
Vindo de longe a orquestra do meu bloco
De braços dados com Maria
Cantava alegre até o romper do dia.
Meu Deus do céu
Meu Deus do céu
Onde andará Maria?
Maria Sorrindo, o povo na rua
Cantava, cantava, cantava.
Maria dançando, o mundo que gira
Parava, parava, parava.
Em toda a cidade o que era tristeza
Virava alegria e eu era feliz
Carregando em meus braços Maria.
Onde
andará Maria, premiado frevo-de-bloco da atriz,
instrumentista e compositora Diná de
Oliveira (1907-1998).
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[...] Estão me arrastando.... eu o sinto! Alguém me oprime... tu não vês? Arrastam--me para a mansão dos mortos... É Plutão!... ele mesmo!.... com suas asas... e seus olhos horrendos, cercados de negras sobrancelhas... oh! Que fazes? Deixa-me! Pobre de mim! Que caminho sombrio é este, por onde me conduzem? [...] bem vês a que extremidade cheguei; desejo, antes de morrer, que ouças o que te quero revelar. Amando-te sinceramente, e dando minha vida para que continues a ver a luz, morrerei por ti quando poderia viver por longo tempo ainda, receber por esposo aquele, dos tessálios, que eu preferisse, e habitar o palácio real. Mas recusei-me a viver privada de tua companhia, e a ver meus filhos sem pai; não me poupei, dispondo embora dos dons da mocidade e dos meios de os usufruir. Traíram-te teu pai e tua mãe, sim! Pois sua avançada idade lhes permitiria uma morte gloriosa, salvando o filho por um rasgo meritório. És, com efeito, o filho único que possuem; após tua morte, nenhuma esperança lhes seria possível, de ter ainda prole no futuro. E eu continuaria a viver, tu não sofrerias por toda a vida, a falta de uma esposa, e não serias forçado a educar filhos órfãos de mãe.. mas um deus quis que as coisas tomassem este rumo... seja! De tua parte, e porque sempre te hás-de lembrar disto, concede-me uma graça, em troca; não igual à que te faço, pois não há bem mais precioso que a vida; mas juta, como tu mesmo reconhecerás. Tu amas a nossos filhos tanto quanto eu, se teu coração é sincero e honesto. Que sejam eles os donos de nosso lar! Não os submetas, nunca, à autoridade de uma madrasta, que seria certamente inferior a mim, e que, impelida pelo ciúme, maltrataria essas pobres crianças que são teus filhos, mas também são meus! Eu te conjuro: não faças tal coisa! A madrasta que sucede à esposa é inimiga dos filhos do primeiro matrimônio, e em nada inferior a uma víbora. O filho varão tem, no pai, um protetor; corre para ele, e o pai o protege. Mas quanto a minha filha, como poderá ser honestamente educada durante a sua virgindade? Ó minha filha! Que segunda esposa de teu pai mandará sobre ti? Receio bem que, lançando sobre tua reputação uma nódoa infamante, possa ela amargurar tua juventude, e impedir que realizes um ditoso casamento. Tua mãe nada poderá fazer pelo teu consórcio; nem estará a teu lado quando vierem ao mundo teus filhos, quando não há companhia mais querida que a de uma boa mãe. Devo morrer; e este cruel trespasse não será amanhã, nem no terceiro dia do mês; mas dentro de alguns momentos já estarei incluída entre os mortos. Meu esposo, sê feliz... tu bem te podes gloriar de ter possuído a mais amorosa das esposas, e vós, queridos filhos, de terdes tido a mais carinhosa das mães!
[...] Estão me arrastando.... eu o sinto! Alguém me oprime... tu não vês? Arrastam--me para a mansão dos mortos... É Plutão!... ele mesmo!.... com suas asas... e seus olhos horrendos, cercados de negras sobrancelhas... oh! Que fazes? Deixa-me! Pobre de mim! Que caminho sombrio é este, por onde me conduzem? [...] bem vês a que extremidade cheguei; desejo, antes de morrer, que ouças o que te quero revelar. Amando-te sinceramente, e dando minha vida para que continues a ver a luz, morrerei por ti quando poderia viver por longo tempo ainda, receber por esposo aquele, dos tessálios, que eu preferisse, e habitar o palácio real. Mas recusei-me a viver privada de tua companhia, e a ver meus filhos sem pai; não me poupei, dispondo embora dos dons da mocidade e dos meios de os usufruir. Traíram-te teu pai e tua mãe, sim! Pois sua avançada idade lhes permitiria uma morte gloriosa, salvando o filho por um rasgo meritório. És, com efeito, o filho único que possuem; após tua morte, nenhuma esperança lhes seria possível, de ter ainda prole no futuro. E eu continuaria a viver, tu não sofrerias por toda a vida, a falta de uma esposa, e não serias forçado a educar filhos órfãos de mãe.. mas um deus quis que as coisas tomassem este rumo... seja! De tua parte, e porque sempre te hás-de lembrar disto, concede-me uma graça, em troca; não igual à que te faço, pois não há bem mais precioso que a vida; mas juta, como tu mesmo reconhecerás. Tu amas a nossos filhos tanto quanto eu, se teu coração é sincero e honesto. Que sejam eles os donos de nosso lar! Não os submetas, nunca, à autoridade de uma madrasta, que seria certamente inferior a mim, e que, impelida pelo ciúme, maltrataria essas pobres crianças que são teus filhos, mas também são meus! Eu te conjuro: não faças tal coisa! A madrasta que sucede à esposa é inimiga dos filhos do primeiro matrimônio, e em nada inferior a uma víbora. O filho varão tem, no pai, um protetor; corre para ele, e o pai o protege. Mas quanto a minha filha, como poderá ser honestamente educada durante a sua virgindade? Ó minha filha! Que segunda esposa de teu pai mandará sobre ti? Receio bem que, lançando sobre tua reputação uma nódoa infamante, possa ela amargurar tua juventude, e impedir que realizes um ditoso casamento. Tua mãe nada poderá fazer pelo teu consórcio; nem estará a teu lado quando vierem ao mundo teus filhos, quando não há companhia mais querida que a de uma boa mãe. Devo morrer; e este cruel trespasse não será amanhã, nem no terceiro dia do mês; mas dentro de alguns momentos já estarei incluída entre os mortos. Meu esposo, sê feliz... tu bem te podes gloriar de ter possuído a mais amorosa das esposas, e vós, queridos filhos, de terdes tido a mais carinhosa das mães!
Trecho da peça teatral Alceste, do poeta trágico grego Eurípedes (480-460aC), contando a história de uma princesa que, na mitologia
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