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segunda-feira, novembro 03, 2014

ALICE MUNRO, JULIETA PAREDES, NIETZSCHE, ÁGNES HELLER, ADMMAURO & MARY ASTOR

 


O SEGREDO DA PITONISA - O endereço era aquele, sim o que me havia sido indicado. Toquei a campainha e aguardei na sacada. A portinhola abriu-se, percebi o vulto e ouvi o ruído na fechadura. A porta abriu-se e logo a ordem de uma voz feminina para que eu entrasse. Estava tudo escuro, entrei mesmo assim e a pessoa escondida atrás da porta ordenou-me ao sofá. Não dava pra ver direito, segui a intuição. Esbarrei numa poltrona e acomodei-me enquanto percebia o fechamento de postigos e uma leve centelha mostrou-me quem me recepcionara. Fez um sinal de que reconhecera a minha presença e concedeu-me a graciosa inclinação de cabeça. Vi-lhe a face e traduzia a magia velada e oculta da Lua, sua pele reluzia com o frescor do jardim do Éden. Emergiu com um sorriso breve e encantador entre a cortina sustentada por dois pilares de Salomão. Sentou-se na poltrona: uma nubívaga fitando-me profundamente. Aqueles olhos misteriosos possuíam uma graça inenarrável, um ar de nefelibata, vicariante, desiderato. A calma de sua presença envolveu-me os pés à cabeça, a ponto de não conseguir balbuciar qualquer coisa, devidamente hipnotizado pela presença sempiterna. Estava diante da serendipidade em pessoa. Ali ficamos no imprevisível, interrompido apenas pelo gesto dela à oferta da bebida no carrinho encostado ao meu braço direito. Nem havia notado: Sirva-se! Preferi estar plenamente cônscio de tão intrigado com o convite e a determinação, sem saber sequer o motivo de ter que estar ali. Parecia que ela lia meus pensamentos e nada mais disse, apenas levantou-se, foi até a porta, remexeu as chaves e trancas. Então voltou-se com seus olhos acesos, pálpebras pesadas e cerradas, a se despir do véu e da túnica transparente, colocadas no cabide ao lado; retirou a touca branca e o toucado em forma de colmeia, soltou seus ondulados cabelos a escorrerem sedutores aos ombros, desfazendo-se da pala amarela atravessada ao peito, o colo reluzente a realçar seus seios nus, fartos e firmes. Dirigiu-se a mim e nem podia adivinhar seu sussurro ao meu ouvido: era ela a Suma Sacerdotisa Sofia. Com a sua confissão, retirou da cabeça e deu-me a tiara cravejada de joias. Deu-me mais: a coroa de Hathor – e me fez Hórus, e Rá. (Era como se eu estivesse em Dendera, com a senhora dos céus e das estrelas). Ali era a monja consagrada que me ofertou os seus lábios de Sibila - a pítia que me fez Apolo, como se fosse a escolhida de Par Lagerkvists, essencialmente receptiva no Oráculo de Delfos. Tomou minha mão e levou-a ao ventre: livro sagrado aberto do seu corpo e a palavra divina recolhida ao seu umbigo como um olho aberto. O seu beijo de cortesã revelou-me introvisões e, nos seus lábios, senti Astarte a nutrir meu sexo, beijou-me mais Hécate para se tornar Perséfone e eu a raptasse Ísis com todas as remembranças: “Sou tudo que era, que é, e que sempre será. Nem mortal algum jamais pôde descobrir o que jaz debaixo do meu véu”. As suas lágrimas me banharam e passaram a governar meu pênis. Nela deitei minha semente, enquanto seus olhos chamejavam como se me dissesse que era ali a Papisa Joana com todos os mistérios cristãos e o segundo trunfo secreto: estava grávida! E a centelha divina do seu ventre – o vaso da transformação - me premiou a paternidade do primogênito de Deus. Sorriu-me por fecundá-la. E me banhou com o líquido amniótico para que eu aprendesse as profundezas dos oceanos. E me fez mago para ela cartomante do meu destino, portadora da minha sina. E me fez Noel pro pão-por-deus para que eu soubesse que ela é o instrumento da eternidade. Levou-me às suas costas, a sua magia incontrolável. E depois de vencê-la, suas mãos unidas em meu sexo como a guardiã do santuário íntimo, o paradoxo da sua essência me ensinou o poder das águas, como se me sepultasse no seu ventre. Ouvi-lhe sussurrar: Sou uma rosa, nem melhor nem pior, apenas diferente. Mais disse: Você é uma virga-áurea. E me fez deus, o seu santo venerado, o seu rei adorado, o seu senhor servido, o seu dono e feitor. E nela fui real-izado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Uma pessoa sem memória é uma criança ou um amnésico. Um país sem memória não é uma criança nem um amnésico, mas também não é um país. Quando você começa a fazer perguntas, a inocência desaparece. A vida sem emoções é como um motor sem combustível. Nossa segurança deve ser ameaçada para que possamos apreciá-la. Não é bom fazer viagens sentimentais. Você vê as diferenças em vez da mesmice. Pensamento da atriz estadunidense Mary Astor (Lucile Vasconcellos Laghanke - 1906-1987), Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Cada gesto de retribuição acarreta o risco de escalada. Não é uma possibilidade insignificante que o moralmente certo possa resultar no moralmente errado. Quer as decisões morais sejam avaliadas por padrões universais ou pelas tradições locais, os conflitos morais são sempre contextuais. Pensamento da socióloga húngara Ágnes Heller (1929-2019). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

O FUGITIVO – [...] A conversa dos beijos. Sutil, envolvente, destemido, transformador. [...] Isto é o que acontece. Você guarda isso por um tempo e, de vez em quando, procura outra coisa no armário e se lembra e pensa, em breve. Então se torna algo que está ali, no armário, e outras coisas ficam amontoadas na frente e em cima dele e finalmente você nem pensa nisso. Aquilo que era seu tesouro brilhante. Você não pensa sobre isso. Uma perda que você não conseguia imaginar antes, e agora se torna algo que você mal consegue lembrar. Isto é o que acontece. [...] Poucas pessoas, muito poucas, possuem um tesouro, e se você tiver, deverá mantê-lo. Você não deve se deixar ser emboscado e ter isso tirado de você. [...] Ela não conseguia explicar ou entender muito bem que o que ela sentia não era totalmente ciúme, mas raiva. E não porque ela não pudesse fazer compras assim ou se vestir assim. Era porque era assim que as meninas deveriam ser. Era assim que os homens – as pessoas, todo mundo – pensavam que deveriam ser. Linda, estimada, mimada, egoísta, estúpida. Isso era o que uma garota deveria ser, por quem se apaixonar. Então ela se tornaria mãe e seria totalmente dedicada aos seus bebês. Não é mais egoísta, mas igualmente estúpido. Para sempre [...]. Trechos extraídos da obra Runaway: Stories (Vintage, 2005), da escritora canadense Alice Munro (Alice Ann Laidlaw – 1931-2024), Prêmio Nobel da Literatura de 2013. Veja mais aqui e aqui.

 

VELHA COMPANHEIRA – Velha companheira, desculpe-me, resolvi ser moderno. Sei que há muito tempo vives comigo e não tens me faltado, mesmo assim, a partir de hoje, resolvi arranjar um novo amor. É certo que por toda a minha vida pintaste meu branco, me deste letras e acompanhaste os meus erros, observaste minhas rasuras e vista que eu não vivo sem um corretivo. Quantas vezes fiquei sozinho contigo! A noite toda, só nós dois, falando de mim (como eu fui egoísta, só falava de mim) de meus desencantos, de minhas desilusões... Quantas vezes te procurei! Em todos os momentos me aceitaste. Nunca me disseste um “não”. Sempre te procurei nas horas difíceis. Quando os professores me apertavam na faculdade, eu me aproximava de tua mecânica inteligência... Quando eu precisava desabafar, na inquietude de um amor que me rasgava o peito, fingindo que não era amor, eu te procurava, até mesmo (que vergonha!) quando eu precisava de um dinheirinho a mais, eu buscava a tua amizade. Enquanto o sono não vinha, minhas mãos pousavam sobre o teu rosto, num afago amiúde, dentro da noite só se ouviam tuas gargalhadas, repetidamente, como uma metralhadora rasgando a madrugada!... Minha querida, quase não chega à garganta a voz cúmplice deste momento, para dizer-te que não te quero mais, que o mundo ficou pequeno demais para nós dois e, a partir deste instante tu fazes parte do meu passado, que és (permita-me o desabafo) quadrada, antiquada, fora de moda, velha demais para mim. A partir de agora, minha velha companheira máquina de escrever Olivetti Studio 44, não te quero mais. Comprei um computador. Crônica extraída do livro A mulher da sombrinha e outras crônicas (Inovação, 2008), do poeta e professor Admmauro Gommes. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - I – Deram-me à luz para morrer, \ Para tosquiar o verão de janeiro, \ Para procurar a caverna entre as cavernas \ E lá seduzir as pedras no meu aniversário; \ Para conquistar o vinagre do urubu frio \ Para guardar lagartos no peito. \ Dedico-me a morrer, \ A construir poças no cimento, \ A apagar até a última carta do meu pai grisalho \ Para embotar sua língua e salvar minha voz com o ritmo da neve.\ Deram-me à luz e mataram-me \ Entre o fogo dos juncos lamacentos e a inabitação da carne, \ Entre o garfo de um anjo e o litar a minha barriga como um cordeiro branco. \ Não me deixam nada no jardim \ Só veias, \ Sangue que emana das pedras para a minha noite, \ Sangue \ Mas sangue de mosca, \ De cacto. \ Nada tem que colorir as bochechas de gaivotas \ Onde você acaricia há vidro \ Tudo treme, \ Tudo está amarrado ao endireitamento escuro dos galhos. \ É hora de olhar no espelho \ E assumir minha condição de cruz, \ A condição de espinho, \ Que essa é a última flecha que sangrará meu leite \ Amanhã beberei do Jordão, \ E as cinzas cruzarão minhas costas \ Só então a música foram inventados \ E toda a lama \ Vai se dividir em dois. \ Sou um milagre iluminado por feras elitizadas, \ sou a palavra colhida com ameixas, \ sou a presa ferida das cobras e do rugido, \ sou a última janela desta rua, \ Sou a sede que se extingue com orelhas de frade, \ sou lobo e sapo e escorpião, \ E me dedico a morrer. II – Falo das cobras e não do veneno \ Da barriga agitando o grito e não das flautas \ Da sede do outono pelo fogo das ondas \ Das ondas que se perdem nos cabelos da morte \ Da morte que sobe ao silêncio de quem ama \ De quem ama no segredo de um espelho \ Falo de um dia de janeiro e não do sangue da guerra \ Dos lobos que se refugiam nas suas línguas e não do batismo \ Da cor azul escorrendo nos ramos das oliveiras \ Das oliveiras marcando passo no beijo do água-viva \ De água-viva acordando a linguagem das presas \ De presas no momento em que comunicam o exílio \ Falo das mulheres atravessando a porta dos anjos e não do Éden \ Da fome cuidando dos frutos e não da plumagem das raposas \ De cavernas dominadas por espadas onde sou eco de dor \ Dos cantos da Bíblia onde as virgens declamam andorinhas \ De andorinhas dando à luz o céu com suas pinças de chumbo \ Falo do início do inverno e da minha boca transformada em árvore \ Como qualquer árvore caída na estrada \ Falo dos rostos e das pinturas \ Das máscaras, das minhas quando te deixo no norte \ Das suas quando você abriga César em suas mãos. \ Falo da fé na saudade da chuva, não do bosque e no terceiro dia \ falo da minha voz ressoando no seu rastro \ De você derrubando toda a mata cerrada que te escrevi \ falo de Deus, se ele adorei o jogo das borboletas \ Se ele se abraçasse quando se amassem como as leoas amam as gazelas \ Se de todas as pessoas eu não fechasse os olhos quando te beijasse. Poemas da cantautora, escritora, grafiteira e militante feminista decolonial aymara boliviana Julieta Paredes Carvajal.


NIETZSCHE, FILOSOFIA E PSICOLOGIA – Evidente que a motivação para a realização do presente trabalho partiu da leitura do romance do Irving D. Yalom, Quando Nietzsche chorou, traduzido pelo Ivo Korytowski e que virou filme dirigido por Pinchas Perry, como também da obra Nietzsche e Freud, de Reinhard Gasser. Merece também registro a menção de Mosé (2005) ao fato da multiplicidade e proliferação de estudos cada vez mais diversificados acerca da obra do filósofo alemão, bem como o entendimento de Giacóia Junior (2001) de que o filósofo exerceu importante influência que o caracteriza como psicólogo. Com isso, por meio de uma revisão da literatura, caracteriza-se esta abordagem como uma pesquisa bibliográfica embasada nas fontes disponibilizadas. A FILOSOFIA E A PSICOLOGIA DE NIETZSCHE - A filosofia de Nietzsche, no dizer de Mosé (2005) é extremamente erudita e com um posicionamento crítico com relação à própria filosofia, adotando a ideia do devir por meio de três linhas de raciocínio: a arte, o pensamento e o saber. No dizer de Cotrim (2006), o filósofo teceu uma abordagem da genealogia da moral produto do histórico-cultural, tendo por consequência, no dizer de Chauí (2002 ), Giacoia Junior (2001) e Souza (2014), o desenvolvimento do Existencialismo inaugurado por Kierkegaard. Esse filósofo começará a lecionar filosofia clássica na Universidade da Basileia, em 1869, publicando seu primeiro livro O nascimento da tragédia no espírito da música, em 1872. Entretanto, é com o lançamento da sua obra Humano, demasiado humano, em 1878, que Nietzsche passará se autodenominar de psicólogo. A filosofia de Nietzsche, em conformidade com Noffat Neto (1991), Giacóia Junior (2001) e Marques (2003), é uma filosofia dos afetos, das paixões e desejos, que contempla o individualismo, a força, a abundância e os instintos de vida. Para ele filosofar não era uma atitude teórica e contemplativa, mas uma atitude prática que se enraíza na vida, um ato de libertação de toda subjugação, de toda moral, de toda deformação e de tudo aquilo que nos prende a religiões, grupos e ideologias. Em um determinado período da sua vida, a filosofia nietzschiana se voltou para a psicologia. Inclusive, Nascimento (2006) registra que esse filósofo se autodenominava psicólogo e em muitas de suas obras encontra-se a denominação de psicologia na sua proposta filosófica. É o que também identificam Oliveira (2014), Barbosa (2014) e Williams (2014), ao mencionarem que nos chamados escritos intermediários do filósofo, ocorrido no período entre 1876 e 1882, ele adota o procedimento de análise nomeado por ele mesmo de psicologia, se autoproclamando o primeiro psicólogo da história e efetuando uma relação interdisciplinar entre psicologia e morfologia, fisiologia, cultura, história, literatura, linguística, medicina e muitas outras áreas do conhecimento. Nietzsche (1978, p. 37) entende que a psicologia é a “[...] ciência que indaga a origem e a história dos chamados sentimentos morais e que, ao progredir, tem de expor e resolver os emaranhados problemas sociológicos”. Nessa ótica, ele faz adoção do procedimento que conjuga as vertentes históricas, fisiológicas e psicológicas unidas à sua filosofia, sob a proposta de tentativa da compreensão a partir do sentimento e das valorações humanas. Assim, para esse autor, a fisiopsicologia é entendida como instrumento de dissecação psicológica dos fenômenos morais. A respeito disso, assinala Vianna (1995) e Giacoia Junior (2001), que a psicologia nietzscheana compreende a visão além dos ângulos da realidade existencial, identificada na dimensão pulsional dos instintos. Noutra ocasião Nietzsche (2002, p. 23) assevera que “Toda psicologia, até o momento, tem estado presa a preconceitos e temores morais: não ousou descer às profundezas. Compreendê-la como morfologia e teoria da evolução da vontade de poder, tal como faço – isto é algo que ninguém tocou sequer em pensamento”. Nesse sentido, ele faz uso da noção procedimental fisiopsicológica para asseverar que a cultura é um sintoma fisiopsicológico das construções humanas, ao reinterpretar o corpo no contexto da corporalidade com o significado de instrumento complexo das múltiplas pulsões vitais e para romper com a dualística convenção do corpo/alma. Dessa forma, o filósofo entende que o ser humano é o resultado da luta das forças biológicas e psicológicas. Noutro momento, Nietzsche (2012, p. 354) assinala que: “Poderíamos, com efeito, pensar, sentir, querer, recordar-nos, poderíamos igualmente agir em todo sentido da palavra: e a despeito disso, não seria preciso que tudo isso nos entrasse na consciência (como se diz, em imagem)”. Com esse pensamento o filósofo defende que a consciência é independente das funções fisiológicas e psíquicas. Observa-se, portanto, que o autor coloca a psicologia no centro das ciências para alcance do ser humano de forma integral, reconhecendo-se a valorização do psíquico e fisiológico independentemente da consciência. Com esse entendimento, Oliveira (2014, p. 1) assevera que: A psicologia de Nietzsche está na base, portanto, de seu projeto de uma ética da amizade porque, ao destituir a moral de seus fundamentos metafísicos, ela abre a possibilidade de pensar as relações humanas e o próprio humano para além do princípio gregário do ethos. Observa-se que a concepção nietzschiana, segundo Vianna (1995, p. 32), é na direção de uma singular psicologia ‘[...] ao operar com as pulsões artísticas da natureza manifesta um inconsciente primordial o qual escapa às possibilidades de representação da consciência. A dimensão do inconsciente emerge como função de um princípio ativo”. Por esse entendimento, essa psicologia está situada no domínio da reflexão filosófica com características definidas na valoração positiva da experiência sensível como fonte principal do conhecimento. A primeira identificação da psicologia nietzschiana, segundo Nascimento (2006, p. 49) está identificada como uma psicologia da tragédia, quando: O psicólogo Nietzsche, num primeiro momento, analisará a tragédia grega e verá um elemento comum entre ela e a psicologia do povo helênico, que é a luta entre as forças apolíneas e dionisíacas. A relação entre elas vai definir uma teoria da civilização e da cultura, bem como uma teoria da arte. A morte da tragédia aparece como a metáfora viva da morte do mundo antigo e aponta desdobramentos na cultura, como, por exemplo, a primazia da razão sobre os instintos, nascida a partir da metafísica socrática que acaba se impondo na cultura do Ocidente, sobretudo em sua face platônica. A segunda identificação da psicologia nietzschiana, para Nascimento (2006, p. 51), é quando o filósofo: [...] vai propor uma psicologia que desmascara as bases de onde a metafísica se apoia e partirá da desmontagem da moralidade, posto que a metafísica é vista como produtora de filósofos da moral. Ao questionar a origem das representações e sentimentos morais afirmará que por detrás das ações morais, o que há, são motivações humanas, demasiado humanas, denunciando a servidão do homem aos conceitos e normas “superiores” que são tomados como vida. Nesse sentido, a autora mencionada identifica que essa psicologia surge no contexto de uma ciência capaz de indagar a história do mundo como representação, ultrapassando a metafísica. Uma terceira identificação da psicologia nietzschiana registrada por Nascimento (2006, p. 55), considera que o filósofo: [...] vai problematizar o que vem a ser a consciência. A psicologia, para se desprender dos preconceitos e temores morais, precisaria interpretar e avaliar a vida enquanto potência. [...] O novo psicólogo vai percorrer o sentido e o valor que vão se manifestar nas relações de forças e nas formas como a vontade de potência se apresenta. Em vista disso, entende a autora que Nietzsche será levado pelas motivações do inconsciente problematizando a natureza do conhecer, entendendo ele que os impulsos serão os agentes que se encontram por trás do conhecimento e que funcionam com a relação existente com outros impulsos, agindo e resistindo uns aos outros. Tem-se, portanto, conforme Nascimento (2006, p. 221) que o filósofo em estudo: [...] busca como psicólogo investigar e diagnosticar a saúde de uma cultura a partir da base, pautado na arte de interpretação dos sintomas manifestos na vida. A proposta de uma nova psicologia, pautada em outros valores, mais próximos da vida, em sua forma plena, ou seja, entendida como vontade de potência. Acrescenta Barbosa (2014, p. 2) que “[...] o argumento da gênese social da consciência fornecido por Nietzsche, vem corroborar com as explicações não dicotômicas sobre os sujeitos e sua interação com o mundo fruto da nova visão da Psicologia Social”. E conforme Fonseca (2014, p. 1): [...] Nietzsche re-lança na cultura moderna da civilização ocidental os fundamentos da perspectiva ética de afirmação do vivido, de constituição dele como fundamento do verdadeiro e dos valores, perspectiva ética de afirmação do corpo e dos sentidos, que vai constituir um fundamento das psicologias humanistas e da ACP [...]. Com isso, o autor mencionado observa que se encontra em franco desenvolvimento iniciativas de recuperação dos fundamentos da fenomenologia e do existencialismo, em particular da filosofia da vida de Nietzsche, filosofia essa que foi capaz de fornecer o substrato básico para o desenvolvimento da psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial organísmica (FONSECA, 2014). Identifica-se que o filósofo em estudo influenciou o desenvolvimento da psicanálise de Freud, mesmo sendo irredutível o posicionamento de recusa do psicanalista quanto a este fato, muito embora tenha, ao final de sua vida, reconhecido que Nietzsche é o maior psicólogo de todos os tempos. Também fica identificada com base em Fonseca (2014, p. 1), a influencia do filósofo alemão na psicologia do norte-americano Carl Ransom Rogers, com a observância de que “[...] Bem ao gosto de Nietzsche, Rogers entendia que o existencial não se conforma ao empistemológico, e epistemofílico, pressuposto científico da busca de verdades. Não se conforma às esferas do conhecer, e do conhecimento, e de suas vontades”. É nesse sentido que anota Speranza (2014, p. 1) que “[...] Tanto Nietzsche como a psicoterapia de base fenomenológica têm em comum a existência afirmativa da vida”. Por consequência, entende a autora em comento que a psicologia diante da espiritualidade humana, numa perspectiva fenomenológico-existencial, utiliza-se como referencial a filosofia de Nietzsche e a filosofia do diálogo do filósofo, escritor e pedagogo austríaco Martin Buber que influenciará tanto a Gestalt como a psicologia fenomenológico-existencial. Acrescenta Fonseca (2014b, p. 1) que: Um aspecto que parece um dos mais interessantes para a psicologia e psicoterapia fenomenológico-existencial é que, ao mesmo tempo, o próprio empirismo aporético de Brentano aplicado à consciência como método fenomenológico existencial especificamente experimental, parece intimamente aparentado ao método experimental perspectivativo de Nietzsche. De modo que estas duas vertentes fundamentais da concepção do experimental num sentido fenomenológico existencial compartilhariam raízes bastante próximas. [...]. Com essa associação, verifica-se o quanto o filósofo alemão influenciou as mais diversas correntes psicológicas, sendo, portanto, meritório de registro e destaque de sua importância para a psicologia contemporânea. CONTRIBUIÇÕES NIETZSCHEANA PARA A PSICOLOGIA – Torna-se evidente, em primeiro lugar, a contribuição de Nietzsche para a Psicanálise freudeana, conforme Gasser (1987), mesmo tendo Freud relutado a vida inteira para, só perto da morte, admitir a importância de Nietzsche para a Psicologia. Ter sido o filósofo aquele a assumir em suas obras a condição de psicólogo, tratando sobre paixões, desejos, afetos, pulsões da forma interdisciplinar a psicologia, morfologia, fisiologia, cultura, história, literatura, linguística e medicina, entre outras áreas do conhecimento, definindo-se por uma Fisiopsicologia que compreende uma visão além da realidade existencial dentro de uma dimensão pulsional. Constata-se, ainda, que Nietzsche coloca a Psicologia no centro da ciência. Além do mais, identifica-se a nítida influência exercida pelo filósofo alemão no pensamento de Carl Rogers, Martin Buber, na Gestalt e na Psicologia Fenomelógico-Existencial. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
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YALOM, Irving D. Quando Nietzsche chorou: romance da obsessão. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

ONIOMANIA & SHOPAHOLIC – A compulsão pelo consumo tronou-se um assunto para debates que envolvem as mais diversas perspectivas, sejam elas médicas, psicológicas, psiquiátricas, sejam nas visões do marketing, da economia, da sociologia, entre outras. Parte da visão do consumo na sociedade atual, oriundo do processo de industrialização e sua exposição maciça por meio de apelos propagandísticos nos veículos de comunicação de massa. O desenfreado consumo tem sido objeto de estudos das mais diversas áreas do conhecimento, notadamente pela necessidade de escoamento da produção de produtos e utilização de serviços, como das causas de ansiedade e estresse incidentes no comportamento do consumidor pela aquisição dos produtos mais sofisticados, dos serviços mais especializados e do atendimento aqui e agora. Em vista disso, o estresse e a ansiedade constante têm promovido que se instaurem no ser humano compulsões as mais diversas que, por sua vez, acarretam à identificação de transtornos. Essas compulsões passaram, então, a serem observadas tanto como desordem de comportamento, como estudos do comportamento humano diante do consumo desenfreado da realidade contemporânea. Essa desordem originou a oniomania que foi descrita, em 1915, pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin (1856-1926), como o impulso irresistível para obtenção dos mais diversos itens, inclusive aqueles desnecessários. Com isso, considera-se um transtorno do controle do impulso. Inicialmente entendeu-se que a oniomania poderia ser uma forma de autocura com alívio da tensão e satisfação da aquisição do que se necessita. Contudo, detectou-se que a tensão diminuída após a compra é substituída pelo sentimento de culpa, contribuindo para problemas de caráter crônico, destrutivo e patológico que levam a dívidas, inadimplemento e consequências financeiras e jurídicas, afora propiciar o aparecimento de sintomas patológicos associados. A COMPULSÃO PELO CONSUMO – As patologias que possuem relação com os distúrbios compulsivos, conforme Fonseca (2011) e Guerra e Penalosa (2014), começaram a ser observadas no começo do séc. XIX. Contudo, apenas no final do século XX é que ocorreram as primeiras identificações da compra compulsiva como um comportamento crônico e repetitivo em resposta aos sentimentos negativos ou eventos primários, passando a ser considerada como uma síndrome psiquiátrica. É preciso entender que, segundo Davidoff (2001, p. 757), a compulsão é entendida como “Comportamento ritualístico recorrente, apesar das tentativas de resistir ao impulso”. Nesse sentido, a autora considera que as obsessões e compulsões variam amplamente, muito embora se enquadrem nas categorias das dúvidas obsessivas, pensamentos obsessivos, impulsos obsessivos, medos obsessivos, imagens obsessivas, cessão e controle às compulsões. No dizer de Davidoff (2001), as causas da compulsão estão na diátese múltipla e nos estresses. Para a autora, segundo a visão behaviorista, as obsessões e compulsões são adquiridas por meio dos princípios de reforçamento e que fatores fisiológicos podem contribuir para formação desse comportamento. Para Morris e Maisto (2004, p. 412) as compulsões e obsessões são formas diferentes da ansiedade, considerando as obsessões como “[...] pensamentos ou ideias involuntárias recorrentes, apenas das tentativas da pessoas eliminá-los”, enquanto que a compulsão é o “[...] comportamento repetitivo e ritualístico que a vítima sente compelida a realizar”. No dizer de Leite (2011) há o entendimento de que as compras compulsivas são consideradas como um vício e um fenômeno social, quando consumidores sucumbem às compras para preenchimento do vazio interior. Essas compulsões passaram a ser denominadas de oniomania pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin (1856-1926), como sendo o impulso patológico para o ato desenfreado de comprar. O transtorno do comprar compulsivo (TCC), também conhecido como oniomania, conforme Filomensky (2011), é o ato da compra excessiva resultante de um impulso patológico que ocorre inicialmente no final da adolescência ou depois dos vinte anos, associado à desinibição que inclui álcool, cigarros, sexo precoce e uso de drogas, às compras descontroladas. Os portadores desse transtorno são identificados como shopaholic, considerados como incapazes de controle do desejo de compras ou quando os frequentes e excessivos gastos passam a interferir nos aspectos da vida do paciente. Os sintomas é de excitação e ansiedade para comprar, de gratificação e prazer em consumar a compra, ou acometido de angústia, irritabilidade ou frustração pela inibição do ato de comprar. Trata-se, conforme Tavares et al (2008) de um comportamento de consumo descrito em todos os continentes do planeta, não possuindo ainda até o presente uma incerta classificação nem incluído nos sistemas nosológicos contemporâneos, ou seja, ainda não foi descrito pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, nem na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). É também reconhecido, no dizer de Martins (2014), como o comportamento do consumidor de forma crônica e repetitiva, difícil de ser interrompido e consequências graves e prejudiciais. Geralmente ocorre em resposta aos eventos e aos sentimentos negativos, configurando incapacidade de resistência à urgência de compras e os seus prejuízos. No dizer de Tavares et al (2008) o TCC é comórbido com frequência com os transtornos da ansiedade, do humor, alimentares e uso de substâncias. Por essa ideia, a classificação desses compradores foram acometidos de significativas depressões recorrentes ou do transtorno bipolar, bulimia, transtorno de personalidade, compulsão alimentar, escoriação psicogênica, abuso de bemzodiazepínicos, tentativas de suicídio, TOC, transtornos do controle do impulso (TCI) e cleptomania, entre outros comportamentos impulsivos. Significa dizer que esse transtorno, conforme Lopes e Souza (2014), caracteriza-se pela impulsividade, impossibilitando-se os pacientes, independente de formação acadêmica, de evitar as compras ou a incapacidade de domínio sobre o impulso das compras. Em vista disso, é considerado como um transtorno de dependência agrupado com os transtornos da droga e do uso do álcool. A oniomania, Nery, Menêses e Torres (2014), associada aos impulsos reativo incluem a piromania e a clieptomania, como parte dos transtornos obsessivo-compulsivo, ou de humor, categorizado com a combinação de dependências que incluem o comportamento sexual compulsivo, a dependência da Internet e o jogo patológico. O tratamento da oniomania, conforme Hodgins e Peden (2008), ainda não possui um padrão psicoterápico, sendo efetuado ainda por meio de um modelo cognitivo-comportamental, tratados com base em antidepressivos e outras iniciativas da psicofarmacologia. Dessa forma, as recomendações clínicas e terapêuticas são da prescrição de intervenções psicossociais no modelo cognitivo-comportamental. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
DAVIDOFF, Linda. Introdução à psicologia. São Paulo: Pearson |Makron Books, 2001.
FILOMENSKY, Tatiana. O comprar compulsivo e suas relações com transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno afetivo bipolar. São Paulo: Edusp, 2011.
FONSECA, Patrícia. Significados e julgamentos percebidos na frequência do consumo. Brasília: UnB, 2011.
GUERRA, Diego; PENALOSA, Veronica. Compra compulsiva: uma abordagem multidisciplinar com estudantes universitários. XII SemEAD Empreendedorismo e Inovação. Disponível em http://www.ead.fea.usp.br/semead/12semead/resultado/an_resumo.asp?cod_trabalho=823. Acesso 03 maio 2014.
HODGINS, David; PEDEN, Nicole. Tratamento cognitivo-comportamental para transtornos do controle do impulso. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, 30(Supl I):S31-40, 2008.
LEITE, Priscilla. Adaptação transcultural e validação das escolas the richmond compulsive buyning scale e compulsive buying scale. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011.
LOPES, Francirene; SOUZA, Regiane. Compulsão por consumo: interface no período da contemporaneidade. Anais V CIPSI - Congresso Internacional de Psicologia. Disponível em http://www.eventos.uem.br/index.php/cipsi/2012/paper/view/797. Acesso em 03 maio 2014.
MARTINS, Gisele. O consumo compulsivo. Janela Econômica. Disponível em http://www.santacruz.br/v4/download/janela-economica/2010/9_O_consumo_compulsivo.pdf. Acesso em 03 maio 2014.
MORRIS, Charles; MAISTO, Albert. Introdução á psicologia. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
NERY, Matheus; MENÊSES, Carla; TORRES, Thalita. Um breve ensaio da psicologia acerca do comportamento consumista na sociedade atual. Interfaces Científicas. Disponível em https://periodicos.set.edu.br/index.php/humanas/article/view/164. Acesso em 03 maio 2014.
TAVARES, Hermano; LOBO, Daniela; FUENTES, Daniel; BLACK, Donald. Compras compulsivas: uma revisão e um relato de caso. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, vol. 30, supl. 1, jan/mai, 2008.



V FESTA LITERÁRIA DE MARECHAL DEODORO – A V FLIMAR acontecerá nos próximos dias 12 a 15 de novembro, na cidade de Marechal Deodoro, tendo como personagem homenageada o cantor e compositor alagoano Djavan. Veja mais da Flimar aqui.


LIÇÃO PRO DIA A DIA – A romancista e ensaísta francesa, Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein e mais conhecida como Madame de Staël (1766-1817), deixa pra gente uma importante lição: “É mais digno lutar contra o desespero do que a ele sucumbir”. Veja mais  aqui.
 

A RESPONSABILIDADE DO ESCRITOR - O filosofo e ativista político norte-americano, Noam Chomsky, declara qual a responsabilidade do escritor: “A responsabilidade do escritor como um agente moral é tentar apresentar a verdade sobre assuntos de significância humana para um publico que poder fazer alguma coisa a respeito. Isso é parte do que significa ser um agente moral ao invés de um monstro”. Veja mais aqui e aqui.


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terça-feira, maio 20, 2014

DORIS GOODWIN, KEILA VALL DE LA VILLE, DANICA MCKELLAR & ELEANOR PORTER


 

O QUE SE PASSA... – O que se passa dentro de cada um de nós, a quem interessa... Nascemos um dia e da união entre um espermatozoide e um óvulo passamos a existir. Mas para que isto ocorra é precimo muito, mas muito mesmo, amor... O nosso desenvolvimento prmeiro se dá por meio de uma placa neural que nos definirá como um complexo sistema nervoso com todas as aptidões e potencialidades usuais aos seres humanos. Herdamos do amor de nossos pais todas as cargas genéticas e culturais que nos moldarão durante o nosso crescimento. Aprendemos as primeiras coisas com nossos sentidos que se formarão à medida que entramos em contato consciente com tudo que nos rodeia. Ouvimos, vemos, tocamos, cheiramos, saboreamos e sentimos o que experienciamos no dia a dia. Ano a décadas fortalecemos a nossa leitura do mundo, aprendemos, reaprendemos e, cada vez mais, nos reposicionamos diante de tudo e todos. Gostamos e deixamos de gostar à medida que mais nos defrontamos com as múltiplas faces das coisas ao nosso redor. Revemos, refletimos e nos tornamos cada vez mais cônscios de cada passo, cada aniversário, cara emoção. Deixamos para trás muitas coisas que passaram e cada nova fase sentimos novas expriências, notadamente quando passamos da infância para adolescência, desta para o sujeito adulto e à medida que envelhecemos ainda estamos em pleno aprendizado. O que até então era tido por certo, não mais. As convicções foram ruindo e a dúvida passou a imperar, e cada vez mais distinguimos menos isso daquilo e aqueloutras coisas. Tudo muda. Ontem eu era uma criança e logo aprendi o amargor de certas coisas na adolescência e o mundo não bem do jeito que o adulto sabia e olhava com a velhice que nem tudo mesmo vale lá tão a pena como antes. Os sonhos construídos na adolescência ainda persistem. Os desejos de reconhecimento ainda são fortes e nortearam a atitude e a perseverança. Porque mesmo insistimos, apesar de tanto malograr. Qual o melhor caminho: esse ou aquele, quais outros, exprerimentar todos. E ter a sensação de que só perdeu tempo. Ou melhor: aprendeu. O que vale ou não a pena, para mim, não é o que impoorta. Mas o que vivenciei. Porém é muito doloroso ter vivido tantos fracassos recorrentes. Será mesmo fracasso ou será necessidade de nova experiência da mesma coisa. Fala-se muito em planejamento, pouco planejei; quando o fiz, nada deu certo, nem correu como devia. Confiei na intuição. Poderia ter planejado melhor, assi mesmo. Por que? Se já passei antes por uma experiência deveria ter aprendido a leição e planejado melhor para que o êxito aparecesse e teria a consciência de que não caí novamente. Há a ideia de que tudo dará certo daquela vez... Sim, acho que planejei pouco ou o fiz insatisfatório, mesmo com checagens e revisões, sempre em apuros e deixava para fechar quando o êxito acenasse. Resultado: malograva de novo porque na hora da glória, logo sentia que deveria ter explorado outras possibilidades. Ah. Além do mais não dava liga e o triunfo não era lá tão edificante, apenas uma pequena cápsula de expectativa que augurava algo bem maior. Sempre apostava no positivo. Findava no não deu de novo, mas já que foi nada como tentar de novo para ver se ainda daria certo. Não deu, mesmo. Grandes expectativas viram ruinas diante do minúsculo cenário. Pensar grande sempre dá no final um gosto amargo de frustração. Mas a resiliência em dia e tudo de novo de volta ao começo. Dagora pra diante, qual horizonte e aonde seguir, apesar de ser dia a noite imperante como uma emboscada ubiqua para determinar qual saída, para onde e como. Como sou péssimo jogador, valho-me da intuição e erro o alvo. Lá vou eu recmeçar e sempre. Um dia acerto em cheio, quem sabe quando. Agora, dá licença, vou recomeçar tudo de novo e só uma coisa eu sei: o amor no coração. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


 

DITOS & DESDITOS - Hoje em dia, as adolescentes são cada vez mais atraídas a pensar que deveriam se emburrecer, e isso atrairá o tipo errado de cara, e é sério. É um negócio sério. Sei que nem sempre podemos saber quais surpresas médicas podem acontecer durante o parto. Mas a minha esperança é que tudo seja totalmente natural – sem epidural, sem disciplinas. Eu desejo sorte. A matemática é o único lugar onde a verdade e a beleza significam a mesma coisa. Pensamento da atriz, escritora e matemática estadunidense Danica McKellar.

 

ALGUÉM FALOU: Tristes anos de vida a desejar o que não podia ter, não tivera tempo de apreciar as próprias qualidades... Pensamento da escritora estadunidense Eleanor Emily Hodgman Porter (1868-1920). Veja mais aqui e aqui.

 

EQUIPE DE RIVAIS – [...] Com o sentimento público, nada pode falhar; sem isso nada pode ter sucesso. [...] A saúde mental, dizem-nos os psiquiatras contemporâneos, consiste na capacidade de adaptação às inevitáveis tensões e infortúnios da vida. Isso não significa estar livre da ansiedade e da depressão, mas apenas da capacidade de lidar com essas aflições de maneira saudável. [...] Uma verdadeira democracia seria uma meritocracia onde aqueles nascidos nas classes mais baixas pudessem ascender até onde os seus talentos naturais e disciplina os levassem. [...]. Trechos extraídos da obra Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln (‎ Simon & Schuster, 2006), da historiadora, biógrafa e jornalista estadunidense Doris Kearns Goodwin. Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS - MEMÓRIA DE CUSCO - Escada radical \ de pedra irregular que finalmente cabe \ …como uma luva. \ Carrego peso na viagem longa, \ ando devagar \  mente \ sete séculos em zigue-zague. \ O passado sobe \ duas colinas \ e depois desce.\ Chego ao monumento \ Coxas ardentes. \ Passo o dia olhando para o sol, \ a perfeição incompreensível \ de blocos escolhidos por pessoas muito diferentes de mim. \ Universo perfeito \ no meio do nada.\ Vou para Cusco \ vou comer uma pizza, \ uma cerveja Cristal, \ um doce de coca \ a memória é organizada \  graças a detalhes como este. \ Esta noite encontrarei um homem \ e dormirei com ele. \ O ácido láctico acabará \ derramado \ em um canteiro de flores murchas. \ Esta é a lembrança: \ daqui a vinte anos \ meu encontro com as magníficas rochas peruanas \ terá sempre \ um passageiro clandestino a reboque. TRÊS MENSAGENS DE SIGNIFICADO INCERTO - Eu me inclino contra a pesada porta de madeira \ do metrô até a 72nd Street. \ Com os alunos ainda alarmados \ Eu vejo um homem do outro lado cadeirante \ que contrai instantaneamente \ Ele traz os braços em cruz \ até o rosto protegendo-se violentamente de mim \ do meu gesto, da porta que abro estremecendo com a luz. \ Exclame algo em voz alta. \ Repita o barulho histriônico e exclama: \ É como nos filmes! \ Então o gesto mais uma vez. \ É noite e isso não importa. \ Uma mulher caminha em minha direção no corredor do quarto escuro de cinema: \ Você é tão sortudo! \ Avisar, o filme que você está prestes a assistir é incrível! \ o filme o que estou prestes a ver \ - ela sai, eu entro- \ é uma maravilha. \ Ele diz isso muito alto, com os olhos bem abertos, \ recém-desembarcado, ele me pergunta com os olhos \ garante que haja recebeu a mensagem, \ e sem parar continua. \ Depois do show uma espectadora na casa dos setenta \ fala sozinha ou com a imagem dela no espelho \ do banheiro público \ Eu amo esse espelho! \ Ele se aproxima da lâmina prateada na parede. \ Eu amo isso. \ Está tão escuro que você não consegue ver suas rugas. \ Eu sorrio para ele mas \ Está tão escuro sem resposta. Poemas da escritora e antropóloga venezuelana Keila Vall de la Ville.

 

PROGRAMA TATARITARITATÁ –  Hoje é dia de estreia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs. PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas as terças, a partir das 21hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação  aqui.


MOMENTOS DE REFLEXÃO – Nesse tempo de umbigocentrismo & muito voyeur, nada melhor que trazer o uma importante expressão do filósofo, médico e teólogo judeu Moisés Maimônides (1138-1204): “[...] grande capacidade exclusiva do homem: nosso discernimento, a mais nobre das capacidades das quais somos dotados. [...] Mediante a inteligência, o homem discernia o verdadeiro do falso, ele possuía esta capacidade perfeita e completa. Pois bem, a feiura e a beleza estão no campo da opinião, não da razão, pois não foi dito que o céu é esférico seja belo, nem que a terra é plana seja feio, mas que isto é, respectivamente, verdadeiro e falso”. (Maimônides, Guia dos perplexos). Veja mais Momento de Reflexão.

A ONIOMANIA & O SHOPAHOLIC -  A compulsão pelo consumo levou à descoberta do transtorno de comprar: a oniomania. Os acometidos por esse transtorno são os shopaholic, ou seja, aqueles que o Alceu Valença na música Fé na Perua: “[...] O povo tá comendo vrido”. Apesar de descoberta no início do século XX, hoje ela é bem visível. Confira detalhes a respeito aqui.

SÓ A POESIA TORNA A VIDA SUPORTÁVEL – Aos desavisados, já dizia o poeta grego Píndaro (522aC-443aC), também conhecido como Pindaro de Beozia ou Pindaro de Cinoscefale: “A glória dos mortais num só dia cresce, mas basta um só dia, contrario e funesto, para que o destino, impiedoso, num gesto a lance e por terra é ela, súbito, fenece”.



GILTON DELLA CELLA – O cantor e compositor baiano Gilton Della Cella lançará no próximo dia 23 de maio, o seu cd Mistura Brasileira. Veja detalhes no convite acima. Daqui os nossos parabéns & sucesso pro Gilton.

AS APARÊNCIAS NÃO ENGANAM TANTO ASSIM - Agora vou de Paulo Leminski, do seu maravilhoso Catatau: “As aparências enganam mas enfim aparecem, o que já é alguma coisa comparado com outras que nem isso”.

MISSÃO DE FÉ - “Eu sou um homem; portanto, é meu dever compartilhar isto com os outros homens” (Fragments, Mestre Eckhart).


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