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terça-feira, maio 16, 2017

O LABIRINTO DE GARCÍA MARQUEZ, A ESCOLA DE RUI CANÁRIO & A ESCULTURA DE GÉRÔME

DOS LABIRINTOS QUE BROTAM DE SI PRA VIDA - Quantos labirintos nascem em cada um e se insinua na vida pelas ruas pra onde ir das esquinas, becos, travessas, transversais com seus intricados percursos que dão nas rodovias das estradas sem fim e que se perdem dentro de si e feito Teseu desorientado com a emergência de zis minotauros aos tantos dédalos nas horas e o que fazer entre manhãs e tardes do dia, até sem saber escuridão da noite com todos os gatos que são pardos e equivoca com o que não vê nem prevê a luz plena da compreensão dos pensamentos e ações das complicações paradoxais de ter ido tão longe e perceber que não saiu de lugar algum, como se devaneio fosse aflorando das ideias aos turbilhões das escolhas, qual opção certa e o erro à espreita pras quedas e abissais calamidades que nada mais são que decepções pelo que foi feito em nome do que era correto na esdrúxula convicção e o desapontamento de não ter ido quando deveria chegar junto, despojado do orgulho que impedia sempre de se sentir o mais humano entre humanos e do que era ou sempre foi às vezes do ser e não ser isso ou aquilo, dependendo da conveniência de se esconder de si como se fosse outro, máscaras que se justapõem aos montes e carapuças que se ajustam ao alter ego na confusão do vai não vai, ainda é cedo, já é tarde, e a coragem pros desafios de seguir em frente sem saber ao certo se vale a pena e os desaforos pra prosseguir resiliente contra tudo e todos os embaraços para debater-se aos prantos à constatação do quão ludibriado em suas crenças e certezas ao esbarrar com a Esfinge com os enigmas da existência e seus enredos pro desengano pela sedução de todas as sereias voluptuosas com os acenos das promessas de fortunas e venturas e no fim da meada olhar pra trás e vê-se ao cúmulo do arrependimento por todos os castelos de areia erguidos na faina do progresso, esfacelados aos ventos do seu próprio deserto entre os dedos e no fim da picada ter de ir contra a vontade pela obrigação do compromisso assumido, a enveredar naquilo que não tem o menor domínio, só pelo simples intento de fazer diferente, quem sabe dá certo, vai que cola nas coxas e atira no que viu acertando no que sequer sabia existir a se jogar à deriva das condições ao sabor das ondas rumo ao incerto, naquela do pior que está não pode ficar, e chegar ao fundo do poço enganando a si mesmo uma vitória jactanciosa só por se arvorar a dar volta por cima no lamaçal da integridade, teimando com arrazoados infrutíferos como se tivesse uma carrada de razões para se manter casmurro a qualquer custo, laureado por nenhum prêmio além da vaidade, girando o mundo na órbita do umbigo só por capricho da insensatez na incoerência das alucinações, sem dar conta dos sobressaltos e o frio na barriga, pálido do inesperado, deprimido por resultados adversos e situações aversivas constantes, pronde tu vai? E a cavilação ignota no sinal fechado às cabeçadas e falando sozinho altas horas da noite, regurgitando mágoas, ruminando frustrações remoídas na hibernação solitária, cadê estômago pros batráquios indigestos, quantas caras e bocas pra disfarçar o nocaute com o chute nos testículos inchados, oh não, arriado na porta com a placa avisando não entre, propriedade privada, cão raivoso e sujeito a pipocos de bala a granel pela vigilância indômita para aplacar qualquer invasão, pronde tu vai? Quanta gente infeliz há milênios brigam e rastejam para manter posição e ganhos em detrimento de paz e espiritualidade, a culpa lavando choro na pia, personas no palco da vida, se assunte e tome tento: a vida não é qualquer coisa. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

O GENERAL EM SEU LABIRINTO
[...] Examinou o aposento com a clarividência de quem chega ao fim, e pela primeira vez viu a verdade: a última cama emprestada, o toucador lastimável cujo turvo espelho de paciência não o tornaria a refletir, o jarro d'água de porcelana descascada, a toalha e o sabonete para outras mãos, a pressa sem coração do relógio octogonal desenfreado para o encontro inelutável de 17 de dezembro, à uma hora e sete minutos de sua tarde final. Então cruzou os braços contra o peito e começou a ouvir as vozes radiosas dos escravos cantando a salve-rainha das seis nos trapiches, e avistou no céu pela janela o diamante de Vênus que ia embora para sempre, as neves eternas, a trepadeira nova cujas campânulas amarelas não veria florescer no sábado seguinte na casa fechada pelo luto, os últimos fulgores da vida que nunca mais, pelos séculos dos séculos, tornaria a se repetir.
Trecho extraído da obra O general em seu labirinto (Record, 2000), do escritor, jornalista e ativista político colombiano Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Marquez (1927-2014), retratando os últimos dias do General Simón Bolívar – O Libertador. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
História Universal da Temerança, La Divina Increnca de Juó Bananére, Savarasti, Ator e estranhamento de Eraldo Pera Rizzo, a música de Mônica Feijó, a poesia de Colombina, a pintura de Alfred Pellan & Kellie Day aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa, a poesia de Mario Quintana, a música de Iancu Dumitrescu, o ativismo anarquista de Maria Lacerda de Moura, Toda América de Ronald de Carvalho, Aventuras galantes de Rabelais, Pele de lobo de Artur Azevedo, o cinema de Mario Monicelli & Faith Minton, a pintura de Alfred Pellan & Pierre-Paul Prud'Hon aqui.
Do individualismo ao umbigocentrismo, o pensamento de Gianni Vattimo, A mulher no Diário de um sedutor de Kierkegaard, O poema do haxixe de Baudelaire, Tribo Ik, Antípodas Tropicais de Adriano Nunes aqui.
As delícias do pomar dela, Abre-te Sésamo: Monstesquieu, Declaração de amor de Michael Moore, Imprensa Brasileira & Big Shit Bôbras: o Big Bode aqui.
Princípios de retórica aqui.
A educação na sociologia de Max Weber aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A ciência da linguagem de Roman Jakobson, Caminhos de Swan de Marcel Proust, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi, a pintura de Henry Asencio, a fotografia de Thomas Karsten, a arte de Regina José Galindo & Tortura é crime aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da vida de Helen Keller, O anarquismo de Emma Goldman. a música de Guilhermina Suggia, Viviane Madu & Os Fofos Encenam, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso & a pintura de Martin Eder aqui.
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, Livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, Neurociência & Educação, Ciência psicológica de Michael Gazzaniga, a música de Ayako Yonetan, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a literatura de John dos Passos, O teatro pobre de Jerzy Grotowski, a música de Carlos Careqa, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a arte de Alex Mortensen & Vesselin Vassilev aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
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PROMESSAS E INCERTEZAS DA ESCOLA
[...] A de construir uma escola onde se aprenda pelo trabalho e não para o trabalho, contrariando a subordinação funcional da educação escolar à racionalidade econômica vigente. É na medida em que o aluno passa à condição de produtor que nos afastamos de uma concepção molecular e transmissiva da aprendizagem, evoluindo da repetição de informação para a produção de saber; a de fazer da escola um sítio onde se desenvolva e estimule o gosto pelo ato intelectual de aprender, cuja importância decorrerá do seu valor de uso para “ler” e intervir no mundo e não dos benefícios materiais ou simbólicos que promete no futuro; a de transformar a escola num sítio em que se ganha gosto pela política, isto é, onde se vive a democracia, onde se aprende a ser intolerante com as injustiças e a exercer o direito à palavra, usando- a para pensar o mundo e nele intervir. [...].
Trecho do artigo A escola: das “promessas” às “incertezas” (Unisinos, 2008), do professor catedrático e doutor em Ciências da Educação, Rui Canário, autor da obra A escola tem futuro? (Artmed, 2009), na qual o autor faz uma reflexão crítica acerca da necessidade de transformação da escola com base em planos fundamentais de pensar a escola a partir da educação não-escolar; caminhar no sentido de desalienar o trabalho escolar, para que o trabalho de aprender possa ser vivido como uma “obra” e transformar a educação, e em particular a escola, através de movimentos sociais. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A arte do pintor e escultor academicista francês Jean-Léon Gérôme (1824-1904)
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

quinta-feira, abril 28, 2016

EDUCAÇÃO, GIANNETTI, JEAN DELVILLE, ANDRÉ LEMOS, ROSANA LAMOSA & LYGIA COELHO

A EDUCAÇÃO NOSSA DE CADA DIA - Para todo lugar que a gente se vire, seja na esquina, nos auditórios, nos holofotes, nas fofocas, onde quer que seja, uma unanimidade: a educação é fundamental para melhorar o ser humano e a realidade no mundo em que vivemos. E isso é repetido a torto e a direito: é preciso investir maciçamente na educação para melhorar a humanidade. Por conta disso, como todo mundo fala, vou também colocar o meu bedelho no assunto. Cá pra nós, é evidente que a educação não será jamais a panaceia para todos os males da sociedade, mas indubitavelmente é o alicerce fundamental para um melhor encaminhamento da humanidade, como também para resolver um bocado de bronca oriunda de equívocos e desinformação no Brasil. Nisso todos concordamos. Principalmente quando se procura saber qual o problema da educação brasileira. Usualmente esse problema é visto de uma forma maniqueísta e, diga-se de passagem, bastante reducionista, colocando-se como apenas dois: os alunos não querem saber de pirocas nenhuma, quanto mais estudar; ou os professores estão naquela do Vampeta: fingem que ganham altos salários, fingindo que ensinam. Quer dizer, colocam a culpa do fracasso escolar ou no aluno, ou no professor. E só. Quando muito, uma visão um pouco mais esclarecida, ao que parece, grita a necessidade de maior investimento em educação. Bem, ao que se sabe, oficialmente, o Brasil investe 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econônico (OCDE), R$ 5,5 trilhões e que está acima da média dos países mais desenvolvidos do planeta. Tá. É muito? Não, todo mundo está careca de saber que é pouco. Todavia, melhor a gente dá uma olhada mais acurada para ver se é isso mesmo o nó do problema. Analisemos friamente: o que os alunos da educação básica até o ensino superior esperam da educação são conteúdos importantes e diretamente relacionados com a sua realidade, aulas dinâmicas e preparação para a vida, pro trabalho e pra vida. Sim. O que os professores esperam da educação é uma valorização profissional, estabilidade e condições dignas de existência, estrutura adequada pro desempenho de suas funções, alunos aplicados e ambiente horizontal nas relações hierárquicas. Certo. Quanto ao investimento governamental na educação pública brasileira é uma coisa a se considerar, vez que a gente também está careca de saber que existe muita tramoia desviando a finalidade das verbas públicas em tudo quanto é área de responsabilidade governalmental. Não é à toa que o Brasil é o país da espórtula e do vamos nos arrumar. Então, vamos colocar mais gente na roda para avaliação melhor, ou seja, vamos colocar os pais, a comunidade e a sociedade nesse contexto. Os pais depositam total responsabilidade pela educação dos filhos na escola, esquecendo-se - para não dizer eximindo-se - das suas próprias responsabilidades a respeito, se livrando dos filhos como se os sacudisse em um turno ou tempo integral lá dentro, dizendo: tomem esse troço e dêem um jeito aí nessa bronca, a responsabilidade é de vocês, se virem! Esse também é o desejo da comunidade e, por tabela, de toda sociedade. Ninguém quer segurar no bico do bule para ver o quanto está fervendo, joga a responsabilidade pros outros. Por conta disso, os pais esperam que a escola faça dos seus presepeiros e indomáveis pupilos, gente quieta, obediente, direita e promissora, capazes de lhes proporcionar orgulho no futuro. Entretanto, há uma coisa a ser dita: educação não é só depósito de conteúdo, condicionamento, reforço, aperto no disciplinamento, meritocracia e religiosidade. Educação é muito mais. Já a escola com seus altos muros quase impenetráveis, fechada e sem diálogo com a comunidade, muito menos com a sociedade, precisa ser vista: é lá que estão os alunos e os professores apontados como os dois principais problemas da educação. Além de professores, a escola reúne outros tantos profissionais que fazem o corpo de gestores e administração. Muito se fala por aí na eleição direta de diretores nas escolas públicas em atendimento à gestão democrática, mas todo mundo sabe que a maior parte, principalmente nas cidades interioranas, as diretorias das escolas são ocupadas por pessoas ligadas ao prefeito ou de suas relações políticas, muitas delas, inclusive, alheias a área. Essa direção racha a escola em duas: a área pedagógica, que deve resolver as principais broncas e fim de papo; e a área administrativa, que é a dos achegados na gestão financeira. A bronca pedagógica é delegada aos coordenadores e supervisores; a bufunfa fica nas mãos de quem passa a tratar a escola pública como um negócio rentável que tem que dar certo e, se possível, lucro para o diretor e os seus, mesmo em se falando de escola pública, observe. Assim não fosse, não apareceria tantos problemas com a merenda escolar no noticiário. Epa! Mas dizem que isso é problema da secretaria de educação. Sim, se a gente olhar quem é que ocupa as secretarias municipais de educação no Brasil, constatará que em sua esmagadora maioria, também, está ocupada por pessoas ligadas ao gestor público ou de suas relações políticas e, provavelmente, de área alheia à educação, afora um quadro de pessoal descomprometido com a questão, que está ali apenas para garantir sua aposentadoria e ter o que fazer, salvo raríssimas exceções, atente pra isso. Contudo, salvo melhor juízo, o caso das broncas da merenda escolar é doutra esfera: da secretaria estadual de educação. Tá. Não precisamos perguntar quem é o secretário de educação na maioria dos estados brasileiros, que seguem a cantilena dos municípios, também ocupados por pessoas das relações políticas do governador e que, em sua grande maioria, nada tem a ver com a educação, salvo as raríssimas exceções, reitero. Todavia, esta secretaria coloca a culpa no Ministério da Educação (MEC). Sim, também, se a gente for ver quem é o Ministro dá pra sacar que o problema começa em cima, afora os gabinetólogos de bunda quadrada que em Brasília querem fazer uma educação uniforme e homogeneizada para o Brasil todo, desconsiderando a heterogeneidade regional do nosso continental país. Em suma, uma primeira conclusão: há mais interesse individual na educação pública brasileira que qualquer outra coisa. Sim, a tragédia está tanto na educação pública como na rede privada: a diferença entre elas é só a limpeza e disciplina. O resto é uma tragédia só. Isso faz com que a educação não só tenha um ou dois problemas, mas muitos como uma corda de guaiamum bastante complexa. Excetuando-se aqui, ali ou alhures alguma iniciativa louvável raríssima e pontual, da educação infantil até o ensino superior, a educação brasileira é no mínimo disfuncional, quando não contraproducente: preparam os estudantes apenas e tão somente a serem serviçais do capitalismo. Trocando em miúdos: o problema da educação começa pela negligência, descompromisso e descomprometimento dos pais com o futuro dos seus filhos, ou por uma compreensão equivocada acerca do futuro da humanidade. Das duas, uma. Não será bastante alertar que o futuro pode ser no mínimo um abrigo pros pais negligentes ou, de uma forma mais contundente, a consideração da covardia que levarão nossos filhos a nos responsabilizar por não termos a competência, a coragem e a seriedade de resolver os nossos próprios problemas a respeito, transferindo-os como uma avalanche para uma realidade mais grave e trágica no futuro. Pense nisso. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. PS: e por falar em Educação veja mais aqui, aqui e aqui

 Imagem: a arte do pintor, escritor e ocultista belga Jean Delville (1867-1953).


Curtindo o álbum da ópera Jupyra (Biscoito Fino), do compositor Francisco Braga, com a cantora lírica Rosana Lamosa & a OSESP. Veja mais aqui.

PESQUISA
Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea (Sulina, 2007), do sociólogo e professor André Lemos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
A ilusão da alma: biografia de uma ideia fixa (Companhia das Letras, 2010),
o economista, sociólogo e professor Eduardo Giannetti. Veja mais aqui e aqui. 

PENSAMENTO DO DIA
 Quem se acha dono da razão, com certeza nunca teve educação. 

Veja mais Osman Lins, Adolphe Appia, Paul Éluard, Pedro Almodóvar, Alberto de Oliveira, José Malhoa, Paulo César Pinheiro, Penélope Cruz &Valéria Pisauro aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Deusa Flora, da pintora Lygia Coelho.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


domingo, julho 13, 2014

ASPÁSIA, RIMBAUD, ANTI-ÉDIPO, SAM TAYLOR-JOHNSON & LILLIAN DIANA GISH

 


A SOLIDÃO DE ASPÁSIA - Seu nome a fazia desejada desde que nasceu na cidade jônica de Mileto, uma meteca. Após a morte do seu pai, Axíoco, na revolta de Mileto e depois da secessão da Liga de Delos, ela seguiu para o casamento da irmã. A cerimônia promovida incentivava Alcebíade de Escambônidas, que se encontrava exilado após seu ostracismo, fazendo-a acompanhar o cunhado para Atenas. Depois disso toda sua vida tornou-se um mosaico de acontecimentos. Há quem diga que ela foi uma escrava prisioneira da guerra cária e ao se libertar tornou-se tornou hetaira, dirigindo um bordel. Por sua independência participou da vida pública da pólis, contrariando outras mulheres e alimentando as más línguas. Foi lá que conheceu Péricles, que se divorciou para conviver com ela. Ele, por sua vez, tornou-se o seu guardião, quando o seu filho mais velho Clímias morreu na Batalha de Coroneia. O casal teve um filho. Porém, durante a praga o poderoso morreu, juntamente com sua irmã e seus dois filhos, tornando-se o seu filho herdeiro legítimo. Durante a vida conjugal com o guerreiro, ela foi acusada de ser a responsável pela guerra da Sâmia, conduzindo ataques a Samos para gratifica-la, segundo Plutarco. Daí foi julgada por impiedade, com o poeta cômico Hermipo atuando como promotor, sendo absolvida por intervenção de Péricles. O julgamento também envolveu acusações de Fídias e Anaxágoras, seus amigos. Além disso, ela foi acusada de responsável pela guerra do Peleponeso, n’Os Acarnânios de Aristófanes, batalha esta por retaliação ao sequestro das suas prostitutas pelos megarianos. E também pela guerra com Esparta, afora tantas intrigas e incidentes que davam-na como dedicada em corromper as mulheres de Atenas para satisfazer as perversões de Péricles, razão pela qual era tratada como pivô de grandes desentendimentos, retratados pelos poeta cômicos Eupólide e Crástinos, reiterados por Plutarco. E que por ela Péricles soltou raios, provocou trovões, perturbou a Grécia e aprovou decreto condenando os megarianos ao banimento. Por causa de tudo isso ela foi comparada por Plutarco com a famosa Targélia, renomada hetaira jônica; pros poetas cômicos, uma prostituta – ela abriu uma academia para mulheres formando um salão popular para influentes homens. Possuía a reputação de poderosa e independente, comparada à Frinéia – aquela que foi acusada pela realização de celebrar o deus inusual Isodaítas - Dioniso, realizar reuniões devassas e sair em procissão iconoclasta, levadas ao tribunal pelas acusações de Euthias e Harpocration, defendida por Hisperides. Na Quíron de Cratino, ela é descrita como "Hera-Aspásia, uma concubina com olhos de cachorro". Eupólide mencionava em Proslapatianos, que ela é comparada a Helena de Troia, culpada por iniciar uma guerra. E em Philoi era considera Ônfale, que possuía seu homem escravo – comparando-se Péricles a Hércules. Eupólide também aludiu que ao ressuscitar Péricles procura saber pelo filho vivo, tomando ciência de que estava escondido por ter vergonha de se envolver com a mãe. Tudo levou Ateneu acusá-la de Nova Ônfale, de Dejanira, de Hera e de Helena, entre outras comparações difamantes, reforçando outras tantas maledicências de Xantipo, também filho de Péricles. Que depois ela casou-se com um general político, Lísicles, que se tornou o homem de cargo mais alto em Atenas. Veio o filho Poristes. Lísicles foi morto em ação em uma expedição para cobrar subsídios de aliados. E seu filho foi eleito general para ser executado após a Batalha das Arginusas. Por fim, dizem que ela morreu antes da execução de Sócrates, conforme Ésquines de Esfeto, além de vítima das calúnias e como a personificação da vida de indulgência sexual. No meio do opróbrio geral, algumas posturas apologéticas embelezaram sua expressão. Para Diodoro Periegeta e discípulos socráticos era a professora e retórica, exceto para Antístenes, que a retratava de forma negativa. Ésquines Socrático e Xenofonte, positivamente. Nos diálogos é apresentada como uma retórica educada e habilidosa, além de uma fonte de conselhos para questões conjugais. Alguns consideravam por isso que influenciou Péricles em suas retóricas públicas e que inventou o método socrático. Foi exaltada por Dídimo Calcêntero, Cícero e Quintiliano, figurando na Erotika, de Clearco de Soles. Está nas passagens do diálogo platônico Menêxeno, como professora de Sócrates, de Péricles e muitos outros. Luciano a tratava como modelo de sabedoria. Sua fama atravessou gerações e séculos: ela está nas cartas de Heloisa de Argentueuil a Abelardo; no Promptuarium Iconum, de Guillaume Rouille; na Iconografia de Giovanni Angelo Canini; em Tirannia Paterna, de Arcangela Tarabotti; na Historia Mulierum Philosopharum, de Gilles Ménage; nas pinturas de Marie Bouliard, Henry Holiday, Jean-Léon Gérôme, Lawrence Alma-Tadema e Nicolas-André Monsiau; na litografia de Honoré Daumier; na Histoire de deux Aspasies, de Jean Leconte de Bièvre; na representação da personagem Corinne do romance de Germaine de Stael; em romances de Walter Savage Landor, Robert Hamerling e Elizabeth Lynn Linton; nas páginas de Philothea de Lydia Maria Child, de Gertrude Atherton; ; nos poemas de Giacomo Leopardi; no teatro de George Cram Cook; no pseudônimo de Elza Rozenberga, imagem de Judy Chicago; bem como nas obras de Peter Green; de Madelon Dimont; e de Taylor Caldwell. Apurou-se, então, tratar-se de uma mulher de renome intelectual, tornando-se a mais atestada e mais importante da história, mencionada por Platão, Antístenes e Sócrates. Era uma feminista sexualmente liberada que ensinou a arte do amor e passou a integrar as lendas posteriores como uma mulher sábia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Só porque você cometeu sua própria mortalidade, isso não a torna menos assustadora. Quando tive câncer, as pessoas ficaram surpresas com o quão alegre e otimista eu era, mas eu não podia me deixar entrar em depressão – para chegar lá, essa derrota permitiria que tudo entrasse. sair novamente. Você pode ficar no abismo e espiar, mas não ceder à tristeza. Tomei muitas decisões importantes em minha vida que chocaram as pessoas. Acho que tive sorte de ter entrado na faculdade de artes. Foi isso que me salvou. Se olharmos para a história da arte, para Goya ou Gainsborough, trata-se sempre de reconhecer as pessoas do seu tempo que têm influência. Pensamento da cineasta e fotógrafa britânica Sam Taylor-Johnson.

 

ALGUÉM FALOU: O amor é uma pedra dura entre duas pessoas e não pode ser separado... O que você ganha é o sustento – o que você dá é uma vida... Enquanto você estiver curioso, nunca ficará entediado. É um mundo difícil para pequenas coisas. Pensamento da pioneira atriz estadunidense Lillian Diana Gish (1892-1993), que atuou no cinema e teatro, além de diretora e escritora. É considerada a maior atriz do cinema mudo.

 

O ANTI-ÉDIPO, DE DELEUZE & GUATTARI  - [...] na formação de soberania capitalista (corpo pleno do capital-dinheiro como socius) a grande axiomática social tem substituído os códigos territoriais e as sobrecodificações despóticas que caracterizam as formações precedentes; assim se formou um conjunto gregário, molar, cujo poder de sujeição não tem igual. Vimos sobre que bases funciona esse conjunto: todo um campo de imanência que se reproduz numa escala cada vez maior, que não para de multiplicar seus axiomas à medida das suas necessidades, que se enche de imagens e de imagens de imagens, através das quais o desejo é determinado a desejar a sua própria repressão (imperialismo) — uma descodificação e uma desterritorialização sem precedentes, que instauram uma conjugação como sistema de relações diferenciais entre os fluxos descodificados e desterritorializados, de tal maneira que a inscrição e a repressão sociais já não têm necessidade de incidir diretamente sobre os corpos e as pessoas, mas, ao contrário, os precedem (axiomática, regulação e aplicação) — uma mais-valia determinada como mais-valia de fluxo, cuja extorsão não ocorre por simples diferença aritmética entre duas quantidades homogêneas e de mesmo código, mas precisamente por relações diferenciais entre grandezas heterogêneas que não são de mesma potência: fluxo de capital e fluxo de trabalho como mais-valia humana na essência industrial do capitalismo, fluxo de financiamento e fluxo de pagamento ou de rendas na inscrição monetária do capitalismo, fluxo de mercado e fluxo de inovação como mais-valia maquínica no funcionamento comercial e bancário do capitalismo (mais-valia como primeiro aspecto da imanência) — uma classe dominante tanto mais impiedosa quanto menos põe a máquina a seu serviço, pois é a serva da máquina capitalista: classe única, neste sentido, que se contenta em tirar rendimentos que, por enormes que sejam, têm apenas uma diferença aritmética em relação às rendas-salários dos trabalhadores, ao passo que ela funciona mais profundamente como criadora, reguladora e guardiã do grande fluxo não apropriado, não possuído, incomensurável relativamente aos salários e aos lucros, que marca a cada instante os limites interiores do capitalismo, seu deslocamento perpétuo e  sua reprodução numa escala ampliada (jogo dos limites interiores como segundo aspecto do campo de imanência capitalista, definido pela relação circular “grande fluxo de financiamento-refluxo das rendas salariais-afluxo do lucro bruto”) — e difusão da antiprodução na produção, como realização ou absorção da mais-valia, de tal maneira que o aparelho militar, burocrático e policial se acha fundado na própria economia, que produz diretamente investimentos libidinais da repressão de desejo (antiprodução como terceiro aspecto da imanência, exprimindo a dupla natureza do capitalismo, produzir por produzir, mas nas condições do capital). Não há um só desses aspectos, nem a mínima operação, nem o menor mecanismo industrial ou financeiro que deixe de manifestar a demência da máquina capitalista e o caráter patológico de sua racionalidade (não falsa racionalidade, mas verdadeira racionalidade desse patológico, dessa demência, “porque a máquina funciona, estejam certos disso”). Ela não corre o risco de devir louca, pois já é louca de uma ponta a outra desde o início,e é disto que sai sua racionalidade. O humor negro de Marx, a fonte do Capital, é sua fascinação por uma tal máquina: como isso pôde montar-se,  sobre que fundo de descodificação e de desterritorialização, como isso funciona, cada vez mais descodificada, cada vez mais desterritorializada, como isso funciona tão solidamente através da axiomática, através da conjugação de fluxos, como isso produz a terrível classe única dos homens cinzentos que mantêm a máquina, como isso não corre o risco de morrer sozinho, mas, antes, o que faz é nos levar a morrer, suscitando até o fim investimentos de desejo que nem sequer passam por uma ideologia enganadora e subjetiva e que nos fazem gritar até o fim Viva o capital na sua realidade, na sua dissimulação objetiva! Nunca houve, a não ser na ideologia, capitalismo humano, liberal, paternal etc. O capital define-se por uma crueldade sem igualquando comparada com o sistema primitivo da crueldade, define-se por um terror sem igual quando comparado com regime despótico do terror. Os aumentos de salário, a melhoria do nível de vida são realidades, mas realidades que decorrem de tal ou qual axioma suplementar que o capitalismo é sempre capaz de acrescentar à sua axiomática em função de uma ampliação dos seus limites (façamos o New Deal, defendamos e reconheçamos sindicatos mais fortes, promovamos a participação, a classe única, venhamos a dar umpasso em direção à Rússia que faz o mesmo em nossa direção etc.). Mas, na realidade ampliada que condicionaessas ilhotas, a exploração não para de endurecer, a falta é arranjada da maneira mais hábil, as soluções finais do tipo “problema judeu” são preparadas muito minuciosamente, o terceiro Mundo é organizado como parte integrante do capitalismo. A reprodução dos limites interiores do capitalismo numa escala cada vez mais ampliada tem várias consequências: permitir no centro os aumentos e melhorias de nível, deslocar do centro para a periferia as formas mais duras de exploração, mas também multiplicar no próprio centro os enclaves de sobre-exploração, suportar facilmente as formações ditas socialistas (não é o socialismo à maneira dos kibutz que incomoda o Estado sionista e nem é o socialismo russo que incomoda o capitalismo mundial). Não é or metáfora que se constata isso: as fábricas são prisões, elas não se assemelham a prisões, elas o são. tudo está demente no sistema: é que a máquina capitalista se nutre de fluxos descodificados e desterritorializados; ela os descodifica e os desterritorializa ainda mais, mas fazendo-os passar para  um aparelho axiomático que os conjuga e que, nos pontos de conjugações, produz pseudocódigos e reterritorializações artificiais. [...]. O ANTI-ÉDIPO – O livro O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia, dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, trata sobre as máquinas desejantes, a produção desejante, o orpo sem órgãos, o sujeito e o gozo, psiquiatria materialista, as máquinas, o todo e as partes, psicanálise e familismo: a santa família, o imperialismo de Édipo, três textos de Freud, a síntese conectiva de produção, a síntese disjuntiva de registro, a síntese conjuntiva de consumo, recapitulação das três sínteses, repressão e recalcamento, neurose e psicose, o processo, selvagens, bárbaros, civilizados, socius inscritor, a máquina territorial primitiva, problema de Édipo, psicanálise e etnologia, a representação territorial, a máquina despótica bárbara, a representação bárbara ou imperial, o Urstaat, a máquina capitalista civilizada, a representação capitalista; introdução à esquizoanálise, o campo social, o inconsciente molecular, psicanálise e capitalismo, primeira tarefa positiva da esquizoanálise, segunda tarefa positiva da esquizoanálise e balanço-programa para máquinas desejantes. Veja mais aquiaqui.

REFERÊNCIA
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: 34, 2010.

POEMAS DE ARTHUR RIMBAUD

TERCEIRO SONETO DE "LES STUPRA"
Franzida e obscura como um ilhós
Violeta,
Ela respira, humilde,entre a relva
Rociada
Ainda do amor que desce a branda
Rampa das
Brancas nádegas até o coração da
Greta.
Filamentos iguais a lágrimas de leite
Choraram sob o vento atroz que os
Arrecada
E os impele através de marnas
Arruivadas
Até perderem-se na fenda dos
Deleites.

Beijando-lhe a ventosa, o meu sonho o fequentam
A minha alma, do coito natural ciumenta
Qual lacrimal e ninho de soluços usa-a.

É a oliva esvaída e é a flauta agreste
O tubo pelo qual desce a amêndoa celeste
Feminal Canaã em seios rocios reclusa.
(trad. José Paulo Paes)

PRIMEIRA TARDE

Era bem leve a roupa dela
E um grande ramo muito esperto
Lançava as folhas na janela
Maldosamente, perto, perto.

Quase desnuda, na cadeira,
Cruzavas as mãos, e os pequeninos
Pés esfregava na madeira
Do chão, libertos finos, finos.

— Eu via pálido, indeciso,
Um raiozinho em seu gazeio
Borboletear em seu sorriso
— Mosca na rosa — e no seu seio.

— Beijei-lhe então os tornozelos.
Deu ela um riso inatural
Que se esfolhou em ritornelos,
Um belo riso de cristal.

Depressa, os pés na camisola
Logo escondeu: "Queres parar!"
Primeira audácia que se implora
E o riso finge castigar!

Sinto-lhe os olhos palpitantes
Sob os meus lábios. Sem demora,
Num de seus gestos petulantes,
Volta a cabeça: "Ora, esta agora!..."

"Escuta aqui que vou dizer-te..."
Mas eu lhe aplico junto ao seio
Um beijo enorme, que a diverte
Fazendo-a rir agora em cheio...

— Era bem leve a roupa dela
E um grande ramo muito esperto
Lançava as folhas na janela
Maldosamente, perto, perto.
(Tradução: Ivo Barroso_

ADORMECIDO NO VALE

É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.

Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.

Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.

E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito.
(Trad.: Ferreira Gullar)

SENSAÇÃO

Pelas noites azuis de verão, irei nos caminhos,
Picoté pelos trigos, pisar a erva pequena:
Rêveur, sentirei o frescor tenho os meus pés.
Deixarei o vento banhar a minha cabeça nua.

Não falarei, não pensarei nada:
Mas o amor infinito montar-me -á na alma,
E irei adiante, bem distante, como um bohémien,
Pela natureza, felizes como uma mulher.

PRIMEIRA NOITE

Extremamente era despida
E grandes árvores indiscretas
Às vidraças lançavam eles feuillée
Malinement, muito perto, muito perto.

Sentado sobre a minha grande cadeira,
Seminua, juntava-se às mãos.
Sobre o pavimento frissonnaient de vontade
Os seus pequenos pés tão finos, tão finos.

Olhei, cor de cera,
Um pequeno raio buissonnier
Cintilar no seu sorriso
E sobre o seu seio, mosca rosier.

Beijei as suas finas cavilhas.
Teve suave rire brutal
Quem cortava-se cachos em claros trilles,
Bonito rire de cristal.

Os pequenos pés sob a camisa
Salvaram-se: <>>
A primeira audácia autorizada,
Rire fingia ao punir!

Pauvrets palpitante sob o meu lábio,
Beijei devagar os seus olhos:
Lançou a sua cabeça mièvre
De trás: <>
O Sr., tenho duas palavras a dizer-lhe… >>
Lancei-lhe o resto ao seio
Num beijo, que fez-o rir
Bom rire que bem queria…

Extremamente era despida
E grandes árvores indiscretas
Às vidraças lançavam eles feuillée
Malinement, muito perto, muito perto.

VÉNUS ANADYOMÈNE

Como um caixão verde estanhar, uma cabeça
De mulher à cabelos morenos fortemente pommadés
De uma velha banheira emerge, lento e bête,
Com défices bastante mal emendados;

Seguidamente o colo gordo e cinzento, as largas omoplatas
Quem sobressaem; a costas correm que retorna e que surge;
Seguidamente as redondezas dos rins parecem tomar I' desenvolvimento
A gordura sob a pele parece em folhas planos;

A espinha dorsal é ligeiramente vermelha, e o todo sente um gosto
Horrível étrangement; observa-se sobretudo
Singularités que é necessário ver! a lupa…

Os rins levam duas palavras gravadas: Clara Vir;
- E qualquer este corpo remue e estica seu largo croupe
Bonito hediondamente de um úlcera ao ânus.

O BARCO ÉBRIO

Como descesse ao léu nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado aos sirgadores;
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.

Estava indiferente às minhas equipagens,
Fossem trigo flamengo ou algodão inglês.
Quando morreu com a gente a grita dos selvagens,
Pelos Rios segui, liberto desta vez.

...................................

Mais doce que ao menino os frutos não maduros,
A água verde entranhou-se em meu madeiro, e então
De azuis manchas de vinho e vômitos escuros
Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.

Eis que a partir daí eu me banhei no Poema
Do Mar que, latescente e infuso de astros, traga
O verde-azul, por onde, aparição extrema
E lívida, um cadáver pensativo vaga;

...................................

Se há na Europa uma água a que eu aspire, é a mansa,
Fria e escura poça, ao crepúsculo em desmaio,
A que um menino chega e tristemente lança
Um barco frágil como a borboleta em maio.

Não posso mais, banhado em teu langor, ó vagas,
A esteira perseguir dos barcos de algodões,
Nem fender a altivez das flâmulas pressagas,
Nem vogar sob a vista horrível dos pontões."

SONETO DO OLHO DO CU

De Artur Rimbaud & Paul Verlaine

Obscuro e franzido como um cravo roxo,
Humilde ele respira escondido na espuma,
Úmido ainda do amor que pelas curvas suaves
Dos glúteos brancos desce à orla de sua auréola.
Uns filamentos como lágrimas de leite,
Choraram ao vento inclemente que os expulsa,
Passando por calhaus de uma argila vermelha,
Para escorrer por fim ao longo das encostas.
Muita vez minha boca uniu-se a esta ventosa,
Sem poder ter o coito material, minha alma
Fez dele um lacrimário, um ninho de soluços.
Ele é a tonta azeitona, a flauta carinhosa,
Tubo por onde desce a divina pralina,
Canaã feminino que eclode na umidade.
(Trad. José Miguel Wisnik)

ARTHUR RIMBAUD – Jean-Nicolas Arthur Rimbaud nasceu em 20 de outubro de 1854, em Charleville, nas Ardenas. Sua precocidade revelou-se no Colégio de Charleville, onde surpreendeu mestres e colegas com sua inteligência excepcional que o levava a traduzir poesias latinas. Com 15 anos publicou seu primeiro poema. Com o fim da guerra cresce seu desejo de viver em Paris para onde vai em setembro de 1871. Às vésperas de sua partida escreve Le bateau Ivre, uma de suas obras-primas. Na capital francesa conhece Paul Verlaine com quem teria uma conturbada relação. A agressividade em seus contatos com os meios literários, a vida boêmia e o uso de drogas caracterizam sua conduta em Paris. Lá viveu menos de seis meses, voltando em fevereiro de 1872 para Charleville. Retorna a Paris a pedido de Verlaine e seguem juntos para a Bélgica, permanecendo algumas semanas em Bruxelas. Depois de sucessivas brigas separam-se. No final de 1872 Rimbaud termina Un saison en enfer e dois anos depois Illuminations, encerrando, aos 20 anos, sua carreira literária. Começa a viver uma nova existência, entre mistérios sucessivos. Nos anos seguintes percorre toda a Europa. Em 1880 vai para a Abissínia trabalhar no comércio de marfim, café e peles. No início de 1891 nasce um tumor em seu joelho direito que provoca dores terríveis. Volta a França para se operar e é diagnosticado que ele está com câncer. Sua perna é amputada. Internado pela segunda vez morre em novembro de 1891, aos 37 anos. Veja mais aquiaqui.

INFÂNCIA, IMAGEM E LITERATURA – O projeto de extensão Infância, imagem e literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré-AL, orientado pelo professor Ms Cláudio Jorge Gomes de Morais e realizado pelos granduandos dos cursos de Psicologia e Jornalismo do Centro Universitário Cesmac, Luiz Alberto Machado, Williane dos Santos Sotero, Grinauria Franciele Miranda, Alessandra de Matos Pinto, Luis Gustavo Barbosa Temório e Gustavo Santos da Silva, resultou no relatório que foi apresentado no auditório do Cesmac. Veja mais aqui.


CURTO E GROSSO

Segundo nenhum especialista (porque qualquer bocó que não é besta demais e já está careca de saber), que a gastança só serviu mesmo para escorrer azeitando os propinodutos dos gatunildos e ladronaldos. Aí, os revoltados resolvem votar no Aécio, eu, heim?

Dá pra fazer um rol de significados com o resultado da copa pro Brasil:

Felipão parecia mais aquele chefe de polícia do desenho South Park: tem que dar o cu pra ter prova no processo. Idem a equipe técnica: aqueles viados barulhentos de Harley-Davidson;

A defesa da seleção podia ser simbolizada como uma quenga catraia curvada de quatro e mostrando a bunda nua atrás de moeda no chão: entrou um, entra uma boiada com capado, rancolho, de deixar até eunuco de pau duro.

O meio de campo da esquadra canarinha é que nem usineiro (ou mamoeiro, como preferia Gregório Bezerra): não produz nada, não paga imposto, dá uma de Vampeta no balanço e fode todo mundo com sua mão de figa.

Já o ataque: aonde? Eu não sei, mas a prima da cunhada da empregada lá de casa disse que viu não sei onde que parece que foi.

Moral da história: tirando a prova dos nove só se comeu camarão porque precisou de Mandrake pra se salvar com a Croácia, se espremeu pro México, passou fino apertado contra o Chile e deu a maior cagada da paróquia pra cima da Colômbia que tinha um assassino que fodeu a morte anunciada que não contava com 7 alemães e 3 holandeses. Babau, vergonha nacional.

Agora, de resto mesmo, só faltava a Argentina ser campeã, o que seria a urucubaca do enterro voltando prum banquete suntuoso feito aquele do Charme Discreto da Burguesia, do Luis Buñuel. A gente merece? Era uma vez o esporte, só fica de mesmo a espórtula. Era uma vez uma seleção....

O que o Brasil chama de Fim de Mundo, pra Alemanha são 7 bolas dentro com uma Argentina nua dançando tango no Maracanã!


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