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segunda-feira, agosto 27, 2018

REVERDY, GALEANO, TURÍBIO SANTOS, DELEUZE, BLANCHOT, SÍLVIO HANSEN & PICA PAU


INFORTÚNIO DE AMOR – Imagem: arte visual de Sílvio Hansen. - Zoélio e o amor na corda bamba. Apelidado Zoé, lá ia ele entre elas, aquelas, aqueloutras, escolhia a dedo: nenhuma. Sabia que o amor era lindo, demais. Tanto é que ao ver Biloca Cocoroca, disse: a nora da mamãe. E foi ter com ela. Uma libriana solitária até então – pela foto, achou Zoé parecido com artista de cinema, não lembro qual, mas algo assim meio Rambo. Os olhos dele nos dela, o par ideal. Apresentou-se aquariano e pra ela um cara bonito, coisa mais linda de se ver, os dois. Amaram como se fosse pela primeira vez e à primeira vista. Dele o estremecimento, nem tomava banho para manter o cheiro dela na carne. Amaram e como, se fundiram dele tecer mil sonhos, castelos, sucumbindo aos seus encantos de sua Miss Universo. Suspirava aos zis pensamentos: desposá-la, rainha do seu lar. Devotou-lhe todos os presentes e desejos. Isso até o dia de vê-la deslumbrada nos braços de Zulmiro, o namorado da melhor amiga dela, a Genuína. Traição dupla. Como é? E ela: nem tudo que se vê é verdade. Foi pra lá, pra cá; chamou na grande, coisa passageira: amaram o que tinham direito. E como. De outra vez, dera certo: ele e ela, dois pombinhos enamorados. E a vida passa, de novo Zulmiro na área. Assim não dá, mas era primo dela, dizia e batia o pé: Largue de ser ciumento. E Genuína? Ah, a coisa ia pegar fogo. De saber e não, as coisas mudaram mesmo, Biloca reiterando paixão exclusiva por ele. Como é que pode? Da terceira vez, o flagra, o pneu de trator entre outros na carroceria do caminhão, a leviana nos braços do outro, aos beijos e ele arrasado, o carrasco ali nos braços dela. De longe, entre o sapo e o príncipe, já ouvia que ela dissesse qualquer desculpa: Não era eu ali, você viu coisas. Mas a dor foi maior, ela disse: Você não é o homem da minha vida, o mundo não vai acabar por causa disso. Ficou biruta, queria se matar. Não faça besteira, a sua vai chegar. A cena remoendo no juízo, o pneu que lá vinha ladeira abaixo. Estava certo: ela não era, antes felizardo, agora com o nó na garganta, era só o passatempo dela. A punhalada em riste, ia fazer mesmo uma besteira, contou até dez, não sabia e não fosse o pneu apanhá-lo na calçada, a coisa tinha sido feita. Até hoje não se sabe se vivo ou enfermo, nunca mais fora visto. Coitado do Zoé, diziam. Dele, dali em diante, nada mais sabiam. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista, compositor e musicólogo Turíbio Santos: Suíte Nordestina de Luis Gonzaga, 12 estudos para violão de Villa-Lobos, com Maria Haro & Orquestra de Violão & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aquiaqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O cristal revela uma imagem-tempo direta, e não mais uma imagem indireta do tempo que decorre do movimento. Ele não abstem o tempo, ele faz melhor, inventa a subordinação em relação ao movimento. O cristal é como uma ratio cognocendi, e o tempo, inversamente, uma ratio essendi. O que o cristal revela ou faz ver, é o fundamento oculto do tempo, isto é, sua diferença em dois jatos, o dos presentes que passam e o dos presentes se conservam [...]. Trecho extraído da obra Imagem-tempo (Minuit, 1981), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui.

O ESPAÇO LITERÁRIO – [...] O escritor escreve um livro, mas o livro não é ainda a obra, a obra só é obra quando se declara por ela, na violência de um começo que lhe é próprio, a palavra ser, acontecimentos que se realiza quando a obra é a intimidade de alguém que a escreve e a alguém que ler. [...]. Trecho extraído da obra O espaço literário (Galimard/Idées, 1978), do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui e aqui.

A VIAGEM DA PALAVRA No ano de 208, Serenus Sammonicus escreveu em Roma um livro, Assuntos secretos, em que revelava seus descobrimentos na arte da cura. Esse médico de dois imperadores, poeta, dono da melhor biblioteca do seu tempo, propunha, entre outros remédios, um infalível método para evitar a febre terçã e espantar a morte: era preciso pendurar no peito uma palavra e se proteger com ela noite e dia. Era a palavra Abracadabra, que em hebraico queria dizer, e continua dizendo: Envia o teu fogo até o final. Extraído da obra Os filhos dos dias (LPM, 2012). do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui.

CORAÇÃO A CORAÇÃO - Enfim aqui estou de pé / Passei por ali / Alguém passa por lá agora / Como eu / Sem saber onde vai / Eu tremia / Ao fundo do quarto a parede era negra / Ele tremia também / Como pude eu transpor o limiar dessa porta / Poder-se-ia gritar / Ninguém ouve / Poder-se-ia chorar /           Ninguém entende / Encontrei a tua sombra na obscuridade / Era mais doce do que tu / Antigamente / Estava triste a um canto / A morte trouxe-te essa tranquilidade / Mas tu falas ainda / Queria abandonar-te / Se entrasse ao menos um pouco de ar / Se o exterior nos deixasse ainda ver claro / Sufoca-se / O teto pesa-me na cabeça e empurra-me / Onde vou eu meter-me para onde partir / Não tenho espaço que chegue para morrer / Onde vão os passo que se afastam e que escuto / Longe muito longe / Estamos sós a minha sombra e eu / A noite cai. Poema da obra Trocar a rosa (FEA, 1995), do poeta francês Pierre Reverdy (1889-1960).

A ARTE DE SÍLVIO HANSEN
Imagens extraídas da obra Arte & linguagem: 40 anos de arte visual (Autor, 2012), reunindo a arte de Sílvio Hansen, texto de Raul Córdula, projeto gráfico, ilustrações, capa e finalização de Marcus ASBarr, fotografia de Léo Caldas, tradução de Camila Paiva. Veja mais aqui.

AGENDA
Lançamento do livro Nordestino sim senhor, do poeta Pica Pau & muito mais na Agenda aqui.
&
A poesia de Pica Pau aqui e aqui
&
No coração da cidade, Pedro Demo, Françoise Dolto, Hélio Pellegrino, A arte de Leonid Afrenov, Transversalidade, Inclusão & Pluralidade Cultural, Margarida de Mesquita, BRAPO & Manoel Carvalho aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


quarta-feira, junho 20, 2018

DESBORDES-VALMORE, KITARO, PERNIOLA, VOLTAIRINE DE CLEYRE, BLANCHOT, NICOLE KIDMAN, ELLY SMALLWOOD & FÁBIO DE CARVALHO


O QUE FIZ DE MIM E NÃO SEI – Imagem: arte da artista visual canadense Elly Smallwood. - No topo de um imenso morro, um cenário paradisíaco: o regato, as matas, o encontro do mar, será o fim do mundo? Como cheguei aqui nem o que fazia agora, não sabia. Mais parecia um filme, eu o protagonista perdido numa linda paisagem que não sei se amanhecia ou se preparava o anoitecer, o Sol escondido apenas seus raios no céu, tudo parecia parado, embora uma brisa fresca me envolvesse. Procurei identificar aquelas paragens, não era a Serra da Prata nem da Russa, as mais próximas, nem nenhuma das que já tivesse passado, porém familiar. Inquieto, não parava de me perguntar como fui parar nesse ponto do mundo, e me desesperava porque não sabia como sair dali. Fiz a volta em torno de mim mesmo, não havia caminhos por onde pudesse ter chegado ou pudesse voltar. Parei no mesmo ponto de antes, fitei todos os limites e uma voz soou do nada: Lindo cenário. Era uma voz que não era desconhecida e não havia ninguém. Arrepiei e tornei a procurar ao meu redor, intrigado. Sabe você quem é? Estava próximo de mim, não conseguia ver quem era. Sabia ali, não visível. Veja ali você ontem, disse-me. E de repente vinha alguém no matagal denso, e via perfeitamente, andando, à procura de algo que não consegui distinguir. Ontem? Sim, na eternidade, um dia é igual a todo tempo de uma encarnação. Ao dizer-me isso, uma cobra enorme e ameaçadora passou-me entre as pernas em direção àquele outro eu que subia investigando todos os lugares que pisava. Fiquei assustado. Não se assuste, olhe ali seus familiares. Ao virar, constatei uma reunião de muitas pessoas desconhecidas: Não conheço ninguém ali. Sim, você não se lembra nada do que fez ontem, não há como rememorar as tantas coisas feitas, nem a família, os amigos, os prazeres, os caprichos, nada, mesmo assim você é hoje o que fez ontem. Ao dizer-me isso, percebi que a serpente alojou-se justamente em local que aquele eu se aproximava, ela pronta pro bote. Tentei gritar, avisando. Não adianta, disse-me a voz invisível. E dali a pouco presenciei o ataque: a víbora voou ao pescoço daquele eu, enroscou-se ao tronco coibindo qualquer ação dos braços e desferiu golpes às mordidas na jugular, até vê-lo cair imóvel à sua sanha venenosa. Como pode? Você não pode fazer nada. Dois estranhos apareceram naquele instante e avistaram aquele eu sendo atacado. A malacatifa logo se desenrolou daquele eu e fugiu rastejando. Logo tentaram socorrê-lo e gritaram por ajuda. Os estranhos que se reuniam lá embaixo, logo se dirigiram subindo ao encontro dos outros dois que tentavam reanimá-lo. Foram vindos homens, mulheres e crianças, todos que nunca tinha visto, choravam e se lamentavam agarrados ao morto que, após algum tempo, foi levado morro abaixo para onde não sei. Acompanhei a descida, quando a voz me disse: Aquele ali é você anteontem. Anteontem? Sim. Onde? Ali. E me virei e era aquele eu remando desesperado pela corredeira, sozinho escapando de não sei quê. Você não se lembra do que fez anteontem. Não, não me lembrava de nada, mesmo, nem daquele eu tão agoniado para salvar-se. Da mesma forma, não se lembra dos parentes, achegados, vitórias e derrotas, luxúria e malquerenças, não há de ter a menor noção, porque hoje você é o que foi ontem e anteontem. Impressionado eu acompanhava a pugna com as águas revoltas, a noite escura, nenhum lugar. Só muito depois que vi o voo, a cachoeira, um corpo em queda, uma jangada desgovernada que caía e um remo que levitava para se enterrar no chão, ao lado de um corpo inchado e sem vida. Quando vi direito, aquele eu boiava na margem, até ser encontrado por pessoas estranhas: Esses são seus familiares de anteontem. Também não reconheci. A voz então disse: Hoje você está aqui, se lembra do que fez hoje? Virei-me, ninguém do lado, respondi assim mesmo negativamente, não recordava de nada. Quer ver seu futuro? Abri os olhos espantados esperando uma resposta. Por um instante não disse nada, um silêncio absoluto tomou conta de tudo por ali. Um porco rosnou distante, pássaros em revoada, um cheiro de rosa, um vulto de mulher passou rente, mãos apertadas, olhos no vazio, faces perdidas. Então, ele me falou: Não, não há mais futuro, chegou a hora. Vamos. Baixei a cabeça e não sabia o que fazer. Como de um sonho, acordei; e estava tão desencontrado quanto perdido. Apenas me sabia vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor, música e mult-instrumentista japonês Kitaro: Live in America, Live na Enchanted Evening, Daylught Moonlight Live & Oasis & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] E quando todos tenham passado novamente através de mim, porque embora eu não me lembre, eles já passaram uma vez; e além de outras considerações, quando todos tenham passado de novo através de mim, será uma imensa satisfação, porque eu lhes poderei dizer a todos que são o primeiro, que aquelas coisas que faço com eles não as fiz nunca com ninguém [...]. Pensamento extraído da obra Tiresia (Silva, 1968), do filósofo italiano Mario Perniola (1941-2018), que noutra obra, Do sentir (Presença, 1993), expressa: [...] Não nos devemos deixar arrebatar pelo impulso exterior e devemos refletir com tempo e deixar que o repouso acalme completamente a emoção! [...]. Veja mais aqui.

SONHO & SEMELHANTE – [...] O sonho é o despertar do interminável [...]. O sonho toca a região onde reina a pura semelhança. Tudo nele é semelhante, cada figura nele é uma outra, é semelhante a outra, e ainda a uma outra, e esta a uma outra. Procura-se o modelo original, quer-se ser remetido a um ponto de partida, a uma revelação inicial, mas nada disso existe: o sonho é o semelhante que remete eternamente ao semelhante. […] Viver um acontecimento em imagem não é ter desse evento uma imagem nem tampouco dar-lhe a gratuidade do imaginário. O acontecimento, nesse caso, tem lugar verdadeiramente e, no entanto, terá ele lugar “verdadeiramente”? O que acontece nos arrebata, como nos arrebataria a imagem, ou seja, nos despoja, de si e de nós, mantém-nos de fora, faz desse fora uma presença em que o “Eu” não “se” reconhece. [...] Essa duplicidade não é tal que se possa pacificá-la por meio de um ou isto ou aquilo, capaz de autorizar uma escolha e de apagar da escolha a ambiguidade que a torna possível. Essa duplicidade remete ela própria a um duplo sentido sempre mais inicial. [...] Aqui, o sentido não escapa para um outro sentido, mas para o outro de todo sentido e, por causa da ambiguidade, nada tem sentido, mas tudo parece ter infinitamente sentido: o sentido não é nada além de uma aparência, a aparência faz com que o sentido se torne infinitamente rico. [...]. Trechos extraídos da obra L’espace littéraire (Galimard, 1955), do escritor, ensaísta e crítico de literatura Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui e aqui.

AÇÃO DIRETADo ponto de vista daquele que se julga capaz de discernir uma rota constante para o progresso humano, e segue por ela, e desenha tal rota no mapa de sua mente, certamente resolverá indicá-la aos outros; fazê-los ver as coisas como ele vê; convencê-los com argumentos claros e simples que expressem seus pensamentos -- diante disso é um sinal de pesar e de confusão de espírito o fato da frase «Ação Direta» adquirir de repente na mente das pessoas em geral um significado circunscrito, que não tem, e que certamente nunca teve, nem mesmo no pensamento de seus adeptos. Porém, essa é mais uma ironia que o Progresso lança naqueles que se julgam capazes de fixar metas e lutar por alcançá-las. Inúmeras vezes, nomes, frases, lemas, divisas, palavras de ordem, são viradas ao avesso, colocadas de cabeça para baixo. [...] Logo após a chegada dos Quakers em Massachusetts, os Puritanos os acusaram de “aborrecer todo mundo com seus discursos”. Os Quakers não aceitavam jurar submissão a governo algum e nem admitiam que sua igreja pagasse impostos. (Fazendo essas coisas eles eram praticantes da ação direta, coisa que poderíamos chamar de ação direta negativa.) Assim, os Puritanos, sendo ativistas políticos, aprovavam leis para excluir, deportar, multar, encarcerar, mutilar, e finalmente, até mesmo para enforcar os Quakers. Todavia, os Quakers continuaram praticando suas idéias (que era ação direta positiva); há registros na história que depois de enforcarem quatro Quakers e de arrastarem Margaret Brewster presa ao para-choques de um carro pelas ruas de Boston, “os Puritanos desistiram de tentar silenciar os missionários; a persistência e não-violência quacre acabou prevalecendo”. [...] pessoas que perderam o hábito de lutar por si mesmas enquanto indivíduos, pessoas que se submetem a toda injustiça esperando que uma maioria seja formada, são metamorfoseadas em humanos de alto poder explosivo por um mero processo de empacotamento! Eu concordo totalmente que as fontes da vida, e toda a riqueza natural da terra, e as ferramentas necessários à produção cooperativa, tem que estar livremente acessíveis a todos. [...]. Trechos extraídos de The Voltairine De Cleyre Reader (AK Press, 2004), da escritora e ativista anarquista estadunidense Voltairine de Cleyre (1866-1912). Veja mais aqui.

A SINCERA - Você quer comprar? / Coração à venda. / Você quer comprar, / Sem ter que brigar? / Deus o fez de aço; / E você que o renda; / Deus o fez de aço / Para um só abraço! / Eu decido o preço; / Você quer saber? / Eu decido o preço; / Não fique surpreso. / Você tem o seu? / Dê! ganhe meu ser. / Você tem o seu, / Pra pagar o meu? / Se seu não é mais, / Só tenho um desejo; / Se seu não é mais, / Pra mim não há paz. / O meu seguirá, / Cerrado sem pejo; / O meu seguirá, / E Deus o terá! / Pois para a paixão, / A vida é tão rara; / Pois para a paixão, / Não há duração. / A alma só corre / Como a água clara; / A alma só corre, / Só ama! e morre. Poema da poeta maldita francesa Marceline Desbordes-Valmore (1786-1859). Veja mais aqui.

A ARTE DE NICOLE KIDMAN
A arte da sempre linda e extremamente talentosa atriz australiana Nicole Kidman. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Fábio de Carvalho & banda em show & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte da artista visual canadense Elly Smallwood.
Veja mais aqui.
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A poesia de Fábio de Carvalho aqui e aqui.
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A bolsa da vera bandoleira, Civilização e barbárie de Jean-François Mattei, a poesia de Marceline Desbordes-Valmore, a ação direta de Valtairine de Cleyre, a Venus Aphrodite Callipyge & a música do OuroBa aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

quinta-feira, dezembro 31, 2015

MONTALE, TUTAMEIA DE GUIMARÃES ROSA, BLANCHOT, MARIA MISS & LITERÓTICA


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FELIZ ANO NOVO TODO ANO (Ouvindo Koln Concert, de Keith Jarret) Quando me sentei para escrever esse texto, zilhões de coisas me passavam pela cabeça. Coisas de mim, do que passei, do que fiz, aprendi, sonhei, desejei, perdi, relevei. Entretanto, logo que comecei a redigir fui divagando por devaneios que poderiam ter sido possíveis e não foram, sonhos que vingaram, pesadelos reais, errâncias, tropeços. Ao invés disso, a emoção tomou conta porque fui contemplado pelo amanhecer irradiando pra mim um outro sentido pra vida. Quão linda é a alvorada que mostrava pra mim poder a vida ser tão maravilhosa quanto e que podemos, com essa lição, construir um mundo melhor para todos nós: o Sol nasce para todos. Que importa o não alcançado ou do que não fiz por merecer, se me vejo sortudo por tudo que amealhei ou deixei escapar entre os dedos; ou se na luta fui pouco ou nada, se me tenho por flor que não serve pra cheirar, ou valia qualquer além do que tenho no coração e nas mãos pra dar. Tenho comigo que posso ir além do que já fui e mais adiante. Não importam as punhaladas, puxadas de tapetes, escanteamentos se já vi de tudo e ainda não é nada perto do que tenho por ver e sentir. Decepções, enganos, frustrações, são tão lá menores que jamais obstam a caminhada adiante, seguindo os raios do Sol nessa manhã revelada. E seguirei meio dia até o entardecer para outro lindíssimo espetáculo imperdível glorificando o meu dia. Onde eu estava ontem e anteontem e outros dias atrás que não vi tudo isso? Pois é, se passa batido, contudo, nunca é tarde para aprender a lição do dia para viver a noite com todas as reflexões profundas que nos fazem melhores que as mesquinharias inócuas, engodos e patifarias inúteis e desprezíveis, alimentando nosso solipsismo, ou melhor, o umbigocentrismo e a premente necessidade de sermos felizes a qualquer custo e forma, até em detrimento dos outros. Esse ensinamento me diz que está em mim, em você, em todo mundo o poder de sermos melhores do que somos. Tenhamos ou não a compreensão de sermos Deus em manifestação, no mínimo, tenhamos a consciência de que temos o poder de sermos aquilo que queremos ser no real de ser o ideal. E isso é mais que privilégio, é um degrau para que sejamos realmente seres humanos e não aqueles que precisam de grifes, posses, ideologias, fantasias e tudo para mostrar o que não é, na incapacidade de encarar o espelho da verdade e na escolha da mentira de sermos os racionais menores que o nosso animal de estimação, ou que uma cobra que nos ameaça morder, ou uma barata que nos causa asco e nos amedronta. Sim, estou falando com você. Na verdade, estou falando comigo mesmo que também sou eu e você, dialogando com o que podemos ver de diferente num aprendizado mútuo e até indagando da dificuldade de viver e ser feliz por nossa pura inabilidade de administrar nossos sentimentos ou pela incapacidade de incluir os outros nos nossos planos para aquisição dessa felicidade. Tenho pra mim que os sentimentos que batem aqui dentro de mim, também se passam talqualzinho em você e em todo mundo. É possível visualizar quantos sonhos e emoções se passam em cada um de nós. A bem dizer, a vida é bela e não seria nada se apenas eu sozinho pudesse desfrutá-la. Preciso, precisamos de mais gente para viver e juntos alcançar os objetivos que almejamos e, principalmente, porque podemos edificar um mundo melhor para todos nós. Basta que o EU seja NÓS e todos juntos UM. Da minha parte, farei um 2016 com o meu sorriso, elegendo-o o meu ano do sorriso. Vamos sorrir juntos? Feliz Ano Novo! 

DITOS & DESDITOS - O que importa não é dizer, é redizer e, nesse redizer, dizer a cada vez ainda uma primeira vez. Pensamento do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ESSES LOPESMá gente, de má paz; deles, quero distantes léguas. Mesmo de meus filhos, os três. Livre, por velha nem revogada não me dou, idade é a qualidade. Amo um homem, ele vive de admirar meus bons préstimos, boca cheia d’água. Meu gosto agora é ser feliz, em uso, no sofrer e no regalo. Quero falar alto. Lopes nenhum me venha, que às destadas escorraço. Para três, o que passei, foi arremedando e esquecendo. Ainda achei o fundo do meu coração. A maior prenda, que há, é ser virgem. Mas, primeiro, os outros obram a história da gente. Eu era menina, me via vestida de flores. Só que o que mais cedo reponta é a pobreza. Me valia ter pai e mãe, sendo órfã de dinheiro? Mocinha fiquei, sem da inocência me destruir, tirava junto cantigas de roda e modinhas de sentimento. Eu queria me chamar Maria Miss, repromovo meu nome, de Flausina. Deus me deu esta pintinha preta na algura do queixo – linda eu era até a remirar minha cara na famela dos porcos, na lavagem. E veio aquele, Lopes, chapéu grandão, aba desabada. Nenhum presta; mas esse, Zé, o pior, rompete sedutor. Me olhava: aí eu espiava e enxergada, no ter de me estremecer. A cavalo ele passava, por frente de casa, meu pai e minha mãe saudavam, soturnos de outro jeito. Esses Lopes, raça, vieram de uma ribeira, tudo adquiriam ou tomavam. Não fosse Deus, e até hoje mandavam aqui, donos. A gente tem é de ser miúda, mansa, feito botão de flor. Mãe e pai não deram para punir por mim. Aos pedacinhos, me alembro. Mal com dilato para chorar, eu queriaenxoval, ao menos, feito as outras, ilusão de noivado. Tive algum? Cortesias nem igreja. O homem me pegou, com quentes mãos e curtos braços, me levou para uma casa, para a cama dele. Mais aprendi lição de ter juízo. Calei muitos prantos. Aguente aquele caso corporal. Fiz que quis: saquei malinas lábias. Por sopro do demo, se vê, uns homens caçam é mesmo isso, que inventam. Esses Lopes! – com eles, nenhum capim, nenhum leite. Falei, quando dinheiro me deu, afetando ser bondoso: - “Eu tinha três vinténs, agora tenho quatro...” Contentado ele ficou, não sabia que eu estava abrindo e medindo. Para me vigiar, botou uma preta magra em casa, Si-Ana. Entendi? A que eu tinha de engambelar, por arte de contas; e à qual chamei de madrinha e comadre. Regi de alisar por fora a vida. Deitada é que eu achava o somenos do mundo, camisolas do demônio. Ninguém põe ideia nesses casos: de se estar noite inteira em canto de catre, com o volume do outro cercando a gente, rombudo, o cheiro, o ressonar, qualquer um é alheios abusos. A gente, eu, delicada moça, cativa assim, com o abafo daquele, sempre rente, no escuro. Daninhagem, o homem parindo os ocultos pensamentos, como um dia come o outro, sei as perversidades que côncava? Aquilo tange as canduras de noiva, pega feito doença, para a gente em espirito se transpassa. Tão certo como eu hoje estou o que nunca fui. Eu ficava espremida mais pequena, na parede minha unha riscava rezas, o querer outras larguras. Tracei as letras. Carecia de ter o bem ler e escrever, conforme escondida. Isso principiei – minha ajuda em jornais de embrulhar e mais com as crianças de escola. E dê-cá dinheiro. O que podendo dele tudo eu para mim regrava. Mealhava. Fazia portar escrituras. Sem acautelar, ele me enriquecia. Mais, enfim que o filho dele nasceu, agora já tinha em mim a confiança toda, quase. Mandou embora a preta Si-Ana, quando levantei o falso alegado: que ela alcovitava eu cedesse vezes carnais a outro, Lopes igual – que da vida logo desapareceu, em sistema de não-se-sabe. Dito: meio se escuta, dobro se entende. Virei cria de cobra. Na cachaça, botava sementes da cabaceira-preta, dosezinhas; no café, cipó timbó e saia-branca. Só para arrefecer aquela desatada vontade, nem confirmo que seja crime. Com o tingui-capeta, um homem se esmera, abranda. Estava já amarelinho, feito ovo que ema acabou de pôr. Sem muito custo, morreu. Minha vida foi muito fatal. Varri casa, joguei o cisco para a rua, depois do enterro. E os Lopes me davam sossego? Dois deles, tesos, me requerendo, o primo e o irmão do falecido. Mexi em vão por me soltar, dessas minhas pintadas feras. Nicão, um, mau me emprazou: — “Despois da missa de mês, me espera…” Mas o Sertório, senhor, o outro, ouro e punhal em mão, inda antes do sétimo dia já entrava por mim a dentro em casa. Padeci com jeito. E o governo da vida? Anos, que me foram, de gentil sujeição, custoso que nem guardar chuva em cabaça, picar fininho a couve. Tanto na bramosia os dois tendo ciúme. Tinham de ter, autorizei. Nicão a casa rodeava. Ao Sertório dei mesmo dois filhos? Total, o quanto que era dele, cobrei, passando ligeiro já para minhas posses; até honra. Experimentei finuras novas — somente em jardim de mim, sozinha. Tomei ar de mais donzela. Sorria debruçada em janela, no bico do beiço, negociável; justiçosa. Até que aquela ideia endurecesse. Eu já sabia que ele era Lopes, desatinado, fogoso, água de ferver fora de panela. Vi foi ele sair, fulo de fulo, revestido de raiva, com os bolsos cheios de calúnias. Ao outro eu tinha enviado os recados, embebidos em doçuras. Ri muito útil ultimamente. Se enfrentaram, bom contra bom, meus relâmpagos, a tiros e ferros. Nicão morreu sem demora. O Sertório durou, uns dias. Inconsolável chorei, conforme os costumes certos, por a piedade de todos: pobre, duas e meio três vezes viúva. Na beira do meu terreiro. Mas um, mais, porém, ainda me sobrou. Sorocabano Lopes, velhoco, o das fortes propriedades. Me viu e me botou na cabeça. Aceitei, de boa graça, ele era o aflitinho dos consolos. Eu impondo: — “De hoje por diante, só muito casada!” Ele, por fervor, concordou — com o que, para homem nessa idade inferior, é abotoar botão na casa errada. E, este, bem demais e melhor tratei, seu desejo efetuado. Por isso, andei quebrando metade da cabeça: dava a ele gordas, temperadas comidas, e sem descanso agradadas horas — o sujeito chupado de amores, de chuchurro. Tudo o que é bom faz mal e bem. Quem morreu mais foi ele. Daí, tudo tanto herdei, até que com nenhum enjoo. Entanto que enfim, agora, desforrada. O povo ruim terminou, aqueles. Meus filhos, Lopes, também, provi de dinheiro, para longe daqui viajarem gado. Deixo de porfias, com o amor que achei. Duvido, discordo de quem não goste. Amo, mesmo. Que podia ser mãe dele, menos me falem, sou de me constar em folhinhas e datas? Que em meu corpo ele não mexa fácil. Mas que, por bem de mim, me venham filhos, outros, modernos e acomodados. Quero o bom-bocado que não fiz, quero gente sensível. De que me adianta estar remediada e entendida, se não dou conta de questão das saudades? Eu, um dia, fui já muito menininha… Todo o mundo vive para ter alguma serventia. Lopes, não! — desses me arrenego. Conto extraído da obra Tutameia (José Olympio, 1976), do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967). Veja mais aqui.

MARIA MISS – Peça teatral baseada no conto Esse Lopes (Tutameia – José Olympio, 1976), de João Guimarães Rosa, adaptada por Evill Rebouças, contando a história de Flausina que, em menina, essa sertaneja sensível, ligeira e sonhadora, teve a virgindade negociada pelos pais e foi destinada a conviver com quatro irmãos e um primo da família Lopes. O destaque da peça fica por conta da atriz Tania Castello.

POEMAS - DEPOIS DA CHUVA: Sobre a areia molhada surgem ideogramas / de pés de galinha. Olho para trás / mas não vejo nem santuário nem asilo de aves. / Terá passado um ganso cansado, ou talvez manco. / Não saberia decifrar aquela linguagem / ainda que fosse chinês. Uma simples aragem / a apagará. Não é verdade / que a Natureza seja muda. Fala ao deus-dará / e a única esperança é que não se ocupe / muito da gente. DIVINDADES INCÓGNITAS: Dizem / que de divindades terrestres entre nós / se encontram cada vez menos. / Muitas pessoas duvidam / de sua existência nesta terra. / Dizem / que neste mundo ou no de cima existe uma só ou nenhuma; / crêem / que os sábios antigos eram todos uns loucos, / escravos de sortilégios se diziam / que algum incógnito / os visitava. / Eu digo / que imortais invisíveis / aos outros ou talvez inconscientes / de seus privilégios, / divindades em jeans e com suas mochilas, / sacerdotisas em gabardine e sandálias, / pitonisas de ar absorto à fumação de um fogo de pinhões, / numinosas visões não irreais, tangíveis, / intocadas, / vi muitas vezes / mas sempre tarde demais se tentava / desmascará-las. / Dizem / que os deuses não descem neste mundo, / que o criador não cai de pára-quedas, / que o fundador não funda porque ninguém / jamais o fundou ou fundiu / e que nós não somos mais do que os desastres / de seu nulificante magistério; contudo / se uma divindade, mesmo de ínfimo grau, / alguma vez me roçou / o arrepio que senti me disse tudo e no entanto / faltava-me reconhecê-la e o não existente / ser se esvanecia. EPIGRAMA: Sbarbaro, menino inspirado, dobra multicores / papéis e extrai barquinhos que confia à lama / movediça de um regato; olha-os indo embora. / Sê precavido por ele, cavalheiro que passas: / com a tua bengala alcança a delicada flotilha, / que não se perca; e chegue a um portinho de pedras. QUASE UM DEVANEIO: Renasce o dia, pressinto-o / no alvor de prata gasta / pelos muros: / Uma luz frouxa listra as janelas fechadas. / Retorna o acontecimento do sol / mas sem as vozes difusas, / os estrépitos habituais. / Por quê? Penso em um dia enfeitiçado / e da ronda das horas sempre iguais / me desforro. Transbordará a força / que em mim crescia, inconsciente mago, / há tanto tempo. Então me assomarei à janela, / farei sumir as altas casas, as alamedas vazias. / Terei diante de mim uma paisagem de neve intacta / mas suave como se numa tapeçaria. / Deslizará no céu flocoso um raio tardio. / Prenhes de luzes invisíveis selvas e colinas / me farão o elogio dos alegres regressos. / Lerei feliz os negros / sinais dos ramos contra o branco / como um alfabeto essencial. / Todo o passado de uma só vez / se fará presente. / Som algum turbará / essa alegria solitária. / Riscará o ar / ou pousará numa estaca / alguma pega. A FELICIDADE: Ontem senti que o inverno me havia / reservado uma alegre surpresa. / Revelavas meus pensamentos em voz alta. / — E se a vida fosse um mistério vão? / — Fica em teu exílio, não sejas cruel / para com aquele vago sentido de esperança / que é tudo que nos resta. Coisa diversa / é a felicidade. Existe, talvez, / mas não a conhecemos. NUMA CARTA NÃO ESCRITA: Por um formigueiro de auroras, por uns poucos / arames em que se prende / a lá da vida e se enrola / em horas, anos, hoje os golfinhos aos pares / cabriolam com as crias? Oh que eu não ouça / nada de ti, que eu fuja ao fulgor / da tua fronte. É diferente na terra. / Desaparecer não sei, nem tornar a olhar; tarda / a fornalha vermelha / da noite, a tarde se faz longa, / a súplica é suplício e não ainda / entre as rochas que afloram te chegou / a garrafa do mar. A onda vazia / quebra-se contra o cabo em Finisterra. DOR DE VIVER: Eu muitas vezes encontrei a dor: ao vivo / era o rio agonizante e atormentado; / a chama se contorcendo na pira; / cabelos na estrada, inúteis, quebrados. / Prazer eu não sabia. Apenas o milagre / que a indiferença divina funciona: / a estátua ergue-se entre a sonolência / Tórrido, com a nuvem e a pipa. QUASE UMA FANTASIA: Amanhece de novo, eu sinto / pelo alvorecer da velha / Prata nas paredes: / as janelas fechadas estão cheias de um brilho fraco. / O advento do sol retorna / mas sem as vozes vagas, / os acidentes normais. / Por quê? Eu penso em um dia encantado / e as justas de horas também iguais / Eu desisto. / Ele vai transbordar a força que me inflamou, / Mágico inconsciente, de muito tempo. / Agora vou aparecer, vou destruir casas altas, / detritos da estrada. / Eu terei diante de mim um lugar de neve limpa / mais leve como a paisagem de uma tapeçaria. / Ele vai deslizar um flash lento / entre o algodão do céu. / Selvas e colinas cheias de luz invisível / eles me elogiarão pelos retornos festivos. / Fico feliz que vou ler no branco / os signos negros dos galhos / como um alfabeto essencial. / Todo o passado aparecerá de repente na frente. / Nenhuma alegria solitária perturbará qualquer som. / Ele vai cruzar o ar por ficar em uma estaca / Algum pau de março. Poemas do poeta, prosador, jornalista e tradutor italiano Eugenio Montale (1896-1981), Prêmio Nobel de 1975. Veja mais aqui.

PS: Quando puder, veja mais aqui
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AS PREVISÕES DO DORO 
Confira as previsões dos signos e as simpatias aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Ela minguante sedutora me abraça nua

Sou-lhe cheio inteiro e todo seu.

Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, março 13, 2009

KERTÉSZ, UMBERTO SABA, LYOTARD, BLANCHOT, JIA LU, NÊNIA DE ABRIL & SERVIÇOS PÚBLICO



 
Imagem da artista chinesa Jia Lu.

NÊNIA DE ABRIL
UM CANTO CIDADÃO - Música de Luiz Alberto Machado sobre poema de Sérgio Campos - memória.

Sou um poeta obscuro.

Os meus companheiros são poetas obscuros.

Nosso país é o amor subterrâneo em sagração de interiores catedrais.

Porquanto seja nosso pranto anônimo, choramos nossos mortos sozinhos.

Nosso embalar ainda é canto inaudível nas praças e nas avenidas do povo.

Lambemos nossas feridas ignoradas e nossos cantos codificam perdas.

Mas se o país é triste somos tristes porque é de nós sofrer a aflição geral.

Somos cidadãos de um trágico país cuja desgraça ataca sempre e cedo.

Antes que os nossos filhos denunciem o luto secular de seus abris.

O que é melhor em nós desfaz-se em perda.

O que tocamos nos trai com seus punhais.

Perpetramos nosso sonho coletivo e o velamos, mas quando tangemos é tarde demais.

Enfim quando se vai o que é do povo
Aqui na terra se depõe perto de nós.

É quando os obscuros cantam suas nênias
Para embalar o amado enquanto morto.

Sou um poeta obscuro.

Meus companheiros são poetas obscuros.

Nosso país é o amor.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Música, voz e violão de Luiz Alberto Machado sobre poema de Sérgio Campos. Produção, edição & arte: Derinha Rocha.



DITOS & DESDITOS - Talvez então, escrevendo, aceitarás como o segredo de escrita esta conclusão prematura apesar de já tardia, de acordo com o esquecimento: Que outros escrevam em meu lugar, nesse lugar sem ocupante que é minha única identidade. Pensamento do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui.

AUSCHWITZ – [...] Auschwitz: nome que marca o limite do conhecimento histórico; nome próprio de uma paraexperiência, ou de uma destruição da experiência. Território de ausência total de legitimação onde a própria enunciação da experiência é impossível. Nos campos de extermínio, não teria havido sujeito na pessoa do plural; nenhuma frase teria sido construída na modalidade do “nós fazíamos isso”, ou “eles nos faziam aquilo’’. Cada um teria sido reduzido à solidão e ao silêncio e não teria havido testemunha coletiva [...]. Trecho extraído da obra Le differend (Minuit, 1983), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Veja mais aqui.

LIQUIDAÇÃO - [...] Vivemos na era das catástrofes, todo homem é portador da catástrofe, e para a sobrevivência se faz necessária uma arte peculiar da sobrevivência. O homem do tempo das catástrofes não tem destino, não tem qualidades, não tem caráter. O meio social terrível — o Estado, a ditadura, chame-o como quiser — o seduz com a força de atração dos redemoinhos vertiginosos até que ele desista da resistência e nele exploda o caos como um gêiser fervente — e a partir de então o caos se torna sua morada. Para ele, já não existe retorno a um ponto de equilíbrio do Eu, a uma certeza sólida e incontestável do Eu: portanto, perde-se no sentido mais verdadeiro da palavra. Esse ser sem o Eu é a catástrofe, o verdadeiro Mal. De novo se tornam válidos os dizeres da Bíblia: resista à tentação, evite conhecer-se, porquê, se o fizer, estará danado. [...] A sociedade viável tem de manter desperto e sempre renovar o conhecimento, o saber acerca de si, de suas condições. E, se ela decidir que o dia negro de luto do Holocausto é parte indispensável desse saber, a conclusão não será baseada em compaixão ou em arrependimento, mas tornar-se-á juízo de valor. O Holocausto é valor porque levou, mediante sofrimentos incomensuráveis, a um saber incomensurável; e por essa razão abriga uma reserva incomensurável de moral. [...] É notável a semelhança entre tudo isso e a resposta que Silenos foi obrigado a dar ao rei Midas: “A melhor coisa para você seria não ter nascido, não ser nada. A segunda melhor coisa, porém, seria morrer o quanto antes”. [...]. Trechos extraídos da obra Liquidação (Companhia das Letras, 2004), do escritor húngaro e prêmio Nobel de Literatura de 2002, Imre Kertész (1929-1016). Veja mais aqui.

DOIS POEMAS - O POETA - O poeta tem os seus dias / contados, / como todos os homens; mas quanto, / quanto mais variados! / As horas do dia e as quatro estações, / um tanto menos de sol ou mais de vento, / são o devaneio, o acompanhamento / sempre diverso para suas paixões, / sempre as mesmas; e o tempo que faz, / ao levantar-se, eis o grande acontecimento / do dia, sua alegria assim que desperta. / Nada como as luzes contrárias o alegra, / nada como os belos dias / movimentados, / e em longas histórias multidões imersas, / onde o azul e a tempestade duram pouco, / onde se alternam searas de infortúnio / e de vitória. / Com um rubro crepúsculo se entusiasma; / e com as nuvens muda de cor, / ainda que lhe não mude a alma. / O poeta tem os seus dias / contados, / como todos os homens; mas quanto, / quanto mais abençoados! A CABRA - Conversei com uma cabra. / Estava só, no campo, amarrada. / Saciada de erva, molhada / de chuva, berrava. / Seu berro monótono era fraterno / a minhas dores. E eu respondi-lhe, primeiro / brincando, depois porque também eterno, / invariável e monótono é o sofrimento. / Essa era a voz que eu ouvia gemer numa cabra / solitária. / Numa cabra de rosto semita / ouvia o lamento de todas as dores, / de todas as vidas. Poemas do poeta italiano Umberto Saba (1883-1957).



SERVIÇO PÚBLICO – Os serviços públicos abrangem atividades as mais díspares, destinadas a satisfazer necessidades de natureza muito diversa. Daí porque se diz que a área por eles coberta varia no espaço, de país a país, e através do tempo, influenciada que está, entre outros fatores pelo grau de desenvolvimento da sociedade, pelo progresso da técnica que suscitou necessidades novas e até mesmo pela influência do regime político em cada país. Com efeito, a instituição de serviços públicos não é problema jurídico, nem unicamente econômico, mas também político. Por isso, como critério norteador no assunto, principalmente em país como o Brasil, cuja Constituição Federal assegura a livre iniciativa individual, inclusive no terreno econômico, aplica-se o princípio de que são suscetíveis de ser erigidas em serviços públicos apenas as atividades voltadas para a satisfação das necessidades que só possam ser atendidas de modo cabal pela intervenção administrativa, seja devido a sua natureza, seja devido a circunstâncias excepcionais ou particulares. O interesse público levado em conta pelos governantes é, pois, o traço fundamental justificador do serviço público, interesse cujo resguardo impõe a participação mais ou menos direta da administração na execução do serviço. Para desenvolver tais atividades, os governos disponibilizam servidores públicos para o atendimento dos anseios e desejos da população. Esse servidor é regido por uma legislação específica. E é sobre esta temática, a do serviço público e dos servidores que será tratado o presente estudo de pesquisa. O serviço público pode ser entendido de duas maneiras, ou seja, em primeiro lugar como atividade, na concepção chamada material, ou como organismo destinado a exercer essa atividade, na concepção formal. No primeiro sentido, define-se como a atividade ou serviço que satisfaz a uma necessidade coletiva e cuja gestão é assumida quer pela administração, diretamente, quer por pessoa ou entidade disso incumbida pela administração, ou com a colaboração desta. No segundo sentido, a concepção formal, entende o serviço público como o órgão prestador de atividade e, nesse âmbito, duas idéias são comumente aceitas: a de que a atividade se destina a satisfazer necessidade geral ou coletiva, ou de interesse público; e a de que ela se realiza com a presença direta ou indireta da administração pública. Desta forma, o serviço público caracteriza-se pelo fim e pela presença direta ou indireta da administração em sua prestação. A atividade de serviço público, dados os seus fins, está sujeita a regime jurídico específico, diferente do que rege, de modo geral, as atividades privadas, e que é um regime de direito público, ou em outras palavras, um regime que importa em prerrogativas e deveres de poder público. A administração pública está determinada no Capítulo VIII, da Constituição Federal, quando se estabelece no art. 37, que: A administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá princípios de legalidade, impessoabilidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também ao seguinte: I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; II - A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão  declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Todo art. 37 é distribuído em vinte e um incisos que prevêem o prazo de validade do concurso público (inc. III), os editais (IV), as funções de confiança (V), o direito à livre associação sindical (VI), o direito de greve (VII), admissão de pessoas portadoras de deficiência (VIII), a contratação (IX), a remuneração (X e XI), os vencimentos (XII), vinculações ou equiparações (XIII), acréscimos pecuniários (XIV), o subsídio (XV), acumulação (XVI e XVII), servidores fiscais (XVIII), das autarquias (XIX), subsidiárias (XX) e demais pontuações. O artigo 38 versa sobre o servidor público da administração direta, autárquica ou fundacional no exercício do mandato eletivo. A seção II, do Capítulo VII, do Título II da Constituição Federal, abrange os Servidores Públicos, envolvendo o art. 39 até o 43 da Carta Magna. O art. 39 prevê em seus incisos e parágrafos, a fixação dos padrões de vencimento, os cargos, os requisitos para investidura, a peculiaridade dos cargos, os proventos, dentre outras aplicações. O artigo 39 desta Constituição prescreve que: "A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas". Uma mudança introduzida na constituição foi o conceito da política nacional de capacitação, que exige dos Estados e União a manutenção de escolas de treinamento para os seus quadros. Agora, o treinamento é uma condução para promoção de carreira. Por força deste artigo surge a lei 8.112/90, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, disciplinando o novo regramento das relações entre os servidores, de acordo com o disposto no artigo 39 da Constituição, no seu texto de 1988. Com isso, evidentemente, muitos dos direitos, deveres e benefícios dos servidores federais foram modificados. Contempla a Lei específica garantia alusiva não só à estabilidade (art.21) mas também à inalterabilidade unilateral das atribuições, deveres, responsabilidades e direitos inerentes ao cargo ocupado (art.13). Na verdade, o governo pretende com esta lei dar um fim na obrigatoriedade de adoção de um único regime jurídico, se a União, os Estados ou os Municípios assim o quiserem. Diversas passagens do texto original da Lei 8.112/90, cujas modificações foram consolidadas e republicadas de acordo com o determinado no artigo 13 da Lei 9.527, de 1998, modificando o texto e o entendimento conseqüente do que determinavam, seja o antigo Estatuto do Funcionário, da Lei 1.711/52, sejam as leis que alteraram aquele estatuto. O regime unicista foi instituído pela atual Constituição com o escopo precípuo de racionalizar a administração de pessoal no Serviço Público, mas apenas em relação aos entes de Direito Público integrados à administração direta, autárquica e fundacional, administração essa que, nessa esfera, se mostrava de extrema dificuldade pela diversidade de regimes que então se apresentava. Ora, eram as contratações regidas pelo Estatuto da classe, ora adotava-se o regime da Consolidação das Leis do Trabalho. No âmbito federal, a Lei 8.112/90 optou pela adoção do regime estatutário, determinando, em seu art. 243, que ficariam submetidos ao regime jurídico por ela instituído, na qualidade de servidores públicos, os servidores dos poderes da União, dos ex-territórios, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas, regidos pela Lei 1.711, de 28 de outubro de 1952, ou pela Consolidação das Leis Trabalhistas, excetuando apenas aqueles contratados por prazo determinado pela CLT. Ao alterar a redação do artigo 39 da Carta Política, através da Emenda Constitucional 19, deixando de exigir o regime unicista, pode-se dizer que se tornou possível, além do regime institucional, também a utilização pelos entes de direito público, do regime de natureza contratual regulado pela CLT, embora não se possa entender que a simples exclusão da referência ao regime único importe em autorização para tanto, pois em direito público não basta a ausência de proibição, há necessidade de norma expressa prevendo a situação que se deseja praticar. Um fator importante da reforma foi condicionar todos os programas de orçamento às metas a serem atingidas. Para cada programa existe um gerente, uma equipe, e um objetivo a ser cumprido. Essa inovação contém o gene revolucionário da administração pública, que começa então a ser tratada com mentalidade empresarial privada. As pessoas estão percebendo as vantagens de trabalhar num sistema desses, que coloca desafios claros ao longo do processo. Quanto à estabilidade, são estáveis, após dois anos de efetivo exercício, os servidores nomeados em virtude de concurso público. Esta regra que se vê insculpida no art. 41 da Constituição em vigência, onde também se inscreve a garantia segundo a qual, para os detentores da estabilidade, a perda do cargo somente ocorrerá em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa. Consigna a Lei 8.112/90 que o servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar dois anos de efetivo exercício. A estabilidade é, portanto, uma garantia de ordem constitucional deferida aos ocupantes de cargos públicos de provimento efetivo, voltada, em princípio, a assegurar-lhes a permanência no serviço público, desde que tenham sido atendidos os requisitos postos em lei. Instituída há longo tempo, encontra ela sua origem e disciplinamento mais completo no momento em que se convivia com regime de governo reconhecidamente ditatorial, não tendo esse fato, no entanto, impedido que fosse ela mantida e aperfeiçoada nos dispositivos constitucionais posteriores. A estabilidade é, portanto, uma garantia de ordem constitucional deferida aos ocupantes de cargos públicos de provimento efetivo, voltada, em princípio, a assegurar-lhes a permanência no serviço público, desde que atendidos os requisitos postos em lei. CONCLUSÃO - Há que se entender que o processo de implementação do neoliberalismo e de suas concepções no campo das relações de trabalho tem atingido de maneira contundente a organização do serviço público e os direitos dos servidores, nesses últimos dezesseis anos. Uma das mais importantes derivações dessa concepção, expressa nas premissas da “Nova Gerência Pública”, movimento multifacetado de reformas da administração pública. Tranformando-se em regime jurídico administrativo, essa revisão se dá mediante a flexibilização do direito administrativo e de suas regras gerais, com vistas a afastar as diferenciações entre o setor público e o setor privado, dar maior capacidade de gestão aos administradores públicos, reduzir as prerrogativas dos servidores públicos, desregulamentando seus direitos, e abertura de espaço à introdução de instrumentos gerenciais e contratuais em lugar do império da lei e da relação hierárquica típica daquele regime. No entanto, apesar do discurso que aponta a necessidade de conferir maior capacidade de gestão e maior grau de eficiência à administração pública, melhorando a qualidade de serviços públicos e ampliando a oferta dos mesmos aos cidadãos, a verdadeira questão que subjaz ao processo de adaptação e ajuste do aparelho do Estado nos países em desenvolvimento às orientações de cunho neoliberal, disfarçado sob o rótulo de reformas, mais até do que nas “matrizes” do mundo desenvolvido, é a superação da crise fiscal do Estado. A importância dessa mudança está, para além dos aspectos de interesse econômico, especialmente a potencial, mas improvável, redução do gasto público com pessoal e encargos, no fato de que o servidor que resulta dessa nova relação de trabalho será um servidor muito mais vulnerável às pressões dos dirigentes políticos, ainda mais se considerarmos que a sua inserção profissional se dará num contexto de valorização do comportamento gerencial dos dirigentes, cuja busca da eficiência poderá dar-se de maneira enviezada pelo personalismo e pelo uso e abuso dos meios. Ao largo das discussões sobre o que seja o servidor público como responsável direto pela prestação dos serviços públicos, implementa-se aceleradamente novas (ou velhas) formas de prestação de serviços através de provedores privados, tais como “organizações sociais”, ou entidades do Terceiro Setor, em ambos os casos “instituições públicas não-governamentais”. Sob o marco legal específico, ampliado pela Lei do Terceiro Setor, que permite amplamente a firmatura de Termos de Parceria entre o governo e as “organizações da sociedade civil de interesse público” se viabiliza a substituição gradual, porém virtualmente irreversível, dos aparelhos estatais voltados à prestação de serviços em diversas áreas, por entidades privadas mantidas por recursos públicos, mas onde a relação de consumo vai se sobrepondo ao direito universal de acesso, a fim de que aqueles que possam pagar pelos serviços públicos o façam, subsidiando a prestação de serviços aos “excluídos”, mas aprofundando as disparidades de tratamento e legitimando a apartheid social. Serviços públicos, porém, que serão prestados por agentes cuja relação de trabalho não será com o Estado, mas com os provedores privados cuja relação com o Estado é, também, de natureza exclusivamente contratual. A discussão sobre a universalização dos serviços públicos, e o papel dos servidores públicos, passa portanto por uma completa revisão e redirecionamento das políticas e concepções adotadas em período recente, não apenas no Brasil, mas nos demais países que precarizaram o seu serviço público e o levaram, pela ausência de políticas afirmativas, à sua atual situação de deslegitimação e sucateamento. Se é fato que o cidadão merece um serviço público eficiente, mais verdade ainda é que esse serviço público deve ser eqüitativo, facilmente acessível e direcionado para os interesses da maioria da sociedade, atendendo com qualidade o cidadão que dele necessita. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição do Brasil, 1988. Assembléia Nacional Constituinte. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1989.
________. Regime jurídico único - consolidado. Brasília: Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado - MARE, 1998.
DALLARI, Adilson. O que é funcionário público? São Paulo: Brasiliense, 1989
GARCIA, J. F. Pereira. T & D mobilizando a organização para a qualidade. In: Manual de Treinamento e Desenvolvimento. São Paulo: Makron Books, 1994.
PENNAFORTE, Charles. Globalização: a nova dinâmica mundial. Rio de Janeiro: Editora Livro Técnico, 1996
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Exposição no Senado sobre a reforma da administração pública. Brasília: Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, 1998.
SANTOS, Luiz Alberto. O servidor público sob a onda neoliberal. São Paulo: Fórum CTE, 2000
______; O papel, a organização do serviço público e as perspectivas para sua universalização. São Paulo: Fórum CTE, 2001

Imagem da artista chinesa Jia Lu.




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