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sábado, abril 11, 2015

MARIA MIES, MARTHA GELLHORN, JUÓ BANANÉRE, MESSICK & TANNAHILL

 


A SOLIDÃO DE MARTHA: AS CINCO TRAVESSIAS DO INFERNO – Martha também era Ellis e filha de um médico ginecologista judeu alemão e de uma feminista sufragista filha de protestantes. Aos 7 anos de idade participou de um comício, o The Golden Lane. Cresceu e passou a buscar a carreira do jornalismo publicando seus textos, razão pela qual ganhou uma viagem à Europa. Na França conheceu aos 22 anos de idade o seu primeiro amor, causando um grande escândalo: o pai nunca lhe perdoou e logo o arrependimento. Cobria eventos de moda para publicações dos dois lados do Atlântico, quando foi demitida ao denunciar um caso de assédio sexual. Regressou aos Estados Unidos já engajada no movimento pacifista, o que a levou ao seu primeiro livro What Mad Pursuit. Viajou por todo país testemunhando a grande depressão e, a partir de então, passou a trabalhar como fotógrafa com Dorothea Lange, documentando a fome e o desemprego, o que levou a escrever os contos do livro The Trouble I've Seen. A partir daí foi cobrir a Guerra Civil espanhola, as trincheiras na linha de frente, os hospitais repletos de soldados enfermos e os bombardeios de Barcelona. Durante os incidentes conheceu o segundo amor num bar: Um homem grande e sujo... Fez uma atribulada viagem à China: Fechei os olhos porque pensei que preferia não ver uma das asas a separar-se da fuselagem. O avião, quando já estava perto do chão, começou a subir lentamente sem perder as asas. Recuperamos o que deveria ser a altura normal de voo, embora um voo que nada tivesse de normal, e o avião prosseguiu em estilo borboleta... Com a companhia era a hora de um promissor casamento. Presenciou a ascensão do nazismo e a eclosão de segunda guerra grande que seriam relatados no seu livro A Stricken Field. Os envolvimentos amorosos se sucediam a cada mudança de cenário. Depois ocupou-se em escrever sobre a guerra da Finlândia, Burma, Hong Kong, Singapura e Inglaterra, fingindo-se enfermeira e se trancando num banheiro dum navio-hospital. Ao desembarcar tornou-se carregadora de macas transportando os feridos das tropas na Normandia, para em seguida reportar sobre o campo de concentração de Dachau. Seguiu numa perigosa viagem oceânica até Londres devastada, rompendo o casamento ao chegar num hotel. Adotou um órfão italiano dedicando-se maternalmente por um bom tempo. Viajou o mundo para relatar eventos como os julgamentos de Nuremberg. Vieram então a guerra do Vietnã, os conflitos árabes israelenses, as guerras civis da centro-américa e a invasão do Panamá, juntamente com os livros Face of War e The Lowest Trees Have Tops. Novos envolvimentos amorosos, mais um casamento quase duradouro acompanhado dum novo divórcio. Mudou-se pro Quênia, depois para País de Gales. Depois publicou uma coleção de novelas: The Weather in Africa, contando a travessia num Land Rover decrépito por estradas intransitáveis e o destino se perdendo ao pôr do Sol, os insetos e a sensação de flutuar. Para ela as cinco travessias do inferno foram as suas melhores viagens horrorosas: um purgatório de aborrecimentos e perigos. Contava com 80 anos de idade quando foi violada no Quênia. A cada tragada de inveterada fumante denunciava as injustiças do mundo, contando como clandestinamente entrou no Panamá para relatar a invasão das tropas estadunidenses. A cada gole de uísque repassava o passado sem conseguir enxergar nada adiante. Aposentou-se e fez uma cirurgia mal sucedida de catarata para ficar com a visão prejudicada. Publicou então Travels with Myself and Another. Ainda queria cobrir os conflitos dos Balcãs, quando decidiu se reportar à pobreza no Brasil. Conseguiu publicar uma coletânea de jornalismo pacifista: The View from the Ground. Era o ocaso da inquieta viajante intrépida que abominava o tédio e perguntas sobre Hemingway; que sentiu a solidão fria durante os casamentos; que viveu um relacionamento distante e amargo com o filho, a amizade rompida com Sybille Bedford, a saúde cada vez mais piorando, um câncer no ovário e na escuridão de uma quase cegueira preferiu uma cápsula de cianeto. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Gradualmente, percebi que as pessoas engolem mais facilmente mentiras do que verdades, como se o sabor das mentiras fosse caseiro, apetitoso: um hábito... As pessoas costumam dizer, com orgulho, "Não estou interessado em política". Elas também podem dizer, "Não estou interessado em meu padrão de vida, minha saúde, meu emprego, meus direitos, minhas liberdades, meu futuro ou qualquer futuro". ... Se pretendemos manter algum controle sobre nosso mundo e nossas vidas, devemos estar interessados em política... Depois de uma vida inteira observando guerras, vejo a guerra como uma doença humana endêmica, e os governos são os portadores... Por que as pessoas falam dos horrores da velhice? É ótimo. Eu me sinto como um bom carro velho com as peças gradualmente se desgastando, mas não estou reclamando... Aqueles que acham o envelhecimento terrível são pessoas que não fizeram o que queriam com suas vidas... A "liberdade" é o bem mais caro que existe; ela tem que ser paga com solidão... Pensamento da escritora e jornalista estadunidense Martha Gellhorn (Martha Ellis Gellhorn – 1908-1998), que no seu livro Selected Letters (Holt Paperbacks, 2007), ela assinalou que: […] E essa vontade de fugir do que amo é um tipo de sadismo que não pretendo mais entender. [...]. No seu livro Travels With Myself and Another (Penguin, 2001), ela expressa que: […] Nada é melhor para a autoestima do que a sobrevivência. [...]. No livro The Face of War (Atlantic Monthly, 1994), ela registra que: […] Na noite de Ano Novo, pensei em uma maravilhosa resolução de Ano Novo para os homens que governam o mundo: conhecer as pessoas que só vivem nele. [...] Nenhuma guerra, no registro de guerras de nossa espécie, foi terminal. Até agora, quando sabemos que uma guerra nuclear seria a morte de nosso planeta. É inacreditável que quaisquer governos — essas breves figuras políticas — se arroguem o direito de parar a história, a seu critério. [...].

 

ALGUÉM FALOU: Paz no patriarcado é guerra contra as mulheres... Se o patriarcado teve um início específico na história, também pode ter um fim... Pensamento da socióloga alemã Maria Mies (1931-2023), que no seu livro Ecofeminism (Zed, 2014), ela expressa que: [...] Agora, depois que os recursos materiais das colônias foram saqueados, seus recursos espirituais e culturais estão sendo transformados em mercadorias para o mercado mundial... [...]. No seu livro Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour (Zed, 1999), ela assinala que: […] O projeto feminista é basicamente um movimento anarquista que não quer substituir uma elite de poder (masculina) por outra elite de poder (feminina), mas que quer construir uma sociedade não hierárquica e não centralizada, onde nenhuma elite viva de exploração e domínio sobre as outras. [...].

 

UMA VOZ DA DEMOCRACIA PAULISTA – Ao ler o livro Presenças (MEC/INL, 1958), de Otto Maria Carpeaux, foi que encontrei a resenha com o título deste post, referindo-se à obra Divina Increnca, de Juó Bananére, pseudônimo adotado pelo escritor brasileiro Alexandre Marcondes Machado (1892-1933): [...] A literatura brasileira não tem muitos poetas humorísticos. Os que se costuma chamar assim são, às mais das vezes, satíricos cujo epigramas “honram mais seu coração que seu espírito”; são inofensivos. O conceito da poesia no Brasil foi romântico ou retórico ou solene [...] Juó Bananére, porém, é uma categoria per se, modesta mas na qual não tem companheiro. [...] Seu senso crítico é insubornável. Resiste à retórica. [...] Mas por que usava Juó Bananére para esse fim, o dialeto ítalo-português? Não é dialeto. Essa mistura intencional e literária de duas línguas para fins parodísticos chamam-se macarronismo. Entre nós usa-se essa expressão quando alguém fala uma língua que não conhece bem, estropiando-a: “Fulano falou num francês macarrônico”. Também se alude ao latim macarrônico, da Idade Média. [...] Seu poema é forma de protesto do povo miúdo contra as falsas máscaras do latinismo e feudalismo que as decadentes classes dominantes usaram [...] Deliberadamente ou não, Juó Bananére usou a língua macarrônica, ítalo-portuguêsa, dessa gente, para ridicularizar os cartolas, cujo reino acabou em 1929. Hoje, ainda se estão removendo as ruínas do edifício que desabou, obstáculos à circulação livre nas ruas. E ninguém quer reeditar a Divina Increnca. Da obra Divina Increnca, consta a Canção do Exílio do autor, destacada pelo próprio Carpeaux: Migna Terra tê parmeiras, / che ganta inziene o sabiá. / As aves che stó aqui, / també tuttos sabi gorgeá. / A abobora celestia tambê, / che tê lá na minha terra, / tê moltos millió di strella / che non tê na Inglaterra.../ Na migna terra tê parmeiras / dove ganta a galligna d’angola: / Na migna terra tê o Vaporelli, / chi só anda di gartola. Veja mais  aqui, aqui, aquiaquiaqui e aqui.

Imagem: A delightful surprise small, da pintora francesa Adélaide Labille-Guiard (1749-1803). Veja mais aqui.


Ouvindo O coração do homem bom – ao vivo (ao vivo mesmo), do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro. Veja mais aqui.

A PERSONOLOGIA DE MURRAY – O psicólogo norte-americano Henry Murray (1893-1988), desenvolveu uma abordagem da personalidade, denominada de Personologia, na qual inclui forças conscientes e inconscientes, a influência do passado, presente e futuro e o impacto dos fatores fisiológicos e sociológicos. As características da sua teoria são uma abordagem sofisticada das necessidades humanas e a fonte de dados na qual ele embasou a sua teoria. Igualmente importantes são a sua lista de necessidades, que é de valor continuo para pesquisas, diagnósticos clínicos e seleção de funcionários, e suas técnicas de avaliação de personalidade. Para ele as necessidades são criações hipotéticas de base psicológica que surgem dos processos internos ou dos eventos ambientais, provocam um nível de tensão que precisa ser reduzido. A prepotência de uma necessidade é a sua urgência ou insistência. A fusão de necessidades refere-se a necessidade que podem ser satisfeitas por um comportamento ou um conjunto deles. Os complexos padrões formados por cinco estágios de desenvolvimento da infância que direcionam inconscientemente o desenvolvimento adulto. (In: SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014). Veja mais dessa teoria aquiaqui e aqui.

NO COMEÇO... - No livro O sexo na história (Francisco Alves, 1983) da historiadora e escritora britânica Reay Tannahill (1929-2007), encontrei o relato de como se deu o começo da vida: No ano 4004 aC., precisamente às nove horas da manhã de 23 de outubro, “Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. O ano, dia e hora da criação, não especificados na própria bíblia, foram calculados por dois eruditos do séc. XVII, após um estafante estudo cronológico do Antigo Testamento, sendo a informação acolhida com agrado pela maioria de seus contemporâneos, acostumados a encarar a bíblia como a verdade literal. A possibilidade de encontrar-se uma data para a criação emprestava à mesma uma confortadora realidade. Mais 200 anos passariam, antes que a nova ciência dos vitorianos começasse a dissipar as bordas da ilusão das escrituras. Então, em 1859, foi publicada A origem das espécies, por meio da seleção natural, de Charles Darwin. [...] Não houvera nenhum ato único de criação. Como as demais espécies do mundo, o homem desenvolvera de alguma forma primitiva de vida. [...] Diz-se que a esposa do bispo de Worcester teria exclamado: “Esperemos que não seja verdade, mas, se for, rezemos para que não se torne conhecido”. A história não registra se ela teve a ideia de perguntar: “Que espécie de macaco?”. E isto importa? [...] De maneira geral, o atual ponto de vista sobre a transição do macaco para o homem é que, entre 20 e 14 milhões de anos atrás, os descendentes de um verdadeiro macaco divergiram ao longo de 3 diferentes ramos da árvore genealógica. Um grupo evolveu para os ancestrais dos gorilas, chimpanzés e orangotangos; outro para um grande símio do solo, não muito diverso do babuíno, que errou pela Ásia durante um determinado período, até sua extinção; e o terceiro, para o Ramapithecus – o ancestral direto do homem. No decorrer de mais alguns milhões de anos, o Ramapithecus trocou a vida nas árvores por outra no solo, passando a comer carne, bem como frutos e vegetais. Isto lhe forneceu proteína extra que – se a história humana deve ser mencionada como evidência – sem dúvida  acelerou consideravelmente sua evolução: os 5 mil anos demonstraram que as pessoas com alta ingestão proteica são, geralmente, mais dinâmicas que as vegetarianas. E o Ramapithecus precisava ser dinâmico, porque agora competia por seu alimento, a única coisa que realmente lhe importava, com os grandes e ágeis felinos que imperavam no solo relvoso. Por fim, ele descobriu que dois pés e duas mãos – umas das quais podia ser usada para desfechar mísseis contra os inimigos – eram muitíssimo mais úteis que apenas quatro pés, de maneira que o resultado foi uma mudança para o que é deselegantemente conhecido como locomoção bípede. Em termos evolutivos, isto se revelou ser mais um catalisador que uma conclusão, mas entre seus resultados diretos – embora a longo prazo – tivemos a Vênus de Milo, o Kama-sutra, Miss Universo e a Alegria do sexo. O que uma postura vertical fez pela humanidade, foi força-la a reconsiderar a tradicional posição de acasalamento dos primatas e, mais tarde, estabelecer a beleza sob um diferente conceito. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

BORNÁ DE XEPA – O grupo Borná de Xepa, da cidade de Três Corações (MG), formado por Ronildo Prudente, Luciana Sant'anna, Monica Furtado, Luciano Neder Dall'Stella (Tricordianos) e Mestre Claudião, de Varginha(MG), foi classificado para participar do Festival de Música de Barretos (SP), no mês de maio/2015. O Grupo vem participando de Festivais de Música, desde o ano de 2014 em São Thomé das Letras e Elói Mendes, sendo premiado nos dois festivais. Sempre levando o nome de Três Corações a todos os recantos mineiros e, agora, a outro estado. O projeto MCLAM, as Edições Nascente, o Diário do Tataritaritatá e Meimei Corrêa Produções parabenizam o grupo mineiro, desejando sorte e muito sucesso (Info: Meimei Corrêa). Veja mais aqui.

QUADRO MENTAL – Navegando na rede encontrei o excelente blog Quadro Mental - Direito ao grito! Porque há o direito ao grito Então eu grito, da escritora, jornalista e blogueira Marcia Lailin, reunindo seus textos jornalísticos, crônicas e poemas, entre os quais destaco Medo: Olho em torno de mim / Nada! / Desejo que apareça alguma coisa / Alguma coisa compreensível / Tenho medo / porque não compreendo meu medo / Escrevo e tenho medo / Ando e tenho medo do desconhecido atrás da porta / atrás da cortina / dentro do guarda roupa / debaixo da cama / No fundo sei / que não há ninguém em parte alguma / Tenho medo do medo / Tenho medo de mim / Tenho medo dessa terrível sensação do terror / Incompreensível. Veja mais aqui e aqui.


BRENDA STARR – Oriundo das tiras e quadrinhos da cartunista norte-americana Dale Messick (1906-2005) – a primeira mulher a participar do sindicato dos artistas de quadrinhos dos Estados Unidos e a mais importante mulher do século XX -, o filme de aventura Brenda Starr (1989), dirigido por Robert Ellis, conta a trama de um aspirante a artista que desenha a história em quadrinhos Brenda Starr para um jornal, quando a personagem deixa os quadrinhos e ganha vida na pele da belíssima atriz Brooke Shields. Veja mais aqui e aqui.




Veja mais sobre:
Rompendo o passado pro futuro, a literatura de Hermilo Borba Filho, A história da riqueza do homem de Leo Huberman, a música de Mauro Senise Quarteto, a pintura de Armand Point & Otto Lingner aqui.

E mais:
A sina de Agar, a poesia de Adalgisa Nery, a literatura de Anita Loos, o pensamento de Ayn Rand, o teatro de Jean-Louis Barrault, a  música de Cláudia Riccitelli & The Bossa Nova exciting Jazz Samba Rhythms, a pintura de Jose Gutierrez de la Vega, o cinema de Malcolm St. Clair, Marilyn Monroe & Delasnieve Daspet aqui.
Papo de Antemão, a literatura de Kazuo Ishiguro, A Felicidade de Eduardo Giannetti, A filosofia da arte de Hippolyte Taine, o teatro de Anton Tchekhov, Topsy-Turvy, a música de Gonzaguinha, a escultura de Wolfgang Alexander Kossuth, Direito à Saúde, Fecamepa & O gozo dela aqui.
A Biblioteca Pública Fenelon Barreto, As flores do mal de Charles Baudelaire, O estandarte da agonia de Heloneida Studart, a música de Lenine, o cinema de Amácio Mazzaropi, a pintura de Gino Severini, a arte de Walter Levy & a fotografia de Eadweard Muybridge aqui.
A poesia de Pablo Neruda, a música de Björk, o teatro de Teixeira Coelho, a pintura de Modigliani & Zinaida Evgenievna Serebriakova, a arte de Elsa Zylberstein, a ilustração de René Follet, a arte de Beatrice Brown, Rubens da Cunha & Uma mulher por cem cabeças de gado aqui.
Alô, alô Brasis, Texto/Contexto de Anatol Rosenfeld, A ética de Baruch Espinoza, a música de Edu Lobo & Cacaso, a poesia de Chico Novaes, a fotografia de Albert Arthur Allen, a arte de Lygia Pape & a pintura de Henri Lehman aqui.
Os tantos e muitos Brasis, A arte no horizonte do provável de Haroldo de Campos, As cartas de Geneton Moraes Neto, a fotografia de Brian Duffy, a pintura de W. Cortland Butterfield, a arte de Laura Barbosa & Adriana Zapparolli, a poesia de Leo Lobos & Fonte aqui.
A vida e a lógica da competição, A inteligência brasileira de Max Bense, a filosofia de Max Horkheimer, a poesia de Affonso Romano de Sant’Anna, a música de Pierre Boulez & Pi-Hsien Chen, a fotografia de Sebastião Salgado, a arte de Anna Bella Geiger, a pintura de Herbert James Draper & Umberto Boccioni aqui.
A fábula do maior ninguém, O conhecimento e interesse de Jürgen Habermas, A República de Platão, a música de Antonio Soler & Maggie Cole, a poesia de Zé Limeira, a fotografia de Howard Schatz, a pintura de Ryohei Hase, a arte de Kurt Schwitters & a Companhia do Ballet Eliana Cavalcanti aqui.
Ressonâncias ávidas além do amor, Da diáspora de Stuart Hall, O virtual de Pierre Lévy, a música de Daniel Binelli & Giselle Boeters, a arte de Doris Savard, a pintura de Eloir Júnior, Luciah Lopez & Ana Bailune aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
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sábado, junho 08, 2013

FOROUGH FARROKHZAD, SHERIDAN LE FANU, HOSTOS, AMIS, PERSONOLOGIA DE MURRAY & STANISŁAWA

 

UMA CANÇÃO PARA STANISŁAWA LESZCZYŃSKA(1896-1974) – Ela era polonesa de família cristã, seu pai carpinteiro da Terra do Vístula, então sob domínio czarista: ele foi convocado para o Turguestão. Enquanto isso sua mãe trabalhava incansavelmente na fábrica de Poznański. Com o retorno paterno seguiram para o Brasil, mas logo seguiram de volta: estourava a primeira guerra e ele foi novamente convocado. Vieram o casamento e os filhos, todos seguiram pra Varsóvia quando tornou-se premiada parteira. Com a invasão da Polônia pelos nazistas, foram cercados no gueto. Em flagrante lá estava ela encarcerada em Auschwitz para dar à luz mais de três mil crianças, enquanto seus filhos foram encaminhados como escravos pras pedrarias de Mauthasen-Gusen, o marido e filho fugiram, nunca mais os viu. Enviuvou na Revolta de Varsóvia, enquanto era tatuada para conhecer o monstro algoz de perto. Então ela fez um relatório com registros da febre puerperal, de infanticídios de bebês afogados em um barril. Dos milhares salvos por ela, apenas trinta sobreviveram e, ao ser liberada, participou da celebração de Varsóvia. Canonizá-la não, pouco demais para o que fez; basta a vida perene no meu coração.

 


DITOS & DESDITOS - O amor é tão subjetivo que é egoísta. Cumpra todos os seus deveres e gozará de todos os seus direitos. Quem sofre pela verdade e pela justiça, esse é meu amigo. Pensamento do educador, filósofo, advogado e sociólogo Eugenio María de Hostos (1839—1903), conhecido como "O grande cidadão das Américas”.

 

ALGUÉM FALOU: O estilo não é neutro; dá orientações morais. As pessoas não mudam ou melhoram muito, mas evoluem. É muito lento. Uma piada é, por definição, politicamente incorreta – ela assume uma bunda e uma certa superioridade no contador. A cultura não vai aguentar isso por muito mais tempo. Pensamento do escritor britânico Martin Amis. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CARMILLA - […] Você vai me achar cruel, muito egoísta, mas o amor é sempre egoísta; quanto mais ardente, mais egoísta. Como estou com ciúmes, você não pode saber. Você deve vir comigo, me amando, até a morte; ou então me odeie, e ainda venha comigo, e me odeie na morte e depois dela. Não existe palavra como indiferença em minha natureza apática. [...] Mas morrer como os amantes podem - morrer juntos, para que possam viver juntos. [...] Por algumas noites dormi profundamente; mas ainda todas as manhãs eu sentia a mesma lassidão, e uma languidez pesava sobre mim o dia todo. Eu me senti uma garota mudada. Uma estranha melancolia tomava conta de mim, uma melancolia que eu não teria interrompido. Vagos pensamentos de morte começaram a surgir, e uma ideia de que eu estava afundando lentamente tomou posse de mim de maneira gentil e, de alguma forma, não indesejável. Se era triste, o tom de espírito que isso induzia também era doce. Seja o que for, minha alma concordou com isso. [...] Mas os sonhos atravessam paredes de pedra, iluminam quartos escuros ou escurecem os claros, e suas pessoas fazem suas saídas e entradas como bem entendem, e riem dos serralheiros. [...] Não me apaixonei por ninguém e nunca me apaixonarei — sussurrou ela —, a menos que seja por você. Como ela parecia bonita ao luar! Tímido e estranho foi o olhar com que ela rapidamente escondeu o rosto em meu pescoço e cabelos, com suspiros tumultuados, que pareciam quase soluços, e apertou na minha uma mão que tremia. Sua bochecha macia estava brilhando contra a minha. "Querido, querido", ela murmurou, "eu vivo em você; e você morreria por mim, eu te amo tanto." Eu comecei dela. Ela estava olhando para mim com olhos de onde todo o fogo, todo o significado havia voado, e um rosto sem cor e apático. "Há um frio no ar, querida?" ela disse sonolenta. "Eu quase estremeço; eu estava sonhando? Vamos entrar. Venha; venha; entre. [...]. Trechos extraídos da obra Carmilla: A Tragic Love Story (Createspace, 2008), do escritor irlandês Sheridan Le Fanu (1814-1873).

 

UM POEMA PARA TI - Ao meu filho Kamyar, com esperanças para o futuro \ componho este poema para ti \ sob uma seca noite de verão, \ que se inicia no meio\ de um caminho assustador \ neste velho túmulo de uma dor \ sem fim \ esta é a última canção de ninar \ aos pés do berço onde dormes. \ espero que os sons estrondantes \ do meu grito ecoem aos céus \ de tua juventude. \ deixe que minha sombra siga \ separada e distante da tua \ e, um dia, nos alcancemos\ e, um dia, não mais encontraremos \ entre nossas sombras\ ninguém menos do que deus\ contra uma porta escura \ repouso minha testa em dor.\ esfrego meus dedos frios\ e frágeis, na esperança\ que um dia a porta se abra.\ o estigma do qual ria\ surgiu d’uma vaidosa ironia\ de quando dizia:\ quero ser eu mesma\ mas me arrependeria\ pois era uma “mulher”\ quando teus olhos inocentes\ deslizarem num livro\ que nem começo há,\ tu verás a raiz da rebelião\ que crescerá\ no coração de cada canção\ aqui, as estrelas se apagam\ aqui, os anjos choram\ aqui, as folhas de sálvia\ valem menos\ que os espinhos do deserto\ aqui, sentado no caminho\ está o demônio da mentira,\ da estigma\ da hipocrisia\ no céu escuro não posso ver\ tu me acordar\ sob a luz da manhã\ deixe que meus olhos se encham\ de gotas de orvalho de novo.\ e hei de revelar as “faces puras”\ das virgens marias.\ deixei a praia da boa reputação\ e há uma estrela da tempestade\ em meu coração,\ há uma chama que acende\ a minha raiva,\ pois a dor é ambiente escuro\ da prisão.\ contra uma porta escura\ repouso minha testa em dor.\ esfrego meus dedos frios\ e frágeis, na esperança\ que um dia a porta se abra.\ contra estes hipócritas\ sei que fácil a luta não será\ pois é na minha e tua cidade,\ doce querida criança,\ é aonde o mal está.\ um dia teus olhos deslizarão\ nesta dolorosa canção.\ que minhas palavras, enfim\ se unam a ti\ e a si mesmo dirá:\ minha mãe, esta era ela. Poema da poeta e cineasta iraniana Forough Farrokhzad (1934-1967).

 

PERSONOLOGIA
– É a teoria elaborada pelo psicólogo norte-americano Henry Murray (1893-1988) numa abordagem que inclui forças conscientes e inconscientes; a influência do passado, presente e futuro e o impacto dos fatores fisiológicos e sociológicos. Ele se desviou tanto da psicanalise ortodoxa que o seu sistema deve ser classificado junto aos neofreudianos. Duas caraterísticas distintas do seu sistema são uma abordagem sofisticada das necessidades humanas e a fonte de dados na qual ele baseou a sua teoria. A lista de necessidades que propôs ainda é amplamente utilizada na pesquisa e avaliação da personalidade e no tratamento clinico. Seus dados são oriundos de pessoas consideradas normais e não de pacientes que estavam fazendo psicoterapia, além de serem extraídos de procedimentos laboratoriais de base mais empírica e não de estudos de caso. Ele reuniu uma grande quantidade de psicólogos, muitos dos quais ficaram famosos e difundiram os seus ensinamentos.
Para ele, a personalidade, na questão entre o livre-arbítrio e o determinismo, é determinada pelas necessidades e pelo ambientem conferindo um certo livre-arbítrio na capacidade de mudar e crescer. Cada pessoa é diferente, mas também existem semelhanças na personalidade de todas as pessoas. As pessoas são moldadas pelos atributos herdados e pelo ambiente, cada um dos dois com mais ou menos o mesmo grau de influência. Murray criticou a psicologia que projetasse uma imagem negativa e humilhante dos seres humanos e argumentava que, com os vastos poderes de criar, imaginar e raciocinar, todas as pessoas são capazes de solucionar qualquer problema. Também reconhecia a marca das experiências da infância no comportamento atual, não vendo as pessoas como cativas do passado. Os complexos da infância afetam inconscientemente o desenvolvimento, mas a personalidade também é determinada pelos eventos presentes e pelas aspirações para o futuro. Todos os seres humanos possuem a capacidade de crescer e desenvolver, e esse crescimento é uma parte natural da condição humana; pode-se mudar por meio das capacidades racionais e criativas e também remodelar a sociedade. Os princípios da personologia: o cérebro, a redução de tensão, o desenvolvimento da personalidade, a personalidade muda e evolui, e a singularidade de cada pessoa. O primeiro princípio é o de que a personalidade está enraizada no cérebro. A fisiologia cerebral da pessoa controla todos os aspectos da personalidade. Tudo aquilo de que a personalidade depende está no cérebro, inclusive sentimentos, lembranças conscientes e inconscientes, crenças, atitudes, temores e valores. O segundo princípio envolve a ideia de redução de tensão: é o processo de agir para reduzir tensão que é satisfatório e não o alcance de uma condição livre de toda tensão. Uma existência sem tensões é uma fonte de angustia. Por isso, precisa-se de excitação, atividade e movimento e tudo isso envolve um aumento de tensão. Para ele o estado ideal da natureza humana envolve sempre ter um certo grau de tensão para reduzir. A redução de pressão está relacionada com as metas que não são consideradas como estado livre de tensão, mas a satisfação derivada da ação que reduz a ação. O terceiro princípio é que a personalidade de um individuo continua se desenvolvendo ao longo dos anos e é composta de todos os eventos que ocorrem no decorrer da sua vida. Portanto, o estudo do passado de uma pessoa é de grande importância. O quarto princípio envolve a teoria de que a personalidade muda e evolui, não sendo fixa ou estática. O quinto principio enfatiza a singularidade de cada pessoa e ao mesmo tempo reconhece as similaridades entre todos. Segundo ele, um ser humano nunca é igual a outro, é parecido com algumas pessoas e com todas. AS DIVISÕES DA PERSONALIDADE – O id, o ego e o superego. O id é o depósito de todas as tendências impulsivas, inatas, fornecendo energia e rumo para o comportamento e se preocupa com a emoção. O ido contem os impulsos primitivos, amorais e sensuais descritos por Freud, mas no sistema personológico também engloba impulsos inatos que a sociedade considera aceitáveis e desejáveis. O id contem as tendências para empatia, imitação e identificação, para formas de amor além das sensuais e a tendência de a pessoa dominar o seu ambiente. A força ou intensidade do id varia de pessoa para pessoa. O ego é o regente racional da personalidade, aquele que tenta modificar ou adiar os impulsos inaceitáveis do id, ponderando, decidindo e determinando conscientemente o rumo do comportamento, sendo, assim, mais ativo na determinação do comportamento. por não ser um simples servo do id, o ego conscientemente planeja atitudes, opera não só para reprimir os prazeres do id, mas também para favorecer o prazer organizando e dirigindo a expressão de impulsos aceitáveis do id. Ele também é o árbitro entre o id e o superego, podendo favorecer um dos dois. O ego também pode integrar esses dois aspectos da personalidade para que o que se queira fazer (id) fique em harmonia com o que a sociedade acha que se deve fazer (superego). Um ego forte pode mediar efetivamente entre o id e o superego, mas um ego fraco transforma a personalidade em um campo de batalha. O superego é a internalização dos valores e das normas culturais, regras segundo as quais se avalia e se julga o comportamento pessoal e dos outros. A essência do superego é imposta às crianças desde pequenas pelos pais e por outras figuras com autoridade. Outros podem moldá-lo e incluem um grupo de amigos, a literatura e a mitologia de uma determinada cultura. O superego não está rigidamente cristalizado aos cinco anos, mas continua se desenvolvendo a vida toda, refletindo a maior complexidade e sofisticação das experiências que se dão até o envelhecimento. Ele se desenvolve junto com o ideal do ego que fornece as metas de longo prazo que se deve buscar. O ideal do ego é um componente do superego que contem os comportamentos morais e ideais que a pessoa deve buscar, representando aquilo que se pode tornar da melhor forma e sendo a soma das ambições e aspirações humanas. NECESSIDADES E A MOTIVAÇÃO DO COMPORTAMENTO – Utiliza o conceito de necessidades para explicar a motivação e o rumo do comportamento. A motivação é o ponto mais importante do trabalho e refere-se sempre a algo dentro do organismo. Uma necessidade envolve uma força psicoquímica no cérebro que organzia e direciona a capacidade intelectual e a perspectiva. As necessidades podem surgir de processos internos como fome ou sede, ou de eventos no ambiente. Elas elevam o nível de tensão; o organismo tenta reduzir essa tensão agindo para satisfazer as necessidades. Assim, elas energizam e dirigem o comportamento. As necessidades ativam o comportamento na direção certa para satisfazê-las. Por isso, o autor preparou um elenco de vinte necessidades que nem todas as pessoas possuem, mas que ao longo da vida podem ser sentidas ou algumas que nunca se sentirá. Algumas delas dão sustentação a outras e algumas se opõem umas as outras. São elas: afiliação, agressão, autonomia, autodefesa, deferência, defesa física, defesa psíquica, discernimento, divertimento, domínio, exibição, humilhação, neutralização, ordem, realização, rejeição, segurança, sensibilidade, sexo e solidariedade. As necessidades primárias ou viscerogênicas surgem dos processos físicos internos e incluem as necessidades de sobrevivência, como comida, água, ar e defesa física, e de sexo e sensualidade. As necessidades secundárias ou psicogênicas provêm indiretamente das primárias , não tendo origem determinável no corpo. Elas são chamadas porque se desenvolvem a partir das primárias e preocupam-se com a satisfação emocional incluindo a maioria das necessidades gerais. As necessidades reativas envolvem uma resposta a algo especifico do ambiente e são estimuladas apenas quando o dito objeto aparece, como a necessidade de defesa física que surge só quando há ameaça presente. Assim, envolvem uma resposta a um objeto específico. As necessidades proativas são espontâneas, trazendo à tona o comportamento adequado sempre que estimuladas, independente do ambiente sem esperar um estímulo. Surgem espontaneamente. As características das necessidades: elas diferem em termos de urgência com que impelem o comportamento, denominada de prepotência de uma necessidade. Algumas são complementares e podem ser satisfeitas por um comportamento ou conjunto de comportamentos: fusão de necessidades. O conceito de subsidiação se refere a uma situação na qual uma necessidade é ativada para ajudar a satisfazer uma outra necessidade. Assim, compreende a situação na qual uma necessidade é ativada para ajudar a satisfazer uma outra necessidade. A necessidade de deferência é complementar à necessidade à necessidade de afiliação. A pressão é a influencia dos eventos da infância que podem afetar o desenvolvimento de necessidades específicas e mais tarde podem ativar essas necessidades, porque um objeto ou evento ambiental pressiona a pessoa a agir de uma determinada maneira. É a influência do ambiente e dos eventos passados na ativação atual de uma necessidade. O Thema ou thema de unidade é a combinação da pressão (o ambiente) e necessidade (a personalidade) que traz ordem ao comportamento. É devido à possibilidade de interação entre a necessidade e a pressão. Ele combina fatores pessoais (necessidades) com fatores ambientais que pressionam ou compelem o comportamento (pressões). É formado nas primeiras experiências infantis e torna-se uma força poderosa na determinação da personalidade. Inconsciente na sua maior parte, ele relaciona as necessidades e pressões num padrão que dá coerência, unidade, ordem e singularidade ao comportamento. A NATUREZA HUMANA – Murray introduz o conceito de redução de tensão que é considerada como a satisfação derivada da ação que reduz a tensão. Nesse ponto ele coloca a questão do livre-arbítrio versus determinismo, considerando que a personalidade é determinada pels necessidades e pelo ambiente, conferindo livre-arbítrio à capacidade de mudar e crescer: cada pessoa é diferente, mas também existem semelhanças na personalidade de todo ser humano. Ele defende que todos os seres humanos são moldados pelos atributos herdados e pelo ambiente, com mais ou menos grau de influência, aceitando-se o impacto das forças físicas e dos estímulos ambientais físicos, sociais e culturais. Assim, a sua visão é ptimista criticando a psicologia que projeta uma imagem negativa e humilhante dos seres humanos, argumentando que com os poderes amplos de criar, imaginar e racionar, cada um é capaz de solucionar qualquer problema que tenha que enfrentar. Assinala que os complexos da infância afetam inconsciente o desenvolvimento, mas a personalidade é também determinada pelos eventos presentes e pelas aspirações para o futuro. A capacidade de crescer e de se desenvolver é uma parte natural desse crescimento da condição humana, porque se pode mudar por meio das capacidades racionais e criativa e também remodelar a sociedade. A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO – É uma necessidade forte em várias pessoas, principalmente em situações estressantes e durante o período de estresse se manifesta tanto nas crianças como nos adultos. As pessoas com alta necessidade de afiliação preferem se comunicar através da internet do que pessoalmente. O ambiente social virtual permite-lhes ser mais honestos, abertos e íntimos com os outros do que a situação cara a cara. Isso sugere que para pessoas com forte necessidade de afiliação, os contatos pela internet podem ser mais satisfatórios e menos ameaçadores do que os contatos reais. A necessidade de realização é a necessidade de superar obstáculos, atingir a excelência e viver bem em nível elevado. Pessoas com alta necessidade de realização têm com mais frequência trabalhos de alto nível. Trabalham duro, têm grande expectativa de sucesso e relatam mais satisfação no trabalho do que as pessoas que têm baixa necessidade de realização. As que têm alta escolhem trabalhos que dão responsabilidade pessoal, nos quais o sucesso depende principalmente de seus próprios esforços e ficam insatisfeitas com trabalhos nos quais o sucesso depende de outras pessoas ou de fatores que estejam fora de seu alcance. Fatores culturais podem influenciar as necessidades de realização de uma pessoa. Ela é afetada pelas praticas de educação de crianças. O gênero é outro fator que tem impacto sobre a necessidade de realizar. A PESQUISA NA TEORIA DE MURRAY – O programa de pesquisa envolveu o estudo intensivo da personalidade de estudantes do sexo masculino, realizado por uma equipe multiprofissional. Especialistas com diferentes tipos de treinamento observavam as pessoas utilizando varias técnicas, de maneira muito parecida à elaboração de um diagnóstico médico completo. À medida que os foram se acumulando, o conselho reavalia suas notas a ela com base em diversas variáveis, revisando as informações e chegando à conclusão final. Os dados tiveram de ser divididos em segmentos de tempo, denominados de padrão de conduta e série. O padrão de conduta é o segmento básico de comportamento e definido como um período de tempo necessário para a ocorrência e conclusão de um padrão de comportamento. envolve uma interação real ou fantasiosa entre o individuo e outras pessoas ou objetos no ambiente. Uma interação imaginária é chamada de padrão de conduta interno. Uma interação real é chamada de padrão de conduta externo. Os padrões de conduta estão ligados ao tempo e às funções. Série é a reunião dos padrões de conduta, ou seja, é uma sequencia de padrões de conduta relacionados à mesma função ou propósito. AVALIAÇÃO NA TEORIA DE MURRAY – As técnicas de avaliação de personalidade utilizam uma série de técnicas para coletar dados, com entrevistas e testes projetivos, objetivos e questionários que cobrem lembranças da infância, relações familiares, desenvolvimento sexual, aprendizagem sensório-motor, padrões éticos, metas, interações sociais e capacidade mecânica e artística. TESTE DE APERCEPÇÃO TEMÁTICA (TAT) – Criado por Murray e Morgan, continua sendo uma das medições projetivas da personalidade mais utilizadas. É composto de um conjunto de figuras ambíguas ilustrando cenas simples. Pede-se à pessoa que está se submetendo ao teste que crie uma história, descreva as pessoas, os objetos da figura, incluindo o que pode ter levado à situação e o que eles estão pensando e sentindo. É técnica projetiva baseada no mecanismo de defesa da projeção que foi introduzido por Freud. Na projeção a pessoa atribui impulsos perturbadores a outras pessoas, ou seja, os projeta no TAT os sentimentos nos personagens das figuras, revelando ao pesquisador ou ao terapeuta as ideias que a perturbam. É um instrumento para avaliar ideias, sentimentos e temores inconscientes. Interpretar as respostas às figuras é um processo subjetivo, podendo revelar informações extremamente úteis e devem ser utilizadas para complementar dados de métodos mais objetivos. O PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DO OSS – Foi um programação de avaliação para o Departamento de Serviços Estratégicos norte-americano (OSS), durante a II Guerra Mundial, com a meta de selecionar pessoas que servissem de espiãs e sabotadoras, trabalhando por trás das linhas inimigas em situações perigosas. Os candidatos foram entrevistados e passaram por testes projetos de Rorschach e TAT e responderam a questionários que cobriam uma série de tópicos. Além disso, participaram de testes envolvendo situações estressantes que simulavam experiências com as quais eles poderiam se deparar no trabalho. Essa tentativa pioneira de selecionar funcionários por meio de uma avaliação de grande escala da personalidade evoluiu para a bem-sucedida abordagem do centro de avaliação, amplamente utilizada nas empresas de hoje em dia para selecionar líderes e executivos promissores. O programa do OSS é um ótimo exemplo da aplicação prática das técnicas de avaliação originalmente destinadas somente à pesquisa. INFLUÊNCIAS – Influenciado por Carl Gustav Jung, teve um grave problema pessoal: apaixonou-se por Christina Morgan, uma mulher casada, bonita, rica e depressiva que também era impressionada com a obra de Jung e possuía sonhos e visões bizarras. Murray não queria largar a esposa com quem estava casado havia sete anos – ele dizia que abominava a ideia de se divorciar, mas também não queria desistir da amante, cuja natureza espirituosa e artística era o oposto da natureza de sua esposa; ele insistia que precisava das duas. Viveu esse conflito por dois anos, quando por sugestão dela, foi se encontrar com Jung, resolvendo o problema por meio da instrução e do exemplo. Envolveram-se no caso os dois casais: a esposa e o marido da amante, resolvendo o problema. Veja mais da Infância na teoria de Murray aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.


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