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segunda-feira, maio 07, 2018

QUINTANA, LÉVINAS, JOHN DONNE, ASCENSO FERREIRA, MONTESSORI, ANCA STEFANESCU, RILDO HORA & HÉLÈNE GRIMAUD

TOLINHO, DE PRÍNCIPE A SAPO – Imagem: arte da artista visual romena Anca Stefanescu. - Pronto, desembestou de vez! Ao atravessar o mata-burro de uma instituição bancária, com o intento de dar entrada na documentação de seus direitos securitário-laborais, Tolinho teve um alumbramento: deu de cara com as feições formosas de Enoildita! Bastou isso, das pálpebras dele pararem de piscar, imobilizado ali, plantado, catatônico, estatelado, a firmar um olhar quase hipnotizado pras bandas dela. Oxe, só saiu desse estupor por trombada de um apressado fulo da vida, recompondo-se da perdição. Ajeitou-se, olhou pros lados e entre as filas, escolheu justo a dela. Isso, o alvo. Ela na frente, singela e alheia, afiava sua cobiça, dele ficar de soslaio, tapiando, só conferindo a compleição sedutora, dos pés à cabeça: Essa é das boas, toitiço cheiroso, hummm, olhos agateados, beiços de cangula insultante, um primor; pele mimosa, peitinhos apetitosos, cinturinha de pilão, rabada ancha, coxas roliças, cambitos jeitosos, um colosso, pronta pra casar. Disse pra si: Se assunte, meu véio, você está na frente do povo. Deu-lhe uma comichão nas partes pudendas, dele ligar o alerta! Agoniou-se: Isso é hora de dar vexame, rapaz? Restabeleceu-se probo, pigarreou, apertou a venta, ajeitou a beca, deu nó nas ideias e ficou ali todo sem jeito. A fila andando, ele fazia de desentendido e às olhadelas pros contornos dela. Enfim, ela chegou ao guichê e ele inquieto: Até a voz da mulher é música. Tô lascado. Aí, ao ser atendida a coisa enganchou: faltava uma fotocópia. Virou-se pra ele e falou: O senhor guarda o meu lugar? Surpreendido, ele atordoado, olhos saindo fora: Guardo sim, pode ir. E ficou lá plantado na fila, só queria ser atendido depois dela. E mandou o de atrás passar na frente, e depois outro, mais outro, e assim ficou até ela retornar. Pronto, seu lugar está guardado, pode ir pro caixa. Ela agradeceu com um sorriso, ele quase cai de tontura com tal graciosidade. Não demorou muito, chega a vez dele e ela agradeceu com grande reverência, apertou-lhe a mão afetuosamente, de modo que o mondrongo deu sinal de vida dentro da cueca, e ele: Nada não, senhora. Senhorita. Ah, senhorita, nada não. Só despertou quando o funcionário devolveu-lhe os documentos devidamente carimbados, falando-lhe algo que nem escutou, estava no mundo da lua e sem saber como descer. O que valia mesmo fora a boa ação, mas com o término do atendimento, olhou pra hora: Pronto, perdi a condução de volta, lasquei-me. Ah, mas não perdeu a viagem, Enoildita estava ali na frente conferindo os papeis. Depois de desencontros muitos no quengo, resolveu ir até ela: Tudo certo na sua documentação? Tudo, obrigada. De nada. Eita, perdi a condução! O senhor perdeu o ônibus? Perdi. Ah, tem nada não, fica lá em casa, pode ser? Ah, não seria incômodo? Nada, vamos pra lá? Eu moro logo na entrada na cidade, no Sítio dos Sonhos. Ah, sei onde é, bonito lugar, dá certinho preu pegar o primeiro bigú que passar. Que bom, então vamos. Vamos. E saíram na maior conversa mole, ele pilheriando daqui, ela risadinha de lá, assim por ruas e becos. Ao chegarem ao sítio, os pais dela haviam viajado às pressas por internação de parente numa cidade distante. Os irmãos estavam pelo meio do mundo. Ele e ela, sozinhos. Vixe! O negócio enfeiou. – Pode entrar, se pai chegar, digo que você perdeu a condução e não queria me deixar sozinha, ficou tomando conta de mim. Menina astuta, pensou consigo. E lancharam, papearam a tarde toda, coisa disso, daquilo, gastando hora e anedotas. Na boquinha da noite ela teve um desmaio. Pronto. E agora? O que vão pensar os pais dela, os irmãos, os vizinhos. Ficou que nem uma pata choca: Valha-me, Deus! Depois de muito zanzar dum lado pro outro, qual providência, socorro nenhum, achou por bem de pegar a moça e levar pra primeira cama que encontrou, deitou-a, cobriu-a e ficou futucando ideia do que fazer, afinal. Depois dos pensamentos congestionados, ele não tinha a menor noção do que poderia resolver àquela altura do campeonato. Se saísse, alguém poderia ver; e se ela morresse, ele era o culpado; se ficasse, os pais chegassem, era tarado; não sabia se ficava, fugia ou o que pudesse inventar naquilo tudo. Seja lá o que Deus quiser. E passou a ajeitá-la, conferindo e a se aproveitar da situação. E se arrependia, avançava, o calcanhar, a batata da perna, isso é um estrupício! Os quadris, a pele, os seios, isso é uma desgrama! Começou a alisá-la, acariciá-la. Rapaz, que é que tu estás fazendo? - A voz da consciência dele não dava trégua. E aí, vai ou não vai? Hesitava. Ou trepa ou sai de cima! Ah, destá. Cuidou tanto, rezou pros santos todos, aproximou-se, arrependeu-se de ter ficado. Ah, virou a cara pro perigo, encostou-se nela, beijou-a e, pronto, ela virou-se ainda de olhos fechados, ele arregalou os olhos, retribuiu o beijo e se abraçaram e se acocharam e se esfregaram e crau! Pronto, estava feito. Ele só percebeu tudo quando o dia já amanhecia. Ela sorria do lado dele. Vôte! O que foi que eu fiz? Agora é tarde, pensava. E ela: Vamos tomar café da manhã, já aprontei. Ele levantou-se, dirigiu-se pro sanitário, asseou-se o que pode, voltou, mesa posta, conversaram, comeram e danaram-se a trocar curiosidades, afetos e memórias. Lá pras tantas da manhã, saíram até o portão de entrada, apaixonados, de mãos dadas. Ele nas nuvens, riso nas orelhas. No trajeto passa uma conhecida: Tolinho, rapaz, cadê tu, hômi? Aparece! Tá, tá. E passou uma, duas, três, outra: Tolinho, olha, tem uma encomenda que a Zefa deixou pra tu lá em casa, visse? Viu, vou pegar depois. E assim foi, a ponto de Enoildita ligar o desconfiômetro, olhou pra ele e disse: Olhe, de tudo que aconteceu entre nós, não haverá outra vez! E soltou a mão dele, determinando uma distância regulamentar entre ambos. O coração dele foi pros pés. Lívido, desencontrado, olhou pra ela firmemente e pensou: essa é pra casar. E acompanhou tudo, ela toda chameguenta, pé pra lá e pra cá, sedutora, nada dele nem pensar em voltar pra sua própria casa. Depois de muito queimar as ideias, assuntou: Vou casar com ela. E ali mesmo no acesso ao sítio, virou-se praqueles olhinhos de vida e formalizou o pedido: Quer voar comigo? Poetou, pronto pra deitar a maior lábia. Ela franziu o cenho: Não tenho asas e não sou muito achegada a andar pelos ares, não. E nesse diálogo atrapalhado de asas, céu, pássaros, avoações, frio na barriga, sobe e desce, largadas e chegadas, consumiram a tarde e entraram na segunda noite, ensaiando o voo. Depois do banho, ela de vestidinho curto, provocante e decotado, por baixo só a natureza. Ele não perdeu tempo, avançou e caiu nos beijos, vasculhando tudo no corpo dela, até empunhar no maior afã o sexo acariciando-o no dela, foi só encostar o dedo no pinguelo com jeito, dela ter uns estrimiligues danados, paroxismo dos brabos, do gozo descer perna abaixo fazendo uma poça no chão. Eita! Maior molhadeiro no assoalho. Lavaram a jega madrugada adentro, embaixo dos lençóis, atrás da porta, na pia da cozinha, no canto do quarto, no frio do escuro, no escancaro das janelas, nos arrepios da alma, na embriaguez do amor, nas labaredas das paixões. No outro dia, ela na varanda, ele encostado no muro, apareceu uma vizinha que vinha às carreiras: Tolinho, mãe quer falar com tu, visse? Tá, vou lá depois. E no maior proseado pela manhã entraram pela tarde até chegar a terceira noite, maior idílio, dela descontrolar-se, segurar firme no pingolim dele e ronronar: Se ciscar por aí, corto fora, quero vê-lo capado se me contrariar. Vixe! Tolinho quase teve um troço, do bregueço sair murchando de quase se esconder na pentelheira. Eita, encolheu, foi? Ah, tá com medo. Destá. Aí ela começou com uns beijinhos lá, do cotoco se reerguer sonso, aos pouquinhos, ela numas lambidelas só via a coisa tomar jeito, todo se estirando e ela tome beiçadas pra salivá-lo todinho da baba cair colhões abaixo. Vuque-vuque medonho, na gozada ele deu um curto-circuito de acender o poste. Danou-se! Estava agora amarrado pela paixão, feitiço dela. E pintaram e bordaram, um encangado no outro, até o dia amanhecer ensolarado, papo no oitão de casa, casal apaixonado, do nada surgiu uma daquelas mulheres de fechar quarteirão: Tolinho, meu filho, tem um serviço pra tu lá em casa! Tá, eu vou. Ah, Enoildita amarrou o bode e disse: Vai nada. Ela deu uma freada de fazer greve de beijinhos e sexo. O cabra quase endoida comendo o dia todo até a quarta noite, ele já como tudo quase em paz, se achava um da casa, todo ancho, pensava já em arrumar uma meia água e entocar-se com ela nos cafundós de todas as botas perdidas. Pronto. Ia tudo bem na conversa da calçada, quando cruzou uma ex-namorada dele atrapalhando o papo: Tolinho, rapaz, tais vivo? Saudade de tu, hômi. E foi-se. Aí o tempo fechou, deu o creu. Ela ficou tão amuada de ficar intrigada dele. Tolinho saiu de si. Pra empiorar, os pais dela chegaram e, com eles, um ex dela deu sinal de vida: os olhos dela brilharam, eita! Troca de olhares, cumplicidade. Explicações daqui e dali, os pais desconfiados dele, ela maior papo com o ex. Tolinho com a situação desconfortável e nada a favor, já ia arrumando os mijados pra cair fora, quando ela, então, dirigiu-se pra ele: Sinal amarelo, rapaz! Vixe! Ela mudou da água pro vinho: Vai ver se estou lá na esquina e só me apareça aqui quando eu chamar, tá entendendo? Pronto, acabou-se o mundo. O cabra só faltava chorar, saiu tão angustiado na maior careta, perdido, coçando os cornos e os possuídos, nem sabia pra onde ia nem nada. Conseguiu uma carona na caçamba duma camioneta e foi procurar Bestinha: Bonito pra sua cara! Estava desolado, todo chocho pelos cantos, faróis baixos: Vai se apaixonar, bicho besta, o fim é esse. Ele remexeu nos bolsos, amolegou a peia, enfincou-se na cachaça e até hoje anda enamorado pelas estrelas, luas, dias, ruas, ao léu. O amor é lindo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do gaitista, violonista, compositor, arranjador, maestro e produtor musical Rildo Hora: O tocador de realejo, Interpreta Luiz Gonzaga & ao vivo Homenagem a Hermeto Pascoal; da pianista francesa Hélène Grimaud: Concerto nº 1 Brahms, Concerto nº2 Rachmaninoff & Concerto in G major Ravel; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] E o Outro, cuja presença é discretamente uma ausência e a partir da qual se realiza o acolhimento hospitaleiro por excelência que descreve o campo da intimidade, é a Mulher. A mulher é a condição de recolhimento, da interioridade da Casa e da habitação. [...]. O rosto feminino reúne essa claridade e essa sombra. O feminino é o rosto em que a perturbação cerca e invade a claridade [...]. Na inversão do rosto pela feminilidade – nesta desfiguração que se refere ao rosto – a in-significância mantém-se na significância do rosto [...] é o acontecimento original da beleza feminina, do sentido eminente que a beleza assume no feminino [...]. A amada não se opõe a mim como uma vontade em luta com a minha ou como submissa a minha, mas ao contrário, como uma animalidade irresponsável que não diz verdadeiras palavras. A amada retorna à posição da criança sem responsabilidade – esta sedução, esta juventude, esta pura vida ‘um pouco animal’ –, deixou seu estatuto de pessoa. [...]. Trechos extraídos da obra Totalidade e infinito (Ed. 70, 1988), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO, MAIS OUTRA – [...] a educação não é aquilo que o professor dá, mas é um processo natural que se desenvolve espontaneamente no indivíduo humano; que não se adquire ouvindo palavras, mas em virtude de experiências efetuadas no ambiente. A atribuição do professor não é a de falar, mas preparar e dispor uma série de motivos de atividade cultural num ambiente expressamente preparado. [...] Trecho extraído da obra Mente absorvente (Nórdica, 1949), da pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952), que na obra Pedagogia Científica: a descoberta da criança (Flamboyant, 1965), observou que: [...] A educação é compartilhada pela mestra e pelo ambiente. A antiga mestra ‘instrutora’ é substituída por todo um conjunto, muito mais complexo; isto é, muitos objetos (os meios de desenvolvimento) coexistem com a mestra e cooperam para a educação da criança. [...]. A professora não pode só ensinar. Ela deve ver dentro da alma, para ajudar a criança na sua cura. Ela deve formar a personalidade, não pelo ensino, mas falando à sua alma, ao seu espírito, a sua inteligência, com compreensão, humildade e respeito. [...] Veja mais aqui.

MEDITAÇÕES – [...] É muito pouco chamar um homem de um pequeno mundo; exceto por Deus, o homem é um diminutivo de nada. O homem consiste de mais peças, de mais partes que o mundo; não o que o mundo faz, mas sim o que o mundo é. E se aquelas peças fossem ampliadas [...] o homem seria um gigante, e o mundo, um anão. [...] Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma. Todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um pedaço de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido uma montanha ou a casa de um amigo, ou a tua própria. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade. Por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti. [...]. Trechos extraídos da obra Meditações (Landmark, 2007), do poeta, prosador e clérigo inglês John Donne (1572-1631). Veja mais aqui.

CINCO POEMAS - A CANÇÃO DA VIDA: A vida é louca / a vida é uma sarabanda / é um corrupio… / A vida múltipla dá-se as mãos como um bando / de raparigas em flor / e está cantando / em torno a ti: / Como eu sou bela / amor! / Entra em mim, como em uma tela / de Renoir / enquanto é primavera, / enquanto o mundo / não poluir / o azul do ar! / Não vás ficar / não vás ficar / aí… / como um salso chorando / na beira do rio… / (Como a vida é bela! como a vida é louca!) BILHETE: Se tu me amas, ama-me baixinho / Não o grites de cima dos telhados / Deixa em paz os passarinhos / Deixa em paz a mim! / Se me queres, / enfim, / tem de ser bem devagarinho, Amada, / que a vida é breve, e o amor mais breve ainda… EMERGÊNCIA: Quem faz um poema abre uma janela. / Respira, tu que estás numa cela / abafada, / esse ar que entra por ela. / Por isso é que os poemas têm ritmo — / para que possas profundamente respirar. / Quem faz um poema salva um afogado. OS POEMAS: Os poemas são pássaros que chegam / não se sabe de onde e pousam / no livro que lês. / Quando fechas o livro, eles alçam voo / como de um alçapão. / Eles não têm pouso / nem porto / alimentam-se um instante em cada par de mãos / e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, / no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti… SEGUNDA CANÇÃO DE MUITO LONGE: Havia um corredor que fazia cotovelo: / Um mistério encanando com outro mistério, no escuro… / Mas vamos fechar os olhos / E pensar numa outra cousa… / Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe, / Puxando a água fresca e profunda. / Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas. / Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros, / E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões. / Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu. / Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo, / Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas… / Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos… / As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros, / O chiar das chaleiras… / Onde andará agora o pince-nez da tia Tula / Que ela não achava nunca? / A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho, / Que saía em folhetim no Correio do Povo!… / A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro. / Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído. / E ela nem se voltou para trás! Poemas do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual romena Anca Stefanescu.
Veja mais aqui.


Semana Ascenso Ferreira, Coração de Areia de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
As aventuras de Tolinho & Bestinha aqui.
&
Da hipocondria ao aluamento, a música d’Os Mutantes, a fotografia de Omar Roble, a arte de Sergio Martinez Cifuentes & Filipe Gil aqui.
 

segunda-feira, maio 05, 2008

ADOLFO CASAIS MONTEIRO, CICERO, RESTIF DE LA BRETONNE, MEREDITH O'NEAL, BESTA FUBANA, LITERÓTICA DORO, TOLINHO & BESTINHA


 
Art by Meredith O'Neal

LITERÓRICA – I – MERGULHO - Lá vou eu submerso nas profundas águas do seu corpo saboreando o sal de sua carne atlântica para a redenção de quem queima a febre de todos os quereres. Lá vou eu revolvendo as entranhas de suas funduras mais densas para tê-la vadia proclamada no mormaço da nossa paixão equatorial. Lá vou eu imune percorrendo as rotas oceânicas de sua abissal completude até ver-me envolvido pelo tsunami dos seus prazeres mais agudos. Lá vou eu nessa aventura esplêndida conquistando os labirínticos meandros de sua gostosura, usurpando seus trópicos, rebentando seus polos, percorrendo suas correntes, todos os seus hemisférios, oásis, golfos, enseadas e ventos, até invadir o seu pré-cambriano por completo. Avançando nos salões de sua gruta multicor, onde introduzo meu cabo-guia para ancorar mitigando a sua loucura vulcânica a me fazer possuído pelo prazer inenarrável de possuí-la ao sabor do mais espetacular maremoto de nossos gozos infindos. II – CAPÉI - Ela nua é linda porque possui todas as águas de todas as cachoeiras, todos os sabores de todos os pomares, todo o brilho de todas as pedras preciosas, toda claridade de todos os dias, toda luz que ilumina a escuridão de todas as noites, todo o gozo de todos os prazeres. E é nela nua e linda que vou mergulhar nas grandes nuvens do seu corpo de céu. III – PUXAVANQUE - Nua e linda, nuvem clara alva dada, nem se repara, toda minha, lua deitada, encolhidinha, alma rua tez exaltada, já jóia rara, deusa flor carne almejada, quase calada dou-me verso em homenagem. Vem da miragem e dá de bruços e espalmada, feito a canção que sou do pulso em serenata, quase tão grata vem sem fuso, fera indomada, agoniada enquanto ferve a vacilada, serve de graça, sem saída, encurralada, dá por vencida e não retira até gozada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PERNSAMENTO DO DIA - Quando você estiver assim na veneta bem desprevenida e com os miolos nas nuvens da casa de caixa-pregos e, de repentemente, dos cafundós entrantes das paradoxalidades da porra, algo, meio que do inopinado, pegá-la, assim assim – sabe? -, com um bafo na cacunda, uma segurada na micula e uma chave beliscada de jeito sem-saída e rendida de quatro, não esquente, é o boitatá mesmo que está lhe enrabando, somente. Aí use do conselho da Ministra gostosona Marta Suplicy: Relaxe e, se der, goze. Depois avalie o estrupício e o vício, viu? Serve para ambos os sexos, tá?

DA REPÚBLICA - No Livro Primeiro do livro “Da República”, do filósofo, orador, escritor, advogado e político romano Marco Túlio Cícero, (106 – 43aC), se propõe abordar questões acerca do Estado, forma de governo e as conseqüências da monarquia, da aristocracia e da democracia. Inicia ele chamando a questão do amor pátrio, asseverando que “[...] o homem veemente prefere, embora seja chamado de louco e a necessidade não o obrigue, arrostar as tempestades públicas entre suas ondas, até sucumbir decrépito, a viver no ócio prazenteiro e na tranqüilidade. [...] Afirmarei, sim, que tamanha é a necessidade de virtude que o gênero humano experimenta por natureza, tão grande o amor à defesa da saúde comum, que essa força triunfa sempre sobre o ócio e a voluptuosidade” (p. 139). Desta forma, chama atenção para a necessidade de um amor pátria que leve o homem a se destinar pelos interesses coletivos e anseios gerais. É nessa condução que Cícero observa que: “[...] A pátria não nos gerou nem educou sem esperança de recompensa de nossa parte, e só para nossa comodidade e para procurar retiro pacífico para nossa incúria e lugar tranqüilo para o nosso ócio, mas para aproveitar, em sua própria utilidade, as mais numerosas e melhores faculdades das nossas almas, do nosso engenho, deixando somente o que ela possa sobrar para nosso uso privado” (p. 140). Isto quer dizer, que o homem deve estar voltado para o sacrifício de participar da coisa pública como um bem comum de todos, nunca de interesses particulares. Fala Cícero, portanto, da questão sóbria que é a destinação do ser humano em partilhar com todos da coisa pública ao demonstrar que: “[...] Feliz o homem que pode verdadeiramente gozar do bem universal, não por mandamento das leis, mas em virtude de sua sabedoria; não por um pacto civil que com ele se queria celebrar, mas pela natureza mesma que dá a cada um o que julga que pode saber, usar e ser-lhe útil” (p. 144). Nesta condução, chama atenção Cícero para a República em comparação com a monarquia, a aristocracia e a democracia, assinalando que: “É, pois, a República coisa do povo, considerando tal, não todos os homens de qualquer modo congregados, mas a reunião que tem seu fundamento no consentimento jurídico e na utilidade comum [...] na monarquia, a generalidade dos cidadãos toma pouca parte no direito comum e nos negócios públicos; sob a dominação aristocrática, a multidão goza de muito pouca liberdade, pois está privada de participar nas deliberações e no poder; por último, quando o povo assume todo o poder, mesmo supondo-o sábio e moderado, a própria igualdade se torna injusta desigualdade, porque não há gradação que distinga o verdadeiro mérito. [...] Quase sempre o pior governo resulta de uma confusão da aristocracia, da tirania facciosa do poder real e do popular, que às vezes faz sair desses elementos um Estado de espécie nova; é assim que os Estados realizam, no meio de reiteradas vicissitudes, suas maravilhosas transformações” (p. 147). Observando as formas de governo, Cícero intui que “Cada forma de governo recebe seu verdadeiro valor da natureza ou da vontade do poder que a dirige.A liberdade, por exemplo, só pode existir verdadeiramente onde o povo exerce a soberania; não pode existir essa liberdade que é de todos os bens o mais doce, quando não é igual para todos” (p. 148) Prosseguindo com sua análise acerca de Estado, governo e formas de governo, Cícero enfatiza que: “Quando, numa cidade, dizem alguns filósofos, um ou muitos ambiciosos podem elevar-se, mediante a riqueza ou o poderio, nascem os privilégios de seu orgulho despótico, e seu jugo arrogante se impõe à multidão covarde e débil. Mas quando o povo sabe, ao contrário, manter suas prerrogativas, não é possível a esses encontrar mais glória, prosperidade e liberdade, porque então o povo permanece árbitro das leis, dos juízes, da paz, da guerra, dos tratados, da vida e da fortuna de todos e de cada um; então, e só então, é a coisa pública coisa do povo [...] O Estado que escolhe ao acaso seus guias é como o barco cujo leme se entrega àquele dentre os passageiros que a sorte designa, cuja perda não se faz esperar. Todo povo livre escolhe seus magistrados e, se é cuidadoso de sua sorte futura, elege-os dentre os melhores cidadãos” (p. 148). E ressalta ainda para a fragilização das escolhas pelo poder e riqueza, mencionando que: “[...] porque as riquezas, o nome ilustre, o poderia, sem a sabedoria que ensina os homens a se governar e dirigir os outros, nada mais são do que uma vergonhosa e insolente vaidade; não há no mundo espetáculo mais triste que uma sociedade em que o valor dos homens é medido pelas riquezas que possuem. [...] As dificuldades de uma sábia determinação fazem passar o poder das mãos dos reis para as da aristocracia, da mesma forma por que a ignorância e a cegueira dos povos transmitem a preponderância da multidão à de um pequeno número [...] Quanto à igualdade de direito ou da democracia, é uma quimera, e os povos mais inimigos de toda dominação e todo jugo conferiram os poderes mais amplos a alguns de seus eleitos, fixando-se com cuidado na importância das classe e no mérito dos homens. Chegar, em nome da igualdade, à desiguldade mais injusta, colocar no mesmo nível o gênio e a multidão que compõem um povo, é suma iniqüidade a que nunca chegará um povo em que governem os melhores, isto é, uma aristocracia. [...] a monarquia nos solicita pela afeição; a aristocracia, pela sabedoria; o governo popular, pela liberdade, e, nessas condições, a escolha se torna muito difícil” (p. 149). Mediante tais conclusões, Cícero chega a observar que “[...] Assim, ao rei sucede o tirano; aos aristocratas, a oligarquia facciosa; ao povo, a turba anárquica, substituindo-se desse modo umas perturbações a outras”. (p. 153). No seu discurso, encontra-se que Cícero é favorável à monarquia, no entanto, a grandiosidade de sua meditação e a sobriedade de sua análise torna importante nos dias atuais, as reflexões acerca da forma de governo, da razão e fins do Estado, da liberdade e construção social dos homens nas suas relações humanas. Veja mais aqui, aqui e aqui.


VELHO PROVÉRBIO CHINÊS – Não se deve confundir o som das batidas de seu coração com as dos cascos de cavalos que se aproximam.

LOUISE E THÉRÈSE – [...] Último encanto de meu coração, Louise! Thérèse! Choradas ainda ontem. Ah! Nunca eu senti tão cruelmente a vossa ausência, como ontem, ao fim de vinte e quatro anos!... Contemplei a Lira, fixei o Cisne e, banhado em lágrimas, gritei “Astros eternos, ainda sois lá, mas Louise e Thérèse não são mais! Celestiais amigas a quem pretendi fugir! A quem deixei de ver durante doze destroçados anos de minha vida! Como eu quereria que estivessem hoje a meu lado, nem que o preço fosse todo o meu sangue!... Adeus Louise! Adeus Thérèse, exclava. E entrei na casa de 1771. Nunca subi... nunca voltarei a subir esta escada para Louise, para ver Thérèse!... E saí, castigado pela dor. Trecho do conto do escritor francês Restif de la Bretonne (1734-1806), recolhido da antologia Maravilhas do conto amoroso (Cultrix, 1961), organizada por Fernando Correia da Silva.

A TUA MORTE EM MIM – I – Agora as coisas inertes trocam cúmplices / silêncios contra mim. De mãos vazias / olho em volta como se acreditasse num milagre. / Está frio. A vida assassinada não tem gosto. / Passo as mãos sobre as coisas que tocaste: / são frias: agora, nelas apenas há tu estares morta. / A cada hora sei melhor que já não há / nossa casa, nossa vida, nem um só / lugar no mundo onde não estejas morta. II - A tua morte é sempre nova em mim. / Não amadurece. Não tem fim. / Se ergo os olhos dum livro, de repente / tu morreste. / Acordo, e tu morreste. / Sempre, cada dia, cada instante, / a tua morte é nova em mim, / sempre impossível. / E assim, até à noite final / irás morrendo a cada instante / da vida que ficou fingindo vida. / Redescubro a tua morte como outros / descobrem o amor, / porque em cada lugar, cada momento, / tu estás viva. / Viverei até à hora / derradeira a tua morte. / Aos goles, lentos goles. Como se fosse / cada vez um veneno novo. / Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso. / O remorso de todo o perdido em nossa vida, / coisas de antes e depois, coisas de nunca, / palavras mudas para sempre, um gesto / que sem remédio jamais teve destino, / o olhar que procura e nunca tem resposta. / O único presente verdadeiro é teres partido. III – Como se vindo ao chamado duma outra presença / uma ideia que surge, uma coisa que lembra, / ficam de repente suspensos, perdidos, / 0 porque só os chamou uma presença outrora. IV – Os versos que te não dei / (porquê? entender, quem poderia?) / ficaram nos gestos vãos / com que não soube ganhar / a salvação que talvez / (ou não seria?) / trouxesses nas tuas mãos. / Foi sempre tarde demais / (ou não seria?) / para salvar fosse o que fosse, / senão a sempre ilusão / (ou não seria?) / de que podia ter sido / (Porquê? Entender, quem poderia?) / outra a história, outro o caminho - / ou não podia, ou não podia? V – Mas tu exististe, existirás, / existes / para eu saber que perdi / sem mais apelo / tudo quanto nem a ti soube dar. Poema do poeta, ensaísta, crítico literário e professor universitário português Adolfo Casais Monteiro (1908-1972). Veja mais aqui e aqui.


Art by Meredith O'Neal




JORNAL DA BESTA FUBANA – Estréia nesta segunda-feira oficialmente a mais grandiosa de todas as publicações de todos os tempos: o Jornal da Besta Fubana. Para ficar por dentro de tudo, é só acessar agora: http://www.luizberto.com/ e você poderá ficar familiarizado com a nova roupagem dada com a permanente atualização dessa gazeta da bixiga lixa, editada pelo papa D. Berto I da ICAS. O Ministério da Saúde adverte: Não ler diariamente o Jornal da Besta Fubana causa danos irreparáveis à saúde de qualquer cristão, além de deixar o cara por fora das últimas e chato pra caralho.



AS CAÇAROLAS DO LOMBRETA BOCA-DE-FRÔ - Enquanto vai anotando amiudadamente os depoimentos de Tolinho & Bestinha, o culinarista juramentado Lombreta boca-de-frô vai preparando as condimentadas receitas dos seus regabofes, sempre muito bem dosados de uma fartura inusitada de ingredientes catados a dedo dos manuais místicos, alguímicos, totêmicos e da mitificação sacrossanta da Secreta e Colenda Ordem dos Mestres Gourmets da Macaxeira Azul. Agora, a partir deste instante, o chefe Boca-de-frô disponibilizará aqui as mais conceituadas e retumbantes receitas para manter os casados em eterno idílio, para os atoleimados parar de caiar, para as reboculosas manterem a forma em dia, os adoentados pularem de saúde, os apaideguados se livrarem das gaias, os desafinados cantarem qual rouxinol galante, os desprovidos aumentarem o pingolin, os desafortunados acertarem na sorte grande, os iletrados tomarem sapiência e, para encurtar o rol dos benefícios, enfim, salvar pro céu quem estiver condenado aos quintos dos infernos. Tudo isso ou não, talvez. Isso aprendido e anotado das lições saudáveis e bestificantes do famigerado profeta do século XXX, padre Bidião. Imperdíveis! Aguarde o primeiro capítulo da novela: As caçarolas do Boca-de-frô. E veja mais aqui.

A ÚLTIMA DO DORO - O Doro não tinha o que fazer além de ajeitar os culhões dum lado pro outro. Foi quando lhe caiu no colo uma máquina fotográfica. Igi! A eureka logo acendeu um neurônio oriundo de uma das pregas do seu cu e ele se viu fotógrafo. Pode? Então, se prepare: eis a primeira foto dele:


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Rio Una, Henri Bergson, Heitor Villa-Lobos, José Lins do Rego, Cora Coralina, Nelson Freire, Viola Spolin, Grande Otelo, Manuel da Costa Ataíde, Humor e alegria na educação & Dia do Pintor aqui.

E mais:
A mulher fenícia & Big Shit Bôbras: Inhame cura aqui.
As trelas do Doro: A vingança aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o bicho leva um puxavanque da vida, para baixo todo santo ajuda numa queda só: tei bei! Era uma vez, hem hem.... aqui.
A biblioteca nossa de cada dia, Nicole Krauss, Carles Riba, Lloyd Motz, Filipe Miguez, Yasujirō Ozu, Carla Bruni, Shima Iwashita, Mauro Soares, Tributo & capacidade contributiva, Diagnóstico e tratamento na aprendizagem aqui.
A música e a poesia de Bee Scott aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora manifestado os seus votos de parabéns pro Tataritaritatá!
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quarta-feira, março 26, 2008

PAUL VALÉRY, DUFOURMANTELLE, SHIGEKO KUBOTA, DÁRIA FARION, PSICANÁLISE, DIREITO, METODOLOGIA, CORRUPÇÃO, TOLINHO & BESTINHA

 
A arte da videoartista, escultora e performática japonesa Shigeko Kubota.


TOLINHO & BESTINHA - VIII - Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado - Êpa, eu tumém tô puto, injuriado, amuado, murdido do pôico, puraqui, maió gogó cum esse cominheiro folgado, sigurando na beira du limite, destabocado di jeito ficá pronto prA arriar o sarrafo nesse desinfeliz de modo dispranaviado, sem sabê onde pode s´acabá esse desmantelo! Si tô, ora. Tô tão afogueado de tocá n´mim fica tudo queimado. Si fica, ó. Vou pegá-lo na premera esquina, si vô. Ispremê-lo na algibera di ficá destamaínho! Num adianta s´iscondê in cafua doutro mundo, achu-lo no oco das bandas de longe e mostru-lo quem é qui é o tal. Ôxe, vai si lascá comigo mei metro de inferno adentro de cangaia pru ar! Tô pronto pro maió chabuco e num tem reza forte qui dê jeito! Nem mermo o santo padim pade Ciço descendo aqui sarva a alma dessa desgraceira o cavernoso. Vai si fodê cumigo, ora! Vai s-e-si f-o-fó d-êêêdê: fudê! Ah, si vai, ta fudido cumigo! Ou eu num sô eu! Vô isculhambar esse iscritô de bosta que fica inventando merda pra banda da gente. Maió lero, sem-mais-que-nem-prá-que, patati, patatá, raposeiro, disonrando a morá suada c´a gente conquistô, meu! Ôxe, tais pensano quê? Tais pensano mermo o quê? Tataritaritatá! Mexeu cumigo, tem treta! Sô bom, maisi cum golpe baixo viro capiroto! Dô extrovengada a três pro quatro e só mi aquieto adispois de vê tudo desarranjado. Dou fé! Sô macho indo e vortando. Num levo desafôro pra casa di jeito nenhum. Num abro nem dibaixo d´água! Nem prum trem! Quanto mais, ó. Buliu cumigo, já viu! Sô chato e meu tuim ajuda. Quano tô injicado, pelejo, sorto os bicho, disincoivo a corage, fico amulestado e só páro quano deixo um estirado. É. Cumigo é assim. Boca falô, cu pagô. E si caçoá de mim, rá, dô retorno do sujeitim vê fúria enviesada de guerra braba! Pió qui saculejo de bombardeio. Brinqui! Brinqui e vai ver o rebuliço na casa da peste. Mai teco! Macacada, ora. Destá! Ora, um cavernoso desse tirano onda pra minha banda! Tolinho tá certo! A gente é qui tem qui tomá conta dessa porcaria de istóra, contando as nossa verdades mais quilara e num deixando esse mequetrefe-duma-figa ficá cum invencionice mais sem pé nem cabeça. Tramóia pura! Coisa de enredeiro, de viado candinha. Hum! Vai sentá num balaio de rôla, pirôbo! Vai dá teu cu nouta horta, fresco-da-gaia-mole! Vai si lascá cumigo. Ora, si vai. Vô me amoitá e só quero vê esse fuleiro vim cum pantim pra minha banda, que arrenego e toco fogo, dêxo só o brasêro tostando. Venha pra vê o circo pegá fogo, venha! Venha vê o peso da munheca, seu safado! Cê vai vê só o desacerto du muque, chegue. Cadê? Fica aí cheio de cunversa mole e se acorvadando pra briga. Chegue! Chegue! Venha vê cum quanto pau se faizi uma canoa, chegue! Dô-li um murro no pau da venta do sangue ispirrá. Tá brincano, meu. Eu sô homi, sou homi e honro as calça qui visto! Venha pra cá! Agora, uns cabra safado desse fica alcagüetano a gente, porra. S´eu mi incruzá com ele, vai ter barraco, aviso logo. Vai, mai si vai! Quero vê ele me dizê na lata o qui diz qui diz, quero vê? Sorto-li um cagaiaço no mei das fuças de ficar zanôio pru resto da vida. Venha qui quero quebrá seus dente, cabra safado! Feladaputa! Guenzo, fi´o duma coiteira quenga! Fi´di-côrno! Tramoiento! Tais pensano o quê? Qui sô frouxo, é? Qui sou maloquêro da sua laia, é? Hum, brinqui. Brinqui qui cê vai vê o intêrro vortano pra sua banda, côrno! Ôxe, pode um negóço desse? E tem mai: eu mermo, num sou Bestinha de nada, tenho tino certo, penso indireitado, saculejo as dúvida e num deixo passá nada sem a prova dos nove. Cumigo é tudo preto no branco. Agora, esse tarzinho qui fica dizendo disso e daquilo da gente, merece c´a gente bote ele no canto dele, iscuiambá-lo mostrando quem é esse cabuloso enredêro qui eu e quaiqué um pode se certificá. Ôxe, esse cara bota a gente na maió encurralada da gente ficá no maió sinuca de bico, cara, pode, bicho? Pode um negóço desse? O frebento é só enredando qui só, pode? Espie, tô cum Tolinho e não abro um só centímeto de nada, ôxe! Aviso logo: num sô cofre pra guardá segredo! Si eu disimbucho o que sei, ele tá frito! Fica impiorado mai qui político nas época de inleição! Disculhambo mermo. Ele sabe, mexeu comigo, empena tudo! Num fica pedra sobre pedra. - Quis brabeza é essa, homi? -, indagou Tolinho. - É o mermo injuriamento qui cê tá com esse... esse... farta até nome ruim pra inclassificar esse boateiro-feladaputa! -, revidou indignado, Bestinha. - Tô de quengo inchado tumém. Maisi.... e s´a gente s´ajuntá pra fazê essa milonga do jeito c´a gente qué? - Cuma é? - Ara, a gente mostrá pro povo o qui a gente é, assim, preto no branco? - Tais doido, tais? - Intenda, rapaizi, a gente milhorá a image da gente com os outros... - Cuma assim? - Ôxe, o qui dé na telha! - Num intendi! - Tu, tamém, hem? Eita besta quadrada da gota! - Ora? - A gente chega, conta do jeito da gente, a gente sai qui só artista de cinema, tudo inlogiado, tudo qui num queime nosso filme, esquece as seboseira e fala só das coisa boa... - Peraí, entonsi... - Isso mermo... - Entonsi.... - Entonsi o quê? - Entonsi, noisis faiz... - Ih, dessa cachola num sai nada qui preste! Você é retardado ou o quê? - Peraí, disgraçado, dêxa eu vê.... hum.... - Num s´isquente pra gaia num derretê seu juízo, viu? - Ora... - Ora o quê, vamo s´imbora qui Boca-de-frô tá s´arrumando pra gente pintá e bordá poraí. Tem um festêro certo que´le tá mi chamando pra ir e tu vai cumigo. Quem cunvida um, cunvida um muntão. Entonsi, lá a gente faiz a maió maruage e depois a gente se limpa. - É mió, é mió a gente s´intendê cum Boca-de-frô, antes qui entre mai ôtro quaiqué nessa briga. Mai, ói, s´eu incontrá esse desgraçado por aí, num respondo por mim, num respondo por mim. - Caima, hômi, num dêxa esquentá a bunda qui o negóço dá na viadage. - Êpa! - Tõ ti avisando, tô ti avisando!!! - Vamo. - Bora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui. 


PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando entramos num lugar desconhecido, a emoção sentida é quase sempre a de uma indefinível inquietude. Depois começa o lento trabalho de familiarização com o desconhecido, e pouco a pouco o mal-estar se interrompe. Uma nova familiaridade se segue ao susto provocado em nós pela irrupção de um outro. [...]. Pensamento extraído da obra Convite: convida Jacques Derrida a falar da hospitalidade (Escuta, 2003), da filósofa e psicanalista francesa Anne Dufourmantelle (1964-2017).

CORRUPÇÃO - [...] Em Roma ela se chama bustarela; em Moscou, vzyatha; em Berlim, tink geld, e em Brasília pode ser jeitinho, mas em qualquer lugar do mundo e a qualquer época será sempre corrupção, uma prática tão antiga quanto a existência do homem. Sua arma predileta é a dissimulação, e seu instrumento mais eficaz, desde o mais célebre da História, o de Judas Iscariotes, ao do empreiteiro que paga comissão ao homem público. [...]. Trecho do jornalista Pedro Cavalcanti.

A ARTE & O FUTURO - [...] Em todas as artes há um aspecto físico que não pode mais ser considerado ou tratado como no passado, pois não pode mais se furtar aos efeitos da ciência e da práxis moderna. Matéria, espaço e tempo não são mais o que eram [...] Inovações tão colossais, que alteram o conjunto das técnicas artísticas, acabam por influenciar a própria invenção e talvez terminem por modificar da forma mais extraordinária o próprio conceito de arte. [...] Trecho extraído da La conquête de l’ubiquité - A conquista da ubiquidade (Gallimard, 1960), do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui.

AMOR RECÍPROCO - Num universo de tantas galáxias / Um planeta de tantas belezas / O éden não deslumbrava / A sinfonia não encantava / Então Deus fez Adão / Adão caiu em êxtase mas não sorriu / Deus colocou a mão em seu peito / Deu-lhe poder, desejo e amor. / Amor recíproco / Num vaso lindo colocou / DEUS criou a MULHER. / Sua obra completou /Sua maravilha contemplou. / Chegou na perfeição. Poema da escritora paranaense Dária Farion que é formada pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade Federal do Paraná, participa da Academia Paranaense da Poesia - cadeira nº 14 Centro de Letras do Paraná, Centro Paranaense Feminino de Cultura e União Brasileira dos Escritores de Nova Iorque – UBENY. É autora dos livros Vida Néctar e Veneno – 1994, Foco de Visão - 1998 Editora Champagnat –PUC e Verbos e Versos - 2003 Editora Champagnat – PUC. Veja mais aqui.


A arte da videoartista, escultora e performática japonesa Shigeko Kubota.

FATOS – A obra Fatos: a tragédia do conhecimento em psicanálise, de Paulo Cesar Sandler, aborda temas como o destino das ideias, o aparelho para sentir os sentimentos, identificação projetiva, instrumentos perceptuais, o papel da intuição, compaixão, expiação, topologia, elementos beta, identificação projetiva e sentimentos durante uma sessão analítica, elementos beta inteligíveis e ininteligíveis, a função antialfa, ciência e pesquisa psicanalítica, pratica clinica, o psicanalista, os grupos sociais, a verdade, luto, pensamento esquizofrênico, casamento, vida real, sobreviver e viver, moralidade e valores, critérios de cura, adoção, criação artística, imitação e falsidade, entre outros importantes assuntos. Fonte: SANDLER, Paulo Cesar. Fatos: a tragédia do conhecimento em psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 1989. Veja mais aqui.

APLICAÇÃO DO CÓDIGO CIVIL ÀS LICITAÇÕES E CONTRATOS – A obra Aplicação do código civil às licitações e contratos, de Carlos Ponto Coelho Motta, trata de temas como a dimensão atual do direito administração e precariedade da norma positiva, delimitação do campo de atuação, dispositivos selecionados, o aspecto da autonomia disciplinar no direito administrativo, redefinição evolutiva do direito administrativo e do papel do Estado, recorrência instrumental ao direito privado, responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas, Lei 8666/93, abuso da personalidade jurídica, licitação, probidade e boa-fé, princípio da colaboração, vício redibitório, contratos, locação e leasing, comodato, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: MOTTA, Carlos Pinto. Aplicação do código civil às licitações e contratos. Belo Horizonte: Del Rey, 2004. Veja mais aqui.

PSICOLOGIA APLICADA AO DIREITO – O livro Psicologia aplicada ao direito, de José Osmir Fiorelli, Maria Rosa Fiorelli e Marcos Julio Olivé Malhadas Junior, aborda temas como o conflito, o efeito da mudança no individuo, o conflito intrapsiquico, diferenças de personalidade, identificação de interesses, o processo de comunicação, instruções e predições paradoxais, comunicação e características pessoais, comunicação e linguagem, orientações para o advogado, abordagens psicodinâmicas, cognitivas, comportamentais, motivacionais, sistema social, funções mentais superiores, sensação, percepção, memória, atenção, linguagem e pensamento, emoção, comportamento, condicionamento, punição, motivação e autoestima, personalidade, o advogado no contexto interpessoal, liderança, habilidades pessoais e interpessoais, autoconhecimento, psicopatologias, transtornos mentais, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, alcoolismo, abuso e dependência de susbtancias psicoativas, tabagismo, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIAS: FIORELLI, José O.; FIORELLI, Maria Rosa; MALHADAS JUNIOR, M. J. O. Psicologia aplicada ao direito.

METODOLOGIA CIENTÍFICA - O curso Faça seu TCC sem Traumas compreende aulas semanais online voltadas para preparação do Trabalho Acadêmico de graduação ou pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado), com conteúdos, exercícios e tarefas para aplicação dos conhecimentos, momento tira-dúvidas, acompanhamento e orientações. Veja detalhes aqui.




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A primeira vez no avião, Fernando Sabino, Manuel Bentevi, Nana de Castro, Jean-Paul Riopelle, Kiriku e a feiticeira, Inteligências Múltiplas & Aline Barros aqui.

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Proezas do Biritoaldo: Quando o banguelo vê esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo! Aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá 
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Paz na Terra
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

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