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quarta-feira, setembro 23, 2015

VALÉRY, MORENO, KUREISHI, COLTRANE, PEDERSEN, NEUROCIÊNCIA, KARSAVINA, NÊNIA DE BARIL & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NÊNIA DE ABRIL – Estava na segunda metade da década de 1980, quando recebi o livro Ciclo Amatório (Mundo Manual, 1986), do saudoso poeta e editor carioca Sérgio Campos (1941-1994). Tempos difíceis aqueles, do sonho da redemocratização que se realizaria com a promulgação da Carta Cidadã de 1988. O poeta a que me refiro, deixou uma obra significativa: A casa dos elementos (Achiamé, 1984), Bichos (Autor, 1985), Ciclo amatório (Scortecci, 1986), Montanhecer (Scortecci, 1987), Nativa idade (Mundo Manual, 1990), O lobo e o pastor (Mundo Manual, 1990), As iras do dia (Mundo Manual, 1990), Móbiles de sal (Mundo Manual, 1991), A cúpula e o rumor (Mundo Manual, 1992), Leitura de cinzas (Mundo Manual, 1993) e Mar anterior (Antologia, 1984/94 - Mundo Manual, 1994). Trocamos muitas correspondências e livros, até a última missiva em que ele dava conta de que estava realizando o sonho de se mudar de Minas Gerais pro Rio de Janeiro, mais especificamente a cidade de Ilha do Governador, na qual, pouco tempo depois, recebi a notícia do seu falecimento. Vários estudos foram realizado sobre a sua obra, a exemplo das destacáveis pesquisas do poeta e doutor em Literatura, Leontino Filho, do poeta e editor Floriano Martins e do poeta e crítico literário Luiz Carlos Monteiro. Da minha parte, justo quando recebi o livro Ciclo Amatório, que dei de cara com o poema Nênia de Abril, peguei o violão, montei acordes da harmonia e da melodia e fiz dele a minha voz: Sou um poeta obscuro. / Os meus companheiros são poetas obscuros. / Nosso país é o amor subterrâneo em sagração de interiores catedrais. / Porquanto seja nosso pranto anônimo, choramos nossos mortos sozinhos. / Nosso embalar ainda é canto inaudível nas praças e nas avenidas do povo. / Lambemos nossas feridas ignoradas e nossos cantos codificam perdas. / Mas se o país é triste somos tristes porque é de nós sofrer a aflição geral. / Somos cidadãos de um trágico país cuja desgraça ataca sempre e cedo. / Antes que os nossos filhos denunciem o luto secular de seus abris. / O que é melhor em nós desfaz-se em perda. / O que tocamos nos trai com seus punhais. / Perpetramos nosso sonho coletivo e o velamos, mas quando tangemos é tarde demais. / Enfim quando se vai o que é do povo / Aqui na terra se depõe perto de nós. / É quando os obscuros cantam suas nênias / Para embalar o amado enquanto morto. / Sou um poeta obscuro. / Meus companheiros são poetas obscuros. / Nosso país é o amor.Luiz Alberto Machado. Primeira Reunião: Bagaço, 1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: L’eglise et les etoiles (1951 - Oil on canvas), do pintor dinamarquês Carl-Henning Pedersen (1913-2007).


Curtindo o álbum Ascension (1965), do saxofonista e compositor de jazz norte-americano John Coltrane (1926-1965). Veja mais aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação da simpaticíssima Isis Corrêa Naves. Na programação: Olavo Bilac, Turma da Mônica, Turminha do Tio Marcelo, Tia Conça, Bananas de Pijamas, A turma do Seu Lobato, Paulo Zola & Francis Monteiro, Bob Zoom, Angelina Ballerina, Galinha Pintadinha, The Smurfs, Patati & Patatá, Moranguinho & muito mais pra garotada. No blog, a edição nº 1 da Revistinha em Quadrinhos Aventureiros do Una, uma parceria minha com Rollandry Silvério, o Brincar da Criança, Paulo Freire, Ludoterapia, as crianças e a mídia eletrônica e a função da família em Gestalt-terapia para crianças, entre outras dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e dos Adolescentes, Música, Teatro e Literatura. Para conferir o programa online clique aqui ou aqui.

A ÁRVORE DO BEM DO MAL – No livro Neurociência e educação: como o cérebro aprende (Artmed, 2011), de Ramon M. Consenza e Leonor B. Guerra, destaco os trechos: [...] O senso comum costuma se referir a cinco sentidos que seriam utilizados por nós normalmente. Na verdade, eles são em maior número. Na pele, por exemplo, não percebemos apenas o tato, mas também a sensação de pressão, a dor e a temperatura. Um sentido muito importante e pouco mencionado é a cinestesia (cine= movimento; estesia = sensação), que informa a posição do corpo no espaço e os movimentos estão sendo executados. Seus receptores encontram-se nos músculos, nas articulações de nosso esqueleto e no ouvido interno. As informações neles geradas nos permitem manter o equilíbrio, conhecer a distribuição do corpo no espaço e executar com perfeição os movimentos dos deferentes grupos musculares. [...] A Bíblia informa que Deus colocou no Paraiso a Arvore do Bem e do Mal, cujo fruto proibido a humanidade provou, sendo por isso expulsa do Paraíso. Essa arvore pode ser uma metáfora da aquisição, pela espécie humana, de uma serie de funções que a distinguem dos outros animais. A capacidade de planejar no longo prazo, de medir a consequência dos próprios atos, de inibir os comportamentos inadequados são a essência do que chamamos funções executivas. A imagem pode ir mais longe se nos lembramos que, tal como uma arvore, essas funções te que ser desenvolvidas e mantidas com cuidado constante. Nossa civilização, que tem posto em risco o futuro de nossa espécie poluindo a Terra e exaurindo os seus recursos naturais, comete mais um equivoco ao descuidar do desenvolvimento das funções executivas, o que pode comprometer o bem estar e, talvez, a sobrevivência das futuras gerações [...]. Veja mais aqui e aqui.

O BUDA DO SUBÚRBIO – O livro O Buda do subúrbio (Companhia das Letras, 1992), do escritor e dramaturgo britânico Hanif Kureishi, conta a história de um narrador imigrante de indiano que se encontra em Londres para estudar direito, envolvendo-se com bebida, rock e prazeres ilícitos, findando por se casar muito jovem numa fase de descobertas num momento de turbulência política e preconceitos, criticando a cultura de massa. Da obra destaco o trecho: [...] Ao liquidar a casa e mudar para Londres, Eva também estava perseguindo Charlie, que atualmente pouco aparecia por ali. Para ele também era obvio que os subúrbios faziam parte do passado, do inicio da vida. Depois disso, era desviar ou definhar. Charlie gostava de dormir cada dia em um lugar, não tinha posses, nem moradia fixa, e trepava com quem pudesse; às vezes até ensaiava e compunha canções. Experimentava estes excessos não pode desespero, e sim por se excitar com as promessas da vida. Ocasionalmente eu acordava pela manhã e lá estava ele, na cozinha, comendo furiosamente, como se não soubesse de onde viria sua próxima refeição, como se cada dia fosse uma aventura capaz de terminar em qualquer lugar. E depois ia embora. Papai e Eva acompanhavam todas as apresentações de Charlie, em escolas de artes, pubs e pequenos festivais ao ar livre em locais enlameados. Eva torcia e aplaudia sem parar, com uma cerveja na mão. Papai piscava nervoso ao fundo, perturbado com o barulho e a multidão, com frenética dança de são Vito por cima de jovens em coma, mergulhados em poças de cerveja. Ele se abalava com o sofrimento, as roupas fedorentas, as bad-trips dos adolescentes de catorze anos levados em ambulâncias, as fodas ao acaso, sem amor, e as fugas melancólicas da família para os prédios miseráveis abandonados de Herne Gill. Sem duvida teria preferido ficar em casa, aconselhando um disciplulo – a fervorosa garota Fruitbat, quem saber, ou seu namorado eternamente sorridente, Chogyam-Jones, cuja roupa parecia um tapete chinês; seu estimulo estava se tornando necessário. Mas papai acompanhava Eva onde quer que sua presença fosse exigida. Sem duvida ele aproveitava muito mais a vida do que antes e, quando Eva finalmente anunciou que estávamos de mudança para Londres, admitiu que esta era a decisão correta a tomar. [...]. Veja mais aqui.

OS CADERNOS DE VALÉRY – No livro Paul Valéry: a serpente e o pensar (Brasiliense, 1984), do poeta, tradutor e ensaísta Augusto de Campos, encontro Dos cadernos de Valéry, reunindo contra-bras e contra-acabados do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945), do qual destaco os trechos: [...] Estes cadernos são meu vício. São também contra-bras, contra-acabados. [...]. Poder e ser: ser poeta, não. Poder sê-lo. Tédio – O que eu sei fazer me entedia; o que não sei fazer me entristece. Opinião: eu não sou sempre da minha opinião. Processo (= conceito poundiano de inventor?): aprecio um homem quando ele encontrou uma lei ou um processo. O resto não é nada. Poder, agir: eu me amo em potência – me odeio em ato. O inumano: não saboreio nas obras do homem senão a quantidade de inumanidade que nelas encontro. Sei demais o que é humano. Sofri, gozei; me enganei; vi corretamente, me sinto arruinar pelo tempo; fui louvado; censurado, saudado, achincalhado, tratado por nomes os mais agradáveis e por alguns outros. Eis o que é humano, segundo os humanos. Não me agrada ruminá-lo nos livros. Impossibilidades:... são as minhas impossibilidades que me excitam. Só amor problemas: Quando eu me prendo (o que é bem raro) a uma leitura que não me requer nenhum esforço de compreensão nova, tenho a sensação de cometer uma falta. Eu me sinto em falta -, falta que pode ter por excusa uma incapacidade de fazer outra coisa. Só amo problemas. Sorrir dos sérios: devemos sorrir dos que se levam a sério. O poema é uma máquina: o poema é uma máquina de produzir certos efeitos sobre certas pessoas que se imaginais tais ou quais. Surpresa ou precisão: Um escrito só vale: 1 – pela estranheza, a surpresa, a distancia que guarda com o meu pensamento – ou 2 – pelo grau de precisão que ele me traz. É preciso que eu seja ou enriquecido, destravado, ampliado, ou então precisado, isto é, amadurecido, acabado, delimitado, tempo-ganho. Escritor – escriteiro: Não sou escritor – escriteiro (écriveur), pois não só não me importa como me ultrapassa escrever o que vi, senti ou peguei. Isso terminou para mim. Tomo da pena para o futuro do meu pensamento – não para o seu passado. Escrever: escrever – o que eu escrevo não é escrever, é preparar-se para escrever algum dia impossível. A síntese da poesia: zombam de você, que tentou fazer a síntese da poesia. Eles têm razão, mas você também não está errado. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O TEATRO DA ESPONTANEIDADE - No livro O teatro da espontaneidade (Summus, 1984), do médico, psicólogo, filósofo e dramaturgo turco-judeu Jacob Levy Moreno (1889-1974), destaco mais alguns trechos: [...] Quando Deus criou o mundo em seis dias ele acabou se detendo um dia antes, com excessiva antecipação. Ele havia organizado para o Homem um lugar onde viver mas, para torna-lo seguro para aquele, acabou também por acorrenta-lo a tal lugar. No sétimo dia, Ele deveria ter criado para o Homem um segundo universo, um outro mundo, livre do primeiro e no qual o Homem pudesse se purificar deste, mas um mundo em que não houvesse pessoa alguma acorrentada, pois que não seria real. É neste ponto que o teatro da espontaneidade prossegue a obra de Deus de criar o Mundo, ao abrir para o Homem uma nova dimensão da existência. [...] A sociatria já nos forneceu bons motivos para predizer que a sociedade humana acabará sendo controlada pelo self ou selves espontaneamente dirigidos. [...] A maior dificuldade quanto à expansão do self na direção de um verdadeiro domínio do universo não reside na invenção de instrumentos por meio dos quais alcançar-se este objetivo e, sim, no próprio Homem. este é inepto e inerte e sua espontaneidade encontra-se num estagio embrionico de desenvolvimento. Portanto, não é o retardo das ciências sociais em comparação com as físicas que detém o progresso; esse retardo verifica-se antes nas limitações do Homem e na sua falta de preparo para a utilização de instrumentos e métodos que lhe permitiriam vencer seus desafios biológicos, sociais e culturais. [...] Enquanto no plano tecnológico, é grande a prontidão do Homem para fazer uso de instrumentos tão logo sejam inventados, no plano social esta prontidão encontra-se excessivamente baixa, praticamente nula. [...] é fácil para o Homem usar um pedaço de pau, uma arma ou uma bomba atômica, mas é-lhe extremamente difícil adaptar-se ao uso de instrumentos sociais que lhe assegurariam liberdade no seu de sua própria sociedade. Não é fácil apresentar respostas a esta dificuldade: o Homem precisa ser educado; [...] é um problema de deficiência na espontaneidade de se usar a inteligência disponível e de se mobilizar as emoções esclarecidas. [...] . Veja mais aqui, aqui e aqui.

TODAS AS MULHERES DO MUNDO – A trajetória da atriz de cinema e televisão Joana Fomm é das mais representativas. Ela começa no cinema atuando no filme O quinto poder (1962), seguindo-se Um morto ao telefone (1964), El ABC do amor (1967), A vida provisória (1968), O homem nu (1968), Bebel, a garota propaganda (1968), Edu,  coração de ouro (1968), A noite do meu bem (1968), Macunaíma (1969), As armas (1969), Um sonho de vampiros (1969), O palácio dos anjos (1970), As gatinhas (1970), Gamal, o delírio do sexo (1979), Elas (1970), Fora das grandes (1971), Noites de Iemanjá (1971), Vozes do medo (1972), Os desclassificados (1972), Um brasileiro chamado Rosaflor (1976), Marilia e Marina (1976), Contos eróticos (1977), Beijo na boca (1982), Espelho de carne (1985), O cavalinho azul (1984), Césio 137 – o pesadelo de Goiania (1990), Vai trabalhar vagabundo II (1991), Quem matou Pixote? (1996), Copacabana (2001) e Quanto vale ou é por quilo? (2005). Entre esses, destaco sua participação na premiada comédia Todas as mulheres do mundo (1966), dirigida pelo cineasta Domingos de Oliveira, contando a história a respeito de um dilema que o determinado sujeito sofre entre a vida de solteiro e o casamento. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da bailarina russa do Balé de Sergei Diaghilev, Tamara Karsavina (1885-1978)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
 Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, agosto 12, 2015

BLAVATSKY, PERLS, MORENO, TORGA, METHENY, HODGKIN, MACHUCA & BRINCARTE DO NITOLINO.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PARA VIVER O PERSONAGEM DO HOMEM – Contava eu com meus vinte e dois anos de idade, quando resolvi reunir o calhamaço de rabiscos e tronchuras em um volume só. Trabalhão esse, vez que eram versos desconjuntados desde a adolescência, que foram arrumados para ver se dava algum caldo. Hesitei, o sonho de publicar um livro precisava ser amadurecido. Meditei, os arroubos da juventude evidentemente que não permitiam um melhor um discernimento poético. Mas, a corda dos amigos e achegados era boa, acarinhava o acorçôo e resolvi botar a boca no mundo. Devo, antes de tudo, nomear alguns culpados por isso. Primeiro, os insistentes incentivos da professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira que semanalmente me cobrava versos para afixar no mural da biblioteca. Segundo, a publicação de diversos poeminhas publicados em colunas literárias do Diário de Pernambuco, desde ainda pré-adolescente emplacando muitos deles no suplemento infantil Junior, que encartava o jornal aos sábados. Terceiro, a inserção de um dos meus versos em edição do Jornal Caipira, encartado no disco Em Família, de Egberto Gismonti, em 1981. Outros, no Informativo do Gremio Cultural Castro Alves, do Colégio Diocesano; na revista Nova Caiana, editado pelo movimento das Noites da Cultura Palmarense; da publicação do meu conto na revista Ponto de Encontro, da Grafipar (Curitiba-PR); da reunião de alguns dos meus poeminhas nos textos Sertão, Sertão e Deus lhe pague – este baseado na obra de Joracy Camargo, apresentados em melodramas e cantaraus coletivos. Depois a chegada do poeta e editor Juareiz Correya que pegou o volume com o título Uma poesia no mundo, e realizou a coordenação editorial do que se passou a chamar Para viver o personagem do homem. Outros culpados se inseriram nisso, a exemplo do artista plástico Ângelo Meyer que gentilmente fez a capa e contracapa do volume; e do poeta e professor Paulo Profeta que escreveu a apresentação: [...] Nessa luta está o jovem [...] palmarense que faz de tudo: música, teatro, recitais... e, inclusive, poesia. Trata-se de um dos componentes das Noites da Cultura Palmarense, movimento de resistência que vem sobrevivendo na batalha do quefazer artístico-cultural. Como se não bastasse o esforço, Nito teve a ousadia de colocar estes poemas montado nos acordes do canto do eremita e, num mar de tubarões, seu “navio a sorte inventa e na desilusão dos sonhos atraca”. Sua desilusão não faz o odor dos desanimados. Pelo contrário, a tristeza de quem brinca com desvantagens é compensada pela audácia de quem é livre, como ele explica: “porque – traguei a verdade nua e crua”. É a poesia num mundo sem poesia. Tentativa invejável de um estreante, através da imprensa alternativa, mostrar seu compromisso em resistir nas trincheiras da culturaaté a morte do último traço característico de nosso povo. Assim, este trabalho é um grito irônico de liberdade. Não se trata de mais um livro para os críticos, mas, o eco dos que ainda têm coragem de fazer poesia sem o carimbo de instituições e intelectualoides, modismo dos dias atuais. Aí sob a coordenação da Nordestal Editora, lancei o livro, primeiro, numa festiva noite na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares e, depois, numa tarde ensolarada de sábado na legendária Livro 7, em Recife, ocasião que, coincidentemente, o Egberto Gismonti realizava um show-concerto no Teatro do Parque, local próximo do evento, e autografou o poema que fiz publicado no livro. Batido o centro, veio a responsabilidade de reestudar a poesia e a arte poética, revendo tudo e me determinando no oficio do aprendiz de poeta que sou até hoje. Vamos aprumar a conversa e veja mais aqui.


Imagem: A riot of colour, do pintor e gravurista britânico Howard Hodgkin.

Curtindo o álbum Kin (Nonesuch Records, 2014) do guitarrista de jazz estadunidense Pat Metheny & Unity. Veja mais aqui e aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, no horário das 10hs e 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação simpática de Isis Corrêa Naves. Na programação, Nitolino, Paulo Zola & Francis Monteiro, Meimei Corrêa, Juquinha My Bonnie, Evelyn Queiroz & Rachel Lucena, Livia Luminato, Batráquios do Brejinho, Sabiá lá na gaiola, Juquinha Linguinha, Trombinha Branca, Pirulito que late late, Nita, Danyel Pessoa, Lobisomem Zonzo, Salada de frutas, Cara do Brasil & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog, dicas e informações sobre Educação, Psicologia, Literatura, Teatro, Músicas, publicações e entrenimento pras crianças de todas as idades. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

O ORGANISMO E SEU EQUILIBRIO – No livro Ego, fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud (Summus, 2992), do psiquiatra e psicoterapeuta alemão Fritz Perls (1893-1970), encontro a parte em que o autor aborda O organismo e seu equilíbrio, do qual destaco o seguinte trecho: [...] O tratamento isolado dos diferentes aspectos da personalidade humana apenas mantém o pensamento em termos de magia e apoia a crença de que corpo e alma são itens isolados, unidos de alguma maneira misteriosa. O homem é um organismo vivo e alguns de seus aspectos são chamados de corpo, mente e alma. Se definirmos o corpo como a soma das células, a mente como a soma de percepções e pensamentos, e a alma como a soma de emoções, e mesmo se acrescentarmos uma integração estrutural (ou a existência destas somas totais como totalidades) a cada um dos três termos, ainda compreenderemos quão artificiais e fora de conformidade com a realidade tais definições e divisões são. A superstição de que elas são partes diferentes, que podem ser reunidas ou separadas, é uma herança de tempos em que o homem (horrorizado e relutante em aceitar a morte como tal) criou a fantasia de espíritos e fantasmas que vivem para sempre e deslizam para dentro e para fora do corpo. Deus pode – de acordo com tal fantasia – soprar sobre um pedaço de argila e dar-lhe vida. Na reencarnação indiana, a suposta alma pode escapar de um organismo para outro, de um elefante para um tiguer, de um tigre para uma barata e na vida seguinte, para um ser humano, até que todas as condições de um padrão de ética inatingível sejam finalmente preenchidas e a alma possa encontrar descanso no nirvana. Mesmo em nossa civilização europeia, há muitos que acreditam em fantasmas e espíritos e proporcionam a ocultyistas, leitores de folhas de chá e gente da mesma espécie uma oportunidade bem-vida de ganhar a vida. Milhões de pessoas não acreditam numa vida depois da morte, porque é confortante pensar que os mortos não estão mortos? A aplicação desta conceção corpo-alma a coisas mecaniscas poderia ajudar a mostrar o seu absurdo. Se você ama seu automóvel, se encanta com seu motor suave, com a beleza de suas linhas, poderia ter a sensação de que ele tem uma alma. Mas quem poderia acreditar que a sua alma pudesse repentinamente deixar o corpo para se deleitar num céu para automóveis (ou sofrer tortura num inferno para veículos malcomportados), enquanto o cadáver do carro se decompõe num cemitério de automóveis? Você poderia objetar: o automóvel é algo feito pelo homem, algo superficial. [...]. Veja mais aqui e aqui.

OS DOIS CAMINHOS – No livro A voz do silêncio (Clássica Editora, 1916), da escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, popularmente conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1831-1891), encontro a parte Os dois caminhos, traduzida por Fernando Pessoa: [...] Diz o Mestre: Os Caminhos são dois; as grandes Perfeições são três, seis são as Virtudes que transformam o corpo na Árvore do Conhecimento. Quem se aproximará deles? Quem entrará primeiro neles? Quem primeiro ouvirá a doutrina dos dois Caminhos em um, a verdade revelada sobre o Coração Secreto? A Lei que - afastando-se da erudição - ensina a Sabedoria, revela uma história de sofrimento. Ah, como é lamentável que todos os homens possuam Alaya e estejam em unidade com a Grande Alma, mas que, mesmo tendo Alaya, tirem dela um proveito tão pequeno! Olha como, da mesma maneira que a lua se reflete nas ondas tranquilas, Alaya é refletida pelo pequeno e pelo grande. Ela se espelha nos menores átomos, e, no entanto, não consegue alcançar o coração de todos. Ah, como é lamentável que tão poucos homens possam tirar proveito da dádiva, do presente de valor ilimitado que é a compreensão da verdade, a percepção correta das coisas existentes, e o conhecimento do não-existente! Diz o discípulo: Ó, Mestre, o que devo fazer para alcançar a Sabedoria? Ó, Sábio, o que fazer para obter a perfeição? Busca pelos Caminhos. Mas, ó Lanu, antes de começares a viagem, deves ter um coração puro. Antes de dares o teu primeiro passo, aprende a discernir o que é real do que é falso, o transitório do eterno. Aprende acima de tudo a ver a diferença entre o aprendizado mental e a sabedoria da Alma; entre a doutrina do “Olho” e a doutrina do “Coração”. Sim, a ignorância é como um recipiente fechado e sem ar; a alma é como um pássaro preso. Ele não pode cantar, e nem sequer mover uma pena; o cantador fica imóvel e entorpecido, e morre de exaustão. Mas mesmo a ignorância é melhor que um aprendizado mental sem a sabedoria da Alma para iluminá-lo e guiá-lo. As sementes da Sabedoria não podem germinar e crescer num espaço sem ar. Para viver e colher experiência, a mente necessita de amplitude, de profundidade, e de pontos que a levem na direção da Alma de Diamante. Não procures tais pontos no reino de Maya; mas eleva-te acima das ilusões, e busca o eterno e imutável SAT, sem confiar nas falsas sugestões da fantasia. Porque a mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões. Tenta, ó iniciante, unir tua Mente e tua Alma. Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo; desconfia dos teus sentidos; eles são falsos. Mas, dentro do teu corpo - o santuário das tuas sensações - procura, no Impessoal, pelo “Homem Eterno”; e, depois de localizá-lo, olha para o teu interior: tu és Buddha. Evita o elogio, ó Devoto. O elogio leva à auto-ilusão. O teu corpo não é o seu Eu. O teu EU é em si mesmo destituído de corpo, e nem os elogios, nem as críticas, o afetam. A vaidade, ó Discípulo, é como uma torre elevada à qual subiu um tolo arrogante. Lá ele se senta com solidão e orgulho, sem ser percebido por ninguém exceto por si mesmo. O falso conhecimento é rejeitado pelo Sábio, e espalhado ao Vento pela Boa Lei. A roda da Boa Lei gira para todos, os humildes e os orgulhosos. A “doutrina do Olho” é para a multidão; a “doutrina do Coração”, para os eleitos. Os primeiros repetem, orgulhosamente: “Vejam, eu sei”. Os últimos, que fizeram sua colheita humildemente, confessam em voz baixa: “Isso é o que eu ouvi”. “Grande Peneira” é o nome da “Doutrina do Coração”, ó Discípulo. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LIVRO DE HORAS - No livro O outro livro de Jó (1936), do poeta, teatrólogo e ensaísta português Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha – 1907-1995), encontro o poema Livro de horas, o qual destaco a seguir: Aqui, diante de mim, / eu, pecador, me confesso / de ser assim como sou. / Me confesso o bom e o mau / que vão ao leme da nau / nesta deriva em que vou. / Me confesso / possesso / das virtudes teologais, / que são três,e dos pecados mortais, / que são sete, / quando a terra não repete / que são mais. / Me confesso / o dono das minhas horas. / O das facadas cegas e raivosas / e o das ternuras lúcidas e mansas. / E de ser de qualquer modo andanças / do mesmo todo. / Me confesso de ser charco / e luar de charco, à mistura. / De ser a corda do arco / que atira setas acima / e abaixo da minha altura. / Me confesso de ser tudo / que possa nascer em mim. / De ter raízes no chão / desta minha condição. / Me confesso de Abel e de Caim. / Me confesso de ser homem. / De ser um anjo caído / do tal céu que Deus governa; / de ser um monstro saído / do buraco mais fundo da caverna. / Me confesso de ser eu. / Eu, tal e qual como vim / para dizer que sou eu / aqui, diante de mim! Veja mais aqui e aqui.

O METATEATRO – No livro O teatro da espontaneidade (Summus, 1984), do médico, psicólogo, filósofo e dramaturgo turco-judeu Jacob Levy Moreno (1889-1974), encontro a parte denominada O metateatro: estrutira arquitetônica, a qual destaco o trecho seguinte: Quando o contador de estórias começa, as crianças rapidamente se reúnem à sua volta. Ele ocupa o centro do grupo. Temos aí, à nossa frente, a imagem original do teatro. A separação nítida entre palco e plateia é a caracterica marcante do teatro legítimo. Isto é exemplificando pela forma dual bem como pelo relacionamento entre produção cênica e espectadores. Face à disposição do contraste entre atores e espectadores, porem, espaço total torna-se um campo para a produção. Cada parte do mesmo deve refletir o principio de espontaneidade e nenhuma de suas partes pode permanecer excluída. [...] no teatro todos os homens são mobilizados e se deslocam do estado de consciência para o estado de espontaneidade, do mundo dos feitos reais, dos pensamentos e sentimentos reais, para um mundo de fantasia que inclui a realidade potencial. As pessoas deslocam-se da coisa em si para a imagem da própria coisa, a qual inclui a coisa em potencial. Os valroes da vida são substituídos pelos valores da espontaneidade. Nos tempos modernos, o teatro só é visto a partir de uma extremidade, o palco. A outra extremidade, a audiência, é deixada na escuridão durante o espetáculo, não só a nível real como também a nível simbólico. A divisão da comunidade em duas partes, atores e audiência, também divide em duas partes a ilusão e o prazer estético, partes estas que só possuem significado em sua unificação, como ocorre com mãe e filho, marido e mulher, atores e plateia. A nova arquitetura do teatro deve ser concretizada a partir de ambos os lados, palco e público [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

MACHUCA – O premiado filme Machuca (2004), do escritor, produtor e diretor de cinema chileno Andrés Wood, conta a história que se passa em 1973, de dois garotos de diferentes classes sociais que vivem no Chile em meio a uma situação conturbada, em pleno governo de Salvador Allende, com diversas passeatas, umas em favor do socialismo, outras da direita nacionalista que quer retomar o poder. Os meninos se envolvem em conflitos entre eles, porém, com as tentativas de agressões recusadas por um deles, faz com que nasça uma amizade, sobrepujando a condição social de ambos. O filme ganhou os prêmios de Melhor Filme Latino no Ariel Award, no Bogotá Film Festival, e o Grande Prêmio no Ghent International Film Festival (2004), Prémios Goya (2005), o Philadelphia Film Festival (2005), o Valdivia International Film Festival (2004), o Vancouver International Film Festival (2004), Viña del Mar Film Festival (2004) e Prêmio Elcine no Lima Latin American Film Festival (2004). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: A onde iluminada, recolhida do livro O Tao da Educação: a filosofia oriental na escola ocidental (Ágora, 2000), da doutora em psicologia educacional pela Unicamp, Luiza Mara Silva Lima. Veja mais aqui.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Ilustração em xilogravura de três crianças a cantar, de Stock.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...