada que deixou cair uma gota de azeite quente que o despertou. – “Ah, Psiquê!”, exclamou. “Temos que nos separar. Agora saberá minha mãe que eu me apaixonei por ti e me casei contigo em vez de te casar com um monstro. Adeus!”. E espalmando as asas, voou e fugiu. [...] A pobre caiu sobre a erva; mas Cupido, que a tinha seguido, foi em seu auxilio e, dissipando os vapores do rosto da jovem tomou-a nos braços, e, batendo as asas, levou-a para a Terra da Imortalidade. E ali viveram juntos e sempre felizes.
Trechos de A filha do rei da montanha – a lenda de Cupido e Psiquê, extraído da coleção Tesouro da juventude – reunião de conhecimentos essenciais, oferecidos em forma adequada ao proveito e entretenimento das crianças e adolescentes (W.M.Jackson, 1963). Psiquê é a divindade que personifica a alma e seu mito sobrevivo na história latina O asno de ouro, de Apuleio. Trata-se de uma bela jovem entre irmãs. Todas as suas irmãs se casam, menos ela que era admirada por todos, provocando, inclusive, inveja na deusa Afrodite. A deusa vingativa impõe ao seu filho Eros uma maldição para ela, mas ao tentar executá-la, por ela se apaixona. E com ela casou-se sob a condição dela jamais vê-lo. Feliz, ela convida as irmãs para visitá-la e, ao se encantarem, insinuaram que ela estava casada com o monstro anunciado pelo oráculo. Depois de irem embora, Psiquê se arma de uma vela acesa e um punhal, visualiza o seu marido e este, revoltado, vai embora para nunca mais. Chorosa lamentou, fez de tudo, até se ajoelhar aos pés da Deusa, que exigiu o cumprimento de 4 trabalhos impossíveis: recolher grãos espalhados, trazer a lã do velocino de ouro, buscar água da nascente do rio Estige e trazer a beleza de Perséfone. Ao cumprir as tarefas, ela tenta buscar um pouco da beleza de Pérsefone e se envolve no caos. Eros, por fim, socorre levando-a ao Olimpo, onde adquire a imortalidade para conviver com o deus. Ela é representada com asas de borboleta.Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O ensino de dança – por tratar-se de uma prática artística, através da percepção do potencial do próprio corpo e de suas implicações culturais e sensoriais, emotivas e conceituais –propõe um conhecimento não só objetivo, técnico, mas também significativo, a partir de uma educação sensível, que abrange aspectos subjetivos e, ao mesmo tempo, coletivos, criativos, reflexivos e críticos. [...] Quando o ensino de dança recorre à sensibilidade e à imaginação corporal do aluno, produzindo movimentos, formas e gestuais numa perspectiva emocional, sensível e intuitiva, em abordagens subjetivas promovendo a livre expressão de seus sentimentos e ideias, com qualidade técnica e valor estético, essa prática está atribuindo centralidade ao aprendiz, um dos princípios mais significativos da educação. [...].
Trechos extraídos da obra A dança como via privilegiada de educação: relato de uma experiência (EDUFBA, 2012), da coreógrafa, artista e educadora Lia Robatto, reunindo sua experiência ao defender “o ensino da dança como educação para a vida”, um volume dividido em duas partes e oito capítulos, a primeira trazendo considerações gerais que definem e contextualizam a arte da dança e o profissional da área, e a segunda dedicada ao relato da trajetória da autora no Projeto Axé e ao debate de uma nova experiência – a tentativa de fusão entre a dança contemporânea e a capoeira. Ela sempre se posicionou na defesa de que: “A dança se apresenta como uma das formas de expressão coletiva mais fortes, trata da alma, do espírito, da fantasia, da criatividade e do corpo. Ela trata do sujeito como um todo une seu corpo com o seu sentimento e suas sensações. No momento que você trabalha isso e elabora, você transforma o aluno, você faz com que tenha consciência de si mesmo, tenha confiança, se descubra e se auto revele”. Veja mais aqui & aqui.
&
A OBRA DE EMILY DICKINSON
A palavra morre no momento em que é proferida - dizem alguns. Eu digo que ela começa a viver naquele momento.
A obra da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

sábado, fevereiro 13, 2016

JACKIE KAY, RUBEM BRAGA, KARIN FOSSUM, VESTA & LÂMIA


AS DORES DE LÂMIA - Lâmia foi uma bela rainha da Líbia. Zeus encantou-se por ela e, com seus ardis, manteve um relacionamento amoroso. A paixão entre eles era intensa, mas não durou sem consequências. Hera, a esposa de Zeus, descobriu a infidelidade do marido e não poupou esforços para sua vingança. Movida pela raiva, a deusa lançou um castigo terrível: transformá-la em uma criatura monstruosa. Essa transformação era um modo de demonstrar o poder da deusa e a severidade de suas guerras contra as amantes de seu esposo. e decidiu puni-la severamente, com um castigo cruel: transformou-a em um monstro que nunca mais poderia dormir nem fechar os olhos. Por conta disso matou seus filhos e vivesse obcecada com a imagem dos filhos mortos. Na sua tragédia atormentada, quando bebia muito vinho, Lâmia tirava os olhos e os colocava num vaso junto dela, e então dormia, e não era de temer. De outras vezes errava noite e dia, sem dormir, e roubava crianças para comer. Lâmia é vista como simbolismo do medo primordial, uma entidade que encarna a perda, a solidão e o castigo. Essas representações tornaram-se comuns também em pinturas, esculturas e mesmo na literatura popular. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS

Não temos medo de morrer. Temos medo de sermos esquecidos. Sabemos que seremos esquecidos, e essa ideia é insuportável, não é? Com o passar do tempo, nos tornamos visitantes cada vez mais raros na mente daqueles que ficam para trás. Aqueles que arrumam a casa e dividem os pertences. Jogam fora o lixo. E esquecem. Se soubéssemos que todas as noites alguém acendesse uma vela e se sentasse para pensar em nós – pensasse em nós, mesmo que por apenas alguns segundos – então poderíamos partir deste mundo em paz. Ninguém acenderá uma vela para mim. Quem faria isso?... Pensamento da escritora norueguesa Karin Fossum.

 

O PAVÃO – Eu considerei a glória de um pavão, ostentando o esplendor, de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade. Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico. Extraída da obra Ai de Ti Copacabana! (Sabiá: 1969), do escritor e jornalista Rubem Braga. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

QUERIDA – Você pode esquecer o som exato da voz dela \ ou como seu rosto parecia quando dormia. \ Você pode esquecer o som de seu choro silencioso \ curvado na forma de uma meia-lua, \ quando menor do que ela, ela parecia já estar indo embora \ antes mesmo de ir, quando as flores estavam nas árvores \ e o sol estava brilhando, e tudo parecia bem no mundo. \ Eu segurei sua mão e cantei uma música de quando eu era uma menina - \ Heel y'ho boys, let her go boys - \ e quando parei de cantar ela tinha escapado, \ já uma menina escorregadia novamente, saltitando, \ seu coração leve, seu rosto quase sorrindo. \ E o que eu não sabia ou não podia dizer então \ era que ela não tinha realmente ido embora. \ Os mortos não vão até você ir, entes queridos. \ Os mortos ainda estão aqui segurando nossas mãos. Poema da poeta, dramaturga e escritora escocesa Jackie Kay (Jacqueline Margaret Kay).

 


DEUSA VESTA
– A deusa romana Vesta – deusa do fogo sagrado, da pira doméstica e a cidade, é correspondente à deusa Héstia dos gregos e à deusa Agni dos hindus, e seu culto possui uma comemoração, a do Festival da Parentália, ou de Diana – deusa da caça e dos bosques, celebrada no antigo Império Romano. Ela é representada segurnado uma pantera e um cetro no reverso de uma moeda. Ela foi cortejada por Apolo (Febo) e Netuno, rejeitando todas as propostas amorosas, sendo protegida sua virgindade por Júpiter. Ela foi engolida por Saturno e resgatada por Júpiter. Devido sua castidade, as sacerdotisas do seu culto são chamadas de Vestais, aquelas que permanecem vigiando o fogo sagrado dos templos: as virgens vestais.


FOCO – O livro Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso, do psicólogo ph.D., Daniel Goleman, trata de assuntos como a habilidade sutil, a anatomia da atenção, o valor de uma mente à deriva, encontrando o equilíbrio, autoconsciência, o leme interno, vendo a nós mesmos como os outros nos veem, uma receita para o autocontrole, lendo os outros, a mulher que sabia demais, a tríade da empatia, sensibilidade social, prática inteligente, cegueira sistêmica, ameaças distantes, cérebros em games, parceiros de respiração, o líder bem focado, liderando para o futuro distante, entre outros assuntos. REFERÊNCIAS: GOLEMAN, Daniel. Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014. Veja mais aqui.

OS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA – Para tratar acerca desta temática num trabalho acadêmico, faz-se necessário tratar inicialmente acerca do Sistema Tributário Nacional, sua fundamentação conceitual, natureza jurídica e classificação dos tributos, tratar acerca do direito tributário, as normas e princípios tributários, a obrigação tributária e os crimes contra a ordem tributaria, a legislação penal tributaria, os tipos penais e os ilícitos tributários. Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA & PESQUISA – O livro Psicologia e pesquisa: perspectivas metodológicas (Sulina, 2008), organizado por Helena Scarparo, trata de temas que refletem sobre pesquisa e produção do conhecimento, autonomia e uso do termo de consentimento em pesquisa, a pesquisa quantitativa e os delineamentos possíveis na questão da amostragem, introdução à analise multivariada de dados, dimensões psicossociais da entrevista, a utilização da metodologia dos grupos focais na pesquisa, fenomenologia e método fenomenológico, pesquisa histórica como ferramenta para conhecer a construção das ideias e as práticas em psicologia, análise de conteúdo na leitura e interpretação do discurso grupal, uso de programas de computador na analise qualitativa de dados (CAQDAS) e análise qualitativa usando programa QDA Miner como exemplo aplicado na pesquisa com análise documental de textos de protesto, entre outros assuntos. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Boi de fogo aqui.


E mais: 
Catarina Eufémia, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Peter Gabriel, Mena Suvari, Janne Eyre Melo, Vicente Caruso, Sandra Fayad & o Dia Mundial do Rádio aqui.
Poetas do Brasil, Gregório de Matos Guerra, Sheryl Crow, Dalinha Catunda, Yedda Gaspar Borges, Iracema Macedo, Fidélia Cassandra, Jade da Rocha, Psicodiagnóstico, Controle & Silêncio Administrativos aqui.
Eliete Cigarini, Abuso Sexual, Condicionamento Reflexo & Operante aqui.
Poetas do Brasil, Satyricon de Petrônio, Decameron de Boccaccio, Jorge de Lima, Laura Amélia Damous, Sandra Lustosa, Arriete Vilela, Sandra Magalhães Salgado, Celia Lamounier de Araújo & Simone Moura Mendes aqui.
Anna Pavlova, a Psicanálise de Freud & Adoção aqui.
A magia do olhar de quem chega aqui.
A mulher chinesa aqui.
Tarsila do Amaral, Psicopatologia & Transtornos de Consciência, Direito, Consumidor & Internet aqui.
José Saramago, Hannah Arendt, Luís Buñuel, Sérgio Mendes, Catherine Deneuve, Frederico Barbosa, Barbara Sukova, Os Assassinos do Frevo & Gilson Braga aqui.
Skinner, Walter Smetak, Costa-Gavras, Olga Benário, Kazimir Malevich, Irene Pappás, Camila Morgado & Pegada de Carbono aqui.
Marcio Baraldi & Transversalidade na Educação aqui.
Padre Bidião & as duas violências aqui.
A literatura de Rubem Fonseca aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o banguelo vê esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo aqui.
Big Shit Bôbras & o paredão: quem vai tomar no cu aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, julho 11, 2006

ÁRTEMIS, RIVERRE, AUGUSTO DE CAMPOS, MÁRIO PALMÉRIO, FEDRO, ROSSINI, DALINA CATUNDA, DORO, MARIE MACDONALD & MUITO MAIS!


UMAS DO DORO & O JABÁ - Quem tem bufunfa, viva! Quem não tem que chupe dedo! - O Doro chegou encasquetado com o tal do Jabá.- Qui droga é nove, hem? -, perguntou-me intrigado. - Jabá é uma prática usual no mundo inteiro, mas que é ilícita. - Sim, sim, maisi troqui nos miuditos amiudados, vá! -, exigiu querendo detalhes. - Sim. É o seguinte: quem tem dinheiro para se promover, compra espaços em tudo quanto é lugar, nos rádios, na televisão, nos jornais.- Ah e é, é?- É. No Brasil a coisa é institucionalizada com o nome de gorjeta, molha-mão, alegria-de-bolso, espórtula, propina e outras nominações abomináveis e que perpassa a vida pública e privada do país. Daí o Brasil ser a desgraceira que é: não consegue ficar sério nem reto na frente de uma verdinha norte-americana. Só que o jabá é jargão do mundo artístico, usado pelos grandões das artes para massificar e predominar nas programações de rádio e televisão. Por isso quando você liga as rádios, só ouve os mesmos artistas o tempo inteiro. Você liga a televisão, só ver os mesmos na programação inteira. Para onde você se vira, seja jornal, revistas, eventos, só aparecem os mesmos o tempo inteiro.- Qué dizê intonse qui quem tem, manda vê mermo, é?- É. É como está na Bíblia, Mateus 13:13 “Pois ao que tem mais se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”. E o artista que não dispuser de meios para entrar nesse esquema fica fora do circuito e vira marginal, alternativo ou independente. E isso significa o mesmo que filho amaldiçoado condenado aos quintos dos infernos de cabeça pra baixo para o grande público. - Vixe! E é mermo, é? - É. - Intonse, quem tem bufunfa, vive; quem num tem, pra num morrê só chupa dedo, né? E vamo aprumá a conversa! Veja mais aqui e aqui.

ÁRTEMIS – Na mitologia grega Ártemis é a deusa virgem da vida selvagem e da caça, das florestas e colinas, dos animais selvagens, da religião selvagem, do parto, da fertilidade, da virgindade e protetora das meninas, filha de Zeus e de Leto, irmã gêmea de Apolo e, mais tarde, associada à lua e à magia. Ele foi representada como uma caçadora carregado um arco e flechas, sendo o cervo e o cipreste sagrados para ela. É Diana na mitologia romana e que quando criança, questionada por Zeus sobre seu desejo de aniversário, ela pediu que fosse circular livremente pelas matas, ao lado dos animais ferozes, dispensada para sempre da obrigação de se casar. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


Curtindo o álbum Rossini (2008), com as composições do compositor erudito italiano Gioachino Rossini (1792-1868), na interpretação da cantora lírica Olga Peretyatko, com a Orchestra del Teatro Comunale di Bolongna, sob a regeência do maestro Alberto Zedda. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE - Amittir merito proprium qui alienum appetit, frase extraída da moralidade do fabulista romano Caius Iulius Paedro (15 a.C. – 50 .a.C. – Caio Julio Fedro), adaptou as fábulas de Esopo para versões metrificadas e que se traduz por: perde o seu próprio bem quem cobiça o alheio. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MULTIMIDIAÇÃO DO PROCESSO ARTÍSTICO - No livro Poesia, antipoesia, antropofagia (Cortez, 1978), do poeta, tradutor e ensaísta brasileiro Augusto de Campos, foi um dos criadores da poesia concreta brasileira, destaco o trecho: [...] Para mim, o fato novo para a produção artística, que emergiu mais claramente na década de 80, reativando e potencializando as propostas da vanguarda, é precisamente a tecnologia [...] A revolução da informática, à medida em que, a partir dos anos 80, vem cada vez mais chegando ao consumo, possibilitando ao artista o acesso domestico aos microcomputadores, aos processadores de texto e de imagem e a técnicas mais sofisticadas de impressão, vem coloca-lo num novo contexto de compatibilidade com as novas linguagens. O que ocorre é a viabilização num grau sem precedentes, das linguagens e procedimentos da modernidade – a montagem, a colagem, a interpenetração do verbal e do não verbal, a sonorização de textos e imagens -, em suma, a multimidiação do processo artístico. [...]. Veja mais aqui e aqui.

ENFRENTANDO A ONÇA – No romance Vila dos Confins (José Olympio, 1956), o primeiro do professor, educador e escritor Mário Palmério (1916-1996), conta a história da primeira eleição para prefeito e vereadores de um remoto lugarejo do sertão brasileiro, a Vila dos Confins, município recém-emancipado, retratando o processo eleitoral no Brasil no século XX, com compra e aliciamento de votos, coação e fraudes de todo o tipo. Da obra destaco o trecho: [...] D. Penha. Riso de deboche... vi quando os olhos em brasa se apertaram e os bigodes se moveram... vi as presas enormes e muito brancas começando a brotar dos cantos da boca, arreganhando-se numa risada... onça é assim: ri mesmo, mal percebe no caçador qualquer sinal de vacilação. Ri e vem. Pobre animal... grande caçador o Vasco da Vacaria, que me ensinou aquele truque importante! Eu desviara dos olhos da onça apenas um dos meus olhos, mantendo o outro firma na sua cara. Difícil, aquilo; levei meses treinando... a onça veio, rindo, com os braços se fechando sobre a minha cabeça... só espetei a zagaia quando o circulo de luz do foco da lanterna, bem desenhado no pelo ralo do peito do animal, diminuiu até ficar do tamanho dum prato desses comuns – a ponta da zagaia bem no centro da claridade... um empurrão só, larguei a zagaia e saltei de lado... justinho o tempo de escapar do primeiro coice que ela me desfechou, com uma das pernas armada com as cinco navalhas daquelas unhas em meia-lua... no mesmo instante a lanterna se apagou... – Credo, padre! O senhor ficou no escuro? – nem o Daíco resistiu, e acabou intrometendo-se. – Não, acendi a outra, a pequetita, de reserva. Só para assistir ao final. A pobre morria com o palmo e meio de aço enterrado no coração. Ela mesma se incumbura de finca-lo ate à espera. É o instinto que a leva a abraçar-se com a zagaia e acabar de enterrá-la no próprio corpo. Mal se sente ferida, agarra com unhas e dentes o cabo da zagaia e aperta-o contra si num abraço de morte... durou pouco, a coitada da jaguarana: acabou-se num tufo de sangue quente, que ainda ficou muito tempo escorrendo pelo chão da loca de pedra. [...]. Veja mais aqui.

FILHA DO NORDESTE – A cordelista cearense Dalinha Catunda (Maria de Lourdes Aragão Catunda), ocupa a cadeira n§ 25 da ABLC, tendo publicado diversos folhetos e edita os blogs Cantinho da Dalinha, Sítio Cantinho da Dalinha e o Cordel de Saia. Da sua lavra destaco o poema Filha do Nordeste: Sou Dalinha, sou da lida. / Sou cria do meu Sertão. / Devota de São Francisco / E de Padre Cícero Romão. / Sou rês da Macambira, / Difícil de ir ao chão. / Sou o brotar das caatingas, / Quando chove no sertão. / Sou cacimba de água doce, / Jorrando em pleno verão. / Sou o sol quente do agreste. / Sou o luar do sertão. / Minha árvore é mandacaru. / Meu peixe, curimatã. / Eu tomo com tapioca, / O meu café da manhã. / Sou uma bichinha da peste, / Meu ídolo é Lampião. / Sou filha das Ipueiras. / Sou de forró e baião. / Sou rapadura docinha, / Mas mole eu não sou não. / Sou abelha que faz mel, / Sem esquecer o ferrão. / E se alguém realmente, / Inda perguntar quem sou, / Digo sem medo de errar: / Sertaneja, Sim Senhor! Veja mais aqui.

MADEMOISELLE RACHEL - A atriz francesa Rachel Félix (Elizabeth-Rachel Félix – 1821-1858), se tornou uma figura proeminente na sociedade francesa, começando a vida ainda criança ganhando dinheiro cantando e recitando nas ruas. Em 1830 ela decide se tornar atriz, estrenado em 1837 no Théatre du Gymnase. A partir de então passou a ser admirada por sua inteligência, ética de trabalho, dicção e capacidade de agir. Ela estrelou com a peça Horace’s, de Pierre Corneille, tendo sua fama se espalhado por toda a Europa após sucesso de uma temporada em Londres, 1841, ao interpretar obras de Racine, Voltaire, Molière e Corneille. Seu estilo de atuação foi caracterizada pela dicção clara e economia do gesto, provocando uma alta demanda para a tragédia clássica de permanecer no palco. Sua fama levou-a a ser amante de Arthur Bertrand, ela foi para a Inglaterra onde tornou-se amante de Napoleão III, entre outros casos de amor. Foi por causa dos esforços dos jornais para publicar fotos dela em seu leito de morte, que se levou à introdução de direitos de privacidade. Veja mais aqui.

L’AMOUR FOU – O filme L'Amour Fou (Amor louco, 1968), do cineasta francês Jacques Rivette, conta uma história ocorrida durante os ensaios de uma companhia de teatro experimental para uma produção de Andrômaca, das tensões de Racine que surgem e um louco amor com a atriz e diretora Claire Sébastien que são casados um com o outro, quando na verdade é um casamento que desmorona. Trata-se de um belíssimo filme que comprova o talento deste grande diretor. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da cantora e atriz Marie McDonald (1923-1965)



Veja mais É pra ela na Crônica de Amor, Heitor Villa-Lobos, Horácio, Ernesto Sábato, Liev Tolstói, Pablo Neruda, Délia Maunás, Julia Lemmertz, Aurélio D'Alincourt, Rosana Lamosa, Aluizio Abranches, Alipio Barrio & Michelle Ramos aqui. 

E mais também João Cabral de Melo Neto, Joan Baez, Rigoberta Menchú, Simone de Beauvoir & Eduardo Viana aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 ELA
Sol da manhã é o riso dela.
E nela os tons da graça linda.
E ainda, a vida passa e a vida é ela.
(LAM)

Arte do fotógrafo Greg Williams.
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...