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quarta-feira, agosto 12, 2015

BLAVATSKY, PERLS, MORENO, TORGA, METHENY, HODGKIN, MACHUCA & BRINCARTE DO NITOLINO.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PARA VIVER O PERSONAGEM DO HOMEM – Contava eu com meus vinte e dois anos de idade, quando resolvi reunir o calhamaço de rabiscos e tronchuras em um volume só. Trabalhão esse, vez que eram versos desconjuntados desde a adolescência, que foram arrumados para ver se dava algum caldo. Hesitei, o sonho de publicar um livro precisava ser amadurecido. Meditei, os arroubos da juventude evidentemente que não permitiam um melhor um discernimento poético. Mas, a corda dos amigos e achegados era boa, acarinhava o acorçôo e resolvi botar a boca no mundo. Devo, antes de tudo, nomear alguns culpados por isso. Primeiro, os insistentes incentivos da professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira que semanalmente me cobrava versos para afixar no mural da biblioteca. Segundo, a publicação de diversos poeminhas publicados em colunas literárias do Diário de Pernambuco, desde ainda pré-adolescente emplacando muitos deles no suplemento infantil Junior, que encartava o jornal aos sábados. Terceiro, a inserção de um dos meus versos em edição do Jornal Caipira, encartado no disco Em Família, de Egberto Gismonti, em 1981. Outros, no Informativo do Gremio Cultural Castro Alves, do Colégio Diocesano; na revista Nova Caiana, editado pelo movimento das Noites da Cultura Palmarense; da publicação do meu conto na revista Ponto de Encontro, da Grafipar (Curitiba-PR); da reunião de alguns dos meus poeminhas nos textos Sertão, Sertão e Deus lhe pague – este baseado na obra de Joracy Camargo, apresentados em melodramas e cantaraus coletivos. Depois a chegada do poeta e editor Juareiz Correya que pegou o volume com o título Uma poesia no mundo, e realizou a coordenação editorial do que se passou a chamar Para viver o personagem do homem. Outros culpados se inseriram nisso, a exemplo do artista plástico Ângelo Meyer que gentilmente fez a capa e contracapa do volume; e do poeta e professor Paulo Profeta que escreveu a apresentação: [...] Nessa luta está o jovem [...] palmarense que faz de tudo: música, teatro, recitais... e, inclusive, poesia. Trata-se de um dos componentes das Noites da Cultura Palmarense, movimento de resistência que vem sobrevivendo na batalha do quefazer artístico-cultural. Como se não bastasse o esforço, Nito teve a ousadia de colocar estes poemas montado nos acordes do canto do eremita e, num mar de tubarões, seu “navio a sorte inventa e na desilusão dos sonhos atraca”. Sua desilusão não faz o odor dos desanimados. Pelo contrário, a tristeza de quem brinca com desvantagens é compensada pela audácia de quem é livre, como ele explica: “porque – traguei a verdade nua e crua”. É a poesia num mundo sem poesia. Tentativa invejável de um estreante, através da imprensa alternativa, mostrar seu compromisso em resistir nas trincheiras da culturaaté a morte do último traço característico de nosso povo. Assim, este trabalho é um grito irônico de liberdade. Não se trata de mais um livro para os críticos, mas, o eco dos que ainda têm coragem de fazer poesia sem o carimbo de instituições e intelectualoides, modismo dos dias atuais. Aí sob a coordenação da Nordestal Editora, lancei o livro, primeiro, numa festiva noite na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares e, depois, numa tarde ensolarada de sábado na legendária Livro 7, em Recife, ocasião que, coincidentemente, o Egberto Gismonti realizava um show-concerto no Teatro do Parque, local próximo do evento, e autografou o poema que fiz publicado no livro. Batido o centro, veio a responsabilidade de reestudar a poesia e a arte poética, revendo tudo e me determinando no oficio do aprendiz de poeta que sou até hoje. Vamos aprumar a conversa e veja mais aqui.


Imagem: A riot of colour, do pintor e gravurista britânico Howard Hodgkin.

Curtindo o álbum Kin (Nonesuch Records, 2014) do guitarrista de jazz estadunidense Pat Metheny & Unity. Veja mais aqui e aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, no horário das 10hs e 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação simpática de Isis Corrêa Naves. Na programação, Nitolino, Paulo Zola & Francis Monteiro, Meimei Corrêa, Juquinha My Bonnie, Evelyn Queiroz & Rachel Lucena, Livia Luminato, Batráquios do Brejinho, Sabiá lá na gaiola, Juquinha Linguinha, Trombinha Branca, Pirulito que late late, Nita, Danyel Pessoa, Lobisomem Zonzo, Salada de frutas, Cara do Brasil & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog, dicas e informações sobre Educação, Psicologia, Literatura, Teatro, Músicas, publicações e entrenimento pras crianças de todas as idades. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

O ORGANISMO E SEU EQUILIBRIO – No livro Ego, fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud (Summus, 2992), do psiquiatra e psicoterapeuta alemão Fritz Perls (1893-1970), encontro a parte em que o autor aborda O organismo e seu equilíbrio, do qual destaco o seguinte trecho: [...] O tratamento isolado dos diferentes aspectos da personalidade humana apenas mantém o pensamento em termos de magia e apoia a crença de que corpo e alma são itens isolados, unidos de alguma maneira misteriosa. O homem é um organismo vivo e alguns de seus aspectos são chamados de corpo, mente e alma. Se definirmos o corpo como a soma das células, a mente como a soma de percepções e pensamentos, e a alma como a soma de emoções, e mesmo se acrescentarmos uma integração estrutural (ou a existência destas somas totais como totalidades) a cada um dos três termos, ainda compreenderemos quão artificiais e fora de conformidade com a realidade tais definições e divisões são. A superstição de que elas são partes diferentes, que podem ser reunidas ou separadas, é uma herança de tempos em que o homem (horrorizado e relutante em aceitar a morte como tal) criou a fantasia de espíritos e fantasmas que vivem para sempre e deslizam para dentro e para fora do corpo. Deus pode – de acordo com tal fantasia – soprar sobre um pedaço de argila e dar-lhe vida. Na reencarnação indiana, a suposta alma pode escapar de um organismo para outro, de um elefante para um tiguer, de um tigre para uma barata e na vida seguinte, para um ser humano, até que todas as condições de um padrão de ética inatingível sejam finalmente preenchidas e a alma possa encontrar descanso no nirvana. Mesmo em nossa civilização europeia, há muitos que acreditam em fantasmas e espíritos e proporcionam a ocultyistas, leitores de folhas de chá e gente da mesma espécie uma oportunidade bem-vida de ganhar a vida. Milhões de pessoas não acreditam numa vida depois da morte, porque é confortante pensar que os mortos não estão mortos? A aplicação desta conceção corpo-alma a coisas mecaniscas poderia ajudar a mostrar o seu absurdo. Se você ama seu automóvel, se encanta com seu motor suave, com a beleza de suas linhas, poderia ter a sensação de que ele tem uma alma. Mas quem poderia acreditar que a sua alma pudesse repentinamente deixar o corpo para se deleitar num céu para automóveis (ou sofrer tortura num inferno para veículos malcomportados), enquanto o cadáver do carro se decompõe num cemitério de automóveis? Você poderia objetar: o automóvel é algo feito pelo homem, algo superficial. [...]. Veja mais aqui e aqui.

OS DOIS CAMINHOS – No livro A voz do silêncio (Clássica Editora, 1916), da escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, popularmente conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1831-1891), encontro a parte Os dois caminhos, traduzida por Fernando Pessoa: [...] Diz o Mestre: Os Caminhos são dois; as grandes Perfeições são três, seis são as Virtudes que transformam o corpo na Árvore do Conhecimento. Quem se aproximará deles? Quem entrará primeiro neles? Quem primeiro ouvirá a doutrina dos dois Caminhos em um, a verdade revelada sobre o Coração Secreto? A Lei que - afastando-se da erudição - ensina a Sabedoria, revela uma história de sofrimento. Ah, como é lamentável que todos os homens possuam Alaya e estejam em unidade com a Grande Alma, mas que, mesmo tendo Alaya, tirem dela um proveito tão pequeno! Olha como, da mesma maneira que a lua se reflete nas ondas tranquilas, Alaya é refletida pelo pequeno e pelo grande. Ela se espelha nos menores átomos, e, no entanto, não consegue alcançar o coração de todos. Ah, como é lamentável que tão poucos homens possam tirar proveito da dádiva, do presente de valor ilimitado que é a compreensão da verdade, a percepção correta das coisas existentes, e o conhecimento do não-existente! Diz o discípulo: Ó, Mestre, o que devo fazer para alcançar a Sabedoria? Ó, Sábio, o que fazer para obter a perfeição? Busca pelos Caminhos. Mas, ó Lanu, antes de começares a viagem, deves ter um coração puro. Antes de dares o teu primeiro passo, aprende a discernir o que é real do que é falso, o transitório do eterno. Aprende acima de tudo a ver a diferença entre o aprendizado mental e a sabedoria da Alma; entre a doutrina do “Olho” e a doutrina do “Coração”. Sim, a ignorância é como um recipiente fechado e sem ar; a alma é como um pássaro preso. Ele não pode cantar, e nem sequer mover uma pena; o cantador fica imóvel e entorpecido, e morre de exaustão. Mas mesmo a ignorância é melhor que um aprendizado mental sem a sabedoria da Alma para iluminá-lo e guiá-lo. As sementes da Sabedoria não podem germinar e crescer num espaço sem ar. Para viver e colher experiência, a mente necessita de amplitude, de profundidade, e de pontos que a levem na direção da Alma de Diamante. Não procures tais pontos no reino de Maya; mas eleva-te acima das ilusões, e busca o eterno e imutável SAT, sem confiar nas falsas sugestões da fantasia. Porque a mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões. Tenta, ó iniciante, unir tua Mente e tua Alma. Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo; desconfia dos teus sentidos; eles são falsos. Mas, dentro do teu corpo - o santuário das tuas sensações - procura, no Impessoal, pelo “Homem Eterno”; e, depois de localizá-lo, olha para o teu interior: tu és Buddha. Evita o elogio, ó Devoto. O elogio leva à auto-ilusão. O teu corpo não é o seu Eu. O teu EU é em si mesmo destituído de corpo, e nem os elogios, nem as críticas, o afetam. A vaidade, ó Discípulo, é como uma torre elevada à qual subiu um tolo arrogante. Lá ele se senta com solidão e orgulho, sem ser percebido por ninguém exceto por si mesmo. O falso conhecimento é rejeitado pelo Sábio, e espalhado ao Vento pela Boa Lei. A roda da Boa Lei gira para todos, os humildes e os orgulhosos. A “doutrina do Olho” é para a multidão; a “doutrina do Coração”, para os eleitos. Os primeiros repetem, orgulhosamente: “Vejam, eu sei”. Os últimos, que fizeram sua colheita humildemente, confessam em voz baixa: “Isso é o que eu ouvi”. “Grande Peneira” é o nome da “Doutrina do Coração”, ó Discípulo. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LIVRO DE HORAS - No livro O outro livro de Jó (1936), do poeta, teatrólogo e ensaísta português Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha – 1907-1995), encontro o poema Livro de horas, o qual destaco a seguir: Aqui, diante de mim, / eu, pecador, me confesso / de ser assim como sou. / Me confesso o bom e o mau / que vão ao leme da nau / nesta deriva em que vou. / Me confesso / possesso / das virtudes teologais, / que são três,e dos pecados mortais, / que são sete, / quando a terra não repete / que são mais. / Me confesso / o dono das minhas horas. / O das facadas cegas e raivosas / e o das ternuras lúcidas e mansas. / E de ser de qualquer modo andanças / do mesmo todo. / Me confesso de ser charco / e luar de charco, à mistura. / De ser a corda do arco / que atira setas acima / e abaixo da minha altura. / Me confesso de ser tudo / que possa nascer em mim. / De ter raízes no chão / desta minha condição. / Me confesso de Abel e de Caim. / Me confesso de ser homem. / De ser um anjo caído / do tal céu que Deus governa; / de ser um monstro saído / do buraco mais fundo da caverna. / Me confesso de ser eu. / Eu, tal e qual como vim / para dizer que sou eu / aqui, diante de mim! Veja mais aqui e aqui.

O METATEATRO – No livro O teatro da espontaneidade (Summus, 1984), do médico, psicólogo, filósofo e dramaturgo turco-judeu Jacob Levy Moreno (1889-1974), encontro a parte denominada O metateatro: estrutira arquitetônica, a qual destaco o trecho seguinte: Quando o contador de estórias começa, as crianças rapidamente se reúnem à sua volta. Ele ocupa o centro do grupo. Temos aí, à nossa frente, a imagem original do teatro. A separação nítida entre palco e plateia é a caracterica marcante do teatro legítimo. Isto é exemplificando pela forma dual bem como pelo relacionamento entre produção cênica e espectadores. Face à disposição do contraste entre atores e espectadores, porem, espaço total torna-se um campo para a produção. Cada parte do mesmo deve refletir o principio de espontaneidade e nenhuma de suas partes pode permanecer excluída. [...] no teatro todos os homens são mobilizados e se deslocam do estado de consciência para o estado de espontaneidade, do mundo dos feitos reais, dos pensamentos e sentimentos reais, para um mundo de fantasia que inclui a realidade potencial. As pessoas deslocam-se da coisa em si para a imagem da própria coisa, a qual inclui a coisa em potencial. Os valroes da vida são substituídos pelos valores da espontaneidade. Nos tempos modernos, o teatro só é visto a partir de uma extremidade, o palco. A outra extremidade, a audiência, é deixada na escuridão durante o espetáculo, não só a nível real como também a nível simbólico. A divisão da comunidade em duas partes, atores e audiência, também divide em duas partes a ilusão e o prazer estético, partes estas que só possuem significado em sua unificação, como ocorre com mãe e filho, marido e mulher, atores e plateia. A nova arquitetura do teatro deve ser concretizada a partir de ambos os lados, palco e público [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

MACHUCA – O premiado filme Machuca (2004), do escritor, produtor e diretor de cinema chileno Andrés Wood, conta a história que se passa em 1973, de dois garotos de diferentes classes sociais que vivem no Chile em meio a uma situação conturbada, em pleno governo de Salvador Allende, com diversas passeatas, umas em favor do socialismo, outras da direita nacionalista que quer retomar o poder. Os meninos se envolvem em conflitos entre eles, porém, com as tentativas de agressões recusadas por um deles, faz com que nasça uma amizade, sobrepujando a condição social de ambos. O filme ganhou os prêmios de Melhor Filme Latino no Ariel Award, no Bogotá Film Festival, e o Grande Prêmio no Ghent International Film Festival (2004), Prémios Goya (2005), o Philadelphia Film Festival (2005), o Valdivia International Film Festival (2004), o Vancouver International Film Festival (2004), Viña del Mar Film Festival (2004) e Prêmio Elcine no Lima Latin American Film Festival (2004). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: A onde iluminada, recolhida do livro O Tao da Educação: a filosofia oriental na escola ocidental (Ágora, 2000), da doutora em psicologia educacional pela Unicamp, Luiza Mara Silva Lima. Veja mais aqui.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Ilustração em xilogravura de três crianças a cantar, de Stock.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


terça-feira, janeiro 22, 2013

EMMA LAZARUS, CHAPLIN, CASTAÑEDA, MUNCH, GESTALT DE PERLS & LITERÓTICA

Imagem: The Fairy Feller's Master-Stroke (1855-1864), do pintor inglês da era vitoriana, Richard Dadd (1817-1886).

 

LITERÓTICA: A NATA DO PRAZER - Quando enfim flagrei sua presença, jamais poderia imaginar que perderia por completo a noção de tudo. Estava completamente extasiado com a grandiosa beleza que emanava da fogueira ardente de seu corpo, de seus olhos de mar revolto, de sua boca sedutora, do seu jeito mais que divino e maravilhoso, ali, à mão-tenente. Nossa, como irradiava onímoda, pojante, escorreita, máxima potranca ao meu dispor de ginete bem-aventurado. Graças à vida, eis que ela, édule de antemão, sorria a mais linda feição fagueira. E tudo isso me levava por um redemoinho agitado que eu abdicava de qualquer salvação. Tomei pé ao possuí-la abrasada e colada ao meu corpo para que eu pudesse exalar a odora maravilha de sua manifestação, enquanto beijava seus olhos de céu, suas faces de maçã, sua boca de sedução. Nessa hora, o mundo e o tempo se perderam de mim e de nós. Eu só sentia a saudade morrer de velha e o desejo emergir indomavelmente. De tão extasiado, não pude conter a exagerada ereção que se insinuava no meu membro dilatado e saliente ao contato de suas coxas. Eu ardia de prazer e seu corpo me eletrocutava na mais das fantásticas sensações ruidosas. Beijos estalavam incólumes. E de tão alvoroçado sequer percebi que encurralado pelo seu domínio, era conduzido por um percurso jamais saboreado. Eu só sabia de estar ao seu lado. Nem de longe percebi que transcorríamos longo trajeto até chegarmos onde definitivamente nos fazíamos só para o amor. Eu estava febril, juro, loucamente febril e só ansiava amar com todo afinco de minha loucura apaixonada. Estávamos, finalmente, a sós num quarto de hotel. Ali, a penumbra permitia que pudéssemos nos fitar efígie dada, nos vasculhar, nos acercar de nós, tomar de nós a ciência de tudo que somos e que podíamos nos fartar na mais libertina das vontades. O escuro não escondia de todo a sua beleza. E eu devaneava agarrado como quem se entrega definitivamente a tudo aquilo que mais e sempre desejava. Senti o seu domínio ao arrancar-me a camisa, a demover as vestes, a me jogar com brusquidão na cama e a se deitar por cima de mim como quem está disposta a me sufocar com a maior avalanche de prazer. Tudo muito desordenado, muito intuitivo. Queríamos e queríamos tudo. Até que aos poucos desnudados com displicência, é que pude deparar sua nudez santa e cristalina. Jamais poderia prever o tamanho cósmico de sua entrega. Eu verdadeiramente estava entregue, me batizando com o seu suor delicioso, me crismando com o seu desejo demoníaco e incontrolável, me salvando com a sua sacralização pecaminosa. Não havia como nem desejaria jamais me desvencilhar de tal circunstância. Eu caía de cabeça no seu feitiço solaçoso. Daí o ritual. Senti-lhe os mamilos duros dos seios roçarem meu tronco numa dança sensual de arrepiar-me a alma. Depois seus ductos expressivos saíram passeando pelo meu ventre, onde tomei uma dose generosa de vida. Seguiu alada pelas minhas coxas de pêlos eriçados, pelas minhas pernas trêmulas e pelos meus pés esquentados pela louca roçada. Senti o toque de sua mão exímia no meu calcanhar, meus dedos, solado, tornozelo. Foi fundo na magia quando pude perceber seus lábios tocarem minhas pernas, sua língua viajando pelo meu joelho, contornando minhas coxas, alisando-me o ventre num ziguezague pra lá de extasiante. Cheguei ao zênite quando sua mão tocou leve o meu macho cajado iluminado e o fez mais voraz e rijo com a carícia táctil de sua condução, enlevando-me iniciado na sua maestria. Atravessei sua mística cerimônia, quando fez esfregar minha dura turturina mais que tomada de tesão, por seu rosto, lábios e pele sedosa. Embeveci quando fez uns carinhos cervicais, espremendo majestosamente meu louco membro desajuizado ao pescoço, lado a lado, até deixá-lo em riste ao queixo e beijá-lo com um beijo terno e mágico. Como sucumbi a esses beijos. Fui ao Nirvana e pude contemplar a maior beleza da vida quando chegou a lamber meu dardo túmido com o veludo de sua língua abissal. Agitei-me com sua libação como se chupasse bíbula o real manjar dos deuses. Ah! E como a vida me pareceu ringente e eu mergulhando na catarse oriforme do gozo pleno. Aí, soltei as amarras, capitoso, deixei-me levar pela sua abalizada sucção e ejaculei o meu elixir para cajila de nossa esfomeada carência. Ah, quanta maravilha sedenta onde sou sua caça em particular temporada. Levou-me aos extremos até a última gota da minha satisfação plena. Não satisfeita, ainda, saiu-me lambendo como cadela no cio, até alcançar-me os lábios e nos beijarmos até a ressurreição dos nossos mais infinitos prazeres. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Uma verdade científica não se impõe por convencer os que a ela se opõem e por levá-los a verem com clareza, mas sim, antes, porque os opositores acabam morrendo e surge uma nova geração que aceita a verdade nova. Pensamento do físico alemão e ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1918, Max Planck (1959-1947). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive os da felicidade... Pensamento do ator e cineasta inglês Charlie Chaplin (1889-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DON JUAN - [...] Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum - para si mesmo ou para os outros - abandoná-lo quando assim ordena o seu coração. [...] Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias. Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma [...]. Trechos extraídos da obra Las enseñanzas de don Juan Matus - Una forma Yaqui de conocimiento (Fondo de Cultura Económica, 1974), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998). Veja mais aqui e aqui.

  

TRÊS POEMAS – ECOS: Nascida tardiamente e com alma de mulher, não ouso esperar, / O frescor do ancião jaz, o poder / Da paixão viril e moderna pousará Nos / lábios de minha Musa, nem posso lidar / (Quem velado e encoberto pela feminilidade deve tatear) / Com o mundo guerreiros de armas fortes e recitam / os perigos, feridas e triunfos da luta; / Vibrando a lira de cordas completas em todo o seu alcance. / Mas se você alguma vez em alguma caverna no fundo do lago / O'erbrow por rochas, uma voz selvagem cortejou e ouviu, / Respondendo de uma vez do céu e da terra e da onda, / Emprestando música élfica à sua palavra mais dura, / Não interprete mal esses ecos que pertencem / A um apaixonado pela solidão e pela música. VÊNUS DO LOUVRE: No longo corredor ela brilha como uma estrela, / A mãe do Amor nascida da espuma, paralisada na pedra, / Ainda assim, imortal, respirando. / A mão brutal do tempo mutilou, mas não conseguiu estragar. / Quando pela primeira vez a feiticeira encantada de longe / Deslumbrou meus olhos, Eu não a vi sozinha, / Serenamente posicionada em seu trono adorado pelo mundo, / Como quando ela guiou uma vez seu carro puxado por pombas, - / Mas a seus pés um judeu pálido e mortal, / Seu adorador de vida, chorou adeus ao amor. / Aqui Heine chorou! Aqui ainda ele chora de novo, / Nem nunca sua sombra se erguerá ou se moverá, / Enquanto lamenta um coração ardente, um cérebro-poeta, / Pelas dores da Hélade desaparecida e da dor hebraica. TRABALHAR: No entanto, a vida não é uma visão nem uma oração, / mas um trabalho obstinado; ela não pode fugir de sua tarefa. / Depois da primeira compaixão, ninguém poupará / Sua porção e sua obra realizada, para pedir. / Ela implora por descanso - ela virá em breve / Quando, descansando à beira da estrada, ela for forte. / Não, pois a multidão apressada de transeuntes a / esmagará com seu fluxo contínuo. / Muito deve ser feito antes que a breve luz morra; / Ela pode não demorar, absorta no sonho vão. / Com mãos trêmulas não usadas e pés vacilantes, / Ela cambaleia adiante, sua sorte designada a cumprir. / Mas quando ela preenche seus dias com deveres cumpridos, / Estranho vigor vem, ela recupera a saúde. / Novos objetivos, novos interesses surgem a cada novo sol, / E a vida ainda vale para sua riqueza ilimitada./ Tudo o que parecia difícil e cansativo agora se mostra pequeno, / E nada pode amedrontá-la - ela tem força para tudo. Poemas da poeta estadunidense Emma Lazarus (1887-1849). Veja mais aqui e aqui.

 

O GRITO DE MUNCH

Queremos mais do que uma mera fotografia da natureza. Não queremos pintar quadros bonitos que sejam pendurados nas paredes dos salões. Queremos criar, ou pelo menos estabelecer as bases de uma arte que dê algo à humanidade. Um arte que prenda e envolva. Uma arte criada do coração mais íntimo de alguém.

Arte e pensamento do pintor e gravador norueguês Edvard Munch (1863-1944). Veja mais aqui e aqui.

 

GESTALT-TERAPIA – O psiquiatra e psicoterapeuta Fritz Persl (1893-1970), descreveu a Gestalt-terapia como uma terapia existencial, baseada na filosofia existencial e utilizando-se de princípios em geral considerados existencialistas e fenomenológicos. Ele associou-se à maioria dos existencialistas insistindo que o mundo vivencial de um individuo faz de sua situação única. Do mesmo modo, sustentava que o encontro do terapeuta com um paciente constitui um encontro existencial entre duas pessoas, e não uma variante do clássico relacionamento médico-paciente. Nesse contexto, o conceito de intencionalidade é básico tanto para o existencialismo e a fenomenologia quanto para o trabalho de Perls; a mente ou consciência é entendida como inteção. Os sentidos dos atos psíquicos ou intenções devem ser alcançados em seus próprios termos, fenomenologicamente, e em termos de sua própria intenção particular. Dois temas importantes da maior parte do pensamento existencialista são a experiência do nada e a preocupação com a morte e o medo. Também o método fenomenológico de compreender através da descrição é básico no pensamento de Perls, todas as ações implicam escolha, todos os critérios de escolha são eles próprios selecionados. A confiança da fenomenológica na intuição para o conhecimento das essências assemelha-se à confiança de Perls no que ele chama de inteligência ou sabedoria do organismo. Entre os conceitos principais estão o organismo como um todo, ênfase no aqui e agoraa preponderância do como sobre o porquê e conscientização. No que concerne ao todo, além do holismo ao nível intra-orgânico, Perls acentuou a importância do fato de considerar o individuo como parte perene de um campo mais amplo que inclui o organismo e o meio, sugerindo que as pistas para o ritmo de contato e afastamento são ditadas por uma hierarquia de necessidades que são dominantes quando emergem como primeiro plano ou figura contra o fundo da personalidade total. A ênfase no aqui e agora em Perls possui ênfase na importância da autopercepção presente e imediata que um individuo tem do seu meio. No que concerne à preponderância do como sobre o porquê, dá-se pela ênfase na importância da compreensão da experiência de uma maneira descritiva e não causal, na qual estrutura e função são idênticas. Esses três principais conceitos são fundamentais para entendimento da conscientização, que é o ponto central da abordagem terapêutica. O processo de crescimento é um processo de expansão das áureas de autoconsciência; o fator mais importante que inibe o crescimento psicológico é a fuga da conscientização. Em vista disso, Perls acredita plenamente no que ela chama de sabedoria do organismo, considerando o individuo maduro e saudável um individuo auto-apoiado e auto-regulador no cultivo da autoconscientização como sendo dirigido para o reconhecimento da natureza auto-reguladora do organismo humano. Nesse sentido, o principio da hierarquia das necessidades está sempre operando na pessoa. Foi aí que ele desenvolveu a noção de um continuum de consciência como um meio de encorahar esta autoconscientização. Perls definia a saúde e a maturidade psicológicas como sendo a capacidade de emergir do apoio e da regulação ambientais para um auto-apoio e uma auto-regulação. Uma apreciação plena desta hierarquia de necessidades só pode ser realizada através da conscientização que envolve todo o organismo, uma vez que as necessidades são experienciadas por cada parte do organismo e sua hierarquia é estabelecida por meio de sua coordenação. Assim, o ritmo contato/fuga com o meio ambiente é o componente principal do equilíbrio organismico. Para Perls existem quatro tipos de explosões que o individuo pode experienciar ao emergia da camada da morte. Existe a explosão em pesar, que envolve o trabalho com uma perda ou morte que não tinha sido previamente assimilada. Existe a explosão em orgasmo em pessoas sexualmente bloqueadas. Existe a explosão em raiva quando sua expressão foi reprimida. E, por fim, existe a explosão no que Perls chama de joie de vivre – alegria e riso, alegria de viver. Assim, Perls considera a fuga da conscientização e a consequente rigidez da percepção e do comportamento como os maiores obstáculos ao crescimento psicológico. A introjeção ou engolir tuido é o mecanismo pelo qual os indivíduos incorporam padrões, atitudes e modos de agir e pensar que não são deles próprios e que não assimilam ou digerem o suficiente para torna-los seus. A projeção é um mecanismo neurótico que é o oposto da introjeção, uma vez que é a tendência de responsabilizar os outros pelo que se origina no self, envolvendo um repudio de seus próprios impulsos, desejos e comportamento, colocando fora o que pertence ao self. Confluência é um mecanismo neurótico no qual os indivbiduos não experienciam nenhum limite entre eles mesmos e o meio ambiente, tornando possível um ritmo saudável de contato e de fuga, visto que tanto o primeiro quanto o segundo pressupõem um outro, impossibilitando a tolerância das diferenças entre as pessoas.  A retroflexão é o mecanismo neurótico que significa voltar-se de forma ríspida contra, indivíduos retroflexos voltam-se contra si mesmo e, ao invés de dirigir suas energias para mudança e manipulação de seu meio ambiente, dirigem essas energias para si próprios. Dividem-se e tornam-se sujeito e objeto de todas suas ações, são o alvo do seu comportamento. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

ESCARAFUNCHANDO FRITZ – O livro Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata de lixo (Summus, 1979), de Frederick Perls, é um livro autobiográfico no qual, de maneira irreverente e bem humorada, o autor mostra seu repúdio aos padrões estabelecidos, ao mecionar que: Desta vez vou escrever sobre mim mesmo. Ou melhor, sempre que alguém escreve, escreve sobre si mesmo – mais ou menos. É claro que se pode escrever sobre as assim chamadas observações objetivas, ou sobre conceitos e teoria, mas, de uma maneira ou de outra, o observador é sempre parte dessas observações. Ou, então seleciona o que está observando. Ou obedece as exigências de um professor, e neste caso seu envolvimento poderia ser muito reduzido, mas de certo modo existe. [...]. E fechando o livro ele diz: [...] Escrevi a Lata de Lixo em três meses e depois disso – nada. Tão depressa como veio, a necessidade de escrever secou. 

EGO, FOME E AGRESSÃO – O livro Ego, fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud (Summus, 2002), de Frederick Perls, aborda temas como Holismo e Psicanálise, metabolismo mental, terapia da concentração, pensamento diferencial, abordagem psicológica, o organismos e seu equilíbrio, realidade, a resposta do organismo, defesa, bom e mau, neurose, reorganização organismica, psicanalise clássica, tempo, passado e futuro, passado e presente, instinto de fome, resistências, retrflexão e civilização, alimento mental, introjeção, o complexo de fantoche, o ego como uma função do organismo, a cisão da personalidade, resistências sensomotoras, projeção, o pseudometabolismo do caráter paranoico, complexo de megalomania-rejeição, resistências emocionais, técnica, concentração e neurastenia, concentração no ato de comer, visualização, senso de realidade, silencio interior, primeira pessoa do singular, desfazendo retroflexões, concentração corporal, a assimilação de projeções, desfazendo uma negação, consciência constrangida de si mesmo, o significado da insônia, gagueira, o estado de ansiedade, entre outros assuntos.


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