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quinta-feira, fevereiro 14, 2019

AUGUSTO DE CAMPOS, STANISLAVSKI, MARIA TERESA NIDELCOFF, FERNANDA PRETO & COISAS SÓ PRA DIZER NADA


COISAS SÓ PRA DIZER NADA – De agora é que desde não sei quando as aspirações comandam sobre as coisas, enquanto o aroma da incompletude perpassa por tudo e todo momento e vem não se sabe de onde. Prevalece a retomada persistente ao alvo, mira em dia, o coração no bolso, a alma nas vitrines, a incessante urgência do trânsito insólito e turvado dos interesses e quereres insones e a qualquer custo. Que seja já, logo, ou senão perde a graça e fica tarde demais. Pouco importa a consequência, vale acertar na veia, a medida exata da sorte, possivelmente nenhuma dessintonia com os rumores das águas, a aragem das tardes, as pedras revolvidas, o parque de diversões, o teto da noite, as paredes nuas, o quadrado da hipotenusa, a cereja do bolo, o golpe de mestre, a hélice da turbina, o dente do garfo, a mordida do tubarão, a tabela periódica, o vagão do trem, o xeque mate, a grampola da tatarineta, a muxiba no moquém, nada. À hora feita, ou tudo ou nada. Em cada um, dentro de si, caixas privadas e lacradas, empedrecidas e a vida e o mundo e tudo ao redor do umbigo e seja sempre. Não há por que me queixar das incompreensões, que se danem. A compreensão tem que ser minha, não de ninguém. Ninguém tem que entender nada do que se passa comigo nem do que sou, eu que tenho que entender que podem não entender aquilo que quero dizer ou fazer, ora bolas! Não é preciso saber do Verbo da Torá, desde muito antes de quarks, léptons ou bádrons, nem que um outro vocabulário seja possível vigorar, outra matriz, só porque tudo muda, a ação não estaciona e se desloca por percursos de outras direções, senão todas, dentro ou fora de nenhuma fronteira fixa. O que vejo pode não ser visto, o meu olhar apenas; o que sei pode não ser sabido, aprendi demais do inútil ou relevante; o que calo pode não ser falado, e se digo, profano ou se desvanesce; o que ouço pode não ser ouvido, o privilégio do silêncio. Se acho que o tempo é nunca, pode ser ouro pros que só sabem escavar a terra e revirá-la a seu bel prazer. Se sei que cada coisa tem seu momento, pode ser a vontade que dita a razão pra quem só sabe a necessidade. Se tomo o talho na minha pele, as rachaduras e as nódoas diáfanas por lições experienciadas, pode ser pra muitos golpes do destino ou punição pelo que fiz ou deixei de fazer. A escolha entre seguir ou ficar sentado à espera é minha ou sua, se quiser. Só sei que se eu for, terei de ir por caminhos possivelmente inimagináveis, sujeito às descobertas e intempéries; se a escolha é pela espera, o mundo gira e tudo passa. Prefiro ir e voo, sigo alguém me aceita e venha quem quiser seguir juntos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] A compreensão do mundo que nos rodeia e suas características, a procura de uma resposta às perguntas que a época atual nos apresenta, leva-nos sempre ao passado, à origem do processo que estamos procurando e vivendo [...] Desta forma, se a escola assume a missão de procurar situar as crianças na realidade com um senso crítico, sentido-se parte comprometida na mesma, a escola tem necessariamente que apelar para a dimensão passado para dar elementos necessários para a compreensão do presente. Por isso, conhecer e compreender como vivem os homens de nossa época, em nosso meio ou em outros lugares, implica também no conhecimento da vida dos homens em outros tempos. [...] Uma vez reconhecido o papel formativo do conhecimento do passado no ser que cresce e descobre o mundo, deve-se refletir sobre a História como ciência e em suas possibilidades e objetivos na escola. [...].
Trechos extraídos da obra A escola e a compreensão da realidade (Brasiliense, 1982), da educadora argentina Maria Teresa Nidelcoff. Veja mais aqui.

O TEATRO DE STANISLAVSKI
No livro A criação de um papel (Civilização Brasileira, 1984), encontra-se: [...] Não pode haver arte verdadeira sem vida. Ela começa onde o sentimento assume os seus direitos. A atuação mecânica começa onde a arte criadora acaba. Na atuação mecânica não há lugar para um processo vivo e quando este ocorre é só por acaso. [...] Para reproduzir os sentimentos há que saber reconhecê-los pela experiência própria [...]. Já no livro A preparação do ator (Civilização Brasileira, 1989), está registrado que: [...] exprimir uma vida delicadíssima e em grande parte subconsciente, é preciso ter controle sobre uma aparelhagem física e vocal extraordinariamente sensível, otimamente preparada [...]. As obras em apreço é do escritor, diretor, pedagogo e ator russo Constantin Stanislavski (1863-1938). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens do DVD Ensaio sensual de mulheres comuns, com a arte da fotógrafa Fernanda Preto
Veja mais aquiaqui.
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A obra do poeta, tradutor e ensaísta brasileiro Augusto de Campos aqui, aqui e aqui.
&
muito mais na Agenda aqui.


segunda-feira, março 12, 2018

LYGIA FAGUNDES TELLES, SCHLEGEL, AUGUSTO DE CAMPOS, PIAZZOLLA, TETÊ ESPÍNDOLA, SYD FIELD & JENNIFER HANNAFORD

RUMO AO DESCONHECIDO – Imagem: arte da artista visual estadunidense Jennifer Hannaford. - Para onde eu vou, qualquer caminho, nada a perder ou achar. A insatisfação não leva a lugar algum nem pra quê. Onde estou, qualquer lugar, todo caminho dá na venda, água pro rio, rio pro mar. Longe é um lugar que não existe, quantas léguas, nenhum relógio, do tempo só sei de ontem, agora, qualquer coisa, só saberei ao chegar. Levo comigo nenhuma certeza, nem preciso, tudo que não sei, resta aprende o que for. Dali pra diante, nunca se sabe. Não há como errar, quantas encruzilhadas, achar o que for, nem precisa saber das horas, nuvem que passa, nunca é tarde, nada por acaso. Tanto pra andar, da curva pra porta fechada, muito que aprender, só se sabe mesmo depois, haja chuva ou sol de verão, haja estrela no céu ou maior temporal, seja de leste a oeste, ou norte pro sul, eu sei que vou ou terei de voltar. E se o dia escurece, levo a noite comigo até amanhecer. O que será doce ou azedo, a despeito que esteja passado ou no ponto. Quem dera não mais escolher, azul ou encarnado, ou por analogia e dessemelhança, erro e acerto, nada, seja arco-íris, aurora boreal, madrugada austral, correnteza de oceano, ventos e vendaval. Amanhã saberei o que nem possa supor, desde o elo entre o coração e a língua, o verbo, o que se dissipe ou não, desde a pedra menfita da criação, sempre quis ser maior que as minhas ideias. Até lá vivo cada instante sem perder a oportunidade de ser feliz, haja o que houver, tudo é possível, até o inacreditável, o inesperado. Assim é a vida e seus insondáveis mistérios, e nela vou e estou pro que der e vier, vou e voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Todo dia é Dia da Mulher especial com o bandoneonista e compositor argentino Astor Piazzolla (1921-1992): Montreal Jazz Festivcal, Argentine Tango Music & Los cuatro estaciones porteñas; a cantora compositora e instrumentista Tetê Espíndola: Piraretã, Lírio Selvagem & ao vivo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Talento é um dom divino: ou você tem ou não tem. Mas isso não interfere com a experiência de escrever. Escrever traz gratificações exclusivas. Aproveite-as. E as transmita. Pensamento extraído da obra Manual do roteiro (Objetiva, 1995), do roteirista, produtor, professor e conferencista estadunidense Syd Field (1935-2013).

A IRONIA & O PARADOXO - [...] Para poder escrever bem sobre um objeto, é preciso já não se interessar por ele; o pensamento que se deve exprimir com lucidez já tem de estar totalmente afastado, já não ocupar propriamente alguém. Enquanto o artista inventa e está entusiasmado, se acha, ao menos para a comunicação, num estado iliberal. Pretenderá dizer tudo, o que é uma falsa tendência dos gênios jovens ou um justo preconceito de escrevinhadores velhos. [...] A ironia socrática é a única dissimulação inteiramente involuntária e, no entanto, inteiramente lúcida. Fingi-la é tão impossível quanto revelá-la. Para aquele que não a possui, permanece um enigma, mesmo depois da mais franca confissão. Não se deve enganar ninguém, a não ser aqueles que a tomam por engodo e que, ou se alegram com a grande pândega de se divertir com todo mundo, ou ficam fulos, quando pressentem que também estão sendo visados. Nela tudo deve ser gracejo e tudo deve ser sério: tudo sinceramente aberto e tudo profundamente dissimulado. Nasce da unificação do sentido artístico da vida e do espírito científico, do encontro de perfeita e acabada filosofia-de-natureza e de perfeita e acabada filosofia-de-arte. Contem e excita um sentimento do conflito insolúvel entre incondicionado e condicionado, da impossibilidade e necessidade de uma comunicação total. É a mais livre de todas as licenças, pois por meio dela se vai além de si mesmo; e, no entanto, é também a mais sujeita à lei, pois é incondicionadamente necessária. É muito bom sinal se os harmoniosamente triviais não sabem de modo algum como lidar com essa constante autoparódia, na qual sempre acreditam e da qual novamente sempre desconfiam, até sentir vertigens, tomando justamente o gracejo como seriedade, e a seriedade como gracejo. [...] Trechos extraídos da obra O dialeto dos fragmentos (Iluminuras, 1991), do filósofo, poeta e filólogo alemão Friedrich Schlegel (1772-1829).

EU SOU UM GATO –  Ele fixaria em Deus aquele olhar verde-esmeralda com uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a humildade do cachorro, o gato não é humilde, ele traz viva a memória da liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo. [...] O gato apenas sorri no ligeiro movimento de baixar as orelhas e apertar um pouco os olhos como se os ferisse a luz, esse o sorriso do gato. Secreto. E distante. Nem melhor nem pior do que o cachorro mas diferente. Fingido? Não, porque ele nem se dá ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria voltar porque não existe definição melhor para um felino. E para certas pessoas que falam pouco e olham muito. Cavilosidade sugere cuidado, afinal, cave é aquele recôncavo onde o vinho fica envelhecendo em silêncio, no escuro. Na cave o gato se esconde solitário, porque sabe do perigo das aproximações. Mas o cachorro, esse se revela e se expõe com inocência, Aqui estou! Trechos extraído da obra A disciplina do amor (Nova Fronteira, 1980), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SONETERAPIADrummond perdeu a pedra: é drummundano. / João Cabral entrou pra academia, / Custou mas descobriram que caetano / Era o poeta (como eu já dizia) / O concretismo é frio e desumano, / Dizem todos (tirando uma fatia). / E enquanto nós entramos pelo cano, / Os humanos entregam a poesia. / Na geléia geral da nossa história, / Sousândrade Kilkerry Oswald vaiados, / Estão comendo as pedras da vitória. / Quem não se comunica dá a dica: / Tó pra vocês chupins desmemoriados, / Só o incomunicável comunica. Poema do poeta, tradutor e ensaísta brasileiro Augusto de Campos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual estadunidense Jennifer Hannaford
Veja mais aqui.


II Colóquio Internacional de Pedagogia do Teatro – COLIPETE
II Encontro Vozes: As mulheres na Filosofia
Oceanos Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa
I Fórum de Ecologia e Educação Ambiental (FEEA)
Bando de Mônadas, de Vital Corrêa de Araújo
& muito mais na Agenda aqui.
&
Os seus versos, danças & cantos do Cacrequin, a música de Jasmine Guy, a pintura Renata Domagalska, o cinema de Lívia Perez, a arte de Luciah Lopez, Vera Lúcia Regina & Crônica de amor por ela aqui.

quarta-feira, setembro 23, 2015

VALÉRY, MORENO, KUREISHI, COLTRANE, PEDERSEN, NEUROCIÊNCIA, KARSAVINA, NÊNIA DE BARIL & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NÊNIA DE ABRIL – Estava na segunda metade da década de 1980, quando recebi o livro Ciclo Amatório (Mundo Manual, 1986), do saudoso poeta e editor carioca Sérgio Campos (1941-1994). Tempos difíceis aqueles, do sonho da redemocratização que se realizaria com a promulgação da Carta Cidadã de 1988. O poeta a que me refiro, deixou uma obra significativa: A casa dos elementos (Achiamé, 1984), Bichos (Autor, 1985), Ciclo amatório (Scortecci, 1986), Montanhecer (Scortecci, 1987), Nativa idade (Mundo Manual, 1990), O lobo e o pastor (Mundo Manual, 1990), As iras do dia (Mundo Manual, 1990), Móbiles de sal (Mundo Manual, 1991), A cúpula e o rumor (Mundo Manual, 1992), Leitura de cinzas (Mundo Manual, 1993) e Mar anterior (Antologia, 1984/94 - Mundo Manual, 1994). Trocamos muitas correspondências e livros, até a última missiva em que ele dava conta de que estava realizando o sonho de se mudar de Minas Gerais pro Rio de Janeiro, mais especificamente a cidade de Ilha do Governador, na qual, pouco tempo depois, recebi a notícia do seu falecimento. Vários estudos foram realizado sobre a sua obra, a exemplo das destacáveis pesquisas do poeta e doutor em Literatura, Leontino Filho, do poeta e editor Floriano Martins e do poeta e crítico literário Luiz Carlos Monteiro. Da minha parte, justo quando recebi o livro Ciclo Amatório, que dei de cara com o poema Nênia de Abril, peguei o violão, montei acordes da harmonia e da melodia e fiz dele a minha voz: Sou um poeta obscuro. / Os meus companheiros são poetas obscuros. / Nosso país é o amor subterrâneo em sagração de interiores catedrais. / Porquanto seja nosso pranto anônimo, choramos nossos mortos sozinhos. / Nosso embalar ainda é canto inaudível nas praças e nas avenidas do povo. / Lambemos nossas feridas ignoradas e nossos cantos codificam perdas. / Mas se o país é triste somos tristes porque é de nós sofrer a aflição geral. / Somos cidadãos de um trágico país cuja desgraça ataca sempre e cedo. / Antes que os nossos filhos denunciem o luto secular de seus abris. / O que é melhor em nós desfaz-se em perda. / O que tocamos nos trai com seus punhais. / Perpetramos nosso sonho coletivo e o velamos, mas quando tangemos é tarde demais. / Enfim quando se vai o que é do povo / Aqui na terra se depõe perto de nós. / É quando os obscuros cantam suas nênias / Para embalar o amado enquanto morto. / Sou um poeta obscuro. / Meus companheiros são poetas obscuros. / Nosso país é o amor.Luiz Alberto Machado. Primeira Reunião: Bagaço, 1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: L’eglise et les etoiles (1951 - Oil on canvas), do pintor dinamarquês Carl-Henning Pedersen (1913-2007).


Curtindo o álbum Ascension (1965), do saxofonista e compositor de jazz norte-americano John Coltrane (1926-1965). Veja mais aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação da simpaticíssima Isis Corrêa Naves. Na programação: Olavo Bilac, Turma da Mônica, Turminha do Tio Marcelo, Tia Conça, Bananas de Pijamas, A turma do Seu Lobato, Paulo Zola & Francis Monteiro, Bob Zoom, Angelina Ballerina, Galinha Pintadinha, The Smurfs, Patati & Patatá, Moranguinho & muito mais pra garotada. No blog, a edição nº 1 da Revistinha em Quadrinhos Aventureiros do Una, uma parceria minha com Rollandry Silvério, o Brincar da Criança, Paulo Freire, Ludoterapia, as crianças e a mídia eletrônica e a função da família em Gestalt-terapia para crianças, entre outras dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e dos Adolescentes, Música, Teatro e Literatura. Para conferir o programa online clique aqui ou aqui.

A ÁRVORE DO BEM DO MAL – No livro Neurociência e educação: como o cérebro aprende (Artmed, 2011), de Ramon M. Consenza e Leonor B. Guerra, destaco os trechos: [...] O senso comum costuma se referir a cinco sentidos que seriam utilizados por nós normalmente. Na verdade, eles são em maior número. Na pele, por exemplo, não percebemos apenas o tato, mas também a sensação de pressão, a dor e a temperatura. Um sentido muito importante e pouco mencionado é a cinestesia (cine= movimento; estesia = sensação), que informa a posição do corpo no espaço e os movimentos estão sendo executados. Seus receptores encontram-se nos músculos, nas articulações de nosso esqueleto e no ouvido interno. As informações neles geradas nos permitem manter o equilíbrio, conhecer a distribuição do corpo no espaço e executar com perfeição os movimentos dos deferentes grupos musculares. [...] A Bíblia informa que Deus colocou no Paraiso a Arvore do Bem e do Mal, cujo fruto proibido a humanidade provou, sendo por isso expulsa do Paraíso. Essa arvore pode ser uma metáfora da aquisição, pela espécie humana, de uma serie de funções que a distinguem dos outros animais. A capacidade de planejar no longo prazo, de medir a consequência dos próprios atos, de inibir os comportamentos inadequados são a essência do que chamamos funções executivas. A imagem pode ir mais longe se nos lembramos que, tal como uma arvore, essas funções te que ser desenvolvidas e mantidas com cuidado constante. Nossa civilização, que tem posto em risco o futuro de nossa espécie poluindo a Terra e exaurindo os seus recursos naturais, comete mais um equivoco ao descuidar do desenvolvimento das funções executivas, o que pode comprometer o bem estar e, talvez, a sobrevivência das futuras gerações [...]. Veja mais aqui e aqui.

O BUDA DO SUBÚRBIO – O livro O Buda do subúrbio (Companhia das Letras, 1992), do escritor e dramaturgo britânico Hanif Kureishi, conta a história de um narrador imigrante de indiano que se encontra em Londres para estudar direito, envolvendo-se com bebida, rock e prazeres ilícitos, findando por se casar muito jovem numa fase de descobertas num momento de turbulência política e preconceitos, criticando a cultura de massa. Da obra destaco o trecho: [...] Ao liquidar a casa e mudar para Londres, Eva também estava perseguindo Charlie, que atualmente pouco aparecia por ali. Para ele também era obvio que os subúrbios faziam parte do passado, do inicio da vida. Depois disso, era desviar ou definhar. Charlie gostava de dormir cada dia em um lugar, não tinha posses, nem moradia fixa, e trepava com quem pudesse; às vezes até ensaiava e compunha canções. Experimentava estes excessos não pode desespero, e sim por se excitar com as promessas da vida. Ocasionalmente eu acordava pela manhã e lá estava ele, na cozinha, comendo furiosamente, como se não soubesse de onde viria sua próxima refeição, como se cada dia fosse uma aventura capaz de terminar em qualquer lugar. E depois ia embora. Papai e Eva acompanhavam todas as apresentações de Charlie, em escolas de artes, pubs e pequenos festivais ao ar livre em locais enlameados. Eva torcia e aplaudia sem parar, com uma cerveja na mão. Papai piscava nervoso ao fundo, perturbado com o barulho e a multidão, com frenética dança de são Vito por cima de jovens em coma, mergulhados em poças de cerveja. Ele se abalava com o sofrimento, as roupas fedorentas, as bad-trips dos adolescentes de catorze anos levados em ambulâncias, as fodas ao acaso, sem amor, e as fugas melancólicas da família para os prédios miseráveis abandonados de Herne Gill. Sem duvida teria preferido ficar em casa, aconselhando um disciplulo – a fervorosa garota Fruitbat, quem saber, ou seu namorado eternamente sorridente, Chogyam-Jones, cuja roupa parecia um tapete chinês; seu estimulo estava se tornando necessário. Mas papai acompanhava Eva onde quer que sua presença fosse exigida. Sem duvida ele aproveitava muito mais a vida do que antes e, quando Eva finalmente anunciou que estávamos de mudança para Londres, admitiu que esta era a decisão correta a tomar. [...]. Veja mais aqui.

OS CADERNOS DE VALÉRY – No livro Paul Valéry: a serpente e o pensar (Brasiliense, 1984), do poeta, tradutor e ensaísta Augusto de Campos, encontro Dos cadernos de Valéry, reunindo contra-bras e contra-acabados do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945), do qual destaco os trechos: [...] Estes cadernos são meu vício. São também contra-bras, contra-acabados. [...]. Poder e ser: ser poeta, não. Poder sê-lo. Tédio – O que eu sei fazer me entedia; o que não sei fazer me entristece. Opinião: eu não sou sempre da minha opinião. Processo (= conceito poundiano de inventor?): aprecio um homem quando ele encontrou uma lei ou um processo. O resto não é nada. Poder, agir: eu me amo em potência – me odeio em ato. O inumano: não saboreio nas obras do homem senão a quantidade de inumanidade que nelas encontro. Sei demais o que é humano. Sofri, gozei; me enganei; vi corretamente, me sinto arruinar pelo tempo; fui louvado; censurado, saudado, achincalhado, tratado por nomes os mais agradáveis e por alguns outros. Eis o que é humano, segundo os humanos. Não me agrada ruminá-lo nos livros. Impossibilidades:... são as minhas impossibilidades que me excitam. Só amor problemas: Quando eu me prendo (o que é bem raro) a uma leitura que não me requer nenhum esforço de compreensão nova, tenho a sensação de cometer uma falta. Eu me sinto em falta -, falta que pode ter por excusa uma incapacidade de fazer outra coisa. Só amo problemas. Sorrir dos sérios: devemos sorrir dos que se levam a sério. O poema é uma máquina: o poema é uma máquina de produzir certos efeitos sobre certas pessoas que se imaginais tais ou quais. Surpresa ou precisão: Um escrito só vale: 1 – pela estranheza, a surpresa, a distancia que guarda com o meu pensamento – ou 2 – pelo grau de precisão que ele me traz. É preciso que eu seja ou enriquecido, destravado, ampliado, ou então precisado, isto é, amadurecido, acabado, delimitado, tempo-ganho. Escritor – escriteiro: Não sou escritor – escriteiro (écriveur), pois não só não me importa como me ultrapassa escrever o que vi, senti ou peguei. Isso terminou para mim. Tomo da pena para o futuro do meu pensamento – não para o seu passado. Escrever: escrever – o que eu escrevo não é escrever, é preparar-se para escrever algum dia impossível. A síntese da poesia: zombam de você, que tentou fazer a síntese da poesia. Eles têm razão, mas você também não está errado. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O TEATRO DA ESPONTANEIDADE - No livro O teatro da espontaneidade (Summus, 1984), do médico, psicólogo, filósofo e dramaturgo turco-judeu Jacob Levy Moreno (1889-1974), destaco mais alguns trechos: [...] Quando Deus criou o mundo em seis dias ele acabou se detendo um dia antes, com excessiva antecipação. Ele havia organizado para o Homem um lugar onde viver mas, para torna-lo seguro para aquele, acabou também por acorrenta-lo a tal lugar. No sétimo dia, Ele deveria ter criado para o Homem um segundo universo, um outro mundo, livre do primeiro e no qual o Homem pudesse se purificar deste, mas um mundo em que não houvesse pessoa alguma acorrentada, pois que não seria real. É neste ponto que o teatro da espontaneidade prossegue a obra de Deus de criar o Mundo, ao abrir para o Homem uma nova dimensão da existência. [...] A sociatria já nos forneceu bons motivos para predizer que a sociedade humana acabará sendo controlada pelo self ou selves espontaneamente dirigidos. [...] A maior dificuldade quanto à expansão do self na direção de um verdadeiro domínio do universo não reside na invenção de instrumentos por meio dos quais alcançar-se este objetivo e, sim, no próprio Homem. este é inepto e inerte e sua espontaneidade encontra-se num estagio embrionico de desenvolvimento. Portanto, não é o retardo das ciências sociais em comparação com as físicas que detém o progresso; esse retardo verifica-se antes nas limitações do Homem e na sua falta de preparo para a utilização de instrumentos e métodos que lhe permitiriam vencer seus desafios biológicos, sociais e culturais. [...] Enquanto no plano tecnológico, é grande a prontidão do Homem para fazer uso de instrumentos tão logo sejam inventados, no plano social esta prontidão encontra-se excessivamente baixa, praticamente nula. [...] é fácil para o Homem usar um pedaço de pau, uma arma ou uma bomba atômica, mas é-lhe extremamente difícil adaptar-se ao uso de instrumentos sociais que lhe assegurariam liberdade no seu de sua própria sociedade. Não é fácil apresentar respostas a esta dificuldade: o Homem precisa ser educado; [...] é um problema de deficiência na espontaneidade de se usar a inteligência disponível e de se mobilizar as emoções esclarecidas. [...] . Veja mais aqui, aqui e aqui.

TODAS AS MULHERES DO MUNDO – A trajetória da atriz de cinema e televisão Joana Fomm é das mais representativas. Ela começa no cinema atuando no filme O quinto poder (1962), seguindo-se Um morto ao telefone (1964), El ABC do amor (1967), A vida provisória (1968), O homem nu (1968), Bebel, a garota propaganda (1968), Edu,  coração de ouro (1968), A noite do meu bem (1968), Macunaíma (1969), As armas (1969), Um sonho de vampiros (1969), O palácio dos anjos (1970), As gatinhas (1970), Gamal, o delírio do sexo (1979), Elas (1970), Fora das grandes (1971), Noites de Iemanjá (1971), Vozes do medo (1972), Os desclassificados (1972), Um brasileiro chamado Rosaflor (1976), Marilia e Marina (1976), Contos eróticos (1977), Beijo na boca (1982), Espelho de carne (1985), O cavalinho azul (1984), Césio 137 – o pesadelo de Goiania (1990), Vai trabalhar vagabundo II (1991), Quem matou Pixote? (1996), Copacabana (2001) e Quanto vale ou é por quilo? (2005). Entre esses, destaco sua participação na premiada comédia Todas as mulheres do mundo (1966), dirigida pelo cineasta Domingos de Oliveira, contando a história a respeito de um dilema que o determinado sujeito sofre entre a vida de solteiro e o casamento. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da bailarina russa do Balé de Sergei Diaghilev, Tamara Karsavina (1885-1978)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
 Dê livros de presente para as crianças.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, maio 14, 2015

WATTS, LESSING, MACHADO, EURÍDICE, MÁRIO DE ANDRADE, KILKERRY, COROT, GLUCK, VERA FISCHER E ANIVERSÁRIO DE MEIMEI CORRÊA.

Imagem: Eurydice Wounded (1868-70) do pintor realista francês Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875). Veja mais aqui.

EURÍDICE – (Imagem: Eurydice, do escultor austríaco Joseph Edgar Boehm - 1834-1890) - A ninfa Eurídice encantou o coração do músico Orfeu, filho de uma das nove musas Calíope e do deus Apolo, que por ela se apaixonou e se casaram. Contudo, a beleza da ninfa encantava outros homens e, entre eles, o apicultor que, ao receber a recusa dela, começou a persegui-la. Ela fugiu e na fuga foi picada por uma cobra, findando por falecer. Com a sua morte, Orfeu foi tromado por uma tristeza profunda, entoando tristes melodias que faziam os deuses chorar. Eles então apiedados com a sua lamúria, recomendaram que seguisse ao Hades e convecesse o Rei dos Mortos a devolvê-la. Orfeu partir até descer ao mundo inferior tocando sua maravilhosa Lira que logo conveceu Carante a encaminhá-lo pelo Estige, adormecendo o cão de três cabeças e guarda do submundo, Cérbero, e amansando os monstros que lhe vinham deter sua empreitada. Ao chegar ao Hades tocando a sua lira, o Senhor dos Mortos concedeu que resgatasse a amada, sob a condição de que não deveriam olhar para trás até que chegassem à superficie. Assim Orfeu conduziu-a ao som de melodias lindíssimas de felicidade, até que no meio do caminho Eurídice caiu e o chamou, virando-se para socorrê-la, percebeu um fiapo de fumaça que se esvaia junto com a última lamúria de amor da mulher. A partir de então, Orfeu recusou-se a casar-se com qualquer outra mulher, até ofender com sua recusa as Mênades que, por vingança, depois de muitas tentativas sem êxito, conseguiram mata-lo e esquarteja-lo, atirando a sua cabeça no Rio Hebro, que clamava: - Eurídice! Eurídice! As Musas enterraram-no no Monte Olimpo e ele pôde unir-se à sua amada nos Campos Elisios. Veja mais aqui, aquiaquiaqui, aqui e aqui.

Curtindo a ópera Orfeu e Eurídice (1762 - Verona Records), do compositor alemão Christoph Willibald Gluck (1714-1787), com Kathleen Ferrier e a Orchestra and Chorus of the Netherlands Opera, conducted by Charles Bruck.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – Estava eu cá comigo, as ideias conversando. O que tem que comemorar hoje? – perguntei a mim mesmo. O que? O que há para comemorar hoje? O aniversário da Meimei Corrêa. Ah, tá. Isso é bom, pois a vida é uma celebração cíclica de nascimentos e renascimentos. A cada instante se nasce, morre e renasce. A morte participa da vida e assim vamos até findar a experiência na Terra. Mas não tenho que falar nada disso, afinal hoje é aniversário de Meimei Corrêa. É disso que tenho que falar, não de outra coisa. Pois bem. Há alguns anos atrás, por meio da rede, conheci o trabalho da radialista e poeta Meimei Corrêa. Ela realizava o programa Domingo Romântico, um espaço radiofônico para lá de extraordinário. Virei fã. E tempos depois, pudemos dividir o palco num Sopa de Letras, do Clube Caiuby de Compositores, em São Paulo. Coroamos nossa amizade e daí nasceu a nossa parceria, a nossa deliciosa e promissora parceira. Nisso eu que fui e sou até hoje o premiado. Ela além da sua dedicação e competência no que faz, me presenteou por esses últimos anos com prêmios que me fez o homem mais realizado do universo: incluiu minhas músicas na sua programação, transformou em vídeo meus poemas e canções, fez painéis e baners para minhas coisas, ampliou meu universo de amizades, enfim, se sou alguma coisa de valia hoje devo ao trabalho, dedicação, carinho e afeto dessa mulher que merece toda a felicidade do universo. Sou o premiado. Hoje é aniversário dela e eu que sou todo dia e o dia todo premiado por sua existência. Por isso sou devedor inadimplente nesta encarnação e, acredito, que endividado até as minhas próximas, duas ou outras reencarnações. E ser devedor dessa forma é bastante aparazível, afinal ela merece todos os meus aplausos, toda minha gratidão e, como não tenho nada para presenteá-la nesta data, dou o meu coração. Feliz aniversário, queridamada Meimei Corrêa. Aproveitem e confira aqui e aqui.

CONSUMAÇÃO: O HOMEM, A MULHER E A NATUREZA – No livro O homem, a mulher a natureza (Record, 1958), do filósofo e escritor inglês Alan Wilson Watts (1915-1973), trata da relação homem e natureza, o urbanismo e o paganismo, a ciência e a natureza, o homem e a mulher, amor sagrado e profano, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho da parte Consumação: [...] Tudo isso é peculiarmente verdadeiro no que se refere ao amor e à comunhão sexual entre o homem e a mulher. É por isso que o amor, quando espontâneo, tem um caráter tão fortemente místico e espiritual e, quando forçado, é tão degradante e frustrativo. É por essa razão que o amor sexual é tão problemático nas culturas em que o ser humano é fortemente identificado com a entidade separada abstrata. A experiência não se comporta de acordo com as expectativas, tampouco satisfaz o relacionamento do homem e da mulher; é, ao mesmo tempo, fragmentariamente, bastante compensatória para ser desejada cada vez mais inexoravelmente pelo alivio que parece prometer. O sexo é, portanto, a religião virtual de uma numero considerável de pessoas, o fim a que dedicam mais devoção que a qualquer outro. Para a mente convencionalmente religiosa, esta veneração ao sexo é um substituto perigoso e positivamente condenável da veneração de Deus. Mas isso ocorre porque o sexo, como qualquer outro prazer, da forma normalmente desejada, jamais chega a ser verdadeiramente uma satisfação. E é exatamente por essa razão que ele não é Deus e não absolutamente por ser simplesmente físico. O conflito entre Deus e a natureza se desvanece quando sabemos como experimentar a natureza, pois aquilo que os mantem separados não é uma diferença de substância, mas sim uma divisão mental [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AMAR, VERBO INTRANSITIVO – O romance Amar, Verbo Intransitivo (1927 – Vera Cruz, 1995), do escritor, critico literário, musicólogo e folclorista brasileiro, Mário de Andrade (1893-1945) conta a estória de Fraülein e Carlos, quando ela é contratada pelo pai dele, um rico burguês de origem portuguesa, para ensinar a arte do amor ao filho. As preocupações do pai dirigem-se à possibilidades do filho perder-se em encontros com prostitutas comuns ou mesmo ficar doente. Fraülein é introduzida na casa da família como governanta e procura manter uma postura discreta diante dos familiares, principalmente por causa das irmãs do rapaz. Segue suas atividades ensinando alemão e piano para as moças e para Carlos. Aos poucos vai se insinuando para o rapaz, que acaba sendo tomado de amores pela governanta. Dona Laura, mãe de Carlos, percebe o envolvimento do filho e conversa com Fraülein. Sousa Costa acaba contando para a mulher o trato feito e o motivo de suas preocupações com o filho. O casal decide pela permanência da governanta. Carlos e Fraülein vivem um idílio amoroso, mantido em segredo. O rapaz aproveita as horas de estudo sozinhos na biblioteca do pai para amar a governanta. Depois passa a encontra-la em seu próprio quarto. Com o flagrante do pai, manda a governanta embora e cada um segue o seu caminho. Da obra destaco o trecho: [...] É coisa que se ensine o amor? creio que não. pode ser que sim. Fräulein tinha um método bem dela. o deus paciente o construíra, talqual os prisioneiros fazem essas catitas cestinhas cheias de flores e de frutas coloridas. Tudo de miolo de pão, tão mimoso! o amor deve nascer de correspondências, de excelências interiores. espirituais, pensava. Os dois se sentem bem juntos. a vida se aproxima. Repartem-na, pois quatro ombros podem mais que dois. a gente deve trabalhar... os quatro ombros trabalham igualmente. Deve-se ter filhos... os quatro ombros carregam os filhos, quantos a fecundidade quiser, assim cresce a Alemanha. de noite uma ópera de Wagner. Brahms. Brahms é grande. que profundeza, seriedade. Há concertos de órgão também. e a gente pode cantar em coro... os quatro ombros frequentam a sociedade coral. têm boa voz e cantam. Solistas? Só cantam em coro. Gesellschaft. Porém isso é para alemães, e prós outros? Sim: quase o mesmo... apenas um pouco mais de verdade prática e menos Wagner. E o serviço dela entende só da formação dos homens. O homem tem de ser apegado ao lar. Dirige o sossego do lar. Manda. Porém sem domínio. Prove. É certo que a mulher o ajudará. O ajudará muito, dando algumas lições de línguas, servindo de acompanhadora pra ensaios na panzschuele, fazendo a comida, preparando doces, regando as flores, pastoreando os gansos alvos no prado, enfeitando os lindos cabelos com margaridinhas... Fräulein engole quase um remorso porque se apanha a divagar. Queixumes do deus encarcerado. O homem-da-vida quer apagar tantas nuvens e afirma ríspido que não trata-se de nada disso: a profissão dela se resume a ensinar primeiros passos, a abrir olhos, de modo a prevenir os inexperientes da cilada das mãos rapaces. E evitar as doenças, que tanto infelicitam o casal futuro. Profilaxia. Aqui o homem-do-sonho corcoveia, se revolta contra a aspereza do bom senso e berra: profilaxia, não! mas porém deverá parolar, quando mais chegadinho o convívio, sobre essas "meretrizes"que chupam o sangue do corpo sadio. O sangue deve ser puro. vejam por exemplo a Alemanha, que-dê raça mais forte? Nenhuma. E justamente porque mais forte e indestrutível neles o conceito da família. Os filhos nascem robustos as mulheres são grandes e claras. são fecundas. O nobre destino do homem é se conservar sadio e procurar esposa prodigiosamente sadia. de raça superior, como ela, Fräulein. Os negros são de raça inferior. Os índios também. Os portugueses também. Mas esta última verdade Fräulein não fala aos alunos. Foi decreto lido a vez em que um trabalho de Reimer lhe passou pelas mãos: afirmava a inferioridade dos latinos. Legítima verdade, pois quem é reimer? Reimer é um grande sábio alemão. Os portugueses fazem parte duma raça inferior. e então os brasileiros misturados? Também isso Fräulein não podia falar. Por adaptação. só quando entre amigos de segredo, e alemães. Porém os índios, os negros quem negará sejam raças inferiores? Como é belo o destino do casal superior. sossego e trabalho. Os quatro ombros trabalham sossegadamente, ela no lar, o marido fora do lar. Pela boca da noite ele chega da cidade escura... vai botar os livros na escrivaninha. Depois vem lhe dar o beijo na testa... beijo calmo... beijo preceptivo... todo de preto, com o alfinete de ouro na gravata. nariz longo, quase diáfano bem raçado... todo ele é claro, transparente... tossiria, arranhando o óculos sem aro... tossia sempre... e a mancha irregular do sangue nas maçãs... jantariam quase sem dizer nada... como passara?... assim, e ele?... talvez mais três meses e termina o segundo volume de o apelo da natureza na poesia dos minnesänger... lhe davam o lugar na universidade... a janta acabava... ele atirava-se ao estudo... ela arranja de novo a toalha sobre a mesa... temos concerto da filarmônica amanhã. Diga o programa. abertura de spohr, a pastoral de Beethoven, Strauss, hino ao sol de Mascagni e Wagner. a pastoral? A pastoral. que bom. e de wagner? Siegfried-idill e götterdãmmerung. Siegfried-idill? Siegfried-idill. ah! Podiam dar a heróica... já ouvimos cinco vezes a pastoral, este ano... podiam levar a heróica... mas a heróica... Napoleão... em todo caso a gente não pode negar: napoleão foi um grande general... morreu preso em Santa Helena. aqui Fräulein repara que aos poucos o homem-do-sonho se substituíra de novo ao homem-da-vida. É porque este aparece unicamente quando trata-se de viver mover agir. o outro é interior, eu já falei. Ora,  pois o pensamento é interior, nem sequer é volição, que participa já do ato. O homem-da-vida age não pensa. Fräulein está pensando. Nem o homem-da-vida, propriamente, lhe disse que ela ensina apenas os primeiros passos do amor, dá a entender isso apenas, pela maneira com que obstinada e mudamente se comporta. Franqueza: o que pratica é isso e apenas isso. [...] Veja mais aqui.

SOB OS RAMOS, ISNABEL – O livro ReVisão de Kilkerry (Brasiliense, 1985), do poeta, tradutor e ensaísta Augusto de Campos, traz uma revisão da poesia e da cronologia das obras do jornalista, advogado e poeta simbolista brasileiro Pedro Kilkerry (1885-1917), os sonetos da Harpa Esquisita, recriações, poemas, sátiras, manuscritos, notas trêmulas e outras, prosa esparsa e apêndices com declarações de Jackson Figueiredo, Carlos Chicacchio, , subsídios biográficos, casos, entre outros. Do livro, inicialmente destaco o soneto Sob os ramos: É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora, / No meu cavalo — sob a loira poeira / Que chove o sol — e vai-me a vida inteira / No meu cavalo, pela estrada a fora. / Ai! desta em que te escrevo alta mangueira / Sob a copada verde a gente mora. / E em vindo a noite, acende-se a fogueira / Que se fez cinza de fogueira agora. / Passa-me a vida pelo campo... E a vida / Levo-a cantando, pássaros no seio, / Qual se os levasse a minha mocidade... / Cada ilusão floresce renascida; / Flora, renasces ao primeiro anseio / Do teu amor... nas asas da Saudade! Também merece destaque o seu Isnabel: Fosse este amor vergel desabrochando em sonhos, / da esperança ao luar, virgem de mágoa e dor, / onde o riso salmeasse em salmeios risonhos, / e este amor, Isnabel, bem que seria amor. / Mas se minh´alma é toda um pedaço de noite, / sem que pirimpeie uma estrela sequer, / onde brame o rancor e passa o ódio, em açoite, / como na tempestade os maus ventos, mulher... / maldize-o. conserva a candidez do arminho, / abrindo ao sol da vida, à vida rindo – flor. / Nunca merecerei, por ser mau, teu carinho / e este amor, Isnabel, não pode ser amor. / Maldize-o eternamente. E, eternamente, nega / do palácio do beijo a porta rosicler; / deve minh´alma ser eternamente cega, deves eternamente esplendecer, mulher. Veja mais aqui.

TU, SÓ TU, PURO AMORA comédia Tu, só tu, puro amor, do escritor Machado de Assis (1839-1908), trata sobre o desfecho dos amores palacianos de Camões e de D. Catarina de Ataíde. Da peça teatral destaco o acena VIII: [...] CAMÕES, D. CATARINA DE ATAÍDE - CAMÕES, com uma reverência. - Irei eu. Adeus, minha senhora D. Catarina de Ataíde! (D. Catarina dá um passo para ele.) Mantenha-vos Deus na sua santa guarda. D. CATARINA - Não... vinde cá... (Camões detém-se.) Enfadei-vos? Vinde um pouco mais perto. (Camões aproxima-se.) Que vos fiz eu? Duvidais de mim? CAMÕES - Cuido que me quereis ausente. D. CATARINA - Luís! (Inquieta.) Vede esta sala, estas paredes... falarmos a sós... Duvidais de mim? CAMÕES - Não duvido de vós; não duvido da vossa ternura: da vossa firmeza é que eu duvido. D. CATARINA - Receiais que fraqueie algum dia? CAMÕES - Receio; chorareis muitas lágrimas, muitas e amargas... mas, cuido que fraqueareis. D. CATARINA - Luís! juro-vos... CAMÕES - Perdoai, se vos ofende esta palavra. Ela é sincera: subiu-me do coração à boca. Não posso guardar a verdade; perder-me-ei algum dia por dizê-la sem rebuço. Assim me fez a natureza; assim irei à sepultura. D. CATARINA - Não, não fraquearei, juro-vos. Amo-vos muito, bem o sabeis. Posso chegar a afrontar tudo, até a cólera de meu pai. Vede lá, estamos a sós; se nos vira alguém... (Camões dá um passo para sair.) Não, vinde cá. Mas, se nos vira alguém, defronte um do outro, no meio de uma sala deserta, que pensaria? Não sei que pensaria; tinha medo há pouco, já não tenho medo... amor sim... O que eu tenho é amor, meu Luís. CAMÕES - Minha boa Catarina. D. CATARINA - Não me chameis boa, que eu não sei se o sou... Nem boa, nem má. CAMÕES - Divina sois D. CATARINA - Não me deis nomes que são sacrilégios. CAMÕES - Que outro vos cabe? D. CATARINA - Nenhum. CAMÕES - Nenhum? - Simplesmente a minha doce e formosa senhora D. Catarina de Ataíde, uma ninfa do paço, que se lembrou de amar um triste escudeiro, sem se lembrar que seu pai a guarda para algum solar opulento, algum grande cargo de camareira-mor. Tudo isso havereis, enquanto que o coitado de Camões irá morrer em África ou Ásia... D. CATARINA - Teimoso sois! Sempre essas idéias de África... CAMÕES - Ou Ásia. Que tem isso? Digo-vos que, às vezes, a dormir, imagino lá estar, longe dos galanteios da corte, armado em guerra, diante do gentio. Imaginai agora... D. CATARINA - Não imagino nada; vós sois meu, tão só meu, tão-somente meu. Que me importa o gentio, ou o Turco, ou que quer que é, que não sei, nem quero? Tinha que ver, se me deixáveis, para ir às vossas Áfricas... E os meus sonetos? Quem mos havia de fazer, meu rico poeta? CAMÕES - Não faltará quem vo-los faça, e da maior perfeição. D. CATARINA - Pode ser; mas eu quero-os ruins, como os vossos... como aquele da Circe, o meu retrato, dissestes vós. CAMÕES, recitando. Um mover de olhos, brando e piedoso. Sem ver de que; um riso brando e honesto, Quase forçado um doce e humilde gesto De qualquer alegria duvidoso... D. CATARINA - Não acabeis, que me obrigareis a fugir de vexada. CAMÕES - De vexada! Quando é que a rosa se vexou, por que o sol a beijou de longe? D. CATARINA - Bem respondido, meu claro sol. CAMÕES - Deixai-me repetir que sois divina. Natércia minha, pode a sorte separar-nos, ou a morte de um ou de outro; mas o amor subsiste, longe ou perto, na morte ou na vida, no mais baixo estado, ou no cimo das grandezas humanas, não é assim? Deixai-me crê-lo, ao menos; deixai-me crer que há um vínculo secreto e forte, que nem os homens, nem a própria natureza poderia já destruir. Deixai-me crer... Não me ouvis? D. CATARINA - Ouço, ouço. CAMÕES - Crer que a última palavra de vossos lábios será o meu nome. Será? Tenha eu esta fé, e não se me dará da adversidade; sentir-me-ei afortunado e grande. Grande, ouvis bem? Maior que todos os demais homens. D. CATARINA - Acabai! CAMÕES - Que mais? D. CATARINA - Não sei; mas é tão doce ouvir-vos! Acabai, acabai, meu poeta! Ou antes, não, não acabeis; falai sempre, deixai-me ficar perpetuamente escutar-vos. CAMÕES - Ai de nós! A perpetuidade é um simples instante, um instante em que nos deixam sós nesta sala! (D. Catarina afasta-se rapidamente.) Olhai; só a idéia do perigo vos arredou de mim. D. CATARINA - Na verdade, se nos vissem... Se alguém aí, por esses reposteiros... Adeus... CAMÕES - Medrosa, eterna medrosa! D. CATARINA - Pode ser que sim; mas não está isso mesmo no meu retrato?  Um encolhido ousar, uma brandura, Um medo sem ter culpa; um ar sereno, Um longo e obediente sofrimento... CAMÕES -  Esta foi a celeste formosura Da minha Circe, e o mágico veneno Que pôde transformar meu pensamento. D. CATARINA, indo a ele. - Pois então? A vossa Circe manda-vos que não duvideis dela, que lhe perdoeis os medos, tão próprios do lugar e da condição; manda-vos crer e amar. Se ela às vezes foge, é porque a espreitam; se vos não responde, é porque outros ouvidos poderiam escutá-la. Entendeis? É o que vos manda dizer a vossa Circe, meu poeta... e agora... (Estende-lhe a mão.) Adeus! CAMÕES - Ides-vos? D. CATARINA - A rainha espera-me. Audazes fomos, Luís. Não desafiemos o paço... que esses reposteiros... CAMÕES - Deixa-me ir ver! D. CATARINA, detendo-o. - Não, não. Separemo-nos. CAMÕES - Adeus! (D. Catarina dirige-se para a porta da esquerda; Camões olha para a porta da direita.) D. CATARINA - Andai, andai! CAMÕES - Um instante ainda! D. CATARINA - Imprudente! Por quem sois, ide-vos meu Luís! CAMÕES - A rainha espera-vos? D. CATARINA - Espera. CAMÕES - Tão raro é ver-vos! D. CATARINA - Não afrontemos o céu... podem dar conosco... CAMÕES - Que venham! Tomara eu que nos vissem! Bradaria a todos o meu amor, e a que o faria respeitar! D. CATARINA, aflita pegando-lhe na mão. - Reparai, meu Luís, reparai onde estais, quem eu sou, o que são estas paredes... domai esse gênio arrebatado, peço-vo-lo eu. Ide-vos em boa paz, sim? CAMÕES - Viva a minha corça gentil, a minha tímida corça! Ora vos juro que me vou, e de corrida. Adeus! D. CATARINA - Adeus! CAMÕES, com a mão dela presa.  – Adeus D. CATARINA - Ide... deixai-me ir! CAMÕES - Hoje há luar; se virdes um embuçado diante das vossas janelas, quedado a olhar para cima, desconfiai que sou eu; e então, já não é o sol a beijar de longe uma rosa, é o goivo que pede calor a uma estrela. D. CATARINA - Cautela, não vos reconheçam. CAMÕES - Cautela haverei; mas, que me reconheçam, que tem isso? embargarei a palavra ao importuno. D. CATARINA - Sossegai. Adeus! CAMÕES - Adeus! (D. Catarina dirige-se para a porta da esquerda, e pára diante dela, à espera que Camões saia. Camões corteja-a com um gesto gracioso, e dirige-se para o fundo. - Levanta-se o reposteiro da porta da direita, e aparece Caminha. - D. Catarina dá um pequeno grito, e sai precipitadamente. - Camões detém-se. Os dois homens olham-se por um instante.). Veja mais aqui e aqui.

AMOR, DE NOVO – O romance Amor, de novo (Companhia das Letras, 2003) da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), conta a história de um amor impossível, envolvendo a paixão da sexagenária Sarah Durhan pelo jovem ator Bill e o sisudo diretor de teatro, Henry: loucuras e incertezas com o primeiro, pacificidade com o segundo. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] Fácil pensar que aquilo era um quarto de despejo, silencio - so e abafado numa cálida penumbra, mas uma sombra se moveu, alguém veio à tona para afastar as cortinas e abrir as janelas. Era uma mulher, que em passos rápidos saiu por uma porta, que deixou aberta. Assim revelado, o quarto estava sem dúvida cheio demais. Junto a uma parede, todas as evidências de evolução técnica — um aparelho de fax, uma copiadora, um computador, telefones —, quanto ao resto, porém, aquele lugar podia facilmente ser tomado por um depósito de teatro, com o busto dourado de uma mulher romana, muito maior que o natural, máscaras, uma cortina de veludo carmesim, pôsteres e pilhas de partituras, ou melhor, cópias que reproduziam fielmente originais amarelecidos e desbeiçados. Na parede acima do computador, uma grande reprodução do Mardi Gras, de Cézanne, também desgastada: rasgada ao meio e remendada com fita colante. A mulher na sala ao lado se dedicava com energia a alguma coisa: objetos eram deslocados. Então ressurgiu e ficou olhando a sala. Não era jovem, como seria fácil imaginar pelo vigor de seus movimentos quando ainda entrevista nas sombras. Uma mulher de certa idade, como diriam os franceses, ou mesmo um tanto mais velha, e pouco apresentável no momento, vestindo calça velha e camisa. Era uma mulher alerta, cheia de energia, mas não parecia contente com o que via. Mesmo assim, afastou esse pensamento e foi para o computador, sentou-se, estendeu a mão e pôs uma fita para tocar. Instantaneamente a sala se encheu com a voz da Condessa Dié, vinda de oito séculos antes (ou pelo menos uma voz capaz de convencer o ouvinte de que era a Condessa), cantando os seus eternos lamentos: Devo cantar, queira ou não: Quanta mágoa por aquele de quem me fiz amiga, Pois o amo mais que tudo neste mundo... A mulher, sentada, mãos prontas para atacar as teclas, tinha consciência de sentir-se superior a essa irmã antiga, para não dizer que a condenava. Não gostava disso em si mesma. Estaria ficando intolerante? [...]. Veja mais aqui.
  
AMOR ESTRANHO AMOR – O polêmico filme Amor estranho amor (1982) do cineasta Walter Hugo Khouri, traz o cenário do momento político às vésperas do golpe militar, contando a história de um homem da meia idade relembrando a situação de como foi quando garoto, deixado por sua avó diante de um palacete de luxo, onde se encontrava sua mãe Anna, uma prostituta, que vivia com um poderoso político paulista. Nesse ambiente ele passa a conviver com garotas de programa, enquanto é iniciado por uma delas, a Tamara. Por esse filme a atriz Vera Fischer ganhou dois prêmios: Melhor Atriz no Festival de Cinema de Brasilia e no Prêmio Air France de Cinema, ambos em 1982. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Foto: Eurydice, de Patrick Nicholas
  

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Todo dia é dia da mulher, a literatura de Mário Quintana, Os contos tradicionais de Luís da Câmara Cascudo, o pensamento de Voltaire, A comunicação de Juan Diaz Bordenave, o teatro de Sérgio Roveri & Tuna Dwek, o cinema de François Truffaut & Jeanne Moreau, a música de Daniela Spielmann, a poesia de Gerusa Leal, a pintura de Anita Malfatti & Hans Temple aqui.
A mulher na antiguidade, Berenice de Edgar Allan Poe, O fio da navalha de Louise Glück, A quântica de Max Planc, O diário de Adão & Eva de Mark Twain, Foco & sucesso de Daniel Goleman, a música de Shirley Horn, o cinema de Alain Berliner & Demi Moore, a arte de Alessandra Cavagna, a pintura de Edouard Manet & a gravura de Johann Theodor de Bry aqui.
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A mulher nos primórdios da humanidade, A mulher grega de Friedrich Engels, A época da inocência de Edith Wharton, Sou a flor de Maria Polydouri, Virginia Woolf & Paula Picarelli, a música de Sainkho Namtchylak, o pensamento de Horácio & Jean de La Fontaine, o cinema de Michael Haneke & Juliette Binoche, A instrução dos amantes de Inês Pedrosa, a pintura de Jean-Léon Gérôme & a arte de Hanna Cantora aqui.
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A mulher na Roma Antiga, Uma rosa para Emily de William Faulkner, A mulher e o patriarcado Helena Iara Bongiovani Saffioti, a música de Jacqueline Du Pre, o pensamento de Victor Hugo, Elizabeth Short & Mia Kirshner, a arte de Carmen Tyrrel, a escultura de Jean-Baptiste Pigalle, Lenita Estrela de Sá & Lia Helena Giannechini aqui.
As duas mortes de Dona Zezé, Violência contra a mulher de Maria Amélia de Almeida Teles e Monica Melo, a música de Jane Birkin, o pensamento de Jacques-Antoine-Hyppolyte, a pintura de Rafael Hidalgo de Caviedes, a poesia de Diva Cunha, o teatro de João Caetano dos Santos, o cinema de Joel Coen & Frances McDormand, a arte de Frank Miller & Maria de Medeiros, Fernando Fiorese, Regina Souza Vieira & Deize Messias aqui.

A mulher no Cristianismo, O caso das camas de Fernando Sabino, A responsabilidade dos relacionamentos afetivos de Ana Cecília Parodi, a música de Francisco Mignone & Lilian Barreto, a poesia de Germana Zanettini, o teatro de Adrienne Lecouvreur, o cinema de Júlio Bressane & Bel Garcia, Teodora & Marózia, a arte de Rodrigo Luff & Manoela Afonso aqui.
As sombras de Gilvanícila, O barão de Itararé de Fernando de Brinkerhoff Torelly, a música de The Dresden Dolls, o pensamento de Juvenal & Voltaire, Heloisa de Paráclito, a poesia de Claudia Pastore, o teatro de Mademoiselle Clairon, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Rosel Zech, a pintura de Ângelo Cantú, a arte de Demócrito Borges & Isabela Morais aqui.
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Mulher & Solidariedade, A mulher medieval de Andreé Michel, o teatro de Mademoiselle Mars, a música de Joyce, o pensamento de Sêneca, O florista de Nilza Amaral, O Tristão de Dilercy Adler, o cinema de Neil Jordan & Ruth Negga, a pintura de Paulo Paede, a arte de Julia Crystal & Claudinha Cabral aqui.
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MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

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