quinta-feira, março 09, 2017

LEGALIDADE SOB SUSPEITA

TODO DIA É DIA DA MULHER
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LEGALIDADE SOB SUSPEITA – Marquito vendia bolo de goma na esquina da matriz quando, num golpe da sorte, ganhou por herança a bodega do avô. Invejado, danou-se a trabalhar e entre tropeços e desatinos na confusão entre apurado e lucro, quase faliu, graças as investidas do seu compadre Zé Bonzinho na criação de um chavão que salvou a bancarrota: não fique com a cara de priquito, compre na bodega do Seu Marquito! Com a mangação prosperou e três anos encarreados da dinheirama escorrer pelo ladrão, o salvador da pátria chamou na grande: Tá na hora de ajudar os outros. Aqui não é igreja pra fazer caridade, berrou Marquito afastando o olho gordo do compadre. Hômi, seu minino, Deus castiga!, alertou o conselheiro dono de emissora do serviço de alto-falante da cidade, avisando que em épocas de fartura é bom precaver das vacas magras. Dizia e saía na Rural feita carro de som, locutando as propagandas e adágios populares na maior pilhéria. Era uma graça. Conversa vai, desaforos pra lá e pra cá, Marquito achou de se entender com Zé Bonzinho e foram tomar uma no bar. Lá chegando encontraram o Doutor Zé Gulu. Na medida!, disse Marquito pro parceiro. Cuma?, indagou Bonzinho. Oxe! Achamo o cara certo pra dizê o que fazê, ora! E dirigiu-se pro sábio questionando a respeito de filantropia. Caridade? Já dizia o bom e saudoso Rei Lua Gonzaga: uma esmola prum homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão. E o que faço? Ora, quais os problemas daqui? Ah, aqui só tem puta, viado e rixa, tudo da muita! Afora isso, safadeza, frescura e fuxico. Foi quando no meio do palavreado culto sobre ações sociais, responsabilidade, solidariedade etc e tal, os dois se viraram um pro outro se perguntando qual a diferença daquilo que ele estava falando pro que eles chamavam de caridade. Muita diferença, disse-lhes. Entenderam nada. Façam um plano de Marketing Social ou Societal. Que droga é nove? Inseste isso, é? Sim, existe sim: educar o povo na coleta de lixo, economizar energia elétrica, cuidar do meio ambiente, prática de hábitos saudáveis, respeito as diferenças, alteridade, muita coisa. Cuma assim? Ora, existem as garantias dos direitos fundamentais que todos deveriam saber e vocês poderiam tornar isso público, já que ninguém sabe nada da Constituição Federal vigente. Esse hômi tá cumplicando as coisas, tais vendo? Essa é uma forma de contribuir. E é? É. Entonse, tá. Dê uns exempros aí. O guru, então, assim de cor e salteado, saiu escrevendo várias coisas num pedaço de papel e entregou pra eles, de vê-se o Bonzinho assoletrando a garrancheira, sílaba por vogal e assim por diante. Com uma paciência inesgotável, o intelectual explicou cada uma das frases, deixando ambos bastante empolgados. É mermo? Isso é muito demais! Vou botar no ar agorinha mesmo! E empostou a voz com uma das mãos em concha ao ouvido: Apoio cultural: Mladeira Empreendimentos Gerais e Cia Ltda. Aplausos efusivos. Acertou, assim mesmo que eu quero: Mladeira Empreendimentos Gerais e Cia Ltda, esse o negócio do agora empresário Marquito Ladeira, livrando-se do odiento nome de bodegueiro ou comerciante: Sou empresário empreendedor e fim de papo. E era, vendia de tudo, de agulha à peça de caminhão, de consórcio a pule de bicho, de pipoca a carro velho, passasse um risco no chão trocava revólver por galinha, fazia uma valsa sem fim, de duplicata até fio de bigode como garantia do fiado: o que importa aqui é o que freguês saia feliz... e me pague, né?, um meio riso balançando a pança. No primeiro giro do carro volante anunciando as boas novas, lá vem o enterro voltando. O presidente da Câmara de Vereadores completamente indignado com aquilo, convocou uma reunião extraordinária, na qual taxou aquele zoadeiro de propaganda comunista, incendiando os demais edis e a plateia que lotara pra ver o que estava se sucedendo por ali. De lá saiu uma comitiva até a delegacia, prestando queixa contra os subversivos que estavam causando desordem no lugar. O delegado atordoado ligou pro juiz, enquanto um dos vereadores telefonou pro bispo e um outro pra promotora delatando o caso. Daí a pouco estavam todos na reunião deliberando a denúncia. A promotora, por sua vez, deixe comigo! E chamou um dos militares ordenando que ele fosse com uma tropa buscar o seu Marquito Ladeira do jeito que estivesse pro seu gabinete. E foram, trouxeram de quebra o Zé Bonzinho, tudo pendurado pelas orelhas. O que o senhor acha que está fazendo? Mas dona doutora... explica aí, Zé Bonzinho, sai dessa enrascada, vai. Dona doutora veja aqui o que a gente está fazendo, metendo o dedo no gravador pra rodar as propagandas. Mas isso é a Constituição Federal! É proibido falar dela? Eu num dissse, foi na onda daquele doutor, ué! É isso que vocês estão rodando no carro de som? Sim, senhora, rodava, a senhora manda, parou tudo. Que mico! Onde é que nós estamos? Qual problema, dona doutora? Meus parabéns, podem continuar. Mas tão dizendo que a gente é uns comunistas e subversivos? Pode um negócio desse? Não, não, podem continuar, vocês estão fazendo um bem pra Nação. Vou agora mesmo me entender com esses vereadores, podem ir. Ah, tá, se a senhora tá dizendo, então, tá! Simbora Zé que a gente vai comer arroiado agora no maior fuzuê. Mas ô dona doutora, a senhora permite uma pergunta? Diga! Quem é esse maloqueiro que está aqui nessa foto com a senhora? Meu marido! Ih. Assim, também, é demais também. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns com o talento e a beleza da saudosa soprano lírico-coloratura estadunidense Anna Moffo (1932-2006).

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DESTAQUE: IMPROVISAÇÃO PARA O TEATRO
[...] A linguagem e as atitudes do autoritarismo devem ser constantemente combatida quando se deseja que a personalidade total emerja como uma unidade de trabalho. Todas as palavras que fecham portas, que têm implicações ou conteúdo emocional, que atacam a personalidade do aluno-ator ou mantêm o aluno totalmente dependente do julgamento do professor, devem ser evitadas. Uma vez que muitos de nós fomos educados pelo metódo aprovação/desaprovação, é necessário uma constante auto-observação por parte do professor-diretor para erradicar de si mesmo qualquer manifestação desse tipo, de maneira que não entre na relação professor-aluno. A expectativa de julgamento impede um relacionamento livre nos trabalhos de atuação. Além disso, o professor não pode julgar o bom ou o mau pois que não existe uma maneira absolutamente certa ou errada para solucionar um problema: o professor, com um passado rico em experiências, pode conhecer uma centena de maneiras diferentes para solucionar um determinado problema, e o aluno pode aparecer com a forma cento e um, que o professor até então não tinha pensado. Isto é particularmente válido nas artes. [...].
Trecho extraído da obra Improvisação para o teatro (Perspectiva, 1979), da autora e diretora de teatro Viola Spolin (1906-1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

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