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domingo, outubro 18, 2015

RIO UNA, BERGSON, VILLA-LOBOS, CORA CORALINA, LINS DO REGO, SPOLIN, GRANDE OTELO, ATAÍDE, EDUCAÇÃO & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? ENTRE UM RIO & UM RISO DE MULHER - Nasci na Rua do Rio, na beira do Una, hoje essa nesguinha de nada feito fiapo de valeta que quando se arretava botava o seu caudal cidade adentro, desalojando bispo, desarmando delegado, destronando juiz, despejando prefeito e descabelando a população de ficar três dias encarreados atrepando o povo no morro central, onde antigamente era o baixo meretrício, limítrofe do cemitério local. Era o maior aguaceiro de não deixar vivalma com coragem de enfrentar a correnteza do alagamento, vixe! Quase dois metros de inundação. Bote fé. U-hu! Foi nesse rio que me batizei e quase morri afogado. Rio esse pernambucano que começa em São Bento do Una e se encontra com o mar na Várzea do Una, nas proximidades de Barreiros e de São José da Coroa Grande. Em Palmares, o meu batismo de fogo: as lutas de Zumbi, a Guerra da Praeira, das ligas camponesas, das intrigas triviais, das bravatas estrepitosas, dos fuxicos cabeludos e de muita ignomínia tola. Dela me lembro, sangue na boca, mãos pro alto e cabeça a mil. Foi lá que dei de cara com muita doidera, esquisitice e renhenhém. E foi Carma quem me deu o primeiro abraço na vida. E com um riso lindo. Minha mãe, coitada, vítima da minha buliçosa gestação, perdia a conta da gravidez: sete ou dez meses? Quase endoida, avalie. Desentalei na horagá do rebento de um jeito tão desajeitado da prestimosa parteira se atrapalhar. Foi que escapuli dali às pressas para tocar fogo no mundo e aprontar, quase me arrebentando no chão. Eis que Carma, providencialmente, me abraça brincando: - Eita, chegou o meu neto lindo! O sorriso dela me acompanha desde então, porque é o amuleto que me faz um sujeito, de sorte. Ah, dona Zezé! A paciência daquela que me pariu – Deus a tenha ainda sonhando comigo um médico respeitado -, quase finda num enlouquecimento avultado com as minhas presepadas de garoto. – Esse vai ser o meu doutor, o médico que vai curar todo mundo! -, era ela, coitada, depositando em mim, todas as fantasias de ver-me formado em Medicina. Não sabia que na primeira aplicação de vacina, eu desmaiaria. Que dali em diante, jamais eu poderia ver nem seringa nem potoca de sangue que logo desmontava estatelado no chão. Mas ela não arredava, cuidou de mim todo tempo. E eu um malcriado, só queria aconchego com Carma reclamando aos prantos: - Carma, maínha não deixa! Maínha não deixa! Acometido por zis enfermidades por ser maluvido que aproveitava cada mínima piscada de olho dela, com desobediência às prescrições médicas desde que fora vítima de um derrame nos olhos ainda no primeiro ano de vida, constantemente me empazinava com iguarias condenáveis pelo fígado baqueado pelos antibióticos, a cometer todas as arteirices até cair do teto da casa numa pia repleta de cascos de garrafas, com presepadas de virar armários quebrando todos os utensílios, pisoteios muitos que me levaram a ser tratado como os pés-da-doida por todas da vizinhança. Eu desfazia as ordens e na hora das lapadas corria para os braços de Carma que me alentava como ente endeuzado. Ah, Carma, sempre no meu coração. Daí eu digo: nasci entre um rio e um riso de mulher. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui. 

 Imagem: detalhe de obra do celebrado decorador e pintor do Barroco brasileiro Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), o Mestre Ataíde.


Curtindo o álbum Villa-Lobos: Piano Works (Farol Música, 2003), do pianista Nelson Freire homenageando o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Veja mais aqui e aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO ESPECIAL DO DIA DO PINTOR – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino Especial do Dia do Pintor para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação especial também tem atrações especiais chamando a meninada com O Teatro Mágico, Caetano Veloso, Turma da Mônica, Toquinho, Nita na lenda do morro pintado, Meimei Corrêa, Tia Conça & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

A ENERGIA ESPIRITUAL – O livro A energia espiritual (Martins Fontes, 2009), do filosofo francês Henri Bergson (1859-1941), reúne conferências sobre determinados problemas de psicologia e filosofia, mostrando como, a partir de uma análise crítica dos métodos e dos resultados científicos de sua época, desenvolve seu pensamento e sua filosofia com retorno consciente e refletido aos dados da intuição, que, segundo ele, permite o ajuste ao movimento livre e criador da vida e do espírito. Da obra destaco os trechos: [...] Os filósofos que especularam sobre o significado da vida e sobre o destino do homem não engatizaram suficientemente que a natureza, por si, nos dá essas respostas. Ela nos oferece um sinal preciso de que nosso destino está se realizando. Esse sinal é a alegria. Falo da alegria, não do prazer. o prazer não é mais que um artificio imaginado pela natureza para obter dos seres vivos a conservação da vida; não indica sua direção. A alegria, porém, anuncia sempre que a vida triunfou, que ganhou terreno, que conseguiu uma vitória: toda grande alegria tem um tom triunfal. [...] Seria inexplicável o apego deste ou daquele filósofo a um método tão estranho, se esse método não tivesse a tripla vantagem de lisonjear-lhe o amor-próprio, facilitar o trabalho e dar-lhe a ilusão de conhecimento definitivo. Como o conduz a alguma teoria muito geral, a uma idéia quase vazia, ele sempre poderá, mais tarde, colocar retrospectiv amente na ideia tudo o que a experiência terá ensinado sobre a coisa: afirmará então que se antecipou à experiência unicamente pela força do raciocínio [...] Como, por outro lado, nada é mais fácil que raciocinar geometricamente sobre ideias abstratas, ele constrói sem dificuldade uma doutrina em que tudo se sustenta e que parece impor-se pelo rigor. Mas esse rigor resulta de ter operado sobre uma ideia esquemática e rígida, em vez de seguir os contornos sinuosos e móveis da realidade. [...] Considero que em filosofia o tempo dedicado à refutação geralmente é tempo perdido. De tantas objeções levantadas por tantos pensadores uns contra os outros, o que resta? Nada, ou pouca coisa. O que conta e permanece é o que se apresentou de verdade positiva: em virtude de sua força intrínseca, a afirmação verdadeira substitui a ideia falsa e acaba sendo, sem que tivesse o trabalho de refutar ninguém, a melhor das refutações. [...]. Veja mais aqui e aqui.

A POESIA NA EDUCAÇÃO – No livro Humor e alegria na educação (Summus, 2006), organizado por Valéria Amorim Arantes, reúne trabalhos que versam sobre os temas da poesia e escola, Deus ludens – o lúdico na pedagogia medieval e no pensamento de Tomás de Aquino, ousar brincar, escolha é lugar de brincar, humor e educação e pós-modernidade, uma pedagogia lúdica, o senso de humor no trabalho com adolescentes e seus problemas de adaptação, teste do poder de inclusão, entre outros assuntos. Da obra destaco trecho de Poesia e Escola, de Joan Fortunity: [...] No sentido etimológico, poesia significa criar, fazer. O ato poético é um ato criador. Essa é a noção fundamental. A leitura de um poema nunca deveria ser passiva. Todo leitor é um criador e até mesmo criador do ele lê. Negar isso seria uma contradição psicológica, visto que, como dizia Paul Valéry, o poema não termina quando o autor o conclui, mas sim quando o leitor o faz seu, incorporando-o a seu acervo espiritual. Poesia também é mimese, no sentido que Aristóteles dava à palavra. Segundo o filosofo grego, a imitação, ou mimese, consiste em reconstruir com palavras algo que tenha a maior semelhança possível com a realidade; não no sentido de copiar a natureza ou de descrever os fatos com precisão, mas de reconstruir a realidade com a intenção de reinventá-la. [...] Não são os professores que ensinam a fazer arte ou a ter ideias, já que a arte e as ideias, como criação pessoal, não se ensinam, se promovem. A formação de uma pessoa vai mas além da prática, embora sem dúvida não possamos desterrar de todo essa última, pois se mostra necessária mas não suficiente. Se tudo fosse uma acumulação de saber prático, não haveria ligar para a surpresa. É certo que sempre se parte de algo, mas esse não deve nunca indicar o caminho inteiro por seguir, deve-se deixar que aflores por si esse momento incerto que se dá, precisamente, no limite entre o saber estabelecido e o desconhecido. “O novo me estimula e o velho me encanta”, como diz o último verso de um célebre soneto do poeta catalão J. V. Foix. É nesse espaço de dúvida que são geradas as situações inéditas, e ele constitui o preambulo de toda a criatividade. Acredito, assim, numa pedagogia do equilíbrio, que tanto trabalhe com os instrumentos científicos quanto leve os estudantes a encontrar-se, na tentativa de compreender a vida. A escola é, antes de tudo, um lugar de cultura, em que a formação e o aprendizado escolar são necessários às pessoas. Aprender a ser é tão importante como adquirir conhecimento, e a poesia é, antes de tudo, uma forma de ser. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MENINO DE ENGENHO – O romance Menino de engenho (1932 - José Olympio, 1978), do escritor José Lins do Rego (1901-1957), faz parte da trilogia da cana-de-açúcar, juntamente com Doidinho (1933) e Banguê (1934), contando a situação socioeconômica do engenho de açúcar, com suas tensões sociais narradas por uma criança. Nos primeiros oito capítulos tem a história da mãe que foi assassinada pelo pai que é capturado e preso. O menino é levado por seu tio Juca para o engenho do seu avô materno, quando entrará em contato com religião, surperstições, crendices, folclore, literatura oral, heroísmos e vida campesina no partido da cana. Da obra destaco o trecho: [...] O quarto do meu tio Juca vivia trancado de chave o dia inteiro. Ali só entrava a negra que lhe fazia limpeza e mudava as roupas da cama. Mas quando aos domingos descansava na sua grande rede do Ceará, de varandas arrastando no chão, eu ia ter com ele. O meu tio me punha ao seu lado, fazia brincadeiras comigo. Era o único sobrinho com quem se dava de intimidade. Ele tinha muita coisa para me mostrar; os seus álbuns de fotografias, os seus livros de muitas gravuras, o Malho que assinava, cheio de gente de cara virada pelo avesso. Lua as histórias todas do Malho, com retratos dos políticos e com um Zé-Povo que tinha resposta para tudo. – Ali não bula – me dizia, quando eu tocava por acaso num pacote embrulhado em cima da cômoda. Num dia em que ele me deixou sozinho, corri sôfrego para o objeto da proibição; uma coleção de mulheres nuas, de postais em todas as posições da obscenidade. Não sei para que meu tio guardava aquela nojeta exposição de porcarias. Sempre que sucedia ficar sem ele no quarto, era para os postais imundos que me botava. Sentia uma atração irresistível por aquelas figuras decasradas de meu tio Juca. Uma vez em que ele se demorou mais tempo, por não sei onde, entretive-me com as gravuras muito tempo. O meu tio pegou-me de surpresa com o pacote na mão. Botou-me para fora do seu quarto. Eu não era digno da sua intimidade, dos segredos de sua alcova. Mas ficava-me de seus aposentos uma saudade ruim daquelas mulheres e daqueles homens indecentes. [...]. Veja mais aqui e aqui.

POEMA & ORAÇÃO DO MILHO – No livro Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais, (Global, 1965), da poeta Cora Coralina (1889-1985), destaco, inicial, o Poema do Milho: Milho... / Punhado plantado nos quintais. / Talhões fechados pelas roças. / Entremeado nas lavouras. / Baliza marcante nas divisas. / Milho verde. Milho seco. / Bem granado, cor de ouro. / Alvo. Às vezes vareia, / - espiga roxa, vermelha, salpintada. / Milho virado, maduro, onde o feijão enrama. / Milho quebrado, debulhado / na festa das colheitas anuais. / Bandeira de milho levada para os montes, / largada pelas roças. / Bandeiras esquecidas na fartura. / Respiga descuidada / dos pássaros e dos bichos. / Milho empaiolado... / abastança tranquila / do rato, / do caruncho, / do cupim. / Palha de milho para o colchão. / Jogada pelos pastos. / Mascada pelo gado. / Trançada em fundos de cadeiras. / Queimada nas coivaras. / Leve mortalha de cigarros. / Balaio de milho trocado com o vizinho / no tempo da planta. / “- Não se planta, nos sítios, semente da mesma terra”. / Ventos rondando, redemoinhando. / Ventos de outubro. / Tempo mudado. Revoo de saúva. / Trovão surdo, tropeiro. / Na vazante do brejo, no lameiro, / o sapo-fole, o sapo-ferreiro, o sapo-cachorro. / Acauã de madrugada / marcando o tempo, chamando chuva. / Roça nova encoivarada, / começo de brotação. / Roça velha destocada. / Palhada batida, riscada de arado. / Barrufo de chuva. / Cheiro de terra, cheiro de mato. / Terra molhada. Terra saroia. / Noite chuvada, relampeada. / Dia sombrio. Tempo mudado, dando sinais. / Observatório: lua virada. Lua pendida... / Circo amarelo, distanciado, / marcando chuva. / Calendário, Astronomia do lavrador. / Planta de milho na lua-nova. / Sistema velho colonial. / Planta de enxada. / - Seis grãos na cova, / quatro na regra, dois de quebra. / Terra arrastada com o pé, / pisada, incalcada, mode os bichos. / Lanceado certo-cabo-da-enxada. / Vai, vem... sobe, desce... / terra molhada, terra saroia... / - Seis grãos na cova; quatro na regra, dois de quebra. / Sobe. Desce... / Camisa de riscado, calça de mescla. / Vai, vem... / golpeando a terra, o plantador. / Na sombra da moita, / na volta do toco - o ancorote d’água: / Cavador de milho, que está fazendo? / Há que milênios vem você plantando. / Capanga de grãos dourados a tiracolo. / Crente da Terra. Sacerdote da terra. / Pai da terra. / Filho da terra. / Ascendente da terra. / Descendente da terra. / Ele, mesmo, terra. / Planta com fé religiosa. / Planta sozinho, silencioso. / Cava e planta. / Gestos pretéritos, imemoriais. / Oferta remota, patriarcal. / Liturgia milenária. / Ritual de paz. / Em qualquer parte da Terra / um homem estará sempre plantando, / recriando a Vida. / Recomeçando o Mundo. / Milho plantado; dormindo no chão, aconchegados / seis grãos na cova. / Quatro na regra, dois de quebra. / Vida inerte que a terra vai multiplicar / Evém a perseguìção: / o bichinho anônimo que espia, pressente. / A formiga-cortadeira - quenquém. / A ratinha do chão, exploradeira. / A rosca vigilante na rodilha, / O passo-preto vagabundo, galhofeiro, / vaiando, sorrindo... / aos gritos arrancando, mal aponta. / O cupim clandestino / roendo, minando, / só de ruindade. / E o milho realiza o milagre genético de nascer. / Germina. Vence os inimigos, / Aponta aos milhares. / - Seis grãos na cova. / - Quatro na regra, dois de quebra, / Um canudinho enrolado. / Amarelo-pálido, / frágil, dourado, se levanta. / Cria sustância. / Passa a verde. / Liberta-se. Enraíza. / Abre folhas espaldeiradas. / Encorpa. Encana. Disciplina, / com os poderes de Deus. / Jesus e São João / desceram de noite na roça, / botaram a bênção no milho. / E veio com eles / uma chuva maneira, criadeira, fininha, / uma chuva velhinha, / de cabelos brancos, / abençoando / a infância do milho. / O mato vem vindo junto. / Sementeira. / As pragas todas, conluiadas. / Carrapicho. Amargoso. Picão. / Marianinha. Caruru-de-espinho. / Pé-de-galinha. Colchão. / Alcança, não alcança. / Competição. / Pac... Pac... Pac... / a enxada canta. / Bota o mato abaixo. / Arrasta uma terrinha para o pé da planta. / “- Carpa bem feita vale por duas...” / quando pode. Quando não... sarobeia. / Chega terra. O milho avoa. / Cresce na vista dos olhos. / Aumenta de dia. Pula de noite. / Verde. Entonado, disciplinado, sadio. / Agora...  / A lagarta da folha, / lagarta rendeira... / Quem é que vê? / Faz a renda da folha no quieto da noite. / Dorme de dia no olho da planta, / Gorda. Barriguda. Cheia. / Expurgo... Nada... força da lua... / Chovendo acaba - a Deus querê. / “- O mio tá bonito...” /“- Vai sê bão o tempo pras lavoras todas...” / “- O mio tá marcando...” / Condicionando o futuro: / “- O roçado de seu Féli tá qui fais gosto... / Um refrigério” / “- O mio lá tá verde qui chega a s’tar azur...” / - Conversam vizinhos e compadres. / Milho crescendo, garfando, / esporando nas defesas. / Milho embandeirado. / Embalado pelo vento. / “Do chão ao pendão, 60 dias vão”. / Passou aguaceiro, pé-de-vento. / “- O milho acamou...” “- Perdido?”... “- Nada... / Ele arriba com os poderes de Deus...” / E arribou mesmo, garboso, empertigado, vertical. / No cenário vegetal / um engraçado boneco de frangalhos / sobreleva, vigilante. / Alegria verde dos periquitos gritadores... / Bandos em sequência... Evolução... / Pouso... retrocesso. / Manobras em conjunto. / Desfeita formação. / Roedores grazinando, se fartando, / foliando, vaiando / os ingênuos espantalhos. / “Jesus e São João / andaram de noite passeando na lavoura / e botaram a bênção no milho”. / Fala assim gente de roça e fala certo. / Pois não está lá na taipa do rancho / o quadro deles, passeando dentro dos trigais? / Analogias... Coerências. / Milho embandeirado / bonecando em gestação. / - Senhor!... Como a roça cheira bem! / Flor de milho, travessa e festiva. / Flor feminina, esvoaçante, faceira. / Flor masculina - lúbrica, desgraciosa. / Bonecas de milho túrgidas, / negaceando, se mostrando vaidosas. / Túnicas, sobretúnicas... / saias, sobressaias... / Anáguas... camisas verdes. / Cabelos verdes... / Cabeleiras soltas, lavadas, despenteadas... / - O milharal é desfile de beleza vegetal. / Cabeleiras vermelhas, bastas, onduladas. / Cabelos prateados, verde-gaio. / Cabelos roxos, lisos, encrespados. / Destrançados. / Cabelos compridos, curtos, / queimados, despenteados... / Xampu de chuvas... / Flagrâncias novas no milharal. / - Senhor, como a roça cheira bem!... / As bandeiras altaneiras / vão-se abrindo em formação. / Pendões ao vento. / Extravasão da libido vegetal. / Procissão fálica, pagã. / Um sentido genésico domina o milharal. / Flor masculina erótica, libidinosa, / polinizando, fecundando / a florada adolescente das bonecas. / Boneca de milho, vestida de palha... / Sete cenários defendem o grão. / Gordas, esguias, delgadas, alongadas. / Cheias, fecundadas.  / Cabelos soltos excitantes. / Vestidas de palha. / Sete cenários defendem o grão. / Bonecas verdes, vestidas de noiva. / Afrodisíacas, nupciais... / De permeio algumas virgens loucas... / Descuidadas. Desprovidas. / Espigas falhadas. Fanadas. Macheadas. / Cabelos verdes. Cabelos brancos. / Vermelho-amarelo-roxo, requeimado... / E o pólen dos pendões fertilizando... / Uma fragrância quente, sexual  / invade num espasmo o milharal. / A boneca fecundada vira espiga. / Amortece a grande exaltação. / Já não importam as verdes cabeleiras rebeladas. / A espiga cheia salta da haste. / O pendão fálico vira ressecado, esmorecido, / no sagrado rito da fecundação. / Tons maduros de amarelo. / Tudo se volta para a terra-mãe. / O tronco seco é um suporte, agora, / onde o feijão verde trança, enrama, enflora. / Montes de milho novo, esquecidos, / marcando claros no verde que domina a roça. / Bandeiras perdidas na fartura das colheitas. / Bandeiras largadas, restolhadas. / E os bandos de passo-pretos galhofeiros / gritam e cantam na respiga das palhadas. / “Não andeis a respigar” - diz o preceito bíblico. / O grão que cai é o direito da terra. / A espiga perdida - pertence às aves / que têm seus ninhos e filhotes a cuidar. / Basta para ti, lavrador, / o monte alto e a tulha cheia. / Deixa a respiga para os que não plantam nem colhem. / - O pobrezinho que passa. / - Os bichos da terra e os pássaros do céu. Também a Oração ao milho: Senhor, nada valho. / Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres. / Meu grão, perdido por acaso, / nasce e cresce na terra descuidada. / Ponho folhas e haste, e se me ajudardes, Senhor,/ mesmo planta de acaso, solitária, / dou espigas e devolvo em muitos grãos / o grão perdido inicial, salvo por milagre, / que a terra fecundou. / Sou a planta primária da lavoura. / Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo / e de mim não se faz o pão alvo universal. / O Justo não me consagrou Pão de Vida, nem lugar me foi dado nos altares. / Sou apenas o alimento forte e substancial dos que / trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre. / Sou de origem obscura e de ascendência pobre, / alimento de rústicos e animais do jugo. / Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques, / coroados de rosas e de espigas, / quando os hebreus iam em longas caravanas / buscar na terra do Egito o trigo dos faraós, / quando Rute respigava cantando nas searas de Booz / e Jesus abençoava os trigais maduros, / eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias. / Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito. / Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. / Sou a farinha econômica do proletário. / Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha. / Alimento de porcos e do triste mu de carga. / O que me planta não levanta comércio, nem avantaja dinheiro. / Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis. / Sou o cocho abastecido donde rumina o gado. / Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece. / Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos. / Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor, / que me fizestes necessário e humilde. / Sou o milho. Veja mais aqui e aqui.

O JOGO E A ESPONTANEIDADE – No livro Improvisação para o teatro (Perspectiva, 1979), da autora e diretora Viola Spolin (1906-1994), destaco a parte Sete aspectos da espontaneidade – jogos: O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvimento e a liberdade pessoal necessários para a experiência. Os jogos desenvolvem as técnicas e habilidades pessoais necessárias para o jogo em si, através do próprio ato de jogar. As habilidades são desenvolvidas no próprio momento em que a pessoa está jogando, divertindo-se ao máximo e recebendo toda a estimulação que o jogo tem para oferecer – é este o exato momento em que ela está verdadeira aberta para recebe-las. A ingenuidade e a inventividade aparecem, para solucionar quaisquer crises que o jogo apresente, pois está subentendido que durante o jogo o jogador é livre para alcançar seu objetivo da maneira que escolher. Desde que obedeça às regras do jogo, ele pode balançar, ficar de ponta-cabeça, ou até voar. De fato, toda maneira nova ou extraordinária de jogar é aceita e aplaudida por seus companheiros de jogo. Isto torna a forma útil não só para o teatro formal, como especialmente para os atores interessados em aprender improvisação, e é igualmente útil para expor o iniciante à experiência teatral, seja ele adulto ou criança. Todas as técnicas, convenções, etc, que os alunos-atores vieram descobrir lhes são dadas através de sua participação nos jogos teatrais (exercícios de atuação) [...]. Veja mais aqui e aqui.

VAI QUE É MOLE – A comédia musical Vai que é mole (1960), dirigida por J. B. Tanko, conta a história de três ladões que saem da cadeia e logo são contatados pelo chefe para planejarem novos golpes. A namorada de um deles, o Brancura, quer que ele pare com a vida criminosa. As coisas ficam ainda mais complicadas quando Brancura recebe uma carta de sua tia, já falecida, dizendo que ela enviou seu filho José Maria para cuidar. Depois que Macio e Brancura devolvem para uma dançarina a bolsa que roubaram dela, são chamados para participarem de um programa de televisão que enaltecerá a "honestidade" dos dois, causando muita confusão pois tanto seus comparsas como a polícia sabem dos roubos que eles cometeram no passado. O destaque do filme é para o saudoso ator, comediante, escritor, cantor e compositor Grande Otelo (1915-1993), pseudônimo de Sebastião Bernardes de Souza Prata, que, neste filme, atua ao lado de Ankito, Jô Soares, Otelo Zeloni, Virginia Lane e Renata Fronzi, entre outros. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
No dia do pintor homenagem ao artista plástico e professor tricordiano Luiz Sérgio Mafra.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia (horário de verão), com reprise de toda programação semana e com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, março 08, 2013

ANNA SEWELL, XICO SÁ, NELLA LARSEN, ROMILLY, LITERATURA & HISTÓRIA DO TEATRO

 


LÁ VOU EU PRO TEATRO – A primeira leitura a respeito do tema teatral foi o Manual do Encenador de Hermilo Borba Filho, batendo o centro para melhor me inteirar da arte imortalizada na minha terra por Miguel Jassely, Lelé Corrêa e Fenelon Barreto. Eu havia assisto umas dramatizações no palco do ginásio e saí impressionado com aquilo. A responsável pela biblioteca que também era minha professora, Jessiva Sabino de Oliveira, foi quem recomendou o livro. A partir daí não parei mais estudar as artes cênicas e dramáticas. Saí lendo de tudo, dos gregos antigos até os contemporâneos, consumindo páginas e, como ainda era aluno de ginasial, peiticava para participar aqui e ali de encenações. Foi por esta época que me caiu às mãos o texto teatral O náufrago do Mafalda, de Fenelon Barreto, pensando eu que, pelo título, seria uma comédia e não era – mais uma entre as suas vinte e tantas tragédias. Foi quando a gente ainda rapazote inventou de montar outra peça deste autor, Adoração, e tudo malogrou. Estudando e sonhando demais com a realização de um espetáculo, resolvi eu mesmo escrever meu próprio texto: O Prêmio – que à época possuía o título de Em busca de um lugar ao Sol sob a especulação imobiliária -, encenada por um jovem grupo adolescente na quadra do Colégio Diocesano dos Palmares. Foi um sucesso! Embalei na coisa e escrevi outro: A viagem noturna do Sol, que foi encenada em Recife, em 1983, com o Grupo TTTrês Produções Artísticas, dirigida por José Manoel Sobrinho. Por esse tempo eu já zanzava pelas ruas do Recife poetando, tomando umas e outras, estudando muito e percorrendo palcos e plateias pra cima e pra baixo – o salário ficava grande parte na compra da Livro 7, quando não alisava as vistas nas bibliotecas e cursos. Foi justamente por isso que o saudoso Paulo Cavalcanti me jogou na caixa dos peitos para adaptar, dirigir e musicar João Sem Terra, do Hermilo. Uma trabalheira medonha. Depois tomei gosto e ainda escrevi mais dois textos: O coronel e seu capaz – inspirado na obra O senhor Puntilla e seu criado Matti, de Brecht -, afora um outro Corpo versus Corpo – uma metáfora envolvendo três personagens: dois homens ávidos pelo poder sobre uma mulher. Ficou nisso porque passei adaptar para o teatro infantil os textos de Elita Afonso Ferreira, quando fundamos as Edições Bagaço. Daí, então, fiz outras incursões Brasil afora e participei de cursos, fiz trilhas sonoras, criei uma associação classista na minha cidade, reuni grupos, dirigi alguns espetáculos, fiz palestras, oficinas e ministrei cursos na área. Depois a partir dos anos 1990 me dediquei ao público infantil, publicando livros e contando histórias pelo Brasil afora, ocasião em que escrevi o texto O lobisomem zonzo e, posteriormente, pelos anos 2000, pulando de palco em tablado, criei e atuei no espetáculo Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, desde 2010. Ainda hoje atuo, leio e estudo teatro, uma das artes que mais me fascina! Veja mais abaixo e mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Mas onde está o conhecimento do passado tornado vivo e presente? Bem, acima de tudo, na literatura! E isso, aos meus olhos, é a maravilha. Encontra-se em textos franceses e estrangeiros, modernos e antigos. Parece-me, portanto, um erro muito grave representar o ensino da literatura como uma espécie de elegância supérflua e gratuita. Na verdade, é graças à literatura que se forma quase toda a nossa ideia de vida; o desvio pelos textos leva diretamente à formação do homem. Eles nos trazem análises e ideias, mas também imagens, personagens, mitos e sonhos que se sucederam na mente dos homens; eles nos comoveram um dia porque foram expressos ou descritos com força; e é dessa experiência que a nossa se alimenta... Pensamento da filóloga e escritora grega Jacqueline de Romilly (1913-2010).

 

ALGUÉM FALOU: Para que servem os amigos, senão para ajudar a carregar nossos pecados?... Acho que ser mãe é a coisa mais cruel do mundo... Os autores não fornecem imaginação, eles esperam que seus leitores tenham a sua própria e a usem... Pensamento da enfermeira e escritora estadunidense Nella Larsen (1891-1964).

 

BELEZA NEGRA - [...] São boas pessoas que fazem bons lugares. [...] Você sabe por que este mundo é tão ruim quanto é?... É porque as pessoas pensam apenas em seus próprios negócios e não se preocupam em defender os oprimidos, nem trazer os malfeitores à luz. […] Minha doutrina é esta: se virmos crueldade ou injustiça que temos o poder de impedir e não fizermos nada, tornamo-nos participantes da culpa. [...] Se algo é certo, pode ser feito, e se for errado, pode ser feito sem; e um bom homem vai encontrar uma maneira [...]. Trechos extraídos da obra Black Beauty (Ridel, 2004), da escritora inglesa Anna Sewell (1820-1878). Veja mais aqui.

 

FESTA – Gastei talão-de-passe \ à tua procura, \ cozinhei os miolos \ nesta fervura. \ Gastei meu sapato novo \ no itinerario, \ botei anúncio na TV \ rário e no Diário. \ Gatei 999,99 esperanças \ sem nenhuma pista z peguei até um táxi \ na Conde da Boa Vista. \ Soube que tu estavas \ no Beco da Fome \ ouvindo outros versos \ nos braços doutro homem. \ Soube que tu estavas \ na Tamarineira \ tomando choques \ e falando besteiras? Poema do escritor e jornalista Xico Sá, in: Varal de poesias (s\d), textos selecionados Projetos das Quartas. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



BERTOLT BRECH: ESTUDOS SOBRE TEATRO – O livro “Estudos sobre teatro” do poeta, dramaturgo e encenador alemão Eugen Berthold Friedrich Brecht (1898-1956), aborda questões como a possibilidade do mundo hoje ser reproduzido pelo teatro, notas sobre peças e representações, a ópera Grande e Decadência da Cidade de Mahagony, a Ópera dos Tres Vintens, a peça A Mãe de Gorki, teatro recreativo e teatro didático, efeitos de distanciamento na arte dramática chinesa, as cenas de rua, a nova técnica da arte de representar, O Senhor Puntilla e seu criado Matti, a obra clássica intimidada, Pequeno Organon para o teatro, a dialética para o teatro, a práxis do teatrao, Antígona de Sófocles, a utilização de um modelo restringe a liberdade artística, acerca da contribuição da música para o teatro épico, palavras do dramaturgo sobre o teatro do cenógrafo Caspar Neher, acerca da distribuição e de uma carta a um ator. Veja mais aqui e aqui.

FONTE:
BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.




TRAGÉDIA MODERNA – O livro “Tragédia moderna” de Raymond Williams, traz um prefácio de Iná Camargo Costa e é dividido em duas partes: a primeira, idéias trágicas; e a segunda, literatura trágica moderna. Na primeira parte aborda questões acerca da tragédia e a experiência, a tradição, as idéias contemporâneas, a revolução e a continuidade. A segunda traz abordagens acerca de herói e vítima na feitura da tragédia liberal de Ibsen e Miller, a tragédia privada de Strindberg, O´Neill e Tenesse Williamsn, a tragédia socal e pessoal de Tolstoi e Larwrence, o impasse e aporia trágicos de Tchekov, Pirandello, Ionesto e Beckett, a resignação trágica e sacrifício de Eliot e Pasternak, o desespero trágico de Camus e Sartre e uma rejeição à tragédia de Brecht.
Raymond Williams (31 Agosto 1921 - 26 Janeiro 1988) foi um acadêmico, crítico e novelista Galês. Seus escritos em política, cultura, literatura e cultura de massas refletiram seu pensamento marxista. Foi uma figura influente dentro da Nova Esquerda e na teoria cultural em geral. Mais de 750 000 cópias de seus livros foram vendidos apenas no Reino Unido. (Politics and Letters, 1979) e há muitas traduções de suas diversas obras. Veja mais aqui e aqui.

FONTE:
WILLIAMS, Raymond. Tragédia moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.






HISTÓRIA MUNDIAL DO TEATRO – O livro “História mundial do teatro”, de Margot Berthold, traz a trajetória desde o teatro primitivo, Egito e antigo oriente, nas civilizações islâmicas e indo-pacíficas, na China, no Japão, na Grécia, Roma, Bizâncio, a Idade Média, a Renascença, o Barroco, a era da cidadania burguesa e do Naturalismo ao presente, com o teatro do diretor, os meios de comunicação de massa, a crise, o exprerimento, o show business na Broadway, o engajado, ricamente ilustrado com fotos e iconografias importantes. Indispensável. Veja mais aqui.

Fonte:
BERTHOLD, Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2008.





JOGO, TEATRO & PENSAMENTO, DE RICHARD COURTNEY – A obra Jogo, teatro & pensamento: as bases intelectuais do teatro na educação, de Richard Courtney, trata da filosofia educacional diante do jogo e do teatro, a história do pensamento educacional, o mundo antigo, medieval, a renascença, o período neoclássico, o período romântico, a teoria de Schiller-Spencer, a teoria do instinto de Karl Groos, pré-exercicios, teoria da catarse, teorias fisiológicas, teoria da recreação, teoria do relaxamento, teoria da recapitulação, teoria genética, estádios em educação pedocêntrica, formas de abordagem dramática, educação dramática, escola de psicologia profunda, pensamento simbólico, psicanálise britânica, psicoterapia infantil, os elementos da ludoterapia, escolas de psicoterapia, o fenômeno do acting-out, psicodrama, criatividade e espontaneidade, estética e criatividade, o artista no teatro, antropologia social, abordagem sociológica, o teatro do selvagem, jogo dramático, a plateia, teorias gerais do jogo, abordagens americanas, teoria da aprendizagem, imitação, identificação, teoria dos papeis, cognição, pensamento criativo, aprendizagem da memória, psicolinguística, linguagem das crianças, fala e pensamento. Veja mais aqui.

FONTE:
COURTNEY, Richard. Jogo, teatro & pensamento: as bases intelectuais do teatro na educação. São Paulo: Perspectiva, 1980.




GERD BORNHEIM & TEATRO: A CENA DIVIDIDA – A obra “Teatro: a cena dividida” de Gerd Bornheim aborda questões sobre o teatro popular, a situação e o impasse, a indiferença de Lukács, a mística das origens, a metamorfose do povo, sobre o folclore, sobre o drama histórico, sobre o repertório clássico, a atualidade do atual, o povo, minuta para a demarcação do conceito, texto de uma entrevista, teatro e literatura, os caminhos do teatro contemporâneo e debate. Veja mais aqui.

FONTE:
BORNHEIM, Gerd. Teatro: a cena dividida. Porto Alegre: LP&M, 1983.



CONSTANTIN STANISLAVSKI: A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM – A obra “A construção da personagem” do ator, diretor, pedagogo e escritor russo Constatin Stanislavski (1863-1938) trata da caracterização física, vestir a personagem, personagens e tipos, tornar expressivo o corpo, plasticidade do movimento, contenção e controle, a dicção e o canto, entonações e pausas, acentuação, a palavra expressiva, a perspectiva, tempo-ritmo no movimento e no falar, o encanto cênico, ética do teatro, padrões de realização e algumas conclusões sobre a representação. Veja mais aqui.

CONSTANTIN STANISLAVISKI – pseudônimo de Constantin Siergueieivitch Alexei teve grande destaque entre os séculos XIX e XX. Sua primeira apresentação ocorreu quando ainda tinha sete anos em um teatro que seu pai mandara construir em sua casa. Neste local, também conhecido como Circulo Alexeiev, aconteciam vários encontros com atores, diretores, músicos, artistas plásticos conhecidos. Após os casamentos na família, esses encontros começaram a ficar mais raros. Em 1888, Stanislavski funda a Sociedade Literária de Moscou, no qual passa a estudar a arte teatral com grandes personalidades da época, como o diretor Fiédotov. Este empreendimento não teve muito sucesso, principalmente no aspecto financeiro o que levou Stanislavski a arcar sozinho com as despesas. Após trocar correspondências com Vladímir Ivânovitch Niemiróvitch-Dântchenco (1858 – 1943), escritor e professor de arte dramática na Filarmônica de Moscou; iniciou no dia 22 de junho de 1897, às 14h; no Slaviánski Bazar (Mercado Eslavo, nome de um restaurante), não só um conversa histórica, mas um diálogo, de um empreendimento, que marcaria o teatro no século XX: o Teatro de Arte (ou Artístico) de Moscou Acessível a Todos, que depois passaria a ser conhecido como o Teatro de Arte de Moscou. Foi neste local que Stanislavski, durante anos, teve a oportunidade de testar métodos e técnicas no trabalho de preparação do ator. Muito desses foram deixados de lado e outros aprofundados. Estes seus estudos geraram o conhecido "sistema" Stanislavski (como ele mesmo o chamava).Em 1905 ele acrescentou ao teatro o estudio experimental, base de sua pedagogia e critica do teatro. Dedicando ao teatro, durante mais de 40 anos, uma atitude critica e de constante preocupação, Stanislavski revê e dignifica a função do ator, oferecendo-lhe quer no incansavel dia a dia de direitor, quer em seus escritos didaticos e teóricos, uma orientação que abrange todos os niveis do comportamento dramatico. Com seu método ele apresenta os meios praticos de atingir-se o desempenho, ensinando os procedimentos psicologicos e tecnicos do aproveitamento de estmulos sensoriais, da memória emotiva, da descontração muscular, da imaginação e da pratica de observar e observar-se.




OLGA REVERBEL: TEATRO NA SALA DE AULA – A obra “Teatro na sala de aula”, de Olga Reverbel, trata do professor, do aluno, do ambiente, as atividades dramáticas com suas estratégias e avaliações, as atividades integradas, a descoberta do movimento, do som e do espaço, a interpretação, a direção de espetáculo na escola, em busca de um repertório para o espectador jovem, iniciação à critica, as fichas de avaliação, planejamentos e para onde vai o teatro na educação.

FONTE BIBLIOGRÁFICA
REVERBEL, Olga. Teatro na sala de aula. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979.
BIBLIOGRAFIA:
STANISLASVSKI, Constantin. A construção da personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983,



O TEATRO BRASILEIRO MODERNO DE DÉCIO DE ALMEIDA PRADO – A obra “O teatro brasileiro moderno” de Décio de Almeida Prado é uma das obras indispensáveis para o pesquisador e militante do teatro brasileiro por se tratar de um painel vivo e profundo da cena brasileira. O autor, por sua trajetória de mais de 50 anos de teatro no Brasil, dá o seu testemunho efetuando uma análise acerca das principais realizações cênicas e dramatúrgicas, acompanhando a efervescência do Teatro de Procópio Ferreira, Nelson Rodrigues, a criação do TBC, o Arena, o Oficina, até chegar no momento teatral da atualidade. Indispensável.

FONTE:
PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2008.




RENATA PALLOTTINI: INTRODUÇÃO À DRAMATURGIA – O livro “Introdução à dramaturgia”, de Renata Pallottini, oriundo da tese de doutoramento da autora para a Escola de Comunicações e Artes da USP, aborda a questão da ação dramática e conflito, o teatro épico e dramática rigorosa e analise de um texto do teatro épico. Traz também o prefácio “A dramaturgia como teoria” de Fernando Peixoto.

A AUTORA: A poeta, escritora, professora e dramaturga paulista Renata Pallottini cursos Filosofia na PUC e direito na Faculdade do Largo de São Francisco, estudou dramaturgia na Escola de Arte Dramática onde mais tarde lecionou. É autora de diversos livros de poesia e teatro.


FONTE:
PALLOTTINI, Renata. Introdução à dramaturgia. São Paulo: Brasiliense, 1983.



VIOLA SPOLIN: IMPROVISAÇÃO PARA O TEATRO – A obra “Improvisação para o teatro” de Viola Spolin, aborda questões como teoria e fundamentação, a experiência criativa, sete aspectos da espontaneidade, procedimentos nas oficinas de trabalho, a composição física das oficias de trabalho, exercícios de orientação, onde, atuando com o corpo todo, aprimorando a percepção, marcação de cena não-direcional, ouvir, ver e não fitar, agilidade verbal, contato, silêncio, dicção, rádio e efeitos técnicos, desenvolvimento material para situações, exercícios de afinação, discurso, fisicalização, ver, desenvolvimento de cenas a partir de sugestões da platéia, emoção, conflito, personagem, a criança e o teatro, princípios fundamentais para o ator infantil, teatro formal e teatro improvisacional, ensaio e desempenho, post-mortem e problemas especiais, histórias para ensaios, dirigindo a criança-ator, eliminando qualidades de amador, definição dos termos, livros de jogos recomendados, entre outros.

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 1979.



SÁBATO MAGALDI: INICIAÇÃO AO TEATRO – A obra “Iniciação ao teatro” de Sábato Magaldi trata do conceito de teatro, o texto, o ator, os elementos visuais, a arquitetura, o encenador, a empresa, o público, a participação do Estado, nacionalismoa, qualificativos em voga como boulevard, vanguarda, teatro político, épico, social, popular, pobre, criação coletiva, o happening, teatro do oprimido, destino do teatro com relação á televisão e ao cinema, os erros da nostalgia e o exemplo de Copeau. Veja mais aqui.

SÁBATO ANTONIO MAGALDI é teórico, critico teatral e professor mineiro radicado no Rio de Janeiro desde 1948. Ele pertence ao primeiro escalão intelectual brasileiro, influente pensador ligado a momentos decisivos da história do teatro brasileiro. Formou-se em direito, em 1949, pela Universidade de Minas Gerais (faz o último ano no Rio de Janeiro). De 1950 a 1953, foi crítico teatral do Diário Carioca, enviando colaboração da França, enquanto lá permanece de 1952 a 1953. Nesse ano recebe o certificado de estética da Sorbonne (Universidade de Paris), sendo seu professor Etiènne Souriau. A obtenção desse certificado exige ainda aprovação nos cursos de psicologia e história da arte moderna. Regressa ao Brasil, transfere-se para São Paulo, a convite de Alfredo Mesquita, a fim de lecionar história do teatro na Escola de Arte Dramática - EAD, e se torna redator do jornal O Estado de S. Paulo. Com a criação do Suplemento Literário, em 1956, tornou-se titular da coluna de teatro até 1969. Participou do Seminário de Dramaturgia do Teatro de Arena, em 1958, e dirigu nos anos 60 a coleção Teatro Universal, da Editora Brasiliense, e a coleção Teatro Vivo, da Editora Abril, nos anos 70. Fundada a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA/USP, em 1967, chegou por concurso a professor titular de teatro brasileiro. E recebeu o título de professor emérito em 2000. Foi o primeiro secretário municipal de Cultura de São Paulo, a convite do prefeito Olavo Setúbal. Com Maria Thereza Vargas, lançou, em 1975, Cem Anos de Teatro em São Paulo, publicação fasciculada destinada a comemorar o centenário do jornal O Estado de S. Paulo e depois editada em livro (Editora Senac São Paulo, 2001). Doutorou-se na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, FFLCH/USP, em 1972, com a tese Teatro de Oswald de Andrade, e fez livre-docência, em 1983, na ECA/USP, defendendo a tese Nelson Rodrigues: Dramaturgia e Encenações. Prestou, em 1985, concurso para professor adjunto, tornando-se, em 1988, professor titular de teatro brasileiro. Organizou e prefaciou a publicação do Teatro Completo de Nelson Rodrigues (quatro volumes), que se estende de 1981 a 1989. De 1985 a 1987, lecionou na Sorbonne, em Paris, e de 1989 a 1991, na Universidade de Aix-en-Provence. Em 1994 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, ABL. Entre os títulos de sua produção destacam-se Panorama do Teatro Brasileiro, 1962; Iniciação ao Teatro, 1965; O Texto no Teatro, 1989; Moderna Dramaturgia Brasileira, 1998; Depois do Espetáculo, 2003; Teatro da Ruptura: Oswald de Andrade e Teatro da Obsessão: Nelson Rodrigues, 2004. Outras publicações: Temas da História do Teatro, 1963; O Cenário do Avesso, 1977; Um Palco Brasileiro (O Arena de São Paulo), 1984; O Texto no Teatro Moderno Brasileiro, em Literatura Brasileira: Ensaios, Crônica, Teatro e Crítica, 1986; O Papel de Brecht no Teatro Brasileiro: Uma Avaliação, em Brecht no Brasil, Experiências e Influências, de W. Bader; Teoria e Prática da Censura no Brasil Atual, em Le Thêatre sous la Contrainte, 1988; Teatro Brasileiro, em O Teatro através da História (vol.II), 1994; As Luzes da Ilusão (Discurso de recepção na ABL), 1995; O Crítico de Teatro, em Sobre Anatol Rosenfeld. Em obras de referência e especializadas, é autor do verbete sobre o teatro brasileiro da Enciclopédia Mirador Internacional e do Díctionnaire des Littératures das Presses Universitaires de France. Atualiza verbetes sobre teatro do dicionário Novo Aurélio - Século XXI. Acumula muitos prêmios ao longo de sua carreira no país. É conselheiro vitalício da Fundação Bienal de São Paulo; torna-se Chevalier des Arts et Lettres, do governo francês, em 1967; e Chevalier de l'Ordre National du Mérite, do governo francês, em 1979. (Fonte: Itau Cultural)

FONTE:
GUINSBURG, Jacó. Apresentação. In: MAGALDI, Sábato. Moderna dramaturgia brasileira. São Paulo: Perspectiva, 1998.
MAGALDI, Sábato. Iniciação ao teatro. São Paulo: Ática, 1985.



GERD BORNHEIM: O SENTIDO E A MÁSCARA – A obra “O sentido e a máscara” de Gerd Bornheim, trata de questões acerca do teatro contemporâneo, de vanguarda, Ionesco e o Teatro Puro, as duas características do Expressionismo, observações sobre o sentido e a evolução do trágico, Kleist e a condição romântica, Edmont de Goethe, vigência de Brecht, a propósito de Jacques e a submissão de Ionesco.

REFERENCIA:
BORNHEIM, Gerd. O sentido e a máscara. São Paulo: Perspectiva, 1975.




COISAS DE TEATRO – Excelente blog editado pelo ator, diretor, autor, professor de teatro e produtor cultural Mariozinho Telles, pela escritora Adelia Carvalho e pelo autor teatral, cartunista e blogueiro Ruy Jobim Neto. O espaço traz notícias, eventos, destaques, oficinas, cursos e muitas dicas sobre o universo teatral brasileiro e do exterior. Confira, imperdível. Veja mais aqui.




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