sexta-feira, maio 02, 2008

MAIAKOVSKI, OVÍDIO, DURKHEIM, JAKES DE BASIN, MAXWELL DICKSON, EDUCAÇÃO & ONTOLOGIA


 
Art by Maxwell Dickson

GALOPE DO AMOR DOIDO DE ALEGRIA – O galope só é bom quando a beira-mar é o corpo da mulher amada, mar que é o amor e o amor é o que o amor faz: festa nos meus olhos, balbúrdia no meu coração súdito acorrentado na vertigem de todas e tantas taras. O galope é festa no movimento gracioso - glória mulher nas alturas que minha alma anseia! - e atrai todas as atenções: é ela danada violentando as águas como quem bota pra quebrar no que me sobra em ser feliz e lavro armado pela rampa onde ocupo o espaço, tamanho de tudo. É ela protagonista do meu verso agalopado quando seu corpo todo talento para me surpreender é a guitarra cósmica e eu me faço dedos de Stewe Howe dedilhando sua carne a dar lugar ao poema vida acesa, águas navegáveis, nave ligeira, a fúria do inarredável. É ela fêmea desvairada galopando enjaulada pelo meu desejo nas coxas de fruta nativa estendidas com seu encrespado ventre onde vou chovendo na lavoura, superfície e entranha, os meus ventos nela e todo dia renasço com os raios indômitos do seu vulcão faustoso. É ela ventura que me atrai toda contumácia em estado de graça doido de alegria pelo tesouro de mina fabulosa e vou roubando seus sabores porque nela bebo as ondas do mar: seus braços e pernas aceitam de bom grado o vazio que sou e não me poupa e todo meu ser se faz inteiro nas carícias por todos os atalhos dela como um sino aos dobres no meu coração. É ela tarde enorme nos louros da vitória de paixões inventadas, alma de safira, pele de turquesa, seio em flor, pérola do colo, alívio do meu viver, mexendo toda na apoteose do galope do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIAO tempo conquista todas as coisas, até mesmo o coração. Pensamento do poeta e autor teatral romano Publius Ovidus Nasso, conhecido como Ovídio (42aC – 17aC). Veja mais aqui.

ONTOLOGIA – Ciência do ser que designa a metafísica geral que procura determinar o que é o Ser como Ser; ela opõe-se à metafísica particular, que estuda as coisas e os seres na especificidade de seu gênero (como a natureza, Deus ou o homem, por exemplo). Assim, trata do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres objeto de seu estudo. A aparição do termo data do século XVII, e corresponde à divisão que Christian Wolff realizou quanto à metafísica, seccionando-a em metafísica geral (ontologia) e as especiais (Cosmologia Racional, Psicologia Racional e Teologia Racional). Embora haja uma especificação quanto ao uso do termo, a filosofia Contemporânea entende que Metafísica e Ontologia são, na maior parte das vezes, sinônimos, muito embora a metafísica seja o estudo do ser e dos seus princípios gerais e primeiros, sendo portanto, mais ampla que o escopo da ontologia. Extraído da obra A arte e a natureza (Papirus, 1991), do filósofo e crítico de arte francês Michel Ribon. Veja mais aqui e aqui.


A EDUCAÇÃO NA SOCIOLOGIA DE ÉMILE DURKHEIM - No pensamento sociológico o filósofo francês Émile Durkheim (1858-1917), a educação tem papel fundamental na própria constituição e manutenção da sociedade, pois é fundamental, uma vez que é por ela que o homem se socializa, se constitui enquanto ser social. Na sua idéia, a educação é entendida como fenômeno social, considerando que os indivíduos, ao nascerem, encontram a sociedade já composta por normas morais e legais, costumes, cultura e outros elementos que a compõem e, para a integração destes indivíduos ao mundo social. Neste sentido, a educação passa a ser instrumento impositivo do já estabelecido pela sociedade. Para ele a educação é definida como a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente. Portanto, a educação, para Durkheim, tem a finalidade de formar o ser social, que se distingue do ser individual, sendo aquele o ser que se relaciona com outros seres na construção social de forma solidária, solidariedade mecânica constituída pelas sociedades menos desenvolvidas e solidariedade orgânica nas sociedades mais desenvolvidas. Conclui-se que a educação consiste numa socialização metódica das novas gerações. Outro é um sistema de idéias, sentimentos e hábitos, que exprimem em nós, não a nossa individualidade, mas o grupo ou os grupos diferentes de que fazemos parte; tais são as crenças religiosas, as crenças e as práticas morais, as tradições nacionais ou profissionais, as opiniões coletivas de toda espécie. Seu conjunto forma o ser social. Constituir esse ser em cada um de nós – tal é o fim da educação: “É uma ilusão pensar que educamos nossos filhos como queremos. Somos forçados a seguir as regras estabelecidas no meio social em que vivemos”, diz ele que concebe a educação como fato social, portanto, ela não poder ser tomada como responsabilidade privada, mas sim, de âmbito coletivo. Sendo a educação essencialmente social, o Estado tem papel fundamental. O autor ao se referir a papel do Estado na educação, afirma que tudo o que seja educação, deve estar até certo ponto submetido à sua influência. Isto não quer dizer que o Estado deva, necessariamente, monopolizar o ensino. Pode-se acreditar que o progresso escolar seja mais fácil e mais rápido onde certa margem se deixe à iniciativa privada. O indivíduo é sempre mais renovador que o Estado. Mas, o fato de dever o Estado, no interesse público, deixar abrir outras escolas que não as suas, não se segue que deva tornar-se estranho ao que nelas se venha a passar. Pelo contrário, a educação que aí se der deve estar submetida à sua fiscalização. Não é mesmo admissível que a função de educador possa ser preenchida por alguém que não apresente as garantias de que o Estado, e só ele, pode ser juiz. O autor, mesmo concebendo a possibilidade da iniciativa privada a abrirem escolas, estas não tem o direito de ensinar o que lhe convém, pois elas sempre devem estar sob a fiscalização do Estado, garantindo que o ensino das escolas estatais e privadas atenda as necessidades da sociedade determinada historicamente. Veja mais aqui e aqui.

OS TRÊS CAVALEIROS E A CAMISAOs falsos amantes põem, para melhor seduzir, a máscara do verdadeiro amor. Dia e noite, passam eles inventando novos artifícios, e é frequente fazerem tombar em suas redes inocentes corações. [...] a dama, apesar de se ter esquivado aos três fidalgos, não ficara indiferente às suas propostas; mas decidida a entregar-se ao melhor deles, resolvera pôr à prova todos os três. [...]. E agora, belas damas, jovens donzelas, nobres cavaleiros, dizei-me: qual dos dois amantes se sacrificou mais pelo outro? Resolvei este problema e que, em prêmio, Amor vos cumule de favores. Trechos do conto Os três cavaleiros e a camisa, de Jakes de Basin, extraído da antologia Maravilhas do conto amoroso (Cultrix, 1961), organizada por Fernando Correia da Silva.

E ENTÃO QUE QUEREIS?...Fiz ranger as folhas de jornal / abrindo-lhes as pálpebras piscantes. / E logo / de cada fronteira distante / subiu um cheiro de pólvora / perseguindo-me até em casa. / Nestes últimos vinte anos / nada de novo há / no rugir das tempestades. / Não estamos alegres, / é certo, / mas também por que razão / haveríamos de ficar tristes? / O mar da história / é agitado. / As ameaças / e as guerras / havemos de atravessá-las, / rompê-las ao meio, / cortando-as / como uma quilha corta / as ondas. Poema extraído da Antologia poética (Max Limonad, 1987), o poeta, dramaturgo e teórico russo Vladimir Maiakovski (1893-1930). Veja mais aqui.


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