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domingo, junho 20, 2021

LESLIE KAPLAN, ROBERT MENASSE, SHIRIN EBADI, SILVIA DE LUCCA & MESTRE SALUSTIANO

 

 

TRÍPTICO DQP –- Umas e outras tiradas do espelho - Ao som de Um tributo ao contrabaixo (2014), da compositora, pianista e psicóloga Silvia de Lucca, na interpretação do Quinteto Puelli, formado por Karin Fernandes (piano), Adriana Holtz (violoncelo), Luis Amato (violino), Anderson Fernandes (viola), Alexandre Rosa (contrabaixo), no Centro Cultural de São Paulo, 2014. - O que aconteceu? Sei lá! Estava eu enredado com o Espelho cego (Companhia das Letras, 2000), do escritor austríaco Robert Menasse. Como assim? Lá estava eu em Viena, na pele do aspirante a filósofo, Leo Singer, e às voltas com a paixão pela musa, Judith Katz, que sequer se dera conta de mim. Pudera, um sujeito pobre e feio, sobrecarregado de grilos nas ideias um tanto estouvadas, às tentativas até então inúteis de conquistá-la, jogando-me para ela como quem tomou água de chocalho nas inúmeras páginas de livros. A esperança residia no seu riso generoso, decerto que não escondia sua errática condição de existencialista romântica, o que tornava o idílio minado por meus tropeços intelectuais. Tudo fiz, tanto pelejar. Daqui pracolá a minha efigie borrou e queimado o filme, ela arrefeceu e tudo desmoronou: autoestima para a lata do lixo, gargalhadas pelas costas. E eu mergulhado nas circunstâncias de um Brasil golpeado, sem conseguir escapar, maior embotamento: impossível ser feliz debaixo de vacilações e fraquezas, misturando o que vivo e o que penso e dá no mesmo, a mesma coisa: o passado que anima a crueldade do presente. Só que o tempo não espera e eu me valho do que penso, nada deu nem dará certo. Deu-se então de o próprio autor dar as caras assim do nada, a me dizer de uma outra obra sua, A capital (Dom Quixote, 2019):  Haverá arte que seja importante numa época, mas que depois seja, e com razão, esquecida? Não entendi. E como um cético refletindo sobre os fantasmas do seu tempo, em cima da bucha, ele sentenciou: Posso ter uma pátria sem ser nacionalista. Ouvi coisa parecida de Jarauta nalgum lugar, me parece. Ele deu de ombros, virou-se e fiquei a reboque da surpresa. Parecia que voltava, mas não, a chegada repentina da escritora irlandesa Jean Iris Murdoch (1919-1999), como se soubesse de tudo que se passara comigo: O amor é a compreensão extremamente difícil de que algo diferente de si mesmo é real. O amor e a arte e a moral são a descoberta da realidade. Um dos segredos de uma vida feliz é a sucessão de pequenos prazeres. O desejo esmagador de um corpo humano por outro em particular, e sua indiferença aos outros é um dos maiores mistérios da vida. E eu fisguei o seu olhar sem saber o que fazer naquela hora. Ela sorriu percebendo meu embaraço. Só podia transcender: o mergulho no espelho.

 


Duas ou mais coisas do travesseiro - Imagem: arte do quadrinista, artista plástico, escritor e arte-educador Nestor Isejima Lampros, ao som de Songs from my Heart: Morigasaki kaiigan - Melody, opus 279; Haha - Fantasy, opus 273; e. Ningen kakumei no uta/Sekai kofu no uta - Paraphrase, opus 272, do compositor, pianista, musicólogo e pedagogo Amaral Vieira, live performance at Tokyo Metropolitan Art Theater, 2010. - Entre um pulo de susto e o tombo de uma topada, vi Desidério quase se esparramar no chão da calçada. Segurei firme e ele se restabeleceu. Olhou para mim e como um bom cristão que era, sabia-se pecador e, por isso mesmo, corruptível, muito embora fincasse pé e não arredasse um centímetro de nada apalavrado, dito seu era líquido e certo. Ele temia os mortos e se assustava com facilidade aos trovões e relâmpagos, para ele, fúria do de lá de cima com alguma falta inadvertida. Como bom devoto, ele se benzia e batia três vezes na madeira mais próxima, nem faltava à missa domingueira para redimir seus pecados, lavando a alma na hóstia. Era bastante cuidadoso, mas resolvia tudo no sopapo - refletir não era lá o seu forte, pensava como um papa-capim num galho de laranjeira. Mas decidia, nisso era vaidoso, doesse em quem fosse, só ele pagava o pato no final, coitado. Nunca achou pérola em ostra e amealhou algum pé de meia oriundo de seus proventos de exemplar funcionário púbico, nada mais. Posava de probo inarredável: um assombrado que vivia como se usasse eternamente fraque. Vez em quando chato empolado, castigando falsa eloquência nos esses e erres, como se quisesse falar o que nunca conseguia dizer, o juízo atrapalhava. Atrás de um rabo de saia fácil não era lá tão escrupuloso assim. E se dizia e fazia questão de ser elevado em tudo, embutia na face amável o íntimo de papel de enrolar prego, pura tagarelice de só se render diante da exaustão da causa. Encarou na vida as ironias da realidade e teve de podar os desejos, viu-se a sombra de uma sombra. Olhou-me ali segurando o seu tombo na esquina, então, abraçou-me, deitou a cabeça ao meu ombro e chorou. O que houve? Afastou-se, fitou-me fundo aos olhos e saiu. Ao meu lado a jurista e ativista iraniana exilada, Shirin Ebadi compreendeu: A beleza da vida está em lutar contra as situações difíceis. Comparo minha situação com a de uma pessoa a bordo de um navio. Quando ocorre um naufrágio, o passageiro cai no oceano e não tem escolha a não ser continuar nadando. O que aconteceu em nossa sociedade foi que as leis derrubaram todos os direitos das mulheres. Eu não tive escolha. Eu não conseguia me cansar, não conseguia perder as esperanças. Eu não posso me dar ao luxo de fazer isso. Solidário, sabia todos nós exilados: a cabeça desamparada ao travesseiro.

 


Três pulos e outras tantas para nada... - Ao som de Lembrança de um beijo, do álbum homônimo (1994), do saudoso cantor e compositor Acioli Neto (1950-2000). - Lá estou eu pelos grafites das ruas assobiando o Recife. Errava sem pressa até que a poeta francesa Leslie Kaplan apareceu e sacou um verso do seu L’Enfer est vert (Luna Parque, 2018): Quem é você, palavra,/ e o que é que você quer dizer... E o inferno, será que se agarra o inferno/ não, não se agarra, se experimenta/ como é que se faz para experimentar sem conhecer? Não sei, mas se quiser eu topo! E veio quando o Sol abriu o dia na Guararapes como se fosse qualquer lugar no mundo, misturando as pernas e braços no meio do maracatu rural Piaba de Ouro, com os folguedos do cavalo marinho pelo Cais de Santa Rita, coco por Afogados, ciranda pela Imbiribeira, brincante pela tarde como dama e eu galante no Boi Matuto e às lorotas do Mamulengo Alegre, se aprontando pro pastoril no Iluminara Zumbi, da noite Tabajara na Casa da Rabeca. Lá pras tantas, ela tonta e risonha: Quem é? Ah, esse o artesão, ator, músico e compositor, Mestre Salustiano (Manoel Salustiano Soares – 1945-2008), rabequeiro que desde menino começou a trilhar os passos do pai, João Salustiano, e hoje se eterniza na arte dos filhos. E ficou maravilhada com a premiada narrativa dos capítulos da jornalista Mariana Mesquita: Família Salustiano – três gerações de artistas populares recriando os folguedos da Zona da Mata (FUNDAJ, 1999). E mais curiosa queria saber de tudo. Já na despedida da noite para outro dia, ela quis saber da minha: A vida entre um instante e outro – simulacros e bifurcações, emulação dos astros. E assim, sim. Até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 


terça-feira, março 02, 2021

LEONORA CARRINGTON, MULTATULI, THEODOR SEUSS, FASSBINDER, RIEFENSTAHL BERTINO FERNANDES

 

 

TRÍPTICO DQC: Amanhece e é maravilhoso viver - Ao som da Quinta Sinfonia Rückert (1901-1902), de Gustav Mahler, com a Chicago Symphony Orchestra, conducted by Sir Georg Solti Recorded live at Bunka Kaikan, Tokyo (1986) – Meu olhar insone paira na despedida da noite, os primeiros raios de Sol trazem a esperança perdida anteontem. O dia amanhece como se fosse para sempre e contemplo lá longe a relva, na qual uma sombra se projeta por trás dos galhos imprecisos. Insisto na contemplação e é ela que surge estranha escultora, pintora e escritora surrealista Leonora Carrington (1917-2011) e entrega: Esta é uma carta de amor para um pesadelo. Devemos ter cuidado com aquilo que levamos quando partimos para sempre. A razão deve conhecer as razões do coração e todas as outras razões. Eu estou tão triste, tão triste que o meu corpo se tornou transparente, de tanto que eu chorei. Será possível alguém se dissolver em água sem deixar nenhum rastro? Nós descemos para o jardim do silêncio. A madrugada é o tempo em que nada respira, a hora do silêncio. Tudo está paralisado, apenas a luz se move. Mesmo assim, recepciono amável a sua hospedagem na minha solidão, a dizer uma e outra coisa jogada no tempo. O dia passa como uma verdadeira festa e ao anoitecer, ela se faz forasteira e dorme nua encolhida: braços cruzados e largados sobre o corpo nu. Ao despertar fulgurante modelo desnuda da minha arte, recito: Essa luz não se pode forjar. Precisa se aproveitar. Aqui fora tudo se move. Até a luz se move. Vê essas folhas? Há milhões delas e todas são singulares. Poderia viver cento e cinquenta vidas e mal teria tempo para vislumbrá-las. Por isso que você precisa de um conceito. Precisa encontrar um conceito. Se não encontrar, tudo será uma perda de tempo. Ao vê-la ali, renasce em mim a arte adormecida, reinaugurando a contemplação do espetáculo e ouso ao tato transitar hesitante tocando suas formas, curvas, contornos e volumes que concretizam a ideia de Rembrandt: A velhice é um obstáculo à criatividade, mas não pode esmagar o meu espírito jovem. Escolha apenas um mestre - a Natureza. Tente colocar em prática o que você já sabe e fazendo isso, você descobrirá, com o tempo, as coisas escondidas sobre as quais agora você se questiona. Pratique o que você sabe e isso ajudará a tornar claro o que agora você não sabe. Quanto mais perigoso, mais belo! O olhar na ideia de seu fugitivo corpo nu e minhas mãos passeiam errantes na força do afeto o percurso da sua pele. E ela invade meus dedos e me afogueia a epiderme, os ossos, músculos e vísceras, rouba de mim o que sou e nela me faço Deus na gênese de toda criação. É nela que brota de mim a Eva que desfruto no azeite e a engravido para me dá o seu filho Adão e semeio toda humanidade. Depois do amor, ela se vai como se me dissesse do escritor e cartunista estadunidense Theodor Seuss Geisel (1904-1991): Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu. Uma pessoa é sempre uma pessoa, não importa o quão pequena ela seja. Eu gosto de coisas que não fazem sentido: isso acorda as células do cérebro. Fantasia é um ingrediente necessário em nossas vidas, é um modo de olhar a vida pelo lado errado do telescópio. Isso é o que eu faço, e isso permite que você ria das realidades da vida. Experimente, experimente, e você pode! Experimente e você pode, eu digo. Avante por muitos riachos assustadores, embora seus braços fiquem doloridos e seus tênis possam vazar. Oh! Os lugares que você irá!  Você pode ter ajuda de professores, mas você vai precisar aprender muita coisa sozinho. Quanto mais você ler, mais você vai aprender. Quanto mais você aprender, mais lugares diferentes você vai visitar. Sim, realmente ela se foi para nunca mais. Em mim amanheceu e é maravilhoso viver. (Leitura livre inspirada no filme O artista e a modelo (2012), do cineasta Fernando Trueba, contando a história sobre a obsessão de um escultor diante da modelo num momento da crise de criação, destaque para atuação da lindatriz espanhola Aida Folch).

 


DOIS: Um ano a mais das treze luas - Imagem: a arte da atriz espanhola Aida Folch, ao som do Piccolo Divertimento op. 111 (1978), do compositor e pianista José Carlos Amaral Vieira, com o Quinteto Lorenzo Fernandez (2015). - No meio da manhã dou conta do meu pesadelo Fassbinder: Atiro em todas as direções. Posso dormir quando estiver morto. E ela passa como se fosse Hanna Schygulla n’O casamento de Maria Braun (Die Ehe Der Maria Braun, 1978). Passa e não mais a vejo, retornando como a selvagem adolescente Effi Briest (1974), no balanço do jardim de seu espírito aéreo dos amores das páginas literárias. Faz um gesto qualquer para mim e se ocupa em seus estudos como se fosse a Anna do The Merchant of Four Seasons (1972), e me olha como se Karin Thimm no Die bitteren Tränen der Petra von Kant (1972) e se levanta como se fosse Susanne Gast em The Third Generation (1972) e acena como se fosse a Joanna Reiher em Gods of the Plague (1970) e vai-se embora como se fosse a amiga da Sra. R. no Warum läuft Herr R. Amok? (1971). No meio da tarde ela retorna intrusa Barbara Sukowa, uma atriz polonesa que se mostra cantoramante Lola (1981), quando eu só conhecia Marie-Louise e jamais saberia quem era quem na minha paixão e eu absorto com seus encantos. Depois de me seduzir ardilosamente, desaparece para só ressurgir ao crepúsculo na pele de Margit Carstensen como se fosse a paranoica bibliotecária Martha (1974), que me mostra um volume com versos do poeta russo Ievgueni Baratýnski (1800-1844): O futuro da humanidade industrializada e mecanizada será brilhante e glorioso no futuro próximo, mas a felicidade e a paz universais serão compradas à custa da perda de todos os valores mais altos da poesia... E, inevitavelmente, após uma era de refinamento intelectual, a humanidade perde sua seiva vital e morre de impotência sexual. Então a terra será restaurada à sua majestade primordial. Ouvi tudo e ela não mais, a noite é longa e os versos me perseguem pela madrugada.

 


TRÊS: As cinco vidas dela – Ao som da Tristorosa, de Heitor Villa-Lobos, na interpretação da violonista bielorrussa Tatyana Ryzhkova. - Novamente a madrugada se vai e a manhã chega com o seu bailado além da nudez do corpo: sou pulsante em cada passo. Ela percebe meu alvoroço e se entrega como atriz de todos os textos e cenas: o gozo inevitável. E mergulha extasiada como se eu fosse o oceano de sua redenção. E depois de satisfeita, faz poses para flagrar meus gestos em suas fotos. E logo me leva por tramas épicas cinematográficas em que ela, personificando Leni Riefenstahl (1902-2003) me diz: Sou fascinada pelo que é belo, forte, saudável, o que é viver. Eu procuro harmonia. Há pessoas para quem sou uma lenda e que querem me ver e tocar para saber se de fato estou viva ou se sou um múmia. E sorri com uma frase de Georg Simmel: O homem é algo que deve ser superado. E me encara como se nada mais, a me dizer do escritor neerlandês Multatuli (1820-1887): Talvez nada seja totalmente verdade e talvez nem mesmo isto. Duas semi-verdades não fazem uma verdade. Todas as virtudes têm irmãs ilegítimas que desonram a família. O desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece. Quem nunca caiu não tem bem a noção do esforço que é preciso para se manter de pé. Nós não ficamos a querer menos a quem conhece os nossos defeitos do que a nós próprios por sofremos deles. Muitas vezes é preciso mais coragem para enfrentar as futilidades do que para lutar contra abusos graves. Disse o que tinha a dizer, olhou-me apaixonante, beijou-me a face, afastou-se comedida e a vi sair se dissolvendo como miragem no ar. Até mais ver.

 

CINEMA PERNAMBUCANO



[...] O idealismo e a força de vontade muito concorreram para que a indústria cinematográfica em Pernambuco, atingisse os seus objetos, colhendo seguidas vitórias, como aconteceu noutras cidades brasileiras. Como é do conhecimento dos cineastas, a produção é a alma da indústria, sendo importante e necessário para mantê-la próspera e em atividade, de elevados recursos financeiros para a preparação e rodagem das películas, como a escolha do diretor, roteiro, realizador, operadores de som, decoradores, argumentistas, figurinistas, desenhistas, contrato de astros, estrelas e coadjuvantes. [...].

Trecho extraído da obra No mundo fantástico do cinema (Massangana/Fundaj, 2005), do advogado, memorialista, historiador, jornalista e compositor musical, Bertino Fernandes Silva, tratando sobre as origens da sétima arte, o nascimento de Hollywood, do cinema silencioso ao cinema falado, e o cinema em Pernambuco. Veja mais aqui e aqui.

 



sexta-feira, março 02, 2018

BAUDELAIRE, CARSON, MAURIAC, STEPHEN CRANE, AMARAL VIEIRA, PLÍNIO MARCOS, ROSINHA DE VALENÇA,CIRANDA FEMININA NA MATA SUL & BIBLIOTECA FENELON BARRETO

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL - Um grande evento aconteceu nesta quinta-feira, 1º de março, na Biblioteca Fenelon Barreto: o lançamento do livro Cirandas feministas na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação da SOS Corpo, uma obra coletiva coordenada Analba Brazão e Simone Ferreira, trazendo trabalhos como Nós fizemos história pra ficar na memória e nos acompanhar, de Simone Ferreira; Articulando o enfretamento à violência, de Eliane Nascimento e Magal Silva; Mulheres de garra e coragem, de Alexasandra Maria Bezerra da Slva, Eliane Nascimento, Flavia Roberta e Zeza Bezerra; Lutas, desafios e conquistas, de Edilma Aquino, Edvânia de Paula e Vanessa Silva; Educando para transformar, de Alda Moura, Janeceli Maria da Silva, Marcela Cristiana Santos da Silva e Tattyanne Elly; Lutando pelo fim da violência, de Graça Queiroz e Wullima Gonçalves; Pelos direitros das mulheres no campo e na cidade, de Solange Rego, Cristiane Maciel, Benedita Ferreira e Edilene Maia (Rosa); Loucuras contra a violência na Mata Sul, de Janikelle Maria da Silva e Theóphila Lucena; e Tecendo redes pelo fim da violência, de Analba Brazão Teixeira. Trata-se da reunião de depoimentos e estudos, com o objetivo de tornar pública a realidade de luta das mulheres na Mata Sul pernambucana. O evento foi promovido pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego, com apoio da Semed-Palmares e da Biblioteca Fenelon Barreto. Como aqui eu empunho o mote de que o melhor do Dia do Homem é saber que Todo Dia é Dia da Mulher, glosando uma campanha iniciada em 2004, pelas amigas Mirita Nandi, Ana Bia Luz e a saudosa Derinha Rocha, e que nos últimos tem sido não só bandeira deste espaço, como também manifestação de apoio às causas femininas, registro em foto tudo que aconteceu durante o lançamento na fanpage Todo Dia é Dia da Mulher. Tal iniciativa traz o resultado das lutas e conquistas das mulheres que, inclusive, tenho registrado na minha palestra realizada desde 2008, História da Mulher, em faculdades, escolas, instituições públicas e organizações em geral, abordando a trajetória da mulher desde os primórdios da humanidade até o momento atual, resultando de pesquisa realizada nos últimos trinta anos, culminando com as lições por elas expressadas na comunhão dos seus propósitos, nas quais, ao defenderem suas causas, levavam além das suas reivindicações, outras conduções difusas na defesa dos direitos de todos e todas, ou seja, das crianças, dos idosos, dos excluídos, dos discriminados, e, inclusive, dos próprios homens. Exemplos esses que além da delicadeza, da maternidade, da incansável batalha e da comunhão de interesses, trazem os ensinamentos de que a vida ideal, para quem quer que seja, todos e todas, é pela via da comunhão, parafraseando Paulo Freire: Ninguém se liberta sozinho; ninguém liberta ninguém; o ser humano se liberta em comunhão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, pianista, musicólogo e pedagogo Amaral Vieira: Recital Piano Tokyo Metropolitan Art Theatre, Songs fromm my heart & Song fo solidarity; da saudosa violonista, cantora e compositora Rosinha de Valença (1941-2004): Ipanema Beat, Um violão em primeiro plano & Ao vivo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Todas as belezas contêm, assim como todos os fenômenos possíveis, algo de eterno e algo de transitório, de absoluto e de particular. A beleza absoluta e eterna inexiste, ou melhor, é apenas uma abstração empobrecida na superfície geral das diferentes belezas. O elemento particular de cada beleza vem das paixões, e como temos nossas paixões particulares, temos nossa beleza particular [...]. Pensamento do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867), extraído da biografia Baudelarie (LP&M, 2010), de Jean-Baptiste Baronian. Veja mais aqui.

A OBRIGAÇÃO DE SUPORTAR – [...] A rapidez da mudança e a velocidade com que novas situações se criam acompanham o ritmo impetuoso e insensato do Homem, ao invés de acompanhar o passo deliberado da Natureza. A radiação, agora, não é mais apenas a radiação, de plano secundário, das rochas; nem é mais o bombardeio dos raios cósmicos, e menos ainda os raios ultravioletas do Sol, que já existiam antes que houvesse qualquer forma de vida sobre a Terra. A radiação, agora, é criação não-natural (sic) dos malfazeres do Homem como o átomo. As substâncias químicas, em relação às quais a vida é solicitada a efetuar os seus ajustamentos, já não são mais meramente o cálcio, o silício e o cobre, juntamente com todo o resto dos minerais lavados pelas chuvas, e por elas levados para longe das rochas, a caminho dos rios e dos mares; tais substâncias são as criações sintéticas do espírito inventivo do Homem; são substâncias compostas nos laboratórios, e que não têm as contrapartes na Natureza. [...] Entre tais substâncias, figuram muitas que são utilizadas na guerra do Homem contra a Natureza. [...]. Trechos extrados da obra A primavera silenciosa (Melhoramentos, 1962), da bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista estadunidense Rachel Carson (1907-1964), trazendo entre tantas subjetividades a reflexão sobre o peso que terá que carregar em torno das ações insustentáveis na transformação do mundo. Veja mais aqui.

O DESERTO DO AMOR - [...] Aquele corpo que estava ali, aquela fonte carnal dos seus sonhos, dos seus devaneios desolados, dos seus deleites, já não suscita nele senão uma curiosidade intensa, uma atenção decuplicada. A doente falava agora sem delirar, mas com abundancia: o doutor admirava-se ao ver que Maria, cuja locução era comumemnte tão sempre as encontrava, se tornasse de súbito quase eloqüente, atingisse sem esforço a expressão mais adequada, o termo erudito. Que mistério pensava ele, esse cérebro a que um choque decuplica o poder! [...]. Trecho extraído da obra O deserto do amor (Delta, 1966), do escritor francês & Prêmio Nobel de 1952, François Mauriac (1885-1970).

TRÊS POEMAS – O CAMINHANTE – O caminhante, / ao perceber a estrada da verdade, / foi assaltado de admiração. / Estava coberta de grama selvagem. / “Ah! Declarou: / “Vejo que por aqui ninguém passou ; há muito tempo”. / E viu mais tarde que era toda a grama / singular faca. / “Bem”, murmurou por fim consigo mesmo, / “Sem dívida haverá outras estradas”. UM SÁBIO – Veio um dia um sábio a mim/ e disse eu sei o rumo, venha! / Fiquei mais que alegre. / Juntos nos apressamos. / Credo, muito cedo, chegamos / onde os meus olhos eram inúteis. / Eu não sabia o caminho dos meus pés; / Agarrei-me à mão do amigo. / Por fim exclamou: / “Estou perdido”. VI UMHOMEM PERSEGUINDO O HORIZONTE: Vi um homem perseguindo o horizonte. / A toda velocidade rodava e rodava. / Perturbado com isso / aproximei-me do homem. / “É inútil, disse, / não conseguirá”. – “Você mente”, gritou, / e partiu novamente. Poemas do poeta e jornalista estadunidense Stephen Crane (1871-1900).

NAVALHA NA CARNE
(Os dois riem). Zé: Daí, no dia seguinte, fui trabalhar. Cheguei lá, recebi o bilhete azul. Puta sacanagem. Nina: A gente nunca podia imaginar. Zé: Claro que eu ouvia falar que ia ter corte. Mas, pombas! Nunca pensei que ia embarcar nessa canoa furada. Pensei que spo iam chutar os outros. Eu nunca perdia dia de serviço. Trabalha direito. O mestre estava contente comigo. E tinha uma porrada de mau elemento lá. Mas não quiseram nem saber. Mandaram todos pras picas. Nina: Paciência. Zé: O pior é que michou a televisão. Nina: Não vamos morrer por causa disso. Zé: Mas eu queria tanto te dar uma. Nina: Quando você puder, você dá. Zé: Amanhã vou me bater por ai. Tenho que dar uma sorte. Nina: Vai firme que Deus há de ajudar a gente. Zé: Eu só não me entrego porque você sempre acredita. Isso me joga para frente paca. Poxa, Nina, como você é positiva. Você bacana pra chuchu. Nina: Sou tua mulher, Zé. (Zé abraça Nina e luz apaga devagar).
Trecho extraído da peça teatral Navalha na carne (Circulo do Livro, 1978), do escritor, ator, jornalista e dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999). Foi transformada em filme em 1997, num drama escrito e dirigido Neville d’Almeida, com destaque para atuação de Vera Fischer. Veja mais aqui.

Veja mais:
O sonho de infância &os dissabores da vida, o teatro de Eurípedes, a música de Diná de Oliveira, a pintura de Mohammed Al-Amar, a arte de Ferenc Gaál, Crônica de Amor por Ela & Todo dia é dia da Mulher aqui.
As mulheres soltam o verbo, o verso & o sexo porque todo dia é dia delas aqui.
William Shakespeare, Émile Zola, Giovani Casanova, Federico Fellini, Emmylou Harris, Hans Christian Andersen, Harriet Hosmer, Max Ernst, Raínha Zenóbia & Os contos de Magreb aqui.
Literatura e História do Teatro aqui.
Pequena história da formação social brasileira, de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na Filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
Norberto Bobbio e a teoria da norma jurídica aqui.
Como se faz um processo, de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal, de Francesco Carnelutti aqui.
Boca no trombone aqui.
Todo homem que maltrata uma mulher não merece jamais qualquer perdão aqui.
Teóphile Gautier, Ricardo Machado, Neurodesenvolvimento & transdisciplinaridade aqui.
James Baldwin, Naná Vasconcelos, Raul Villalba, Wanderlúcia Welerson Sott Meyer, Ronald Augusto, Monique Barcello & Lia Rosatto aqui.
A literatura de Antonio Miranda aqui.
Biziga de amor & Programa Tataritaritatá aqui.
O Teatro da Espontaneidade & Psicodrama aqui.
Walt Withman, Mariza Sorriso, Holística, Psicologia Social & Direito Administrativo aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.

II PRÊMIO LEITOR DESTAQUE FENELON BARRETO
Entrega da premiação à leitora Cíntia Mendes da Silva, contemplada com o Prêmio Leitor Destaque, da Biblioteca Fenelon Barreto.

DOAÇÃO DE LIVROS
Doação de livros do escritor e médico Arlindo Gomes Sá, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES), junto com sua esposa Tânia Griz Gomes de Sá, para a Biblioteca Fenelon Barreto, na pessoa do seu diretor João Paulo de Araujo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...